quarta-feira, 12 de março de 2008

Portador da síndrome de Asperger defende tese de mestrado em biologia na Unicamp

O Instituto de Biologia (IB) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) foi agraciado, no mês passado, com a defesa de uma dissertação de mestrado que, além de fazer avançar o conhecimento científico na área de biologia marinha, representa um importante exemplo de superação de seu autor, Daniel Jansen, que é autista.

O aluno é portador da síndrome de Asperger, um transtorno de múltiplas funções do psiquismo que tem como uma de suas características principais a dificuldade de relacionamento e a interação social de seus portadores.

Sob a orientação da professora Fosca Pedini Pereira Leite, do Departamento de Zoologia do IB, Jansen descreveu, no litoral norte de São Paulo, 35 espécies de pequenos crustáceos, conhecidos como anfípodes, que vivem junto à Caulerpa racemosa, alga marinha muito estudada atualmente, principalmente na Europa, por ser invasora e estar substituindo outras espécies vegetais dos oceanos.

O estudo avaliou a variação sazonal da composição, diversidade e densidade da fauna de anfípodes associados à Caulerpa racemosa, em função da biomassa da alga e quantidade de sedimento por ela retido, em duas praias localizadas nas cidades de São Sebastião e Ubatuba. Nas quatro estações do ano, Jansen e Fosca realizaram coletas aleatórias de amostras de algas e dos substratos em seu entorno.

Segundo Fosca, o trabalho traz informações inéditas sobre os substratos biológicos da fauna da região estudada. “As comparações com os conhecimentos adquiridos em outros estudos de nosso laboratório nos mostraram uma composição faunística bastante diversa daquelas normalmente associadas, por exemplo, a algas do gênero Sargassum”, disse Fosca.

“O trabalho mostra que os pequenos crustáceos identificados por Daniel estão relacionados não só com o talo de Caulerpa racemosa, mas também com a areia e com os sedimentos retidos pela alga, indicando a presença de anfípodes possuidores de diferentes hábitos de vida”, explica Fosca.

Na praia de Cigarras, em São Sebastião, foram obtidos valores mais elevados de diversidade e dominância de anfípodes, comparados à praia da Fortaleza, em Ubatuba, apesar de a composição faunística ter sido semelhante nas duas praias.

Na praia de Cigarras, as espécies de anfípodes mais abundantes foram Hyale nigra, Cymadusa filosa e Shoemakerella nasuta e, na praia da Fortaleza, destacaram-se Elasmopus rapax e Hyale nigra.

Superando limites
Apesar de possuir excelente acuidade visual, habilidade que foi decisiva para a identificação das espécies, a maior dificuldade de Jansen, segundo Fosca, está em atividades que envolvem a coordenação motora fina.

“Por conta disso o estudo demorou um pouco mais que o habitual para ser concluído”, disse Fosca. O mestrado teve início em 2004 e término em fevereiro de 2008. “Mas, por outro lado, até onde sabemos, trata-se do primeiro aluno nessas condições a defender um trabalho de pós-graduação na Unicamp.”

Fosca conta que Jansen começou trabalhando com taxonomia no Departamento de Zoologia do IB, em outro projeto de pesquisa relacionado ao Programa Biota-FAPESP. “Aos poucos, respeitando seu ritmo e limitações, fomos discutindo a abordagem que seria dada ao trabalho de mestrado.”

Segundo ela, os problemas motores e de socialização de Jansen não influem sobre a sua capacidade intelectual. “Ele também tem uma capacidade de observação muito desenvolvida e consegue relacionar, com facilidade, as estruturas observadas com as descrições das espécies. Por isso o aconselhei a desenvolver um projeto de pesquisa relacionado à identificação de espécies de crustáceos, que também venho estudando há vários anos”, disse.

A docente faz questão ainda de dizer que Jansen foi aprovado em todas as disciplinas do mestrado e desenvolveu o estudo com o mesmo rigor científico dos outros alunos do Instituto de Biologia da Unicamp.

“Confesso que o processo não foi fácil e exigiu muita dedicação dos docentes do instituto. Mas, no final, o trabalho foi gratificante e deverá servir de exemplo para outros alunos nas mesmas condições de Daniel”, destacou Fosca.

Fonte: Thiago Romero /Agência Fapesp

Detecção precoce de fibrossarcoma experimental baseada em perfis de expressão gênica do sistema imune

Utilizando o método de análise por microarrays, um estudo realizado na Universidade de São Paulo (USP) detectou, em camundongos, a expressão de genes que ativam o sistema imunológico em resposta à presença de células tumorais. O trabalho poderá contribuir para o desenvolvimento de um método de detecção do câncer a partir de exames de sangue.

O trabalho intitulado "Detecção precoce de fibrossarcoma experimental baseada em perfis de expressão gênica do sistema imune", de Márcia Marques, do Grupo de Imunogenética Molecular da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, recebeu em fevereiro o Prêmio Capes de 2007 de Tese em Ciências Biológicas. A pesquisadora, que teve bolsa da FAPESP, foi orientada por Geraldo Passos, professor da FMRP. A entrega do prêmio está prevista para abril.

De acordo com Márcia, quanto mais cedo se detecta um câncer, maiores são as chances de sucesso no tratamento. Mas o diagnóstico precoce não é tarefa fácil, pois mesmo os métodos mais avançados de detecção pressupõem que o tumor já esteja visível. A estratégia foi utilizar a sensibilidade da vigilância imunológica para antecipar o diagnóstico.

“O objetivo foi avaliar o perfil de expressão gênica do sistema imunológco em respostas para células tumorais, de modo a criar uma estratégia para detecção precoce do câncer”, disse Márcia.

Quando o corpo detecta a presença de um patógeno como vírus, bactérias ou células tumorais, o sistema imunológico reage e as células de defesa são ativadas. Mas, mesmo antes dessa resposta celular, é possível captar a alteração molecular no perfil da expressão gênica.

“Para isso, usamos um modelo experimental de camundongos, no qual injetamos uma linhagem tumoral transfectada com o oncogene humano Ha-ras. Fizemos o acompanhamento completo do aparecimento do tumor in vivo e depois realizamos, com o método de microarrays, a análise de expressão gênica do timo e dos leucócitos”, explicou.

Foi também utilizado um grupo de controle composto por animais que não receberam a célula tumoral e dois outros grupos com animais com inflamação e infecção bacteriana, a fim de conseguir uma assinatura de hibridação dos animais com câncer.

“Como o intuito era a detecção precoce, injetamos números diferentes de células tumorais nos animais, a fim de observar qual seria a dose mínima necessária para que as células fossem detectáveis pela análise de mircroarrays”, disse.

Reconhecimento imunológico
O perfil de expressão genética foi avaliado apenas três dias após a coleta do sangue, isto é, antes da formação da massa tumoral. Alguns animais receberam 1 milhão de células, outros 100 mil e outros mil. A presença de 100 mil células foi suficiente para a detecção do câncer.

“Essa quantidade, no entanto, não confere um tumor. Nenhum aparelho atual seria capaz de detectar um tumor nesse estágio”, afirmou.

Antes do teste com células sangüíneas, a pesquisadora fez o experimento com células do timo dos animais – um órgão linfóide importante para a maturação de linfócitos e reconhecimento de antígeno.

“Partimos da idéia de que o reconhecimento de antígeno tumoral se daria pelo sistema imunológico do animal. Testamos primeiro o timo e tivemos uma resposta positiva. Mas não seria fácil, em uma possível aplicação clínica, extrair células do timo. Como o mais adequado seria o sangue, então partimos para os leucócitos”, explicou Márcia.

Para uma futura aplicação clínica, a estratégia precisa de uma série de ajustes, testes e controles, de acordo com a pesquisadora. “Será preciso realizar estudos com uma equipe médica e realizar estudos em pacientes no estágio mais precoce possível”, disse.

Fonte: Fábio de Castro / Agência Fapesp

Biodiesel: desafios atuais da produção e uso



Viabilidade econômica, impacto ambiental, qualidade do combustível, perspectivas de mercado: são várias as questões que surgem quando o tema é a produção e o uso em larga escala do biodiesel.

Os pesquisadores do Instituto Nacional de Tecnologia (INT/MCT), no entanto, apresentam estudos e soluções que mostram que o uso de biomassa para a produção de óleo diesel, cada vez mais, se caracteriza como uma alternativa viável e com boas perspectivas. O tema será apresentado ao público na próxima Terça Tecnológica, no dia 18 de março, às 14h30, no auditório Fonseca Costa, no INT.

As estratégias e oportunidades para a redução dos custos de produção do biodiesel com a qualidade referida serão apresentadas pelo químico Álvaro Barreto, pesquisador e gerente do Laboratório de Combustíveis e Lubrificantes do INT. O engenheiro metalúrgico Eduardo Cavalcanti, pesquisador da área de Corrosão do INT e sub-secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do estado do Rio de Janeiro no período de 2003 a 2006 falará sobre as perspectivas de mercado, as estratégias para o uso e a importância da qualidade assegurada do combustível, com validação em laboratório e em campo. Cavalcanti também falará sobre o trabalho da Rede Brasileira de Tecnologia de Biodiesel, patrocinada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, que coordena esforços de várias instituições de pesquisa do país para promoção conjunta do combustível.

Os estudos desenvolvidos pelo Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene/INT) serão apresentados pelo engenheiro químico James Correia de Melo, coordenador da Usina Piloto de Biodiesel no município de Caetés-PE. A usina foi viabilizada com recursos do MCT e produz até 2 mil litros por dia, dando suporte às pesquisas com diferentes óleos vegetais da Região Nordeste. O trabalho envolve toda a cadeia produtiva do biodiesel, desde a matéria-prima até a busca de novas tecnologias de uso do biocombustível em motores estacionários e veiculares.

O ciclo Terças Tecnológicas é voltado principalmente para os estudantes de graduação e pós-graduação. O objetivo é estimular o debate e a interação entre tecnologistas do INT e o público universitário, permitindo aos estudantes conhecer os projetos, pesquisas e tecnologias desenvolvidas no Instituto.

As inscrições para o evento podem ser feitas até às 12h00 de segunda-feira (17), pelo endereço eletrônico www.int.gov.br/3tecno . Os inscritos nesse prazo receberão certificado de participação

Serviço:
Terça Tecnológica
Tema: Biodiesel: desafios atuais da produção e uso
Data: 18 de março de 2008
Horário: 14h30 às 16h30
Local: Auditório Fonseca Costa/ INT - av. Venezuela, 82 - Praça Mauá - Rio de Janeiro
Informações e inscrições: www.int.gov.br/3tecno
Palestrantes: Álvaro Barreto (Divisão de Energia-INT), Eduardo Cavalcanti (Divisão de Corrosão-INT) e James Correia (Cetene-INT)
Organização: Divisão de Comunicação do INT – 21 2123-1295 / 2123-1242

Fonte: Justo D’Ávila / Agência CT

1ª Escola de Altos Estudos da Capes

O Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra (IINN-ELS) e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) recebem inscrições para a 1ª Escola de Altos Estudos, evento promovido pelas duas entidades em parceria com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes)

As inscrições vão até o dia 9 de maio. O evento ocorrerá de 1º de julho a 29 de agosto, em Macaíba (RN), e terá nove cursos ministrados por 28 pesquisadores de distintos centros internacionais, voltados para alunos de pós-graduação de todas as áreas afins às neurociências.

Mais informações: www.natalneuro.org.br

Fonte: Agência Fapesp