segunda-feira, 9 de junho de 2008

Estudo mapeia empregos obtidos por mestres e doutores

Estudo que mapeia empregos obtidos por mestres e doutores mostra pós-graduação forte e que precisa se adequar a novo país

Apresentar um primeiro mapeamento das características do emprego de doutores brasileiros em 2004, de acordo com a área de conhecimento, foi o principal objetivo de relatório preliminar discutido durante o workshop Demografia da Base Técnico-Científica no Brasil.

O projeto de pesquisa cruza dados do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) com os registros da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), que as empresas obrigatoriamente preenchem uma vez por ano. O trabalho estará concluído no meio do ano.

“A área de formação de Recursos Humanos é o esteio da base técnico-científica brasileira e está carente de reflexões mais amplas, que cruzem os entendimentos institucionais, as várias agências e saiam de um debate meramente operacional para a construção de uma visão estratégica mais encorpada”, avalia Antonio Carlos Galvão, diretor do CGEE e supervisor do projeto. O workshop foi dirigido às instituições envolvidas e que trabalham com questões relacionadas como o CNPq, a Capes, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o Ministério da Previdência (MPS), o Instituto Brasileiro de Produtividade e Qualidade (IBQP), o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Os consultores envolvidos no projeto são Eduardo Viotti, pesquisador associado pleno do Centro de Desenvolvimento Sustentável (CDS), da Universidade de Brasília (UnB), e Adriano Baessa, especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental do Ministério de Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG).

Resultados
O relatório preliminar constata que a política de pós-graduação no Brasil vem sendo mantida desde a década de 70, independente das mudanças de governo. A quantidade de pós-graduados aumentou consideravelmente, o que “era perfeitamente adequado nas décadas iniciais da expansão em razão da carência generalizada de pessoal de alto nível”, relata o documento. Para Eduardo Viotti, é necessário “refazer a pós-graduação para atender de alguma forma às necessidades do desenvolvimento brasileiro.” A transformação, de acordo com o pesquisador, deve se dar por meio de um crescimento maior nas áreas que interessam mais ao desenvolvimento e não pela formação disponível. Segundo dados da Capes, o número de pós-graduandos cresceu, entre 1995 e 2004, a uma taxa de 15% ao ano. Em 2004, o Brasil formou um total de 8094 doutores em todas as áreas, ocupando o 10º lugar no mundo, atrás de países como os EUA, Rússia, Alemanha, China, Reino Unido e Índia. O Brasil cai para a 27ª posição quando se analisa o número de doutores formados por cada 100 mil habitantes. A previsão do Plano Nacional de Pós-Graduação (PNPG) é de que o país forme 16 mil doutores no ano de 2010.

“O crescimento da pós-graduação brasileira é absolutamente espetacular em termos internacionais. Tem qualidade, quantidade e diversidade que poucos países em desenvolvimento têm”, afirma Viotti. “No entanto”, continua, “precisamos pensar em formas diferentes de interferir na dinâmica da pós-graduação, que não seja aquela dada apenas pelos interesses acadêmicos, pois os mestres e doutores já não encontram emprego exclusivamente nas universidades.”

O estudo mostra também que o fato de os pós-graduados não encontrarem empregos apropriados prejudica a contribuição que poderiam dar ao avanço do conhecimento. Uma das dificuldades para a empregabilidade de mestres e doutores resulta de sua formação não se enquadrar aos requisitos do mercado. “O momento é muito especial. Há uma mudança na composição da nossa população, uma série de transições em curso. A base técnico-científica tem que ser pensada no contexto dessas referências sociais”, completa Antonio Carlos Galvão.

Recortes
O projeto de pesquisa contempla análises por estados, por áreas de conhecimento e por áreas do mercado profissional e faz analogias com outros países – com especial ênfase na comparação com os EUA. O relatório mostra, por exemplo, que o número de doutores titulados no Brasil em 2006 corresponde a mais de 1/5 dos titulados nos EUA – líder na formação de doutores. A taxa é muito elevada, pois a economia brasileira representa 1/8 da estadunidense.

O trabalho destaca as Ciências Agrárias: em 2003, titularam-se 1.026 doutores na área -- número só ultrapassado pelo Japão, EUA e Índia. As outras áreas que mais titulam doutores são Ciências da Saúde, Ciências Humanas e Ciências Biológicas. São Paulo é o estado que mais forma doutores – 15.711, entre 1996 e 2003; mas só 9.122 permaneceram no estado. Muito abaixo vêm os estados do Rio de Janeiro, também um "exportador líquido" de doutores, e Minas Gerais. Alguns estados não apresentavam nenhum doutor formado no período, como Acre, Tocantins, Maranhão, Piauí e Mato Grosso do Sul. A hipótese de Viotti para a ausência de doutorandos no período é de que, na época, esses estados estariam montando seus programas de pós-graduação.

O estudo constata que, entre os doutores que têm empregos formais, quase metade (44%) se concentra na área de educação – universidades e escolas. Fatia quase igual (43%) ocupa cargos na administração pública, defesa e seguridade social. Um dado a ser analisado é que 37% dos doutores não estão registrados como empregados formais. “Nessa percentagem, estão doutores que acabaram de se formar e ainda não tiveram tempo de fazer concurso para professor ou que ainda não encontraram emprego porque estavam desempregados antes.”, explica Viotti.

Desdobramentos
A estratégia de apresentação do relatório preliminar foi compartilhar os dados com os especialistas presentes ao workshop, discuti-los e explorar eventuais possibilidades adicionais de avanço nessa linha de trabalho. “Podemos desenvolver outros tipos de estudo – por exemplo, sobre a questão da ocupação, ou concentrar a análise em áreas específicas do conhecimento, ou fazer outros cruzamentos com a base Lattes”, afirmou Viotti ao finalizar sua apresentação. Segundo Galvão, há boas perspectivas para o projeto. “Com a conclusão do estudo, teremos uma análise inicial da situação da base técnico-científica brasileira e podemos, assim, no futuro, aprofundar a discussão sobre a relação desse contingente com o restante da população e o desenvolvimento do país". Uma proposta metodológica nesse sentido está sendo preparada pelo CGEE com o apoio do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da UFMG (Cedeplar).

Fonte: CGEE

Bolsas DAAD para curso avançado de língua e cultura alemãs

Estão abertas as inscrições para mais uma edição do tradicional Curso de Inverno de Língua e Cultura Alemãs do DAAD (Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico) , também conhecido pela expressão alemã Winterkurs.

Para participar, o candidato precisa ser brasileiro ou estrangeiro com residência permanente no Brasil, possuir até 32 anos, estar matriculado em universidade brasileira, ter no mínimo o sexto período da graduação concluído até o fim deste ano (admite-se também pós-graduandos), apresentar desempenho acadêmico muito bom e comprovar conhecimento de alemão equivalente ao nível intermediário, entre outras exigências.

Os pedidos de bolsa devem ser enviados para o escritório do DAAD no Rio de Janeiro até 11 de julho.

Com duração em geral de seis semanas, os próximos Winterkurse ocorrerão em janeiro e fevereiro de 2009 (datas exatas ainda a definir) em universidades de Freiburg, Essen, Leipzig e agora também de Berlim.

A bolsa inclui curso, seguro-saúde, auxílio para manutenção, hospedagem e alimentação, além do reembolso da passagem aérea. O programa oferece também aos participantes atividades como excursões nos fins de semana e visitas a teatros, museus e instituições culturais.

Mais informações: rio.daad.de/shared/graduacao.htm

O DAAD é maior organização de intercâmbio acadêmico e científico do mundo, com mais de 55 mil alemães e estrangeiros fomentados por ano e orçamento anual de 300 milhões de euros.

Fonte: DAAD

CGEE lança em julho o " Manual de Capacitação Sobre Mudança do Clima e Projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo"

Mudanças Climáticas - CGEE publica manual que apóia elaboração de projeto de mecanismo de desenvolvimento limpo que nasceu de curso de capacitação

O Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) lança, em julho, o Manual de Capacitação Sobre Mudança do Clima e Projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) como parte das atividades definidas no contrato de gestão com o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).

A publicação será o principal material de apoio para os cursos do Programa de Capacitação Sobre Mudança do Clima e Projetos de MDL, iniciados em 2006. Os cursos surgiram de uma parceria do Centro com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e federações estaduais para subsidiar empresas na elaboração de Projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) e para apontar as oportunidades de negócios no mercado internacional de créditos de carbono. "Para se promover projetos de MDL, é fundamental o conhecimento das questões que circundam as mudanças climáticas e dos caminhos que o Brasil pode seguir na captação de recursos para esse tipo de iniciativa", afirma Marcelo Khaled Poppe, coordenador do programa no CGEE.

O programa de capacitação teve início com experiências piloto, em 2006, no Rio de Janeiro, São Paulo, Recife e Porto Alegre. Depois de definida a metodologia e o formato -- cursos com duração de 24 horas --, o programa realizou, em 2007, seminários em nove cidades: São Paulo, Goiânia, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Florianópolis, Brasília, Fortaleza e São Luís. Neste ano, o programa já promoveu um curso em Goiânia e outro em Curitiba. Até agora, o programa contou com cerca de 420 participantes. O próximo curso, que acontecerá entre 2 e 4 de julho, em Campo Grande, deverá ser o primeiro a utilizar o manual como suporte para as aulas.

O manual foi elaborado a partir da experiência dos cursos passados. Poppe explica que, durante o desenrolar das atividades, os participantes e monitores sentiram falta de material de apoio mais acessível do que o usado até então. "Paralelamente aos cursos, fomos definindo o escopo de um manual que condensasse as informações e que tivesse uma orientação mais pedagógica. A literatura sobre o assunto é extremamente vasta e complexa, formada por protocolos, acordos internacionais e peças jurídicas -- e não é direcionada a esse tipo de curso". O coordenador antecipa também que o manual poderá se tornar uma referência para todas as instituições acadêmicas e outras interessadas na inserção de módulos de capacitação sobre o tema.

Criado no Protocolo de Quioto para reduzir emissões de gases do efeito estufa (GEE), o MDL permite a compra, por parte dos países signatários do protocolo, de créditos de carbono gerados por projetos de redução de emissões executados nos países em desenvolvimento, para os quais as regras existentes não impõem metas físicas de redução de emissões. Os países desenvolvidos podem comprar créditos derivados de projetos de MDL de países em desenvolvimento – como projetos de reflorestamento ou de uso de energias de fontes renováveis, por exemplo. Os créditos de carbono criam um mercado para a redução de GEE, dando um valor monetário ao esforço de redução de emissões. A comercialização funciona por meio da compra e venda de certificados de emissão de gases do efeito estufa.

Oportunidade de negócios
Uma das principais intenções do manual e dos cursos de capacitação é mostrar que projetos de MDL podem resultar em boas oportunidades de negócios internacionais. Poppe explica que o Protocolo de Quioto, ao estabelecer metas de emissão de gases de efeito estufa, criou o mercado de créditos de carbono. Normalmente, a redução de emissão de dióxido de carbono (o principal gás de efeito estufa) por projetos de MDL nos países em desenvolvimentoé comprada por empresas de países desenvolvidos, que têm custos extras devido a essa redução e utilizam os créditos de carbono para cumprir suas metas definidas no Protocolo.

"Os mecanismos de flexibilização desenhados em Quioto visam apoiar iniciativas de redução de emissão de gases. Quando se fala de projetos de MDL, deve-se considerar despesas com o desenvolvimento e a implementação dos projetos. Todas as etapas do ciclo de projetos geram custos, incluindo atividades de reflorestamento, construção de obras e instalação de equipamentos necessários, como biodigestores, por exemplo". Os benefícios vêm da comercialização dos créditos decorrentes das emissões evitadas.

O manual
Um grupo de instrutores do curso foi selecionado para elaborar o manual, que reflete o conteúdo dos cursos. O texto foi estruturado em três módulos teóricos e um prático.

O módulo 1, intitulado "Mudança de Clima e Acordos Internacionais", trata da questão do aquecimento global do ponto de vista físico. Aborda as conseqüências do aumento da temperatura, informa sobre os gases do efeito estufa e trata de aspectos jurídicos que envolvem mudanças climáticas nas negociações internacionais e no quadro geral nacional.

O segundo módulo, "Trâmite e institucionalidade de Projetos e Introdução ao ciclo de projetos", mostra como projetos de MDL podem ser concebidos, desenvolvidos, implementados e remunerados.

"Oportunidade de Negócios e avaliação da atratividade” é o título do Módulo 3, que mostra como detectar e aproveitar oportunidades de negócios para projetos de MDL nas empresas e também como medir seu potencial de comercialização e sua atratividade. Esse módulo abrange, ainda, questões como compradores e vendedores, potenciais barreiras ao aproveitamento das oportunidades (custos, titularidade), riscos e valores praticados no mercado de carbono.

O Módulo 4, "Projetos de MDL por setor/atividade produtiva", toma metade da publicação. Dividido em três setores (energia, reflorestamento e tratamento de resíduos), o módulo procura desenvolver exercícios práticos em torno dos Projetos de MDL.

Poppe lembra que a participação nos cursos não se limita ao setor industrial, pois atores governamentais também se utilizam dessa dinâmica relacionada ao MDL em atividades de responsabilidade pública como energia elétrica e saneamento, por exemplo. "É importante que esses responsáveis também tenham conhecimento do assunto de forma a poder negociar com as empresas que vão apresentar projetos". O coordenador enfatiza que o MDL pode ser uma boa forma de atrair recursos adicionais para implementação de projetos sustentáveis e enfatiza que o curso e o manual podem apoiar outras iniciativas de capacitação. Os cursos despertam interesse, ainda, em prestadores de serviços, como escritórios de advocacia que atuam na área ambiental, e a acadêmicos envolvidos com o tema das mudanças climáticas.

Fonte: CGEE

São José dos Campos terá o primeiro laboratório brasileiro para pesquisas de estruturas leves - LabPel

Futuro mais leve
O Parque Tecnológico de São José dos Campos, no interior paulista, ganhará o primeiro laboratório brasileiro voltado para a pesquisa de estruturas leves. Um dos principais objetivos da iniciativa é ajudar o país a dominar tecnologias essenciais à competitividade no setor aeroespacial internacionalmente, desenvolvendo novos materiais capazes de reduzir o peso das aeronaves.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou na semana passada recursos de R$ 27,6 milhões para o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e para a FAPESP, que terão respectivamente R$ 19,7 milhões e R$ 7,9 milhões para a estruturação do laboratório e para o financiamento de projetos.

O Laboratório de Pesquisas de Estruturas Leves (LabPEL) será instalado em terreno cedido pela prefeitura de São José dos Campos. O IPT será responsável pela operação, pelo plano de negócios e pela manutenção das instalações.

O laboratório começará a operar por meio de quatro projetos de pesquisa financiados pela FAPESP, pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), pelo IPT e pela Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer).

Aos recursos repassados pelo BNDES, por meio do Fundo Tecnológico (Funtec) – destinado a financiar projetos voltados para o desenvolvimento tecnológico e inovação de interesse estratégico –, somam-se R$ 4,7 milhões da FAPESP, R$ 7,3 milhões do IPT, R$ 8,8 milhões da Finep e R$ 42 milhões da Embraer (em homens/hora). No total, estão previstos R$ 90,5 milhões para a iniciativa.

De acordo com o diretor do Centro de Integridade de Estruturas e Equipamentos (Cintec) do IPT, Luiz Eduardo Lopes, o LabPEL deverá ser concluído dentro de três anos, mas seis meses após o início das obras já haverá áreas em condições de operação.

“É importante ressaltar que, embora o laboratório tenha nascido de quatro projetos com foco na indústria aeronáutica, ele será capaz de desenvolver tecnologias transversais com aplicações, por exemplo, nas indústrias automobilística e de autopeças, petróleo e gás, naval, bélica, de geração e transporte de energia elétrica, construção civil e bens de capital”, disse Lopes.

Segundo ele, no entanto, para a indústria aeronáutica o laboratório terá importância vital. “A maior preocupação da indústria aeronáutica na atualidade é o peso das novas aeronaves. Há uma tendência mundial de aumento da utilização de compósitos nas estruturas que suportam a carga de vôo. O Brasil está ligeiramente defasado no desenvolvimento dessas tecnologias e o laboratório virá em um bom momento para fecharmos essa lacuna”, afirmou.

Em que pese a defasagem brasileira em relação à tendência mundial, de acordo com Lopes, a indústria internacional também não domina plenamente as tecnologias necessárias para aplicação de materiais compósitos no setor aerospacial.

“Os desafios ainda são muito grandes e temos a chance de nos manter alinhados com as tecnologias de ponta. O LabPEL dará ferramentas para que possamos desenvolver essas estruturas. Sem uma iniciativa desse tipo não se pode fazer muita coisa”, apontou.

O aumento na resistência dos materiais estruturais das aeronaves permite o aumento da pressão e da umidade relativa do ar dentro da cabine, melhorando consideravelmente o conforto durante a viagem. O desafio é conseguir essa maior resistência sem aumentar o peso da estrutura.

“Para unir as placas de metal que formam a estrutura são utilizados rebites. Isso exige a sobreposição das placas, o que aumenta o peso da aeronave. Para mudar esse paradigma é preciso incorporar o desenvolvimento tecnológico em um processo de fabricação diferenciado. O LabPEL terá equipamentos para testar e construir esses materiais e será capaz de fazer modelagens e simulações para que essas tecnologias possam ser integradas em processos produtivos”, destacou.

Projetos estruturantes
Segundo o diretor científico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz, o apoio da FAPESP ao laboratório será feito por meio do programa Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE), mantido pela Fundação desde 1995.

“O primeiro projeto aprovado associa à Embraer uma equipe de pesquisadores liderada pelo professor Sérgio Frascino Müller de Almeida, do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), para desenvolver o conhecimento e capacitação para o uso de tecnologias de fabricação de estruturas de materiais compósitos, aplicadas em estruturas aeronáuticas”, disse Brito Cruz.

Os investimentos previstos neste projeto são de R$ 736 mil e US$ 570 mil, feitos pela FAPESP, R$ 10,6 milhões e US$ 701 mil pela Embraer, e contrapartida de R$ 3,4 milhões e US$ 4 milhões do BNDES.

“Outro objetivo do projeto é dominar a concepção, o projeto e o desenvolvimento de estruturas para reduzir de 10% a 15% o peso e em 10% o custo do material metálico utilizado em aeronaves”, afirmou Brito Cruz.

A participação da Fundação na criação do laboratório, no entanto, ultrapassa o apoio a projetos de pesquisa, segundo o diretor científico. “A FAPESP teve um papel determinante na montagem do laboratório, tendo submetido a proposta inicial ao BNDES”, disse.

Outros dois projetos estruturantes do laboratório, encampados pela Embraer, irão investigar procedimentos de fabricação e aferição de desempenho de estruturas metálicas produzidas a partir de ligas e processos de conformação avançados.

O quarto projeto, que será desenvolvido no LabPEL com recursos da Finep, tem foco em novas tecnologias para fabricação de fuselagens com o equipamento Fiber Placement, de deposição automática de camadas de fibras para composição do material.

Segundo Lopes, do Cintec, o diferencial do LabPEL em relação a outros laboratórios gerenciados pelo IPT é que o projeto será assessorado por um comitê de pesquisadores brasileiros e estrangeiros.

“De comum acordo com a FAPESP, criamos um conselho consultivo que se encarregará de manter a compatibilidade da agenda de desenvolvimento tecnológico do laboratório com o que é feito nas principais instituições do mundo nessa área”, explicou.

Lopes afirma que, assim como os outros laboratórios do IPT, o LabPEL ficará disponível para iniciativas de pesquisadores de outras instituições e centros industriais de pesquisa e desenvolvimento.

“O laboratório será instalado em uma planta térrea de cerca de 4 mil metros quadrados. Assim que o BNDES liberar o dinheiro, o IPT encomendará os equipamentos. Parte das máquinas levará um ano e meio para ser entregue, já que se trata de equipamento importado de alta tecnologia”, disse.

Segundo Lopes, a aplicação de fibra de carbono na fabricação de uma peça para a indústria aeronáutica, por exemplo, não pode ser feita a mão, por isso o laboratório necessitará de máquinas de comando numérico que garantam a replicabilidade e a qualidade dos produtos.

“O laboratório terá duas grandes máquinas que permitirão a deposição automática, robotizada, da fibra de carbono para fabricação de peças para diversos tipos de aplicação”, disse. Lopes ressalta ainda que, além dos materiais compósitos, o laboratório trabalhará também com materiais metálicos.

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP

Um Autista Muito Especial

No último dia 23 de maio , a autora Deusina Lopes da Cruz esteve presente na Livraria Cultura para uma palestra e sessão de autógrafos do livro 'Um autista muito especial', que conta a sua história e de seu filho autista, uma história marcada por desafios medos e vitórias.

A autora nos faz vivenciar o que ela chama de 'saudade do filho sonhado' apresentando a história de Felipe desde a infância até o momento atual, em que ele não tem condições de conviver com a mãe e o irmão.

Sobre a autora:
Deusina Lopes da Cruz é formada em Ciências Econômicas pela Faculdade Católica de Brasília-DF e especialista em Integração de Pessoas com Deficiência: Habilitação e Reabilitação, pela Universidade de Salamanca na Espanha. Na luta pelos direitos das pessoas com autismo, participou de várias iniciativas não-governamentais, integrou a Diretoria da Associação Terapêutica Educacional Para Crianças AutistasASTECA, em Brasília-DF e presidiu a Associação Brasileira de Autismo – ABRA, com sede em Brasília-DF.

Maiores informações sobre o livro: www.editoramediacao.com.br

Doença sexual atinge 26% dos caminhoneiros

Estudo da UnB mostra alta incidência de DST entre os profissionais, e revela que 76% procuram mulheres na estrada

Fora de casa na maior parte do ano, os caminhoneiros têm se tornado um grupo bastante vulnerável às doenças sexualmente transmissíveis (DST) e à Aids. Levantamento feito pelo pesquisador e enfermeiro Elias Marcelino da Rocha com 240 motoristas de caminhão no estado de Rondônia revela que 26% deles já tiveram ou têm alguma DST. Mesmo sendo regional, o número preocupa, levando-se em consideração que a maioria desses profissionais trabalha além das fronteiras do seu estado, trafegando de Norte a Sul do país.

Entre os 64 motoristas que já contraíram alguma DST, as doenças mais comuns foram gonorréia (72,5%), cancro (8,7%) e sífilis (7,2%). O restante está distribuído entre chato, uretrites e escabiose (sarna) (2,9%). O estudo, realizado sob a orientação da professora do Departamento de Enfermagem da Universidade de Brasília (UnB) Dirce Guilhem, foi apresentado na Faculdade de Ciências da Saúde em fevereiro.

AIDS
As porcentagens encontradas por Rocha podem ser consideradas muito altas, uma vez que menos de 10% na população brasileira é atingida pelas DST, segundo listagem das enfermidades mais comuns feita pelo Ministério da Saúde (MS).

Outro dado que chamou a atenção de Rocha foi o número de caminhoneiros que disseram conhecer algum colega de profissão portador do HIV ou que morreu em função da doença: 33%. “Minha intenção inicial era descobrir quantos deles possuíam Aids, mas essa pergunta poderia soar constrangedora. Por isso, reformulei-a para, ao menos, ter a idéia de como a doença está presente entre eles”, explica.

RISCO
A análise do comportamento desses profissionais apontou também o quão freqüente é a busca por aventuras sexuais com parcerias sexuais (homens ou mulheres) durante as viagens. Dentre os entrevistados, 76% relataram relacionamento extraconjugal com profissionais do sexo, mesmo sendo casados. Os participantes tinham idade entre 30 e 49 anos e vida sexual ativa.

No universo pesquisado, 38% revelaram procurar parceiras sexuais por necessidade fisiológica e, 25%, pelo fato de ficarem muito tempo fora de casa, além do distanciamento familiar. Para Rocha, os dados demonstram a necessidade de realizar ações de conscientização permanentes. “Mais de 40% disseram nunca ter recebido orientação, que é o elemento fundamental para evitar que eles se exponham sexualmente”, afirma.

IMPACTO
Na ausência do poder público, as empresas vêm desempenhando papel importante: 24% dos motoristas assistiram a palestras promovidas pelos patrões. “Para as transportadoras, não é interessante ter um funcionário doente”, explica Rocha.

De acordo com o estudo, campanhas informativas certamente seriam bem-vindas entre caminhoneiros, uma vez que 52% deles sugeriram esse tipo de ação. Os demais acham que o problema das DST pode ser minimizado com o uso de camisinha (22,6%) e relacionamento com parceria fixa (10,6%).

PECULIARIDADES
Na hora de cuidar da saúde dos caminhoneiros, entretanto, as características vinculadas ao trabalho são um entreva e prejudicam o tratamento das doenças. Eles evitam ir a centros de saúde, por exemplo, para não parar a viagem. Além disso, temem atrasos em consultas, que aumentariam ainda mais o tempo de jornada nas estradas.

Para alguns caminhoneiros, esse fator adquire ainda mais relevância quando transportam carga perecível, configurando mais um motivo para não ir ao hospital. Assim, realizar exames solicitados pelos médicos torna-se uma tarefa quase heróica. Para piorar a situação, os caminhões, que representam o principal meio de transporte, são geralmente proibidos de circular nos perímetros urbanos.

ESTRATÉGIA
Toda essa combinação resulta em um comportamento reprovado pelos profissionais de saúde: a automedicação. “Ao invés de um especialista, eles preferem procurar uma farmácia. É muito mais fácil do que enfrentar centros de saúde lotados”, afirma.

Rocha defende que a rede de saúde instale centros de atendimento especiais em locais que facilitem o acesso dos caminhoneiros, como nas proximidades de rodovias, postos de gasolina (onde aproveitam para dormir ou abastecer), ou postos fiscais (parada obrigatória para recolhimento de imposto e checagem da carga). O período de funcionamento daria preferência ao horário da noite, entre 19h e 23h, quando os motoristas param para descansar.

MACHISMO
Como se não bastassem as dificuldades de acesso ao sistema de Saúde, Rocha verificou que a própria cultura dos caminhoneiros os coloca em situação de vulnerabilidade para a infecção. “O machismo faz com que eles não recusem as garotas de programa. Se rejeitam uma cantada, acham que são menos homens e não querem colocar em dúvida a masculinidade e a virilidade”, afirma Rocha. “Essa é uma situação cultural que levará muitos anos para mudar.”

METODOLOGIA
Elias Rocha aplicou questionário a 240 caminhoneiros, entre os quais 40% ficam mais de 20 dias por mês fora casa. Foram colhidos dados sociodemográficos e informações referentes ao comportamento sexual. O trabalho foi feito em três cidades do estado de Rondônia: Cacoal, Vilhena e Porto Velho, que são atravessadas pela BR-364, partindo de Limeira, no interior de São Paulo, até Rio Branco, capital do Acre. Ao parar no posto de gasolina ou posto fiscal, o enfermeiro montava um banner que informava os motoristas sobre a pesquisa. Após as conversas, Rocha entregava material educativo produzido por ele mesmo com explicações a respeito das principais doenças sexualmente transmissíveis e formas de preveni-las.

Elias Marcelino da Rocha é mestre em Ciências da Saúde pela Universidade de Brasília (UnB), com graduação em Enfermagem pela Fundação Educacional de Fernandópolis (FEF), em São Paulo, contas pelo e-mail

Fonte: Daiane Souza / UnB

Unesp inicia a implantação do supercomputador do GridUnesp

Unesp em alta velocidade
Nove de junho marcará uma importante data para o avanço do conhecimento e da pesquisa científica na Universidade Estadual Paulista (Unesp). Será o início da implantação, dentro do Programa de Integração da Capacidade Computacional da Unesp (GridUnesp), de uma das maiores infra-estruturas computacionais de alto desempenho na América Latina.

O sistema central desse conjunto de clusters (aglomerados de computadores) interconectados será instalado em São Paulo. Com 2.048 processadores, terá capacidade de desempenho teórico de cerca de 23,2 teraflops (trilhões de cálculos por segundo) – a capacidade real será conhecida após a instalação.

Junto com outros equipamentos, a serem instalados em Araraquara, Bauru, Botucatu, Ilha Solteira, Rio Claro e São José do Rio Preto, no total serão 368 servidores, com capacidade de processamento teórico de 33,3 teraflops.

“Estimamos que apenas o cluster central na capital paulista esteja perto da centésima posição no ranking mundial dos 500 maiores supercomputadores do mundo”, disse Sérgio Ferraz Novaes, coordenador geral do GridUnesp.

A intenção é permitir a grupos de pesquisa da universidade o acesso aos mais elevados níveis de capacidade de processamento, de análise e de armazenamento de grandes quantidades de dados, que reduzirão o tempo de cálculo em linhas de pesquisas como seqüenciamento genético, meteorologia, química quântica e física de altas energias.

O GridUnesp é o terceiro grande sistema computacional a ser implantado no Brasil desde o início do ano, após o supercomputador do Centro Nacional de Processamento de Alto Desempenho (Cenapad) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e o Netuno, computador de alto desempenho para uso acadêmico instalado no Núcleo de Computação Eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

“O Brasil tem hoje uma demanda enorme e crescente de pesquisas que implicam a evolução do conceito de grid [grade] em todo o mundo. Os problemas científicos necessitam cada vez mais da produção de maior quantidade de dados, que devem ser filtrados e armazenados em um espaço de tempo menor e factível”, disse Novaes.

Para ele, esses problemas na maior parte das vezes fogem do controle dos pesquisadores e são impostos no decorrer dos estudos. “Em editorial em março, a revista Nature conclamou países de todo o mundo a investir com urgência em supercomputadores voltados a previsões meteorológicas, ao apontar que essa é uma demanda inadiável e que pode representar a sobrevivência do planeta”, salientou.

“Hoje, a capacidade de predição ambiental, por exemplo, está totalmente limitada pela capacidade de processamento de dados”, disse o professor do Instituto de Física Teórica da Unesp. Segundo ele, o conceito de computação em grade decolou nos últimos anos, quando a velocidade de transmissão de dados começou a crescer muito mais rapidamente do que a capacidade de processamento de dados.

“Com esse conceito as redes ópticas de alta velocidade de diversos países começaram a processar dados de forma global, como se existisse um grande computador espalhado pela Terra e cujos processos são distribuídos conforme a disponibilidade das máquinas. Se eu sei que um trabalho rodará mais rapidamente no Japão, por exemplo, deixo de executar esse serviço aqui no Brasil e o envio àquele país”, explicou.

Grade internacional
Segundo Novaes, nesse contexto de uso conjunto da capacidade tecnológica mundial, o GridUnesp fechou uma parceria com o Open Science Grid (OSG), que engloba a estrutura computacional em grade em mais de 50 centros interconectados nos Estados Unidos.

“O OSG é interligado e compartilha recursos computacionais com estruturas de grid de outros países na Europa, Ásia e América Latina”, disse.

O GridUnesp será conectado à Internet2 norte-americana – rede de alta velocidade que está sendo desenvolvida e utilizada por mais de 200 universidades – por meio da rede MetroSampa, que interliga instituições de educação, cultura e pesquisa na região metropolitana de São Paulo.

Inicialmente poderão utilizar a capacidade instalada no GridUnesp apenas professores e alunos da universidade. “Mas, além do fato de fazermos parte de uma rede mundial, o que implica o compartilhamento de nossa estrutura física, outras universidades e institutos de pesquisa do Brasil também deverão se beneficiar. A idéia é que o GridUnesp seja a semente de uma estrutura maior por todo o Estado de São Paulo”, salientou Novaes.

A conexão do GridUnesp entre os clusters no interior de São Paulo será feita pela rede KyaTera, desenvolvida no Programa Tecnologia da Informação no Desenvolvimento da Internet Avançada (Tidia) da FAPESP. A implantação dos clusters da Unesp custou R$ 3,1 milhões e contou com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

O GridUnesp foi desenvolvido por meio de convênio entre a Finep, a Fundação para o Desenvolvimento da Unesp (Fundunesp) e a Unesp. Todos as máquinas do cluster estão sendo fornecidas pela empresa Sun Microsystems do Brasil.

Fonte: Por Thiago Romero / Agência FAPESP

Queda do 4° andar é a pior para os gatos


Acima do 5°, risco passa a ser menor para os felinos, explica professor da UnB sobre a síndrome do gato voador

Um gato que caia do 10º andar e outro que despenque do 2º terão, surpreendentemente, ferimentos parecidos, na maioria das vezes leves. No entanto, um animal que se acidente entre o 3º e o 5º andar vai ter muito mais lesões, e pode até morrer. Essa diferença, que parece subverter as leis da Física, é resultado das peculiaridades desses animais ao se equilibrar.

De acordo com o médico veterinário da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária (FAV) da Universidade de Brasília (UnB) Richard da Rocha Filgueiras, a explicação está no tempo necessário para os bichanos se estabilizarem no ar. “A uma distância mediana eles têm dificuldades de virar e tocar o chão com as quatro patas”, diz. O problema recebe o curioso nome de síndrome do gato voador.

Nos andares mais baixos, como 1º e 2º, o animal tende a cair naturalmente de pé, considerando a medida de 3,6 metros para cada patamar. Já um pouco acima disso, o gato pode não conseguir se endireitar e, então, colidir com o solo de costas ou lateralmente. “O perigo é maior porque pode ocorrer trauma intestinal ou pulmonar e hemorragia interna”, diz.

Acima do 6º andar, no entanto, e de distâncias superiores a essa, o felino já consegue girar e atingir o chão com as quatro patas, amortecendo o impacto. Isso não significa, porém, que o animal não se machuque. As fraturas, nesse caso, se concentram nas patas da frente e no queixo, que também bate na superfície, além de lesões na cavidade bucal.

Para não se ferir nessas ocasiões, o gato se vale de dois recursos. Primeiro, do seu aparelho vestibular (órgãos responsáveis pelo equilíbrio) bastante apurado, o que lhe confere a capacidade de voltar à posição normal. Em segundo lugar, da mobilidade de estirar lateralmente as patas.

Durante uma queda “longa”, o animal abre os membros anteriores e posteriores para que seu corpo funcione como um planador, tanto que a síndrome também é conhecida com a do “gato pára-quedista”. “Quando eles fazem isso, aumenta a área em atrito com o ar, causando a desaceleração”, diz o professor.

No Hospital Veterinário da UnB (HVet) há poucas ocorrências do problema, sendo que uma das hipóteses está na limitação de andares em grande parte dos prédios da capital. Em outras cidades, porém, os registros são mais comuns, principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Segundo o veterinário, a primeira atitude após o acidente deve ser a verificação das vias respiratórias do animal. “O mais importante é limpar a cavidade nasal, pois se o sangue coagular, vai tampar a passagem do ar e causar sua morte”, alerta. Depois, o gato deve ser colocado numa gaiola própria e transportado para o veterinário, que avaliará a extensão dos danos e prescreverá o tratamento ideal.

O tema foi apresentado no 1º Simpósio de Medicina Felina de Brasília, promovido pela UnB de 5 a 8 de junho.

Há alguns anos, era desconhecido o fato de que gatos podiam se acidentar. Por isso, atribuía-se a alguns felinos distúrbios que os levassem a pular intencionalmente de grandes alturas. Mais tarde, pesquisadores descobriram que o bater de uma porta era suficiente para assustar um gato que estivesse no parapeito de uma janela. Os bichanos também podem cair ao se distrair com uma lagartixa ou uma borboleta.

Os veterinários evitam engessar gatos fraturados, pois além de ser um material de difícil manipulação, o gesso favorece doenças de pele nos animais. Por isso, Richard Filgueiras e uma colega da área médica de seres humanos desenvolveram uma tala móvel. O instrumento mantém o local da lesão imobilizado, mas permite que o bichano movimente as articulações.

“A ortopedia moderna evita a bandagem. Impossibilitar os movimentos causa lesões na cartilagem”, diz.
A idéia surgiu em 2006 e, até o momento, já foram criadas quatro talas móveis, três para cachorros e uma para gato. O produto, montado com tubo de PVC, folha de espuma e velcro, ainda não é feito em série nem comercializado. Tem sido usado apenas internamente no Hospital Veterinário da UnB (HVet).

PERFIL
Richard da Rocha Filgueiras é professor da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária (FAV) Universidade de Brasília (UnB), é doutorando em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), mestre e graduado na mesma área, também pela UFV.Contatos pelo e-mail ou pelo telefone (61)3307 1869

Daiane Souza / UnB

O matemático Jacob Palis ganha o Prêmio Internacional Tartufari

A Accademia Nazionale dei Lincei, na Itália, escolheu o matemático Jacob Palis, pesquisador titular do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), para receber seu principal prêmio na área de matemática, o Prêmio Internacional Tartufari.

Segundo o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a cerimônia será realizada na quinta-feira (12/6) no Palazzo Corsini, em Roma.

A Accademia Nazionale dei Lincei, fundada em 1603, é a mais antiga academia científica do mundo e teve como primeiro membro Galileu Galilei. Instituição máxima da cultura italiana, a academia atualmente funciona como conselheira da Presidência da República.

Fazendo jus à sua missão de “promover, coordenar, integrar e difundir o conhecimento científico em sua mais elevada expressão em um cenário de unidade e universalidade da cultura”, a Accademia dei Lincei oferece prêmios em diversas áreas. Em ciência, são oferecidos quatro prêmios internacionais, em matemática, física, química e biologia, que constam de um diploma e 25 mil euros cada.

Palis é presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e da Academia de Ciências para o Mundo em Desenvolvimento (TWAS). Nascido em Uberaba (MG), em 1940, fez graduação em engenharia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e mestrado e doutorado pela Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos. Desde 1971 é pesquisador do Impa, instituição vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) que dirigiu de 1993 a 2003.

Especialista em sistemas dinâmicos, é membro de academias de ciências de dez países, entre os quais Estados Unidos e França. Entre outras distinções, recebeu a Comenda da Ordem do Mérito Científico, na categoria Grã-Cruz, o título de Cavaleiro da Legião de Honra, da França, o Prêmio Trieste de Ciência e o Diploma de Reconhecimento da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Foi membro do Conselho Deliberativo do CNPq em vários períodos, o último deles encerrado em 2005.

Fonte: Agência FAPESP

Pernambucanos vencem a Imagine Cup

Formada por dois estudantes do Centro de Informática (CIn) da Universidade Federal de Pernambuco e outros dos de São Paulo, a equipe Ecologix venceu a etapa brasileira da Imagine Cup, a chamada “copa do mundo” da computação, na final brasileira realizada em São Paulo.

A vitória na categoria Projeto de Software garante a participação da equipe na final mundial, que será realizada de 3 a 8 de julho, em Paris, na França. Em segundo lugar, ficou o grupo paulistano Learn Smart. Pernambuco voltou ao pódio, com o terceiro lugar obtido pela equipe Try it, com o projeto Acqua.

A equipe vencedora Ecológix apresentou o Ecologger, uma mistura de rede social com ativismo ambiental, propondo uma série de soluções para integrar ações que beneficiem o meio ambiente.

Um dos serviços é que uma pessoa pode tirar a foto de algum dano ambiental e enviar para o Ecologger. A foto fica disponível num mapa do local para que os outros usuários vejam, comentem e busquem juntos uma solução para o problema.

Além disso, a rede social do Ecologger dispõe de ferramentas para que idéias que deram certo possam ser acessadas e contribuam para minimizar problemas semelhantes em locais diferentes. “O projeto em si levou cerca de dois meses para ficar pronto, mas levamos o dobro deste tempo pensando em qual seria a idéia que iriámos desenvolver”, conta o mestrando do CIn Renato Ferreira, que participa pela quarta vez da Imagine Cup.

A também pernambucana Try it apresentou um projeto de controle de desperdício de água, que pode ser utilizado tanto pelas empresas distribuidoras quando pelo consumidor, que pode acompanhar, por exemplo, como está a pressão da água.

Fonte:Maria Carolina Santos / Pernambuco.com

UnB desenvolve mouse virtual

Pesquisadores da UnB criam mouse de computador que funciona a partir de gestos com ajuda de uma webcam

Ele ainda não chegou aos 50, tem apenas 43 anos. Mas há quem já pense em aposentá-lo. O mouse é um elemento praticamente indispensável nos computadores, pois, graças a ele, podemos abrir e fechar arquivos. Apesar de necessário, está prestes a ser substituído pelas mãos. Uma equipe do Departamento de Ciências da Computação da Universidade de Brasília (UnB) conseguiu a façanha inédita de criar um mouse gestual. Por meio dos movimentos das mãos, é possível acionar as mesmas funções do acessório.

"A palma da mão de frente para o monitor movimenta a seta do mouse para qualquer direção. Quando ela é fechada, ocorre o duplo clique, usado para abrir arquivos. Se a posicionarmos em perfil vertical, aciona-se o botão esquerdo, usado para arrastar ícones. Já a posição em perfil horizontal representa o clique no botão direito", explica o aluno de mestrado em Engenharia Elétrica da UnB Ticiano Bragatto, que desenvolveu parte do projeto quando ainda cursava a graduação na Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Segundo o professor da UnB Marcus Vinícius Lamar, engenheiro eletricista que coordena o estudo desde o início, quando ainda lecionava na universidade paranaense, a principal contribuição da pesquisa é dar um caráter mais natural à interação entre o homem e o computador. "Se nós humanos nos comunicamos por meio de gestos, por que não fazer o mesmo com as máquinas?", questiona Lamar, que chegou à UnB em 2006 e trouxe o projeto para a instituição.

TECNOLOGIA
Uma webcam, pequena câmera de vídeo que capta imagens, transfere para o computador os sinais das mãos. Por meio dela e de um programa criado pela dupla, a máquina consegue "entender" os gestos e realizar as tarefas. Primeiramente, o usuário fica parado em frente à câmera para gravar sua imagem. Depois, com o mouse tradicional, é selecionada uma região de pontos que mostre bem o tom de pele do usuário. Isso vai diferenciá-lo das outras pessoas e objetos que porventura estiverem sendo captados pela webcam.

Em seguida, o indivíduo posiciona sua mão em frente a um quadrado no canto da tela, chamado de área de calibração. O interessante é que o mouse gestual pode funcionar em qualquer sistema operacional, seja Windows, Linux ou Macintosh. Bragatto e Lamar também desenvolveram um segundo protótipo: uma área de trabalho que funciona com dois mouses. Nesse caso, haverá duas áreas de calibração, uma para a mão direita e outra para a esquerda. Por enquanto, com esse novo sistema, é possível fazer desenhos de figuras geométricas.

Todo esse procedimento, no entanto, ainda passará por ajustes. "A idéia é não precisar mais da ajuda do mouse tradicional para acionar o programa nem precisar da calibração", explica Bragatto. A dupla, no entanto, não arrisca um palpite de quando todo o projeto ficará pronto. Mas adianta que os custos para o usuário final serão mínimos. "Bastará ter uma webcam e o programa instalado no computador", afirma o professor.

UM QUASE CINQÜENTÃO
Criado em meados de 1964 pelo pesquisador da Universidade de Standford Douglas Englebart, o mouse era chamado de Indicador de Posição XY. Como os primeiros modelos lembravam muito um rato (eram uma caixa de madeira com o fio atrás), o apelido pegou e o nome mouse (camundongo em inglês) passou a ser adotado. De lá para cá, o equipamento já passou por muitas modificações. O modelo amplamente conhecido é aquele com a bola embaixo, que corrigiu falhas anteriores. Antes, o mouse não poderia ser movido em diagonal. Hoje, os mais modernos são os óticos, que, em vez da bolinha na base inferior, têm um sensor óptico que aumenta a precisão do movimento.

PERFIL
Marcus Vinícius Lamar é engenheiro eletricista, com doutorado em Engenharia Elétrica e da Computação pelo Nagoya Institute of Technology (Japão) e mestrado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Santa Catarina. Atua como professor do Departamento de Ciências da Computação da UnB. Contatos pelo e-mail

Ticiano Bragatto é mestrando em Engenharia Elétrica pela UnB, possui graduação em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e curso técnico em Processamento de Dados. Atua na área de visão computacional no Centro de Formação de Recursos Humanos em Transportes (Ceftru) da UnB. Contatos pelo e-mail

Roberto Fleury/UnB Agência

6ª Conferência Internacional de Luz Síncrotron em Ciências Materiais - SRMS 6

O Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), órgão vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, está organizando a 6ª Conferência Internacional de Luz Síncrotron em Ciências Materiais (SRMS 6 – International Conference Synchrotron Radiation on Materials Science), que será realizada entre 20 e 23 de julho, em Campinas (SP).

Mais de 200 pesquisadores das Américas, Ásia, Europa e Oceania estarão reunidos em discussões sobre a relação entre ciências dos materiais e a utilização de luz síncrotron, com especial atenção às técnicas que utilizam essa tecnologia para solucionar problemas específicos de novos materiais.

Serão realizadas 11 sessões plenárias e 60 comunicações orais. Entre os diversos temas a serem abordados estão: catalisadores e clusters; materiais arqueológicos; óxidos complexos; armazenamento de dados; filmes, superfícies e interfaces; geofísica e materiais eletrônicos, materiais nanoestruturados; supercondutores; e uso industrial da luz síncrotron.

Participarão do evento cerca de 40 palestrantes de instituições como a Escola Politécnica Federal de Lausanne e o Instituto Paul Scherrer (Suíça), os laboratórios nacionais Argonne e Lawrence Berkeley (Estados Unidos), além de centros de pesquisa de outros países e das principais universidades brasileiras.

A conferência será realizada no BI Centro de Convenções, rua José Paulino 1369, Campinas.

Mais informações: www.srms-6.com.br

Fonte: Agência FAPESP

Bioma caatinga já perdeu 59% de sua área

A caatinga entrou definitivamente na corrida para definir que bioma brasileiro vai conseguir igualar primeiro o índice de destruição já alcançado pela mata atlântica, que é de 93%. Tabulação de dados recente feita por uma equipe de pesquisadores nordestinos revela que 59% do bioma tão exaltado por Euclides da Cunha e outros escritores já está alterado.

A floresta amazônica, por exemplo, cada vez mais o destino de todos os holofotes ambientais, apresenta 18% de sua cobertura vegetal original modificada, segundo números divulgados nesta semana.

A compilação de dados das imagens de satélite do “primo pobre” dos biomas brasileiros gerou dezenas de mapas. O resultado que surge é diferente das últimas estimativas, que apontavam uma alteração de 30%, aproximadamente.

A cifra de mudança da cobertura vegetal original, calculada por Washington Rocha, da UEFS (Universidade Estadual de Feira de Santana), também não bate com os números oficiais com que o MMA (Ministério do Meio Ambiente) trabalha desde o lançamento dos mapas da flora remanescente dos biomas brasileiros, no final de 2006. Para o governo, só 37% dessa formação nordestina foram devastados.

“Nós contamos apenas as áreas sem nenhuma alteração. Existem outras que já sofreram atividades antrópicas e não sabemos até que ponto elas podem apresentar regeneração”, disse Rocha. Os dois números surgiram da análise da mesma base de dados.

Pequenos núcleos de caatinga - alguns botânicos, como já identificaram diferenças importantes dentro do mesmo bioma, defendem o uso do termo “caatingas”, no plural - foram excluídos da conta.

Um mito que cai
Pelo menos nos últimos cinco anos, como lembra Rocha, todos os estudos apontam para o mesmo caminho. A biodiversidade da caatinga, já chamada de “paraíso” por Euclides da Cunha, é bastante elevada.

Apenas dentro do grupo dos mamíferos, mostra um levantamento feito pelo Museu Nacional do Rio de Janeiro, existem no bioma 143 espécies. Desse total, 19 são exclusivas do semi-árido do Brasil.

Se a preferência for por peixes ou pássaros, a caatinga também terá. São 240 e 510 espécies, respectivamente.

“A cana-de-açúcar e a desertificação [que será potencializada pelas mudanças climáticas globais] são as duas maiores ameaças para a caatinga atualmente”, afirma Rocha.

Segundo o pesquisador de Feira de Santana, a tendência de a produção de álcool explodir no Nordeste por causa dos biocombustíveis é uma clara ameaça para o ecossistema.

Existem ainda áreas historicamente complicadas, lembra o biólogo José Maria Cardoso da Silva, da ONG Conservação Internacional. “O famoso pólo gesseiro de Pernambuco” é uma delas, diz o pesquisador. As indústrias costumam derrubar a caatinga e usar as plantas lenhosas para alimentar os fornos onde o gesso é produzido.

Com todas essas ameaças pairando sobre a caatinga, que agora praticamente se igualou ao cerrado em termos de alteração antrópica, a importância das unidades de conservação ganha muito mais peso.

Ainda mais quando menos de 2% do bioma está protegido de forma legal. Existem áreas muito bem preservadas, como lembra Silva, - como as dunas do rio São Francisco perto de Xique-Xique, na Bahia, e seus lagartos, que só existem lá-, que ainda estão aguardando um parque nacional, que foi proposto, mas nunca criado. (Eduardo Geraque / FSP)

Fonte: Ecodebate

Cana-de-açúcar, expansão para o Cerrado

A Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq) realizará, nos próximos dias 16 e 17, em Piracicaba (SP), o ciclo de palestras “Cana de açúcar, expansão para o Cerrado”.

Com realização do Grupo de Experimentação Agrícola do Departamento de Produção Vegetal, o evento é voltado para a comunidade acadêmica, agrônomos e demais profissionais do setor canavieiro e busca atualizar o público sobre a situação da cultura da cana.

A proposta é apresentar um panorama atual e aspectos econômicos do setor, debater sobre as dificuldades da expansão para o Cerrado, além das tecnologias relacionadas à renovação dos canaviais e alocação de variedades.

As palestras serão realizadas no Anfiteatro Dr. Urgel de Almeida Lima, do Departamento de Agroindústria, Alimentos e Nutrição, das 18h50 as 22h.

Mais informações: www.fealq.org.br ou pelo e-mail ou (19) 3417-6604.

Fonte: Agência Fapesp