terça-feira, 25 de março de 2008

Vacina contra poliomielite: um novo paradigma

Polio vaccines: a new paradigma

Até o fim do século 20, a vacinação oral era vista como a principal arma para erradicar a poliomielite em todo mundo. Mas especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) já discutem a necessidade de substituir a vacina oral pela vacina de vírus inativado.

A razão é que o risco de desenvolver paralisia por vírus derivados da própria vacina seria, atualmente, maior do que o risco de contrair a doença pelo vírus selvagem.

Um estudo realizado no Brasil fez uma avaliação dessa tendência do cenário internacional e apontou a necessidade de se introduzir, no calendário brasileiro, a vacina com vírus inativado para combater a poliomielite. O trabalho foi publicado na Revista Paulista de Pediatria.

De acordo com a autora do estudo Lucia Ferro Bricks, professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), o objetivo da pesquisa era fazer uma análise crítica das estratégias propostas pela OMS para controle global da poliomielite, bem como discutir riscos e benefícios de mudar a estratégia de vacinação adotada no Brasil.

“A vacina oral, que tantos benefícios trouxe à humanidade, hoje é responsável por casos de paralisia, incluindo o poliovírus tipo 2, que não circula mais no mundo. A identificação dos casos de paralisia associados aos vírus circulantes derivados da vacina oral na República Dominicana, Haiti, Egito, Iêmen e em outros países é, hoje, grande motivo de preocupação da OMS”.

Ela explica que o Brasil não tem casos de paralisia pelo vírus selvagem há quase uma década, graças à vacina oral e às campanhas de vacinação. Ao mesmo tempo, os casos de paralisia por vírus derivados dos poliovírus vacinais são raros, principalmente em populações com elevadas coberturas vacinais. Mesmo assim, os pesquisadores consideram que eles dificultam a erradicação da doença.

“Está claro que os vírus vacinais podem readquirir propriedades de neurovirulência, circular e causar epidemias, dificultando a erradicação da pólio. É essencial adotar rapidamente novas estratégias de vacinação, que deverão incluir a introdução da vacina de vírus inativado no país. Enquanto não for possível modificar a atual estratégia de vacinação, é preciso manter altas coberturas vacinais com a do tipo oral”, afirmou a pesquisadora.

Risco de paralisia
As principais estratégias da OMS para erradicação global da pólio têm como base o uso da vacina trivalente oral contra a poliomielite, que contém os poliovírus do tipo 1, 2 e 3. A escolha dessa vacina se deve à facilidade de administração, ao baixo custo e à maior imunidade de mucosas, em comparação com a vacina de vírus inativados. Em contrapartida, há necessidade de um grande número de doses para que ocorra proteção contra os três tipos de poliovírus.

Além disso, existe o risco de causar paralisia, tanto pelos vírus vacinais como por vírus que sofrem mutação. Esses continuam a circular e têm causado paralisia em comunidades com baixas coberturas vacinais, risco de excreção viral prolongada – quando a vacina é administrada inadvertidamente a imunodeficientes – e apresentam baixa termoestabilidade.

“Antes de se descobrir o problema associado aos vírus circulantes derivados da vacina oral, a excreção intestinal prolongada dos vírus vacinais era considerada como ‘vantagem’ da vacina oral. Hoje, ela é vista com grande preocupação, pois pode haver contaminação de pessoas não vacinadas, incluindo imunocomprometidos”, disse Lucia.

Segundo a professora da FMUSP, os avanços da medicina aumentaram a expectativa de vida dos imunocomprometidos – pacientes que sofrem de doenças graves como leucemia e Aids, ou os que foram submetidos a tratamentos com corticóides e radioterapia, por exemplo. Vivendo mais, eles estão mais expostos aos vírus vacinais.

A principal vantagem da vacina inativada, segundo Lucia, é a segurança, uma vez que não causa paralisia e apresenta maior imunogenicidade, ou seja, proteção contra os três poliovírus. Por outro lado tem um custo maior e sua comercialização em larga escala é dificultada pela técnica de aplicação intramuscular. De acordo com a autora, essa dificuldade pode ser superada.

“Atualmente, é possível o uso de vacinas combinadas. Em uma só injeção, pode-se administrar a vacina inativada combinada com outras vacinas administradas por via intramuscular, na mesma época em que a vacina contra pólio, como DPT (células inteiras ou acelular), Haemophilus influenzae do tipo b e hepatite B”, afirmou.

A vacina de vírus inativado ainda tem disponibilidade restrita. É produzida por poucos países industrializados (França, Canadá, Bélgica, Dinamarca e Holanda), a partir da inativação de grandes quantidades de vírus selvagens. Em relação aos países em desenvolvimento, segundo Lucia, existem restrições para produzi-la uma vez que os laboratórios precisam desenvolver técnicas avançadas de segurança para conter os vírus selvagens e evitar a ocorrência de acidentes.

Para ler o artigo Vacina contra poliomielite: um novo paradigma, de Lucia Ferro Bricks, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.

Fonte: Agência Fapesp

Capes abre inscrições para o Programa Capes/Fulbright e Math Amsud

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) está com as inscrições abertas para dois novos editais. O primeiro é o Programa Capes/Fulbright, cujas inscrições estão abertas até o dia 12 de maio. Nele são oferecidas bolsas de doutorado pleno nos Estados Unidos, como forma de complementar os esforços despendidos pelos programas de pós-graduação no Brasil, buscando a formação de docentes e pesquisadores de alto nível.

De acordo com a Capes, esta bolsa destina-se a candidatos de comprovado desempenho acadêmico, com projetos que não possam ser realizados total ou parcialmente no Brasil e que se dirijam a instituições norte-americanas de excelência.

Para esta chamada poderão se candidatar cidadãos brasileiros, com diploma de nível superior, que não estejam matriculados em programa de doutorado no Brasil e nem tenham recebido bolsa de estudos do governo brasileiro para a realização do doutorado.

A concessão da bolsa é, inicialmente, de 12 meses, podendo ser renovada desde que o bolsista tenha desempenho satisfatório e de modo que a duração total não ultrapasse 48 meses.

A inscrição no Programa Capes/Fulbright é feita mediante o preenchimento de formulários, envio de documentos, cartas de referência e resultados de testes para cada uma das agências.

A íntegra do edital está disponível no endereço:
http://www.capes.gov.br/editais/abertos/doutorado.html .


Math Amsud
A Capes também abriu as inscrições, até o dia 15 de maio, para o Programa de Cooperação em Pesquisa-desenvolvimento em matemática entre a França e a América do Sul. O programa é uma iniciativa da cooperação francesa e brasileira, e dos representantes da Argentina, do Chile, do Peru e do Uruguai, com o intuito de incentivar e reforçar a colaboração e a formação de redes em pesquisa e desenvolvimento em matemática, por meio da apresentação de projetos comuns.

De acordo com a chamada, o objetivo do programa é desenvolver a colaboração em matemática por meio de intercâmbios de pesquisadores e de informação entre os países da América do Sul envolvidos e a França, além de apoiar os projetos de pesquisa fundamental e aplicada com um componente regional entre a França e pelo menos dois países sul-americanos associados ao projeto.

Podem se candidatar todas as unidades e todos os laboratórios de pesquisa, públicos ou privados, ligados aos estabelecimentos de ensino superior, aos organismos de pesquisa ou às empresas. Ainda segundo o edital, a proposta deverá associar pelo menos um grupo de pesquisa francês e no mínimo dois grupos de pesquisa de países sul-americanos participantes do programa.

A Capes apoiará o intercâmbio de professores e pesquisadores do lado brasileiro, sendo, no máximo, duas missões de trabalho anuais de até 30 dias cada, por proposta selecionada.

A íntegra do edital está disponível no endereço:
http://www.capes.gov.br/editais/abertos/math_amsud.html

Fonte: Gestão CT

Conferência Internacional CIB – Macrotendências na Construção 2008

No próximo dia 2, a cidade de São Paulo (SP) vai sediar a “Conferência Internacional CIB – Macrotendências na Construção 2008”. O encontro tem o objetivo de debater as conseqüências, mudanças e tendências que a expansão mundial da construção civil trará para os diversos agentes sociais e ambientais.

O evento é realizado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e pelo Conselho Internacional da Construção (CIB, em inglês). Para apresentar o tema, a conferência reunirá especialistas de diversas entidades internacionais que se envolvem com segmentos relacionados à construção civil. Alguns dos assuntos apresentados serão: o desenvolvimento da construção civil na Europa, Ásia, África e nos Estados Unidos, o programa Edifício com Zero Energia, o Projeto Europeu de Edifícios Projetados por Desempenhos e as macrotendências da construção. Ao final, todos os palestrantes se reunirão para um debate acerca do tema central.

O encontro acontece no Hotel Unique e é direcionado a gestores de empresas e de órgãos públicos e a lideranças do setor imobiliário. Não há data limite para se inscrever, mas serão oferecidas apenas 120 vagas.

As inscrições podem ser feitas no site do evento.

Para mais informações e inscrições acesse o endereço:
http://macro08.pcc.usp.br/confe/confe.html.

Fonte: Gestão CT

Instituto Butantan: orçamento de R$ 130 milhões para P&D em saúde

O Instituto Butantan é um centro de pesquisa, desenvolvimento e fabricação de produtos necessários à saúde pública no País. Ligado à Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo, é um dos cinco centros produtores de vacina do mundo; e o maior fornecedor para o mercado interno.


A vocação para o atendimento ao sistema público de saúde vem da origem do instituto. O Butantan surgiu em 1889 como um laboratório do Instituto Bacteriológico, hoje Instituto Adolpho Lutz, com a missão de produzir o soro antipestoso. O então laboratório foi criado pelo poder público para debelar um surto de peste bubônica que se propagava no porto de Santos. Em 1901, obteve o reconhecimento como instituição autônoma. Hoje, é responsável pela produção de 80% das vacinas distribuídas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e 65% dos soros antiofídicos, usados para o tratamento em caso de picada de animais peçonhentos.

Seu orçamento já está na casa dos R$ 130 milhões. A maior parte da receita — R$ 100 milhões — vem das compras do governo federal, que estabelece contratos com a Fundação Butantan para aquisição dos medicamentos para o SUS. A fundação, entidade privada sem fins lucrativos criada em 1989, deu agilidade à realização de contratos do instituto e permite que os recursos oriundos desses convênios fiquem no caixa da instituição. Os administradores conseguem, assim, aplicar o dinheiro que o Butantan gera diretamente no instituto.

Às vésperas da assinatura do convênio com o governo do Estado para a construção de uma fábrica de hemoderivados, esperado para abril, o instituto, em pouco tempo, deverá produzir também albumina, imunoglobulinas e fatores de coagulação, entre outros produtos originados do processamento industrial do plasma sangüíneo. Os hemoderivados são utilizados, isoladamente ou por meio de transfusão de sangue, no tratamento de doenças como hemofilia, câncer e aids. A fábrica paulista será voltada para o atendimento da região Centro-Sul do País. O Brasil importa hemoderivados. Pelos cálculos da Hemobrás, empresa brasileira responsável pela produção de hemoderivados para atendimento do SUS, o custo dessa importação estava em aproximadamente US$ 450 milhões em 2007.

Na lista de produtos inovadores do Butantan prontos para chegar ao mercado, estão a chamada vacina de maternidade, para recém-nascidos, que reúne em uma dose a vacina BCG e a de prevenção à hepatite B, a vacina anti-rábica de uso humano, e um biofármaco usado para tratamento de doenças respiratórias. Nas bancadas dos seus laboratórios, estão em desenvolvimento vacinas contra a temida gripe aviária, a dengue, o rotavírus e a leishmaniose canina.

Na semana de 5 de março, quando concedeu entrevista a Inovação, o diretor do Butantan, Otávio Azevedo Mercadante, comemorava a liberação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) da vacina anti-rábica humana desenvolvida pelo Butantan e a ser produzida pela instituição. A outra boa notícia foi a liberação de R$ 32 milhões do Fundo Tecnológico (Funtec) do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a Fundação Butantan, recurso não reembolsável do programa do banco estatal destinado ao apoio ao desenvolvimento tecnológico em áreas estratégicas em empresas e institutos de pesquisa. O dinheiro será empregado na conclusão do desenvolvimento das vacinas contra dengue, rotavírus e leishmaniose canina.

Mercadante está há quase cinco anos à frente do Butantan; e comanda um instituto composta por 14 laboratórios, mais o Hospital Vital Brasil, que formam a Divisão de Desenvolvimento Científico do Butantan. Também fazem parte do instituto o Centro de Biotecnologia, integrante da Divisão de Desenvolvimento Tecnológico e Produção; a Seção de Processamento de Plasmas Hiperimunes; o Serviço de Bacteriologia, que cuida das vacinas; o Serviço de Virologia, que trata das doenças raiva e hepatite; o Laboratório de Biofármacos em Células Animais; a Divisão de Desenvolvimento Cultural, que cuida dos quatro museus abrigados no campus do instituto em São Paulo; a Divisão Biotério Central, responsável pelas cobaias e instalações para as pesquisas com animais; e o Centro de Toxinologia Aplicada (CAT).

O diretor formou-se em medicina na Universidade de São Paulo (USP), em 1964; também concluiu na USP seu mestrado em saúde pública. De 1968 a 1998, foi professor na área de medicina social na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Durante o período em que José Serra foi ministro da Saúde (1998-2002), o diretor do Instituto Butantan ocupou o cargo de chefe-de-gabinete no ministério. Com a saída de Serra da pasta para a disputa da eleição presidencial de 2002, passou a secretário-executivo, durante a gestão de Barjas Negri (fevereiro de 2002 a janeiro de 2003).

Na entrevista, Mercadante contou as peculiaridades do instituto, que tem os papéis de pesquisar, desenvolver, inovar e produzir, e que estuda agora como se adequar à Lei de Inovação e também como entrar em outro nicho, o de formar recursos humanos, com cursos próprios de pós-graduação, além de reforçar a prestação de serviços para as empresas.

Qual é o orçamento anual do Butantan?
Está em R$ 24 milhões, incluindo pessoal, dinheiro que dá a base para o funcionamento do instituto e que vem do Estado. O faturamento da fundação é de R$ 100 milhões. Temos um financiamento importante da Fapesp, em torno de R$ 5 milhões, que possibilita o funcionamento do Centro de Toxinologia Aplicada; e um da Finep, de R$ 1,5 milhão. E há outras fontes, como as que financiam projetos para bolsistas, como CNPq, Capes e o recente apoio do BNDES, não reembolsável. A fundação gasta no máximo 20% com pessoal e não busca empréstimos. É sua estratégia.

Quais são os produtos que devem sair do Butantan proximamente?
Temos a vacina de maternidade, para recém-nascidos, que associa BGC com hepatite B. O produto está em testes clínicos e estamos aguardando o registro [na Anvisa]. Está pronta, estamos produzindo [para os testes]. A vacina anti-rábica de uso humano foi liberada no começo de março pela agência. Devemos entregar 1,65 milhão de doses de vacina anti-rábica humana nos próximos 12 meses para o Ministério da Saúde. Também está para entrar na linha de produção um surfactante pulmonar para tratamento de síndrome respiratória em bebês prematuros. Estamos aguardando o posicionamento da Anvisa, pois já está testado. Esses são os produtos a ser fabricados no instituto. Temos também a vacina em desenvolvimento contra a gripe aviária. Esta depende de testes, para saber que vírus é. Temos as vacinas contra a dengue e o rotavírus, na etapa de ensaio clínico. Temos o domínio tecnológico dessas duas vacinas porque é a mesma metodologia da vacina contra a raiva. Estamos em produção-piloto para o ensaio clínico, mas precisaremos construir duas fábricas pequenas. Já temos um investimento do Ministério da Saúde previsto para essas fábricas. Temos ainda a vacina contra a leishmaniose, em uma etapa anterior em relação aos demais produtos. A produção dessa vacina para uso em cães deve ser associada à vacina anti-rábica canina. Não vamos produzir essa vacina. Ela não será um produto para clínicas particulares, pet-shops. Está ligada ao programa público de controle da raiva e da leishmaniose canina. A leishmaniose é um problema sério em humanos e a base da doença, o seu 'reservatório', são os cães. A vacina deve ser aplicada nas regiões onde existem as doenças. Para a vacina contra a dengue e o rotavírus temos até o projeto da fábrica. Por fim, temos outro grande projeto, o da fábrica de hemoderivados, que vai utilizar o plasma, resultado da coleta de sangue, e transformá-lo em hemoderivados.

Em que estágio está o projeto dessa fábrica?
Ele é bancado pela Secretaria da Saúde. A fábrica ficará no instituto e sua construção deve ser anunciada em 30 dias. É uma fábrica que precisa ser do setor público, pois os hemoderivados são produtos fornecidos pela rede pública — albumina, imunoglobulinas, fatores de coagulação, algumas proteínas, entre outros. É uma fábrica única, só há uma similar na Austrália, com capacidade de processamento de 150 mil litros de plasma por ano. Dependemos de um acordo com a Hemobrás [órgão federal responsável pela produção de hemoderivados no Brasil]. O investimento estimado é de R$ 60 milhões. Esperamos operar essa fábrica até o final do ano.

O trabalho do Butantan tem impacto nacional. A participação no orçamento de órgãos federais é proporcional a esse impacto?
O governo federal tem iniciativas de apoio, por exemplo, à fábrica da influenza. Financiou toda a parte de equipamentos. O governo federal também apóia os projetos das vacinas contra a dengue e o rotavírus. E temos as compras do Ministério da Saúde.

O instituto faz pesquisa básica? E suas parcerias com o setor privado?
Na pesquisa básica, o foco são animais peçonhentos, seus venenos, substratos que usamos para desenvolver pesquisa em várias áreas: farmacologia, bioquímica, genômica. Uma conseqüência da pesquisa básica — algo recente no Instituto Butantan — é a possibilidade de criar medicamentos a partir dos estudos de verificação da ação farmacológica das toxinas. A empresa privada tem interesse nesse desenvolvimento porque o que resultar de uma parceria com o Butantan aí pode ser um produto na prateleira. Nossa face de maior cooperação com empresas está no Centro de Toxinologia Aplicada, que é um Cepid [Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão, financiado pela Fapesp. Nota do E.] e trabalha com pesquisa em toxinas em parceria com a indústria. No CAT, temos um consórcio com indústrias farmacêuticas por intermédio do Coinfar [uma joint-venture entre as empresas Aché, Biolab Sanus e União Química dedicada ao desenvolvimento de novos compostos vindos da biodiversidade brasileira. Nota do E.] e com o Laboratório Cristália. Temos ainda a parceria com o professor Perez e a Recepta [Em junho de 2007, Fernando Perez, presidente da Recepta Biophama, e o instituto inauguraram um Laboratório de Anticorpos Monoclonais no Butantan para pesquisar a geração de linhagens celulares de anticorpos monoclonais a ser utilizadas em terapias contra câncer. Esses anticorpos são capazes de ativar o sistema imunológico para destruir células tumorais. Nota do E.].

Que tipos de trabalho são executados no CAT?
Temos um analgésico, medicamentos com ação antitumoral, com ação anti-hipertensiva e que atuam também na coagulação do sangue. E alguns estudos em ação antiinflamatória. Tudo isso é desdobramento das pesquisas básicas envolvendo toxinas. Essa é uma área difícil, pois demora muito tempo e precisa de muito investimento, mas promissora.

Como é tratada a propriedade intelectual?
Toda vez que começa uma parceria com a indústria, é preciso administrar interesses muitas vezes conflitantes. Defendemos o interesse do Butantan. Estamos quebrando a cabeça. Diferentemente de uma universidade como a Unicamp, que tem uma agência de inovação já consolidada, o instituto ainda não tem um núcleo de inovação tecnológica. Mesmo que tivesse, há um problema ainda não resolvido: somos um departamento da Secretaria da Saúde e órgão da administração direta. A personalidade jurídica define questões relacionadas, por exemplo, sobre quem pode fazer o depósito, de quem é a titularidade da patente, quem pode negociar o licenciamento da patente e como os recursos obtidos pelo licenciamento podem ser distribuídos entre as diferentes unidades do instituto. Isso é um problema ainda não resolvido no Butantan. A Lei de Inovação dá alguma abertura para isso, mas precisamos de uma lei estadual e de uma regulamentação para ela. Achei o projeto da lei paulista muito bom, mas precisamos ver a regulamentação. E precisamos definir, por exemplo, no caso do Butantan, que figura jurídica ele é no contexto da Lei de Inovação. Ele é considerado uma instituição de ciência e tecnologia? Se for, quais são as competências que o diretor pode ter com relação à propriedade intelectual?

É preciso também rever o estatuto, a lei que criou o instituto?
Sim, é preciso um decreto de competências ou algo assim. Hoje operamos os convênios via fundação de apoio [Fundação Butantan, comandada pelo cientista Isaias Raw. Nota do E.], que tem servido maravilhosamente ao objetivo de captar e aplicar recursos exclusivamente no instituto. Isso é muito importante — não fosse assim, esses recursos estariam no orçamento geral do Estado e não disponíveis para uso direto do Butantan. Toda a venda de soros e vacinas do Butantan para o Ministério da Saúde é feita por intermédio da fundação. A receita entra na fundação e constitui uma parte importante do orçamento do instituto, pois é aplicada integralmente nele. Essa é a grande vantagem. A pergunta é: a fundação poderá ser o agente do Butantan na questão da patente, da titularidade, do licenciamento? Isso não é respondido pela Lei de Inovação federal nem pelo projeto de lei estadual. Note ainda que a fundação, na verdade, não tem pesquisadores. Então, ela não é uma instituição de ciência e tecnologia, e ser uma instituição de ciência e tecnologia é fundamental para o enquadramento na Lei de Inovação. A lei diz que o inventor tem direito a benefícios, mas ele é de uma instituição de ciência e tecnologia, de uma universidade. É dessa relação que decorrem os eventuais benefícios que ele pode ter da invenção e do licenciamento de patente. A fundação não aparece na Lei de Inovação. Estamos em um impasse.

Vocês deixaram de fazer alguma parceria por conta desses empecilhos?
Não. Eles não impediram, mas dificultaram. E temos coisas mais complexas para negociar quando começamos a trabalhar com produtos altamente promissores e inovadores.

Voltando ao eixo da produção para o atendimento de políticas de saúde pública...
Produzimos para o mercado público, que é muito especial, pois o preço é fixado pelo setor público. Nossos produtos são comprados pelo Ministério da Saúde e distribuídos gratuitamente para o sistema público de saúde. É uma produção ligada ao programa nacional de imunização.

Vocês estudam a possibilidade de transferir essa parte da produção para a iniciativa privada e se concentrar apenas na pesquisa?
Há uma longa discussão sobre o tema. Na área de produção de biofármacos, de imunobiológicos, temos parceria com o setor privado e transferimos tecnologia. Temos contrato com uma grande multinacional, a Sanofi-Aventis, que começou em 2000, na produção de vacina contra a influenza. Temos um contrato com a indústria veterinária Ouro Fino. Dominamos a tecnologia e temos competência na área de produção de vacinas e soros que podem ser também de uso veterinário, como a vacina anti-rábica. Com a Ouro Fino, montamos um laboratório de P&D que funciona no instituto. Nossa posição é flexível. Aquilo que pode ser produzido pelo mercado, seguindo a lógica de mercado, é transferido mediante contrato. Aquilo que vemos como produção pública, ou seja, como um bem público, consideramos que deve ser exclusivamente de produção pública. É mais fácil entender os motivos com exemplos. Temos o caso da vacina contra a febre amarela, uma arma do poder público para o controle de uma epidemia que pode ser grave e que, portanto, não pode se submeter a uma lógica de mercado. Quem vai definir onde, quando e como aplicar é o governo, não pode ser nenhuma outra lógica além dessa. Se fossemos seguir a lógica de mercado, vacinaríamos quem não necessita da vacina e deixaríamos de vacinar quem realmente precisa tomá-la. É o tipo de ação que leva em conta a epidemiologia, ou seja, a distribuição, o risco, onde estão os focos da doença, onde está circulando o vírus, como combater a doença. Outro exemplo é a vacina contra a gripe, a influenza. Vacinamos a população maior de 60 anos, faixa que corre maior risco. O domínio tecnológico da produção dessa vacina permite o desenvolvimento de uma possível vacina contra uma eventual pandemia de uma gripe aviária, um novo vírus com características muito mais graves do que o vírus da gripe espanhola.

A vacina contra a gripe aviária está em que fase de desenvolvimento?
Por enquanto, não foi identificado nenhum caso em que a gripe aviária foi transmitida de humano a humano, que seria o fator de risco para essa gripe virar uma pandemia. Até agora, tivemos uma epidemia em aves, e a doença, algumas vezes, atingiu humanos. Se houver uma pandemia, é muito importante que o Brasil tenha domínio tecnológico e capacidade de produção de uma vacina. Em toda a América Latina, só o Butantan tem competência para trabalhar com esse vírus e desenvolver essa vacina. Temos uma planta-piloto para desenvolvê-la, com capacidade para produzir de 10 a 20 mil doses da vacina para ensaios clínicos.

Quantos pesquisadores o instituto tem hoje?
Em torno de 180. Desses, 150 são doutores. Trabalham na pesquisa e na área de produção. Temos uma parte de pesquisa que diz respeito a processos. Temos a lógica de um sistema produtivo como outro qualquer: fluxo de material, fluxo de pessoal, qualidade de insumo, boas práticas de fabricação, sistemas de controle de qualidade de processo. E temos este desafio, a introdução de critérios de boas práticas de laboratório. Na área de produção, isso está bem estabelecido, mas os laboratórios de pesquisa precisam, cada vez mais, ter regras extremamente rigorosas: se a pesquisa básica resultar em um produto, é necessário seguir protocolos e normas, desde o início do trabalho, que possam ser aceitos pelos agentes reguladores nacional e internacional. São exigências muito fortes e relativamente novas para nós. O sistema de produção precisou ser inteiramente reformulado e adaptado a essas novas exigências. Nos últimos 20 anos, o Butantan passou por uma verdadeira revolução, nesse ponto de vista. Passamos de uma produção que era quase artesanal, em grande parte empírica, para uma produção industrial e com padrões de qualidade internacionais.

O Butantan presta serviços para a indústria?
Suponha que uma empresa esteja desenvolvendo um anestésico. Ela não montará um laboratório para teste com animais. Ela vai nos contratar, mas só o fará se tivermos laboratórios dentro das exigências aplicadas ao mercado, o que nos remete ao problema da gestão da qualidade a que me referi.

O Butantan forma recursos humanos?
Temos uma pós-graduação em biotecnologia, junto com o Instituto de Química e a Escola Politécnica da USP e o IPT. Não é uma vocação nossa, mas estamos no meio dessa discussão. Há uma tendência no instituto de criar uma pós-graduação própria. Com alunos de pós, vêm projetos, linhas de financiamento. O Instituto de Cardiologia [Instituto Dante Pazzanese, de São Paulo] tem uma pós, pensamos em algo semelhante, ter um curso nosso, com quadro de professores próprio etc.

Fonte: Janaina Simões / Inovação Unicamp

Sai o resultado do 12º Concurso Inovação na Gestão Pública Federal

O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão divulgou, na última quarta-feira (19), o resultado do 12º Concurso Inovação na Gestão Pública Federal. O primeiro lugar ficou com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) pela utilização de computadores de mão no trabalho de Contagem de População e no Censo Agropecuário 2007, em substituição a questionários em papel. A boa idéia, segundo informações do ministério, está possibilitando maior agilidade, segurança e economia na coleta e consolidação de dados.

A Caixa Econômica federal conquistou o segundo lugar pela prática do Cartão do Cidadão, que trouxe uma melhora significativa na qualidade do atendimento ao cidadão e minimizou custos operacionais, principalmente por substituir o pagamento de benefícios sociais nos guichês das agências.

Em terceiro lugar foi agraciada a Secretaria de Patrimônio da União (SPU), do ministério, com o Projeto Nossa Várzea – Cidadania e Sustentabilidade na Amazônia Brasileira, voltado para a regularização fundiária de terras públicas ocupadas por comunidades ribeirinhas.

Concurso
O concurso Inovação na Gestão Pública Federal é realizado anualmente desde 1996 e tem como objetivo incentivar e homenagear experiências que representam soluções inovadoras para o aperfeiçoamento do setor público nas áreas de atendimento aos cidadãos.

O secretário executivo adjunto do Ministério do Planejamento, Francisco Gaetani, disse que a 12ª edição do concurso representa a consolidação de práticas que somam esforços pela melhoria da administração pública e que as experiências vencedoras têm em comum o comprometimento dos servidores.

Para a presidente da Escola Nacional de Administração Pública (Enap), Helena Kerr do Amaral, propor inovações tem sido a forma de a instituição contribuir para a melhoria da gestão pública no governo federal.

A solenidade de premiação do 12º Concurso Inovação será realizada no Palácio do Planalto em data a ser definida. A lista com os classificados está disponível no endereço.

Saiba mais sobre o concurso no endereço:http://www.inovacao.enap.gov.br/ .

Fonte: Gestão CT

5º Encontro de Caos, Complexidade e Transdisciplinaridade em Saúde e Educação

O 5º Encontro de Caos, Complexidade e Transdisciplinaridade em Saúde e Educação será realizado nos dias 28 e 29 de março, em Botucatu (SP).

A promoção é do Laboratório de Caos, Fractais e Complexidade (Lab-Caos) do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista e da Fundação de Estudos e Pesquisas Agrícolas e Florestais (Fepaf), vinculada à Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp (FCA).

As conferências cobrirão temas como “Paradigma da complexidade como marco transformador da ciência contemporânea” e “Complexidade aplicada à genética e à ciência da comunicação”.

Estarão presentes palestrantes ligados a instituições como a Universidade de Lisboa, Universidade Estadual de Maringá, Universidade Federal da Bahia, além da própria Unesp. Durante o evento, o professor Ivan Amaral Guerrini, coordenador do Lab-Caos, lançará o livro Em busca do professor quântico.

O encontro será realizado no Auditório da FCA, na Fazenda Experimental Lageado.

Mais informações: www.fca.unesp.br

Fonte: Unesp

9º Fórum Internacional do Software Livre - FISL

Reunir desenvolvedores e usuários, e apresentar novidades e soluções usando software livre é a proposta do 9º Fórum Internacional do Software Livre (FISL), que será realizado de 17 a 19 de abril, em Porto Alegre (RS).

Participarão do evento, um dos principais do gênero na América Latina, estudantes, profissionais e entusiastas de diversos lugares do Brasil e do exterior. Serão realizadas palestras, workshops e arena de programação.

Durante o encontro haverá também eventos comunitários, conferências e encontros de comunidades do software livre, propostos e organizados por seus próprios integrantes. O 3º Encontro Nacional do Ubuntu Brasil, Encontro Jabber-BR e 6° Encontro Comunitário do BrOffice.org serão alguns dos eventos comunitários do FISL.

O norte-americano Jon “Maddog” Hall, diretor executivo da Linux Internacional e um dos principais nomes do movimento pelo software livre, ministrará a palestra “Fun and software livre! – Return of the Jedi!”.

“Grok: Zope 3 para homens das cavernas”, com Luciano Ramalho, e “Jornalismo livre: proposta de incorporação da liberdade na prática jornalística”, com Rafael Evangelista e Tiago Soares, são algumas das outras palestras confirmadas.

Mais informações: http://fisl.softwarelivre.org.

Fonte: Agência Fapesp

Brasil e México estreitam relações em pesquisa acadêmica

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a Secretaria de Relações Exteriores do México (SRE) e o Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (Conacyt) assinaram, no final de fevereiro, acordos para estreitar as relações na área de cooperação e pesquisa acadêmica.

Segundo a Capes, o objetivo é realizar ações conjuntas que incluem o intercâmbio e concessão de bolsas de doutorado, além do financiamento de projetos de pesquisa.

O diretor de Relações Internacionais da Capes, Sandoval Carneiro Júnior, disse, em notícia publicada no site da instituição, que dois editais serão lançados ainda neste primeiro semestre. Um deles prevê a concessão de 15 bolsas para estudos de doutoramento nos dois países e o outro será voltado à realização de pesquisas.

“Queremos iniciar as ações o mais breve possível. Os mexicanos estão muito interessados em ativar a cooperação e o intercâmbio com o Brasil, dado que os dois países têm problemas semelhantes, além de potencialidades de cooperação e complementaridade,” disse o diretor.

Informações adicionais sobre a Capes, no endereço www.capes.gov.br .

Fonte: Gestão CT

Prêmio Professor Samuel Benchimol 2008

Estão abertas até 20 de junho as inscrições para o Prêmio Professor Samuel Benchimol 2008, iniciativa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

As inscrições podem partir tanto de instituição do setor público como do privado. Os interessados podem apresentar projetos de pesquisa nas categorias “social”, “ambiental” e “econômica e tecnológica”, sendo que o valor da premiação para cada categoria será de R$ 65 mil.

O objetivo da premiação é estimular, identificar e divulgar projetos de pesquisas, invenções, arranjos tecnológicos e empreendimentos que contribuam para o desenvolvimento sustentável da região amazônica.

O julgamento dos trabalhos ocorrerá no dia 16 de setembro. A entrega do prêmio será realizada no dia 7 de outubro em solenidade na Federação das Indústrias do Estado do Tocantins, em Palmas. O tema central do prêmio é “Tecnologias para o desenvolvimento sustentável da Amazônia”.

O pesquisador, escritor e empresário Samuel Isaac Benchimol (1923-2002), nascido em Manaus, foi professor emérito da Universidade Federal do Amazonas, presidente do Comitê Israelita do Amazonas e um dos fundadores do grupo Bemol-Fogás.

Autor de mais de uma centena de livros relacionados à vida, economia e sociedade da região, Benchimol foi ferrenho defensor da necessidade de que o desenvolvimento sustentável da Amazônia devesse respeitar quatro parâmetros e paradigmas fundamentais: ser economicamente viável, ecologicamente adequado, politicamente equilibrado e socialmente justo.

O prêmio é promovido em parceria com a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), Banco da Amazônia e as Federações de Indústrias da Região Amazônica.

Mais informações: www.amazonia.desenvolvimento.gov.br

Fonte: Agência Fapesp

União Européia aprova Plano Nacional de Resíduos e Contaminantes para o mel brasileiro

A União Européia aprovou recentemente por meio da decisão 222/2008 o Plano Nacional de Resíduos e Contaminantes (PNCRC) para o mel brasileiro. A decisão é importante para o mercado apicultor brasileiro que sofria com o embargo do produto na União Européia desde 2006.

Segundo informações do Sebrae, antes do embargo, a venda de mel para o bloco europeu gerava uma receita de US$ 15 milhões para o setor apícola nacional. Durante os dois últimos anos, os Estados Unidos se tornaram o principal comprador do mel brasileiro. Ainda de acordo com o Sebrae, além do PNCRC, o setor apícola ainda precisa vencer o desafio de implantar as Boas Práticas e do Sistema Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC) nos entrepostos e casas de mel, que são uma das exigências da União Européia para a importação do mel.

Projeto
O Sebrae em parceria com o Sistema S (Senai, Sesi, Senac e Sesc) está implantando um projeto-piloto do Programa Alimento Seguro (PAS) voltado para o setor apícola em nove entrepostos de todo o Brasil. O objetivo é apoiar o setor a cumprir as exigências do mercado europeu. O projeto será implantado em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Piauí, Ceará, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. A idéia é oferecer às casas de mel e aos entrepostos apícolas apoio para implantar o APPCC e boas práticas para a realização do trabalho.

O setor apícola também será beneficiado com a elaboração de normas técnicas para procedimentos que envolvem a cadeia produtiva do mel. A iniciativa é da Comissão de Estudo Especial Temporária da Cadeia Apícola, que reúne instituições como o Sebrae, a ABNT, entre outros. A norma para o setor está em consulta pública até o dia 24 de abril.

Fonte: Gestão CT

CenPRA: Sinterização Seletiva a Laser para o ProMed

A equipe de desenvolvimento de produtos do Centro de Pesquisas Renato Archer (CenPRA/MCT) recebeu uma nova máquina de Sinterização Seletiva a Laser usada em processos de prototipagem industrial ou médica. O equipamento custou aproximadamente R$ 500 mil e foi pago com recursos da Secretaria de Inclusão Social do Ministério da Ciência e Tecnologia (Secis/MCT). A equipe coordena o projeto ProMed, Prototipagem Rápida na Medicina, que atende a hospitais brasileiros e oferece os recursos da prototipagem no planejamento de cirurgias complexas, promovendo a inclusão social através da tecnologia da informação.

Um dos gargalos da prototipagem era justamente a capacidade produtiva dos equipamentos. Agora, a equipe poderá aumentar o seu apoio à área médica e seu atendimento a indústrias, em especial as pequenas e médias, em até 4 vezes. Na prototipagem rápida, a máquina de Sinterização Seletiva à Laser utiliza pó de poliamida, que é aglutinado em camadas por efeito do calor de um feixe de laser para construir protótipos fiéis de modelos computacionais.

Na indústria, o equipamento é utilizado como uma ferramenta no desenvolvimento de produtos novos. Para a área médica, o ProMed desenvolveu o software InVesalius, que interpreta imagens de tomografia computadorizada e ressonância magnética e constrói modelos virtuais de crânios, estruturas ósseas e vasculares e que depois podem ser “impressos” em 3D através de máquinas de prototipagem rápida. A equipe do CenPRA já auxiliou o planejamento de mais de 800 cirurgias, sem qualquer custo para os pacientes ou hospitais.

Nesse sentido pretende ampliar o atendimento aos hospitais e às indústrias com a nova máquina. As indústrias que se utilizam dos serviços de prototipagem participam do programa ProInd, Prototipagem Industrial. Os recursos gerados com o atendimento à iniciativa privada financiam a operacionalidade do ProMed. A divisão conduz ainda o programa ProExp, Prototipagem Experimental, em que a equipe oferece a expertise em prototipagem e bioengenharia para projetos de outros institutos de pesquisa e de mestrado e doutorado nas áreas de engenharia, arquitetura, medicina e veterinária.

Fonte: Agência CT

Economistas discutem a Política Industrial na USP

O Brasil continua forte em áreas que exigem menos conhecimento agregado ao produto e registra um aumento do déficit nos setores responsáveis pelos produtos de maior valor, justamente o nicho onde o comércio internacional mais cresce e para o qual se voltou a Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (PITCE), elaborada em 2003. Detalhada em 2004, a PITCE está sendo revista pelo governo federal. O seminário "Desafios e Instrumentos da Política Industrial no Brasil", feito pelo Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA-USP) no dia 12, no campus da universidade na capital paulista, reuniu especialistas para discutir o que foi a PITCE em seus quase quatro anos de existência e em que ela precisa ser aprimorada.

Participaram como palestrantes os professores da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP Hélio Nogueira da Cruz e Roberto Vermulm, e Mariano de Matos Macedo, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e presidente do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar). Evando Mirra de Paula e Silva, diretor da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), e Edgard Pereira, economista do Instituto de Estudos para Desenvolvimento Industrial (Iedi), foram os debatedores.

No dia 13 de março, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, disse a jornalistas que deve apresentar oficialmente a política industrial que prepara ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva até o final do mês. Uma das razões para o atraso na definição da política industrial era, de acordo com o ministro, a indefinição sobre o Orçamento. Ele disse esperar pelo lançamento em abril. Segundo o ministro, a política contemplará 25 setores e vai se concentrar na diminuição de tributos, no estímulo ao financiamento das micro e pequenas empresas, na redução da burocracia e no aumento das exportações, principalmente de produtos manufaturados. Por isso, a dependência do Orçamento.

O jornal O Estado de S. Paulo de 24 de março trouxe o assunto como sua manchete principal. O texto de Lu Aiko Otta contou que a nova PITCE deve ser lançada em começo de abril, mas enfrenta dificuldades por causa dos cortes feitos na lei orçamentária. O Ministério do Desenvolvimento pressiona por medidas de corte tributário e a Receita Federal resiste. Há ainda pressão por isenções de impostos em semicondutores e em exportação de serviços de tecnologia da informação. Setores como os de construção civil e de material de defesa terão outros tipos de incentivos — por exemplo, desoneração das obras de infra-estrutura e maior oferta de crédito, para o primeiro, e política de compras do Estado, para o segundo.

Luciano Coutinho, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), disse ao Estadão que a nova PITCE, que alguns chamam de PITCE fase dois, terá uma "lista de medidas de estímulo à formação de capital, à inovação e à competitividade que ajudam a exportar, e esse conjunto de medidas tributárias de estímulo precisam ser calculadas pela Receita Federal, para estarem compatíveis com o programa fiscal." Algumas metas da política foram divulgadas pelo jornal: elevar as exportações brasileiras de 1,16% para 1,25% até 2010, e passar os investimentos privados em pesquisa e inovação de 0,54% para 0,67% do Produto Interno Bruto (PIB). A nova PITCE deve beneficiar ainda todos os 25 setores, ao contrário da atual, que selecionou quatro estratégicos — semicondutores, bens de capital, fármacos e medicamentos e software — e três portadores de futuro: nanotecnologia, biotecnologia e biomassa.

No debate, consenso: País não pode apostar apenas em commodities
Entre os debatedores do seminário do IEA, houve consenso sobre o fato de o País não poder apostar apenas em commodities ou em recursos naturais, justamente os setores em que o Brasil está melhor e que são os responsáveis pelos superávits comerciais e pelo crescimento econômico nacional. "Parece-me equivocado jogar todas as fichas em recursos naturais", afirmou Cruz.

Na agenda que apresentou no seminário do IEA, Cruz sugeriu: definir plano de desenvolvimento industrial e instrumentos de política; promover atividades intensivas em tecnologias e atividades produtivas baseadas nos recursos naturais; adensar cadeias produtivas; fortalecer o Sistema Nacional de Inovação e promover maior articulação institucional; ampliar e aprimorar disponibilidade de mão-de-obra qualificada em todos os níveis do ensino; estreitar o relacionamento entre a infra-estrutura de C&T e o setor produtivo; aprimorar e ampliar a infra-estrutura de transporte, logística e a oferta de energia; construir agenda para a questão ambiental.

Ao olhar a PITCE, é possível ver que ela contempla a maior parte das sugestões apresentadas no seminário. Então, por que a PITCE aparentemente fez pouca diferença? Na visão de Cruz, "faltam arranjos institucionais que transformem os planos em ações". Para ele, o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), por exemplo, é muito mais um projeto para diminuir os gargalos existentes ao crescimento do que realmente acelerar o crescimento econômico nacional.

Mais à frente da apresentação, Vermulm falaria novamente sobre a atual PITCE. "O documento da PITCE lançado em 2003 está num nível mais geral, não tem metas. É um bom plano de governo, mas o que precisamos, de fato, é de uma política industrial. A importância da atual PITCE é histórica, colocou o tema da política industrial articulada a uma política de inovação e de comércio exterior", analisou.

País cresce nos setores que demandam menos mão-de-obra qualificada e inovação
Vermulm trouxe para o seminário a balança comercial do Brasil entre 2001 e 2006. Os quadros exibidos por ele mostram que o País é estruturalmente superavitário em commodities, segmento pouco intensivo em conhecimento e em valor agregado, como minério de ferro e produtos agrícolas. A exceção são materiais de transporte, onde estão as indústrias aeronáutica e automotiva. "O problema das commodities é que são de baixo valor agregado e pagam salários baixos para manter a competitividade", alertou o economista da FEA.

Os mesmos quadros sinalizam para o aumento do déficit na balança comercial dos setores que trabalham com produtos de maior valor agregado, caso do eletrônico, químico e farmacêutico, de material elétrico e de comunicação. "Se o Brasil continuar a crescer, a tendência é aumentar esse déficit, e essas são justamente as áreas que mais crescem no mercado mundial", destacou Vermulm.

O desafio, segundo o economista, é trabalhar os setores deficitários sem perder de vista aqueles que sustentam o País, como o agrícola, a siderurgia, o setor de alimentos, celulose e papel. Para estes, Vermulm recomendou uma política industrial que adense as cadeias produtivas e incentive a diferenciação de produtos, ou seja, a inovação.

Ele também destacou novas dimensões a ser incorporadas pela política industrial, como o desenvolvimento da produção limpa e promoção da indústria de reciclagem; e a articulação da política de investimento industrial com a política de desenvolvimento regional, algo que o País tenta fazer há 30 anos, lembrou Vermulm, sem sucesso.

Sobre a atual política industrial, o professor da FEA comentou que há flexibilidades difíceis de ser utilizadas. A PITCE permite que o governo trabalhe desde as cadeias produtivas até uma única empresa. Mas na hora de investir em uma única companhia, por exemplo, enfrenta problemas para justificar o ato, que pode ser interpretado como favorecimento político. O País tem, ainda, pouca experiência em exigir contrapartida das empresas beneficiadas pelos programas. A transparência na implementação da PITCE deixa a desejar, pois não é tarefa fácil encontrar os valores investidos na execução da política.

"O problema da PITCE é sua institucionalidade, a gestão do setor público. Não conseguimos implementar a política industrial, temos leis que se chocam, um imbróglio de instituições, uma definição pouco clara dos papéis das mesmas. Os problemas estão menos nos setores e mais no Estado, que precisa estar preparado, organizado, instrumentalizado para implantar essa política", concluiu.

Política industrial e política regional
Mariano Macedo, do Tecpar, retomou o assunto da compatibilidade entre políticas regional e industrial. Segundo ele, ainda se interpreta a política industrial dos Estados como sinônimo de guerra fiscal. Há outros mecanismos para política industrial, como o uso de concessão de subvenções, o que depende da aprovação de uma lei de inovação em cada Estado, a criação de zonas de processamento de exportações nas regiões menos desenvolvidas e os investimentos em infra-estrutura.

Macedo enumerou as políticas industriais chamadas de políticas de nova geração, que vão além da concessão de benefícios fiscais: fortalecimento da área de C&T; promoção da inovação tecnológica; criação de programas específicos para adensamento da matriz de relações interindustriais, como a criação de arranjos produtivos locais (APLs); fortalecimento das fundações de amparo à pesquisa; marketing regional; políticas estaduais de apoio às exportações; definição de políticas de uso do poder de compra do Estado. "Essas novas políticas exigem uma nova institucionalidade, como a criação de agências de desenvolvimento e de inovação, não sendo mais as secretarias estaduais da Fazenda o principal locus dessas políticas", acrescentou.

No debate, Evando Mirra, da ABDI, afirmou que a política industrial deve levar em consideração os casos de sucesso do Brasil. Segundo ele, o País conta com cerca de 1,2 mil empresas de classe mundial — aquelas que exportam e são reconhecidas como competitivas nos mercados interno e externo. Dessas, 400 são empresas líderes mundiais. Ele não citou a fonte dessas informações.

Edgard Pereira, do Iedi, destacou alguns indicadores que reafirmaram as falas de Vermulm e Cruz, da FEA-USP. Parte dos números trabalhados por Pereira é de uma pesquisa que está sendo concluída pelo economista David Kupfer, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), para o Iedi. O PIB da indústria de transformação de 1995 a 2006 manteve-se relativamente estável.

A participação no valor de transformação industrial dos segmentos extrativo e de produção de petróleo e etanol aumentou entre 1996 a 2005, mas há um crescente déficit nos setores de alta intensidade de mão-de-obra qualificada e de tecnologia. Setores como química fina, bens de capital, automobilístico e informática mantiveram sua participação no PIB industrial estacionada nos 25%, enquanto os setores de base, ligados aos produtos agropecuários e do setor mineral, subiram de 30% para 40%.

Fonte: J.S. / Inovação Unicamp

8º EDIBCIC - 2008

Encontro da Asociación de Educadores e Investigadores de Bibliotecología, Archivología,Ciencias de la Información y Documentación de Iberoamérica y el Caribe

18, 19, 20 e 21 de novembro de 2008 - Cidade do México México

Tema Geral:
A Dimensão Docente e Investigativa da Ciência da Informação e da Documentação na Iberoamérica: diagnóstico regional

Subtemas:
1. O Desenvolvimento Profissional na Ciência da Informação e da Documentação
2. Novas Tendências Formativas em Ciência da Informação
3. A Repercussão da Pesquisa na Região Iberoamericana
4. O Papel da Arquivística nos Novos Planos de Ensino
Conferência de Abertura: "Os Recursos Informacionais das Escolas Iberoamericanas da Área de Ciência da Informação" Ian Johnson

Prazos:
Data limite para a recepção de resumos: 1 de maio de 2008
Distribuição dos resumos ao Comitê Científico: 10 de maio a 10 de junho de 2008
Devolução das avaliações: 20 de junho de 2008
Comunicação aos autores: 21 a 25 de junho de 2008
Envio do texto completo: 30 de setembro de 2008

Comitê Científico - Áreas:
1. O Desenvolvimento Profissional na Ciência da Informação e da Documentação
Gladys Matus Sepúlveda, Gloria Ponjuán Dante, Juan Carlos Fernández Molina, Marta Lígia Pomim Valentim, Orlanda Jaramillo

2. Novas Tendências Formativas em Ciência da Informação
José Antonio Frías Montoya, María Gladys Ceretta Soria, Ruth Helena Vallejo Sierra, Silvana Aparecida Borsetti Gregório Vidotti

3. A Repercussão da Pesquisa na Região Iberoamericana
Aurora de la Vega de Deza, Gustavo Liberatore, María Luisa Lascurain Sánchez, Salvador Gorbea Portal , Saray Córdoba González

4. O Papel da Arquivística nos Novos Planos de Ensino
Fernanda Ribeiro, José Augusto Chaves Guimarães,José Bernal Rivas Fernández, Mari Paz Martín Pozuelo Campillo

Promoção: Asociación de Educadores e Investigadores de Bibliotecología, Archivología, Ciencias de la Información y Documentación de Iberoamérica y el Caribe. Realização: CUIB México

Maiores informações: http://www.edibcic.org/VIIIEDIBCIC2.htm

Fonte: Marta Valentim / Ancib

Cenapad da Unicamp recebe supercomputador com capacidade de processamento de 1,1 mil gigaflops

O Centro Nacional de Processamento de Alto Desempenho em São Paulo (Cenapad), localizado no campus da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior paulista, ganhou um novo sistema computacional com capacidade de processamento quase três vezes maior do que o anterior.

Os novos equipamentos foram adquiridos da empresa Silicon Graphics, com recursos de R$ 800 mil do Sistema Nacional de Alto Desempenho (Sinapad), ligado à Rede Nacional de Pesquisa (RNP) e ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).

A supermáquina possui 172 processadores Intel Itanium 2 e 496 gigabytes de memória RAM, totalizando uma capacidade de processamento de cerca de 1,1 mil gigaflops. O equipamento anterior, inaugurado em 2005 no Cenapad, tinha capacidade de processamento de 420 gigaflops.

“Esta é a maior máquina usando arquitetura de memória distribuída, chamada numaflex, instalada no país. Com essa tecnologia é possível rodar programas pesados, que precisam, por exemplo, de 32 gigabytes de memória, sem a necessidade de fazer paralelismo, que é quando os processadores funcionam ao mesmo tempo”, disse Edison Zacarias da Silva, coordenador executivo do Cenapad.

“Por outro lado, o pesquisador usuário também poderá usar o paralelismo se desejar rodar os mesmos 32 gigabytes de memória utilizando, por exemplo, oito processadores simultaneamente, de modo a aumentar ainda mais a velocidade dos projetos de pesquisa. Comparada com outras máquinas do Cenapad, o grande diferencial dessa que acaba de ser inaugurada é justamente a memória distribuída”, complementou.

A nova estrutura contribuirá para a continuidade das simulações computacionais em áreas como física, química, biologia, engenharia, matemática e genômica.

“A maior parte do tempo hábil das máquinas do Cenapad está sendo utilizada por físicos, em particular para a resolução de problemas em nanociência. Temos atualmente, em nossas máquinas, 94 projetos sendo desenvolvidos por 240 usuários de todo o país”, contou o também professor do Instituto de Física Gleb Wataghin da Unicamp.

Outra novidade é que junto com a supermáquina foi adquirido o software Gaussian, um dos mais conhecidos e utilizados pela comunidade mundial de químicos, o que deverá aumentar consideravelmente o tempo de uso do equipamento pelos pesquisadores da área. A capacidade instalada no Cenapad está disponível para atender a pesquisadores de todo o país, por meio da submissão de projetos de pesquisa.

“A demanda científica para cálculos de alto desempenho no Brasil é enorme. Com o equipamento anterior, os pesquisadores interessados enfrentavam filas de dois a três dias para usá-lo. Com a mudança do patamar de processamento da nova máquina, essa espera deve ser eliminada”, disse Silva.

A inauguração do parque computacional na Unicamp foi a segunda de uma série de seis novos parques financiados pelo Sinapad. “Trata-se de um grande projeto do Sinapad que pretende revitalizar o sistema nacional de computação. Ao longo de 2008, podemos dizer que a capacidade computacional brasileira deverá ser multiplicada por sete”, disse o coordenador.

Outra máquina semelhante à do Cenapad foi inaugurada no começo de março no Núcleo de Processamento de Alto Desempenho (NACAD) do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Mais informações: www.lncc.br/sinapad

Fonte: Thiago Romero /Agência Fapesp

Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade

Estão abertas, até 5 de maio, as inscrições para o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade. Realizado pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o concurso tem o objetivo de selecionar as principais ações de proteção, preservação e divulgação do patrimônio cultural do país.

O prêmio é dividido em sete categorias: “Apoio Institucional ou Financeiro”, para ações de suporte institucional ou captação de recursos; “Divulgação”, para atividades de promoção do patrimônio; “Educação Patrimonial”, para atividades no campo da educação para valorização da memória e patrimônio cultural; “Pesquisa e Inventários de Acervos”, para programas de pesquisa de acervos e processos culturais; “Preservação de Bens Móveis e Imóveis”, para ações de preservação material ou proteção legal de bens culturais; “Proteção do Patrimônio Natural e Arqueológico”, voltado para a ações de gestão de áreas consideradas patrimônio natural ou arqueológico; e “Salvaguarda de Bens de Natureza Imaterial”, direcionada a atividades de pesquisa, identificação, tratamento de informações e registros voltadas para a sustentabilidade de bens culturais imateriais.

Cada categoria terá apenas um vencedor. Os ganhadores receberão troféu, certificado e um prêmio no valor de R$ 20 mil.

As inscrições devem ser feitas por meio das superintendências regionais do Iphan. O acesso à ficha de inscrição pode ser feito no endereço.

O regulamento do prêmio pode ser acessado no endereço.

Outras informações : http://portal.iphan.gov.br/

Fonte: Gestão CT

1º Encontro Norte-Nordeste de Jornalismo Científico

Entre os dias 26 e 29 de junho será realizado, na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), em Campina Grande, o Primeiro Encontro Norte-Nordeste de Jornalismo Científico, que tem como tema geral "Comunicação Pública da Ciência e o Desenvolvimento Regional".

A proposta do evento é reunir profissionais, estudantes e pesquisadores envolvidos com o tema para discutir, entre outras questões, a relação do jornalismo científico e o desenvolvimento local.

Os interessados poderão se inscrever nas categorias ouvinte e participante com trabalho. As inscrições de trabalhos serão recebidas de 10 de abril a 15 de maio e abrangem três categorias: iniciação científica, voltada para estudantes de graduação; relatos de experiência profissional, destinada a profissionais de empresas e assessorias de comunicação; e pesquisa e estudo em jornalismo científico ou comunicação pública da ciência, direcionada a estudantes de pós-graduação, professores e pesquisadores. Os trabalhos serão recebidos apenas pelo e-mail .

Já aqueles que desejam participar apenas como ouvintes podem fazer a inscrição no dia do evento. O valor será de R$ 30 para estudantes de graduação, R$ 50 para estudantes de pós-graduação, e R$ 80 para profissionais, pesquisadores e professores universitários.

O evento é uma parceria entre a UEPB e a Associação Brasileira de Jornalismo Científico (ABJC). A coordenação do encontro está sob a responsabilidade do professor Cidoval Morais de Sousa, da UEPB.

Informações adicionais pelo telefone (83) 3315-3363.

Fonte: Gestão CT

Curso aborda programa de ações para melhoria da qualidade e produtividade

O Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP), entidade associada à ABIPTI, realiza, no dia 2, em Curitiba (PR), o curso “5’S – Os Cinco Sensos da Qualidade e Produtividade”.

O encontro apresentará instrumentos capazes de melhorar, de forma prática e sustentável, as rotinas das organizações. O objetivo é capacitar os participantes na utilização de uma ferramenta de gestão da qualidade e produtividade que proporcione benefícios práticos às instituições. Algumas dessas vantagens são a definição dos padrões de qualidade de produtos, processos e serviços e a redução dos custos e dos desperdícios no ambiente organizacional. Entre as temáticas exploradas estão o rompimento de paradigmas, a conceitualização e aplicação dos 5 S, o planejamento de implantação e a manutenção do programa.

O curso será realizado na sede do IBQP. As inscrições podem ser feitas no endereço.

Mais informações: http://www.ibqp.org.br/cursos/78/convite.htm

Fonte: Gestão CT

Inventário de serpentes revela ocorrência de 13 novas espécies

Snakes from coastal islands of State of São Paulo, Southeastern Brazil

Um inventário de serpentes realizado em 18 ilhas da costa paulista revelou a ocorrência de 13 novas espécies sem registro nas principais coleções herpetológicas do Brasil.

O estudo, cujos resultados foram publicados pela revista Biota Neotropica, revista do programa Biota-FAPESP, partiu dos registros nas coleções do Sudeste brasileiro e de coletas de campo, realizadas em 11 das ilhas. De acordo com os autores, os ecossistemas insulares são cada vez mais ameaçados pela ação humana.

Além de listar espécies de serpentes habitantes de ilhas paulistas ainda indisponíveis na literatura, o estudo buscou detectar e corrigir erros de nomenclatura nas coleções zoológicas.

“Procuramos ainda comparar a composição da fauna de serpentes entre as ilhas, incluir novos espécimes na coleção do Instituto Butantan e, principalmente, discutir medidas de conservação ambiental e proteção das espécies em risco de extinção”, disse Paulo José Pyles Cicchi, um dos autores da pesquisa.

A pesquisa, segundo o pesquisador do Laboratório de Herpetologia do Departamento de Zoologia do Instituto de Biocências da Universidade Estadual Paulista (Unesp), chama atenção principalmente para a grande fragilidade dos ecossistemas insulares, ameaçados pela ação humana, seja pela ocupação desordenada, seja pela exploração econômica do turismo nessas ilhas.

Os 13 novos registros realizados dividem-se em sete ocorrências, na Ilha do Cardoso ( Chironius bicarinatus, Chironius multiventris, Dipsas petersi, Echinanthera bilineata, Echinanthera cephalostriata, Helicops carinicaudus e Xenodon neuiwiedii), três novos registros em Ilha Comprida (Bothrops jararacussu, Chironius bicarinatus e Helicops carinicaudus), um registro de Spilotes pullatus na Ilha Anchieta, uma ocorrência de Liophis miliaris na Ilha das Couves e, finalmente, um registro de Bothrops jararaca na Ilha dos Porcos.

A pesquisa, conduzida com apoio do programa Biota-FAPESP, foi feita entre 2000 e 2005 e coordenada por pesquisadores da Unesp de Botucatu, da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp) e do Instituto Butantan.

Segundo Cicchi, 36 espécies das famílias Boidae, Colubridae, Elapidae e Viperidae foram registradas na coleta de campo. “As ocorrências inéditas nos registros demonstram a carência de estudos de inventário em ilhas e de levantamentos que permitam conhecer nossa biodiversidade e propor atitudes de conservação antes que espécies sejam perdidas”, explicou.

O trabalho de amostragem das espécies foi realizado a partir do levantamento bibliográfico da Coleção Herpetológica do Instituto Butantan, do Museu de Zoologia da USP, do Museu de Zoologia da Universidade Estadual de Campinas e do Museu Nacional do Rio de Janeiro.

Além de Cicchi, assinam o artigo Denise Peccinini-Sealem e Marco Aurélio de Sena, do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo, e Marcelo Ribeiro Duarte, do Laboratório de Herpetologia do Instituto Butantan.

Métodos combinados
Para o levantamento de campo foram feitas cerca de 125 viagens às ilhas, com equipes que variavam de um a 13 coletores, utilizando uma combinação de métodos conhecidos como “abundância relativa” e “freqüência de espécies”, além da “busca ativa”, “procura visual limitada por tempo” e armadilhas de interceptação e queda, conhecidas como pitfall traps.

As categorias de “abundância relativa” foram aplicadas para definir a raridade das espécies, consideradas “comuns” quando ocorrem em mais de cinco ilhas, “pouco freqüentes” quando aparecem em quatro ilhas diferentes e “raras” quando são encontradas em três ou menos ilhas.

Comparada aos registros da literatura disponível e combinada aos outros métodos, a “abundância relativa” detectou 44,4% de espécimes considerados raros, 25% tidos como pouco freqüentes e 30,6% considerados comuns.

As serpentes mais freqüentes foram as Micrurus corallinus, presentes em 12 das 18 ilhas estudadas, seguidas das Bothrops jararaca e Liophis miliaris, em 11 ilhas, e das Bothrops jararacussu e Chironius bicarinatus, em 10 ilhas.

De acordo com os autores do trabalho, o método permite a visualização em porcentagens das espécies dominantes e raras em cada região. Entretanto, sua utilização adequada depende de uma padronização das metodologias de levantamento de espécies.

“A grande maioria dos métodos de levantamentos é específica para algumas espécies, como as armadilhas de interceptação e queda que permitem a coleta quase que exclusiva de serpentes de hábitos terrestres, não sendo satisfatória para coleta de animais arborícolas”, disse Cicchi.

“Caso a abundância relativa seja feita com dados exclusivos desse método, poderá demonstrar resultados pouco legítimos sobre a diversidade na região. Por isso, o interessante para um bom trabalho de levantamento de espécies é utilizar metodologias diferentes para obter dados mais confiáveis”, completou.

Para o pesquisador, o estudo indica a necessidade de associação de esforços e uma efetiva intervenção política para a transformação dessas regiões em áreas de proteção ambiental como reservas biológicas ou parques estaduais, diminuindo ao máximo a ação destrutiva humana.

Em ilhas como Monte Trigo, a fauna de serpentes foi definitivamente extinta, segundo o pesquisador. Na ilha Anchieta, onde predadores carnívoros foram introduzidos pela população nativa, algumas espécies representativas provavelmente desapareceram.

“A estabilidade da fauna e flora insulares é bastante frágil, o que aumenta a probabilidade de extinções e reforça a necessidade de políticas de conservação. Uma parte considerável dos animais incluídos na lista internacional de espécies ameaçadas de extinção consiste em espécies que só ocorrem em ilhas”, afirmou.

Para ler o artigo Serpentes das ilhas costeiras do Estado de São Paulo, Sudeste do Brasil, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.

Fonte: Alex Sander Alcântara /Agência Fapesp