quarta-feira, 23 de abril de 2008

CBAN -Centro Brasileiro-Argentino de Nanotecnologia - começa este ano a financiar pesquisa conjunta

O Centro Binacional de Nanotecnologia, criado em 2005 pelos governos do Brasil e da Argentina, terá em 2008 o mesmo orçamento do ano passado, do lado brasileiro: R$ 250 mil reais. Esses recursos serão utilizados, como nos anos anteriores, para financiar duas oficinas de trabalho e quatro "escolas temáticas" — como os coordenadores do centro, dois pesquisadores brasileiros e dois argentinos, chamam a atividade que reúne estudantes de pós-graduação de ambos os países por períodos de uma semana, em torno de assuntos específicos do campo das nanociências. Do lado brasileiro, já há duas escolas em preparação: uma, para junho, em Recife (PE); outra, no segundo semestre, em Belo Horizonte (MG).

Em entrevista a Inovação, o coordenador José D'Albuquerque e Castro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), conta que a novidade, este ano, será o início do financiamento de projetos de pesquisa em cooperação. "Sem os projetos de pesquisa, os pontos de interesse comum que são identificados nos seminários acabam se perdendo. As parcerias não se concretizam", observa. Os recursos para isso virão de um convênio assinado entre o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Agência Nacional de Promoção Científica e Tecnológica (ANPCyT), da Argentina, para apoiar dez projetos de cooperação. Entre eles, três serão da área de nanotecnologia e nanociências. De acordo com o pesquisador, cada projeto poderá receber o equivalente a até US$ 100 mil de cada um dos países. Dos outros sete projetos a ser financiados, quatro devem ser de engenharia e três da área da saúde.

Um dos coordenadores argentinos, Roberto Salvarezza, também acredita que os projetos de pesquisa conjuntos ajudarão a consolidar o centro. Por e-mail, ele destacou que as atividades realizadas em 2007 "reforçaram" a ligação entre pesquisadores — e que os projetos conjuntos vão estreitar mais a relação. Além disso, Salvarezza, da Universidade Nacional de La Plata, chama a atenção para a possibilidade de o centro vir a incorporar pesquisadores de outros países latino-americanos. "Por tudo isso, estamos muito otimistas", escreveu.

No protocolo que criou o centro, estão listados quatro objetivos. As escolas temáticas e as oficinas de trabalho realizadas até agora atendem ao primeiro deles, que fala em promover o intercâmbio, em formar recursos humanos. O segundo objetivo, sobre a execução de projetos de pesquisa e desenvolvimento, permanece um desafio. "Queremos estabelecer uma ponte com as empresas, no espírito do que está sendo o Programa Subvenção, em que os projetos apresentados por empresas estabelecem parcerias com o meio acadêmico", explica Albuquerque. "Mas, num primeiro momento, as empresas precisam conhecer mais o nosso potencial. Falta conhecimento mútuo", continua. Para o cumprimento dos dois outros objetivos, de geração de empregos na área e para estudo da propriedade intelectual nos dois países, a coordenação do centro quer, este ano, formar grupos de trabalho.

O futuro do centro é agora
Albuquerque acredita que os projetos de pesquisa conjuntos vão consolidar o centro e a parceria entre Brasil e Argentina na área. Espera também conseguir, neste ano, recursos para bolsas de intercâmbio, o que um diretor do CNPq, informalmente, disse a ele ser uma possibilidade. Seu otimismo baseia-se na Declaração da Casa Rosada, instrumento assinado pelos presidentes de ambos os países em fevereiro, quando Luiz Inácio Lula da Silva esteve em Buenos Aires. Entre os projetos de cooperação citados explicitamente, está o Centro de Nanotecnologia. Lê-se no texto que os presidentes acordam em "registrar os importantes avanços logrados pelo Centro Binacional de Nanotecnologia, sobretudo no que se refere à bem-sucedida experiência das Escolas de Nanotecnologia"; e determinam "a elaboração, até maio de 2008, de um Programa de Trabalho que impulsione as atividades conjuntas nesse setor, com ênfase na formação de recursos humanos, no desenvolvimento científico e no avanço industrial."

As escolas, em detalhe
O coordenador, como a Declaração da Casa Rosada, considera as cinco escolas temáticas já realizadas um sucesso do centro. A primeira escola, sobre processos de produção e análise de nanopartículas, aconteceu em Buenos Aires, em 2006. Havia 15 vagas para brasileiros e 15 para argentinos. Apareceram 60 candidatos argentinos e 120 brasileiros. "Até de empresas", comenta Albuquerque. As empresas, no caso, eram do setor público: Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Em 2007, foram quatro escolas. As do Brasil aconteceram em Itajaí (SC) — sobre nanobiotecnologia, coordenada pelo pesquisador Nelson Durán, do Instituto de Química da Unicamp — e em Porto Alegre (RS), sobre nanomagnetismo. Na Argentina, houve duas: sobre síntese de materiais e caracterização de materiais com luz síncrotron.

Como as escolas têm atividades teóricas e experimentais — "levamos o aluno ao laboratório" —, as vagas são necessariamente limitadas, pois "não se pode superlotar uma sala em que há um microscópio eletrônico instalado", nas palavras de Albuquerque. O interesse e a limitação apontam para a realização de mais escolas. Os professores são, sempre de acordo com o físico da UFRJ, pesquisadores destacados da área, argentinos e brasileiros. O centro financia tudo — passagens, hospedagens, diárias. O custo fica em torno de R$ 40 mil reais por escola.

Uma visão do mundo nano no Brasil
Para Albuquerque, o Brasil ingressou no mundo nano em 2002, com a criação das quatro primeiras redes de pesquisa do CNPq — programa ampliado para dez redes em 2005. A criação das redes, para o pesquisador, que é especialista em materiais magnéticos nanoestruturados, "estabeleceu um novo padrão de trabalho para a comunidade acadêmica, pois identificamos nossas competências e as áreas em que podemos competir internacionalmente". O coordenador do Centro Binacional acredita que as empresas brasileiras, se conhecessem essas competências, poderiam aproveitá-las para incorporar inovação a seus produtos.

"Fazemos muito mais nanociência do que nanotecnologia", observa Albuquerque, ao citar o grupo de pesquisa sobre nanotubos, coordenado pelo pesquisador Marcos Pimenta, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Esse novo material, muito promissor, ainda não está "na linha de produção" por causa de dificuldades técnicas: é fácil de produzir, mas não nas quantidades que a indústria necessita — uma tonelada, por exemplo. Ele enumera possíveis aplicações: "nanotubo com tensão elétrica se deforma — permitiria fazer músculo artificial. Pode também ser usado para encapsular medicamento; e para a fabricação de dispositivos eletrônicos", diz. Segundo Albuquerque, o grupo de Pernambuco de nanofotônica — "eletrônica feita com luz, ao invés de elétrons" — é outro com produção científica destacada. Ele ressalta ainda a presença das nanotecnologias já nas áreas de fármacos e cosméticos. Em vacinas, por exemplo, lembra o interesse de uma pequena empresa — a Nanocore. (M.T.)

Fonte: Inovação Unicamp

Tech Chrom desenvolve o primeiro sacarímetro com tecnologia 100% nacional

O equipamento, indispensável para as usinas de açúcar e álcool, é utilizado para medir o teor de sacarose do caldo de cana. Ao contrário dos modelos convencionais, o novo produto é compacto e não utiliza clarificantes químicos que degradam o meio ambiente.

A inovação foi desenvolvida pela Tech Chrom, uma empresa graduada na Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da Unicamp (Incamp), formada no Instituto de Química da universidade por Carol Collins, Valter Orico de Matos e José Félix Manfredi.

De acordo com Manfredi, o sacarímetro é amplamente utilizado pelas usinas de açúcar e álcool, que precisam determinar o teor de sacarose presente na cana-de-açúcar que compram dos agricultores.

“Há cerca de 40 anos o produtor de cana é remunerado pelo teor de açúcar e não pela tonelagem. Sem um sacarímetro, o usineiro pode estar comprando um caminhão de bagaço e água, com pouco açúcar”, disse Manfredi.

A principal diferença do novo aparelho em relação aos convencionais é que, para detectar o teor de açúcar, ele utiliza uma fonte de laser na região do infravermelho próximo em vez das tradicionais lâmpadas de tungstênio.

“Os sacarímetros convencionais funcionam polarizando a luz da lâmpada, que atravessa um compartimento onde fica uma amostra do caldo de cana. A molécula do açúcar, por ser assimétrica, tem uma propriedade que é a de rotacionar o plano de polarização da luz. O ângulo de desvio da luz polarizada é linearmente proporcional à concentração de açúcar no caldo”, explicou.

O principal problema, segundo o químico, é que o caldo de cana é escuro e a luz não o atravessa em seu estado natural. É necessário fazer a clarificação, que é realizada tradicionalmente com subacetato de chumbo, um produto altamente poluente, que é proibido no Brasil.

“As alternativas a esse produto são importadas e extremamente caras. As usinas então preferem se arriscar a sofrer processos trabalhistas e ambientais. Por isso desenvolvemos o sacarímetro com fonte laser na região do infravermelho, onde o caldo de cana é mais transparente”, disse Manfredi.

O instrumento, segundo o pesquisador, é capaz de avaliar o teor do caldo de cana filtrado, dispensando a clarificação. A filtração é necessária apenas para eliminar o material particulado proveniente da moagem da cana-de-açúcar.

“Outra diferença é que o sacarímetro convencional tem 1 metro de comprimento e pesa 40 quilos. O nosso tem 40 centímetros de comprimento e pesa apenas 8 quilos. Ao contrário dos outros, nosso sacarímetro não tem uma parte móvel sequer, é todo composto em estado sólido”, afirmou.

Tecnologias de análise química
O projeto foi desenvolvido com apoio do Pesquisa Inovativa na Pequena e Microempresa (PIPE), da FAPESP, por meio do projeto "Desenvolvimento de sacarímetro - polarímetro laser", finalizado em fevereiro e coordenado pelo próprio Manfredi. Segundo ele, o aparelho está sendo fabricado em escala artesanal.

“A principal dificuldade de produção se refere ao meio físicos. São equipamentos que precisam de uma linha de montagem computadorizada. O sacarímetro necessita de um alinhamento óptico perfeito e não pode ser montado em qualquer bancada. A mecânica de precisão envolvida também é muito exigente e precisamos de máquinas adequadas”, disse.

De acordo com Manfredi, o sacarímetro é o terceiro produto da Tech Chrom. O primeiro, também apoiado pelo PIPE, foi um cromatógrafo, também voltado para o setor sucroalcooleiro.

“É um conceito invoador em termos internacionais. O cromatógrafo é um equipamento que serve para fazer análise química de materiais em estado gasoso, ou que se consiga volatilizar. É muito usado no mundo todo na análise de combustíveis, de bebidas, medicamentos, produtos naturais e controle ambiental”, disse.

O segundo projeto foi outro instrumento de análise química: um titulador feito a partir do projeto de um grupo da Unicamp. “Nos consultaram sobre a possibilidade de transformar o projeto em produto e nós aceitamos, também com apoio do PIPE”, disse.

A titulação, segundo o pesquisador, é feita há cerca de 200 anos a partir de volumes transferidos de soluções reagentes. Por meio do volume consumido o químico consegue quantificar uma determinada amostra. Mas, quando se transfere o volume de soução, ela está sujeita a variações de temperatura que influenciam na viscosidade e densidade da solução e resultam em erro.

“Para minimizar eses erros, é preciso calibrar e aferir vidraria – um procedimento maçante e demorado. A idéia do grupo que desenvolveu o projeto era substituir o controle do volume transferido para massa transferida, acoplando uma balança ao titulador”, explicou Manfredi.

A empresa tem um quarto projeto em andamento: um fotômetro na região do infravermelho. O objetivo é reduzir o prejuízo fiscal e os danos aos consumidores causados pelo grande volume de combustível fraudado no país.

“O objetivo é viabilizar um controle de qualidade do álcool e da gasolina comercializados no posto. Na hora que está enchendo o tanque, o consumidor poderá ver se o combustível está dentro da especificação”.

O cromatógrafo, de acordo com Manfredi, tem patente concedida no Brasil, Estados Unidos, Alemanha, França, Itália e Holanda. O titulador tem patente da Unicamp, licenciada com exclusividade para a empresa.

Fonte: Fábio de Castro /Agência Fapesp

Projeção de emissão de gases produzidos pelo etanol demonstra tendência de queda

Green house gases emissions in the production and use of ethanol from sugarcane in Brazil: The 2005/2006 averages and a prediction for 2020
O pesquisador associado do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (Nipe) da Unicamp Isaías Macedo apresentou no dia 11 de abril dados de seu paper "Green house gases emissions in the production and use of ethanol from sugarcane in Brazil: The 2005/2006 averages and a prediction for 2020", publicado em 14 de janeiro no site da revista internacional Biomass and Bioenergy, em que mostra os números referentes ao balanço de emissão de gases de efeito estufa (GEEs) para o sistema de produção de etanol a partir de cana-de-açúcar.

Os dados do artigo de Macedo contestam os do artigo "Use of U.S. Croplands for Biofuels Increases Greenhouse Gases Through Emissions from Land Use Change", de Timothy Searchinger e mais sete autores, publicado na revista Science em 7 de fevereiro. Dizem esses autores no resumo do paper: "Estudos anteriormente publicados encontraram que a substituição de gasolina por biocombustíveis reduz os gases do efeito estufa porque biocombustíveis seqüestram carbono por meio do crescimento do feedstock. Essas análises erraram ao não contar as emissões de carbono que ocorrem quando agricultores de todo o mundo respondem a preços maiores e convertem floresta e pastagens em novas áreas cultivadas para repor os grãos (ou a área plantada) desviados para biocombustíveis. Usando um modelo da agricultura mundial para estimar as emissões resultantes da mudança do uso do solo, nós encontramos que o etanol de milho, ao invés de produzir uma redução de 20% nas emissões, quase dobra as emissões de gases em 30 anos e aumenta as emissões durante 167 anos. Esses resultados trazem preocupações sobre a obrigação de adicionar percentuais de biocombustíveis em gasolina e enfatizam o valor do uso de resíduos".

Macedo critica a inclusão, no balanço, do chamado "efeito indireto" da produção de biocombustíveis sobre a mudança de uso do solo — justamente a novidade do artigo publicado na Science. O efeito indireto é o aumento da área plantada que resulta do aumento do interesse por biocombustíveis. Os dados de Macedo foram apresentados no seminário "Sustentabilidade em Biocombustíveis", promovido pelo Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA-USP) e pelo Pólo Nacional de Biocombustíveis da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP), de Piracicaba (SP).

Na palestra, Macedo chamou a atenção para o espaço que as discussões em torno das metodologias para mensurar a emissão de GEEs tem ocupado na imprensa especializada. A metodologia utilizada por Searchinger e outros no artigo da Science computa no balanço das emissões os GEEs resultantes do efeito indireto da mudança do uso do solo (leia mais sobre mudança do uso do solo e efeito estufa). Um exemplo do "efeito indireto" dos biocombustíveis na mudança do uso do solo: o aumento da área de cultivo de milho nos EUA teria incentivado o plantio de soja no Mato Grosso e a derrubada da floresta no arco do desmatamento. Nas metodologias hoje existentes, inclui-se apenas o uso direto, ou seja, a substituição de uma cultura por outra — por exemplo, laranja por cana-de-açúcar. Faz-se a conta para ver se essa substituição aumentou ou diminuiu a emissão de GEEs.

Novo artigo atualiza números brasileiros
Na palestra no IEA, Isaías Macedo apresentou os dados constantes do paper em que mostra números atuais referentes ao balanço de GEEs para o sistema de produção de etanol a partir de cana-de-açúcar e projeta as emissões para 2020. O pesquisador falou ainda dos debates internacionais sobre as metodologias para mensuração dos gases estufa, com ênfase nas discussões européias. O artigo é uma atualização de artigo equivalente publicado por ele em 1998 na mesma revista.

De acordo com o atual estudo de Macedo, a emissão total de gás carbônico para a produção de etanol de cana em 2005/2006 foi de 417 quilos de gás carbônico equivalente por metro cúbico para o álcool hidratado, e de 436 quilos de gás carbônico equivalente por metro cúbico para o álcool anidro. Para 2020, a projeção é inferior, por conta de melhorias tecnológicas e ausência de queima — 330 quilos de gás carbônico equivalente por metro cúbico para hidratado e 345 quilos de gás carbônico equivalente por metro cúbico para anidro. Entre as formas de bioenergia, esse é o melhor balanço possível, segundo o pesquisador.

Nas metodologias usadas hoje, é incluída a emissão de gases estufa provocada por mudanças no uso do solo por conta da expansão do cultivo da cana. Mas há países, como a Alemanha, defendendo ser preciso medir e considerar o fato de a expansão da produção de cana poder expulsar outros cultivos, como os alimentares e de exportação, para áreas de florestas. Nesse caso, entraria na conta da emissão de GEEs do etanol a derrubada das matas, mesmo que elas ocorram para plantação de outros cultivos.

O que entra na conta da emissão de GEEs
Desde 1984, o Brasil tem trabalhos científicos procurando quantificar as emissões de GEEs na cadeia do açúcar e do etanol, segundo Macedo. A partir de 2006, aumentou a preocupação no exterior em definir metodologias por conta do interesse dos países desenvolvidos em usar etanol e biodiesel. "Não haverá uma planilha universal para biocombustíveis, mas é possível colocar princípios, recomendações sobre o que entra e não entra em um balanço", destacou.

A seguir, Macedo detalhou o que é analisado nas emissões de GEEs em etanol. Primeiro, são contabilizadas as emissões nos fluxos de carbono associados com a absorção do carbono atmosférico por fotossíntese; a liberação na queima da palha da cana na colheita; a liberação gradual por oxidação de resíduos não queimados no campo; a liberação de gás carbônico na fermentação da sacarose e combustão do bagaço nas usinas; e a liberação do gás carbônico pelos motores dos automóveis. Essas emissões, disse o pesquisador, são consideradas neutras na emissão total, pois os volumes de carbono emitido e seqüestrado são semelhantes.

Outros dados que entram no balanço de emissões se relacionam aos fluxos de carbono associados com o uso de combustíveis e a produção dos insumos usados na agricultura e na indústria, na fabricação de equipamentos, prédios e em sua manutenção. Aqui entra o gás carbônico emitido pelo uso de combustíveis fósseis na agricultura, como o diesel consumido pelos veículos que transportam a cana para as usinas, por exemplo. E também o gás emitido pelos produtores de insumos agrícolas, como herbicidas, pesticidas, mudas etc. Nesse quesito, disse Macedo, há um aumento da quantidade de gás carbônico na atmosfera.

Um terceiro item que entra na conta de emissão dos GEEs são os gases não associados ao uso de combustíveis fósseis, principalmente metano e óxido nitroso. A emissão desses gases é medida no processo de queima da cana, na liberação com o uso de fertilizantes, na combustão dos bagaços nas caldeiras e do etanol nos motores. Também são fluxos que ampliam o volume de GEEs na atmosfera.

Um quarto grupo trata das emissões que seriam evitadas, ou emissões de mitigação. É uma conta que diz quanto haveria de carbono a mais na atmosfera se, ao invés do etanol, fosse utilizado um combustível fóssil. Aqui entram as emissões de GEEs evitadas pela substituição de gasolina por etanol, de óleo combustível por bagaço para geração de energia nas usinas, e com a co-geração de energia. Emissões por conta da mudança do uso do solo são consideradas à parte.

"É importante ter uma base de dados sólida para GEEs, como a que o Brasil tem para o etanol de cana. Em 2005/2006, fizemos um balanço com base na análise de 44 usinas do Centro-Sul e para 100 milhões de toneladas de cana produzidas por ano. Não há dados como esses para a produção de etanol a partir de milho, por exemplo", afirmou. Macedo destacou ainda que o ideal é fazer um cálculo usina a usina.

O pesquisador defendeu que as metodologias envolvam dados de forma mais abrangente, devido ao aumento da complexidade do sistema produtivo do etanol. Muitas usinas estão produzindo co-produtos, como ácido cítrico, lisina, leveduras especiais; há o uso do bagaço e da palha para produção de energia que pode ser co-gerada e vendida ao mercado, substituindo as formas convencionais de produção de energia elétrica; há a produção de plásticos e solventes, o uso conjugado de etanol e biodiesel na parte agrícola e industrial, em rotação de cultura de soja. Esses elementos não têm sido considerados nas metodologias.

Discussões internacionais
Segundo Macedo, nenhuma metodologia discutida em âmbito internacional considera, no cálculo, a remoção futura de floresta por conta do deslocamento de culturas promovido pela expansão do uso de biocombustíveis, um dos temas abordados no artigo da Science em fevereiro, a que os pesquisadores chamam de efeito indireto por mudanças no uso da terra. "Quando plantamos em pasto degradado, o balanço será positivo. Não se pode é plantar em cerrado lenhoso, com alta densidade de madeira, ou em floresta", disse ele. Nesse tipo de ação, haveria um aumento de emissões de carbono.

Algumas discussões em torno dessas metodologias e certificações sinalizam as barreiras que o etanol nacional pode enfrentar no que se refere ao quesito mudança de uso do solo para cultivo da cana-de-açúcar. No Reino Unido, por exemplo, discute-se a exigência de informar para o vendedor de qual área do país de origem é proveniente o etanol, especificando se foi uma área de substituição do uso da terra. Isso já é contado nas metodologias existentes. Ainda não incluíram o efeito indireto — deslocamento de culturas para áreas florestadas por conta da expansão da bioenergia —, mas estudam fazê-lo. A diretiva da União Européia (UE) também analisa se vai incluir esse impacto em sua metodologia. A tendência, segundo Macedo, é que as diretivas nacionais de cada país europeu dêem lugar à diretriz da UE.

Já na Alemanha, a norma pretende ser mais dura. Se o país exportador de etanol não quiser provar que produziu o combustível sem ter provocado a mudança de uso da terra, será considerado "culpado", e emissões maiores de carbono serão parte da conta. Por exemplo, o etanol produzido no Centro-Sul do Brasil implica a derrubada do cerrado úmido. Se o produtor nacional não provar que não derrubou a vegetação, isso será contabilizado como emissão de GEEs — o que, na prática, vai impedir a compra do biocombustível. Em contrapartida, as vantagens do sistema produtivo do etanol estão sendo desconsideradas pelos que discutem metodologias de emissão de GEEs no exterior. No Reino Unido, limitam a inclusão da eletricidade exportada, ou seja, a energia co-gerada.

No debate no IEA, iniciativa privada critica metodologias
Participaram também da reunião Marcos Jank, presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Weber Amaral, coordenador do Pólo Nacional de Biocombustíveis e do Programa Temático Ambiental sobre Sustentabilidade do IEA, Delcio Rodrigues, pesquisador do Instituto Ekos Brasil e do Instituto Vitae Civillis, e Pedro Dias, diretor do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC).

No debate, Jank destacou que, para a importação de petróleo, não há nenhum tipo de certificação exigida, mesmo para o produto vindo de países com vida política e social complicada e problemas agravados, muitas vezes, pela luta pelo petróleo. Chamou de "trabalho maluco" a consideração dos efeitos indiretos em mudanças do uso do solo e disse não ver como isso pode ser tratado metodologicamente.

"A cana está onde deveria estar, perto dos grandes centros consumidores. A cana não precisa entrar no Pantanal, no Amazonas; não faz sentido agronomicamente e não há infra-estrutura e logística para tal", acrescentou. Para ele, os cientistas, com seus estudos, têm as melhores condições de responder às críticas vindas dos outros países. (J.S.)

Fonte: Inovação Unicamp

Conferência sobre Resíduos de Construção e Demolição como Material de Construção


A Conferência sobre Resíduos de Construção e Demolição como Material de Construção será realizada no dia 28 de abril, nas dependências da Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP), na capital paulista.

Na ocasião serão apresentados estudos e pesquisas da Itália, Holanda, Espanha, Portugal e Brasil sobre os mais variados aspectos da reciclagem de resíduos de construção civil e de demolição, desde as tendências de beneficiamento até o impacto ambiental gerado pela atividade.

Além da Poli, o evento é promovido pela União Internacional de Laboratórios e Especialistas em Materiais de Construção, Sistemas e Estruturas (Rilem) e pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

Mais informações: http://rcd08.pcc.usp.br/

Fonte: Agência Fapesp

Seminários: Cartografia, Museus e Conhecimento Escolar

A cidade de Belo Horizonte irá sediar os Seminários às quintas-feiras: Cartografia, Museus e Conhecimento Escolar, promovidos pelo Centro de Referência em Cartografia Histórica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Os eventos ocorrerão nos dias 8, 15 e 29 de maio. A inscrições são gratuitas.

“A hidrografia na cartografia histórica do território brasileiro: referências para a conquista e a demarcação”, “A Geonímia e a cartografia histórica: um estudo sobre os nomes da hidrografia”e “A Comissão Geográfica e Geológica do Estado de São Paulo e a Expedição do Tietê” serão alguns temas abordados.

Também serão discutidos “A importância dos chamados caminhos fluviais para a conquista do território de Minas e do Brasil”, “A cartografia digital como ferramenta para a cartografia histórica” e “Práticas educativas e as instituições museológicas: ações para a preservação e divulgação da memória nacional”.

Mais informações: pelo e-mail ou telefones (31) 3226-6874 e (31) 3226-6772.

Fonte: Agência Fapesp

FAPESP–Microsoft Research lança segunda chamada para propostas em TICs

O Instituto Virtual de Pesquisas FAPESP–Microsoft Research lançou a segunda chamada pública de propostas para apoio à pesquisa fundamental e de classe mundial em Tecnologias de Informação e Comunicações (TICs).

O objetivo é identificar, selecionar e apoiar projetos que apontem para o tratamento de questões relacionadas ao desenvolvimento econômico e social no estado de São Paulo. A data-limite para envio das propostas é 18 de junho.

O total de recursos disponível para atender às propostas selecionadas nesta chamada é de R$ 834 mil. Espera-se selecionar em torno de cinco propostas com valor individual entre R$ 83,4 mil e R$ 250 mil. As propostas deverão considerar projetos com duração de no máximo dois anos.

Com foco no avanço do conhecimento, a chamada busca pesquisas capazes de ampliar o acesso dos cidadãos às novas tecnologias, reduzindo diferenças socioeconômicas, culturais e regionais.

As propostas apoiadas serão projetos ousados e inovadores que aliem o avanço do conhecimento fundamental com a perspectiva de aplicações futuras. Será apoiada a pesquisa acadêmica em tecnologias específicas com especial interesse na multidisciplinaridade.

As pesquisas serão analisadas considerando objetivos como novas infra-estruturas criativas, formatos e aplicações de dispositivos móveis, melhora da conectividade, particularmente em ambientes sem infra-estrutura de rede ou com disponibilidade limitada ou intermitente de acesso à rede ou de energia.

Projeto de interfaces com o usuário, atentando para desafios relativos a limitações em alfabetização ou a usuários com pouca experiência; e foco em avanços na aplicação de tecnologias que possam trazer benefícios em áreas como saúde, educação e comércio também serão requisitos em análise.

Cinco projetos foram contemplados na primeira chamada, nas áreas de saúde, educação, inclusão digital, agricultura e governo eletrônico, conforme notícia divulgada pela Agência FAPESP. Os trabalhos aprovados são de grupos de pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O Instituto Virtual de Pesquisas FAPESP–Microsoft Research, resultado de um convênio assinado entre as duas instituições em abril de 2007, é uma iniciativa pioneira no Brasil que associa os setores público e privado de modo a estimular a geração e a aplicação de conhecimento em TIC.

A proposta do instituto é formar uma rede de pesquisadores capazes de criar novos conhecimentos que contribuam para expandir as capacidades da tecnologia de computação para atender mais e melhor aos desafios sociais e econômicos de comunidades desfavorecidas, rurais e urbanas.

Mais informações sobre a chamada: www.fapesp.br

Mais informações sobre o convênio Microsoft Research-FAPESP: www.fapesp.br/convenios/microsoft .

Fonte: Agência Fapesp

Mapa digital reúne 800 dados municipais

Já está na internet um mapa digital elaborado pelo Ministério das Cidades que reúne cerca de 800 indicadores sociais, demográficos, eleitorais e econômicos das regiões, Estados e de todos os 5.564 municípios brasileiros.

Chamada GeoSNIC (http://www2.cidades.gov.br/geosnic) e ainda em versão inicial, a ferramenta permite obter e cruzar dados sobre temas como resultados e participação nas eleições, déficit habitacional, IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) (http://www.pnud.org.br/idh/) , renda, movimentação bancária, receita com impostos e quantidade de estabelecimentos como salas de cinema e de shoppings centers.

Ainda sem contar com um de seus principais atrativos - as imagens de satélite -, a primeira versão do GeoSNIC foi apresentada durante a Marcha dos Prefeitos, que começou na segunda, termina nesta quarta-feira e reúne cerca de 3 mil chefes municipais em Brasília. A previsão do Ministério das Cidades é que as primeiras imagens via satélite, nos moldes do Google Maps, sejam incluídas nos próximos 15 dias, em princípio de municípios que tenham obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

O GeoSNIC, desenvolvido com apoio do PNUD, reúne informações de diversos órgãos - como o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), Banco Central e Ministério da Fazenda - e possibilitará que os usuários tenham acesso a números hoje dispersos em várias bases de dados diferentes.

Assim, é possível obter desde o número de votos em branco nas últimas eleições, até dados do Censo 2000 e da contagem populacional de 2007, passando por arrecadação de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e ISS (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza), existência ou não de conselhos sociais, se a folha de pagamento da Prefeitura é ou não informatizada, composição do Produto Interno Bruto e participação em programas do Ministério das Cidades. Os dados podem ser exportados para planilhas eletrônicas.

"O Ministério das Cidades notou que o intercâmbio federal/municipal era muito limitado. Começamos a pensar nesse modelo, via web, por meio do qual pudéssemos tanto mostrar para os municípios os programas do ministério quanto conhecer os programas realizados pelos municípios", conta a geógrafa Luciana Semra, coordenadora do projeto que batiza o programa, o SNIC (Sistema Nacional de Informações das Cidades).

Justamente para conhecer melhor os projetos municipais, uma das funcionalidades oferecidas pelo GeoSNIC, que emprega software livre em sua tecnologia, é a possibilidade de os municípios acrescentarem informações próprias na plataforma on-line - assim como é feito no Wikipedia, uma enciclopédia aberta e atualizada por usuários de internet. "Nós criamos dentro do nosso sistema uma biblioteca municipal, para que técnicos dos municípios acrescentem os seus dados, tudo aquilo que eles acreditarem que é importante de divulgar", diz Luciana. "Também deveremos abrir para o público, no futuro, a parte dos contratos do Ministério. Estão lá todas as obras e a monitoração dos contratos", acrescenta.

Planejamento
O projeto tem ainda uma segunda vertente, uma plataforma que permite aos municípios instalar nos gabinetes um software mais complexo, com uma série de ferramentas de geotecnologias. "Nós customizamos o Terraview, um software livre do INPE, por meio do qual os municípios podem criar bancos de dados e planejar melhor as ações. Não queremos capacitar ninguém em cartografia, nossa intenção é despertar o conhecimento para um melhor planejamento municipal", afirma Luciana. "O município poderá, por exemplo, delimitar a área da cidade que vai ser de preservação, criar e dividir áreas, trabalhar cadastro, construir mapa temático dentro do território, tudo isso por meio desse programa gratuito."

O próximo passo desse projeto é a distribuição de kits com manual de usuário e um CD de instalação do sistema. O ministério planeja capacitar técnicos dos municípios para uso desse material - a primeira fase, em que 17 universidades farão o treinamento de dois funcionários de 700 prefeituras, deve estar concluída em outubro deste ano. (OSMAR SOARES DE CAMPOS /PrimaPagina)

Maiores informações visite o site:

USP cria curso de Engenharia de Biossistemas

A Universidade de São Paulo (USP) irá oferecer, a partir de 2009, o curso de bacharelado em Engenharia de Biossistemas, o primeiro do gênero na América Latina segundo informações da universidade.

O curso oferecerá 60 vagas em período integral e será ministrado na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA), no campus de Pirassununga, interior paulista. A criação do curso foi aprovada no começo de abril em sessão do Conselho Universitário.

O Bacharelado em Engenharia de Biossistemas tem como objetivo formar um profissional com competência para projetar sistemas que favoreçam a produção sustentável, mediante o uso de tecnologias inovadoras na cadeia do agronegócio.

O curso, com duração de dez semestres, terá forte base em matemática, física, biologia e química e nos fundamentos das engenharias. A formação do engenheiro de biossistemas abordará temas aplicados à produção animal e vegetal, relacionados às tecnologias de automação, da informação e de apoio à produção.

Na mesma sessão, o Conselho Universitário, órgão máximo da universidade, aprovou a criação da habilitação Ênfase em Bioquímica e Biologia Molecular para o curso de Bacharelado em Química, período integral, que manterá em 60 o número de vagas oferecidas no vestibular.

Fonte: Agência Fapesp

UFPE lança edital para contratação de docente na área de paleontologia

O Centro de Tecnologia e Geociências do Departamento de Geologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) lançou edital para contratação de um docente na área de paleontologia.

As inscrições deverão ser feitas até o dia 9 de junho. O concurso constará de julgamento de títulos, prova didática e prova escrita.

O programa inclui temas como Paleontologia e Fósseis, Princípios e Técnicas Paleontológicas, Tafonomia, Sistemática em Paleontologia, Paleoicnologia, Paleontologia e Evolução, Paleoecologia, Uso Estratigráfico dos Fósseis e Tempo Geológico, Micropaleontologia, Paleontologia da Bacia Pernambuco-Paraíba, Paleontologia da Bacia do Araripe e Mamíferos Pleistocênicos do Nordeste.

Mais informações: www.proacad.ufpe.br .

Fonte: Agência Fapesp