quinta-feira, 24 de abril de 2008

Prevalência do beber e dirigir em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil

Drinking-and-driving prevalence in Belo Horizonte, Minas Gerais State, Brazil

Pesquisa realizada em Belo Horizonte (MG) apresenta um diagnóstico preocupante na relação entre álcool e direção. Os resultados apontaram que 36,6% dos entrevistados já se envolveram em acidentes como motoristas. Mais da metade deles (55,4%) é jovem, entre 18 e 30 anos. Mais de 60% deles têm um padrão de consumo de álcool de dois dias por semana.

Os entrevistados, mais de 900 condutores de veículos abordados em vias públicas com grandes concentrações de bares, restaurantes e casas noturnas, têm perfil socioeconômico elevado. Cerca de 76,8% deles têm nível superior completo ou incompleto e apresentam renda familiar superior a oito salários mínimos (73,7%). O artigo foi publicado na revista Cadernos de Saúde Pública.

Do total de participantes, 63% aceitaram ser submetidos ao teste de bafômetro. Os resultados apontaram que 19,6% dirigiam com níveis de álcool iguais ou superiores aos limites legais e 18,4% apresentavam algum índice de álcool no ar expirado, ou seja, 38% dos condutores dirigiam com algum nível de álcool no sangue.

Participaram da pesquisa os professores Sérgio Duailibi e Ronaldo Laranjeira, da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (Uniad) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e os pesquisadores Rogério Salgado e Mariela Rocha, da Secretaria de Desenvolvimento Social de Belo Horizonte. O psiquiatra Valdir Ribeiro Campos, que atua na secretaria e cursa mestrado na Uniad, coordenou o estudo.

Segundo Campos, a pesquisa teve um duplo objetivo: fazer um levantamento de dados sobre a relação entre beber e dirigir numa grande cidade no país e testar a aplicabilidade e aceitação do bafômetro como instrumento de coleta de dados.

“O propósito era educar e conscientizar a população na relação entre o beber e dirigir, utilizar o bafômetro como instrumento na coleta de dados e auxiliar na orientação de políticas públicas que permitam intervenções e que reduzam os problemas relacionados ao consumo de álcool”, disse Campos .

O levantamento dos dados ocorreu no mês de dezembro, nos anos de 2005 e 2006, durante as noites de sexta e sábado, entre 22 e 3 horas da madrugada. As pesquisas sobre acidentes de trânsito em todo o mundo, segundo o autor, têm apontado que a maioria dos acidentes fatais ocorre na faixa etária dos 21 aos 24 anos e 80% deles no período de 20 às 4 horas da manhã dos fins de semana.

Os pontos de checagem se concentraram na região da Savassi, sul da cidade de Belo Horizonte. Foram entrevistados 990 condutores de carros, motocicletas e utilitários. Destes, 913 (92,2%) aceitaram participar em pelo menos uma das etapas da pesquisa (questionário e bafômetro ativo).

Ações necessárias
Como 55,4% dos entrevistados são jovens entre 18 e 30 anos, Campos acredita que as campanhas educativas precisam ser direcionadas, principalmente, para esse público.

“A nossa pesquisa apontou que, entre os jovens nessa faixa etária, um quinto já se envolveu em acidentes de trânsito, tem um padrão de consumo de álcool de duas vezes por semana e ingere de duas a três doses de bebidas. Essa quantidade é suficiente para superar os índices estabelecidos por lei”, afirma o pesquisador.

De acordo com ele, os acidentes de trânsito envolvendo adolescentes que fazem consumo de álcool aumenta após uma dose de bebida, dobra após duas doses e aumenta cinco vezes após cinco doses. O limite estabelecido pelo Código de Trânsito Brasileiro para que uma pessoa seja impedida de dirigir é de 0,6 grama de álcool por litro sangue.

Outro dado importante é que a maioria dos adolescentes (76,8%) tem curso superior completo ou incompleto e renda familiar acima de oito salários mínimos (73,7%). Para confirmar a relação socioeconômica, os testes serão feitos em outras regiões e em várias cidades do estado.

“Já está em andamento outra pesquisa com a mesma metodologia, que será aplicada em todas as sete regionais da cidade e nos vários municípios do estado, para que possamos ter dados mais consistentes sobre a relação entre o nível socioeconômico e educativo e outros fatores associados ao beber e dirigir”, explica Campos.

De acordo com o pesquisador, há uma certa conivência da sociedade em relação às drogas lícitas, como álcool e tabaco. Cinqüenta por cento dos acidentes automobilísticos fatais que ocorrem no país, diz, estão relacionados ao consumo de álcool.

“A alta prevalência encontrada neste estudo pode ser, provavelmente, atribuída a uma fiscalização ineficiente, ao não cumprimento da lei e à falta de uma política específica voltada para a prevenção de acidentes no trânsito.”

O pesquisador defende que a principal medida a ser tomada é o cumprimento da lei. A bebida proporciona ao motorista um falso senso de confiança, prejudicando habilidades como atenção, coordenação, acuidade visual e o julgamento de velocidade, tempo e distância. Mesmo quantidades pequenas de álcool aumentam as chances do envolvimento em acidentes.

“Pesquisas permanentes podem levar ao estabelecimento de política de tolerância zero ao ato de beber e dirigir, como já ocorre em alguns países. As informações deste estudo podem auxiliar no desenvolvimento de políticas públicas específicas que permitam intervenções no campo do beber e dirigir, educar e conscientizar a população sobre a relação entre bebida e direção, melhoria da fiscalização no trânsito e o cumprimento mais eficaz da lei”, declarou.

Para ler o artigo Prevalência do beber e dirigir em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, de Valdir Ribeiro Campos, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.

Fonte: Alex Sander Alcântara / Agência Fapesp

SECT ES realiza o Ciclo de Palestras e Debate sobre a Política de TIC e a Lei de Informática



Fonte: SECT/FEST

Aborto e saúde pública: 20 anos de pesquisas no Brasil

Pesquisa inédita da UnB e Uerj traça perfil das mulheres que abortam: têm entre 20 e 29 anos, escolarizadas e com filho

Um relatório produzido pela Universidade de Brasília (UnB) e pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) contém dados surpreendentes sobre o perfil das mulheres que abortam no País. De acordo com o documento “Aborto e saúde pública: 20 anos de pesquisas no Brasil”, esse grupo é formado, em sua maioria, por jovens entre 20 e 29 anos, católicas, com filho, e que tomaram a decisão como forma de planejamento reprodutivo.

As informações baseiam-se em um levantamento feito com mais de dois mil estudos, artigos e publicações sobre o tema nos últimos 20 anos, e foram organizadas pelas professoras Debora Diniz, da UnB, e Marilena Cordeiro Dias Villela Corrêa, da Uerj. O Ministério da Saúde (MS) e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) financiaram a pesquisa.

NÚMEROS
Para situar o problema no cenário nacional, uma das primeiras preocupações foi identificar a magnitude do aborto induzido no País. Pesquisas de base populacional utilizando urnas, que protegem a identidade da entrevistada, indicam que pelo menos 3,7 milhões de mulheres entre 15 e 49 anos realizaram aborto. Ou seja, 7,2% das mulheres em idade reprodutiva.

Desse total, menos da metade chega ao Sistema Único de Saúde (SUS). Estudos referentes a 2005 estimam em 1,5 milhão a ocorrência, na rede pública, de curetagens, o procedimento cirúrgico adotado para diagnosticar ou tratar sangramentos uterinos anormais. “Pode-se questionar que nem todas essas mulheres fizeram aborto, mas existe uma subnotificação nesses dados, que não incluem população rural e mulheres usuárias da medicina privada”, afirma Debora, que é antropóloga.

PLANEJAMENTO
Conhecer esse público era um outro desafio do estudo, que questiona os mitos em torno do assunto. O senso comum tende a relacionar o aborto a comportamentos sexuais ocasionais, taxados de promíscuos, mas a pesquisa mostrou que somente 2,5% do total de interrupções de gravidez ocorreram em um contexto de relações eventuais. “Isso muda radicalmente a idéia sobre quem são as mulheres que abortam”, diz a antropóloga. “Ao contrário do que se imagina, essa não é uma solução para a gravidez indesejada de uma mulher que desconheça o sentido da maternidade”, afirma Debora. Na outra ponta, estão aquelas que vivenciam relações estabelecidas, ou seja, possuem um marido, companheiro ou namorado. É esse grupo que responde pela maior parte das interrupções de gestação, com 70% dos casos.

Outro dado relevante mostra que, em termos absolutos, entre 70,8% e 90,5% de quem decide pelo aborto já possui filhos, reforçando a tese de que o ato seria uma medida de planejamento reprodutivo, empregado em último caso, quando todos os outros métodos contraceptivos falharam. Tanto que, de acordo com o relatório, mais de 50% das mulheres que realizaram o procedimento nas regiões Sul e Sudeste usavam algum método anticoncepcional, principalmente pílulas. Já na região Nordeste, a porcentagem das que se preveniram oscila entre 34% e 38,9%.

FAIXA ETÁRIA
Em relação à idade, o relatório mostra que de 51% a 82% dos abortos são realizados por mulheres entre 20 e 29 anos. Ou seja, as adolescentes são minoria, e respondem por 7% a 9% das estatísticas. Há diferentes explicações para os números, segundo a professora: como a taxa reprodutiva entre as jovens é maior, proporcionalmente elas respondem pela maior parte das interrupções. Por outro lado, as adolescentes apresentam menos ocorrências, entre outros motivos, pelas implicações morais mais fortes nessa idade, pela necessidade de negociação familiar e pela dificuldade de acesso a medicamentos abortivos.

A respeito das meninas, estudos qualitativos sugerem que, apesar da baixa prevalência de aborto, entre 60% e 83,7% delas não pretendiam engravidar, e 73% cogitaram a interrupção da gestação, sendo que 12,7% a 40% das garotas tentaram abortar. Entre aquelas que consumaram o ato, 25% voltaram a esperar um filho.

RELIGIÃO
Embora praticamente todas as correntes religiosas condenem o procedimento, a pesquisa indica que nem sempre as crenças impedem sua realização. A maior parte das mulheres que fizeram aborto se declararam católicas, com 51% a 82% de prevalência nos estudos analíticos, seguidas pelas que professam a fé espírita, com 4,5% a 19,2%. Em último lugar estão as evangélicas, com números entre 2,6% e 12,2%.

Para Debora, não há surpresa nas informações, embora a Igreja Católica seja uma das instituições sociais mais atuantes nas campanhas contra a interrupção da gravidez. Na verdade, os números refletem a incidência quase na mesma proporção em que cada crença se manifesta no País. “No Brasil, 72% da população se declara católica. Portanto, esse já era um dado esperado”, afirma.

A antropóloga sugere que a baixa eficiência das leis morais proclamadas pelos diversos grupos, principalmente o católico, estaria ligada ao modo como cada mulher se relaciona com sua comunidade religiosa. “Em situações limite, a religião pode ser um filtro para a decisão. Mas para a massa, que a vê como um meio de conforto, e não como uma cartilha dogmática, ela não é suficiente para as mulheres mudarem sua decisão”, diz.

DEBATE
Diante dos resultados, a pesquisadora aponta duas medidas que considera emergenciais. A primeira, que o debate político sobre o aborto seja fundamentado em evidências científicas e pesquisas acadêmicas. A segunda, que se estimule a pesquisa sobre o tema no País. Na visão de Debora, essas atitudes ajudariam a evitar os abortos clandestinos e os riscos que oferecem para a saúde da mulher. “A ilegalidade é um desafio”, afirma.

As mudanças ao longo do tempo
O início dos anos 90 marca uma mudança significativa na forma de realizar o aborto. Clínicas privadas, injeções e instrumentos perfurantes dão lugar ao medicamento Cytotec, usado para a indução de partos e tratamento de úlceras gástricas, que se mostrou mais eficiente, mais barato e com menor risco para a saúde entre os procedimentos. Estudos dos anos 1990 e 2000 revelam que de 50,4% a 84,6% das mulheres que cessaram a gestação utilizaram o medicamento. Nos levantamentos com adolescentes, o método também aparece com destaque: mais de 50%, em todas as pesquisas do gênero, afirmaram tomar o Cytotec ou ingerir algum tipo de chá. O boom na procura pelo medicamento não se deu sem efeitos colaterais. Com a rentabilidade do mercado ilegal, aumentaram também os relatos de medicamentos adulterados, oferecendo ainda mais risco para as gestantes.
Atendimento na rede pública

Dados do SUS demonstram que entre 63% e 82% das mulheres que procuraram os hospitais públicos estavam com até 12 semanas de gestação. Na maior parte das vezes, a procura ao sistema de saúde ocorre nas primeiras 24 horas após o uso do Cytotec, sendo que de 70% a 79,3% das pacientes relataram dores abdominais e sangramento. Em até 85,9% dos casos, a internação dura um dia. De 9,3% a 19% das mulheres apresentam infecções.

CONTATO
Debora Diniz pelos telefones (61) 3343 1731 (ONG Anis), e e-mail , Marilena Correa pelo telefone (21) 2587 7303 e e-mail .


PERFIL
Debora Diniz é doutora em Antropologia e professora de bioética na UnB. É consultora do Ministério da Saúde e pesquisadora da Anis: Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero. Atualmente integra a diretoria da International Association of Bioethics.

Marilena Corrêa é doutora em Ciências Humanas e Saúde pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), com pós-doutorado na École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS), mestrado em Saúde Coletiva e graduação em Medicina pela Uerj.

Fonte: Roberto Fleury/UnB Agência

150 anos do nascimento de Max Planck, o pai da física quântica


Após a divulgação de suas idéias em 1900, a ciência nunca mais foi a mesma. O alemão de Kiel, prêmio Nobel de Física, possibilitou o mundo moderno, da nanotecnologia aos leitores de DVD.

"É verdade, antes a física era mais simples, harmônica e, portanto, mais satisfatória." Esta frase, escrita por Max Planck em 1922, soa quase irônica, vinda de um dos cientistas que mais contribuíram para destruir o edifício milenar das ciências naturais clássicas.

Max Ludwig Planck nasceu em 23 de abril de 1858 na cidade de Kiel, no norte da Alemanha. Sua família tinha tradição no ensino: o pai lecionava Direito, avô e bisavô haviam sido teólogos. Max logo demonstrou talentos diversos, tanto para a música como para as línguas antigas, a matemática e a física.

Ao encerrar o nível médio, aos 16 anos, perguntou ao físico Johann von Jolly se deveria abraçar a carreira de cientista. O amigo da família o desencorajou: na realidade, não havia mais nada de relevante a se pesquisar. Que tal música? Afinal, ele brilhara como soprano no coro infantil, tocava bem piano e órgão.

Felizmente para a ciência e a técnica, o senso prático o impediu de seguir o conselho de Jolly, e o jovem se matriculou em Matemática e Física na Universidade de Munique. Sem Planck, muitas realidades do dia-a-dia do século 21 não seriam possíveis, da energia nuclear à nanotecnologia, do computador ao aparelho de tocar DVDs.

Física fora da lei
A termodinâmica ocupou o jovem cientista desde cedo. Sua tese de formatura, que publicou aos 21 anos, se intitulava Sobre a segunda lei da teoria mecânica do calor. Em 1894, ano em que ingressou na Academia Prussiana de Ciências, voltou a atenção para uma questão aparentemente simples: por que, ao ser aquecido, um ferro primeiro irradia luz vermelha, depois amarela e finalmente branca?

Dois obstáculos se interpunham à compreensão do fenômeno. Por um lado, a imagem do mundo físico vigente se baseava na certeza de que todas as mudanças de estado ocorrem de forma absolutamente gradativa. Uma noção sintetizada em 1751 na frase "Natura non facit saltus" – A natureza não dá saltos –, do botânico sueco Carl von Linné, porém já presente nas formulações de Aristóteles ou na Lei da Continuidade de Gottfried Leibniz (1646-1716), considerada inabalável.

Por outro lado, para descrever a distribuição de energia no exemplo do ferro em brasa, eram necessárias duas fórmulas, uma para as ondas longas, no extremo vermelho do espectro, outra para as ondas curtas, na região ultravioleta.

Salto quântico
Em outubro de 1900, Planck conseguiu superar este obstáculo. Através de interpolação matemática, ele derivou uma terceira equação, que explica perfeitamente os dados observados experimentalmente. Mais tarde, contrariado, atribuiria essa nova fórmula da radiação a um golpe de sorte, uma "suposição afortunada". Pior ainda, a conclusão lógica de suas descobertas foi a suspensão da Lei da Continuidade.

Durante uma sessão da Sociedade Alemã de Física, em 14 de dezembro do mesmo ano, Planck apresentou o resultado de suas pesquisas. A irradiação de calor não ocorreria na forma de um fluxo constante de energia, mas sim em pequenas porções, chamadas "quanta" (plural de quantum). Os espaços mínimos entre estas unidades são os "saltos quânticos" – termo em breve incorporado à linguagem do dia-a-dia.

Os colegas de Planck reconheceram com cortesia esta noção revolucionária, mas, na verdade, àquela altura ninguém o levou realmente a sério. Contudo, os anos seguintes mostrariam que a "teoria quântica" permitia explicar resultados experimentais até então enigmáticos.

A teoria na prática
Segundo Michael Bonitz, diretor do Instituto de Física Teórica da Universidade de Kiel, "sem as idéias de Planck, seriam impensáveis o desenvolvimento dos transistores, lasers e os avanços da moderna tecnologia informática".

Um exemplo de como Planck inspirou a comunidade científica é o "efeito fotoelétrico". Sabia-se que uma superfície metálica emite um fluxo de energia (elétrons) sob a influência da luz, sem que se pudesse explicar por quê. Em 1905 Albert Einstein aplicou com sucesso a hipótese quântica ao fenômeno, atribuindo-o à ação dos "fótons" – quanta de luz.

Foi graças à intervenção de Max Planck que Einstein se mudou em 1914 de Zurique para Berlim. Pouco depois, irrompeu a Primeira Guerra Mundial. Assim como muitos de seus colegas, o conservador Planck assinou um nacionalista "Apelo ao mundo cultural", fato que mais tarde lamentaria.

Em 1919, recebeu retroativamente o Prêmio Nobel de Física de 1918 e atuou como um dos principais organizadores da ciência na República de Weimar. A partir de 1930, encabeçou o Instituto Kaiser Wilhelm.

Política, Einstein, Padre Nosso e um gato
Sua postura durante o regime nazista (1933-1945) foi ambivalente. Ao mesmo tempo em que lamentou a saída de Einstein da Academia Prussiana, Planck o acusou de, através de seu comportamento político, haver tornado impossível a própria permanência. O cientista judeu, refugiado desde 1933 nos Estados Unidos, perdoaria mais tarde o colega, que entenderia "tanto de política quanto um gato do Pai Nosso".

Apesar das glórias e do reconhecimento profissional, a vida de Max Planck foi marcada por tragédias pessoais. Sua primeira esposa sucumbiu ainda jovem à tuberculose, o filho primogênito caiu em 1916 na batalha de Verdun; as gêmeas Emma e Grete morreram ao dar à luz em 1917 e 1919, respectivamente.

Apesar dos pedidos pessoais de misericórdia do conceituado cientista, seu filho mais novo, Erwin, foi executado em janeiro de 1945 por envolvimento na tentativa de atentado contra Adolf Hitler. O cientista morreu em 4 de outubro de 1947 em Göttingen, aos 89 anos, em conseqüência de uma queda e de diversos derrames. Sob pressão dos Aliados, o Instituto Kaiser Wilhelm – cujo nome estava comprometido com a ideologia nazista – foi rebatizado em fevereiro de 1948 como Instituto Max Planck.

Fonte: Augusto Valent/ DW-World

USP digitaliza o primeiro dicionário da língua portuguesa

O primeiro dicionário da língua portuguesa foi inteiramente digitalizado por alunos e docentes do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da Universidade de São Paulo (USP) e já está disponível para consulta pública e gratuita na internet.

O trabalho de digitalização, que durou cerca de um ano e meio, contou com apoio financeiro da Biblioteca Guita e José Mindlin. Trata-se do Vocabulário portuguez e latino, de autoria do padre Raphael Bluteau (1638-1734), que nasceu em Londres e mudou-se para Portugal em 1668.

Os primeiros oito volumes que compõem o dicionário foram publicados ao longo de dez anos: volumes 1 e 2 em 1712, volumes 3 e 4 em 1713, volume 5 em 1716, volumes 6 e 7 em 1720 e o volume 8 em 1721. Juntaram-se a esses oito volumes dois suplementos publicados entre 1727 e 1728, contendo mais de 5 mil vocábulos que não constavam nas edições anteriores.

Para padronizar as relações entre as ciências humanas e as tecnologias da informática, o projeto incluiu ainda a criação de um sistema de busca, em que o usuário pode procurar uma palavra tanto com base na ortografia atual como naquela empregada no século 18.

“O dicionário é composto por cerca de 43,6 mil verbetes. Um exemplo é a palavra açúcar, que na época se escrevia ‘assucar’. Além de poder encontrar esse vocábulo por meio dessas duas formas, o usuário pode buscá-lo com acento e sem acento”, disse a coordenadora do projeto Dicionários no IEB, Márcia Moisés Ribeiro.

“O sistema de busca permite ainda a navegação pelo dicionário por meio de cada letra do alfabeto”, conta. O projeto Dicionários no IEB tem como objetivo disponibilizar em versão digital dicionários de difícil acesso ao grande público.

Segundo a historiadora, esse tipo de iniciativa contribui para a preservação da obra enquanto documento raro, permitindo a maior divulgação do patrimônio cultural da língua portuguesa na rede mundial de computadores.

“Além de evitar o excessivo manuseio das obras raras, esse tipo de projeto permite o encurtamento das distâncias, gerando uma economia para as pesquisas com o deslocamento dos profissionais, principalmente nas ciências humanas como história, sociologia e letras", afirma.

A idéia de digitalizar o Vocabulário portuguez e latino, conta Márcia, surgiu em outro projeto de digitalização de obras raras, o Brasil Ciência, desenvolvido no Instituto de Estudos Brasileiros da USP, entre 2002 e 2006, com apoio da FAPESP na modalidade Jovem Pesquisador.

“A proposta do Brasil Ciência foi digitalizar obras dos séculos 17 e 18 relacionadas ao pensamento científico brasileiro. O resultado foi a elaboração de um banco de dados digital com cerca de 800 documentos e 120 livros raros na íntegra, que também estão disponíveis no site do IEB para consulta pública e gratuita”, afirma a historiadora.

No âmbito do projeto Dicionários no IEB, Márcia explica que os próximos a serem trabalhados são os dicionários o Tesoro de La Lengua Guarani (1639), de Antonio Ruiz Montoya, o Diccionario Histórico e Documental (1899), de Souza Viterbo, e o Diccionario da Lingua Portuguesa (1813), de Antonio de Morais Silva.

“A digitalização dessas obras deve começar em maio e deverão estar on-line em um prazo de aproximadamente seis meses”, prevê.

Mais informações: www.ieb.usp.br

Fonte: Thiago Romero / Agência Fapesp

Cobef recebe inscrições de resumos até 28 de abril

O 5º Congresso Brasileiro de Engenharia de Fabricação ocorrerá em Belo Horizonte (MG), no período de 14 a 17 de abril de 2009, organizado pela Universidade Federal de Minas Gerais e pela Pontífica Universidade Católica de Minas Gerais.

As inscrições de resumos já estão abertas e podem ser feitas por meio do site até o dia 28/04/2008.

No momento em que a indústria brasileira e em particular o setor metal mecânico se encontram em franca expansão, o 5º COBEF se consolida como um importante fórum de debates envolvendo os setores acadêmicos e industriais, para discussão de temas de interesse mútuo e de relevância para o desenvolvimento tecnológico e econômico do país.

A realizaçao do 5º COBEF em Belo Horizonte, cujo parque industrial é extremamente amplo e diversificado, e que conta com instituições de ensino de engenharia de tradição, sem dúvida contribuirá para o enriquecimento do debate e para o estreitamento dos laços entre academia e meio industrial.

Mais informações entre no www.cobef.com.br.

Fonte: Cimm

Semi-Árido já sente os efeitos do aquecimento global

Dados da Embrapa mostram um aumento de meio grau na temperatura do ar. A partir de dois graus a agricultura pode ficar comprometida

O pólo de fruticultura irrigada do Semi-Árido brasileiro já está sentindo os efeitos do aquecimento global. Levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) mostra um aumento de meio grau na temperatura do ar.

A partir de dois graus acima da média, o que está previsto para ocorrer em 2020, se persistirem os níveis atuais de emissões de gases do efeito estufa, pode haver comprometimento da agricultura. Os dados, apresentados anteontem no 1º Simpósio sobre Mudanças Climáticas e Desertificação no Semi-Árido Brasileiro, em Petrolina, correspondem a medições feitas nos últimos 40 anos.

Os valores foram coletados na Estação Meteorológica da Embrapa Semi-Árido, no Campo Experimental de Mandacaru, em Juazeiro (BA). São médias mensais referentes ao período de 1966 a 2006. “A temperatura, em quatro décadas, apresentou tendência de elevação”, informa a agrônoma Francislene Angelotti, que pesquisa impactos da mudança climática na região.

O próximo passo será verificar os efeitos do aquecimento das plantações de manga, uva, palma forrageira e capim buffel. As duas primeiras são culturas do Semi-Árido para exportação e as outras têm aplicação na pecuária. A investigação será feita em experiências de campo e de laboratório, para simular o desenvolvimento da planta em razão do aumento da temperatura.

A agrônoma verificou ainda que a variação é de acordo com os meses do ano. “É maior em abril e maio e menor em agosto e setembro.” Francislene Angelotti não identificou as causas da variação, mas diz que ela segue os cenários projetados pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), grupo internacional formado por mais de dois mil cientistas que se dedicam ao tema.

O IPCC aponta aumento da temperatura do ar, mas com intensidades variando de acordo com região e época do ano. Para a pesquisadora, o conhecimento das tendências climáticas é essencial para adaptar práticas agrícolas às novas condições do ambiente. “A variação climática tem grande influência na composição da vegetação natural, na implantação de sistemas agrícolas produtivos e mesmo nas características socioeconômicas de uma região.” (Verônica Falcão /Jornal do Commercio)

Fonte: Ecodebate

4º Prêmio José Márcio Ayres para Jovens Naturalistas

O Museu Paraense Emílio Goeldi (Mpeg) e a Conservação Internacional lançaram a quarta edição do Prêmio José Márcio Ayres para Jovens Naturalistas.

Voltado para alunos do ensino fundamental e médio de escolas públicas ou particulares, o concurso incentiva a produção de pesquisas sobre o tema “Biodiversidade Amazônica”. As inscrições de trabalhos poderão ser feitas até 19 de Setembro.

Criado em 2003, o prêmio é um ação de popularização do tema da biodiversidade na região da Amazônia. Segundo os organizadores, mais do que um concurso, a iniciativa busca envolver todo o universo escolar, valorizando alunos, professores, orientadores e escolas, além de incentivar a pesquisa científica entre estudantes, capacitar professores e permitir o acesso à informação científica.

O prêmio está dividido nas categorias ensino médio, com estudantes apresentando trabalhos individuais, e ensino fundamental, cujos trabalhos devem ser desenvolvidos em equipes, formadas por três alunos.

Os três melhores trabalhos na categoria fundamental receberão prêmios que variam de R$ 1 mil a R$ 3 mil. Os melhores trabalhos da categoria médio receberão, por sua vez, prêmios que variam de R$ 1 mil a R$ 2 mil. Além da premiação em dinheiro, os finalistas e seus orientadores recebem certificados e publicações de divulgação científica.

Os professores que orientarem alunos classificados em primeiro lugar receberão computadores e as escolas que apresentarem melhor rendimento também ganharão kits de publicações.

A primeira etapa de seleção é a avaliação dos trabalhos escritos, após a qual serão definidos os finalistas. O anúncio dos finalistas ocorrerá dia 6 de outubro, data em que o Mpeg comemora 142 anos de fundação. Quem passou na primeira etapa fará apresentação oral dos trabalhos no dia 23 de outubro. No dia 24 de outubro serão anunciados os vencedores e entregues os prêmios.

A comissão do Prêmio Márcio Ayres é formada por um grupo de pesquisadores e educadores do Mpeg, da Conservação Internacional, Universidade Federal do Pará (UFPA), Secretaria de Educação do Estado (Seduc) e Secretaria Municipal de Educação de Belém (Semec).

O concurso é uma homenagem ao biólogo paraense José Márcio Corrêa Ayres, falecido em 2003, considerado um dos mais respeitados especialistas em primatas e um dos cientistas mais importantes no mundo na área de Conservação da Biodiversidade. Ele trabalhou em instituições como o Museu Goeldi, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Wildlife Conservation Society.

Ayres também ficou conhecido internacionalmente pela criação da primeira reserva de desenvolvimento sustentável na Amazônia nas matas de várzea do rio Mamirauá, no norte do Amazonas. Na reserva de Mamirauá o biólogo encontrou o primata uacari-branco, uma espécie que se acreditava extinta desde o século 19.

Mais informações: http://marte.museu-goeldi.br/marcioayres

Fonte: Agência Fapesp

UFPA abre edital para a contratação de professor de Microbiologia

O Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Pará (UFPA) abriu edital para a contratação de um professor adjunto da disciplina de Microbiologia.

As inscrições estarão abertas até o dia 31 de abril. O candidato selecionado trabalhará em regime de dedicação exclusiva e terá remuneração de R$ 5.549,41 mensais.

A seleção incluirá julgamento de títulos, prova escrita com leitura pública, prova didática e prova prática. É exigida a graduação em Ciências Biológicas e Ciências da Saúde, com título de doutor em Microbiologia ou áreas afins.

Mais informações: www.ufpa.br/concurso

Fonte: Agência Fapesp

2º Simpósio Internacional em Tecnologias e Tratamento de Resíduos

No “2º Simpósio Internacional em Tecnologias e Tratamento de Resíduos”, especialistas de vários países apresentarão as mais recentes experiências em tratamento e disposição de resíduos sólidos e os atuais desafios para adoção de tecnologias alternativas em gestão de resíduos.

O evento ocorrerá entre os dias 28 e 30 de abril no auditório do Centro de Tecnologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A realização é do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe), da UFRJ, em parceria com a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e a Associação Brasileira de Mecânica dos Solos.

Coordenado pelo professor do Programa de Engenharia Civil da Coppe, Cláudio Mahler, o evento contará com a presença dos pesquisadores responsáveis pela organização do Sardenha 2007, realizado na Itália, um dos mais importantes eventos mundiais sobre o tema.

Mais informações: www.sittrs.ufrj.br

Fonte: Agência Fapesp

22 de abril de 1724 - Nasce o filósofo Immanuel Kant

O filósofo alemão Immanuel Kant, nascido a 22 de abril de 1724, questionou o que conhecemos através dos sentidos, colocou a razão no centro de sua filosofia crítica e apontou os limites do conhecimento.

Filho de um artesão que trabalhava couro, Immanuel Kant foi o quarto dos 11 filhos de uma pacata família na antiga Prússia Oriental. Tanto o pai como a mãe pertenciam ao ramo pietista da Igreja Luterana, que exigia dos fiéis vida simples e obediência total à lei moral.

Kant freqüentou uma escola pietista, em Königsberg, hoje Kaliningrado, onde aprendeu latim e línguas clássicas. Posteriormente, criticou as longas preces e a forma de religiosidade ali praticada como "escravidão juvenil". Na Universidade de Königsberg estudou Filosofia, Matemática e Física. Influenciado por Isaac Newton, em 1744 começou a escrever seu primeiro livro, sobre forças cinéticas – Pensamentos sobre o Verdadeiro Valor das Forças Vivas.

Após a morte do pai, trabalhou como professor particular para garantir o sustento da família. Em 1754 voltou à universidade e concluiu o doutorado, tornando-se livre docente. Passou a lecionar Lógica, Metafísica, Filosofia Moral, Matemática, Física e Geografia (que ele introduziu na universidade).

Convites de outras universidades

Sua difícil situação financeira começou a melhorar apenas em 1770, quando se tornou catedrático ordinário de Lógica e Metafísica na Universidade de Königsberg. Convites para lecionar em outras cidades alemãs, como Erlangen, Jena e Halle, não foram aceitos por Kant, que nunca se casou nem teve filhos. "Quando eu precisei de uma esposa, não tinha como sustentá-la", teria dito certa vez.

Seu livro A Religião nos Limites da Simples Razão colocou-o em conflito com o governo da Prússia. Em 1792, foi proibido pelo rei Frederico Guilherme II de ensinar ou escrever sobre temas religiosos. Kant seguiu a determinação durante cinco anos, até a morte do rei.

Durante 40 anos de docência, que só abandonou em 1796, aos 73 anos, conquistou não só a admiração dos alunos pela forma de ser, como também de colegas do mundo científico. Os estudantes afluíam à Universidade de Königsberg como se fosse a meca da filosofia. Kant teve suas teorias ensinadas em todas as universidades importantes da Alemanha.

Iluminismo: a coragem de usar a própria razão

Seu trabalho concentrou-se na resposta a três questões: O que eu sei? O que devo fazer? O que devo esperar? Entretanto, as respostas para as duas últimas dependem da resposta à primeira: nosso dever e nosso destino podem ser determinados somente depois de um profundo estudo do conhecimento humano.

Kant morreu em Königsberg, aos 79 anos de idade, a 12 de fevereiro de 1804. Entre suas principais obras estão Crítica da Razão Pura, Fundamentação da Metafísica dos Costumes, Crítica da Razão Prática e Crítica da Faculdade de Julgar. A primeira delas criou as bases para a "teoria do conhecimento" como disciplina filosófica.

Immanuel Kant é considerado o grande filósofo do Iluminismo. Ele próprio assim respondeu à questão "o que é o Iluminismo?":

"O Iluminismo é a saída do ser humano do estado de não-emancipação em que ele próprio se colocou. Não-emancipação é a incapacidade de fazer uso de sua razão sem recorrer a outros. Tem-se culpa própria na não-emancipação quando ela não advém de falta da razão, mas da falta de decisão e coragem de usar a razão sem as instruções de outrem. Sapere aude!" Tenha a coragem de fazer uso da sua razão, é, portanto, o lema do Iluminismo.(rw)

Fonte: DW-World