sábado, 29 de março de 2008

Pesquisa da UFPE transforma glicerina em gás metano

Para cada litro de biodiesel produzido, 300 mililitros de glicerina são descartados. No lugar de jogado num aterro industrial, no entanto, o resíduo pode virar biogás. Pesquisa da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) identificou microrganismos que se alimentam da glicerina, transformando a substância em gás.

As bactérias são extraídas do esterco bovino. "Não isolamos uma bactéria. Trata-se de um consórcio bacteriano composto por várias espécies de microrganismos", informa a professora Maria de Los Angeles Palha, do Departamento de Engenharia Química da UFPE.

A transformação da glicerina é feita num biodigestor, equipamento onde ocorre a fermentação de biomassa para a obtenção do biogás. A reação química ocorre na ausência do oxigênio. É que as bactérias empregadas no processo são anaeróbias, ou seja, sobrevivem sem a presença do oxigênio.

O gás produzido é o metano, o mesmo liberado pelo gado bovino após a ruminação do capim. O metano pode ser usado como combustível. "É um gás para ser queimado, assim como o gás natural que usamos na cozinha", esclarece Maria Palha.

Para a professora, dominar tecnologias de aproveitamento da glicerina será uma necessidade diante do crescimento do setor de biocombustíveis. "Hoje a glicerina é absorvida pela indústria cosmética como matéria-prima. Mas, quando a produção de biodiesel aumentar, haverá mais glicerina que o mercado possa ser capaz de absorver", adverte. "Daí a importância dessa pesquisa.

O estudo começou em abril de 2007, com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCT). A equipe, integrada por alunos de mestrado, iniciação científica e outros professores do Departamento de Engenharia Química da UFPE, ainda não fechou os dados sobre a relação entre a quantidade de glicerina empregada no processo e a de biogás gerado. "Que o consórcio de bactérias degrada a glicerina, transformando a substância em gás, nós já temos certeza. Só falta analisar o teor de glicerina e de metano envolvidos."

Maria Palha acredita que a glicerina com teor de pureza mais elevado continue sendo destinada a indústria de biocombustíveis à indústria cosmética. Na opinião dela, a substância aproveitada na produção de biogás será a bruta.

Um dos gases do efeito estufa, fenômeno natural de aquecimento da Terra aumentado pela industrialização, o metano tem no gado seu principal emissor. A chamada fermentação entérica das vacas e bois corresponde à emissão anual de gás carbônico (CO²) de 36 milhões de veículos de passeio, segundo a pesquisadora Mercedes Bustamante, do Departamento de Ecologia da Universidade de Brasília (UnB).

Fonte: Agência CT

Sebrae lança edital para apoio financeiro a projetos de difusão de tecnologias sociais

O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) lançou o edital 2/2008 voltado à seleção de propostas para apoio financeiro a projetos de difusão de tecnologias sociais de interesse de micro e pequenos empreendimentos e produtores rurais. Os interessados têm até o dia 30 de maio para enviar as propostas por meio eletrônico e o dia 2 de junho para encaminhar as cópias impressas.

O objetivo da chamada é selecionar projetos de difusão de tecnologias sociais, que contribuam para melhorar as condições de competitividade e sustentabilidade de micro e pequenos empreendimentos e produtores rurais. O edital destina-se a apoiar propostas que se enquadrem nos seguintes temas: utilização de bioenergia; sistemas de produção com aproveitamento sustentável de resíduos; sistemas de cultivos agroecológicos; e aproveitamento sustentável de produtos da floresta.

A chamada irá destinar recursos da ordem de R$ 3 milhões. Os recursos financeiros a serem concedidos serão aplicados na proporção de, no mínimo, 70% nas unidades federativas das regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste e no mínimo 30% nas unidades federativas das regiões Sudeste e Sul. As propostas devem conter solicitação de apoio financeiro de, no máximo, R$ 100 mil, sendo a participação do Sebrae limitada a 70% do valor proposto.

De acordo com a chamada, a entidade proponente poderá ser uma instituição científica ou tecnológica (ICT) pública ou privada sem fins lucrativos, ou uma organização não-governamental (ONG) sem fins lucrativos, legalmente habilitada a conduzir projetos de difusão de tecnologia, com comprovada estrutura e competência.

A íntegra do edital está disponível no endereço.

Outras informações no endereço: http://www.sebrae.com.br

Fonte: Gestão CT

Femact lança edição do Pibic Jr

Fundação Estadual do Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia de Roraima (Femact), instituição associada à ABIPTI, lançou essa semana o edital nº 04/2008 do Programa de Bolsas de Iniciação Científica – Pesquisador Júnior (Pibic-Jr), desenvolvido em parceria com o CNPq. As propostas podem ser remetidas até o dia 18 de abril.

O objetivo do edital é divulgar o programa para alunos do ensino médio e profissionalizante e estimular o desenvolvimento da vocação científica em alunos que, em 2008, estejam cursando o 1º e 2º anos em escolas de ensino médio da rede pública do Estado de Roraima. A expectativa da fundação é financiar cem bolsas.

Serão concedidas bolsas com duração de até 12 meses e cada uma investindo cem reais mensais, que serão pagos trimestralmente. Cada projeto aprovado poderá contemplar até três bolsistas. A Femact espera divulgar os resultados em maio.

A íntegra do edital está disponível no endereço Fundação Estadual do Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia de Roraima (Femact), instituição associada à ABIPTI, lançou essa semana o edital nº 04/2008 do Programa de Bolsas de Iniciação Científica – Pesquisador Júnior (Pibic-Jr), desenvolvido em parceria com o CNPq. As propostas podem ser remetidas até o dia 18 de abril.

O objetivo do edital é divulgar o programa para alunos do ensino médio e profissionalizante e estimular o desenvolvimento da vocação científica em alunos que, em 2008, estejam cursando o 1º e 2º anos em escolas de ensino médio da rede pública do Estado de Roraima. A expectativa da fundação é financiar cem bolsas. Serão concedidas bolsas com duração de até 12 meses e cada uma investindo cem reais mensais, que serão pagos trimestralmente. Cada projeto aprovado poderá contemplar até três bolsistas. A Femact espera divulgar os resultados em maio.

As propostas podem ser remetidas até o dia 18 de abril.

O objetivo do edital é divulgar o programa para alunos do ensino médio e profissionalizante e estimular o desenvolvimento da vocação científica em alunos que, em 2008, estejam cursando o 1º e 2º anos em escolas de ensino médio da rede pública do Estado de Roraima. A expectativa da fundação é financiar cem bolsas. Serão concedidas bolsas com duração de até 12 meses e cada uma investindo cem reais mensais, que serão pagos trimestralmente. Cada projeto aprovado poderá contemplar até três bolsistas. A Femact espera divulgar os resultados em maio.

Veja a íntegra do edital: http://www.femact.rr.gov.br/edital_2008.pdf.


MEC equipará escolas com laboratórios de informática

Até o dia 31 de março, as prefeituras municipais devem selecionar as escolas que irão receber 12 mil laboratórios de informática do Programa Nacional de Informática na Educação (ProInfo) do Ministério da Educação (MEC). Desse total, 9 mil serão entregues em escolas urbanas, com mais de cem alunos, e outros 3 mil laboratórios serão distribuídos em escolas rurais com mais de 50 alunos.

De acordo com o MEC, terão prioridade as escolas públicas de 5ª a 8ª séries que ainda não possuem computadores. A previsão é de que a distribuição dos laboratórios seja iniciada a partir da segunda quinzena de abril.

Os computadores vão dispor de roteador wireless, que oferece sinal sem cabo para acesso à internet. Além disso, os equipamentos contam também com o sistema operacional Linux Educacional, bem como 200 objetos de aprendizagem, 800 vídeos educacionais da programação da TV Escola, mais de 1,8 mil textos de literatura em português, espanhol e inglês, e 50 aplicativos educacionais livres, contemplando as grades de física, química, biologia, matemática, geografia, história e português.

Proinfo
Segundo o MEC, para aderir ao programa e escolher as escolas que serão beneficiadas, é necessário seguir três etapas: enviar termo de adesão, efetuar cadastro e selecionar escolas. As prefeituras devem enviar fotos das escolas e dos laboratórios para serem aprovados. O processo de seleção e adesão ao ProInfo está disponível neste link.

Informações adicionais sobre o Proinfo, no endereço www.proinfo.mec.gov.br.

Fonte: Gestão CT

BNDES cria o Fundo de Estruturação de Projetos - FEP

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) criou um Fundo de Estruturação de Projetos (FEP) que tem como objetivo dar apoio financeiro à realização de estudos técnicos e à elaboração de projetos de infra-estrutura logística, energética, social e urbana. A idéia é promover o desenvolvimento econômico e social do país e a integração da América Latina.

De acordo com informações do banco, a proposta de dotação orçamentária do FEP é de R$ 20 milhões, que serão oriundos da fatia de recursos não-reembolsáveis do BNDES. A verba será utilizada em estudos técnicos para projetos estruturantes de elevado retorno social e que impliquem significativos investimentos públicos ou privados.

O banco aponta como diretrizes para a seleção desses estudos técnicos a diversificação regional dos investimentos no país e o fortalecimento da integração da América Latina, além da viabilização de estruturas financeiras e jurídico-institucionais pioneiras capazes de ampliar o leque de entidades especializadas, entre outras.

Segundo o BNDES, a expansão econômica têm demandado grandes investimentos em infra-estrutura logística, energética e na área social, o que requer um conjunto de estudos técnicos para identificar projetos e quantificar os recursos financeiros necessários.

Informações adicionais, no endereço www.bndes.gov.br e pelo telefone (21) 2172-7294.

Fonte: Gestão CT

Simpósio de Mecânica Computacional amplia prazo para inscrição

As inscrições para o simpósio Aplicações da Mecânica Computacional na Indústria de Petróleo, Gás e Energia foram prorrogadas. Os interessados têm até domingo (30) para inscrever os seus trabalhos. O simpósio integra a programação do 29º Congresso Ibero -Latino-Americano de Métodos Computacionais em Engenharia (Cilamce), que ocorre de 4 a 7 de novembro, em Maceió (AL). O evento reúne pesquisadores, professores e estudantes com o objetivo de promover a disseminação das mais recentes aplicações e desenvolvimentos computacionais na área de engenharia.

A 29ª edição do Cilamce, que também tem em paralelo a realização de outros simpósios e conferências, é organizada pela Associação Brasileira de Mecânica Computacional (Abmec) e pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), com o patrocínio da Petrobras, da Financiadora de Estudos de Projetos (Finep/MCT) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT).

As inscrições para o simpósio devem ser feitas no site do Congresso (veja aqui). Por meio do site, o participante também deve enviar o resumo (com até 300 palavras) do trabalho a ser apresentado. O resumo será publicado no Livro de Resumos do Congresso, que será distribuído no evento. Já o trabalho completo do participante será publicado nos anais do evento.

Também haverá seleção de artigos apresentados no simpósio para publicação no quarto número da revista científica da Rede de Pesquisa Cooperativa em Modelagem Computacional (RPCMod), que apóia o evento. Intitulada International Journal of Modeling and Simulation for the Petroleum Industry, a publicação reúne trabalhos, em inglês, na área de simulação computacional, particularmente relacionados a aplicações na indústria do petróleo e do gás.

Fonte: Agência CT

Vida de agricultoras e histórias de documentos no Sertão Central de Pernambuco

Lives of peasant and worker women and stories of documents in the South Central Sertão of Pernambuco

Uma pesquisa feita na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) destaca como a ausência de documentos afeta a vida de agricultoras no sertão de Pernambuco. O estudo, publicado na Revista Estudos Feministas, acompanha como a exclusão burocrática impede o acesso a direitos básicos. As agricultoras não conseguem, por exemplo, matricular-se em escola, registrar ou até mesmo enterrar o próprio filho.

O objetivo do trabalho, de acordo com a autora, Rosineide Cordeiro, professora do Departamento de Serviço Social do Centro de Ciências Sociais Aplicadas da UFPE, foi analisar dificuldades e estratégias que as mulheres utilizam para cumprir as exigências legais de comprovação do trabalho na agricultura familiar por meio de documentos civis e profissionais.

Segundo ela, por conta das relações hierárquicas de gênero, adversas às mulheres, as agricultoras, camponesas, pescadoras e extrativistas foram mais duramente atingidas pela falta de políticas públicas voltadas para o acesso da população a documentos civis e trabalhistas.

“Os processos de exclusão são multifacetados e neles se entrecruzam vários eixos de diferenciação social. A ausência de documentos civis e trabalhistas não atinge a todos indiscriminadamente. Ela afeta principalmente a população pobre, os miseráveis, os indigentes. E tem um recorte de gênero, idade, raça, etnia e localização geopolítica”, afirmou Rosineide.

A pesquisa, que é parte de tese de doutorado em psicologia social, foi realizada nos municípios de Santa Cruz da Baixa Verde e Triunfo, situados no sertão de Pernambuco, entre 2001 e 2003.

Além das observações etnográficas, a autora considerou trechos de entrevistas realizadas com 14 agricultoras. As entrevistadas têm entre 22 e 59 anos e trabalham em regime de produção familiar, produzindo principalmente feijão, milho e mandioca.

O estudo mostra como a situação das mulheres na zona rural é ainda pior do que nas grandes cidades, onde a ausência de documentos alcança crianças, adolescentes e adultos que moram nas ruas, migrantes e sem-teto, moradores de palafitas, casebres, barracos ou desabrigados que vivem em precárias condições de vida.

“Entretanto, diferentemente da área rural, alguns desses segmentos já adquiriram documentos em algum momento da vida e, por conta de situações de vulnerabilidade social, foram perdidos ou extraviados”, disse a pesquisadora.

Essa condição é mais adversa se comparada aos homens. No Brasil, como o alistamento militar é obrigatório para os homens aos 18 anos, eles adquirem os documentos civis mais cedo. Além disso, na área rural, devido às migrações de uma região para outra, eles possuem mais documentos do que as mulheres.

“As constantes viagens para o Sudeste em busca de trabalho foram um fator determinante para que os homens adquirissem os documentos. Quem fosse para São Paulo ou Rio de Janeiro sabia que, além do título de eleitor e da certidão de reservista, era necessário providenciar as carteiras de identidade e de trabalho”, explicou.

Segundo Rosineide, no Brasil, só a partir de 1997 é que o registro de nascimento civil passou a ser gratuito de forma universal. Isso está relacionado com as prioridades de investimentos e políticas assumidas pelo Estado brasileiro ao longo de sua história.

“Atualmente, acesso à previdência, atendimento em postos de saúde e hospitais, inclusão em programas sociais de transferência de renda, programa de reforma agrária e de apoio à agricultura familiar, batismo e casamento são alguns dos fatores que pressionam as mulheres para que elas providenciem a documentação pessoal”, explicou.

Mais participação
Segundo a professora da UFPE, são comuns histórias de mães que não conseguem enterrar o filho por não terem documentos básicos, como certidão de nascimento. O estudo registrou, por exemplo, o caso de Julieta, uma agricultora que, aos 50 anos, mal assina o nome e não tem um único documento, nem mesmo o batistério.

“Por conta disso, ela não pôde registrar seu filho, que foi registrado em nome de uma irmã dela. Julieta pouco sai de casa, nunca freqüentou escola e só foi ao médico uma vez”, contou Rosineide.

A pesquisadora deparou também com a história de mulheres mais jovens, como Sônia, de 22 anos, que só pôde sair da maternidade com o filho porque a polícia autorizou, uma vez que não tinha documentos. Ela estudou até a 7ª série como “encostada”, ou seja, não era regularmente matriculada. “Sônia tem dois filhos, mas não registrou nenhum porque ela própria não tem documentação. Os filhos são atendidos no centro de saúde sem nenhum cadastro ou inscrição”, disse.

Segundo a pesquisadora, no entanto, esse quadro tem mudado. “As mulheres rurais não aceitaram com passividade essa situação. Organizadas no Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Sertão Central de Pernambuco, elas passaram a se posicionar como trabalhadoras rurais e a exigir a participação nas decisões que afetam as suas vidas”, disse.

Para ler o artigo Vida de agricultoras e histórias de documentos no Sertão Central de Pernambuco, de Rosineide Cordeiro, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.

Fonte: Alex Sander Alcântara /Agência Fapesp

2º Congresso Internacional de Biodinâmica da Unesp

O 2º Congresso Internacional de Biodinâmica da Universidade Estadual Paulista (Unesp) será realizado de 1º a 3 de maio no campus de Rio Claro.

Com ênfase nas áreas temáticas de biomecânica, fisiologia do exercício e treinamento desportivo, o encontro é promovido pelo Laboratório de Avaliação da Performance Humana e pelo Laboratório de Biomecânica do Departamento de Educação Física do Instituto de Biociências.

Critical power concept: theory and practical implications” será o tema da conferência a ser apresentada por Jeanne Dekerle, da Universidade de Brighton, no Reino Unido.

Neuromecânica do movimento humano” e “Physiological and biomechanical aspects of human movement” serão os temas das mesas-redondas.

Mais informações: www.rc.unesp.br/cibiodin2008 pelo e-mail ou (19) 3526-4320.

Fonte: Agência Fapesp

SECT-ES tem novo subsecretário de C&T

A Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (Sect) tem um novo subsecretário. O farmacêutico Luiz Carlos Cicciliotti da Cunha, que assumiu o lugar de Cleber Bueno Guerra, é especialista na área de bioquímica e pós-graduado em auditoria em saúde. Ele também é formado em química.

Cicciliotti já foi subsecretário de Estado da Saúde e atuou como coordenador da Fundação Nacional de Saúde do Espírito Santo (Funasa) no período de 2003 a janeiro de 2008.

Segundo informações da Sect, sua meta na Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia é criar parcerias com as prefeituras municipais para expandir o desenvolvimento científico e tecnológico do Espírito Santo.

Informações sobre a Sect/ES, no endereço www.sect.es.gov.br ou pelo telefone (27) 3380-3780.

Fonte: Gestão CT

Pesquisa mostra como funciona o mercado de trabalho para jovens em cinco comunidades carentes do Rio de Janeiro

Uma pesquisa mostra como funciona o mercado de trabalho para jovens em cinco comunidades carentes do Rio de Janeiro. O projeto recebeu R$ 675 mil da Financiadora de Estudos e Pesquisas (Finep/MCT) e foi realizado nas comunidades da Rocinha, Queimados, Vila Aliança, Alemão e Caju.

De acordo com os dados reunidos pelos pesquisadores, em 2005, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, 41% dos jovens entre 15 e 24 anos estavam empregados. O fato negativo é que apenas 14% conseguiam conciliar estudo e trabalho. Proprietários de 590 estabelecimentos comerciais responderam os questionários. Nessas empresas trabalham 272 jovens entre 15 e 24 anos, cerca de 46% do total de empregados formais e informais.

Dados preliminares da pesquisa indicam que as funções que mais absorvem jovens são as chamadas ocupações não manuais de rotina, como vendedores, demonstradores, caixas e auxiliares de escritório. As ocupações técnicas e artísticas, principalmente, o serviço militar, também absorvem uma parcela significativa.

Os resultados finais na pesquisa, realizada pelo Centro Internacional de Estudos e Pesquisas sobre a Infância (Ciespi) serão divulgados em agosto, durante um seminário na PUC do Rio. O estudo faz parte do Programa Conhecimento e Práticas Inovadoras de Geração de Trabalho e Renda para Jovens em Comunidades de Baixa Renda.

Os pesquisadores comunitários são moradores selecionados e treinados pelos profissionais do Ciespi para coletar dados dentro das comunidades. De prancheta em punho, percorrem as principais ruas das favelas entrevistando os donos de estabelecimentos comerciais. O objetivo é identificar nas regiões carentes as áreas dos setores formal e informal que mais absorvem jovens entre 15 a 24 anos. "O trabalho foi mais difícil do que podíamos imaginar. Muitas vezes, nem comerciantes que eram nossos amigos de infância aceitavam participar", afirmam os pesquisadores Emerson Santos e Hudson Santos.

Fonte: Agência CT

Moro na Tiradentes

Viver na Cidade Tiradentes é uma experiência compartilhada por mais de 200 mil pessoas. Muitas delas são discriminadas por morar no bairro do extremo leste de São Paulo, a mais de 30 quilômetros do centro da cidade e que abriga o maior complexo de conjuntos habitacionais do continente.

Esse estigma é o tema do documentário Moro na Tiradentes, dirigido por Henri Gervaiseau e Cláudia Mesquita, que estréia neste sábado (29/3) no festival É Tudo Verdade, na capital paulista.

O filme, que teve base em pesquisas em antropologia urbana, é uma produção do setor de Audiovisual do Centro de Estudos da Metrópole (CEM), coordenado por Gervaiseau. Ligado ao Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), o CEM é um dos 11 Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) da FAPESP.

De acordo com Gervaiseau, a temática da sociabilidade é o principal ponto de contato do documentário com as pesquisas realizadas no CEM. “Uma das frentes de pesquisa do centro, ligada a temáticas da sociabilidade e da pobreza, realizava um trabalho na Cidade Tiradentes. Achamos que a questão da moradia seria um bom ângulo para abordar o bairro pela via audiovisual”.

O diretor afirma que o documentário é o primeiro de uma trilogia que pretende explorar as várias formas de morar em Cidade Tiradentes. “Este filme fala da experiência de morar em conjuntos habitacionais. O segundo, cuja produção está em andamento, tratará da experiência do mutirão. O terceiro, em fase de pesquisa, vai abordar a moradia na favela e locais invadidos”, disse.

Segundo ele, embora se baseie em estudos de antropologia urbana, a produção não pretende ser mera ilustração das pesquisas. “A idéia era construir um novo discurso, buscando novos ângulos de percepção que não foram revelados pelos indicadores sociais ou pela abordagem conceitual da pesquisa”, explicou o também professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP).

A partir dessa idéia, os diretores iniciaram uma pesquisa, que durou um ano e meio, sobre situações e personagens nos conjuntos habitacionais. “O filme foi centrado nos personagens. Tentamos mostrar ao mesmo tempo uma experiência social do bairro e a intimidade dessas pessoas no contexto urbano”, disse.

A maioria dos personagens mora em apartamentos, sempre em espaços muito pequenos. “Conseguimos um conjunto de narrativas que conta um pouco a história da moradia na Cidade Tiradentes. O nome do documentário remete ao estigma que decorre do fato de essas pessoas morarem na periferia”, afirmou Gervaiseau.

Pobrezas distintas
Gervaiseau conta que, embora seja um dos bairros com maior número de desempregados no município, Cidade Tiradentes não é particularmente violento. O bairro tem características que são apenas dele.

“Essa particularidade é coerente com um elemento que já aparecia nas pesquisas do CEM: ao contrário do que se diz, as pobrezas são diferentes. Ser pobre em um conjunto habitacional em Cidade Tiradentes não é o mesmo que ser pobre na favela em Paraisópolis”, afirmou.

Além do interesse de acumular conhecimento sobre a sociabilidade urbana, segundo Gervaiseau, tanto o filme como as pesquisas têm o interesse de servir como instrumento de luta contra a pobreza.

“As pessoas têm uma vida difícil no bairro, que é muito carente de equipamentos coletivos e oportunidades de trabalho e lazer. Os moradores precisam se deslocar para lugares distantes em busca de emprego. Ao mesmo tempo, sem querer cair em generalidades, vemos ali que o povo brasileiro é sofrido e sabe resistir às adversidades”, apontou.

Gervaiseau dirigiu, entre outros, o documentário de longa-metragem Em Trânsito, sobre as dificuldades para se deslocar nas grandes cidades. Cláudia Mesquita, doutora em cinema pela ECA-USP, é professora da Universidade Federal de Santa Catarina.

Segundo Gervaiseau, além de Cidade Tiradentes, o CEM desenvolve pesquisa sobre temáticas semelhantes em áreas como o centro de São Paulo e a favela de Paraisópolis. Uma delas gerou o documentário 5 Mulheres de Paraisópolis, de 2005, também dirigido por Cláudia.

Moro na Tiradentes será exibido no festival É Tudo Verdade, na Reserva Cultural, em São Paulo, no sábado (29/3) às 20h e no domingo (30/3) às 14h.

No Rio de Janeiro, o filme será exibido na terça-feira (1/4) no Cine Glória, às 18h, e no Cine Guadalupe, às 17h. O Cine Guadalupe terá mais uma sessão na quarta-feira (2/4), às 19h. A última exibição será no Instituto Moreira Salles, na quinta-feira (3/4), às 18h.

Fonte: Fábio de Castro /Agência Fapesp