quarta-feira, 26 de março de 2008

A transição da estrutura etária da população brasileira na primeira metade do século XXI

The changing age distribution of the Brazilian population in the first half of the 21st century

Na primeira metade do século 21, enquanto a população idosa aumentará a taxas altas, entre 2% e 4% ao ano, a população jovem tenderá a decrescer. As pessoas com mais de 65 anos de idade, que eram 3% em 1970, corresponderão, em 2050, a cerca de 19% da população brasileira.

A transição etária da população deverá gerar oportunidades e desafios que, se não forem enfrentados com a implantação, por exemplo, de políticas públicas focadas nesse novo padrão demográfico, poderão ocasionar problemas para o país nas próximas décadas.

Os números e conclusões são de um estudo feito no Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e publicado nos Cadernos de Saúde Pública, que analisa a provável trajetória da estrutura etária dos brasileiros, dando ênfase especial ao rápido envelhecimento populacional.

O trabalho teve como base estimativas da Divisão de População da Organização das Nações Unidas (ONU) e de pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As projeções foram obtidas a partir da variação do tamanho da população e de sua distribuição por idade, considerando três componentes demográficos: fecundidade, mortalidade e migração.

Os autores sugerem que, com o ritmo diferenciado do crescimento da população nos diversos grupos etários, o Brasil estaria, em termos demográficos, frente a uma “janela de oportunidades”.

“A menor proporção de crianças e jovens até 2050 possibilitaria, teoricamente, um maior retorno dos investimentos públicos e privados em áreas como educação”, disse o coordenador do estudo, José Alberto Magno de Carvalho, professor da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG.

“Até o fim da década de 1960, a população em idade escolar cresceu em torno de 3% ao ano. Hoje, essa geração de jovens praticamente não aumenta e chega até a ser marcada por anos de decréscimo, devido ao forte declínio das taxas de fecundidade no Brasil desde então”, explicou.

Segundo Carvalho, do ponto de vista educacional os dados mostram que, até a década de 1960, era necessário aumentar, no mínimo, em 3% os investimentos em educação para manter a mesma cobertura de ensino do ano anterior, acompanhando as taxas de crescimento anual da população em idade escolar.

Reformas futuras
“Como hoje essa geração está estagnada, trata-se de uma grande oportunidade para a criação de novas políticas educacionais, sobretudo nos níveis de ensino fundamental e médio, voltadas a essa população jovem que é cada vez menor em números absolutos”, analisou o professor.

A população idosa também deverá sofrer profundas mudanças em sua distribuição etária: enquanto 17% dos idosos, de ambos os sexos, tinham 80 anos ou mais em 2000, em 2050 eles deverão corresponder a aproximadamente 28%.

“Se temos oportunidades de um lado, de outro, para aproveitá-las, teremos grandes desafios. O aumento da proporção da população idosa, causado principalmente pelo declínio nas taxas de fecundidade, também demandará, no curto e médio prazos, reformas institucionais nas áreas de saúde e previdência”, explicou.

Para comparação, enquanto a prevalência de crianças brasileiras com até 9 anos de idade foi reduzida, entre 1970 e 2000, de 14% para 9%, os grupos mais velhos aumentaram sua participação: a população com mais de 65 anos aumentou de 3% para 5,5% no período.

“A importância do maior investimento, na primeira metade do século 21, em educação entre as crianças e jovens se justifica pelo fato de essa nova geração ser a força de trabalho que suportará, no futuro, a maior dependência dos idosos”, concluiu.

Para ler o artigo A transição da estrutura etária da população brasileira na primeira metade do século XXI, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui

Fonte: Thiago Romero /Agência Fapesp

Pesquisadores da USP descobrem que Plasmodium falciparum tem receptores serpentina

Genome-wide detection of serpentine receptor-like proteins in malaria parasites

Ao estudar o genoma do Plasmodium falciparum, o parasita causador da malária, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) descobriram que o protozoário tem quatro receptores serpentina e, por conta disso, é capaz de identificar sinais do meio exterior.

Fundamentais para o ciclo de vida do parasita, esses receptores são um alvo privilegiado para a produção de novos fármacos. O estudo, resultado de um Projeto Temático apoiado pela FAPESP, foi publicado na edição desta quarta-feira (26/3) da revista de acesso aberto PLoS One.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a malária infecta de 300 milhões a 500 milhões e mata pelo menos 1 milhão de pessoas todos os anos, principalmente em países pobres. Até hoje, não existe vacina para a doença.

Segundo Célia Garcia, autora principal do estudo e professora do Departamento de Fisiologia do Instituto de Biociências (IB) da USP, uma série de questões em aberto sobre a biologia do parasita impede o desenvolvimento de uma vacina.

“Uma das questões fundamentais – não apenas para esse parasita, mas para qualquer outro organismo – é saber de que forma ele identifica um sinal do meio exterior, como a presença de um hospedeiro, por exemplo. Entender como o Plasmodium utiliza essa capacidade em seu benefício pode ser a chave para criar novos antimaláricos”, disse.

Segundo a cientista, o parasita pode, por exemplo, utilizar o sinal da presença do hospedeiro para modular seu ciclo de vida. “Se formos capazes de controlar no parasita os mecanismos moleculares de transdução de sinal – o processo pelo qual as células se comunicam com o meio – poderemos compreender como ele obtém tanto sucesso, causando tantas mortes”, explicou.

Os receptores serpentina são amplamente empregados na indústria para identificar novos fármacos. “Isso porque, ao conhecer o ligante, podemos impedir que o parasita faça essa interação com o meio, que é vital para ele”, disse Célia.

Em todos os organismos, os receptores serpentina são moléculas capazes de identificar ligantes extracelulares. No entanto, a presença deles no genoma do parasita ainda não havia sido confirmada.

“Havia uma polêmica em torno da presença do receptor serpentina no protozoário. A literatura internacional incluía dois artigos absolutamente conflitantes: um negava a existência do receptor no parasita, enquanto o outro identificava 46 candidatos. Nosso trabalho consistiu em analisar o genoma e comprovar a presença do receptor”, destacou.

Apenas dois dos 46 candidatos a receptores serpentina mencionados na literatura, no entanto, correspondia às quatro proteínas identificadas pelos pesquisadores da USP: PfSR1, PfSR10, PfSR12 e PfSR25.

“Nosso desafio foi decifrar o genoma funcional do Plasmodium. Como não havia homologia, em vez de procurar o gene usamos outra ferramenta: procuramos por proteínas com o padrão de sete domínios transmembrânicos, que é uma assinatura da presença do receptor serpentina”, disse.

Desarmar o parasita
Segundo a professora do IB-USP, o artigo coroa um trabalho feito no laboratório há mais de dez anos, cujo objetivo era provar que o parasita é capaz de perceber o ambiente.

“Tínhamos diversas publicações sugerindo que o parasita possuía uma maquinaria complexa para a transdução de sinal – achávamos que o Plasmodium era capaz de regular a passagem de um estágio celular para o seguinte, utilizando um segundo mensageiro. Nosso estudo mostra que essa maquinaria de fato existe e é muito sofisticada”, afirmou.

Além de abrir perspectivas para a produção de novos fármacos, o trabalho, de acordo com Célia, também representa um desafio técnico. “Agora, temos muito trabalho pela frente: precisamos identificar os ligantes para esses receptores. Com isso, aprenderemos a desmontar a principal arma do parasita, que é ter um receptor para sentir o ambiente”, disse.

O desafio é o tema de um novo Projeto Temático, coordenado por Célia e que prosseguirá até o fim de 2011.

O artigo Genome-wide detection of serpentine receptor-like proteins in malaria parasites , de Célia Garcia e outros, pode ser lido em http://www.plosone.org/ .

Fonte: Fábio de Castro /Agência Fapesp

CNEN - Comissão Nacional de Energia Nuclear concederá bolsas de estudo de mestrado e doutorado

A Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) concederá bolsas de estudos para mestrado e doutorado. As bolsas têm vigência a partir deste ano e são destinadas a alunos selecionados por programas de pós-graduação no país, reconhecidos pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Segundo a Cnen, os interessados devem encaminhar documentação descrita no edital, por meio de Sedex, até o dia 3 de abril, para a Secretaria de Formação Especializada da Comissão Nacional de Energia Nuclear ou Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear.

Serão avaliadas a aderência do projeto às áreas de interesse da Cnen, a relevância da pesquisa, objetivos, justificativas, fundamentação, metodologia e viabilidade.

Também serão considerados para concessão de bolsa a competência e experiência em pesquisa e desenvolvimento do orientador do projeto apresentado, o currículo e o potencial do candidato, assim como o histórico escolar e outros elementos relevantes.

O edital prevê 11 áreas de interesse, entre as quais estão: análise e avaliação de segurança de instalações nucleares e radioativas; aplicações e efeitos das radiações ionizantes na saúde, meio ambiente, indústria, agricultura e alimentos; ciclo do combustível nuclear.

Mais informações no edital: www.cnen.gov.br/ensino/Edital-bolsas.asp

Fonte: Agência Fapesp

South American Emissions, Megacities and Climate – Saemc 2008

O segundo encontro do programa South American Emissions, Megacities and Climate – Saemc 2008 será realizado de 2 a 4 de abril no Itamambuca Eco Resort, em Ubatuba (SP).

O evento é organizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), com apoio da Associação dos Pesquisadores do Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (APLBA) e do Instituto Interamericano de Pesquisas sobre Mudanças Globais (IAI).

O Saemc constitui uma rede sul-americana de instituições científicas com foco em mudanças na composição química da atmosfera regional e seus impactos no tempo, clima e qualidade do ar na América do Sul.

O projeto busca quantificar e estabelecer inventários de emissões de gases e aerossóis de origem antrópicas de grandes cidades e de queima de biomassa (para desmatamento e mudanças do uso da terra) na América do Sul.

Com base nesses inventários, modelos atmosféricos regionais com química da atmosfera e aerossóis serão utilizados para estudos de poluição do ar e de mudanças climáticas induzidas pelas emissões.


About the Project
The purpose of SAEMC (South American Emissions, Megacities and Climate) is to provide accurate regional emissions and climate change scenarios for South America and to establish the basis for operational chemical weather forecast for South American megacities.

There are four axes of work: a) mobile and stationary emission scenario estimates and their evaluation; b) dynamical down-scaling of climate change scenarios; c) pilot implementation of chemical weather forecast network and tools for South American megacities; d) Prospective characterization of aerosols in and downwind from South American megacities. These areas complement each other, and will establish a key component for Earth System Modeling in the Americas.

The expected results are: (i) to provide accurate regional emissions and climate change scenarios for South America, with emphasis on the impacts of and on megacities, (ii) to estimate and evaluate methodologies, (iii) improved local, regional and global scale emission inventories will be produced for South America, (iv) to establish and enhance research network, particularly in terms of educated human resources, (v) to be able to better contribute to and lead global change research in the Americas within the framework of Earth System Modeling.

Mais informações / More informations: http://www6.cptec.inpe.br/saemc

Fonte: Agência Fapesp / INPE

2º Encontro Técnico sobre Leguminosas Forrageiras – Desafios e Perspectivas

O 2º Encontro Técnico sobre Leguminosas Forrageiras – Desafios e Perspectivas será realizado nos dias 24 e 25 de abril, a partir das 8 horas, no Instituto de Zootecnia da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, em Nova Odessa (SP).

O encontro visa a capacitar profissionais, pecuaristas e outros interessados no potencial de uso de leguminosas, abordando soluções e caminhos para o registro e certificação de novos cultivares.

Especialistas irão abordar temas como “Sustentabilidade de pastagens consorciadas com ênfase em leguminosas”, “Registro e certificação de novos cultivares”, “Produção animal das pastagens exclusivas versus pastagens consorciadas”, “Integração lavoura-pecuária” e “Avanços no melhoramento genético de leguminosas forrageiras”.

Mais informações: www.iz.sp.gov.br

Fonte: Agência Fapesp