quarta-feira, 21 de maio de 2008

Fortalecer a indústria farmacêutica nacional para reduzir o déficit da balança comercial

Produção local

Entre os maiores desafios da nova política de inovação em saúde do governo federal estão a redução do déficit da balança comercial da cadeia farmacêutica – cerca de 70% dos gastos do Ministério da Saúde se referem à compra de produtos farmacêuticos importados – e evitar que a vulnerabilidade do sistema de saúde se aprofunde e que a dependência por produtos importados aumente com o crescimento econômico do país.

“A saúde está intrínseca ao conceito de desenvolvimento. Talvez esse seja o único setor da economia que atinja duas esferas: o econômico e o social”, disse Pedro Palmeira, chefe do Departamento de Produtos Intermediários Químicos e Farmacêuticos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Segundo Palmeira, para alcançar os objetivos da política de inovação em saúde será necessário desenvolver a capacidade da indústria farmacêutica nacional, ou seja, fortalecer a posição de suas empresas nessa cadeia. “Para termos um mercado competitivo, temos de incentivar o aumento da produção de medicamentos e seus insumos no país”, afirmou nesta terça-feira (20/5), no Seminário sobre o Complexo Econômico-Industrial de Saúde, realizado na sede do BNDES, no Rio de Janeiro.

Palmeira foi o idealizador do Profarma, programa do BNDES de apoio ao desenvolvimento do Complexo Industrial da Saúde, a ação desenvolvimentista que o governo federal está implantando e que propõe a intersecção entre política de saúde e indústria.

“É possível para o país ter uma empresa farmacêutica com mais musculatura, e que tenha faturamento de R$ 3 bilhões e forte inserção internacional. O Brasil precisa de uma empresa de grande porte e, para isso, queremos financiar a inovação incremental”, apontou.

O BNDES é uma das pontas de um arranjo que tem, por um lado, o Ministério da Saúde, e por outro, a empresa: enquanto esta última entraria com sua competência tecnológica, o ministério se comprometeria a comprar o produto desenvolvido – reduzindo o risco de demanda – e o banco minimizaria o risco financeiro.

No caso de sucesso da empreitada, a idéia é que a empresa pague royalties ao banco. Palmeira admite que pode ser um negócio arriscado – investir o dinheiro do contribuinte em algo que não se sabe se vai dar certo –, mas avalia ser esse um risco calculado. “Corremos o risco, como tudo o que o BNDES apóia, de não dar certo. Não existe projeto de investimento sem risco. Mas também não devemos dizer que isso é jogar dinheiro fora”, ressaltou.

De 2004 a 2008 o Profarma apoiou 66 projetos, contando com um orçamento de R$ 3 bilhões, sendo R$ 125 milhões de apoio à inovação. “Inovação significa jogar produto no mercado, e o centro da inovação é a empresa, não as universidades. Querer que essas instituições gerem conhecimento para que a empresa inove é um pensamento equivocado”, salientou.

Citou o exemplo da Coréia do Sul, onde a maior parte do gasto em pesquisa vai para o setor privado. Segundo ele, este é o momento certo para empresas de médio e grande porte investirem, embora o setor “ainda seja marcado por culturas familiares”.

“Ainda não é fácil, mas existe um ambiente favorável, com instituições como Finep [Financiadora de Estudos e Projetos]e BNDES dispostas a apoiar empreendimentos que visem à incorporação de moderna biotecnologia na estrutura produtiva nacional. O BNDES não tem a pretensão de formar uma superfarmacêutica, e sim colaborar em um processo que já está em curso. Os medicamentos genéricos desempenharam um grande papel nesse processo”, disse.

Palmeira observou que o objetivo maior é dar um empurrão para que essas empresas atuem em mercados estrangeiros regulares. “Nossa preocupação não é somente com a geração de divisas, mas, se essas empresas atuarem em outros mercados, isso resultará em uma internalização da competência, o que será muito bom para o país”, apontou.

O idealizador do Proforma destacou a edição de 15 de maio da revista The Economist, que destacou o setor farmacêutico em países em desenvolvimento, retratando as grandes empresas e suas filiais. Segundo a publicação inglesa, ainda há a crença de que no Brasil não se respeita a propriedade intelectual e por isso as grandes empresas não investem aqui. “Chegou a hora de o empresário nacional ver que é necessário fazer investimentos de maior risco”, disse Palmeira.

Fonte: Washington Castilhos / Agência FAPESP

Sinal verde para a geração de energia em propriedades rurais

O diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Jorge Samek, anunciou ontem (20/05), no Fórum Global de Energias Renováveis, em Foz do Iguaçu, que recebeu do diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica, Jerson Kelman, a garantia de que o órgão vai aprovar o projeto de Geração Distribuída (produção de energia junto à unidade consumidora), modalidade que foi implantada e testada pela empresa em parceria com a Companhia Paranaense de Energia (Copel), na região Oeste do Paraná.

A Geração Distribuída é a modalidade de produção de energia que viabiliza a adoção de pequenas unidades geradoras, baseadas em fontes renováveis. Apesar de haver um marco regulatório para o tema (Decreto Federal 5.163, de 2004, e Norma Técnica 167 da Aneel, de 2005) faltavam estudos que estabelecessem parâmetros operacionais. Por isso, a Itaipu e a Copel se uniram para viabilizar esse tipo de geração em uma granja de suínos localizada em São Miguel do Iguaçu. A partir do referendo da Aneel, as empresas do setor elétrico poderão comprar a energia produzida em propriedades como essa.

Nessa propriedade, os dejetos de 3 mil suínos são acumulados em um biodigestor, onde geram biogás, que é utilizado para movimentar um motogerador que abastece toda a infra-estrutura, inclusive um conjunto de residências. A energia excedente (em uma semana de testes foram gerados 380 megawatts/hora de sobra) é incorporada à rede pública graças a um painel fornecido pela Woodward e aprimorado pela Copel, que permite controlar o fluxo da eletricidade entre as redes interna e externa. “O principal aspecto não é o energético, mas o econômico, pois além da economia na conta de luz, o produtor rural passará a ter uma nova fonte de renda. Além disso, essa modalidade tem grande potencial para fomentar a economia local, com a aquisição de produtos e serviços”, acrescenta Samek.

A partir dessa experiência, a Itaipu implantou, com outros parceiros, outras unidades do gênero, como a Estação de Tratamento de Esgoto Ouro Verde, com a Sanepar, onde os resíduos do tratamento geram energia, combinados com a instalação de painéis fotovoltáicos, para produção de energia solar. Também são parceiros a Cooperativa Lar e a empresa Star Milk, ambas com projetos de geração energética a partir da biomassa residual da atividade agropecuária.

A principal vantagem do uso de biodigestores para a produção de energia é ambiental, já que o processo reduz em 80% as cargas orgânicas dos efluentes. E o processo tem como subproduto o biofertilizante, para ser usado na agricultura. “Um dos grandes vilões do aquecimento global é o gás metano (CH4), decorrente dos dejetos da pecuária e também do esgoto urbano”, explica Samek.

“Estamos mostrando as inúmeras possibilidades que temos de produzir energia limpa, provando que é possível compatibilizar crescimento econômico, geração de emprego e renda e preservação ambiental”.

Fonte: Itaipu Binacional

Biotech lança convocatórias para projetos integrados em quatro áreas

A Unidade Gestora do Programa de Apoio ao Desenvolvimento de Biotecnologias no Mercosul (Biotech), por meio da Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia (Seped/MCT), disponibilizou convocatórias para projetos integrados em quatro áreas.

Segundo o MCT, nessa primeira etapa serão destinados 3 milhões de euros, distribuídos de forma equivalente para os projetos em cadeias bovina, de oleaginosas, florestal e aviária.

Ao todo, o Biotech contará com recursos da ordem de 7,3 milhões de euros, sendo 1,3 milhão de euros o valor da contrapartida dos países do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) e o restante aplicado pela Comunidade Européia.

Os projetos integrados têm por objetivo promover o desenvolvimento de conhecimentos e aplicações biotecnológicas voltados para a solução de problemas e limitações produtivas e de competitividade registradas nas cadeias produtivas estabelecidas nos editais.

Os projetos devem ter como base a mobilização e a reunião de equipes de pesquisa, universidades, associações setoriais e empresas, garantindo a formação de recursos humanos nas áreas definidas como prioritárias para a região. Os projetos devem buscar resultados concretos e duradouros.

Os recursos poderão ser aplicados no desenvolvimento de novas técnicas e processos, na melhoria na competitividade das pequenas e médias empresas com base tecnológica na região, na melhoria na competitividade e de condições de acesso ao mercado de cadeias estratégicas dentro do comércio internacional da região e na obtenção de patentes ou certificações de processos e produtos.

Mais informações: www.mct.gov.br/index.php/content/view/71874.html

Fonte: Agência FAPESP

UFU lança edital para contratação de professores de Bioquímica

Estão abertas as incrições para o concurso para professor efetivo na área de Bioquimica para a Universidade Federal de Uberlandia - UFU.

São duas vagas e as inscrições vão de 23 a 30 de maio e as provas serão de 23 a 26 de junho.

Maiores informações pelo site:
http://www.ufu.br/index.php?p_ufu_noticias_acao=noticia_abrir¬codigo=3434

Fonte: Prof. Foued / UFU

Escolhidos Diretoria e Coordenadores do Centro de Ciência e Tecnologia do Etanol

Diretor e coordenadores da nova instituição escolhidos; hidrólise enzimática e mecanização de baixo impacto são focos da pesquisa

Já está definido o quadro de diretores do Centro de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), a ser construído em Campinas (SP). Também estão definidos os focos da pesquisa: hidrólise enzimática para produção de etanol a partir de bagaço e palha de cana-de-açúcar; e mecanização de baixo impacto, que preserve o solo e reduza custos no plantio e na colheita. O diretor será o professor Marco Aurélio Pinheiro Lima, do Departamento de Eletrônica Quântica do Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW) da Unicamp; o coordenador da pesquisa em hidrólise enzimática será Carlos Eduardo Vaz Rossell, do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (Nipe) da Unicamp; e, para coordenar a pesquisa sobre a mecanização, foi convidado o professor da Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri) da Unicamp Oscar Antonio Braunbeck. A entrevista que você vai ler a seguir é a primeira concedida pelo trio de comando, cujo processo de contratação já foi iniciado, mas não concluído até o dia 19 de maio.

A hidrólise enzimática é uma tecnologia ainda não comercial, estudada em vários países do mundo. O processo consiste em extrair moléculas de açúcar da celulose, material resistente de que são feitos caule e folhas das plantas, convertendo esse açúcar em etanol, posteriormente. No Brasil, as fontes de matéria-prima de celulose são os resíduos da produção de cana-de-açúcar: a palha, que fica no campo após a colheita, e o bagaço da cana, resultante do processo convencional de produção de açúcar e etanol nas usinas. A conversão da celulose em etanol envolve dois passos fundamentais: quebrar as longas cadeias das moléculas de celulose em açúcares e fermentar esses açúcares em etanol. O processo de quebra da celulose é realizado por enzimas secretadas por bactérias e fungos — a principal enzima é a celulase. O processo de conversão do açúcar extraído da celulose em etanol é realizado por leveduras, algo já dominado pela indústria.

Neste começo de atividades, o CTBE ficará sob gestão da Associação Brasileira de Tecnologia de Luz Síncrotron (ABTLuS), que também gere o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS). De acordo com a previsão do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) — fonte básica dos recursos do centro — entre 2008 e 2010, R$ 79 milhões serão investidos em sua montagem e implantação. Já estão 'em casa' R$ 10 milhões, para o início das obras do prédio-sede e dos primeiros laboratórios, que ficarão dentro do campus do LNLS, no Pólo Ciatec II, em Campinas, na área do futuro parque tecnológico do município. A prefeitura local já doou o terreno onde se prevê a construção de uma planta-piloto de hidrólise enzimática — ao lado da fazenda Pau D'Alho, construída no período da economia cafeeira. Quando estiver operando em sua capacidade plena, algo para 2011, o centro deverá funcionar com um orçamento anual de R$ 43 milhões.

"Estamos bastante entusiasmados com esse desafio de constituir o centro, e confiantes de que esse será um projeto de longo prazo, dada a importância do tema para a economia nacional", afirma o diretor do CTBE, Pinheiro Lima, graduado e mestre em física pela Universidade de São Paulo (USP). Ele concluiu seu doutorado no California Institute of Technology (Caltech), que fica em Pasadena, Estados Unidos. É físico teórico e faz pesquisa em física atômica e molecular, na área de espalhamento de baixa energia de pósitrons e elétrons por moléculas. Antes de ir para a Unicamp, em 1987, trabalhou no Instituto de Estudos Avançados do Centro Técnico Aeroespacial (IEAv-CTA), em São José dos Campos (SP).

Oscar Braunbeck é graduado em engenharia industrial pela Universidad Nacional Del Sur, na Argentina, e fez mestrado e doutorado em engenharia agrícola na Michigan State University, EUA. Sua experiência na área de engenharia agrícola é centrada em colheita de cana-de-açúcar. Braunbeck dedica-se ao estudo do processo de alimentação de máquinas colhedoras de cana, da colheita de linhas múltiplas de pés de cana com redução de perdas, compactação do solo e custos desde o ano 2003. Publicou pelo menos 12 artigos sobre colheita de cana.

Carlos Rossell é engenheiro químico, e mestre e doutor em engenharia de alimentos pela Unicamp. Tem mais de 30 anos de experiência em pesquisa no setor sucroalcooleiro, e é o principal especialista brasileiro em tecnologia de hidrólise ácida para produção de etanol. O conhecimento vem de sua participação em uma parceria do Centro de Tecnologia Copersucar, hoje Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), com a empresa paulista Dedini, grande fabricante de equipamentos para a indústria sucroalcooleira. Ele coordenou o desenvolvimento do processo Dedini Hidrólise Rápida (DHR), ajudando a companhia a desenvolver a tecnologia da hidrólise ácida até chegar à escala industrial. Rossell continua atuando como consultor da Dedini.

Acompanhe a entrevista, concedida a Janaína Simões pelos três integrantes da diretoria do CTBE, dia 30 de abril, no LNLS:

Em que estágio está a estruturação do CTBE? E quais são seus objetivos?
Marco Aurélio Pinheiro Lima — O centro nascerá dentro do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), e a Associação Brasileira de Tecnologia de Luz Síncrotron (ABTLuS) será a gestora. O Brasil precisa aprofundar o conhecimento científico sobre todo o processo, desde a fotossíntese até a produção do etanol. O centro pretende estudar os processos de construção e desconstrução da planta que resultam no álcool. Precisamos estudar o mecanismo de fotossíntese na cana, seu genoma, entender como os açúcares estão dentro da planta. Só entendendo como uma planta constrói a biomassa é que vamos conseguir desconstruí-la... Digo desconstruir e não destruir porque, no processo de quebra da lignocelulose, é preciso poupar as moléculas de açúcar: elas serão, depois, transformadas em álcool.

Quais serão os focos de atuação do centro?
Pinheiro Lima — Teremos três linhas de atuação. Uma, ligada ao campo, ficará sob responsabilidade do professor Braunbeck. A proposta para o trabalho dele no centro é desenvolver uma máquina que faça desde a preparação de solo até a colheita da cana sem pisotear o solo e compactar demais a terra. Estamos começando a fazer os contratos, procurando as pessoas para trabalhar nesse projeto. Já publicamos um anúncio, no site do LNLS, procurando profissionais para trabalhar nesse assunto. A segunda perna do tripé é a planta-piloto para desenvolvimento do processo de hidrólise enzimática. A escolha pela hidrólise enzimática se deu porque é a que nos parece mais promissora, mas nada impede que o centro adote outras estratégias e fomente ciência básica em outros temas que possam aparecer. O professor Rossell é o especialista responsável por esse assunto. A proposta da planta-piloto surge para estimular o corpo de cientistas do centro a estudar os gargalos nesse processo. Teremos físicos, químicos, bioquímicos trabalhando em cada uma das etapas e olhando um mesmo problema com diferentes pontos de vista. Queremos criar uma interdisciplinaridade dinâmica. Estamos pensando em maneiras de convidar a indústria a participar dessa planta-piloto. Quem sabe, um dia, poderemos até convidar a indústria a colocar um determinado tipo de processo dentro do centro para, juntos, desvendarmos os problemas. Daremos início às obras da planta-piloto tão logo o terreno doado pela prefeitura esteja disponível. Estamos desenvolvendo o projeto e procurando profissionais para participar. O terceiro eixo é o da ciência básica. Teremos um grupo, que deve chegar a 80 pesquisadores, trabalhando nas diversas etapas de construção e desconstrução da cana, focado nos processos que estarão ocorrendo na planta-piloto, com o objetivo final de resolver os gargalos. A sustentabilidade estará presente nos três eixos. Queremos ter um sistema realmente sustentável nos aspectos econômico e ecológico. O centro terá grupos de pesquisadores se dedicando a esse assunto.

Quais os detalhes da pesquisa sobre a mecanização de baixo impacto?
Oscar Braunbeck — O projeto concentra-se em proteger o solo e aumentar a produtividade das áreas, ampliando os hectares de produção e também aumentando a quantidade de tonelada colhida por hectare. A base será a utilização da técnica de plantio direto [plantar sem arar o solo; abre-se o sulco e planta-se a semente sem mexer no solo; técnica já usada em milho, soja, trigo. Nota do E.]. Com essa técnica, o produtor mexerá o mínimo possível no solo, preservando a cobertura de palha, que contribui para reter água por evitar a evaporação. Essa água pode ser aproveitada pela planta. Isso vai contribuir para aumentar a longevidade e a produtividade dos canaviais. Só é possível aplicar a técnica do plantio direto se não existir tráfego pesado de tratores, colhedoras, carretas no solo do canavial. O objetivo da mecanização de baixo impacto é reduzir o tráfego dessa maquinaria pesada, que anda em 60% da área do canavial, para 5% a 10%. Assim, o solo estará mais apto ao plantio direto.

Diminuir a compactação do solo é questão de desenvolvimento tecnológico ou de investimento em uma boa logística para o canavial?
Braunbeck — Não se trata de ciência básica; é desenvolvimento tecnológico. Esse equipamento que o centro está estudando para desenvolver não é simples. Em paralelo a esse novo equipamento, aí sim, é preciso trabalhar uma nova logística para definir como se movimenta a cana. A produção no Brasil varia de um mínimo de 50 até 200 toneladas de cana por hectare. É preciso retirar a produção da área — a massa de cana é grande e a dos equipamentos para retirá-la também é. Somada essa massa toda, é muito tráfego. É fundamental reduzir isso para proteger o solo.

Essa tecnologia tem relação com a proibição de queima da cana?
Braunbeck — A solução empregada hoje para a colheita mecânica não é econômica nem atrativa. O objetivo do nosso projeto é igualar o custo de colher cana crua ou queimada. Hoje é mais barato colher cana queimada, apesar de a lei pressionar pela colheita da cana crua. A tecnologia terá de ser compatível com os custos e a sustentabilidade da produção.

Quem fará a produção e comercialização da tecnologia?
Pinheiro Lima — Vamos buscar parceiros para o desenvolvimento da máquina. Esperamos encontrar interessados em produzi-la, quando estiver pronta. Nosso papel é testar as idéias, fazê-las funcionar no campo em alguns anos, de forma que o produto seja atrativo para a indústria.

Em quanto tempo os senhores acreditam que se poderá chegar a um protótipo?
Braunbeck — Queremos ter um primeiro protótipo em 2010. Não é fácil dizer quando isso será um produto novo no mercado. Pelo que observamos em outros desenvolvimentos, somando com o tempo para montar uma área de demonstração em uma usina de ponta, que já pratica tecnologias modernas, temos a expectativa de encontrar um parceiro para produzir o equipamento em três, quatro anos. Queremos produzir algumas unidades para usinas de ponta que possam participar do desenvolvimento, como a São Martinho, o grupo Santa Helena, a Santa Elisa Vale, grupos sempre abertos a implantar novas tecnologias.

Professor Rossell, o senhor está envolvido com o desenvolvimento do projeto de hidrólise ácida da Dedini. Por que não recomendou ao centro trabalhar com essa rota?
Rossell — O projeto da Dedini é de uma tecnologia desenvolvida há 20 anos. Eles também pensam em conciliar a alternativa enzimática, no futuro. Já no CTBE, os objetivos são mais amplos: procuramos a melhor tecnologia, a mais sustentável, amigável, que seja mais aceita. A tecnologia enzimática se enquadra nessas características. Por esse motivo, procuramos um conhecimento integral de todo o processo. O projeto da Dedini é um projeto típico de engenharia. No centro, o projeto é em parte, de engenharia, mas requer muita pesquisa, pela própria complexidade da hidrólise, um processo de desconstruir aquilo que a natureza construiu para dar uma resistência específica à planta. Escolhemos a rota enzimática porque é um grande desafio e porque, no longo prazo, tem muito mais futuro. Mas o que o centro produzir pode ser conciliado com qualquer outra tecnologia.

O CTBE vai se dedicar à ciência básica. O País registra experiências com produção de álcool combustível desde a década de 1920, tivemos 30 anos de Proálcool e somos considerados líderes na produção e tecnologia em etanol. Ainda temos ciência básica para fazer nesse campo?
Braunbeck — Nos últimos 30 anos, aprendemos a usar bem a tecnologia clássica, na agricultura e na indústria, mas chegamos ao topo. Agora temos de dar outros saltos.

Pinheiro Lima — A cana contém açúcar no bagaço, na palha e no caldo. A quantidade de energia da cana está divida de maneira mais ou menos igual na planta. Um terço dela está em cada um desses componentes. O Brasil tira o açúcar para fabricar álcool apenas do caldo. Só aproveita um terço da energia existente. O centro vai se dedicar a desenvolver a ciência necessária para tirar do bagaço e da palha as moléculas de açúcares capazes de ser convertidas em álcool. Isso é uma nova tecnologia, não temos isso em escala industrial.

Tivemos um grande avanço no melhoramento clássico. Esses estudos não contribuíram para o avanço do conhecimento, para a ciência básica relacionada à planta cana-de-açúcar?
Pinheiro Lima — Agora podemos criar, com o estudo do genoma, plantas capazes de, dizendo de maneira bem simples, colocar mais moléculas de açúcar na celulose, na estrutura do bagaço, da palha. Quando falamos em desconstrução, estamos tratando da quebra de ligações químicas especiais. Há moléculas em sua estrutura que precisam ser bem conhecidas, precisamos saber qual ação quebra determinadas ligações químicas, sem quebrar outras, para que no final tenhamos o açúcar de cinco ou seis carbonos e possamos transformá-lo em álcool. Também queremos olhar para as técnicas convencionais. Queremos entender todo o processo de transformação que ocorre na fermentação, por exemplo. Como estamos quebrando as moléculas nesse processo? Há muito conhecimento nisso, mas não focado na cana-de-açúcar, porque essa planta não despertou a atenção do mundo, ela não se dá no Hemisfério Norte. Provavelmente o mundo não vai olhar para essa biomassa com a mesma ênfase que estamos olhando, embora a gente perceba, no Brasil, multinacionais comprando usinas, estudando o problema. O Brasil precisa urgentemente acompanhar o desenvolvimento tecnológico relativo a esse assunto, ou vai comprar essa tecnologia de segunda geração de outros países.

Braunbeck — É preciso ressaltar que não vamos duplicar linhas de trabalho já existentes em outras instituições no Brasil. Em melhoramento clássico tradicional já temos vários programas. Não vamos por essa linha. Nossa pesquisa básica vai se voltar para achar outros caminhos e conseguir extrair mais energia da planta.

Haverá uma pessoa coordenando as atividades de ciência básica, como existe nos casos da mecanização e da hidrólise, os outros dois eixos do tripé que constitui o centro? E quem seria essa pessoa?
Pinheiro Lima — Sim, teremos um diretor científico. No início, eu acumularei os cargos de diretor e diretor científico. Em seguida, faremos uma busca na comunidade científica para preencher esse cargo.

Qual seria uma agenda de ciência básica para o centro? Quando trabalhou em uma proposta de criação de um centro de pesquisa em etanol, por encomenda do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Cylon Gonçalves citou alguns programas de pesquisa que seriam parte dessa agenda.
Pinheiro Lima — A agenda descrita pelo Cylon [ex-secretário de políticas e programas do MCT durante a gestão de Eduardo Campos, atual governador de Pernambuco. Nota do E.], reflete bem o que pretendemos fazer. Em uma linguagem mais simples, atuaremos na área da construção da cana-de-açúcar (em genômica, proteômica e metabolômica da cana) e na desconstrução da cana-de-açúcar através de estratégias de bioquímica, química e física que propiciem a retirada intacta dos açúcares do bagaço e da palha que possam gerar etanol pela fermentação ou por caminhos diretos. Lembre que a cana-de-açúcar guarda a energia do Sol na forma de energia química, em moléculas de açúcar, e que estas estão presentes no bagaço, na palha e no caldo. O álcool proveniente do caldo é chamado de primeira geração e o do bagaço e da palha é de segunda geração. Na desconstrução, começaremos pela hidrólise enzimática da celulose do bagaço em açúcares fermentáveis, processo que será instalado na planta-piloto e criará estímulo e inspiração para a ciência básica, em seu início. Engenharia genética de leveduras que fermentam açúcar, para que se tornem capazes de sobreviver em alta temperatura e pressão, é outro bom exemplo da agenda de pesquisa em desconstrução da cana-de-açúcar.

No mundo, há estudos envolvendo a produção de etanol por meio de hidrólise enzimática a partir de resíduos — madeira, por exemplo. Os resultados desses estudos não são aplicáveis à cana-de-açúcar?
Pinheiro Lima — Não é algo 'transferível'. Por exemplo, as enzimas usadas para etanol de milho e etanol de cana são diferentes. Obviamente, ao desenvolver estratégias para uma determinada planta, se aprende o caminho para desenvolver estratégias. Mas isso não significa simplesmente que, no processo, se possa trocar cana-de-açúcar por alguma gramínea e produzir álcool. Não vai acontecer isso, pelo menos, não por ora.

Rossell — Temos uma indústria consolidada na produção de etanol de primeira geração, já temos o bagaço e a palha, matérias-primas para o etanol de segunda geração. Trata-se de desenvolver uma tecnologia que vai conciliar os dois processos da forma mais eficiente.

Já há iniciativas no Brasil em hidrólise enzimática. Há os estudos da rede do Projeto Bioetanol, a planta-piloto da Petrobras... Como esses trabalhos poderão ser aproveitados aqui? Haverá interação?
Pinheiro Lima — O centro não terá condições de tratar todos os problemas, mesmo sendo ambicioso. Ele precisará criar uma rede de laboratórios associados, terá de olhar para todas as iniciativas já existentes, para as competências das universidades, centros de pesquisa, e criar uma rede de colaborações que permita trocar conhecimento com essas pessoas e instituições. Entendo que o centro precisa ter certo caráter de agência de fomento. O CTBE deve ser capaz de fomentar, de 'seduzir' a comunidade científica a olhar para os problemas que interessam à produção de cana e etanol. Queremos que, em alguns anos, o centro tenha ferramentas de fomento para poder convidar a comunidade científica a participar desse desafio. Conversamos com a Fapesp [Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo] para saber de que maneira ela pode colaborar para a implantação do centro e para esse tipo de fomento. Vamos ter a mesma conversa com o CNPq [Centro Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico], já falamos com a Capes [Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior].

O Centro está abrigado no LNLS e a administração será pela ABTLuS. Por quê?
Pinheiro Lima — No passado, já existiu a idéia de a ABTLuS abrigar outros centros além do LNLS. O CTBE tem forte co-relação com a ciência desenvolvida no LNLS, seria um cliente especial do laboratório. A luz síncrotron é uma ferramenta muito importante para estudar estruturas; e dentro do laboratório já está instalado um centro de nanotecnologia, com equipamentos que permitem analisar a nanoestrutura dos materiais. Cabe muito bem o nascimento do CTBE ao lado dessas competências. Ele será independente, mas abrigado em um parque comum.

Fonte: Janaina Simões / Inovação Unicamp

24ª Jornada de Ensino de Língua Inglesa

A Universidade Federal de São Carlos sediará, nos dias 22 e 23 de maio, no interior paulista, a 24ª Jornada de Ensino de Língua Inglesa, promovida pela Associação de Professores de Língua Inglesa do Estado de São Paulo (Apliesp) em parceria com a instituição de ensino.

O evento, que terá “Implicações do ensino a distância na formação do professor e do aluno de línguas” como tema, reunirá pesquisadores de diversas universidades com experiências em ensino a distância, que apresentarão projetos bem-sucedidos na área.

Na programação estão previstas atividades como minicursos, apresentação de pôsteres, lançamentos de livros e mesas-redondas sobre, entre outros assuntos, políticas de educação a distância e letramento digital na formação dos professores de língua inglesa.

Mais informações: www.apliesp.org.br

Fonte: Agência FAPESP

O Futuro da Astronomia




Em comemoração aos 180 anos do Observatório Nacional (ON), um dos mais antigos institutos de pesquisa do Brasil, será realizado, de 27 a 29 de maio, no Rio de Janeiro, o encontro O Futuro da Astronomia.

O evento será dividido em duas partes. A primeira, cujo tema central será “Uma impressão sobre o futuro da astronomia em tradução livre”, terá palestras de cientistas responsáveis por alguns dos maiores projetos da astronomia mundial da próxima década.

No total, serão apresentados 15 projetos de pesquisa. O objetivo é identificar oportunidades de colaboração brasileira e de fornecer subsídios para o planejamento de médio e longo prazos para o ON e para o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).

A segunda parte do evento discutirá “A nova astronomia: o desafio dos dados”. Na ocasião será debatida a infra-estrutura necessária na área da tecnologia de informação para lidar com a avalanche de dados gerada pelos projetos apresentados na primeira parte do evento.

Mais informações: www.on.br/glimpse e www.on.br/newastronomy

Fonte: Agência FAPESP

PDP - Meta do MCT é incorporada e investimentos em P&D devem crescer 10% ao ano

Meta do plano do MCT é incorporada; para investimento privado em P&D chegar a 0,65% do PIB em 2010, deve crescer 10% ao ano

A Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) prevê investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) da ordem de R$ 6 bilhões, até 2010, em apoio às atividades de inovação nas empresas e a projetos de pesquisa que envolvam também centros de pesquisa públicos. A nova política também pretende derrubar o impedimento do uso dos incentivos fiscais para inovação por parte das empresas beneficiárias da Lei de Informática (10.176/2001) localizadas na Zona Franca de Manaus, que seguem a Lei 8.387/1991. Para ser posta em prática, parte das medidas da PDP precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional.

O governo considera investimentos para a PDP os R$ 33,1 bilhões já previstos no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) 2007-2010, que trata de ações em infra-estrutura; os R$ 41 bilhões do Plano de Ação de Ciência, Tecnologia e Inovação do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), a ser aplicados entre 2007 e 2010; os incentivos fiscais para inovação criados pela Lei 11.196/2005, dita "do Bem"; e R$ 210 bilhões vindos do BNDES, também até 2010. A renúncia fiscal a ser feita pelo governo foi calculada em R$ 21,4 bilhões. A chamada desoneração inclui redução de tributos, equalização de taxa de juros, simplificação de operações, redução de custo tributário e do financiamento dos investimentos e das exportações, somando-se todas as medidas previstas, além da renúncia fiscal para apoiar as atividades de inovação.

A PDP foi apresentada dia 12 de maio na sede do BNDES, no Rio de Janeiro, pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, em cerimônia que teve discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e presença de mais dez ministros e dez governadores, além de empresários e outras autoridades. Nove pessoas discursaram na ocasião. A apresentação da política coube ao ministro Miguel Jorge. Os instrumentos da PDP foram detalhados pelo presidente do BNDES, Luciano Coutinho, cuja apresentação recebeu o título "Inovar e Investir para Sustentar o Crescimento". O ministro da Fazenda, Guido Mantega, tratou dos temas renúncia e incentivos fiscais necessários para a operação da PDP. O presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Reginaldo Arcuri, falou da operacionalização da política. O último a falar pelo lado do governo foi o presidente Lula. Em seu discurso, ele pediu a colaboração do Congresso Nacional para a aprovação rápida das medidas da política industrial. Em apoio à política, falaram também os presidentes da Embraer, Frederico Curado; da Petrobras, José Sérgio Gabrielli; do Grupo Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter; da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto; e do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, José Lopez Feijó.

As metas e o papel da inovação no crescimento sustentável da economia
A PDP estabelece quatro metas gerais: ampliar o investimento em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) dos R$ 450 bilhões, índice de 2007, para R$ 620 bilhões, em 2010; aumentar a exportação de US$ 160,6 bilhões para US$ 208,8 bilhões; ampliar em 10% o número de micro e pequenas empresas exportadoras no período (eram 11.762 empresas desse porte vendendo no mercado externo em 2006); e aumentar de R$ 11,5 bilhões para R$ 18,2 bilhões a proporção entre o investimento privado em pesquisa e desenvolvimento e o PIB. O setor privado investiu o equivalente a 0,51% do PIB em P&D em 2006; a meta da política é que esse investimento seja, em 2010, correspondente a 0,65% do PIB. Para cumprir a meta de "dinamizar o gasto privado em P&D", o crescimento anual médio nos investimentos das empresas nessas atividades deve atingir a casa de 9,8%.

Em um dos documentos postados no site da PDP, o Ministério do Desenvolvimento afirma que um dos desafios para a sustentabilidade do crescimento "é elevar a capacidade de inovação das empresas brasileiras". "Essa condição", continua o texto, "é indispensável para agregar valor aos produtos nacionais, ampliar a competitividade das empresas no mercado doméstico e fortalecer a inserção externa do País, seja para consolidar posições em atividades nas quais já temos vantagens competitivas, seja nas atividades em que a capacidade de inovação é a variável competitiva chave — caso dos setores que se mostram mais dinâmicos nos fluxos de troca internacionais".

A política utilizará quatro categorias de instrumentos: incentivos, como crédito e financiamento, capital de risco e incentivos fiscais; poder de compra governamental, incluindo as compras das empresas estatais; instrumentos de regulação técnica, sanitária, econômica e concorrencial; apoio técnico, como certificação e metrologia, promoção comercial, gestão da propriedade intelectual, capacitação empresarial e de recursos humanos, coordenação intragovernamental e articulação com o setor privado.

O que a política industrial traz sobre inovação
O fomento à inovação é um assunto transversal na nova política industrial, como já era na Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (PITCE) de 2004. É identificada como uma "ação sistêmica" da PDP, ou seja, uma ação orientada para a geração de externalidades positivas, como explicou Luciano Coutinho na apresentação que fez no dia do lançamento da política industrial. Externalidade positiva é um conceito econômico para ações de incentivo que, criadas para um setor ou empresa, acabam gerando impactos positivos em outras áreas e empresas que não eram diretamente alvo dos incentivos, ou para medidas que são positivas para vários setores da economia, como as melhorias em infra-estrutura. Assim como a inovação, os planos fiscal-tributário e de segurança jurídica são considerados ações sistêmicas da PDP.

Para ampliar os esforços em inovação, a PDP aponta os instrumentos e programas já existentes, como os R$ 460 milhões para a subvenção econômica, a equalização da taxa de juros, o fomento a fundos de venture capital e o total de R$ 1,3 bilhão disponível para os editais dos fundos setoriais em 2008. São recursos e ações operados pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), agência de fomento do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). A PDP fala ainda no lançamento de novas linhas de financiamento pelo BNDES, mas não explicita quais são elas. O BNDES entra com R$ 6 bilhões, que devem apoiar os esforços inovativos em empresas, por meio da chamada Linha Capital Inovador, e projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação, por meio da Linha Inovação Tecnológica.

Essas linhas já existem e são reembolsáveis, ou seja, a empresa recebe um crédito do banco e deve pagá-lo posteriormente, com encargos. Os juros cobrados pelo BNDES para fomentar a inovação são menores do que nas outras modalidades de financiamento. A Linha Capital Inovador do BNDES apóia empresas para construção da infra-estrutura física e do capital tangível e intangível necessários à realização de atividades de inovação. A Lina Inovação Tecnológica oferece recursos para projetos de desenvolvimento de produtos e/ou processos novos ou significativamente aprimorados (pelo menos para o mercado nacional) e que envolvam risco tecnológico e oportunidade de mercado.

Na sua apresentação, Coutinho mencionou também a criação "de nova área de renda variável para investimentos e participações em empresas inovadoras". Como dinheiro novo, a política industrial fala de um aumento de R$ 100 milhões para R$ 300 milhões anuais no orçamento de outro programa do BNDES, o Fundo Tecnológico (Funtec), linha não reembolsável. O Funtec financia projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica (P&D&I) feitos em parceria entre empresas e universidades ou institutos de pesquisa, exigindo uma contrapartida apenas da empresa. O dinheiro não é pago de volta, como ocorre nos financiamentos e empréstimos. Os projetos precisam estar em uma das áreas estratégicas para o País: saúde, energias renováveis e meio ambiente.

Outro programa do BNDES para alavancar a inovação é o Programa de Capital Semente (Criatec), cujo dinheiro é aplicado na capitalização de micro e pequenas empresas inovadoras de capital semente. O Criatec é voltado para empresas inovadoras que atuam nos setores de tecnologia da informação, biotecnologia, novos materiais, nanotecnologia, agronegócio, entre outros. O fundo tem R$ 80 milhões para o período 2007-2010. Ele foi citado por Luciano Coutinho como um programa que apoiará a capitalização de empresas regionais, apesar de a linha ser classificada no BNDES como de fomento à inovação.

A PDP destaca como medidas no âmbito fiscal e tributário para alavancar a inovação a permissão da depreciação imediata de máquinas e equipamentos utilizados em P&D&I, e a permissão para que as empresas beneficiadas pelas Leis de Informática e da Zona Franca de Manaus acumulem os incentivos fiscais dessas leis aos previstos na Lei 11.196, que concede incentivo fiscal para projetos de P&D&I. O documento também cita a articulação da política industrial reformulada e do Plano de Ação de Ciência e Tecnologia, chamado de PAC da Inovação, que prevê a aplicação de R$ 41 bilhões entre 2007 e 2010.

Os outros dois níveis da política industrial
Além das ações sistêmicas, a PDP trabalha com outros dois níveis. Os destaques estratégicos são temas da política pública selecionados em razão da importância deles para o desenvolvimento produtivo do Brasil no longo prazo. Os destaques foram divididos em cinco dimensões: ampliação das exportações; fortalecimento das micro e pequenas empresas; regionalização; integração produtiva com a América Latina; integração com a África; produção sustentável.

O fomento à inovação aparece também nesse nível, no que diz respeito ao fortalecimento das pequenas e micro empresas e da produção sustentável. Para esta última, a PDP destaca que "uma política voltada para expansão da capacidade produtiva e dos investimentos em inovação não poderia deixar de considerar o meio ambiente e a produção sustentável. O pressuposto é que o desenvolvimento produtivo deve ser combinado com a redução de impactos ambientais e com a exploração de oportunidades criadas pelas tecnologias limpas".

O terceiro nível relaciona-se aos programas estruturais para sistemas produtivos. São programas orientados por objetivos estratégicos, em que os setores são trabalhados de formas diferentes. Ao invés de selecionar um setor específico da economia, como bens de capital ou software, como foi feito na PITCE de 2004, os planejadores decidiram estabelecer metas para cada um deles, de acordo com o grau de desenvolvimento dos setores.

Coordenação e gestão da PDP
A coordenação geral da política caberá ao ministro do Desenvolvimento. Este terá o apoio de uma secretaria executiva, formada por ABDI, BNDES e Ministério da Fazenda. Será criado um comitê gestor, também presidido pelo ministro do Desenvolvimento, com representantes da Casa Civil e dos Ministérios da Fazenda, do Orçamento, Planejamento e Gestão, e da Ciência e Tecnologia. De forma complementar, a Câmara de Política Econômica atuará como formuladora e propositora de iniciativas. Todos os programas criados a partir da PDP terão, ainda, um comitê executivo, composto por representantes dos órgãos de governo ligados ao tema ou sistema produtivo. Em cada caso serão definidos a instituição gestora e o técnico responsável pela coordenação das ações previstas.

Para o monitoramento programático da política industrial será utilizado o Sistema de Gerenciamento de Projetos (SGP), já utilizado pela ABDI no âmbito de seus programas e projetos. Ele servirá para acompanhar o andamento das ações, permitindo a emissão de relatórios periódicos e a construção de indicadores para acompanhamento das metas, e para monitoramento da política, inclusive pelo setor privado.

A articulação entre o governo e a iniciativa privada caberá ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI). A cada seis meses, o conselho gestor prestará conta da política para o CNDI. O Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CCT) também será consultado e informado, periodicamente.

Próximos passos
Na continuidade da execução da PDP, o ministro Miguel Jorge vai se reunir com representantes dos diversos segmentos da economia nacional "para explicar a PDP sob o enfoque setorial e gerar mobilização em torno do programa", segundo o Ministério do Desenvolvimento. As primeiras reuniões foram feitas no dia do lançamento da PDP, com as cadeias produtivas têxtil e de confecções e aeronáutica. No dia seguinte, 14 de maio, foi a vez de o ministro se reunir com os setores de couro e calçados e plásticos. Dia 20 de maio, as reuniões serão com representantes dos setores de bens de capital e naval; dia 27, com os empresários das áreas de madeira e móveis e do complexo automotivo, e dia 29, com os setores de higiene, perfumaria e cosméticos e de siderurgia.

As reuniões com os complexos de saúde e energia ficarão sob encargo dos Ministérios da Saúde e de Minas e Energia, respectivamente. Para o setor de tecnologia da informação e comunicação e para nanotecnologia, o MCT ficou designado como responsável pelas reuniões. O complexo de defesa vai se reunir com os representantes do Ministério da Defesa. As datas não estavam definidas ainda na ocasião do lançamento da política.

O presidente Lula editou, no dia 13 de maio, duas medidas provisórias e cinco decretos para atender a PDP. Apenas um deles envolve medidas para fomentar a inovação. Trata-se do Decreto 6.453, que dá nova redação a dois artigos do Decreto 6.306/2007. Este decreto regulamenta o Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários (IOF). O Decreto 6.453 determina que a alíquota do IOF será reduzida a zero em operação de crédito efetuada pela Finep e pelo BNDES ou por seus agentes financeiros, com recursos daquele banco ou de fundos por ele administrados.

Fonte: Janaína Simões / Inovação Unicamp

Brasil deve mudar “modelo mental” afirma diretor da Finep

O diretor de Inovação da Finep, Eduardo Costa, convidou, os participantes da 8ª Conferência Anpei para fazerem uma reflexão e mudar o “modelo mental” para entender o cenário de inovação que está sendo adotado no Brasil.

Costa lembrou o novo cenário econômico mundial, que registra o grande crescimento das empresas asiáticas. Segundo ele, a partir de uma avaliação minuciosa sobre esse cenário é possível se pensar em quais ações o Brasil deve desenvolver para ingressar no mercado mudial.

Ele salientou que a Finep opera hoje recursos na ordem de R$ 1,8 bilhão do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e com mais os créditos, os recursos operados pela financiadora podem chegar a R$ 3 bilhões. “Há dez anos, operávamos R$ 300 mil. Só que o pensamento de que temos hoje é o de dez anos atrás, em que temos que ter projetos pequenos para caber nos R$ 300 mil” enfatizou.

É preciso, na avaliação do diretor, mudar o pensamento e entender que o novo cenário econômico é um momento “muito diferente” dos anos 1990. “Existem, hoje, recursos para operar programas com mais de R$ 100 milhões, ou projetos com mais de R$ 1 milhão”.

Na semana passada, algumas instituições se queixaram dos valores destinados pelo novo edital de subvenção econômica da Finep para as micro e pequenas empresas. A chamada prevê projetos mínimos de R$ 1 milhão, o que foi considerado um valor muito alto para as pequenas.

“São as fundações de amparo que vão fazer [nos Estados] os investimentos de subvenção com projetos menores. Projetos nacionais têm que ter mais recursos, há dinheiro para isso”, disse Costa.

O diretor ainda apontou que alguns setores, que não foram contemplados pelo edital nacional, poderão receber recursos do Pappe-Subvenção nos Estados e é cada região que definerá suas prioridades. Atualmente, 17 unidades da Federação estão aptas a operar o Pappe-Subvenção e a expectativa, segundo Costa, é que a Finep amplie esse programa para todo o país.

A Bahia (Fapesb) e o Rio de Janeiro (Faperj) estão com editais abertos para o programa. As chamadas podem ser conferidas nos links: Fapesb e Faperj

Fonte: Tatiana Fiuza / Gestão CT

Encerrada a primeira fase do Programa da Grande Esfera-Atmosfera da Amazônia - LBA

LBA discute novos rumos

A primeira fase do Programa da Grande Esfera-Atmosfera da Amazônia (LBA) foi encerrada com sucesso e as estratégias para a segunda etapa já estão traçadas, de acordo com Paulo Artaxo, um dos coordenadores do programa cujo objetivo é aumentar o conhecimento sobre as relações entre o uso da terra e o clima amazônico.

Os membros do comitê científico responsável pelo LBA se reuniram nos dias 19 e 20, em Campinas (SP), para traçar os rumos do programa. Segundo Artaxo, o LBA é um dos maiores experimentos científicos em andamento no mundo. No Brasil, mais de mil pesquisadores e estudantes participam da execução de uma agenda científica integrada.

“Os resultados, medidos por várias métricas, são muito bons, incluindo a formação de recursos humanos na Amazônia, a expressiva e extensa lista de publicações científicas e as descobertas científicas sobre o funcionamento integrado do ecossistema amazônico”, disse Artaxo à Agência FAPESP.

Os trabalhos de pesquisadores do LBA geraram a publicação de quatro artigos nas revistas Nature e Science, além de mais de 1,5 mil artigos em outras revistas científicas. O programa produziu ainda cerca de 150 projetos de pesquisa de ciência de ponta e mais de 500 mestres e doutores foram formados na região amazônica.

Artaxo, professor titular e chefe do Departamento de Física Aplicada do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), explica que o programa foi constantemente adaptado às descobertas científicas realizadas ao longo dos mais de dez anos de existência do LBA. “O novo plano científico para a segunda fase do programa foi desenhado de acordo com esses avanços”, apontou.

O novo plano, segundo Artaxo, baseia-se em três grandes tripés, que se relacionam de forma integrada: a interação biosfera-atmosfera, o ciclo hidrológico e as dimensões sociopolíticas e econômicas das mudanças ambientais.

“São também três focos de pesquisa. O primeiro se refere aos processos: as mudanças no ambiente amazônico. O segundo se refere às conseqüências: a sustentabilidade dos serviços ambientais e os sistemas de produção terrestres e aquáticos. O terceiro foco se refere às respostas: a variabilidade climática e hidrológica e sua dinâmica – retroalimentação, mitigação e adaptação”, explicou.

As características da segunda fase do projeto incluem a ênfase em abordagem de mesoescala, a integração de domínios disciplinares, a otimização da infra-estrutura para pesquisa e a valorização de recursos humanos.

Segundo Artaxo, na nova fase o programa deverá estudar temas como a relação entre desmatamento e as quantidades e padrões de precipitação, as taxas de deposição seca e úmida de nutrientes na Amazônia, a expansão dos estudos climáticos e ambientais para as sub-regiões da Amazônia andina e da Guiana e indicadores de sustentabilidade.

“Outras motivações para o programa são os estudos sobre a relação das mudanças climáticas e ambientais com a saúde humana, a integração das escalas locais, regionais e de mesoescala, os aspectos sociais e econômicos ligados às mudanças de uso e cobertura da terra e os fluxos de energia, gases-traço [de baixa concentração na atmosfera], aerossóis [núcleo de condensação de nuvens] e vapor de água na Amazônia”, disse.


Novo arranjo institucional

Em setembro de 2007 o LBA foi transformado em programa governamental. Segundo Artaxo, a nova condição deu ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) um canal direto de participação no programa.

“Com isso, os pesquisadores passaram a atuar nas demandas governamentais de modo mais direto. O LBA continuará a ser gerenciado pelo MCT e coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa)”, apontou.

De acordo com o professor da USP, o gerenciamento pelo MCT está sendo feito de modo integrado com outros programas associados, como o projeto Pesquisas de Desenvolvimento de Métodos, Modelos e Geoinformação para Gestão Ambiental (Geoma) e o Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PP-BIO). “Os três programas estão organizando uma conferência científica integrada, que ocorrerá em novembro, em Manaus”, afirmou.

Artaxo destaca que é difícil avaliar quanto foi investido até hoje no LBA – as estimativas são de mais de R$ 100 milhões –, pois aos recursos do MCT foram adicionados investimentos de diversas outras agências, como a FAPESP, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam).

“Além disso, instituições internacionais como a Nasa, a National Science Foundation, além da Comunidade Européia, também tiveram papel relevante no financiamento da primeira fase do LBA. A segunda fase terá participação maior de fontes brasileiras de financiamento”, disse.

O coordenador afirma que a previsão de orçamento para o programa, na segunda fase, é de R$ 4 milhões anuais – o que deverá incluir recursos para manutenção de infra-estrutura, recursos humanos e investimento em pesquisa.

“Mas os detalhes sobre como o financiamento pelo MCT irá se materializar ainda não foram completamente definidos. Esses mecanismos deverão ser definidos na reunião do comitê científico, juntamente com representantes do ministério”, disse.

Segundo Artaxo, o desmatamento e a queimada das florestas liberam anualmente cerca de 1,6 bilhão de toneladas de carbono na atmosfera. Ao lado da queima dos combustíveis fósseis – que emite entre 6,4 e 7,2 bilhões de toneladas –, a destruição da floresta está entre os grandes responsáveis pela concentração de gases de efeito estufa que causou, nos últimos 50 anos, um aumento de 1,7ºC na temperatura média da Terra.

Mais informações: http://lba.cptec.inpe.br/lba/site

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP

Nova presidente da Anpei ressalta que associação também faz inovações

Em entrevista exclusiva concedida ontem (20) ao Gestão CT, Maria Angela do Rego Barros, a nova presidente da Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras (Anpei), disse que a entidade também faz inovações e uma das metas de sua gestão é profissionalizar a Anpei.

As inovações seriam “tanto no serviço prestado ao associado, quanto nas articulações com os órgãos governamentais que é o forte da nossa atuação”, observa.

Uma das decisões já tomadas é para que os associados, que fazem parte do conselho da Anpei, indiquem profissionais na área contábil ou financeira. A proposta é ter um conselho fiscal com esses profissionais. “Isso para dar mais transparência aos associados e ter melhor controle dos recursos que a entidade dispõe”, explica.

Outra proposta é ter, internamente, consultores com o foco específico em cada uma das áreas e criar alguns grupos de trabalho que vão partir dos associados. “O anseio dos associados em participar era grande, então, essa foi a forma que se encontrou. Criar os grupos de trabalho para ter os profissionais na área e propor inovações”, observa.

Regionalização
Maria Angela conta que outra vertente é que os associados estejam em todas as regiões do país, em grande número. A maior parte dos associados da Anpei está hoje concentrada na região Sudeste (63%). A proposta é atuar em parceria com o Instituto Euvaldo Lodi (IEL) e com o Sebrae para ampliar o número de associados. Além disso, de início, a Anpei pretende inserir dispositivos práticos, como teleconferência ou vídeo-conferência para facilitar a participação de novos associados de outras regiões nas atividades da Anpei. Atualmente, a entidade conta com 96 associados, sendo 67 do Sudeste, 21 do Sul, quatro do Norte, dois do Centro-Oeste e dois do Nordeste.

Desafios
A nova presidente lembra que a associação está complementando 24 anos. “Nesse período, saímos de uma associação de empresas que faziam P&D para um mundo globalizado. A inovação virou a palavra da moda. Agora é a hora de a entidade se posicionar como a grande solução para P&D”.

Ela observa que a Anpei possui o maior corpo técnico para a área de PD&I e o conhecimento da trajetória da inovação no Brasil e ressalta que os associados são os executivos desse setor. “Poucos falam de academia, eles são aqueles que batalharam, eu mesma venho, há dez anos, atuando na área de PD&I.”

Maria Angela ainda salienta que a Anpei sabe como conduzir as ações de PD&I, agora o grande desafio é mostrar isso.

Marco regulatório
A presidente ainda falou que considera “insuficiente” o marco regulatório para estimular a inovação no país. Ela explica que o assunto começou a ser discutido muito tardiamente no Brasil e “é natural que faltem alguns instrumentos”.

Do ponto de vista da Anpei, como explica Maria Angela, o que falta é uma melhor implementação ou uma atuação mais célere para que as ações previstas no marco regulatório sejam, de fato, implementadas pelo Executivo. “Temos que acelerar esse processo, para que consigamos chegar a tempo e não perdemos essa janela.”

Subvenção
A presidente vê um gap ainda, no que foi pensado pelo Legislativo para a Lei de Inovação e o que de fato foi realizado pelo Executivo quando se trata do Programa de Subvenção Econômica da Finep. “Porque os segmentos que estão sendo privilegiados e o espaço de projetos que podem ser apresentados é bastante limitado, o que acabou tornando esse edital muito direcionado.”

Ela explica que as empresas preferem, neste sentido, a desoneração tributária por ser mais rápida e por deixar nas mãos dos empresários a melhor escolha pela inovação.

Porém, a presidente observa que o poder de compra e a subvenção são instrumentos utilizados no mundo inteiro. “Só precisamos que os nossos técnicos saibam como fazer. Ter linhas mais abertas e com disponibilidade direta para as empresas, para não passarmos por tantos processos de seleção.”

Diretoria
Maria Angela foi eleita no último dia 19, durante a reunião de associados que precedeu a 8ª Conferência Anpei, que acontece em Belo Horizonte (MG), até amanhã. Ela é responsável pela área de relações governamentais para pesquisa, desenvolvimento e inovação da Motorola. O novo vice-presidente da Anpei será Carlos Eduardo Calmanovici, engenheiro químico e gerente de inovação e tecnologia - vinílicos da Braskem.

Fonte: Tatiana Fiuza / Gestão CT

Fibra de vidro e motores automotivos com potencia acima de 190 cavalos

Prezados estamos fazendo nosso TCC para o curso de Engenharia de Produção Mecânica, estamos projetando um carro esportivo nacional, porém teremos que montar o mock up.

Vocês conhecem alguma empresa que trabalhe com fibra de vidro e que não seja absurdamente caro como as que nós vimos aqui em SJC?

Também precisamos de informações sobre importadoras ou fabricantes de motores automotivos com potencia acima de 190 cavalos. Qualquer informação é bem vinda!!

Muito obrigada.

Daniele
Electrical System Design
São José dos Campos

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Inovação é discutida em BH

Oportunidades para inovar

Quando se fala em pesquisa e desenvolvimento (P&D) no Brasil, um dos pontos mais unânimes é que a atividade ainda se concentra muito mais no setor público do que nas empresas, o que configura um cenário distante dos encontrados nos países mais ricos, que respondem por mais da metade da P&D no setor produtivo.

No entanto, os números não implicam que as empresas nacionais ou instaladas no Brasil não estejam preocupadas com pesquisa, desenvolvimento e inovação, não por coincidência os temas que conduzem a 8ª Conferência Anpei de Inovação Tecnológica, realizada pela Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras.

A conferência, que ocorre em Belo Horizonte até 21 de maio, reúne aproximadamente 600 pessoas, entre especialistas, empresários, pesquisadores e interessados no assunto.

O primeiro dia da conferência teve um recorte específico no sistema de inovação mineiro. Para os especialistas presentes, Minas Gerais foi um dos estados que mais se adequaram à Lei de Inovação, publicada em dezembro de 2004.

“Reconhecemos que o setor empresarial está sendo ouvido, mas ainda há muito espaço para avançar”, ressaltou Heloísa Regina Guimarães de Menezes, superintendente do Instituto Euvaldo Lodi de Minas Gerais. Segundo ela, é preciso criar uma cultura de inovação para ajudar as empresas a elaborar projetos e captar recursos em temas ligados à inovação.

A questão da “cultura da inovação” também foi tratada pelo sociólogo Glauco Arbix, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, que, ao abordar as estratégias de política industrial e de inovação de sete países – Estados Unidos, Canadá, França, Reino Unido, Finlândia, Irlanda e Japão –, frisou a necessidade da construção, no Brasil, de agências de inovação que auxiliem as empresas a elaborar projetos e identificar quais são os gargalos na sua atividade inovativa.

O secretário de Inovação do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), falou sobre o Plano de Ação da Ciência, Tecnologia e Inovação, conhecido como PAC da Ciência e lançado no fim do ano passado.

O plano tem entre seus objetivos estimular o investimento em P&D no setor privado, que, em 2006, destinou cerca de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional para a atividade. A meta do PAC da Ciência é aumentar esse investimento para 0,65% do PIB até 2010. Para atingir a meta, o MCT pretende investir em bolsas de pesquisa, em programas como os fundos setoriais e nos incentivos fiscais para as empresas realizarem P&D no Brasil. (*Da Coordenadoria de Comunicação da Secretaria de Ensino Superior de São Paulo)

Fonte: Sabine Righetti(*) / Agência FAPESP

Oficinas de Construção Coletiva do Novo Modelo de Incubação de Empreendimentos Inovadores

Os gestores de incubadoras de empresas são convidados a contribuírem, a partir de suas experiências de sucesso, com a construção de um novo modelo de atuação das incubadoras de empresas no Brasil: o Centro de Referência para Apoio a Novos Empreendedores (CERNE).

Durante as Oficinas de Construção Coletiva do Novo Modelo de Incubação de Empreendimentos Inovadores serão apresentados os conceitos, princípios e diretrizes que norteiam esse novo modelo, bem como as experiências nacionais e internacionais de referência, de forma que as incubadoras brasileiras promovam a potencialização, padronização e inovação da sua plataforma de soluções de infra-estrutura, equipe, serviços, networking e marca.

As Oficinas serão realizadas em três cidades (Porto Alegre, Recife e Belém), em datas diferentes, para que o maior número de gestores de incubadoras possa participar.

Requisitos para participação
a) Da instituição :
. ser associada à ANPROTEC e estar em dia com a anuidade;
. ter mais de cinco anos de operação;
. ter pelo menos dez empresas incubadas e três empresas graduadas.

b) Do candidato :
. ser gestor (diretor, coordenador ou gerente) de incubadoras de empresas;
. ter atuação profissional comprovada na área – mínimo de dois anos de experiência na gestão de incubadoras* ;
. comprometer-se a participar durante todo o período da Oficina.

* Se você ainda não tem dois anos de experiência na gestão da incubadora, mas participou do Workshop de Metadesign do Programa CERNE - Estruturação Coletiva de um Novo Modelo de Incubação de Empreendimentos Inovadores ( Florianópolis/SC, 28/05 a 01/06/07) ou do Curso de Planejamento e Gestão de Incubadoras (Brasília, 22 a 25/04/08), também pode se inscrever.

Locais e datas:
Porto Alegre , de 26 a 30/05/2008
Recife, de 09 a 13/06/2008
Belém, de 23 a 27/06/2008

Clique na cidade mais próxima de você (acima) e participe!

Fonte: Anprotec