quinta-feira, 20 de março de 2008

A vocação empreendedora do brasileiro

De cada cem brasileiros com idades entre 18 e 64 anos, cerca de 13 desenvolvem alguma atividade empreendedora, seja no comércio ou no setor de serviços. Isso faz com que o Brasil ocupe a nona posição entre os países com maior número de pessoas que abrem negócios. A principal motivação do fenômeno, no entanto, não é a inovação, mas a necessidade.

Os dados são da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) e foram divulgados na manhã desta quarta-feira (19/3) no Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), na capital paulista, pelo Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP) e pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae Nacional). A pesquisa GEM no país tem apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).

De acordo com o levantamento, que mediu o empreendedorismo em 42 países, a taxa de empresas em estágio inicial no Brasil, que engloba desde negócios em fase de implantação até os que têm 42 meses de mercado, subiu de 11,6%, em 2006, para 12,72% em 2007, totalizando cerca de 15 milhões de empreendimentos em atividade no último ano.

Nessa mesma categoria de empreendedores iniciais, os países que estão à frente do Brasil no ranking são: Tailândia (27%), Peru (26%), Colômbia (23%), Venezuela (20%), República Dominicana (17%), China (16%), Argentina (14%) e Chile (13%).

Esses resultados confirmam a vocação empreendedora dos brasileiros e representam um avanço no que diz respeito ao número de novos empresários nesses países. No entanto, há um preocupante paradoxo entre as duas motivações que levam à abertura de um novo negócio no Brasil: a oportunidade, quando os indivíduos realmente identificam um novo nicho de mercado, e a necessidade, relacionada à falta de opções de trabalho.

“Um trabalhador ambulante também é considerado um empreendedor. Ele compra sua mercadoria em outra empresa e a revende. Trata-se de uma atividade empresarial, precária, sem dúvida. Sua relação de parentesco é a de um primo pobre de outros empreendedores mais bem-sucedidos”, disse Marcelo Néri, chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que participou da elaboração dos dados da pesquisa.

“O empreendedorismo por necessidade está relacionado à pobreza e à sobrevivência dos indivíduos. Esse tipo de empreendedor também é um capitalista, muitas vezes sem capital ou que emprega todos os seus recursos em atividades de risco”, afirmou Néri. A pesquisa GEM mostra que, em 2007, 57% dos empreendedores iniciais tinham uma renda familiar de menos de três salários mínimos.

O estudo aponta um crescimento acentuado no Brasil, de 2001 a 2007, da atividade empreendedora motivada pela necessidade, fazendo com que o contingente de empresários que abriram novos negócios de oportunidade, com mais planejamento, organização e foco no mercado, caísse de 60% para 39% no período.

Em comparação com os 12,72% dos empreendimentos brasileiros em estágio inicial no ano passado, em países como Estados Unidos, Inglaterra e Japão, em que os novos negócios são abertos quase que em sua totalidade motivados pela oportunidade, essa taxa foi de 9,61%, 5,53% e 4,34%, respectivamente. Em média, para cada cidadão dos países desenvolvidos com algum negócio em fase inicial, existem mais de dois brasileiros realizando atividades na mesma fase.

“A grande diferença, no entanto, está nos recursos investidos para o início do negócio. Os brasileiros empreendem cerca de US$ 5,5 mil, um capital considerado limitado para o sucesso dos empreendimentos, enquanto a média mundial é de US$ 68,7 mil. Os empresários chineses e norte-americanos investem cerca de US$ 41 mil e US$ 67 mil, respectivamente”, apontou Paulo Alberto Bastos, pesquisador sênior do Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP).

“Além disso, 62% dos empreendedores brasileiros recorrem a familiares como fonte de recursos para compor o capital necessário para iniciar o negócio. Menos de 10% desses empreendedores se voltam a instituições financeiras em busca de crédito”, afirmou Bastos.

Mais mulheres
O levantamento revela que, pela primeira vez desde que a pesquisa GEM começou a ser feita no Brasil, em 2001, o nível de empreendedorismo entre as mulheres ultrapassou o dos homens: em 2007 as brasileiras representavam 52% dos empreendedores adultos, entre 18 e 64 anos, contra 29% em 2001.

De acordo com os pesquisadores que apresentaram o estudo em São Paulo, esses dados confirmam a tendência apresentada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2006) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que indica que as mulheres buscam novos negócios para complementar a renda familiar e por estarem cada vez mais assumindo, nos últimos anos, o sustento do lar como chefe de família.

E a necessidade também é fator marcante de motivação para a mulher iniciar o empreendimento: em 2007, enquanto 38% dos homens empreenderam por necessidade, essa proporção aumenta para 63% entre as mulheres.

“O Brasil está observando uma revolução feminina em meio à pobreza nacional. Nas regiões Norte e Nordeste, por exemplo, apesar de serem minoria no mercado de trabalho, elas são as que mais se beneficiam com os programas de microcrédito ao pequeno empresário”, observou Marcelo Néri, da FGV.

O empreendedorismo feminino se destaca no comércio varejista, principalmente em artigos de vestuário e complementos (37%), na indústria de transformação, sobretudo na elaboração de produtos alimentícios e artefatos para viagem como malas e bolsas (27%), e na atividade de alojamento e revenda de alimentos (14%).

“Apesar do aumento observado nos últimos anos na taxa de sobrevivência das empresas brasileiras, hoje, dos cerca de 500 mil novos negócios abertos por ano no Brasil, cerca de 110 mil desaparecem nos dois primeiros anos”, disse o diretor técnico do Sebrae Nacional, Luiz Carlos Barboza.

“Os resultados da pesquisa GEM nos levam a reavaliar as ferramentas de apoio às micro e pequenas empresas do Sebrae, de modo a buscar mais eficiência no uso dos recursos a nós confiados pela sociedade, levando em conta questões importantes como a maior participação empreendedora das mulheres no mercado”, sinalizou.

Criado em 1999, o Global Entrepreneurship Monitor (GEM), coordenado pela London Business School (Inglaterra) e pelo Babson College (Estados Unidos), é um dos maiores estudos no mundo sobre a atividade empreendedora, cobrindo mais de 50 países consorciados, que representam 95% do PIB e dois terços da população mundial.

No Brasil, o GEM vem se consolidando desde 2000 como uma importante referência nacional para as iniciativas relacionadas ao tema. O projeto nacional é liderado pelo IBQP, em parceria com o Sebrae, a Federação das Indústrias do Estado do Paraná, Pontifícia Universidade Católica do Paraná e Centro Universitário Positivo.

Para a pesquisa brasileira de 2007 foram entrevistados dois mil indivíduos entre 18 e 64 anos, de todas as regiões brasileiras, selecionados por meio de amostra probabilística. O trabalho conta ainda com opiniões de 36 especialistas brasileiros. Entre os anos de 2000 e 2007 a pesquisa GEM entrevistou no país 17,9 mil indivíduos.

O estudo completo estará disponível em breve no site do IBQP, em www.ibqp.org.br .

Fonte: Thiago Romero /Agência Fapesp

INT debate perspectiva econômicas e sociais do biodiesel

As perspectiva econômicas e sociais do biodisel foram discutidas por pesquisadores e estudantes que participaram do evento "Terças Tecnológicas". O encontro, realizado no último dia 18, é promovido pelo Instituto Nacional de Tecnologia (INT/MCT). Durante as apresentações os participantes puderam acompanhar algumas das tecnologias que estão sendo desenvolvidas por pesquisadores do MCT, além das perspectivas e estratégias para o uso efetivo do combustível.

O agrônomo Almir Monteiro, do Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene/INT) evidenciou a importância estratégica do biodiesel, que não se restringe ao fato do petróleo ser um recurso finito. O pesquisador mostrou que sua implantação abre uma cadeia produtiva capaz de gerar trabalho e renda para muitos agricultores, além de poluir menos que o diesel convencional.

O Cetene já produz biodiesel com óleos de diversos vegetais da Região Nordeste, como o algodão, pinhão manso, oiticica, dendê, girassol, mamona, entre outros, na Usina Piloto de Biodiesel no município de Caetés-PE. O próximo passo será a instalação da Usina de Biodiesel Serra Talhada, com capacidade para produção de 3 milhões de litros por ano de Biodiesel com a qualidade especificada pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) e a produção associada de 300 toneladas de glicerina para uso farmacêutico.

O trabalho atual envolve desde o plantio, mobilizando agricultores familiares para produção de oleaginosas alternativas à soja, hoje responsável por 80% da matéria-prima do biodiesel. Além de trazer benefícios ao solo e minimizar os riscos econômicos de uma monocultura, o plantio diversificado ainda tem sido consorciado com culturas de alimento. Em outra vertente, o Cetene testa novas tecnologias de uso em motores estacionários e veiculares, como no caso dos experimentos que utilizam o "biodiesel 100", ou óleo vegetal puro, numa frota de jipes.

30 anos de biocombustíveis
Álvaro Barreto, pesquisador e gerente do Laboratório de Combustíveis e Lubrificantes (Lacol) do INT e coordenador do grupo temático de caracterização e controle da qualidade da Rede Brasileira de Tecnologia do Biodiesel mostrou que a qualidade do biodiesel e os novos processos de produção já permitem a utilização do combustível em grande escala. O trabalho coordenado pelo pesquisador inclui a elaboração do projeto de capacitação instrumental dos laboratórios da Rede Brasileira de Biodiesel.

Envolvido com o desenvolvimento de biodiesel e estudos com diversas oleaginosas desde a década de 1970, o Lacol continua produzindo soluções inovadoras. Recentemente depositou o pedido de patentes de duas tecnologias: um processo otimizado de produção de biocombustíveis e um aditivo facilitador da combustão de óleo diesel e biocombustíveis. O Laboratório também realizou um projeto para uso de biodiesel nas locomotivas da Companhia Vale do Rio Doce em parceria com a COPPE/UFRJ e desenvolveu, em parceria com a empresa B100 Participações, o uso de biodiesel 30 na empresa com a maior frota de ônibus urbanos do mundo, a Viação Itaim Paulista, em São Paulo.

O Lacol também é responsável por avaliar a influência das adições crescentes de diversos tipos de biodiesel no óleo diesel, que está disponível em notas técnicas, no INT. Atualmente o INT, com recursos do MCT, desenvolve um programa de extensão tecnológica para produção do biodiesel, que apoiará empresas que queram investir na nova tecnologia.

O engenheiro metalúrgico Eduardo Cavalcanti, pesquisador da área de Corrosão do INT e sub-secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do estado do Rio de Janeiro no período de 2003 a 2006 encerrou a apresentação abordando perspectivas de mercado favoráveis a ampliação do uso do biocombustível. Cavalcanti também destacou a importância do trabalho da Rede Brasileira de Tecnologia de Biodiesel, patrocinada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, que integra o esforço de várias instituições de pesquisa do país para a promoção conjunta do combustível.

O INT também tem atuado, com apoio da Faperj, junto a prefeituras do Rio de Janeiro, orientando desde o plantio até o processamento e a produção final do biodiesel com oleoginosas regionais, incluindo de girassol, pinhão manso e nabo forrageiro.

O Instituto investe ainda na avaliação das variações nas características dos diversos tipos de biodiesel em condições simuladas de armazenagem. Por fim foi apresentado pelos palestrantes um programa que intregra as diversas iniciativas de produção de produção e uso do biodiesel, unindo as pesquisas desenvolvidas na região do Semi-Árido, pelo Cetene – localizado em Recife – com as pesquisas da sede do INT, no Rio de Janeiro.

Voltado principalmente para os estudantes de graduação e pós-graduação, o ciclo Terças Tecnológicas mostrou várias dimensões de um trabalho estratégico para economia e o desenvolvimento do país.

Fonte: Agência CT

Pesquisas do LBA apontam que floresta amazônica limpa da atmosfera gases resultantes da queima de florestas e combustíveis fósseis

Resultados de pesquisas realizadas no âmbito do Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA) reforçam a hipótese de que manter a floresta em pé faz toda a diferença.

Na Amazônia, as árvores estariam “engordando” e consumindo maior quantidade de dióxido de carbono do que emitindo, anulando os efeitos do das queimadas na região, responsáveis pela emissão de grandes quantidades do gás para a atmosfera.

Segundo pesquisadores, ao absorver carbono em excesso, usando o gás para crescimento, a própria floresta estaria limpando da atmosfera gases resultantes da queima de florestas e de combustíveis fósseis que contribuem para o aquecimento global.

Esse cenário, obtido a partir de dados da Rede Amazônica de Inventários e Levantamentos Florestais (Rainfor), desafia a teoria mais clássica da ecologia, sobre o clímax ecológico, de que um ecossistema maduro está em permanente equilíbrio – portanto, com biomassa constante.

“Por aqui, dizemos que estamos revisitando a teoria do clímax”, disse Flávio Luizão, especialista em ecologia de ecossistemas do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa).

As primeiras indicações desse novo cenário foram percebidas há cerca de dez anos, a partir de dados obtidos em torres metálicas de medição de fluxos de carbono do LBA em Rondônia e em Manaus – hoje, são 16 torres instaladas em áreas variadas da Amazônia brasileira. “Quando percebemos que a floresta estava consumindo mais carbono do que emitindo, começamos a questionar o que ela fazia com esse excedente”, explicou.

A inquietação levou grupos de pesquisadores do LBA, ligados ao Rainfor, à verificação de dados de biometria, medindo a mortalidade e o crescimento de árvores em múltiplos sítios experimentais do experimento, incluindo reservas do Inpa, como as vicinais ZF2 e ZF3, ambas no Amazonas. “Os resultados mostraram que, na região de Manaus, a floresta estava crescendo – e bastante”, afirmou Luizão.

Segundo o pesquisador, após alguns ajustes metodológicos e muitas medições, com a constatação de que em algumas áreas da Amazônia a floresta cresce mais do que em outras – e que há áreas de floresta que não crescem nada ou até diminuem sua biomassa –, foi confirmada a expectativa de que na região como um todo a floresta está crescendo a cada ano e seqüestrando carbono da atmosfera.

Essa conclusão, somada aos resultados do LBA indicando que a floresta tem papel determinante na produção de nuvens e chuvas para todo o continente, reforça a necessidade da valoração dos serviços ambientais prestados pela floresta, inclusive como estratégia para frear o desmatamento.

Entretanto, de acordo com o pesquisador do Inpa, existem limites para as quantidades de carbono que a floresta pode absorver para crescimento, o que torna a criação de mecanismos de conservação tão emergencial.

“Percebemos avanços na política ambiental, mas ainda há resistência de alguns setores em aceitar a floresta em pé como prestadora de serviços ambientais, com medidas recompensadoras financeiramente”, avaliou, ressaltando que o crescimento da floresta no chamado “arco de desmatamento” é menor do que em outras áreas da Amazônia.


Fatores de crescimento
Os pesquisadores do LBA pretendem, nos próximos quatro anos, ampliar o monitoramento da biomassa florestal, instalando muitas outras parcelas permanentes de medição em diversas regiões da Amazônia, no Brasil e nos países vizinhos. A expectativa é tentar perceber como esse novo cenário – maior concentração de dióxido de carbono na atmosfera – influencia a estocagem de carbono no solo e o ciclo hidrológico da região.

Além da maior quantidade de carbono disponível na atmosfera, outros dois fatores parecem impactar o crescimento da biomassa das florestas. O primeiro seria a extensão das estações secas. Quanto mais prolongada, menor o crescimento.

“A distribuição das chuvas é um fator importante. Na Amazônia andina chove mais e praticamente não há estação seca, e a floresta cresce mais”, explicou Flávio Luizão.

O outro fator é tão ou mais variável na Amazônia do que o ciclo das estações secas: a fertilidade natural dos solos. Quando cresce a fertilidade do solo, também cresce a biomassa. “Como o carbono também influencia na fertilidade, talvez a qualidade do solo esteja sendo modificada em algumas áreas da região, afetando a capacidade da floresta de absorver carbono da atmosfera”, sugeriu.

Fonte Michelle Portela / Agência Fapesp - Agência Fapeam

Pesquisa brasileira reduz custo de equipamentos de geração de energia solar

O Brasil poderá ter equipamentos para geração de energia solar mais baratos. A iniciativa é de pesquisadores do Rio Grande do Sul que querem colocar o País entre os grandes no mercado mundial de energia solar. Desde 2004, Adriano Moehlecke e Izete Zanesco coordenam o desenvolvimento de uma planta piloto para produção industrial de módulos fotovoltaicos - placas que absorvem radiação solar e a convertem em eletricidade.

Adriano Moehlecke diz que as pesquisas permitiram a descoberta de matérias-primas e processos mais econômicos. Segundo ele, as previsões preliminares apontam que será possível reduzir o preço dos módulos em até 15%. "Nosso objetivo é produzir equipamentos com a mesma eficiência dos concorrentes internacionais, porém a custos menores", destaca.

O projeto é realizado no Núcleo Tecnológico de Energia Solar (NT-Solar), da Faculdade de Física da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC/RS). Até o fim do projeto, previsto para maio de 2008, terão sido investidos R$ 6 milhões, dos quais R$ 2,6 milhões aplicados pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCT).

O mercado de energia solar, que cresce em média 40% ao ano, movimentou cerca de US$ 15 bilhões em 2006. A capacidade de produção de todos os módulos vendidos ao redor do mundo no ano passado foi de 2.536 megawatts, o que equivale a 15% da potência de Itaipu, hidrelétrica responsável por 30% do abastecimento brasileiro. "Não a vejo como fonte principal, mas acho perfeitamente viável que a energia solar, no futuro, seja responsável por até 30% do abastecimento de qualquer país", diz Moehlecke.

O apoio ao projeto faz parte do esforço da Finep em estimular o desenvolvimento de novas tecnologias em energias renováveis. O objetivo principal é substituir os combustíveis fósseis, responsáveis por 80% das emissões de gases que geram o efeito estufa.

Segundo o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas, vencedor do Prêmio Nobel da Paz deste ano e principal autoridade mundial em mudanças climáticas, a temperatura global poderá se elevar em 6 graus até 2099. Dessa forma, o aumento do nível dos mares seria inevitável, assim como o derretimento de grandes superfícies de gelo e neve. Com isso, 100 milhões de pessoas que vivem a menos de um metro acima do nível do mar correm riscos.

Maiores informações pelos e-mails de : Adriano Moehlecke e Izete Zanesco ou pelo telefone: (51) 3320.3535 / 3320 3682

Fonte: Agência CT

Indústrias finalizam montagem do observatório Pierre Auger

Estão a caminho da Argentina os últimos 18 tanques-detectores que irão equipar o observatório Pierre Auger. Esses equipamentos, que se juntam aos mais de 1690 produzidos, registram a passagem de raios cósmicos pela atmosfera terrestre e ajuda no estudo da origem, das fontes e da natureza da radiação cósmica.

O observatório Pierre Auger tem a participação de 17 países e a contribuição brasileira envolve 24 pesquisadores de 10 universidades e institutos de pesquisa brasileiros e a concessão de recursos financeiros de instituições governamentais e estaduais, como CNPq/MCT e Finep/MCT, inclusive na manutenção do observatório e nas próximas etapas da pesquisa.

"Os últimos 18 tanques estão seguindo para a Argentina nesta semana, em veículo exclusivamente adaptado para transportar essas peças. A responsável pela fabricação está negociando com um laboratório americano o desenvolvimento de tanques com isolamento térmico para não permitir o congelamento da água", disse o coordenador do projeto pelo lado brasileiro, o pesquisador da Unicamp, Carlos Escobar.

Resultados
Pesquisadores brasileiros e de 16 países chegaram a resultados inéditos sobre essas fontes das partículas de energias elevadas. Descobriram que os Núcleos Ativos de Galáxias (AGN, na sigla em inglês) são os candidatos mais prováveis para a origem dos raios cósmicos de energias elevadas que atingem a Terra.

De acordo com eles, as fontes das partículas de energias elevadas não estão distribuídas uniformemente no céu e relacionam as origens destas partículas misteriosas às posições de galáxias vizinhas que possuem núcleos ativos em seus centros.

Os raios cósmicos são partículas que viajam o universo em velocidade altíssima, próxima à da luz, e bombardeiam constantemente a Terra. A origem da maioria está nas partículas emitidas pelo Sol e uma outra parte origina-se de cataclismos que ocorreram na galáxia como as explosões de estrelas, as supernovas.

Após a publicação dos resultados completos na Revista Science, em novembro do ano passado, em dois meses foram publicados 26 artigos sobre a descoberta e aumentou o número de encomendas às empresas brasileiras que participam da construção, levando ao avanço no conhecimento aliado à geração de emprego e renda.

Mais informações:

Vidas no singular: as novas solteiras brasileiras

É possível ser feliz sozinho? A música Wave, de Tom Jobim, jura que não. Mas uma pesquisa sobre as novas solteiras revela que a resposta não é tão simples assim e que é possível, sim, viver sozinha, ter amores e ser muito feliz.

“A solteirice tem sido recorrentemente representada como uma falta essencial, uma anomalia social, jamais um caminho, entre outros, escolhido como parte de um projeto de vida que pode ser vivido positivamente”, disse Eliane Gonçalves, autora da tese de doutorado recém-defendida na Universidade Estadual de Campinas Vidas no singular: noções sobre “mulheres sós” no Brasil contemporâneo.

A revista Pesquisa FAPESP convida quem já conhece essa nova realidade – e quem ainda considera essas mulheres como “solteironas” – para o debate “Vidas no singular: as novas solteiras brasileiras”, com Eliane Gonçalves, no dia 24 de março, às 19 horas, na Livraria Cultura da Avenida Paulista, em São Paulo.

Para ler a reportagem Mulher solteira não procura mais, sobre a pesquisa de Eliane, clique aqui.

Mais informações sobre o debate pelo e-mail ou 3838-4008

Fonte: Agência Fapesp

1st Workshop on Specialty Optical Fibers and their Applications - WSOF 2008

O principal objetivo do 1st Workshop on Specialty Optical Fibers and their Applications (WSOF 2008) é ser um fórum no qual cientistas, estudantes e empresas que trabalham e/ou utilizam fibras especiais possam se encontrar e discutir progressos recentes e direções futuras.

O encontro será realizado de 20 a 22 de agosto em São Pedro (SP). A inscrição para os trabalhos se iniciou em 17 de março e vai até 9 de junho. De acordo com os organizadora, a bem estabelecida área de fibras ópticas recebeu recentemente um novo impulso com o desenvolvimento e demonstração de fibras baseadas em estruturas e/ou materiais inovadores.

Esses avanços permitiram a realização de guias de onda com características sem precedentes e criou novas áreas de pesquisa e aplicação. Entretanto, o número de encontros totalmente dedicados a essas fibras especiais é ainda relativamente pequeno, o que aumenta a importância do WSOF 2008.

O evento contará com a presença de diversos pesquisadores renomados, entre os quais Yoel Fink, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (Estados Unidos), Jonathan Knight, da Universidade de Bath (Reino Unido), Roy Taylor, do Imperial College (Reino Unido), e de Aléxis Mendez, editor do Specialty Optical Fibers Handbook.

Mais informações: www.wsof2008.org ou pelo e-mail

Fonte: Agência Fapesp