quinta-feira, 10 de abril de 2008

O tabagismo em um município de pequeno porte: um estudo etnográfico como base para geração de um programa de saúde pública

A relação entre condição econômica, baixa escolaridade e tabagismo em uma pequena cidade não difere do padrão dos grandes centros urbanos: os indivíduos de menores renda e escolaridade fumam mais.

Essa é uma das principais conclusões de um estudo feito por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) com habitantes do município de Parazinho (RN). O trabalho pode ajudar a direcionar políticas públicas para o combate ao tabagismo em pequenas cidades.

De acordo com um dos autores, Thales Jenner Falcão, a pesquisa constatou também que os homens fumam mais. Os resultados refletem um cenário nacional. De acordo com o pesquisador, um dos motivos da escolha do município de 4,3 mil habitantes é que “existe pouca literatura envolvendo localidades com essas características”.

“A pesquisa foi desenvolvida com o objetivo de traçar um perfil dos fumantes locais para a construção de um projeto ambulatorial cujos medicamentos seriam custeados pelo Ministério da Saúde, visando à elaboração de programas de controle do tabagismo no município”, disse Falcão.

A pesquisa foi realizada por Iris do Céu Clara Costa, professora do Departamento de Odontologia da UFRN, e por Falcão, dentista, especialista em saúde coletiva pela UFRN e ex-coordenador da vigilância sanitária de Parazinho. O estudo foi publicado no Jornal Brasileiro de Pneumologia.

O estudo se baseou em um questionário apresentado a 150 pessoas – o que representa 25,6% do universo de fumantes do local. Os participantes, das zonas rural e urbana, responderam a 30 perguntas objetivas e subjetivas sobre assuntos como condição econômica, hábito associado ao cigarro, tempo de tabagismo, idade no início do uso, motivação para fumar, vontade e tentativa de parar, síndrome de abstinência, amigos e familiares fumantes, doenças relacionadas e uso do tabaco associado à ingestão alcoólica.

De acordo com Falcão, a utilização dos questionários é uma metodologia que facilita o trabalho dos agentes comunitários de saúde. “Para evitar distorções, os entrevistadores são treinados. Mas mesmo assim pode ocorrer uma má interpretação por parte de algum deles sobre alguma das questões abordadas.”

Início precoce
Os dados indicaram que, do universo de fumantes, 57,8% eram do sexo masculino, contra 42,2% de mulheres. Em relação ao perfil sociodemográfico, verificou-se que, na população acima dos 19 anos, 26,4% dos homens e 20,4% das mulheres eram tabagistas. Os índices foram praticamente iguais para prevalência nas zonas urbana (23,5%) e rural (23,4%).

Um dado chamou a atenção: 66% dos entrevistados ganhavam até um salário mínimo. Além disso, cerca de 39,3% eram analfabetos e 51,3% tinham o ensino fundamental incompleto. Os dados destacam, de acordo com os autores, a forte relação entre tabagismo, baixa escolaridade e baixa renda.

“As pessoas de menor rendimento e com baixa escolaridade fumam mais. Algumas não acreditam na ciência e chegam a contestar o fato de que o cigarro mata. Apresentamos palestras educativas em escolas e unidades de saúde, que são muito importantes, assim como o fornecimento de medicamentos. Mas é essencial diminuir as desigualdades sociais”, explicou o pesquisador.

Segundo o estudo, 86,6% das pessoas entrevistadas tinham televisor e 54,6% tinham rádio, o que “favorece trabalhos educativos que utilizem esses meios de comunicação”. A pesquisa detectou também que 45% dos entrevistados começaram a fumar com até 12 anos de idade. Mais de 78% começaram antes dos 18 anos.

Uma limitação do estudo, segundo Falcão, foi não ter incluído no questionário o teste de Fagerström, que avalia o grau de dependência dos fumantes. “Achamos que será mais oportuno fazê-lo posteriormente, quando houver a disponibilidade de tratamento medicamentoso para esses tabagistas”, acrescentou.

“É fundamental um aconselhamento e o trabalho com grupo de fumantes. O mais marcante foi ter visto que muitos usuários querem largar o vício e não conseguem sem um apoio farmacológico. Devido ao alto custo desses medicamentos, as pessoas carentes não podem ter uma ajuda adequada. Algumas chegaram a suplicar por ajuda. Essa necessidade só é percebida no convívio”, alertou Falcão.

Para ler o artigo O tabagismo em um município de pequeno porte: um estudo etnográfico como base para geração de um programa de saúde pública, de Thales Jenner Falcão e Iris do Céu Clara Costa, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.

Fonte: Alex Sander Alcântara /Agência Fapesp

Sérgio Henrique Ferreira ganha o Prêmio Almirante Álvaro Alberto

O professor da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto, Sérgio Henrique Ferreira, é o vencedor do Prêmio Almirante Álvaro Alberto para Ciência e Tecnologia, apontado como a mais importante honraria em ciência e tecnologia do País. O anúncio foi feito hoje (9) pelo ministro da Ciência e Tecnologia (MCT), Sergio Rezende. É o cientista mais conhecido do Brasil. Os seus estudos apresentam resultados importantes e com aplicações à farmacologia, disse Rezende.

Sérgio Ferreira é formado em medicina pela USP, tem doutorado em Farmacologia pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), da USP, e é pós doutorado pela Royal College Of Surgeous Of England e pela Royal College Of Surgeous Of England.

Hoje, é coordenador de Projeto Temático da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), professor titular da USP, consultor do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT) e conselheiro do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE).

Fonte: Agência CT

Créditos de Carbono podem gerar US$ 100 mi por ano

O potencial econômico da venda de créditos de carbono das 34 unidades de conservação do Amazonas pode chegar a US$ 100 milhões de dólares, por ano, segundo dados da Fundação Amazônia Sustentável (FAS) disponíveis no site da organização.

Os créditos de carbono são certificados e emitidos quando ocorre a redução de emissão de gases do efeito estufa. Este crédito pode ser negociado no mercado internacional.

O dado é baseado em estudo feito pelo Instituto de Pesquisas da Amazônia (Inpa). De acordo com o instituto, cada hectare de floresta estoca 0,6 tonelada de carbono por ano e o mercado internacional paga, em média, US$ 3,8, por tonelada.

Segundo a FAS, “dadas as dimensões do Estado do Amazonas e o preço atual de US$ 3,8 por tonelada de carbono evitado, os créditos podem chegar à quantia de 100 milhões de dólares por ano”.

A FAS é uma entidade privada criada por lei estadual para reunir recursos e aplicar em ações de proteção ao meio ambiente no Amazonas, planeja fazer até o fim do ano, a primeira venda de crédito de carbono de uma das 34 reservas ecológicas que o Estado possui. A informação é do diretor-técnico da FAS, João Tezza Neto.

Segundo ele, a área ‘piloto’ será a reserva de desenvolvimento sustentável do Juma, no município de Novo Aripuanã (a 227 quilômetros ao Sul de Manaus), que possui 589.611 mil hectares. Neto explicou que a metodologia do processo ainda está sendo estudada, por isso, não é possível dizer quantos créditos serão negociados e nem quanto em dinheiro o negócio vai gerar.

Negociação
A FAS tem os direitos dos serviços e produtos ambientais gerados pelas unidades de conservação do Amazonas, que somam cerca de 17 milhões de hectares de floresta, ressaltou João Tezza. “O Estado fez uma doação onerosa dos direitos para a FAS, com isso, todo recurso adquirido precisa ser revertido para as próprias unidades, como também prevê a Lei de Mudanças Climáticas do Governo do Amazonas”, disse Neto.

A venda dos créditos de carbono foi estabelecida pelo Protocolo de Kyoto, como uma alternativa de utilização de mecanismos de mercado para que os países desenvolvidos possam atingir os objetivos de redução de gases de efeito estufa. “Quando você evita o desmatamento, você gera um crédito do carbono que você jogaria na atmosfera. Isso se chama crédito de carbono por desmatamento evitado”, informou João Tezza.

Pelo tratado, os países que mais emitem gases poluentes à atmosfera, o que pode aumentar o buraco na camada de ozônio, causando mudanças climáticas, são obrigados pelo tratado a comprar os créditos de áreas não devastadas. Em vigência desde fevereiro de 2005, o protocolo internacional, assinado por mais de 140 países, obriga as nações industrializadas a diminuírem em 5,2% a emissão de gases como o dióxido de carbono e o metano, com base nos níveis gerados em 1990.

Créditos
Os créditos de carbono são referentes às unidades de conservação que têm uma previsão de desmatamento, segundo João Tezza. O diretor-técnico da FAS informou ainda que o Brasil é 5º país do mundo que mais emite gases poluentes.

João Tezza afirmou que, desde que foi criada, em dezembro de 2007, a fundação está trabalhando na elaboração de metodologias de cálculo e aferição do carbono, como também de medidas de conservação para evitar o desmatamento. “Depois que tivermos isso, podemos ir ao mercado e oferecer os créditos”, afirmou.

Para ampliar o capital, a FAS pretende conseguir mais recursos com o setor privado. O primeiro ‘parceiro’ a entrar na iniciativa foi o Bradesco, que já destinou R$ 20 milhões para o fundo e se comprometeu a doar R$ 10 milhões anuais, durante cinco anos.

Fonte: Portal Meio Ambiente

FAPES - ES lança o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico para o Setor Produtivo

A Fundação de Apoio à Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (Fapes) lançou, nesta quarta-feira (9), o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico para o Setor Produtivo.

No âmbito do programa serão lançados três editais, voltados para o apoio a realização de projetos de pesquisa e inovação nas micro e pequenas empresas do Espírito Santo. O objetivo é promover a melhoria tecnológica dos segmentos do setor produtivo capixaba.

O investimento total será de R$ 4,3 milhões. Desses, R$ 3 milhões serão destinados ao Programa de Apoio à Pesquisa na Empresa (Pappe Subvenção), sendo R$ 2 milhões provenientes da Finep e R$ 1 milhão do governo do Estado. O Pappe Subvenção tem como objetivo selecionar propostas empresariais para obtenção de apoio financeiro não-reembolsável para pesquisa e desenvolvimento de produtos, processos e serviços inovadores no Espírito Santo.

Outro programa beneficiado será o de Extensão Tecnológica, voltado para a melhoria competitiva das micro e pequenas empresas no Estado. Para esta ação será destinado um aporte de R$ 620 mil, dos quais R$ 490 mil são oriundos do MCT e a contrapartida do governo estadual.

Já no Programa de Recursos Humanos em Atividades Estratégicas (RHAE) será investido R$ 750 mil. Deste montante, R$ 500 mil é proveniente do CNPq e o restante da Fapes. O RHAE vai conceder bolsas a mestres e doutores com vistas a fomentar a fixação de pesquisadores nas empresas que executam atividades de desenvolvimento científico ou tecnológico.

A fundação informou que os três editais serão lançados ainda neste mês, com data a ser divulgada.

Mais informações: http://www.sect.es.gov.br/ .

Fonte: Gestão CT

Paraná e Argentina estreitam relações na área de educação

Na última quinta-feira (3), o governador do Estado do Paraná, assinou um protocolo de intenções de cooperação com a Argentina, envolvendo seis universidades estaduais e quatro universidades daquele país.

De acordo com o documento, todas são instituições comprometidas com a educação superior, a cultura, a ciência, a tecnologia e a inovação e, por isso, a importância de se estabelecer relações de cooperação e intercâmbio para o desenvolvimento sustentável e a integração de suas regiões e seus respectivos países, no âmbito do Mercosul.

O referido protocolo tem como objetivo proporcionar o desenvolvimento de programas e projetos que tenham impacto positivo na região Norte Grande Argentino e no Estado do Paraná, além de promover atividades acadêmicas, científico-tecnológicas e culturais a favor do desenvolvimento socioeconômico da região, bem como articular esforços para a formação, capacitação e aperfeiçoamento de recursos humanos.

O acordo também prevê a projeção e implementação de um programa de mobilidade multilateral, que inclua estudantes de nível superior e pós-graduação, professores e pesquisadores. Nesse caso, cada universidade envolvida designará em um prazo de 30 dias, um coordenador que ficará responsável pela formação de uma equipe de trabalho que elabore proposta específica e também organize um programa de trabalho para os próximos três anos.

A Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Estado do Paraná (Seti) estará à frente da coordenação geral das ações necessárias para alcançar o objetivo. O protocolo de intenções terá duração de três anos, podendo ser renovado mediante acordo entre as instituições.

Em notícia publicada no site da Seti, Requião afirma que a aliança forte da América do Sul tem como eixo a Argentina e o Brasil e se fundamenta, primeiramente, pela cultura e pela educação. “A mobilidade de estudantes e professores entre os dois países atuará para a construção de uma nova consciência sul-americana”, disse.

Já a secretária da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Lygia Pupatto, também falou da importância do protocolo, em notícia publicada pela Seti. “Acreditamos que a verdadeira integração do Mercosul se dará por meio da integração educacional e cultural, formando assim uma nova geração que pense a região como única”.

O documento compreende as seguintes instituições paranaenses: Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro); Universidade Estadual de Londrina (UEL); Universidade Estadual de Maringá (UEM); Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG); Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste); e Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP). Pelo lado Argentino, compõem o protocolo a Universidad Nacional Del Nordeste; a Universidad Nacional de Misiones; a Universidad Nacional de Formosa; e a Universidad Nacional de Santiago Del Estero.

Informações adicionais sobre a Seti no endereço www.seti.pr.gov.br .

Fonte: Gestão CT

Persiste no Brasil a dificuldade de converter ciência em tecnologia.

A recente aprovação da Lei de Inovação vem contribuindo de modo significativo para o fortalecimento da integração entre as instituições de ciência e tecnologia e o meio empresarial. Ainda assim, persiste no Brasil a dificuldade de converter ciência em tecnologia. Em linhas gerais, essa foi a conclusão principal do estudo Recursos Humanos para Inovação, encomendado ao Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). No dia 26 de março, dirigentes de instituições como a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), MCT e o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) participaram do Workshop Recursos Humanos para Inovação, organizado para apresentar e discutir o estudo.

A novidade desse estudo do CGEE foi seu recorte: buscar alternativas para que os programas de pós-graduação formem mestres e doutores com mais espírito inovador e mais preparados para a vida na empresa. Hoje, a formação dos mestrandos e doutorandos está mais voltada para sua inserção como pesquisadores acadêmicos. Para Ésper Cavalheiro, líder do estudo no CGEE, “o caminho isolado dos programas de pós-graduação do ambiente de produção econômica tornou a articulação sempre muito difícil, porque os valores acadêmicos implicam competitividade, mas entre grupos de pesquisa”. Ele ainda enfatiza que o estudo não procura encontrar vilões ou mocinhos, e sim apresentar sugestões bilaterais.

Para alterar essa mentalidade, o estudo apresentou recomendações: divulgar amplamente as vantagens da inovação em linguagem adequada a todos os atores; estimular visitas técnicas das universidades às empresas e vice-versa; promover a elaboração de dissertações e teses em temas e aplicações tecnológicas nas empresas e para elas. O estudo ainda recomenda às agências financiadoras - como Capes, CNPq e fundações estaduais de pesquisa – o incentivo à participação de pós-graduandos em feiras e congressos comerciais; a promoção de estágios nas empresas – cujo acompanhamento acadêmico seja compartilhado entre empresa e universidade; e o fortalecimento dos programas de inserção de profissionais com mestrado e doutorado no setor privado. A manutenção de bancos de currículos atualizados de pós-graduados de empresas também foi sugerida. O Portal de Inovação, desenvolvido pelo CGEE, foi sugerido como ferramenta de busca.

Quanto à grade curricular, o estudo propõe a flexibilização da oferta de disciplinas obrigatórias, o que permitiria maior integração entre os departamentos - como os de humanidades e administração - e a organização de seminários multidisciplinares, envolvendo segmentos empresariais. Oferecer disciplinas sobre temas de aplicação no setor empresarial também foi recomendado.

Falam os consultores
Ana Lúcia Assad, analista de C&T do CNPq, atualmente licenciada, e Carlos Benedito Martins, professor do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB), foram os dois autores do estudo, presentes no encontro. Ana Lúcia denominou a abordagem do estudo de “levantamento de percepção”. Ela relatou em sua apresentação que, para a execução da pesquisa, mais de 50 profissionais foram entrevistados, entre coordenadores e vice-coordenadores de programas de pós-graduação pré-selecionados, lideranças empresariais, acadêmicas e públicas de diversas áreas. Carlos Benedito acrescentou que o trabalho “foi de caráter muito mais exploratório do que exaustivo”.

A questão de patentes depositadas também foi analisada no trabalho. “Orientadores e alunos não sabem consultar bancos de patentes e correm o risco de que seu processo já tenha sido realizado”, afirma Ana Lúcia em sua apresentação. A sugestão é “estimular os docentes a incorporarem documentos de patentes nacionais e internacionais como material didático e bibliografia obrigatória”. O estudo comprovou certa inquietação dos coordenadores de pós-graduação com o grande peso dado à produção acadêmica nos processos de avaliação dos cursos, em detrimento da produção tecnológica, como patentes registradas e consultorias técnicas.

O estudo
Dado o recorte proposto – buscar alternativas de formação mais adequadas à inovação --, foram analisadas seis experiências em institutos de ensino superior, que desenvolvem ações bem sucedidas voltadas a produzir inovação e interagir com o setor empresarial. Os programas selecionados foram: Instituto Gênesis, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC - RJ) ; Tecnopuc, na PUC do Rio Grande do Sul; Coordenação dos Programas de Pós-Graduação de Engenharia (Coppe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (CESAR), de Pernambuco; e o Projeto de Cooperação Villares Cilindros de Laminação, que envolve a Escola Politécnica da USP, a empresa e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

A sexta experiência analisada foi o Mestrado Profissional em Engenharia Automobilística. Esse mestrado foi um caso especial: durante a realização do estudo, o CGEE apoiou a criação do curso, uma iniciativa da Sociedade de Engenheiros da Mobilidade (SAE Brasil). A primeira turma do curso, que visa formar engenheiros automotivos em tempo mais curto do que os programas convencionais de pós-graduação, começou seu mestrado em agosto de 2007. As disciplinas são oferecidas pela Universidade Estadual de Campinas e pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA). Leia sobre o mestrado em outra matéria do Notícias.CGEE .

Segundo o documento, “os próprios mestres e doutores não são capazes de reconhecer seu potencial como agentes transferidores de habilidades específicas para o setor produtivo e acabam se enxergando apenas como novos elementos da comunidade científico-acadêmica”. Como conseqüência, “a universidade busca formar profissionais com visão de pesquisa, destinados à geração de conhecimento especializado e cujos resultados terão aplicação, em geral, no médio e longo prazo. Já o setor empresarial objetiva a inclusão de profissionais com capacidade de liderança, que trabalhem de forma compartilhada, que motivem equipes multidisciplinares e principalmente cujos resultados agreguem valor à empresa”. Para os cursos de humanas, a resistência em preparar profissionais para o mercado é ainda maior, apesar do predomínio do número de alunos dessas áreas no mestrado e no doutorado. Essa comunidade apresenta um comportamento altamente acadêmico e alimenta a lógica de “circuito interno”, da produção “do par para seus pares”.

Percepção da empresa
Os empresários entrevistados foram unânimes ao afirmar que os profissionais da pós-graduação são bem formados, com “excelente base científica”. No entanto, “não apresentam habilidades em gestão, noções básicas de administração, conhecimentos de propriedade intelectual e proteção do conhecimento, construção de parcerias, entre outros aspectos”. De acordo com Ésper Cavalheiro, “a constatação talvez mais contundente do trabalho reiterada por parte do empresariado é a de que os mestres e doutores são bons, têm conhecimento sólido, mas lhes falta a visão do que é a vida da competitividade empresarial no ambiente globalizado”. Algumas empresas selecionam profissionais em cursos técnicos ou antes de completar a graduação, “o que facilita a inserção de jovens em processos de inovação de interesse das empresas”. Os entrevistados também apontaram que os profissionais com pós-graduação contratados pelo setor privado geralmente necessitam de uma “reformatação do HD”, ou seja, sua lapidação e adequação â dinâmica de trabalho da empresa. Isso pode se dar por meio de cursos de curta duração padronizados, treinamentos e MBAs.

Exemplos internacionais
Criar políticas de educação da pré-escola à terceira idade baseadas na tecnologia da informação e comunicação (TIC) foi uma das principais recomendações do estudo. O Programa de Aprendizagem ao Longo da Vida, desenvolvido atualmente pela União Européia (UE) e que abrange todos os níveis educacionais e beneficia estudantes e professores de diversas áreas, foi citado como exemplo no documento. O programa “promove a interação das diferentes ações, da educação pré-escolar à terceira idade, busca coerência e eficácia, proporciona uma maior racionalidade nas ações de educação e formação, além de implantar um acompanhamento quanto aos impactos de forma mais direta”. Ainda ao analisar a pós-graduação na UE, o estudo cita a Universidade de Tecnologia de Compiègne, de Troyes e a de Belfort-Montbéliard, todas na França. Lá, até 30% do quadro de docentes é formado por profissionais vindos de empresas, “e muitas vezes não têm formação acadêmica em termos de titulação exigida pelas instituições de ensino e pesquisa, mas possuem conhecimento tácito”. O Instituto Fraunhofer-Gesellschaft alemão, que conta com 56 institutos e centros de pesquisa e representações em vários países - inclusive no Brasil, em Manaus - também foi citado por transformar o conhecimento científico em aplicações úteis para a sociedade, já que desenvolve produtos e processos, presta serviços tecnológicos e participa de redes internacionais de pesquisa, entre outras atividades.

Outro modelo recomendado para implementação no Brasil foi o do ensino médio na Tailândia, que incorpora no aprendizado a convergência tecnológica – nano e biotecnologia, ciência cognitiva e TIC. O estudo ainda sugere ao Ministério da Educação (MEC) e ao MCT uma análise de instituições internacionais como a australiana Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation (CSIRO), o National Institute of Standarts and Technology (Nist), nos Estados Unidos, e o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em Portugal. Criar ações para fortalecer o intercâmbio de pesquisadores e professores, aproveitando bolsas já existentes no País para aprendizado de tecnologias, assim como estágios em empresas e doutorados sanduíche no exterior também foram propostos.

Fonte: CGEE

CGEE elaborará estudo prospectivo sobre o setor siderúrgico no Brasil

Elaborar roteiros estratégicos e tecnológicos para o fortalecimento da siderurgia no Brasil diante do cenário global. Essa é a principal meta do Estudo Prospectivo do Setor Siderúrgico Brasileiro, encomendado ao CGEE pela Associação Brasileira de Metalurgia e Materiais (ABM). Em março, o Comitê de Coordenação do estudo se reuniu duas vezes. No encontro inaugural, elaborou a lista de assuntos que, possivelmente, serão analisados durante a prospecção. Na segunda reunião, os participantes identificaram assuntos relevantes do setor, tais como sua dependência na matriz energética, o impacto ambiental e a competitividade global. Um panorama setorial será elaborado a partir das questões levantadas; esse documento será apresentado em julho, no Congresso da ABM.

O horizonte do estudo prospectivo vai de 2010 a 2025. O objetivo é analisar a cadeia do aço, desde a produção de insumos (carvão e minério de ferro) até indústrias importantes como aeronáutica, automobilística e construção civil, passando por pequenos produtores de ferro gusa a partir do carvão vegetal. “Dimensionar o tamanho da cadeia e mapear a carência de mão-de-obra tornou-se uma questão urgente para garantir seu crescimento”, afirmou Horacídio Leal Barbosa Filho, diretor-executivo da ABM, a Notícias.CGEE. “As informações poderão subsidiar a elaboração de políticas industriais e tecnológicas”, observou Fernando Rizzo, que coordenará o trabalho no Centro.

Roteiros
As ações previstas no estudo estão distribuídas em dois roteiros. O estratégico consiste em medidas de âmbito político-institucional de interesse para o setor superar os desafios identificados no horizonte do estudo. O roteiro tecnológico é derivado das oportunidades abertas no roteiro estratégico, ou seja, ele direcionará a implementação de futuras ações tecnológicas. Os roteiros serão preparados por meio de ações nos campos da pesquisa, engenharia e inovação e de uma articulação entre academia, empresas e governo – outra competência do CGEE - com o uso de metodologias adequadas para a realização de estudos prospectivos.
Para a elaboração do panorama setorial, o CGEE vai consultar pesquisadores acadêmicos e diretores de pesquisa e desenvolvimento de empresas. “Um dos aspectos mais importantes da construção do estudo prospectivo é reunir e articular grupos que normalmente têm preocupações distintas”, explica Rizzo. "Os acadêmicos, por exemplo, tendem a dar mais ênfase à geração de conhecimento, enquanto o pessoal da indústria, embora consciente da importância crescente da inovação, tem compromisso adicional com o resultado financeiro. São poucos os estudos que possibilitam unir esses setores", acrescenta.

Como surgiu
A idéia de encomendar o estudo ao CGEE surgiu nas reuniões do Grupo de Tecnologia do Fórum de Competitividade da Siderurgia, organizado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC); a previsão é de que o trabalho se conclua em 2009. De acordo com o diretor-executivo da ABM, a existência de um gargalo no presente - a carência de mão-de-obra especializada, sobretudo de engenheiros metalurgistas, constatada a partir de um plano de expansão da siderurgia – indicou a necessidade da realização do estudo prospectivo. A falta de recursos humanos atinge a parte mais organizada da cadeia, as grandes siderúrgicas. “Para a parte menos organizada - formada por pequenas produtoras de metal, que se utilizam do carvão vegetal e que na maioria das vezes estão menos sujeitas às fiscalizações - sabemos que a tarefa é resolver problemas ambientais, por meio da identificação e disseminação de rotas tecnológicas já estabelecidas”, completa Barbosa Filho. Para ele, o estudo terá importância também na atualização do Plano Diretor da ABM. “Esperamos que ele norteie as atividades da Associação nos próximos anos", finaliza.

Fonte: CGEE

Divulgados os vencedores do Prêmio INCA - Instituto Nacional do Câncer

Reportagens sobre o acidente com Césio 137 em Goiás e os sobreviventes do câncer venceram o Prêmio Inca (Instituto Nacional do Câncer) e Fundação Ary Frauzino de Jornalismo.

Os vencedores foram os jornalistas Jorge Sassine, do jornal O Popular, de Goiás, e Cristiane Segatto, repórter especial da revista Época. Cada um recebeu a quantia de R$ 7 mil, que foi entregue pelo jornalista Zuenir Ventura em cerimônia realizada na terça-feira (8/4) na sede da Academia Nacional de Medicina.

Na reportagem Pesquisa revela mutações em vítimas do césio, Sassine relatou como o acidente com a substância, ocorrido em 1987, ainda repercute na cidade de Goiânia.

Na reportagem Eles sobreviveram ao câncer, Cristiane Segatto descreveu a experiência de 45 pessoas que vivem bem, apesar da luta diária contra a doença.

Para o diretor do Inca, Luiz Antonio Santini, a difusão de informações em câncer é tão importante quanto a intervenção técnica dos profissionais de saúde. “Pois a prevenção e a detecção precoce são essenciais para combater a doença e, para isso, é preciso veicular informações adequadas para promover a mudança na atitude das pessoas”, disse.

Marcos Moraes, presidente da Academia Nacional de Medicina e diretor da Fundação Ary Frauzino, relembrou o papel da imprensa na luta contra as empresas de cigarro e comemorou resultados. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o Brasil é hoje o país com maior redução de número de fumantes no mundo.

Fonte: Agência Fapesp

1º Fórum Internacional de Sustentabilidade e Comunicação

Mohammad Yunus e Rajendra Pachauri, ganhadores das duas últimas edições do Prêmio Nobel da Paz, participarão do 1º Fórum Internacional de Sustentabilidade e Comunicação, que será realizado nos dias 11 e 12 de junho, em Brasília.

Além dos convidados estrangeiros, participarão do encontro o ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, e o presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho.

O objetivo do evento é discutir, trocar experiências, buscar caminhos e democratizar as informações ligadas ao tema “Sustentabilidade”, a fim de promover uma mudança de conduta da sociedade. O evento ocorrerá no Hotel Brasília Alvorada Tropical, das 9 h às 18h30.

Os organizadores esperam a participação de 3 mil estudantes universitários de todo o país, que acompanharão as discussões em tempo real. Além da participação virtual, haverá uma programação especial com debates, apresentações culturais e shows.

Mais informações: (11) 3815-6400.

Fonte: Agência Fapesp

6º Ciclo de Debates em Economia Industrial, Trabalho e Tecnologia

O 6º Ciclo de Debates em Economia Industrial, Trabalho e Tecnologia ocorrerá nos dias 28 e 29 de abril, das 9 horas às 19 horas, na Pontífícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

O evento é promovido pelo Programa de Estudos Pós-Graduados em Economia Política da PUC-SP, com apoio do Grupo de Pesquisas em Economia Industrial, Trabalho e Tecnologia e da Associação Brasileira de Estudos do Trabalho (Abet).

No primeiro dia, especialistas debatem temas como “O desenvolvimento de projetos complexos na Rede Corporativa de Comunicação do Exército”, “Condicionantes dos ocupados nos serviços brasileiros” e “Novas evidências sobre o impacto da valorização cambial na estrutura produtiva brasileira”.

O segundo dia terá debates em torno de temas como “Estratégias de inovação em centros de desenvolvimento de produtos complexos em economias emergentes”, “Bioenergia: Desafios e política pública” e “Impactos da rotatividade na renda dos trabalhadores”.

Participarão especialistas da PUC-SP, da Universidade de Brasília (UnB), do Programa de Integração da América Latina (Prolam) da Universidade de São Paulo (USP), do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos (Dieese).

Mais informações: (11) 3670- 8516.

Fonte: Agência Fapesp