quinta-feira, 3 de abril de 2008

75% das mulheres com mais de 60 anos de idade foram infectadas pelos maridos em relações sexuais, aponta estudo.

Um estudo conduzido por pesquisadores da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo com idosos portadores do vírus HIV atendidos no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, concluiu que 75% das mulheres, todas com mais de 60 anos de idade, foram infectadas pelos maridos em relações sexuais.

Uma das razões para isso, segundo eles, seria explicada por um fator hormonal: as mulheres nessa faixa etária têm diminuição da libido, enquanto os homem ainda sentem desejo sexual, o que contribui para o aumento do número de relações extraconjugais. Entre os homens, 80% contraíram a doença após esse tipo de relação.

O levantamento foi realizado com base nas informações demográficas e de prontuário médico de 94 pacientes atendidos no Ambulatório de Aids do Idoso do instituto.

“Mais de 90% desses pacientes, tanto homens como mulheres, contraíram o vírus em relações sexuais”, disse Jean Gorinchteyn, coordenador do ambulatório e do estudo. “Além do impacto hormonal que faz com que a libido das mulheres seja alterado, outro aspecto importante é a noção de estabilidade conjugal, que nem sempre significa felicidade conjugal.”

Por questões diversas como culturais e religiosas, segundo o infectologista, mulheres a partir dos 60 anos muitas vezes deixam o desejo sexual em segundo plano e, de acordo com os dados coletados nas entrevistas com as pacientes do trabalho, normalmente não saem para procurar novos parceiros fora do casamento.

“As mulheres também têm certas alterações, como falta de lubrificação vaginal, que fazem com que elas sintam dores durante as relações e simplesmente não queiram mais ter. Com os homens ocorre o oposto. Ou insatisfeitos com o casamento ou com maior desejo sexual, eles procuram novas parceiras”, afirmou.

Segundo Gorinchteyn, isso faz com que a incidência de casos de Aids em idosos do sexo masculino no Brasil seja bem maior. Entre 1991 e 2007, 2.916 pessoas com mais de 60 anos contraíram o vírus da Aids. Desse total, 950 são mulheres e 1.966 são homens, de acordo com dados do Centro de Referência e Treinamento DST/Aids.

“É muito comum ter casais em que o marido é HIV positivo e a esposa não. Ao investigarmos as causas desses casos específicos, descobrimos que a maior parte desses casais não tem relação sexual há mais de dez anos. Então, além da justificativa hormonal, temos também um componente social e cultural para explicá-los”, destacou.

Poucos estudos, novas contaminações
Segundo Jean Gorinchteyn, apesar de ainda serem escassos os estudos científicos realizados no país sobre a transmissão do HIV na população idosa, sabe-se que essa incidência não só é alta como também há uma tendência muito forte de aumento nos próximos anos.

Além da maior conscientização da população para a importância dos exames de detecção da doença, os medicamentos para a disfunção erétil têm encorajado a população idosa a ter mais relações sexuais, muitas vezes desprotegidas.

“Como essas drogas são relativamente recentes, uma vez que apareceram no mercado há cerca de sete anos, é bem provável que tenhamos uma maior representatividade futura da contaminação pelo vírus da Aids nessa faixa etária. As estatísticas tendem a piorar nos próximos anos e esse é um grupo que merece ser melhor estudado”, disse.

Gorinchteyn disse ainda que a maioria dos pacientes tratados no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, cuja média de idade varia entre 60 e 64 anos, foi contaminada na faixa dos 50 anos. “E a expressão clínica ou o achado sorológico só foram identificados depois de cerca de dez anos, considerando também todo o período de alteração imune passível de levar ao diagnóstico da doença”, apontou.

“Temos observado ainda que, diferentemente dos jovens, que têm mais opções de escolha para a utilização do preservativo, os idosos recebem menos informações e acham que não precisam usar, devido a uma falsa sensação de estarem imunes a uma doença que contaminaria apenas os mais jovens”, disse o infectologista.

O estudo mostra ainda que muitos idosos têm a percepção de que o preservativo serve mais como um contraceptivo, para prevenir a gestação “Há também relatos de insegurança de que eles não saberão usá-lo corretamente ou que perderão a sensibilidade na hora da relação”, disse Gorinchteyn.

Fonte: Thiago Romero / Agência Fapesp

Abertas as inscrições para a 4ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas - Obmep


Estão abertas, até o dia 16 de maio, Podem participar escolas municipais, estaduais e federais de todo o país.

Em 2007, participaram da competição 38.453 escolas municipais, estaduais e federais. Naquele ano, a maior olimpíada do gênero no mundo atingiu 99% dos municípios do país, reunindo mais de 17 milhões de estudantes de 5ª a 8ª séries (ensino fundamental) e do ensino médio.

A Obmep tem o objetivo de estimular e promover o estudo da matemática entre alunos das escolas públicas. Em 2008, serão premiados 300 estudantes com medalhas de ouro, 900 com medalhas de prata e 1,8 mil com medalhas de bronze.

Os alunos medalhistas receberão bolsas de iniciação científica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) no valor mensal de R$ 100, para participar de programa de estudo dirigido pela Obmep.

A olimpíada é realizada em duas etapas. A prova da primeira fase será em 26 de agosto nas escolas inscritas e a prova discursiva ocorrerá em centros de aplicação da Obmep no dia 8 de novembro.

Para incentivar e valorizar os professores das escolas públicas e contribuir para a melhoria da qualidade da educação básica, serão premiados professores, escolas e secretarias estaduais e municipais de educação pelo desempenho de seus alunos na competição.

Os professores vencedores participarão de curso de aperfeiçoamento no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa). As escolas receberão livros para a formação de uma biblioteca de matemática, e as secretarias estaduais e municipais, troféus.

A Obmep é uma iniciativa de professores do Impa e da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) apoiada pelos ministérios da Educação (MEC) e da Ciência e Tecnologia (MCT). Sua meta é atingir todos os 23 milhões de alunos de ensino médio da rede pública até 2009.

Mais informações: www.obmep.org.br

Fonte: Obmep

Inpa analisará níveis de vitamina em leite materno

Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT) vão analisar os níveis de vitamina no leite materno que é coletado e distribuído pelo Banco de Leite Humano do Estado do Amazonas (BLH – AM) às crianças que não conseguem se alimentar diretamente no seio materno. Ao todo, 60 mães participam da pesquisa, que dura dois meses.

Inicialmente, serão coletados o sangue e o leite das doadoras para verificar a quantidade de vitamina A no alimento doado. O próximo passo, segundo a nutricionista e chefe do BLH – AM, Tânia Batista, é suplementar as mães doadoras com a farinha de pupunha (fonte de vitamina A) produzida no Inpa. “Vamos suplementá-las diariamente por dois meses, com 20g de farinha de pupunha. Após 30 e 60 dias faremos nova coleta de sangue e leite para verificar a quantidade de vitamina A absorvida por elas nesses períodos”.

De acordo com Tânia, as mulheres analisadas, após amamentarem, doam o excesso de leite, que antes de ser distribuído passa por um processo de pasteurização. “Nesse processo, o leite perde parte dessa substância. Por isso vamos suplementar as mães com uma fonte rica em vitamina A, que é a farinha de pupunha. O objetivo é aumentar os níveis dessa vitamina no leite doado, para que no processo de pasteurização a quantidade perdida desse nutriente seja compensada e chegue às crianças com a concentração adequada de vitamina A”.

Esse alimento geralmente é oferecido aos bebês prematuros ou doentes que estão internados e a vitamina A desempenha papel essencial no desenvolvimento dessas crianças principalmente no processo imunológico.
Para Helyde Albuquerque Marinho, chefe da Coordenação de Pesquisas em Ciências da Saúde (CPCS) do Inpa, “a vitamina A contribui para o crescimento, proteção das membranas mucosas do trato respiratório e visão".

Em países da África existem casos irreversíveis de cegueira por carência dessa vitamina no organismo. No Brasil, não temos isso, mas a criança pode ter uma carência subclínica dessa substância, onde não apresenta sinais nem sintomas dessa carência e a constatação só é feita por meio de um exame bioquímico. Outro exemplo a ser citado é a pneumonia, se a criança tiver uma dosagem normal de vitamina A no organismo, a recuperação dela será bem mais rápida do que uma criança com deficiência dessa vitamina”, diz Helyde.

Ao final do levantamento, os resultados das análises serão encaminhados ao Ministério da Saúde. A pesquisa faz parte da dissertação de Tânia Batista, aluna do curso de Mestrado em Ciência de Alimentos da Universidade Federal da Amazônia (Ufam). A pesquisa é uma parceria entre a CPCS e o BLH - AM.

Fonte: Agência CT

Agrobio, empresa incubada, desenvolve inseticida biológico contra o Aedes aegypti

A Agrobio, empresa integrante da Ineagro (Incubadora de Empresas de Base Tecnológica em Agronegócios da Universidade Rural do Rio de Janeiro), desenvolveu um inseticida biológico contra o Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue. A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCT) é parceira da incubadora.

O bioinseticida surge em um momento oportuno, já que a epidemia da dengue avança no estado do Rio de Janeiro, onde já foram oficialmente confirmadas 67 mortes até esta terça-feira (1).

Os pesquisadores e sócios da Agrobio, o biólogo Marcelo Castilho e a engenheira agrônoma Kátia Castilho, desenvolveram o inseticida natural isolando a bactéria Bacillus thuringiensis, encontrada na larva do mosquito. Após manipulação em laboratório, a bactéria do concentrado ataca a larva do mosquito, produzindo uma toxina que interrompe o ciclo de vida do inseto. "A larva sequer chega a se desenvolver e não há tempo de criar resistência ao inseticida", explica Castilho.

Um diferencial importante nesta pesquisa é que foram usadas apenas bactérias de mosquitos locais. "Detalhe fundamental, porque são levadas em conta as características do ambiente, ao contrário do composto utilizado com bactérias importadas", afirma Kátia. O produto é feito com bacilo vivo e o efeito residual pode durar anos, sem qualquer prejuízo para as pessoas ou para o meio-ambiente.

Além disso, o uso de um bioinseticida evita o emprego do fumacê, que, segundo Castilho "é uma fumaça de inseticida químico que agride o meio-ambiente, pois mata não só o mosquito da dengue, mas também insetos benéficos".

Segundo os sócios, a Agrobio, é a única empresa do Rio que desenvolve bioinseticidas. Com os resultados comprovados em laboratório, os irmãos entraram com pedido de registro junto ao Ministério da Agricultura, mas o processo é demorado: de seis meses a um ano. Por isso, defendem uma licença especial para que o inseticida chegue ao mercado em caráter experimental.

A empresa utiliza a infra-estrutura da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro na Estação Experimental de Seropédica (Pesagro-Rio/EES).

Também são parceiros na incubadora o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a Secretaria Estadual de Agricultura do Rio de Janeiro, Sebrae-RJ, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Rede de Tecnologia do Rio de Janeiro (RedeTec). (Finep)

Fonte: Info-e

9th Internacional Conference on Nanostructured Materials – Nano 2008

A nona edição da Conferência Internacional de Materiais Nanoestruturados (Nano 2008) será realizada no Rio de Janeiro de 1º a 6 de junho.

O evento faz parte de uma série bianual iniciada em 1992 dedicada ao estudo interdisciplinar de materiais nanoestruturados. A organização da Nano 2008 no Brasil está a cargo do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Participam da Nano 2008 cientistas, técnicos e estudantes de física, química, biologia, engenharia, além de representantes de empresas atuantes na área de nanotecnologia.

As inscrições de trabalhos podem ser feitas até o dia 6 de abril. Depois disso, serão aceitas as inscrições de pôsteres até o dia 25 de abril.

Mais informações: www.cbpf.br/nano2008

Fonte: Agência Fapesp

Centro de Pesquisas Tecnológicas da ANP comemora 30 anos

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) celebrou, nesta quarta-feira (2/4), os 30 anos de atividades do Centro de Pesquisas e Análises Tecnológicas (CPT). Localizado em Brasília, o CPT conta com sofisticados equipamentos, comparáveis aos maiores centros de pesquisa e tecnologia do Brasil.

Como laboratório de referência da ANP para análise da qualidade de combustíveis no país, a unidade dá apoio às atividades de fiscalização da agência. Em seus laboratórios são realizados testes de avaliação da qualidade dos combustíveis brasileiros, segundo as especificações da ANP.

São quatro laboratórios instalados numa área de 3.620 metros quadrados: um de lubrificantes, dois de combustíveis e um de análise especiais, com instrumentos científicos que requerem ambientação especial para operação. O CPT também orienta e supervisiona as atividades das 22 instituições contratadas – entre universidades e centros de pesquisa – para realização do Programa de Monitoramento da Qualidade dos Combustíveis da ANP.

Outra atribuição do CPT é a execução de testes para determinar os percentuais dos hidrocarbonetos leves, médios e pesados existentes no petróleo, para fixação dos preços mínimos dos tipos de petróleo produzidos no Brasil. Esses preços são a base para o cálculo dos royalties e da participação especial, compensações financeiras pagas pelas petroleiras à União, estados e municípios, conforme determinação legal. Criado em 1977 como órgão vinculado ao extinto Conselho Nacional do Petróleo (CNP), o CPT foi incorporado em 1998 à estrutura da ANP.

Fonte: ANP

Pesquisa da USP e UNICAMP transforma a gordura abdominal de frango em elemento para fabricação de alimentos

Dry fractionation of chicken fat in pilot scale

Por meio da tecnologia do fracionamento a seco, a gordura abdominal de frango, um resíduo da indústria avícola com elevado potencial nutricional, poderá ser incorporada na fabricação de diversos outros alimentos, de acordo com estudo feito na Universidade de São Paulo (USP) e na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

A pesquisa, publicada na Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas, destaca que técnica do fracionamento possibilita a extração da oleína – cujo alto rendimento possibilita a aplicação dessa fração como óleo para frituras em produtos panificados e biscoitos – e da estearina sólida, que pode ser utilizada como componente na fabricação de gorduras para aplicação em margarinas, pastelaria, massas folhadas e gorduras para bolos e sorvetes.

A gordura de frango apresenta elevado potencial nutricional em relação a outras gorduras animais, de acordo com Luiz Antonio Gioielli, professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP e autor principal do estudo. Segundo ele, o objetivo foi avaliar o processo de fracionamento a seco da gordura abdominal de frango em escala piloto, utilizando uma técnica que pudesse ser aplicada em condições industriais.

“Apesar de ser uma gordura de origem animal, a gordura de frango é semi-líquida à temperatura ambiente, devido ao alto teor de ácidos graxos insaturados, como os ácidos oléico e linoléico. Seu potencial em termos nutricionais em relação a outras gorduras animais decorre da proporção recomendável de ácidos graxos saturados, monoinsaturados e poliinsaturados”, disse Gioielli.

Segundo o pesquisador, a gordura abdominal de frango é um resíduo da indústria avícola que corresponde a aproximadamente 2,5% do peso da carcaça. O estudo sobre o fracionamento a seco objetivou aumentar as possibilidades de uso do resíduo.

O Brasil é o maior exportador mundial de carne frango. O setor se consolidou como o segundo maior no ranking da exportação do agronegócio brasileiro. Em 2005, o país produziu 9,2 milhões de toneladas de carne de frango, dos quais 6,5 milhões de toneladas foram destinadas ao abastecimento interno. O consumo per capita anual foi de 35,5 quilos e as exportações atingiram 2,8 milhões de toneladas de carne in natura (frangos inteiros e cortes).

Segundo Gioielli, as condições de clima e meio ambiente no país são ideais para a criação de frangos. Além disso, as principais matérias-primas necessárias à alimentação de aves, como milho e soja, são produzidas em solo nacional. O estudo pretendeu também aproveitar ao máximo esse potencial produtivo brasileiro.

Tecnologia natural
Os resultados das análises demonstraram que a gordura de frango é composta por 68,7% de ácidos graxos insaturados. O fracionamento de óleos e gorduras é uma separação física entre frações, sólida e líquida, obtida normalmente por cristalização parcial, em que tanto os ácidos graxos como os triacilgliceróis permanecem inalterados.

O fracionamento a seco consiste na cristalização controlada da gordura fundida, conduzida de acordo com um resfriamento específico. A gordura cristalizada é, então, filtrada, dando origem às frações denominadas estearinas e oleínas.

“O fracionamento pode ser aplicado para eliminar uma fração responsável por propriedades indesejáveis ou para obter uma fração que apresente características convenientes. Diversas gorduras naturais, tanto vegetais como animais, tendem a sofrer separação em frações sólidas e líquidas quando submetidas a certas temperaturas, normalmente próximas à do ambiente. Essas frações podem ser facilmente separadas por filtração, dando origem à oleína e à estearina”, disse o professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP.

Segundo o estudo, trata-se do processo mais simples e barato de cristalização fracionada, conhecido como “tecnologia natural”, ou seja, que não utiliza produtos químicos, não produz efluentes e não tem perdas. Ao contrário de processos como a hidrogenação, a interesterificação e o fracionamento por solvente ou detergente, o fracionamento a seco não utiliza composto químico adicional.

“Tem as vantagens de ser um processo meramente físico e dispensar o uso de solventes orgânicos, o que o torna mais econômico. É usado em escala industrial no Brasil e em outros países, sobretudo para o óleo de palma refinado, que no país recebe o nome de azeite de dendê quando se encontra em sua forma bruta”, disse Gioielli.

Para ler o artigo Fracionamento a seco da gordura de frango em escala piloto, de Luiz Antonio Gioielli e outros, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.

Fonte: Alex Sander Alcântara / Agência Fapesp