sexta-feira, 23 de maio de 2008

Brasil reúne condições para receber unidades de produção de Circuitos Integrados

As condições para que empresas multinacionais de produção e desenvolvimento de circuitos integrados (CI) se instalem no Brasil já estão dadas. Esta foi a principal mensagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aos empresários e investidores que foram recebidos em audiência, na quarta-feira (21), no Palácio do Planalto, em Brasília (DF). Na audiência, Lula enumerou os programas do governo federal nas áreas de educação, melhoria e ampliação de estradas, portos e aeroportos, as ações voltadas para capacitação de recursos humanos, e programas de incentivos fiscais.

O presidente disse aos investidores e executivos das maiores empresas mundiais do setor, que participaram do Fórum Executivo de Circuitos Integrados - IC Executive Summit, encerrado na quarta (21), que o Brasil dispõe de todas as condições necessárias para que essas empresas instalem bases de produção em território nacional. Os ministros da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, e da Casa Civil, Dilma Rousseff, acompanharam a audiência.

De acordo com Rezende, o presidente ressaltou aos empresários, que o Brasil está fazendo um grande esforço para formar recursos humanos nas áreas de engenharia eletrônica, software, informática, e que também investe na capacitação de profissionais que atuarão no desenvolvimento de projetos de CI e semicondutores.

Rezende disse, em coletiva realizada ao final da audiência, que o Brasil é um grande importador de componentes, mas que as perspectivas para o País nessa área estão mudando. "O presidente Lula enfatizou o esforço que o Brasil faz em educação, na consolidação da política econômica e, sobretudo, no esforço feito em políticas sociais que estão refletindo no aumento do mercado de massa", destacou.

O ministro relatou ainda que o presidente fez questão de ressaltar que todas as políticas adotadas não se resumem a este governo, e que os empresários podem ter a certeza de que essas iniciativas trarão resultado de longo prazo. "O presidente demonstrou confiança e disse que os empresários vão querer investir no Brasil. Porque o que está sendo construído tem tenta solidez que não é um plano desse governo, e sim da sociedade brasileira", destacou.

Incentivos
O ministro lembrou que, em 2007, o Congresso aprovou o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Semicondutores. O programa já está em vigor e prevê isenção fiscal do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) e de vários outros tributos federais. Mas, segundo Rezende, o maior incentivo que o governo está dando é o investimento na qualificação dos recursos humanos.

"A capacidade técnica é a principal condição, não apenas para implantação de uma fábrica para produção de chips, mas para a instalação de uma unidade de desenvolvimento de projetos de circuitos. Para atender a essa demanda estamos estruturando uma rede de centros de treinamentos com investimentos do governo federal", disse. A primeira unidade foi inaugurada em abril, em Porto Alegre (RS). A previsão é de que até 2010 tenham sido treinados 1.500 profissionais, quando os quatro centros estiverem operando.

De acordo com o ministro, os empresários deixam o Brasil com uma boa impressão. "Esse é o começo de uma conversa. O presidente também colocou isso. Sabemos que a decisão de instalar uma fábrica que custa bilhões de dólares é amadurecida durante anos. O importante é que todos saíram do encontro com a disposição de olhar para o País de forma diferente", ressaltou.

Ceitec
Entre os investimentos do governo federal no setor, o ministro Rezende fez questão de destacar o aporte destinado a estruturação do Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec/MCT). Até agora foram investidos R$ 250 milhões na unidade, que até o final 2009 deve concluir a fabricação do primeiro circuito integrado projetado no País.

Segundo o ministro, o Ceitec será uma pequena fábrica de semicondutores e, ao mesmo tempo, uma unidade de pesquisa e formação de profissionais. "Sua principal função é receber um projeto de CI e transformá-lo em um dispositivo que será testado e que poderá ser multiplicado. Com o Ceitec em funcionamento teremos condição de ter um projeto de CI brasileiro devidamente testado e referendado e, eventualmente, fazer a exigência que determinados equipamentos tenham o chip desenhado e produzido no Brasil", disse. Rezende disse ainda que estão previstos novos investimentos nos próximos anos, para que o Centro tenha a estrutura necessária para se desenvolver.

Protocolo
O ministro também disse que os governos do Brasil e do Japão assinaram um protocolo de intenções, em que os japonês se comprometem a fazer todos os esforços para que empresas daquele país instalem operações no Brasil. O ministro acrescentou que representantes da Toshiba estão se deslocando para Porto Alegre (RS), para analisar a formalização de uma parceira com o Ceitec. "Temos uma política bastante afinada e orientada pelo presidente para fazer o que tiver que ser feito para atrair empresas do setor para o Brasil".

Fonte: Rafael Godoi / Agência CT

UnB realiza Terças Feministas

A política da diferença sexual
Projeto Terças Feministas será realizado na UnB para discutir estudos e a situação das mulheres no mundo

Publicado em 1949, pela escritora francesa Simone de Beauvoir, o livro O Segundo Sexo marcou o início do pensamento feminista contemporâneo. Na obra, a autora desconstrói a idéia da mulher refém de destino único e biológico – o de ser mãe e esposa - e introduz um discurso que confere amplos direitos às mulheres. Para reunir estudantes, professores (as) e interessados (as) na situação das mulheres, um grupo de professoras da Universidade de Brasília (UnB) iniciará o projeto Terças Feministas. O encontro ocorrerá quinzenalmente, às terças-feiras e é gratuito.

A primeira palestra, Que história é essa?, a ser ministrada pela professora do Departamento de História (HIS) da UnB e coordenadora do projeto, Tânia Navarro Swain está marcada para 27 de maio, das 12h às 14h. As inscrições já estão abertas e podem ser feitas pelos e-mails anahita@terra.com.br e orlatoselem@yahoo.com.br (enviar nome completo). O local do encontro será divulgado aos inscritos. A participação é aberta a homens e mulheres.

A iniciativa pretende manter acesa a produção de estudos feministas que, de acordo com a professora Tânia, tem sido intensa na universidade. “Vamos discutir diversos objetos relacionados às questões feministas e manter a coesão das professoras que trabalham com o tema em diferentes departamentos”, explica. Além disso, o projeto resgata a concepção do Programa de Pós-Graduação em Estudos Feministas que existiu na UnB entre 2002 e 2006.

HIERARQUIZAÇÃO
De acordo com Tânia, a diferenciação social baseada na divisão binária de gênero é a origem da hierarquização social e econômica entre homens e mulheres. Para ela, o fundamento resulta, por exemplo, nos problemas mais comuns que atingem as mulheres no mundo, como a discrepância salarial no mercado de trabalho e a violência doméstica e sexual. “Existem vários grupos que estudam violência de gênero e os dados são aterrorizantes. O discurso social diz que está tudo bem, mas as pesquisas continuam a mostrar que a diferença de sexo é a base da diferença hierárquica”, explica Tânia.

Para a professora, o poder exercido pelo gênero masculino tem como conseqüência a desqualificação do sexo feminino. “Há uma série de valores atribuídos ao viril e ao masculino. Fundamentado no biológico, o homem é a humanidade, a totalidade e as mulheres são especificidades”, avalia. Na palestra inaugural, Tânia vai desmistificar a idéia histórica de que todas as sociedades ao longo da evolução humana concebem a divisão social pelo sexo.

“A divisão social de trabalho dos povos indígenas do norte do Canadá, por exemplo, não se faz a partir do sexo biológico. As necessidades da comunidade é que determinam quem faz o tipo de trabalho”, aponta. “Vou criticar a concepção da história, na qual as mulheres aparecem sempre dominadas e todas as sociedades divididas em dois gêneros”, declara.

REVISTA FEMINISTA
Desde 2002, a revista eletrônica Labrys, organizada por professoras da UnB, reúne artigos de estudos feministas de várias partes do mundo. São mais de 200 textos com abordagens interdisciplinares. O periódico eletrônico tem nota "A" pela Qualis, processo de classificação de anais, revistas, jornais e periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) do Ministério da Educação (MEC).
Confira no site: http://www.unb.br/ih/his/gefem

SERVIÇO
O projeto quinzenal Terças Feministas começa no dia 27 de maio com debates sobre assuntos relacionados a questões feministas em diversas áreas do conhecimento. O projeto interdiscplinar é coordenado pela professora do Departamento de História da UnB, Tania Navarro Swain. A primeira palestra Que história é esta? será realizada das 12h às 14h e terá abordagem da História na perspectiva feminina. As inscrições já estão abertas e podem ser feitas pelos e-mails anahita@terra.com.br e orlatoselem@yahoo.com.br (enviar nome completo). A participação é aberta a mulheres e homens. O local do encontro será divulgado aos inscritos.

CONTATO
Tânia Navarro Swain, professora do Departamento de História da UnB e coordenadora do projeto Terças Feministas, pelo telefone 8137 0605

Fonte: UnB

Física Nuclear para estudantes de ensino médio no Ipen

Alunos de ensino médio interessados em participar da "Escola Avançada de Energia Nuclear", organizada pelo Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen/Cnen/MCT), em São Paulo, têm até hoje (23) para se inscrever.

O curso, que será realizado entre os dias 30 de junho e 4 de julho, é gratuito, e as vagas são limitadas, para estudantes do segundo e terceiro anos, preferencialmente envolvidos com as olimpíadas de Física e de Química.

Entre os objetivos da iniciativa está o de estimular o interesse dos estudantes pela Física e pela Química, por meio de várias atividades na área de física nuclear e aplicações da energia nuclear. O pesquisador do Ipen Renato Semler explica que o curso também permite, aos estudantes com aptidões científicas, a oportunidade de contato direto com cientistas em plena atividade de um dos maiores centros de pesquisa na área nuclear da América Latina. "Diante de desafios modernos como o combate ao aquecimento global, o sábio uso da energia nuclear, baseado tanto na compreensão de riscos quanto de benefícios, será fundamental", completa Semler.

Os estudantes terão noções sobre reações nucleares, interações da radiação com a matéria, rejeitos radioativos, irradiação de alimentos, radioesterilização de produtos. Eles resolverão também exercícios de vestibulares e problemas de olimpíadas anteriores envolvendo a física nuclear. Visitarão ainda algumas instalações do Ipen. A seleção dos alunos será feita com base no histórico escolar. Outras informações no site www.eaen.ipen.br.

Fonte: Agência CT

O sujeito entre a alcoolização e a cidadania: perspectiva clínica do trabalho

The subject between alcoholization and citizenship: clinical perspective of work

El sujeto entre la alcoholización y la ciudadanía: perspectiva clínica del trabajo


Cidadania combate a dependência
Professora da UnB defende concepção terapêutica na qual resgate da identidade e da auto-estima no trabalho diminui uso do álcool

Uma nova concepção para o tratamento do alcoolismo nasceu da experiência de mais de 20 anos da pesquisadora Heliete Karam, do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília, no estudo das relações entre alcoolismo e condutas de alcoolização no ambiente de trabalho. Ela constatou que a afirmação do indivíduo como sujeito e cidadão são fatores de superação do hábito de beber e da conseqüente dependência química.

A pesquisadora aponta o álcool como um dos meios utilizados pelos indivíduos para resistir aos efeitos nocivos das pressões do trabalho. E propõe que o tratamento do alcoolismo e sua prevenção primária sejam repensados. Heliete apresenta proposta inédita de terapêutica, na qual o resgate do prazer no trabalho é fundamental para curar o alcoolismo.

Numa diferenciação bastante utilizada, considera-se o alcoolismo a perda total de liberdade face ao álcool, devido à necessidade orgânica de manter um determinado teor de etanol no corpo, com vistas a proporcionar seu equilíbrio neurovegetativo e uma aparente sensação de bem-estar psíquico. Já a alcoolização é o ato de ingerir álcool.

Tradicionalmente, o problema do alcoolismo é tratado com enfoque no indivíduo e na família, mas a pesquisadora encontrou no trabalho a causa e solução. Heliete passou os últimos seis anos na Universidade de Paris VII, orientada por Christophe Dejours, aprimorando sua metodologia para tratar o alcoolismo.

Segundo sua tese, as pessoas vivem em contínuo processo de construção do sujeito (quando o indivíduo é dono de suas ações, tem autonomia e legitimidade na sociedade, não se sente apenas como um número a mais). E para existir sujeito é preciso haver o exercício da palavra política, ou seja, de cidadania. Nas empresas e organizações, essa construção da identidade pode ser suspensa por práticas da chefia como intimidação, constrangimento, abuso de poder. Gera-se então sofrimento para quem não tem voz ativa dentro do trabalho. O fenômeno da alcoolização aparece como um sinal de bloqueio temporário ou definitivo do movimento de construção do sujeito.

Entende a professora que o alcoolismo preenche o lugar da não-linguagem. Ocupar a boca com o álcool em vez da palavra é uma forma de injetar linguagem, lá, onde a linguagem não circula. O tratamento passa por um resgate da identidade profissional da pessoa. Por isso, a necessidade de reformulação das instituições, resgatando o exercício da cidadania no local de trabalho. A cidadania vista como um processo pleno e a ser exercida em qualquer lugar e em tempo integral.

A solução proposta está no funcionamento da palavra como um motor para o resgate da cidadania. Entretanto, somente a circulação da palavra não assegura que ela seja livre, sobretudo quando está submetida a uma ou mais ideologias. Torna-se necessária a criação de espaços de discussões, deles participando os trabalhadores, conversando permanentemente sobre as regras e a própria organização do trabalho. Esse recurso comprovou-se eficaz nas empresas nas quais Heliete Karam atuou.

À medida que os trabalhadores faziam uso da palavra política (cidadania), a alcoolização diminuía, pois o indivíduo passava a compreender que sua razão de ser no mundo não se esgota no nível da subjetividade, mas se prolonga com um sujeito social, onde sua singularidade e exclusividade têm papel importante para o conjunto.

A pesquisadora propõe uma reorganização nas relações de trabalho, onde a atividade profissional passe a ser fonte de identidade e prazer para quem o executa. Considera a alienação no serviço um dos motivos que deixa o sujeito vulnerável ao álcool. Heliete trabalha sempre com o grupo onde o individuo está inserido e afirma que nossa sociedade está doente na organização do trabalho, gerando um sofrimento que resulta em queixas, adoecimentos, acidentes, uso de drogas, depressão e tantas outras formas de sintomas sociais.

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CONTATO
Heliete Karam pelo telefone (61) 3447 4145 e pelo e-mail .

Fonte: Irene Sesana / UnB

Mulheres jovens de baixa-renda preferem parar de amamentar a largar o cigarro

Fumo não exclui a amamentação
As campanhas antitabaco têm conseguido importantes vitórias na conscientização de indivíduos sobre os efeitos nocivos do cigarro. Apesar disso, especialistas da área da saúde alertam para uma conseqüência indesejada dessas mensagens: as mães fumantes deixam de amamentar mais cedo para preservar seus filhos, pois não conseguem largar o vício. Embora elas acreditem estar promovendo um benefício para seus bebês, na realidade, os prejuízos provocados pela falta de leite materno são piores que a exposição à nicotina.

"Diversos nutrientes e anticorpos são passados para o bebê durante a amamentação. Além disso, o leite materno é capaz de limpar as impurezas transmitidas para o bebê quando exposto às impurezas da fumaça do cigarro". Quem afirma é o professor do Departamento de Nutrição da Universidade de Brasília (UnB) José Garrofe Dórea. Ele assina artigo com revisão bibliográfica de 52 estudos sobre o tema, na edição de junho de 2007, do Maternal and Child Health Journal, periódico norte-americano. Segundo Dórea, estudos internacionais analisados na revisão bibliográfica têm demonstrado que crianças que mamam no peito são mais inteligentes e imunes às doenças. "Nos primeiros dias após o parto, as mamas secretam colostro, leite mais grosso e amarelado, que age como a primeira vacina da criança", explica.

ELAS VICIAM MAIS
O especialista sustenta que as mulheres são afetadas mais rapidamente pelos efeitos do cigarro. Elas se viciam mais facilmente e têm mais dificuldades de largar o hábito. Por isso, na opinião dele, se as políticas públicas de saúde não conseguem fazer com que elas parem de fumar durante a gravidez, é importante não perder a chance de encorajá-las a amamentar. "As campanhas antitabagismo estão alienando as mães lactantes. Entre largar o vício e deixar de amamentar, elas optam pela segunda sem saber que estão comprometendo o desenvolvimento da criança", afirma.

Segundo o professor da UnB, não existem dados precisos que dimensionem o problema. Estudos conduzidos em diferentes cidades dos Estados Unidos, Japão e Europa comprovam que esse é um comportamento padrão principalmente entre as mulheres pobres, jovens e pouco instruídas. Mas é difícil chegar a um percentual que se aplique a grandes populações, já que muitas mulheres mentem para os pesquisadores. "Elas dizem que pararam de amamentar porque o leite secou, quando na verdade elas não conseguiam largar o vício e se sentiam culpadas", esclarece o nutricionista.

RECÉM-NASCIDOS
Diversos estudos internacionais têm demonstrado que filhos de mães fumantes nascem pesando em torno de duzentos gramas a menos que aqueles nascidos de mulheres não fumantes. Também há risco de desenvolverem déficit de atenção e enfraquecimento da neuroformação.

Quando a mãe fumante amamenta o filho, ela também compromete a saúde da criança. Uma avaliação da dosagem de cotinina (um dos derivados da nicotina, que é metabolizado rapidamente pelos rins) na urina de bebês amamentados por mães fumantes mostra que eles apresentam cinco vezes mais a substância no organismo. Esses comprometimentos, no entanto, são irrelevantes, diante dos benefícios de dar o leite.

Uma criança exposta a esses neurotóxicos - por ter algum fumante em casa ou pelo fato da mãe ter fumado durante a gravidez - sujeita ao desmame precoce, pode sofrer ainda conseqüências piores. Nesses casos, o comprometimento da inteligência se manifesta na fase adulta. "A latência disso é longa. Só aparece no futuro em situações que exigem alto desempenho, como no caso de uma prova de vestibular", diz o bioquímico. "E essas deficiências não se curam com vitaminas e sim com apoio e mudanças sociobiológicos".

CONTATO
Professor José Garrofe Dórea pelo e-mail .

Fonte: UNB