quinta-feira, 8 de maio de 2008

Brasileiro compartilha Prêmio Nobel da Paz de 2007

O pesquisador brasileiro Carlos Clemente Cerri, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (CENA), recebeu do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas da ONU (IPCC) uma cópia do certificado de atribuição do Prêmio Nobel da Paz de 2007 e o reconhecimento da colaboração ao trabalho do IPCC.

"O crédito para este prestigioso prêmio vai para você e outros colegas que têm contribuído de forma admirável para o trabalho do IPCC. Contribuição substancial para nosso trabalho ao longo dos anos, desde o início da organização", disse R. K. Pachauri, presidente do IPCC, em carta ao pesquisador.

O IPCC, junto com o ex-presidente dos Estados Unidos Al Gore, recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 2007 pelo esforço conjunto na criação e disseminação de maior reconhecimento sobre a influência humana nas mudanças climáticas e pelo lançamento das bases necessárias para inverter essas mudanças.

Brasileiro de destaque
Professor titular do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da USP, o agrônomo Carlos Cerri formou-se pela Faculdade de Medicina Veterinária e Agronomia de Jaboticabal, em 1970, fez especialização em Filosofia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Jaboticabal, em 1971, mestrado e doutorado em Geociências pela USP e pós-doutorado pela Rothamsted Experimental Station, Inglaterra.

Com larga experiência na área de agronomia, o pesquisador, que é bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq 1A, atua nos temas de pedogênese e granito, na área de Ciências do Solo. "Agradeço ao CNPq pelo apoio que tem dado há mais de 30 anos à minha formação científica e ao financiamento das pesquisas, o que permitiu minha projeção no meio acadêmico", afirma o pesquisador.

Fonte: Agência CT

Usabilidade é tema palestra no Instituto Nacional de Tecnologia

O Brasil perde bilhões de Reais em função de erros em projetos, recalls, acidentes e rejeitos que caracterizam produtos com mau uso. Não há estatística precisa sobre esses prejuízos, mas a estimativa é dada por designers do Instituto Nacional de Tecnologia (INT/MCT) que estudam a usabilidade dos produtos industriais.

O conceito de usabilidade se traduz no conforto, segurança e satisfação do usuário. Hoje, é um item importante para distinguir um produto frente ao mercado cada vez mais competitivo, tanto que existe uma norma – ISO 9241 – especificamente para defini-lo (medida na qual um produto pode ser usado por usuários específicos para alcançar objetivos específicos com eficácia, eficiência e satisfação em um contexto específico de uso).

Na próxima Terça Tecnológica – ciclo de palestras destinado a estimular o debate entre os tecnologistas e o público universitário –, dia 13, às 14h30, pesquisadores da Divisão de Desenho Industrial (DvDI) do INT apresentam estudos de caso sobre usabilidade.

O designer Álvaro Guimarães, chefe da DvDI, mostra as avaliações de produtos de uso diário, como vassouras, cadeiras, geladeiras, banheiro de ônibus, que o INT tem realizado. Nesses estudos, são apontados erros ao fabricante e, em alguns casos, novos parâmetros para orientação dos projetistas. "O estudo da usabilidade permite à indústria incorporar as necessidades humanas e da sociedade à fabricação de produtos", sintetiza Guimarães.

O INT lidera ainda um projeto, em parceria com o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (Puc-Rio), para incorporar a usabilidade às normas de fabricação de produtos.

O pesquisador Luiz Carlos do Carmo Motta apresenta e coloca em discussão aspectos desse trabalho, que também gerará um software para avaliar parâmetros de conforto e um banco de dados sobre a usabilidade de produtos.

A designer Flávia Cristine Pastura, do Laboratório de Ergonomia do INT, por sua vez, mostra exemplos de projetos específicos tanto de produtos como de postos de trabalho para a indústria, onde os parâmetros sugeridos modificaram as relações de uso, conforto e produtividade. Entre os projetos expostos está um estudo sobre painéis automobilísticos e outro sobre situações de trabalho no "chão de fábrica" de uma grande empresa de eletroeletrônicos.

A inscrição para o evento pode ser feita até amanhã (09), pelo site www.int.gov.br/3tecno. Os inscritos nesse prazo recebem certificado de participação.

Terça Tecnológica
Tema: Usabilidade: estudos de caso
Data: 13 de maio
Horário: 14h30 às 16h30
Local: Auditório Fonseca Costa / INT - Av. Venezuela, 82 - Praça Mauá - Rio de Janeiro

Fonte: Agência CT

Pesquisadores da Uenf desenvolvem sabonete contra dengue

Está concluída a formulação de um sabonete repelente, desenvolvido por pesquisadores do Laboratório de Ciências Químicas da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), que poderá se tornar uma importante arma para o combate ao mosquito da dengue (Aedes aegypti), que também transmite a febre amarela.

O produto, cujo efeito dura até seis horas sobre a pele humana, foi criado a partir de uma mistura de glicerina, obtida em óleo de cozinha reciclado, com essências naturais de plantas como o cravo-da-índia, citronela e capim-limão, essas duas últimas nativas do Brasil. A fórmula conta ainda com outras substâncias químicas, que ajudam a aumentar o tempo de ação do produto.

“Apesar de ter uma ação comprovada contra o Aedes aegypti, que foi o foco dos estudos, o sabonete conta com grande possibilidade de ter ação repelente contra outros vetores. O objetivo agora é ampliar os testes de sua eficácia contra insetos que transmitem outras doenças humanas e animais”, disse Edmílson José Maria, coordenador da pesquisa e chefe do Setor de Síntese Orgânica do Laboratório de Ciências Químicas da Uenf, onde o sabonete foi formulado.

O processo de obtenção de patente do produto junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) teve início, assim como o pedido de aprovação da formulação na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

De acordo com José Maria, a eficácia do sabonete foi comprovada em testes com cobaias e humanos. “Para verificar sua atividade repelente e seu tempo de ação, primeiramente aplicamos o sabonete em camundongos, que ficaram em contato com mosquitos Aedes aegypti. Esses insetos são criados em cativeiro no laboratório a partir de uma linhagem que não tem o vírus da dengue, fazendo com que as gerações posteriores do mosquito também não desenvolvam a virulência”, explicou.

Nos testes em humanos, o produto foi aplicado na mão e no antebraço de voluntários da universidade. “Em seguida, inserimos os braços dos voluntários, sucessivamente em um período de seis horas, em gaiolas cheias de mosquitos para verificar se haveria algum tipo de contato dos insetos com a pele, o que não ocorreu”, afirmou.

“Fizemos ainda uma contraprova, em que a mesma base do sabonete sem as substâncias repelentes foi aplicada. Seguimos a mesma metodologia e identificamos um alto número de pousos dos mosquitos na pele dos voluntários”, completou.

População vulnerável
José Maria explica que a criação de um repelente em forma de sabão surgiu da idéia de disponibilizar um produto economicamente acessível à população carente das grandes cidades que não têm acesso a ferramentas mais sofisticadas de combate à dengue.

“Como o acesso da população aos repelentes convencionais é restrito, devido ao seu custo elevado, nosso projeto vem ao encontro dessa questão social. O sabonete ainda não tem preço definido, mas certamente terá baixo custo”, disse.

O foco na população carente se justifica, segundo o professor, pelo fato de ela estar mais exposta à transmissão da doença nas grandes cidades. “Essa população normalmente vive em áreas nas quais os alagamentos são mais constantes e o saneamento básico é mais precário, além de muitas vezes não ter condições de comprar repelentes elétricos ou de instalar telas de proteção nas janelas”, apontou.

“O período de seis horas de atuação do sabonete é o tempo médio em que uma criança, por exemplo, sai de casa usando o produto, vai até a escola e retorna à sua residência”, disse. A intenção, em um primeiro momento, segundo o pesquisador, é disponibilizar o produto a órgãos públicos ligados à saúde do Rio de Janeiro.

Para isso, a equipe da Uenf está atualmente trabalhando, com financiamento da própria universidade, na produção de um lote de mil unidades do sabonete para enviá-lo aos poderes público municipal e estadual, que deverá repassar o produto à sociedade.

“A previsão é que até o fim deste mês estejamos com esse lote pronto. Também estamos em busca de parcerias com a iniciativa privada para a fabricação em larga escala e comercialização do produto”, sinalizou.

Campos dos Goytacazes, que abriga o campus da Uenf, é a terceira cidade do Estado do Rio de Janeiro em número de casos de dengue registrados em 2008, ficando atrás apenas da capital fluminense e de Nova Iguaçu. “De janeiro a abril deste ano, houve aproximadamente 6 mil casos da doença em Campos dos Goytacazes, com 16 óbitos registrados”, disse José Maria.

Fonte: Thiago Romero /Agência FAPESP

Revista Estudos Avançados aborda Nacionalismo

Nas últimas décadas do século 20, com o início do processo de globalização, eram comuns análises que decretavam a iminente extinção do Estado Nacional. Mas não foi o que se viu: ele resiste, ainda que enfraquecido, acompanhado de surtos mais ou menos violentos de reivindicações nacionais. Esse é o pano de fundo do dossiê Nação/Nacionalismo, destaque da 62ª edição da revista Estudos Avançados, lançada nesta quinta-feira (8/5).

A primeira parte do dossiê consiste na publicação de conferências apresentadas no Seminário de Pós-Graduação em História, promovido em 2006 pela Universidade de San Marino, na Europa. A segunda parte corresponde a ensaios de autoria de especialistas brasileiros que refletem sobre a experiência nacional brasileira e seu diálogo com o exterior.

O evento de lançamento, às 15 horas, na sede do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo (USP), incluirá um debate sobre a política externa brasileira com a participação de Samuel Pinheiro Guimarães, secretário-geral do Itamaraty, Luiz Carlos Bresser Pereira, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), e Fábio Wanderley Reis, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que também participam do dossiê, ao lado do jurista Rubens Ricupero, do sociólogo Hélio Jaguaribe, do economista Carlos Lessa e do historiador István Jancsó, entre outros.

De acordo com Marco Antonio Coelho, editor-executivo da publicação do IEA, o encontro em San Marino, que originou o dossiê, debateu a história recente dos sentimentos nacionais e dos processos de afirmação das nações no mundo moderno. O crítico e historiador de literatura Alfredo Bosi, que é editor da revista, participou do seminário.

“A revista se propõe a lançar e aprofundar temas de alta complexidade e, diante dos documentos trazidos pelo professor Bosi, vimos a oportunidade de contribuir para o debate de um dos problemas mais intrincados e explosivos no panorama internacional”, disse Coelho.

Foram traduzidas seis conferências apresentadas no seminário por pesquisadores italianos de diversas formações, apresentando análises teóricas e resultados de pesquisas sobre o tema. “Além desse material, foi incluída no dossiê a contribuição de pesquisadores brasileiros, em outros 11 artigos”, afirmou Coelho.

Segundo o editor, a questão da imigração na Europa, de forma geral, e casos como as reinvindicações de independência de Kosovo, da Tchechênia e do Tibete indicam a relevância do tema.

“No nosso continente também experimentamos impasses importantes relativos a essas questões, como o movimento pela divisão da nação boliviana e a situação do povo guarani no Paraguai ou dos indígenas das fronteiras de Roraima”, disse.

Os temas abordados na primeira parte do dossiê são: “A Revolução, a Nação e a Paz”, “O Mito Fascista da Romanidade”, “Religião e Nação na Europa no Século 19: Algumas Notas Comparativas”, “A Religião da Política em Israel” e “Bonaparte Libertador”.

Na segunda parte, um dos destaques é o artigo “A Resiliência do Estado Nacional diante da Globalização”, de Ricupero. O autor discute como o Estado Nacional, apesar da literatura sobre o recente enfraquecimento de suas funções básicas por obra da globalização, vem demonstrando admirável flexibilidade e capacidade de adaptação às mudanças.

Outos destaques são os artigos “ Nação, Nacionalismo, Estado”, de Guimarães, “Notas sobre Nação e Nacionalismo”, de Wanderley Reis e “Nacionalismo no Centro e na Periferia do Capitalismo”, de Bresser Pereira.

Lessa, ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), é o autor do artigo “Nação e Nacionalismo a partir da Experiência Brasileira”. Jaguaribe contribuiu com “Nação e Nacionalismo no Século 19”.

Jancsó, diretor do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB), abordou o tema “Brasil e Brasileiros – Notas sobre Modelagem de Significados Políticos na Crise do Antigo Regime Português na América”.

Além do dossiê, a revista inclui uma entrevista com o economista Paul Singer sobre o tema “Economia Solidária” e dois perfis: “Delgado de Carvalho e a Geografia no Brasil como Arte da Educação Liberal”, por Nilson Cortez Crocia de Barros, e “Um Estadista na Academia: Joaquim Nabuco na Universidade Yale”, por Kenneth David Jackson.

A seção “Resenhas” traz textos de Gilberto Pinheiro Passos, Ieda Lebensztayn, Rui Guilherme Granziera, Gabriel Cohn e Elizabeth Cancelli.

O lançamento da Estudos Avançados contará com transmissão ao vivo pela internet em www.iea.usp.br/aovivo .

Mais informações: www.iea.usp.br/revista ou (11) 3091-1675.

Por Fábio de Castro / Agência FAPESP

DAAD divulga programa de pós-graduação com relevância para países em desenvolvimento

Estão abertas as inscrições para o tradicional programa de pós-graduação com relevância para países em desenvolvimento, inclusive com oferta de bolsas.

O programa abrange 35 cursos de pós-graduação Master e três de doutorado (PhD) nas áreas de economia, gestão, desenvolvimento, engenharia, matemática, planejamento regional, agricultura, silvicultura, ciências ambientais, saúde, sociologia e educação. Os cursos começarão em 2009 e terão duração de 12 a 24 meses.

Podem candidatar-se jovens profissionais, com pelo menos dois anos de experiência profissional na área do curso (após a graduação) e com idade até 36 anos (para os doutorados e o MBA International Marketing, o limite é de 32 anos). Será exigida proficiência no idioma alemão ou inglês, de acordo com a língua do curso.

Terão prioridade candidatos recomendados por seus empregadores e com promessa de recolocação após o curso. As chances de admissão no programa são maiores para quem dispuser de recursos próprios ou suporte financeiro do empregador ou de outra instituição. No momento da candidatura, o interessado deverá informar se necessita de bolsa parcial ou integral do DAAD.

As inscrições e o recebimento da documentação no Escritório Regional do DAAD no Rio de Janeiro encerram-se em 29 de agosto de 2008.

Para mais informações, pelo telefone (+55)(11) 3083-3345, ou pelo site:

Fonte: Marcio Weichert/DAAD - Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico

Mercosul e UE lançam o Biotech - Programa de Apoio ao Desenvolvimento de Biotecnologias no Mercosul

O Mercosul e a União Européia (UE) estão desenvolvendo um sistema de cooperação regional com o objetivo de promover o desenvolvimento da biotecnologia, visando a aumentar a competitividade do bloco sul-americano no mercado internacional.

Trata-se do Programa de Apoio ao Desenvolvimento de Biotecnologias no Mercosul (Biotech), iniciativa de cooperação entre a UE e o bloco sul-americano, cujo lançamento no Brasil será feito pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, às 16h desta quinta-feira (8/6).

Segundo o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), o programa foi concebido de forma a incrementar a geração de conhecimento em cadeias produtivas relevantes para os países do Mercosul e a transferência de tecnologia da UE para os países do bloco, de forma integrada com empresas. As áreas escolhidas foram carne bovina, carne aviária, florestal e oleaginosas.

Segundo o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCT, Luiz Antonio Barreto de Castro, o Biotech busca promover o desenvolvimento da biotecnologia agroindustrial, ao apoiar a competitividade das produções regionais. “A primeira convocatória foi realizada na semana passada. Em seminários regionais, no Brasil e também em outros países do bloco, já definimos as áreas prioritárias”, explicou.

Os dois blocos assinaram, em 2001, memorando de entendimento que definiu como prioridade a cooperação científica e tecnológica. Na ocasião, ficou estabelecido que seriam destinados 48 milhões de euros para o período de 2000 a 2006.

O Biotech contará com recursos da ordem de 7,3 milhões de euros, sendo 1,3 milhão de euros o valor da contrapartida do Mercosul. A primeira convocatória disponibilizou 4 milhões de euros, distribuídos igualmente para cada uma das áreas.

As prioridades são sanidade animal das cadeias produtivas de carne bovina e aviária, com foco em tecnologias para diagnóstico da aftosa, da Salmonella e da Campylobacter (ambas bactérias que causam doenças em aves), produção de biocombustíveis, principalmente o etanol, e tecnologias para o combate à ferrugem da soja.

Mais informações: www.mct.gov.br

Fonte:Agência FAPESP

Humanização do parto nos contextos público e privado no Distrito Federal

Embora gestantes queiram nascimento humanizado, decisão quase sempre cabe ao profissional, mostra pesquisa da UnB

O parto humanizado, preferido pelas mães, ainda enfrenta a resistência de grande parte dos médicos, principalmente nos hospitais privados, comprova uma dissertação de mestrado da Universidade de Brasília (UnB). No trabalho Humanização do parto nos contextos público e privado no Distrito Federal, defendido pela pesquisadora Ticiana Ramos Nonato no Departamento de Sociologia da universidade, a socióloga compara o tratamento dispensado às gestantes em hospitais públicos e privados, baseando-se em uma Casa de Parto em São Sebastião e um hospital privado no Plano Piloto, distantes apenas 30 km.

Décadas atrás, o procedimento era o mais natural possível. Hoje, mesmo com as diferentes intervenções cirúrgicas e avançados aparatos tecnológicos, muitas mães preferem dar à luz do jeito antigo. As gestantes têm optado pelo chamado parto humanizado, que prega o mínimo de traumas cirúrgicos desnecessários e apresenta benefícios para a mulher, entre eles menor período de recuperação.

Ao comparar as duas instituições, Ticiana pôde avaliar as características que definem os procedimentos do parto humanizado no Brasil. “A idéia é que a mulher seja bem informada sobre tudo o que envolve o parto antes de dar à luz. Assim, ela poderá escolher o que lhe parece melhor para o nascimento de seu filho”, explica a pesquisadora. Nesse tipo de parto, as pessoas envolvidas, tanto as mulheres como os profissionais, procuram utilizar procedimentos não-invasivos de resultados efetivos. Outro ponto fundamental é a oportunidade de escolher como será o parto, um direito das mulheres.

“No parto humanizado, a mulher se transforma em protagonista. É ela que vai decidir como, onde, e com quem o procedimento deve acontecer. Esse tipo de procedimento parece normal, mas não é. Hoje, são os médicos que definem como o parto será realizado”, afirma. “Infelizmente, na maioria dos casos, a decisão não é das mulheres.”

Ticiana acompanhou 15 mães (sete atendidas pelo setor público e oito pelo privado) nos períodos pré e pós-parto. Também entrevistou 14 profissionais de saúde (oito do setor público e seis do privado) envolvidos na assistência humanizada aos nascimentos. Depois de mais de 40 entrevistas, a pesquisadora conseguiu identificar os méritos e as falhas de cada tipo de serviço. O trabalho teve orientação da professora Lourdes Maria Bandeira.

PRIVADO
No hospital privado, a mãe dispõe de diferentes possibilidades de planejamento. As ações são de cunho pessoal, variam de mulher para mulher e de médico para médico. Mesmo porque os obstetras não costumam ser ligados às instituições. Ou seja, não existe um modelo de tratamento específico e abrangente quando se trata do parto humanizado. Ele é personalizado de acordo com a relação estabelecida entre a gestante e o profissional que a acompanha.

Esses hospitais até oferecem cursos informativos gratuitos para as gestantes, apresentando diferentes possibilidades para dar à luz, mas a decisão final acaba quase sempre sendo do médico. Na pesquisa feita pela socióloga, apenas dois dos seis partos acompanhados no hospital do Plano Piloto foram vaginais, apesar de todas as mães terem optado por ele.

Existe uma razão econômica pela preferência das cesarianas. “São procedimentos mais rápidos e têm hora para terminar. Um médico faz até quatro cesarianas no mesmo dia. Já um parto vaginal pode durar mais de 12 horas.” Como resultado, cerca de 80% dos partos no serviço privado brasileiro são feitos por cesariana. “O Brasil é um dos campeões mundiais nessa modalidade”, afirma Ticiana.

Entretanto, o fator econômico não atua isoladamente. Existe um contexto cultural complexo que envolve as altas taxas de cesariana, desde a formação dos profissionais que acompanham o parto, passando pelas representações do parto vaginal na mídia, até as escolhas das próprias mulheres. “A evolução dos procedimentos médicos para os casos de necessidade não acompanhou uma discussão pública sobre esse momento importantíssimo na vida sexual e reprodutiva das mulheres e, também, dos seus companheiros, que cada vez mais participam do processo”, afirma Ticiana. “O parto ainda é um grande tabu.”

PÚBLICO
Para estudar o contraponto público, a pesquisadora investigou os procedimentos realizados em uma casa de parto em São Sebastião. Nessas instituições, criadas pelo Ministério da Saúde como parte de uma política de humanização da assistência ao parto e redução das taxas de cesariana, são feitos apenas partos vaginais de baixo risco. Caso sejam necessárias intervenções cirúrgicas, as ambulâncias mantidas pelas casas conduzem as gestantes a um hospital previamente estabelecido como referência. Isso aconteceu com três das sete mulheres acompanhadas por Ticiana. Toda elas, mesmo as que tiveram de ser conduzidas ao hospital, passaram por parto vaginal.

Outro ponto que singulariza o tratamento dispensado pelo serviço público às mães é o caráter uniforme de suas ações. Os procedimentos são padronizados, pois o conceito de parto humanizado é institucional. Só que, de acordo com as análises da pesquisadora, apesar de o assunto ser trabalhado brevemente nas palestras de pré-natal, as mães não têm uma noção muito clara de suas opções.

Em geral, elas sequer conseguem imaginar como pode ser o seu parto e como gostariam que ele acontecesse. Além disso, após o procedimento, não dispõem de uma perspectiva crítica sobre o evento, aceitando o parto “como tem de ser”, o que significa um parto despersonalizado, no qual muitas intervenções ocorrem à sua revelia. A dor inevitável e o medo foram as únicas expectativas manifestadas por essas mulheres em relação ao parto.

HUMANIZAÇÃO
“A proposta de humanização apresenta vários avanços, mas ainda falta muito para se concretizar”, analisa a pesquisadora. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda um máximo de 15% do total de partos por cesariana, e a utilização de episiotomia (corte feito entre a vagina e o ânus para ajudar no parto) também em apenas 15% dos casos. Entretanto, segundo Ticiana, a média brasileira de cesarianas está acima de 30%.

O Ministério da Saúde incentiva a formação de doulas (do grego “mulher que serve”) comunitárias, para acompanhar as mães durante e após o parto, e a pesquisadora considera excepcional a instalação de suítes de parto no setor público. “Mas isso não basta. É preciso proporcionar à mulher a oportunidade de vivenciar esse momento plenamente.” Ticiana critica a formação dos médicos. “Eles são treinados para fazer as intervenções cirúrgicas, e não para identificar a necessidade de adotar esse procedimento.”

A socióloga Ticiana Ramos Nonato é mestre em Sociologia pela Universidade de Brasília (UnB) e especialista em Saúde Pública e pode ser contactada pelo e-mail ou pelo telefone (61) 3468-8113.

Fonte: UnB

Exposição Revolução Genômica - Transgênicos, mídia e arqueologia

Um debate sobre a relação dos transgênicos com a mídia e uma palestra a respeito dos primeiros habitantes do Brasil movimentam o fim de semana cultural da exposição Revolução Genômica.

Às 15h de sábado (10/5), Walter Colli, professor titular do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador adjunto da FAPESP, discutirá a visão dos meios de comunicação sobre os organismos geneticamente modificados.

Colli também é presidente da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), na qual participa da formulação de normas para as experiências com organismos geneticamente modificados no país.

Às 11h do domingo, a arqueóloga Niède Guidon, diretora-presidente da Fundação Museu do Homem Americano (Fumdham), abordará os vestígios pré-históricos encontrados em São Raimundo Nonato, no Piauí, que indicariam a presença do homem no continente americano há 50 mil anos.

A Fumdham administra o Parque Nacional Serra da Capivara, uma área de 129 mil hectares no semi-árido nordestino considerada patrimônio cultural da humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). Rico em pinturas rupestres, o parque abriga mais de 700 sítios pré-históricos.

O debate e a palestra serão realizados no auditório do Pavilhão Armando de Arruda Pereira (antiga sede da Prodam), no Parque do Ibirapuera (portão 10), em São Paulo, onde está em cartaz a mostra científica. A programação cultural da exposição Revolução Genômica está a cargo da revista Pesquisa FAPESP. A entrada é gratuita.

Mais informações: www.revistapesquisa.fapesp.br

Agência FAPESP

18º Seminário Nacional de Parques Tecnológicos e Incubadoras de Empresas

O 18º Seminário Nacional de Parques Tecnológicos e Incubadoras de Empresas receberá artigos técnico-científicos até o dia 19 de maio. O evento ocorrerá em Aracaju (SE) de 22 a 26 de setembro.

O seminário, promovido pela Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), é voltado para acadêmicos, pesquisadores, empreendedores e profissionais dedicados ou não à carreira de investigação científica.

Serão selecionados artigos em três categorias: completos (contendo no mínimo 12 e no máximo 15 páginas, a serem apresentados sob a forma oral durante o evento), comunicação curta (até três páginas, para exibição como pôster) e boas práticas, cujos textos selecionados farão parte de uma publicação.

Os artigos completos e curtos deverão abordar temas como “Cultura do empreendedorismo e inovação”, “Promoção de empreendimentos orientados para o uso intensivo de tecnologias”, “Promoção de empreendimentos orientados para o desenvolvimento local e setorial” e “Hábitats de inovação sustentáveis”.

Na categoria boas práticas poderão ser desenvolvidos os temas “Cultura empreendedora”, “Criação e planejamento de incubadoras de empresas”, “Processo de incubação”, “Infra-estrutura e serviços oferecidos pela incubadora”, “Gestão da incubadora”, “Arranjos e atuação em redes”, “Avaliação da incubadora” e “Políticas públicas”.

Mais informações: www.seminarionacional.com.br ou www.anprotec.org.br

Fonte: Agência FAPESP

10º Congresso de Estudantes de Ciência e Engenharia de Materiais do Mercosul

A Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) sediará o 10º Congresso de Estudantes de Ciência e Engenharia de Materiais do Mercosul (Cecemm), entre os dias 27 de julho e 2 de agosto.

Com o tema “Tradição e inovação”, o evento é organizado por alunos do curso, com apoio de professores e técnicos-administrativos do Departamento de Engenharia de Materiais da Universidade.

O objetivo é divulgar e debater a ciência e engenharia de materiais entre estudantes, profissionais da área e empresas em um único ambiente de integração.

O congresso consistirá na realização de minicursos técnico-científicos e palestras, no intercâmbio técnico-científico e sociocultural entre os participantes e empresas parceiras do cenário nacional e em visitas técnicas a indústrias.

A programação inclui ainda o 8º Encontro de Coordenadores de Engenharia de Materiais (Encomat) – que discutirá os rumos do ensino e grade curricular dos cursos – e o 2º Encontro Nacional de Empresas Juniores de Engenharia de Materiais (Enejum), cuja proposta é discutir os projetos de pesquisa e serviços prestados pelas empresas formadas por alunos de graduação

Mais informações: www.dema.ufscar.br/cecemm

Fonte: Agência FAPESP