sexta-feira, 2 de maio de 2008

Petrobras - Demanda de equipamentos e insumos para exploração do pré-sal

A Petrobras vai anunciar no segundo semestre um plano de demandas de equipamentos e insumos utilizados na exploração dos novos campos de petróleo da área do pré-sal. O objetivo, segundo o gerente de Exploração e Produção, José Formigli, é dar tempo para a indústria brasileira se preparar para as compras que serão feitas com o início dos trabalhos nos campos.

“Temos um plano de demandas futuras para permitir às indústrias se prepararem para quando começarmos a fazer compras e contratações efetivas”, disse Formigli. No entanto, ele não quis precisar quanto a empresa está prevendo em compras, mas adiantou que são cifras bilionárias. “Se você olhar o que representa apenas um sistema de produção, estamos falando entre 2 e 4 bilhões de dólares. Quando a gente imagina os volumes nos campos de pré-sal, serão necessários investimentos, para todo o projeto, de bilhões de dólares”, disse.

Formigli considera importante que a indústria brasileira comece a produzir no país materiais que hoje só podem ser comprados no exterior, bem como a instalação local de unidades de produção de empresas estrangeiras. Ele deu exemplo de materiais que hoje não são fabricados no Brasil, mas que serão necessários para extrair o petróleo das camadas pré-sal, a mais de 5 mil metros de profundidade.

“Materiais capazes de trabalhar com corrosão de CO2 e H2S, que não são aço carbono comum e normalmente envolvem superligas. Se estivermos falando de uma demanda grande de compressores de gás, hoje no Brasil estuda-se muito sobre a instalação de fabricantes de turbinas ou de compressores. Então, com essa demanda sinalizada, eles poderão se preparar e fazer as análises econômicas para saber se é possível ter instalações desse tipo aqui.”

Formigli participou, junto com o diretor de Exploração e Produção da Petrobras, Guilherme Estrella, de um seminário sobre os desafios tecnológicos da camada pré-sal, promovido pela Coordenação dos Programas de Pós-graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ). Estrella contou que a Petrobras decidiu reinjetar o CO2 extraído juntamente com o petróleo da camada pré-sal, que gira em torno de 16%, no próprio poço, como medida de responsabilidade ambiental da empresa, evitando a dispersão do gás na atmosfera.

Fonte: Agência Brasil

Pesquisa UnB investiga dia-a-dia de mulheres negras e pobres e comprova situação degradante em que vivem

Bioética e qualidade de vida: As bases da pirâmide social no coração do Brasil, um estudo sobre a qualidade de vida, qualidade de saúde e qualidade de atenção à saúde de mulheres negras no Distrito Federal

O preconceito contra empregadas domésticas está tão arraigado na sociedade brasileira, que muitos o consideram normal. Tanto é que, das mais de 600 comunidades dedicadas a elas no site de relacionamento Orkut, a maioria contêm frases depreciativas. Entre os diversos exemplos, alguns como: "escondi um monte de roupa debaixo da cama dela, acharam que ela estava roubando e a mandaram embora"; "ela é lesa e varizenta"; "é uma nordestina ridícula"; e "são umas bastardas e seus filhos um bando de molóides". Além das ofensas verbais, elas também sofrem com uma carga pesada de trabalho, com os vínculos empregatícios precários e até com o assédio sexual.

Essas características não passaram despercebidas pela antropóloga Dora Porto nos quatro anos em que desenvolveu sua tese de doutorado na Universidade de Brasília (UnB). O curioso, para ela, é que a maioria das patroas nega a existência desse tipo de relação com as empregadas quando questionadas. "Eu comentava o resultado da pesquisa para conhecidos meus e a tendência natural era ouvir a defesa dos patrões, como o relato de roubos feitos por empregadas", lembra. Segundo ela, esses fatos isolados não são suficientes para justificar, por exemplo, o hábito de deixar a louça do fim de semana acumular para a empregada. Na sua opinião, um ato cruel. "Ninguém gosta de encontrar numa segunda-feira uma pilha de afazeres novos", justifica.

O estudo Bioética e qualidade de vida: As bases da pirâmide social no coração do Brasil, um estudo sobre a qualidade de vida, qualidade de saúde e qualidade de atenção à saúde de mulheres negras no Distrito Federal, defendido em dezembro de 2006, reuniu relatos sobre o padrão de vida de mulheres negras e pardas colhidos na periferia do DF.

As histórias fazem parte de uma realidade compartilhada pela maioria dessas mulheres, que fazem parte da base da pirâmide social brasileira. Como solução, ela sugere "deixar a hipocrisia de lado" e dar visibilidade para a situação. "É preciso estimular a resposta dos movimentos sociais e a criação de políticas públicas voltadas para as mulheres. Elas foram feridas por serem negras e pobres e precisam de políticas compensatórias".

POUCOS VÍNCULOS
Por não serem contempladas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), direitos como Fundo de Garantia (FGTS), seguro-desemprego, hora-extra, salário família e auxílio-acidente não lhes são assegurados. A precariedade dos vínculos empregatícios dá brecha para que sejam dispensadas logo que fiquem doentes. Por isso, muitas optam por não entregar aos patrões atestados médicos que prescrevam períodos de repouso muito longos e mantêm seus afazeres mesmo doentes. O medo da demissão também faz com que trabalhem à noite e em feriados ou outros dias de folga, mesmo sem pagamento adicional.

Como se não bastassem os problemas trabalhistas, o dia-a-dia da profissão afeta negativamente a auto-estima dessas mulheres. Só o fato de almoçarem depois dos patrões e em local separado já desperta o sentimento de diminuição. Isso se agrava ainda mais quando a experiência profissional acumulada ao longo dos anos é ignorada. É comum as patroas "ensinarem" para elas como deve ser feita a limpeza, mesmo quando suas funcionárias têm anos de vida profissional.

As mulheres também citam como exemplos do cotidiano casos de gritos, de grosserias e até mesmo de assédio sexual. Uma delas acabou pedindo demissão depois das constantes investidas do patrão. Mas o comportamento padrão é continuar na situação trabalhista insatisfatória por medo de não conseguir outro emprego.

Todas essas dificuldades tornam o trabalho doméstico pouco atraente. No entanto, algumas circunstâncias vividas pelas entrevistadas dentro de casa também não são nada favoráveis. "As agressões verbais e físicas no âmbito conjugal são corriqueiras e difíceis de suportar. Assim, para garantir sua sobrevivência e de seus filhos, as entrevistadas acabam oscilando entre se sujeitar ao marido ou à patroa", conta a professora.

Essa situação, para a antropóloga, ainda é resquício da época colonial. Hoje, as negras sofrem duplo preconceito (de raça e de gênero) e acabam suportando situações degradantes. O exemplo vem da própria pesquisa. Das 12 negras selecionadas para entrevista científica, dez já tinham trabalhado como domésticas e as duas que nunca haviam trabalhado fora eram filhas de empregadas. A definição desse segmento como a base da pirâmide social nas áreas urbanas baseou-se em análises de dados censitários e amostrais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Histórias que se repetem
A pesquisa de Dora Porto analisa mais de 100 variáveis ligadas à qualidade de vida das entrevistadas, mulheres com idades entre 13 e 63 anos e indicadas pela própria comunidade. Entre suas características, merecem destaque as falas sobre saúde, sexo e memória pessoal. No campo das doenças, o estudo mostra que os problemas são progressivos. As jovens reclamam de dor de cabeça, as adultas têm problemas crônicos como varizes e tireóide e as idosas sofrem com a perda de apetite, dores na bexiga, braços e costas, infecções nas unhas e dificuldade de locomoção.

No que diz respeito ao sexo, sete entrevistadas disseram não gostar de sua vida sexual. Para elas, ter relação com os parceiros é uma obrigação da qual procuram fugir. Dora interpreta a perda de interesse no sexo como um indício de diminuição da qualidade de vida. Uma idosa chegou a contar que nos 50 anos de casamento todas as relações foram forçadas. Outra fala revela a influência da religião no comportamento: Se eu não fosse evangélica, com vinte anos de separada, com certeza teria uma vida sexual ativa. E eu não tenho porque a Palavra me diz que eu não posso. Só se eu casar, explicou uma delas.

O estudo também mostrou que muitas histórias se repetem, especialmente aquelas relacionadas à infância das mais velhas. De modo geral, elas assumem muito cedo a responsabilidade de trabalhar, o que lhes rouba um período importante de formação. Uma delas, conta a professora, foi levada para o Rio de Janeiro aos oito anos de idade para trabalhar numa casa de família. Ela foi responsável por todo serviço doméstico: cuidar de três crianças, cozinhar, lavar roupa e até mesmo passá-las, o que, naquela época, implicava no uso de ferro a carvão, diz a pesquisadora.


BIOÉTICA SOCIAL
A tese de doutorado de Dora foi baseada na linha Bioética de Intervenção, uma abordagem da Bioética Social, desenvolvida pelo professor da UnB Volnei Garrafa, orientador da pesquisa. De acordo com a proposta teórica da Bioética Social, amplamente adotada na América Latina, esse campo deve partir de uma visão maior dos fenômenos vital e sanitário, incluindo os temas sociais, a biodiversidade e o próprio ecossistema como um todo. Dessa forma, discute-se a ética que permite a existência de diferentes padrões de qualidade de vida, de acordo com as classes sociais.

Dora Porto é antropóloga, doutora em Ciências da Saúde (área de concentração Bioética) e especialista em Bioética pela UnB, contatos pelo e-mail

Apoena Pinheiro/UnB Agência

UERJ divulga resultado de pesquisa sobre atividade plaquetária

Pesquisa realizada no laboratório de Transporte de Membrana, do Departamento de Farmacologia e Psicobiologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, com financiamento da Faperj, analisou a diminuição da função das plaquetas na corrente sanguínea de diversos pacientes infectados pela dengue. De acordo com um dos coordenadores da pesquisa, professor Antônio Cláudio Mendes Ribeiro, os resultados foram muito satisfatórios porque mostraram aos pesquisadores um dos fatores para a diminuição das atividades das plaquetas dos pacientes.

Ele explica que durante a infecção, aumenta a entrada do aminoácido arginina nas plaquetas e tal fenômeno está associado a um aumento na liberação de óxido nítrico (NO) – potente vasodilatador e anti-agregante plaquetário responsável pela diminuição da ativação plaquetária. Assim, não só as plaquetas dos pacientes com dengue estão em número diminuido, como também estão funcionando deficientemente.

Desta maneira, o estudo revela a evidência de que as plaquetas de pacientes com dengue produzem mais NO, inibindo a função plaquetária e predispondo os defeitos de coagulação presentes na doença.

Antônio Cláudio destaca que o resultado da pesquisa é um importante passo para detectar maneiras de impedir o sangramento durante a doença nos casos mais críticos, como por exemplo, a infusão de outros aminoácidos básicos e/ou catiônicos na corrente sanguínea que competiriam pelo transporte com a arginina e, conseqüentemente, reduziriam a produção do óxido nítrico.

Fazem parte da pesquisa, além do professor Cláudio Ribeiro, a professora Tatiana Brunini e outros 8 alunos da UERJ. Um artigo com o resultado da pesquisa será publicado em breve em uma revista internacional de farmacologia e fisiologia.

Mais informações pelo telefone (21) 2569-8803

Fonte: Mônica Sousa UERJ

Microssoldagem em chapas finas utilizando um laser de Cu-HBr

O estudo , de Aline Capella de Oliveira, teve como objetivo investigar a viabilidade de um novo método de micro-soldagem de chapas finas utilizando um laser de Cu-HBr que emite pulsos intensos com duração de nanosegundos em alta taxa de repetição.

Nos métodos tradicionais, a microsoldagem de chapas finas é realizada com laser contínuos ou com pulsos de baixa intensidade e de longa duração ( > 1ms) que permitem um comprimento de difusão térmica da ordem da espessura das chapas. Lasers com pulsos curtos (10 a 100 ns) são utilizados preferencialmente em processos de corte e furação de materiais.

Um amplo estudo experimental do processo de micro-soldagem com pulsos curtos foi realizado utilizando chapas de aço inoxidável (AISI 304) com espessuras entre 25 μm e 100 μm. As principais características do feixe do laser de Cu-HBr foram medidas em todas as condições experimentais, permitindo uma determinação precisa da intensidade do laser na região de micro-soldagem.

Os resultados deste estudo indicaram que é possível controlar o intervalo de parâmetros do processo para se obter um cordão de solda com alta razão de aspecto e reduzida zona afetada termicamente. Foi desenvolvido um modelo teórico para explicar a interação de pulsos curtos emitidos com alta taxa de repetição no processo de soldagem. Os resultados deste modelo indicaram que embora a intensidade do laser de Cu-HBr seja suficiente para perfurar as chapas de aço, é possível controlar a geometria do furo de forma a que o material vaporizado fique aprisionado e condense nas paredes internas da cavidade perfurada. Nestas condições experimentais controladas as chapas finas de aço foram soldadas com potências médias de laser entre 10 e 20 W, muito inferiores aos valores utilizados pelos métodos tradicionais

A tese de mestrado foi apresentada à Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa do Instituto Tecnológico de Aeronáutica, como parte dos requisitos para obtenção do título de Mestre em Ciências no Curso de Pós-Graduação em Física, na Área de Física Atômica e Molecular.

Veja a tese no link.

Fonte: Cimm

Antena Tecnológica promove cooperação tecnológica entre incubadoras do Brasil e Espanha

A Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) e a Associação de Parques Científicos e Tecnológicos da Espanha (APTE) – por meio de uma rede de transferência de tecnologia firmaram parceria pela promoção e desenvolvimento do projeto “Antena Tecnológica” - serviço voltado para atender e beneficiar as empresas incubadas e graduadas de incubadoras e parques associados a ANPROTEC e que queiram explorar e desenvolver oportunidades de negócios e cooperação tecnológica com a Espanha.

A Rede intercambia informações sobre as empresas dos parques que formam a APTE, quanto às suas ofertas e demandas e colocam as empresas em contato com o Brasil para verificar possíveis parceiros.

Parceiras, desde 2005, o objetivos principais da cooperação, são:
• Desenvolver oportunidades de negócios e cooperação tecnológica entre Espanha e Brasil.
• Facilitar a cooperação entre as empresas dos parques e incubadoras do Brasil, associadas a ANPROTEC.
• Permitir a realização de transferência de tecnologia fora e dentro do âmbito nacional.
• Possibilitar o desenvolvimento de novos negócios, intercâmbio de conhecimento, acordos empresariais, colaboração em pesquisa e desenvolvimento, entre outros.

O projeto é direcionado para empresas graduadas e para as incubadas que estejam enquadradas dentro dos setores de interesse do projeto: Biotecnologia, Nanotecnologia, Agronegócios, Energia Renovável (biocombustível) e TIC, que tenham site próprio.

A “Antena Tecnológica” oferece aos seus beneficiados: contatos com empresas espanholas relacionadas com os setores de interesse, acesso as informações das empresas via site RED APTE e dos parques científicos e tecnológicos na Espanha, possibilidade de organizar e participar de missões e encontros empresariais no país e projetos de cooperação de transferência de tecnologia.

Em função desse acordo de cooperação internacional, já foram desenvolvidas diversas atividades, nos dois países: Encuentro Internacional de Energías Renovables EER’ 06 (PT Alava), Jornadas empresariais – 2007, na Espanha e o Stand da Antena durante o Seminário de 2007 e 2008, em Belo Horizonte.

Segundo, a Coordenadora de Atendimento e Relacionamento da Anprotec, Kátia Fortini, a participação das empresas nesses eventos geram reflexos que resultam no fortalecimento dos empreendimentos por meio do fechamento de parcerias.

O projeto foi apresentado para os empresários apoiados pelo programa Multincubadora de Empresas do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Universidade de Brasília (CDT-UnB) em um Café Empresarial realizado no último dia 23/04 pela própria Multincubadora.
Em três anos de parceria, 17 empresas brasileiras já foram selecionadas para desenvolver seus trabalhos na Espanha e cinco empresas espanholas já estiveram em missão no Brasil.

A empresa que tiver o propósito de participar desse projeto, precisa acessar o site www.anprotec.org.br e preencher o formulário “projeto antena tecnológica”, respondendo a questões sobre o histórico curricular do empreendimento ou enviar e-mail

Planos para 2008
A Anprotec está desenvolvendo o Plano de Trabalho 2008/2009 para alinhar e definir as atividades para os próximos dois anos, ainda este ano, no mês de setembro, acontecerá o XVIII Seminário Nacional de Parques Tecnológicos e Incubadoras de Empresas e o XVI Workshop Anprotec, no Centro de Convenções em Aracajú, Sergipe.

O evento discutirá a relevância do empreendedorismo para a geração de inovação no País, tendo a geração de energia alternativa, renovável, limpa e de biomassa como fator de alicerce para o desenvolvimento socioeconômico local, regional e nacional.

Denise Porfírio \ Núcleo de Comunicação do CDT

Pesquisa da UnB investe em tecnologia para melhorar qualidade de vida de portadores de doenças pulmonares

Não vai demorar muito para que pacientes com tuberculose e PB Micose (doença causada por um tipo de fungo que ataca os pulmões) tenham à disposição medicamentos mais eficientes e sem os inconvenientes efeitos colaterais tão comuns aos fármacos disponíveis no mercado. Graças a uma das linhas de pesquisa mais promissoras em desenvolvimento na Universidade de Brasília (UnB), a nanobiotecnologia, começam a ser delineados novos caminhos em direção à qualidade de vida de pacientes, a partir da associação de fluidos magnéticos a drogas terapêuticas.

O estudo começou a partir dos resultados da dissertação de mestrado do biólogo Sacha Brawn, orientado pelo professor Ricardo Bentes, há cerca de dois anos, no Laboratório de Morfogênese do Instituto de Ciências Biológicas (IB). “Observamos que a droga injetada em camundongos seguiu em direção ao pulmão, sem passar pelo fígado e pelo baço, dois órgãos que funcionam como filtros do organismo”, explica o biólogo. “Foi tudo casual, mas a partir disso percebemos que esse poderia ser um indicativo para novas investigações”, diz ele.

A partir daí, os pesquisadores pretendem testar a associação dos fluidos magnéticos a drogas específicas para tratamento de doenças pulmonares. Atualmente, as mais comuns em uso terapêutico no mercado estão a isoniazida (para tuberculose) e a anfotericina e itraconazol (para PB Micose), que resultam fortes efeitos colaterais nos pacientes.

A utilização dos fluidos, que a princípio parece complicada, é até simples de entender: partículas submicroscópicas (chamadas nanopartículas magnéticas) são misturadas a solventes (como soro fisiológico, e até água), em concentrações variáveis de acordo com a necessidade da aplicação. O resultado da mistura é o fluido magnetizado. “O fluido funciona como um carreador da droga, com endereço certo para atuar”, resume o professor.

POOL DE PESQUISADORES - Hoje o que existe é uma rede cooperativa em materiais nanoestruturados aplicados à tuberculose e à PB Micose, coordenada pelo professor Paulo César Morais da UnB, da qual participam ainda pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG), e Universidade de Medicina de Ribeirão Preto, que, em parceria com as empresas Nanocore (Ribeirão Preto) e Dna-Tech (Brasília), realizarão nos próximos dois anos testes em animais de laboratório. Da UnB, participam um pool de pesquisadores da Biologia e da Física.. O projeto foi aprovado no segundo semestre de 2004 e tem o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Apesar de ainda ser muito cedo para a utilização farmacológica dos fluídos magnéticos acoplados com medicamentos em pacientes, os testes podem significar um grande passo da ciência a favor da cura de doenças. A sintetização dos fluidos para os estudos dependia do laboratório da Berlim-Hart, empresa alemã de biotecnologia, mas há dois anos, depois de conseguir recursos financeiros e pessoas dispostas para o trabalho, a síntese agora é feita na própria UnB e na UFG.

Para o professor Ricardo Bentes, o maior problema da pesquisa aplicada no Brasil é que as empresas ainda não acordaram para a importância desse tipo de projeto. Segundo ele, o apoio de empresas tornaria mais fácil o trabalho e os resultados que seriam alcançados em menos tempo. Até 2007, as pesquisas terão um recurso da ordem de R$ 400 mil, proveniente do fundo de financiamento do CNPq/Finep.

O professor Ricardo Bentes Azevedo é biólogo, mestre em Histologia e doutor em Biologia Celular pela Universidade de São Paulo (USP). Fez pós-doutorado no National Institute of Health, em Washington D.C. (EUA), um dos mais importantes institutos de pesquisas biomédicas do mundo, contatos pelo telefone (61) 3349 6167.

Irene Sesana/UnB Agência

Projeto Rios Voadores - A importância da Amazônia para a manutenção da chuva

É possível que mais da metade das chuvas do sudeste do Brasil sejam originarias da Amazônia


Coordenado pelo pesquisador Gerard Moss e por sua esposa Margi Moss, o projeto Rios Voadores, experiência inédita no Brasil, realiza expedições aéreas para coletar mostras de vapor d'água e identificar o "DNA" da chuva como forma de conseguir identificar sua origem.

Desde junho do ano passado, quando o projeto começou, já foram realizadas seis expedições pelo céu do país coletando vapor d'água dos chamados "Rios Voadores". O termo representa as correntes de ar que carregam umidade de Norte e Sul do Brasil e são responsáveis por grande parte das chuvas no Centro-Oeste, Sudeste e no Sul no país. "Quando chamamos rios voadores (rios atmosféricos) o que a gente considera é o movimento de ar úmido que sai da Amazônia e pode atingir a Argentina e até São Paulo", explica Gerard Moss.

"Em números redondos a quantidade de vapor d'água transportada equivale a praticamente o rio Amazonas, que é o maior rio da do mundo tanto em volume d'água quanto em comprimento", afirma Gerard. Ele ressalta que ainda há pouco conhecimento existente sobre os rios voadores.

Os pesquisadores esperam que no mês de maio seja possível divulgar os resultados preliminares da pesquisa, mas ainda não possuem uma data marcada. "Os cientistas são muito cuidadosos e não querem afirmar nada que não seja testado", afirma Gerard.

Na "linha" dos desertos
As regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil estão na mesma faixa de latitude de onde se encontram os maiores desertos do mundo (Atacama, no Chile, Namibe, na Namíbia, Kalahari, no sul da África e o deserto australiano).

Antonio Nobre comenta que "O fato de São Paulo, Paraná, Bolívia, Paraguai e o norte da Argentina não serem um deserto precisa ter uma explicação".

Para Gerard, é um pouco drástico dizer que sem a floresta isso tudo se tornaria deserto. Segundo ele podem existir vários fatores. "Mas um fato é a existência desse movimento de ar da Amazônia, que com certeza tem uma relação".

De acordo com estudos, cada árvore de grande porte pode transpirar 3 mil litros de água por dia. "O objetivo do projeto é a valorização da floresta amazônica como todos os outros biomas", afirma Gerard, que aposta na iniciativa também como uma forma de conscientizar as pessoas. "Não é sustentável desmatar para colocar gado, soja ou seja lá o que for", conclui.

Expedições
A expedição é a nova etapa do projeto Brasil das Águas, iniciado em 2003 pelo casal com o objetivo de traçar uma visão panorâmica dos principais mananciais do país. Nesta etapa do projeto busca-se quantificar o volume de água que chega ao sudeste pela Amazônia e estabelecer alguns parâmetros dos fluxos de vapor.

Segundo o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) Antônio Nobre a proposta foi inspirada no trabalho do Prof. Dr. Eneas Salati, que faz, desde os anos 1970, o acompanhamento do vapor d'água que sai da Amazônia. Atualmente Salati desenvolve o projeto com mais nove pesquisadores, que também fazem coletas de águas de alguns rios do Brasil.

A parte inovadora consiste, segundo Gerard, nas campanhas aéreas "fizemos seis campanhas, é a parte inovadora. Ninguém teve equipamentos para cobrir todo o país. Coletamos amostras para definir a proporção isótopos, átomos que possuem uma assinatura da gotinha da água para mapear sua origem".

A última expedição teve como destino o Pantanal e arredores. Passando por Corumbá, o noroeste do Paraná e o oeste do estado de São Paulo, com o objetivo de estudar o Pantanal como provedor de umidade para o resto do país, sabendo que uma parte da umidade que sai da Amazônia transita pela região.

Para seguir o percurso certo, o piloto conta com o apoio de meteorologistas da Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), situado em Cachoeira Paulista (SP). Um computador de alta tecnologia faz previsão numérica de tempo em área limitada baseada em um modelo de previsão de tempo (modelo BRAMS). Com essa tecnologia, é possível definir o deslocamento das massas de ar em 48h e segui-las.

A expedição anterior seguiu o rastro dos "rios voadores", entre 4 e 11 de fevereiro. Gerard percorreu 7.000 km passando pelas cidades de Palmas (TO), Belém (PA), Santarém (PA), Manicoré (AM), Porto Velho (RO), Cuiabá (MT), Campo Grande (MS) e Piracicaba (SP).

Veja animação sobre os rios voadores

Para saber mais acesse o site: http://www.riosvoadores.com.br/

Fonte: Aldrey Riechel / Amazônia.org