segunda-feira, 17 de março de 2008

Características psicológicas associadas ao comportamento de fumar tabaco

Fumantes tendem a ser mais extrovertidos, característica que se relaciona com outras, como sociabilidade, afetuosidade, espontaneidade e facilidade de comunicação. Por outro lado, quando comparados com ex-fumantes e não fumantes, eles se mostram mais propensos a serem mais ansiosos, tensos e impulsivos. Essas características, por sua vez, do ponto de vista psicológico, têm forte relação com transtornos mentais como esquizofrenia e depressão.

Esse diagnóstico foi descrito em estudo realizado na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da Universidade de São Paulo (USP), que acaba de ser publicado no Jornal Brasileiro de Pneumologia. O trabalho apresenta uma revisão da literatura científica sobre a psicologia do tabagismo, a fim de eleger características da personalidade consideradas como obstáculos ao abandono do tabagismo.

Segundo os autores, a justificativa do estudo, cujos resultados tiveram como base a análise de dados de mais de 60 trabalhos de grupos de pesquisa nacionais e estrangeiros, é que a compreensão dos fatores de natureza psicológica associados ao consumo de cigarros pode contribuir para a criação de novas estratégias terapêuticas para o tratamento da dependência.

“Os programas de intervenção-padrão que têm como foco a terapia comportamental, como por exemplo os indicados pelo Inca [Instituto Nacional de Câncer], basicamente vão orientar uma diminuição progressiva do uso do cigarro e uma maior atenção ao ambiente controlador, que são as situações do cotidiano que estimulam o consumo, seja após um cafezinho ou no happy hour com os amigos em um bar”, disse o coordenador do trabalho, Ricardo Gorayeb, professor do Departamento de Neurologia, Psiquiatria e Psicologia Médica da FMRP.

“Conhecendo a personalidade dos usuários, após um atendimento individual, ou com base em dados de literatura, o terapeuta pode direcionar um aconselhamento clínico específico para cada indivíduo”, apontou Gorayeb, indicando que, apesar de a prevalência de consumo variar de continente para continente, a literatura indica que hoje, em média, 20% da população mundial é tabagista.

Seguindo essa linha de raciocínio, para aumentar o número de pacientes que de fato abandonarão o tabaco no fim do tratamento, o pesquisador aponta ser fundamental, antes de iniciá-lo, que a personalidade dos indivíduos e a presença de algum distúrbio psiquiátrico sejam cuidadosamente avaliadas pelos profissionais de saúde.

“Muitos casos no Hospital das Clínicas da FMRP, em que os pacientes eram ansiosos ou tinham depressão, foram solucionados com programas paralelos de relaxamento muscular e com o uso de medicamentos antidepressivos. Essa avaliação prévia deve ser feita para evitar os sintomas da síndrome de abstinência e também o aparecimento de outras doenças mentais”, explicou.

Motivação grande, resultados modestos
De acordo com o estudo feito na FMRP, apesar de a literatura mostrar que cerca de 70% dos fumantes afirmam querer parar de fumar, poucos conseguem: a maior parte precisa de cinco a sete tentativas antes de definitivamente largar o cigarro.

“Em outro trabalho, que conduzi nos Estados Unidos com um grupo de fumantes atendidos no Hospital John Hopkins, apenas 20% dos pacientes deixaram de fumar no primeiro ano de tratamento. Esse índice de sucesso subiu para cerca de 35% no segundo ano”, afirmou Gorayeb.

Isso ocorre, segundo ele, entre diversos outros motivos, pela tão conhecida síndrome de abstinência causada pela falta da nicotina, uma das principais, se não a maior, causas da manutenção do vício. De acordo com a literatura, seus sintomas variam em intensidade entre os usuários e se iniciam dentro de algumas horas após a interrupção, atingindo o auge no terceiro dia sem o cigarro.

“Esse desconforto piora ao anoitecer e as maiores queixas se referem à compulsão aumentada, à irritabilidade e à dificuldade de concentração. Tais alterações podem ser observadas por 30 dias ou mais, mas os sintomas de compulsão podem durar muitos meses ou anos”, disse.

Outro fator que dificulta o abandono é o ganho de peso, uma vez que estudos clínicos e epidemiológicos consultados pelos pesquisadores relatam que, normalmente, os fumantes pesam menos que os não fumantes e ganham peso quando param de fumar. O trabalho da FMRP aponta ainda a maior prevalência de tabagismo em pacientes portadores de transtornos psiquiátricos, em comparação com a população em geral.

“A hipótese é que a nicotina interfere no funcionamento dos sistemas neurotransmissores e exerce ações neuroendócrinas no organismo humano, o que pode influenciar no quadro psicopatológico dos usuários. Essa é mais uma especulação do que uma certeza científica, uma vez que a ciência mundial ainda não tem grandes evidências sobre a atuação da nicotina no sistema nervoso central”, destacou Gorayeb.

O trabalho foi realizado em parceria com Regina de Cássia Rondina, professora da Faculdade de Ciências da Saúde da Associação Cultural e Educacional de Garça (ACEG), e Clóvis Botelho, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).


Para ler o artigo Características psicológicas associadas ao comportamento de fumar tabaco, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui

Fonte: Thiago Romero /Agência Fapesp

CNPq lança edital de apoio a centros liderados por jovens pesquisadores

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) abriu inscrições para um novo programa de apoio a centros liderados por jovens pesquisadores. O edital, que terá recursos da ordem de R$ 36 milhões, foi lançado na sexta-feira (14/3) e visa a financiar atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação de pesquisadores que estão iniciando a carreira científica em todas as áreas do conhecimento.

Segundo o CNPq, o edital apoiará projetos de pesquisadores doutores formados a partir de 2000. As propostas devem visar ao desenvolvimento de pesquisas científicas, tecnológicas e de inovação ou à instalação de infra-estrutura para o desenvolvimento dessas pesquisas.

“Além de apoiar projetos de pesquisa fundamental e tecnológica, experimental ou teórica, esse edital permitirá fomentar também a inovação, mediante o apoio a projetos de desenvolvimento de novos produtos e processos”, disse Marco Antonio Zago, presidente do CNPq.

Dos recursos globais disponíveis para o edital, R$ 30 milhões são oriundos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). Para reforçar os sistemas de ciência e tecnologia regionais, será destinada uma parcela mínima de 30% dos recursos totais para apoiar projetos coordenados por pesquisadores vinculados a instituições sediadas nas regiões Norte, Nordeste ou Centro-Oeste.

Os pesquisadores interessados em apresentar projetos deverão enquadrá-los em uma das duas categorias disponíveis no edital. A faixa A receberá projetos em áreas de ciências experimentais, com valor máximo de R$ 500 mil, e a faixa B receberá propostas que atenderão prioritariamente as áreas não-experimentais, como matemática, física teórica, humanidades e ciências sociais aplicadas, entre outras, no valor máximo de R$ 120 mil.

As propostas podem ser encaminhadas para o CNPq por intermédio do formulário de propostas on-line, disponível no endereço http://efomento.cnpq.br/efomento , a partir do dia 20 de março.

Os projetos serão aceitos até as 18 horas do dia 16 de maio, no horário de Brasília. Os resultados estão previstos para a segunda quinzena de julho e as contratações deverão iniciar no mês de agosto.

Mais informações: www.cnpq.br/editais/ct/2008/006.htm

Fonte: Agência Fapesp

A revolução microeletrônica – Pioneirismos brasileiros e utopias tecnotrônicas


Inúmeros casos de pioneirismo tecnológico marcaram a história brasileira em episódios ligados às origens da telefonia, do rádio, da televisão e do computador. Um pioneirismo que vem carregado de promessas de transformação social, mas, em vez de conferir ao país o estatuto de uma potência tecnológica, limita-se a desenvolver o consumo.

Esclarecer esse processo é o foco do livro A revolução microeletrônica – Pioneirismos brasileiros e utopias tecnotrônicas, de Francisco Assis de Queiroz, lançado no sábado (15/3) em São Paulo. A obra teve apoio da FAPESP na modalidade Auxílio a Publicação.

De acordo com o autor, professor do Departamento de História da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), a obra é resultado amadurecido de sua tese de doutorado, com bolsa da FAPESP e defendida em 1999 na mesma instituição, sob orienteção de Shozo Motoyama, diretor do Centro Interunidade de História da Ciência da USP.

“O trabalho examina um período da história contemporânea que vai de meados do século 19 até o fim do século 20 e procura compreender, de forma abrangente, o papel da ciência e da tecnologia na realidade brasileira”, disse.

Queiroz explica que o trabalho traz elementos pouco discutidos porque, em geral, a ciência e a tecnologia estão praticamente ausentes da historiografia, que se concentra na análise de variáveis como política, sociedade, arte, cultura e religião.

“É um estudo de história da tecnologia considerando suas trajetórias e impactos no ordenamento social do Brasil moderno. Procurei compreender o papel de determinados desenvolvimentos tecnológicos em termos de projeções e concepções utópicas formuladas por cientistas e outros analistas”, afirmou.

A partir desse pano de fundo, Queiroz examinou dois casos de pioneirismo tecnológico no país. Um deles é o do padre gaúcho Roberto Landell de Moura que, entre 1893 e 1894, fez as primeiras experiências de transmissão e recepção sem fio.

“Ele fez transmissões de radiotelefonia sem fio entre a Avenida Paulista e o bairro de Santana, uma distância de oito quilômetros em São Paulo – o que o credencia como um dos pais do rádio, uma vez que Marconi só faria experiências entre 1895 e 1897”, disse. O pioneirismo de Landell de Moura, no entanto, não foi suficiente para fazer brotar algo como uma indústria eletrônica. “Em 1905, ele pediu ao governo para fazer seus experimentos em dois navios da marinha. O pedido foi negado e ele foi tratado como louco. Marconi fez o mesmo pedido e o governo italiano disponibilizou toda a sua frota naval”, afirmou.

O outro caso estudado foi a criação da Escola Técncia de Eletrônica de Santa Rita do Sapucaí, no sul de Minas Gerais, que deu origem ao pólo tecnológico hoje conhecido como vale da eletrônica.

“Uma senhora que veio da elite agrária local, Luzia Rennó Moreira, tomou a iniciativa de criar ali, na década de 1950, a sexta escola de eletrônica do mundo e a primeira da América Latina”, disse.

Queiroz realizou uma extensa pesquisa documental e de campo para reconstituir o processo de formação do pólo eletroeletrônico daquela região, que se consolidou nas décadas de 1960 e 1970, a partir da iniciativa de Luzia, que era sobrinha do ex-presidente Delfim Moreira.

“O que há de interessante ali é o caráter personalizado daquela iniciativa, possibilitada pelos contatos políticos e pelo contexto reformista do governo de Juscelino Kubitschek”, explicou.

Mitificação da máquina
Apesar das iniciativas pioneiras, na avaliação de Queiroz o Brasil nunca se tornou produtor de tecnologia microeletrônica, limitando-se a montar aparelhos e a importar componentes de alto valor tecnológico agregado.

“São arranjos que nunca redundaram na criação de uma indústria de base competitiva internacionalmente. No caso do padre Landell de Moura, ele patenteou sua invenção nos Estados Unidos, mas não houve nada além disso. No caso de Minas Gerais, tivemos a geração de um pólo tecnológico, mas até hoje compramos os componentes mais caros”, destacou.

O professor da USP aponta que a indústria eletrônica é deficitária até hoje: no fim da década de 1990 havia um déficit anual de cerca de US$ 8 bilhões.

“Além desses casos, podemos citar o do telefone, que foi demonstrado ao imperador D. Pedro 2º pelo próprio Graham Bell, nos Estados Unidos, e logo em seguida no Brasil. Ou o da televisão, que chegou ao Brasil em 1950, quando havia sido implantada apenas na Inglaterra, Estados Unidos, França, Alemanha e Holanda”, disse.

Segundo Queiroz, em todos os casos – inclusive, mais recentemente, no do computador – o pioneirismo brasileiro na implantação de novidades microeletrônicas veio carregado de promessas, sistematicamente frustradas, de erradicação do analfabetismo crônico e de aprimoramento cultural.

“A introdução desses avanços, na prática, serviu em um primeiro momento para concentrar poder, caracterizando-se como símbolo de privilégio. Mantinha-se o discurso de que esses artefatos resolveriam nossos problemas mais importantes, como a educação. Mas eles acabavam se tornando veículos de entretenimento e consumo”, disse.

O mesmo discurso que valia para o rádio no início do século passado, segundo Queiroz, vale hoje para a computação. Segundo ele, o rádio não acabou com o problema educacional. E distribuir computadores nas escolas tampouco será capaz de fazê-lo.

“Aparentemente, somos pioneiros, sim, mas em termos de consumo. Isto é, nos lançamos sistematicamente a uma modernização que passa pelo consumo e não pelo desenvolvimento tecnológico autônomo e pela valorização do conhecimento”, declarou.

O livro, de acordo com o autor, ajuda a compreender por que o Brasil ensaia grandes vôos científicos e tecnológicos, mas falha no desenvolvimento que deveria vir em seguida.

“Existe uma mentalidade de mitificação da máquina, de antropomorfização do artefato. Mas a tecnologia, por si só, é impotente para produzir conhecimento. Sem investimento em formação educacional e ciência, a máquina gera apenas utopias vazias”, disse.

Mais informações: http://www.annablume.com.br/

Fonte: Fábio de Castro / Agência Fapesp

Brasil consumiu 30% de sua vegetação natural

Nos últimos dois meses, enquanto todo mundo olhava para a Amazônia e o presidente da República questionava os dados sobre o avanço do desmatamento na Região Norte obtidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais  (INPE), permanecia escondido na página do Ministério do Meio Ambiente (MMA) na internet um documento mostrando o quanto já se desmatou no país em razão da ocupação humana e o que resta das vegetações naturais.

A área desmatada da Floresta Amazônica corresponde a 21% do que já foi transformado em pastagens, plantações e cidades no país. De acordo com esse documento, o Mapa da cobertura vegetal dos biomas brasileiros, já se derrubaram no Brasil 2,5 milhões de quilômetros quadrados de vegetação nativa desde o início da colonização pelos europeus. É o equivalente a 30% do território nacional ou 4,5 vezes o da França, um dos maiores países da Europa.

Elaborado a partir de imagens de satélite de 2002, o documento representa a versão mais atual e abrangente do estado da vegetação que cobre o país. Pode ser útil por diversos motivos. Em primeiro lugar, porque permite conhecer o quanto cada um dos seis principais ecossistemas (Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Pantanal, Pampas e Caatinga) ainda preserva de vegetação suficiente para manter condições de chuva, qualidade do solo e clima adequados para abrigar vida humana ou animal.

Em segundo lugar, a identificação de quanto ainda existe de cada ecossistema deve auxiliar o Brasil a cumprir compromissos internacionais assumidos nos últimos anos, como a Convenção sobre Diversidade Biológica, que prevêem que até 2010 pelo menos 10% de cada região ecológica do mundo esteja efetivamente conservada.

“Só é possível alcançar essa meta quando se conhece a área ocupada por cada tipo de vegetação”, diz a agrônoma Maria Cecília Wey de Brito, secretária de Biodiversidade e Florestas do MMA. Além de orientar a fiscalização das áreas naturais mais ameaçadas do país e a criação de unidades de conservação, esse levantamento, se repetido no futuro, pode mostrar o impacto do desmatamento na emissão de gás carbônico, associado ao aumento da temperatura do planeta – os dados disponíveis atualmente se baseiam nas emissões de meados da década de 1990.

O levantamento feito pelo ministério reflete cinco séculos de história da ocupação do país moldados pelos desejos e possibilidades dos governantes, dos empresários e dos cidadãos comuns. Representa o que o historiador Caio Prado Júnior chamou de sentido da evolução geopolítica de um povo em seu clássico Formação do Brasil contemporâneo e deveria servir de base para a discussão e o planejamento do que se quer para o Brasil nas próximas décadas.

Clique aqui para ler o texto completo.

Fonte: Ricardo Zorzetto / Pesquisa Fapesp

Destaques da 2ª Mostra Juvenil de Ciência e Tecnologia do Mercosul

Transformar o gás metano em energia elétrica para pequenos prédios. Esse e outros projetos de países que integram o Mercado Comum do Sul foram os destaques da II Mostra Juvenil de Ciência e Tecnologia do Mercosul. A expectativa dos organizadores é que a iniciativa sirva para que os participantes se transformem em agentes multiplicadores da ciência nos seus devidos países. "Isso tem que ser uma marca. É necessário que alunos e professores contem aos outros estudantes essa experiência e, assim, desperte o interesse do jovem à iniciação científica", afirma Adriana Anunciatto Depieri, do Departamento de Popularização e Difusão da C&T, do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). Além disso, Adriana Anunciatto acrescenta que a iniciativa é importante pois incentiva os participantes a promoverem feiras de ciência em seus estados e países.

A professora do ensino médio da rede estadual de Pernambuco, Alessandra Primo de Moraes, é um bom exemplo. Ela conta que após sua visita à Mostra terá argumentos em favor das feiras de ciências. "Muitos professores pensam que essas mostras são apenas para dar notas e aprovar o aluno. Tenho certeza de que quando ouvirem e verem o que foi feito mudarão de idéia", afirma.

A aluna de Jaboatão dos Guararapes (PE), Amanda Cristina Gomes Dabosa Perieia, 16 anos, acredita que a Mostra foi uma grande oportunidade para divulgar seu trabalho. Cursando o terceiro ano do ensino médio, Amanda Gomes desenvolveu um projeto que aproveita o gás metano produzido em pequenas construções como shoppings, presídios, condomínios residenciais, e o transforma em energia elétrica por meio de vapor. "O metano é prejudicial e ajuda no efeito estufa. A nossa proposta é gerar energia por meio de uma caldeira que gera pressão e, por sua vez, aciona um equipamento para produzir e energia elétrica. Isso contribui para a preservação do meio ambiente", explica, acrescentando que agora espera mais apoio na divulgação do projeto.

Segundo Adriana Anunciatto, os resultados da Mostra do Mercosul foram positivos, uma vez que os objetivos de promover a integração regional de pesquisa em ciência e tecnologia entre estudantes do ensino médio, mais especificamente entre estudantes dos países membros e associados do Mercosul, foram alcançados. "Os professores e alunos dos projetos selecionados tiveram a oportunidade de conhecer o que é feito em outros países. Além disso, visitaram os estandes da Febrace, que têm trabalhos de alunos de quase todo Brasil", analisa.

A 3ª Mostra Juvenil de Ciência e Tecnologia do Mercosul será em 2010, porém ainda sem sede e data definidas. De acordo com Adriana Anunciatto, cabe ao Comitê Gestor de popularização da Ciência do Mercosul determiná-los. Nesta edição, a Mostra teve a participação de quatro países: Brasil, Argentina, Uruguai e Venezuela. Já a primeira edição foi realizada na cidade argentina de Salta, em 2006.

Fonte: Fabio Lino / Agência CT

MCT completa 23 anos de existência

O Ministério da Ciência e Tecnologia, que completou dia 15 23 anos de existência, comemora algumas conquistas e caminha para implementar metas ambiciosas para impulsionar a área.

Uma dessas metas é atingir a marca de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no investimento em ciência, tecnologia e inovação até 2010. E, na visão do ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, a participação do setor privado no desenvolvimento de pesquisa e inovação, para atingir esse patamar, é fundamental.

Baseado nisso, Rezende anunciou recentemente, após assinatura de convênios com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), que chamará a indústria para compor o Sistema Brasileiro de Ciência e Tecnologia (Sibratec). O sistema organizará institutos de pesquisa tecnológica em forma de redes temáticas para apoiar o desenvolvimento de pesquisa e inovação e a transferência de conhecimento para a indústria.

Os investimentos do governo para os próximos três anos, previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) de Ciência, Tecnologia e Inovação, serão da ordem de R$ 41 bilhões.

Metas e planejamentos como estes se consolidam, hoje, graças à existência de uma política que entende a importância da ciência para o desenvolvimento econômico do país. E o fato de ter uma pasta específica voltada para a ciência e a tecnologia tem papel central nesse processo. Mas nem sempre a comunidade científica contou com o apoio de uma pasta ministerial da área.

O Ministério da Ciência e Tecnologia foi criado por decreto em 1985 (Decreto nº 91.146, de 15 de março) e tem hoje cinco agências de fomento e prospecção tecnológica e 19 unidades de pesquisa científica, tecnológica e inovação.

Responsável pela formulação e implementação da Política Nacional de Ciência e Tecnologia, o ministério foi criado como órgão central do sistema federal de Ciência e Tecnologia.

Entre suas atribuições, estão a definição da Polícia Nacional de Ciência e Tecnologia; a coordenação de políticas setoriais; definição de Política de Desenvolvimento de Informática e Automação; da Política Nacional de Biossegurança; da Política Nacional Espacial; da Política Nacional Nuclear e controle de exportação de bens e serviços sensíveis.


História
Na década de 80, o político Renato Archer, juntamente com um grupo de cientistas, lançou a campanha pela criação do Ministério da Ciência e Tecnologia. O grupo teve a reivindicação atendida no governo José Sarney, que honrou compromisso assumido pelo presidente eleito Tancredo Neves com a comunidade científica.

Archer foi nomeado, então, como o primeiro ministro da pasta. E duas unidades passaram a ser vinculadas ao ministério, a Finaciadora de Estudos e Projetos (Finep) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Depois de Archer, vieram mais quatro ministros antes da fusão do Ministério da Ciência e Tecnologia com o Ministério do Desenvolvimento da Indústria e Comércio, em janeiro de 1989.

Dois meses depois, uma medida provisória dividiu as duas pastas, e criou a Secretaria Especial da Ciência e Tecnologia, que passou a ser o órgão central do governo federal para assuntos da área.

No mesmo ano, o Ministério da Ciência e Tecnologia foi recriado, por outra medida provisória. E, em 1990, o então presidente Fernando Collor extinguiu mais uma vez o ministério e implantou a Secretaria da Ciência e Tecnologia, ligada à Presidência da República.

Já nessa época, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) passaram a integrar a estrutura da nova secretaria.

Em 1992, o presidente Itamar Franco editou nova medida provisória que voltou a criar o ministério, que permanece como pasta da área até hoje.


Ministros da Ciência e Tecnologia desde a criação do Ministério

Renato Archer – de 15/03/85 a 23/10/87
Luis Henrique da Silveira – de 23/10/87 a 29/07/88
Ralph Biasi – de 15/08/88 a 15/01/89
Roberto Cardoso Alves – de 16/01/89 a 13/03/89
Décio Leal – de 29/03/89 a 29/11/89 (como secretário)
de 29/11/89 a 14/03/90 (como ministro)
José Goldemberg – de 15/03/90 a 21/08/91 (como secretário)
Edson Machado de Sousa – de 21/08/91 a 01/04/92 (como secretário)
Hélio Jaguaribe – de 01/04/92 a 01/10/92 (como secretário)
José Israel Vargas – de 27/10/92 a 01/01/99
Luiz Carlos Bresser Pereira – de 01/01/99 a 21/07/99
Ronaldo Mota Sardenberg – de 21/07/99 a 31/12/2002
Roberto Amaral – 01/01/2003 a 21/01/2004
Eduardo Campos – 23/01/2004 a 21/07/2005
Fonte: Agência CT

1º Simpósio Internacional de Propriedade Intelectual e Inovação em Biotecnologia

Estão abertas as inscrições para o 1º Simpósio Internacional de Propriedade Intelectual e Inovação em Biotecnologia, que será realizado de 8 a 10 de abril, em Belo Horizonte.

A programação do evento abordará a propriedade intelectual na área de biotecnologia de modo a sensibilizar instituições de ensino, empresas e órgãos do poder público para a necessidade de uma permanente reflexão sobre o tema.

A realização é da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), em parceria com a Organização Mundial de Propriedade Intelectual (Ompi) e o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). As inscrições são gratuitas e as vagas limitadas.

Mais informações: www.fapemig.br/simposio

Fonte: Gestão CT