quinta-feira, 6 de março de 2008

Congelados, embriões não podem trazer benefícios à sociedade, afirma pesquisadora

O destino dos embriões congelados há 18 anos está em pauta hoje (5) no Supremo Tribunal Federal (STF). Caso o artigo 5º da Lei de Biossegurança, editada em 2005, seja considerado inconstitucional, segundo a professora da Universidade de São Paulo, Mayana Zatz, as pesquisas científicas brasileiras sofrerão prejuízos. “Os embriões continuarão congelados, não trazendo benefícios para a população”, afirmou, ao visitar na manhã desta quarta-feira o ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende.

A pesquisadora esteve com Rezende para agradecer o apoio do ministro às pesquisas com células-tronco embrionárias. “Não é uma luta contra uma determinada religião, mas a favor da sociedade”, acrescentou Mayana Zatz.

Sergio Rezende acredita na legalidade do artigo. Para ele, uma decisão favorável do Supremo Tribunal Federal (STF) será importante para o desenvolvimento da pesquisa brasileira na área de biologia molecular voltada à saúde. “Estou otimista quanto à decisão do Supremo ser favorável à utilização desses embriões, porque trata-se de uma tecnologia que traz esperanças às pessoas que precisam do tratamento de terapia celular. Além disso, existe uma opinião nacional totalmente favorável às pesquisas”, destacou.

A Lei de Biossegurança permitiu que os embriões produzidos in vitro, para fertilização artificial, pudessem ser utilizados na pesquisa e terapia da saúde humana. A sua utilização só pode ser feita a partir do seu terceiro ano de congelamento, com embriões considerados inviáveis para a reprodução humana. Eles seriam inevitavelmente descartados e foram colocados à disposição da comunidade científica com o objetivo de contribuir para a melhoria da saúde humana.

“É certo que ainda estamos em uma etapa inicial dos estudos e que, para os primeiros resultados concretos, temos uma longa estrada pela frente. Para se ter idéia da extensão dos estudos, as pesquisas que o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia, vêm desenvolvendo desde 2004, com um investimento de R$ 24 milhões, trarão os seus primeiros resultados em 2009. São pesquisas que têm o objetivo de trazer respostas para agravos como as lesões raquimedulares, diabetes, doenças genéticas, entre outras”, explicou Sergio Rezende.

Ao final do encontro, o ministro destacou o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva às pesquisas com células-tronco. A visita foi acompanhada pelos secretários Luiz Antonio Elias (Executivo) e Luiz Antonio Barreto de Castro (de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento).
Fonte: Agência CT

Ministro-relator avalia que pesquisas com células-tronco são constitucionais

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Britto, que é o relator do julgamento que avalia a constitucionalidade das pesquisas com células-tronco embrionárias humanas, decidiu votar favoravelmente a este tipo de pesquisa. O plenário do Supremo Tribunal Federal iniciou ontem (5) o julgamento sobre o artigo 5º da Lei de Biossegurança.

Segundo informações do tribunal, o ministro considerou improcedente a ação direta de inconstitucionalidade (ADI 3510) contra o artigo 5º da Lei de Biossegurança, que prevê a liberação das pesquisas.

A leitura do voto durou mais de uma hora e em seus argumentos o ministro disse que o embrião in vitro pode salvar a vida de pessoas por meio de descobertas advindas de pesquisas. Em sua avaliação, a Lei de Biossegurança não impõe “um frio assassinato” aos embriões, mas possibilita uma solução ao “infortúnio alheio” de pessoas com doenças.

Segundo informações do STF, Ayres Britto ainda acrescentou que a Constituição Federal “é de um silêncio de morte” sobre o início da vida. E que, em sua avaliação, ela protege o ser humano já nascido. “Vida humana, com personalidade jurídica, é fenômeno que ocorre entre o nascimento e a morte”, disse. Após o voto do relator os demais ministros do plenário proferirão suas opiniões. A ministra Ellen Gracie, que é presidente do STF, seguiu o voto do relator e também julgou pela constitucionalidade das pesquisas.

O julgamento foi interrompido, conforme previsto por alguns juristas, pelo ministro Carlos Alberto Menezes Direito, que pediu vista ao processo. Este tipo de pedido é feito quando um ministro avalia que precisa estudar um pouco mais sobre o assunto. Quando ele decidir pelo seu voto, o plenário retomará o julgamento. Ainda não há uma data definida para que isso aconteça.

Pesquisa
Uma sondagem realizada pelo Ibope, sob encomenda da organização não-governamental Católicas pelo Direito de Decidir, publicada pelo jornal Folha de S.Paulo, no dia 2, mostrou que 75% dos brasileiros concordam com a afirmação de que o apoio ao uso de células-tronco embrionárias para tratamento e recuperação de pessoas com doenças graves é uma atitude em defesa da vida.

Outros 20% dos entrevistados declararam concordar parcialmente e 5% disseram discordar total ou parcialmente da afirmação.

Ainda de acordo com a pesquisa, 94% dos católicos disseram concordar com a afirmação e 97% dos entrevistados com formação em nível superior também estão de acordo.

Opiniões
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, é a favor das pesquisas. “Sou favorável à aprovação de pesquisas com células-tronco embrionárias. O mundo não pode prescindir de um conhecimento científico que pode salvar a humanidade”, disse o presidente, em notícia divulgada pela Agência Brasil, ontem (4).
Já o ex-procurador Geral da República, Cláudio Fonteles, que propôs a ação no STF, em 2005, disse, esta semana em entrevista à Rádio Nacional, que a ação não é um empecilho à pesquisa com células-tronco, mas um impedimento a uma única linha de pesquisa “que significa matar seres humanos”.

Para ele, “no momento em que acontece a fecundação, surge a célula que chamamos de zigoto. E o zigoto, independentemente de qualquer mecanismo materno ou paterno, por si só se autodinamiza e se automovimenta”, e, por isso, seria já um ser humano em desenvolvimento.

Também em entrevista à Rádio Nacional, o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Bioética, Sérgio Rego, disse que os embriões são “um punhado de células que não constituem ainda uma pessoa”. Em sua avaliação, não se chega nem a ter célula nervosa nessas células que a Lei de Biossegurança define como pré-embrião. O cientista ainda comparou a aceitação do uso das células do pré-embrião à posição de que a morte cerebral define o fim da vida da pessoa, o que torna viável um transplante.

Momento
A vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Helena Nader, disse, que antes de tudo, o momento é histórico. “É um momento histórico, em que a comunidade está debatendo um assunto de impacto para toda a população, discutindo ciência: o que é, o que cabe a cada um dos poderes, qual a limitação, até onde pode ir a decisão do conselho do STF, a não discussão de religião”, afirmou em entrevista divulgada pela SBPC.

Segundo Nader, os ministros adotaram uma posição democrática ao promover no ano passado uma audiência pública sobre o tema. Foi a primeira vez, em toda a história do tribunal que os ministros promoveram um debate para esclarecer opiniões sobre o processo.

Nader ainda diz acreditar que como cientista e como cidadã espera que as pesquisas sejam autorizadas pelo STF. “A ciência caminha e vamos aprendendo, as posições vão sendo revistas. A ética não é estanque, ela também amadurece, também forma novos conceitos. Coisas que antes não faziam parte da discussão estão tendo que fazer. Não quero nem pensar no que seria um não”, ressalta.

Fonte: Gestão CT

Brasileiros e portugueses desenvolvem novo modelo animal para o estudo dos efeitos da malária

Pesquisadores brasileiros e portugueses desenvolveram um novo modelo animal para o estudo dos efeitos da malária durante a gravidez, que causa anemia materna, diminuição da viabilidade do feto e crescimento intra-uterino retardado. O trabalho foi publicado na revista de acesso aberto Plos One.

Todos os anos pelo menos 50 milhões de mulheres grávidas são expostas à malária. Estima-se que no continente africano, anualmente, 10 mil gestantes e 200 mil crianças morram em decorrência da malária associada à gravidez.

De acordo com o autor brasileiro da pesquisa, Cláudio Marinho, pós-doutorando no Instituto Gulbenkian de Ciência, em Portugal, o modelo em camundongos, que reproduz as características patológicas observadas em casos humanos, trará uma importante contribuição para a compreensão de diversos aspectos da malária gestacional, além de ser uma importante ferramenta para o teste de novas drogas e vacinas.

“É um problema humano de dimensões dramáticas, principalmente no continente africano, que é o foco dos estudos do instituto. Lá a doença é causada principalmente pelo Plasmodium falciparum, que é mais agressivo do que o parasita predominante na Amazônia, o Plasmodium vivax”, disse Marinho.

Segundo o cientista, o grupo utilizou uma linhagem de camundongos que foi infectada com um parasita transgênico. “O gene inserido, quando transcrito, gera uma proteína, chamada de GFP, que emite luz verde ao ser estimulada com determinado comprimento de onda. Isso possibilita a visualização do parasita, que pode ser facilmente localizado em qualquer tecido do animal”, disse.

De acordo com o cientista, um dos maiores problemas para se estudar a malária na gravidez é que os pesquisadores praticamente só têm acesso à placenta humana após o fim da gravidez e até hoje não existia um modelo animal apropriado. Segundo ele, o parasita causa uma inflamação na placenta que compromete a troca de gases respiratórios e de nutrientes com o feto.

“Para escapar da ação do sistema imune, o parasita se aloja em determinadas regiões do corpo, como as paredes dos vasos sangüíneos. No caso da mulher grávida, ele acaba sendo seqüestrado na placenta. Quando ele se aloja ali, o corpo reage com um processo inflamatório”, disse o pesquisador.

Para criar o modelo, os cientistas acompanharam desde o início a gestação de camundongos. “As fêmeas ficavam com os machos por apenas dois dias, para sabermos com certa precisão quando teve início a gravidez. Uma secreção na vagina indica que houve cópula. Quando ela aparecia, começávamos a monitorar a curva de peso da fêmea, para confirmar a gravidez”, explicou.

O período de gestação do camundongo é de 21 dias, segundo Marinho. “No 13º dia – o que equivale aproximadamente ao fim do segundo trimestre da gravidez humana – nós infectamos os camundongos com uma injeção de um milhão de parasitas”, disse.

A partir daí, os cientistas continuaram acompanhado a curva de aquisição de peso e passaram a monitorar a quantidade de parasitas no sangue do animal. No 18º dia de gravidez, os animais foram separados em dois grupos.

“Num deles, deixamos os filhotes nascerem, para acompanharmos os problemas de desenvolvimento. No outro grupo, sacrificamos os animais e retiramos as placentas para estudar a patologia e quantificar a expressão de genes inflamatórios”, explicou.

Inicialmente, disse Marinho, o estudo visava a desenvolver um modelo para estudar a doença placentária e compreender os mecanismos imunopatológicos reponsáveis pelo baixo peso ao nascimento, identificado em 15% das crianças que nascem de mães com malária durante a gravidez. O modelo, no entanto, poderá ser usado para testes de novas drogas e protocolos de imunização.

“Existe um vácuo no conhecimento desses processos, principalmente nos primeiros meses de gravidez. Suspeitamos que o processo inflamatório na placenta dificulte também a passagem de anticorpos maternos que normalmente protegem a criança. Mas ainda não conhecemos exatamente os mecanismos responsáveis pelo baixo peso ao nascimento. Esse é o nosso foco de investigação agora”, disse.

O modelo, no futuro, poderá servir, segundo o cientista, para estudar a fisiopatologia desses problemas, os mecanismos moleculares e os mediadores inflamatórios que atuam no processo. O estudo foi financiado pela Fundação para Ciência e Tecnologia da União Européia e pelo Instituto Gulbenkian de Ciência em Portugal.

“Outro foco de interesse é que pouco sabemos sobre o Plasmodium vivax. Sabe-se que ele pode causar problemas durante a gravidez, mas os estudos são incipientes. Voltando ao Brasil vou procurar também estudar os efeitos da infecção por este parasita durante a gestação”, disse o cientista, que passou três anos em Portugal e, dentro de três meses, passará a trabalhar no departamento de Ciências Biológicas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

O artigo Pregnancy Outcome and Placenta Pathology in Plasmodium berghei ANKA Infected Mice Reproduce the Pathogenesis of Severe Malaria in Pregnant Women, de Claudio Marinho e outros, pode ser lido em www.plosone.org .

Fonte: Fábio de Castro / Agência Fapesp

R$ 281,8 milhões para ações transversais

O Conselho Diretor do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) aprovou o remanejamento de R$ 281,8 milhões do orçamento do Fundo, que aguarda aprovação no Congresso Nacional, para ações transversais em 2008. Essa modalidade de apoio, operada pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCT), prevê o financiamento de projetos inovadores com recursos provenientes de vários fundos setoriais. A decisão foi tomada na reunião de posse dos conselheiros em Brasília.

A proposta foi apresentada pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, que também conseguiu do Conselho aprovação para as diretrizes que vão nortear as políticas setoriais dos comitês gestores de cada fundo.

O orçamento do FNDCT, que tem a Finep como secretaria executiva, é formado com recursos de 15 fundos setoriais, de áreas como transporte, agronegócio, biotecnologia, petróleo, informática e energia. “A nova estrutura do Fundo permite, pela primeira vez, ações integradas alinhadas com as prioridades do desenvolvimento nacional”, disse o presidente da Finep, Luis Fernandes, que integra o Conselho Diretor.

Na próxima reunião do Conselho, prevista para acontecer no mês de abril, será discutido um novo remanejamento dos recursos do FNDCT para as chamadas ações transversais. A meta é aplicar em 2008 mais R$ 313,2 milhões nesse tipo de operação, perfazendo um total de R$ 595 milhões. A aprovação dessa nova proposta, no entanto, depende de negociações com os comitês gestores de cada fundo.

Este ano, o orçamento do FNDCT deverá chegar a R$ 2 bilhões. A verba destinada a ações transversais vai beneficiar projetos estratégicos em áreas como difusão e popularização da ciência e tecnologia para inclusão social, materiais e dispositivos avançados, microeletrônica e fomento a projetos institucionais de pesquisa e desenvolvimento em nanociência e nanotecnologia.

Anunciados no dia 27 de dezembro de 2007, os membros do Conselho têm a tarefa de definir estratégias e políticas de alocação dos recursos do fundo, de acordo com as diretrizes da Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação e com as prioridades da Política Industrial e Tecnológica Nacional.

Presidido pelo ministro da Ciência e Tecnologia, o Conselho conta com representantes da Finep, dos ministérios da Educação (MEC), do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) e da Fazenda (MF), dos setores empresariais e de trabalhadores.

Fonte: Agência CT

CNPq divulga resultado da primeira chamada para concessão de bolsas de mestrado e doutorado

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) divulgou o resultado da primeira chamada do edital MCT/CNPq nº 27/2007 para concessão de bolsas de mestrado e doutorado a orientadores vinculados a programas de pós-graduação stricto sensu reconhecidos pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes/MEC).

Voltado para promover a consolidação e o fortalecimento da pós-graduação brasileira em áreas estratégicas, o edital deverá apoiar, nesta chamada, mais de 800 projetos, dos 6,5 mil enviados ao CNPq. As propostas foram avaliadas por um comitê temático composto por 51 pesquisadores.

Os projetos foram divididos em cinco linhas temáticas: Engenharias, Ciências da Vida, Agrárias, Exatas e da Terra e Interdisciplinares – Mar e Antártica, Trauma, Violência e Segurança Pública.

Para concorrer à segunda chamada do edital, os coordenadores dos projetos deverão enviar as propostas até o dia 15 de maio, por meio do Formulário Eletrônico, disponível em http://efomento.cnpq.br/efomento , a partir do dia 10 de março.

Para a primeira chamada foram destinados cerca de R$ 25 milhões provenientes dos Fundos Setoriais. Igual valor será destinado para apoiar as propostas aprovadas na segunda chamada, com resultado previsto para a segunda quinzena de junho.

Mais informações: http://www.cnpq.br/

Fonte: Agência Fapesp

Entidades empresariais poderão integrar o Sibratec - Sistema Brasileiro de Ciência e Tecnologia

Entidades empresariais poderão integrar o Sistema Brasileiro de Ciência e Tecnologia (Sibratec) de forma a fortalecer o papel indutor de inovação da indústria nacional. A meta foi anunciada hoje (5) pelo ministro da Ciência e Tecnologia (MCT), Sergio Rezende, durante cerimônia de assinatura de convênios, entre o ministério e a Confederação Nacional da Indústria (CNI), que incentivam o desenvolvimento de projetos de inovação e tecnologias sociais para empresas.

Rezende destacou as linhas do Plano de Ação em Ciência e Tecnologia (PAC) que têm a indústria como alvo, que são a inovação tecnológica nas empresas e ciência e tecnologia para a inclusão e o desenvolvimento social. "Esses documentos que estamos assinando hoje têm relação direta com as prioridades do Plano. Um dos maiores desafios que temos é ter a inovação tecnológica como parte essencial do processo produtivo das empresas, algo que, por uma questão cultural, era limitado até certo tempo", observou. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) também é signatário dos protocolos de intenção.
O ministro explicou que o Sibratec tem o objetivo de tornar o setor industrial, com base em desenvolvimento tecnológico, tão competitivo quanto é o agronegócio brasileiro com o trabalho de pesquisa e transferência de tecnologia que vem fazendo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), nos últimos 35 anos.

"Estamos colocando em marcha o Sibratec, inspirado no sucesso Embrapa. Nós assumimos o desafio de fazer a Embrapa da tecnologia, da indústria. Esse sistema não será feito com a criação de novas entidades. Vamos agregar toda a experiência que existe no Brasil, fazendo levantamento completo de informações e chamar entidades empresariais para participar desse sistema", disse.

Ele lembrou que o Sibratec contará com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico (FNDCT), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do CNPq.

"O Brasil precisa dobrar os esforços na área de inovação para competir no mercado internacional. Isso depende de um arranjo que envolva empresas, governo, universidades e sociedade", disse o presidente da CNI, Armando Monteiro Neto. Ao reconhecer o papel da indústria em impulsionar o desenvolvimento científico e tecnológico, o presidente da CNI comentou que a parceria com o MCT terá foco no desenvolvimento humano e também no aumento de competitividade.

Os convênios assinados hoje (5) têm duração de cinco anos e somam investimentos de R$ 13,4 milhões. O CNPq investirá R$ 2,6 milhões em bolsas tecnológicas para pesquisa a serem distribuídas no convênio com o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial); R$ 3 milhões em bolsas para pesquisa, desenvolvimento e extensão destinadas ao Sesi (Serviço Social da Indústria); e R$ 7,8 milhões vão para capacitação empresarial de empresas de pequeno porte, no convênio em que o executor será o Instituto Euvaldo Lodi (IEL). As três instituições fazem parte do Sistema Indústria da CNI.

Fonte: Agência CT

Uma História da Ciência da Informação

A ciência da informação enfrenta na atualidade uma serie de desafios de permanência da área como campo de conhecimento estabelecido . As tecnologias que vieram com a Internet estão modificando e transformando profundamente as atividades na pratica do cotidiano e em quase todas as áreas do saber.

Ao mexer com o espaço e o tempo da condições de geração, transferência , acesso e uso da informação, todos setores do núcleo formativo da área precisam ser repensados ou reformulados ou esquecidos.

Áreas como a organização, a gestão a comunicação cientifica e as metrias da informação precisam ser repensadas em um novo contexto das tecnologias intensas. A escrita , a leitura e o código de interface gerador vs receptor foram abalados estruturalmente pela base digital.

O frágil arcabouço teórico da área, de pouco consenso, na sua formulação sempre correu atrás das práticas de informação em transformação contínua, para construir uma explanação epistemológica coerente com a mudança constante.

Todos os discursos precisam ser revistos e a história de como foi a ciência da informação até agora precisa ser contada

Há um silêncio dos sensatos na área ciência da informação. O silencio do conhecimento é o silêncio da incomunicação, uma terrível desarmonia do discurso velho com uma realidade nova. Existe uma grave solenidade no momento atual, que é de despedidada do velho e acolhimento do novo. Uma solidão de convivência conjunta entre Tânatos e Eros.

Todo o falar sobre a coisa em si deve ser comedido e cauteloso por esta situação de um campo que se encontra em se refazendo. Apregoar o discurso antigo nos coloca na situação do papagaio dos índios Atures *. Uma aturdida ave de cores brilhantes vivendo entre as ruínas e repetindo uma e outra vez longos discursos numa língua incompreensível. Até não restar mais ninguém que a entendesse.

Mas o novo não apaga o caminho percorrido. A história de como tudo começou, e da conquistas alcançadas é bonita e precisa ser contada. Ao domiciliar estas memórias podemos deslembrar um passado para conviver no futuro de uma área transformada. Deslembrar nunca esquecer.

Por essa razão escrevemos " Uma História da Ciência da Informação" em Livro lançado semana passada pelo ICI da UFBA, Chamado Para entender a Ciência da Informação , organizado por Lidia Maria Brandão Toutain onde estou na companhia de ótimos autores confirmado pelo no Sumario que revelo abaixo:

Uma história da ciência da Informação
Aldo de Albuquerque Barreto

Filosofia da ciência da informação
Jaime Robredo

Abordagem Inter e transdisciplinar
Maria da Paixão Neres de Souza

Representação da informação visual
Lídia Brandão Toutain

Organização do conhecimento
Rosali Fernandez de Souza

Literatura científica, comunicação científica
Suzana Pinheiro Machado Mueller

Acesso livre
Hélio Kuramoto

La era de Ia partlcipación
Maria Ángeles Cabrera González

A bibliometria
Rubén Urbizagástegui Alvarado

A matemática da Informação
Yves-François Le Coadic

O livro é o nº 6 da coleção Sala de Aula e pode ser adquirido na Editora da UFBA , EDUFBA no tel/fax (71) 3283 6164, e-mail ou contatando a organizadora do livro Lídia Brandão .

Fonte: Aldo Barreto / UFBA

Projeto para sítio de lançamento do foguete Ciclone IV ficará pronto em quatro meses

O projeto base para a construção do sítio de lançamento do foguete Ciclone IV deverá ficar pronto em quatro meses. Nesse prazo, também será concluída licitação para a obra. As informações foram repassadas pelo diretor-geral da Alcântara Cyclone Space (ACS) da parte ucraniana, Oleksandr Serdyuk. "Queremos até o final do ano conseguir todas as licenças para o inicio da obra já em 2009", informou.

Os membros do Conselho Fiscal e Administrativo da empresa binacional Alcântara Cyclone Space se reuniram na sede da Agência Espacial Brasileira (AEB/MCT), em Brasília, no início desta semana. O presidente da AEB, Miguel Henze, participou como convidado das duas reuniões. Na segunda-feira, o Conselho Fiscal da empresa se reuniu pela primeira vez. Na ocasião houve a escolha do presidente do Conselho, Líscio Camargo, que ocupará o cargo por um ano.

Ontem pela manhã, o Conselho Administrativo realizou sua segunda reunião. O diretor-geral da ACS pela parte brasileira, Roberto Amaral, reafirmou a importância da empresa para o País, a qual segundo ele, "não se trata apenas de um empreendimento comercial, mas também um projeto de desenvolvimento social e científico". A próxima reunião do Conselho Administrativo será em maio, em Kiev, na Ucrânia.

Fonte: Agência CT

Fapesp, Embaixada Britânica e BBSRC realizam workshop sobre bioenergia

A FAPESP, em parceria com a Embaixada Britânica e com o Biotechnology and Biological Sciences Research Council (BBSRC) do Reino Unido, está organizando, no dia 10 de março, em São Paulo, o workshop sobre bioenergia, que integra as atividades do Ano Brasileiro Britânico da Ciência & Inovação.

O evento, que ocorrerá das 11 às 18 horas, na sede da fundação, reunirá pesquisadores brasileiros e britânicos, além do professor John Beddington, conselheiro-chefe para Assuntos Científicos do Governo Britânico.

Na ocasião, o diretor científico da FAPESP falará sobre “O programa de pesquisa da FAPESP sobre etanol”. “Melhora da produção de biomassa dentro do contexto de uso sustentável da terra” será o assunto abordado por Angela Karp, da Rothamsted Research - Bioenergy and Climate Change Centre, e “Síntese de lignocelulose e bioquímica vegetal”, por Paul Dupree, do Departamento de Bioquímica da Universidade de Cambridge.

A programação contará ainda com as palestras “Engenharia metabólica de termófilos para produção de bioetanol a partir de lignocelulose”, de David Leak, da Faculdade de Ciências Naturais do Imperial College, e “Biocombustíveis e a Shell”, de Michael Goosey, da Shell Global Solution Cheshire Innovation Park.

A última apresentação será “Estratégias para otimizar a fermentação de bioetanol em larga escala”, conduzida por Katherine Smart, da Escola de Biociências da Universidade de Nottingham. Todas as palestras do evento, que é isento de taxa de inscrição e contará com tradução simultânea, serão seguidas de debate.

Para inscrever-se: http://www.pontocomm.com.br/fapesp/RU/convrsvp.asp

Fonte: Agência Fapesp

R$ 400 mil para realização de eventos científicos e tecnológicos no Mato Grosso

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Mato Grosso (Fapemat) lançou edital que pretende investir R$ 400 mil na realização de eventos científicos e tecnológicos.

O objetivo da chamada é apoiar a realização de congressos, simpósios, workshops, seminários, ciclos de palestras e conferências, de âmbito nacional, regional e local.

Os eventos devem ser destinados exclusivamente às atividades de CT&I e deverão ser realizados no Mato Grosso nos períodos de abril a julho de 2008 e de agosto a dezembro do mesmo ano.

Cada evento poderá solicitar um valor máximo de R$ 20 mil. A Fapemat investirá R$ 150 mil para os eventos do primeiro semestre e o restante para os eventos do segundo semestre.

Para eventos que ocorrerão no primeiro semestre, os projetos devem ser enviados até 14 de março. Para os eventos do segundo semestre o prazo final é 14 de abril. A íntegra da chamada está disponível no site da Fapemat.

Mais informações: www.fapemat.br

Fonte: Agência Fapesp

Medicina da Noite

Considerando que muitas doenças apresentam horário preferencial de manifestação e que o organismo humano se modifica durante a noite, fazendo com que certos males ocorram com mais intensidade nesse período, o livro Medicina da noite: da cronobiologia à prática clínica faz uma compilação das principais conquistas dessa área do conhecimento nas últimas décadas.

A cronobiologia, ciência relativamente recente que começou a se desenvolver a partir de meados do século 20, estuda os fenômenos biológicos dos seres vivos em função do tempo. Em outras palavras, trata-se do estudo do horário em que as doenças tendem a se manifestar.

A obra, que acaba de ser lançada pela Editora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), traz artigos de médicos brasileiros que abordam, com base em pesquisas científicas, revisão de literatura e experiências de consultório, a influência da cronobiologia em diversas especialidades, entre elas endocrinologia, neurologia, psiquiatria, pneumologia, cardiologia, reumatologia e ginecologia.

“A cronobiologia não envolve apenas os ciclos diários relacionados ao dia e à noite, mas envolve também fenômenos mensais, cujo grande exemplo é a menstruação. Esse talvez seja o ciclo biológico marcado pelo tempo mais conhecido pela humanidade”, disse José Manoel Jansen, um dos organizadores do livro.

A publicação informa, por exemplo, que as doenças inflamatórias em geral, assim como problemas alérgicos como rinite e asma, tendem a piorar na madrugada, período marcado também pela maior prevalência de mortes cirúrgicas e pelo aumento do número de mulheres em trabalho de parto.

“Uma das explicações para a maior prevalência dos partos, algo que é estudado desde 1700 no mundo civilizado, é o maior relaxamento das mães durante a noite. Por outro lado, as causas da maior incidência das mortes cirúrgicas nesse período ainda não são completamente conhecidas”, disse Jansen, que é professor da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj)

O livro também aborda a cronofarmacologia, que estuda os efeitos dos medicamentos em função do tempo. “Dependendo da hora do dia, o organismo também reage aos remédios de forma variada. Por isso os médicos normalmente especificam os horários mais indicados para a ingestão de cada medicamento, levando em conta o período mais propício de manifestação dos sintomas de uma doença”, explica.

Segundo Jansen, os pesquisadores do Grupo Multidisciplinar de Desenvolvimento e Ritmos Biológicos (GMDRB), vinculado ao Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP), são os pioneiros em estudos sobre cronobiologia no Brasil.

Importância do sono
A obra descreve ainda a contribuição das noites bem dormidas para a menor ocorrência de doenças, mostrando a importância do sono como um fenômeno vital, tão necessário quanto a alimentação, que contribui para a recuperação das funções física e psíquica dos indivíduos.

“Os problemas cronobiológicos são mais intensos, por exemplo, em pessoas que trabalham em turnos alternantes, ou seja, em alguns dias da semana durante o dia e em outros durante a noite. Esses indivíduos estão mais propensos a desenvolver males como úlcera e diarréia”, explica o professor.

“Quando viajamos para outros países que têm fusos horário distintos, por exemplo, também desarranjamos essa ordem temporal interna do nosso organismo, o que nos faz ficar mais irritados e inquietos”, complementa.

O livro, que tem 340 páginas e está sendo vendido por R$ 74, descreve ainda os mecanismos biológicos que controlam a relação do ser humano com o tempo, levando em conta suas variações nas diferentes faixas etárias.

“Os fenômenos cronobiológicos existem desde os animais mais primitivos. Durante a evolução, provavelmente alguns desses organismos, incluindo as plantas e os animais unicelulares, conseguiram se adaptar às variações temporais do dia e da noite, enquanto outros não se adaptaram e desapareceram”, explica Jansen.

Segundo ele, os principais estudos sobre o assunto, que começaram com a mosca Drosophila melanogaster, identificaram no ser humano quatro genes que, devido a mecanismos específicos de produção de proteínas, são responsáveis pelo controle das marcações temporais dos fenômenos biológicos do organismo.

No hipotálamo do cérebro humano, conta Jansen, existe uma espécie de “relógio biológico principal”, nomeado de núcleo supraquiasmático. “As células do organismos também possuem pequenos relógios biológicos que são guiados por esse relógio maior presente no cérebro, que controla todo o sistema nervoso e imunológico dos seres humanos”, conclui o professor.

Mais informações sobre o livro: http://www.fiocruz.br/

Fonte: Thiago Romero / Agência Fapesp

Sistemas de Diagnóstico das Condições da Usinagem pela Geometria do Cavaco

Um projeto de pesquisa conjunto da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC/PR) e Universidade Estadual Paulista (UNESP) está desenvolvendo Sistemas de Diagnóstico das Condições da Usinagem pela Geometria do Cavaco.

Os professores envolvidos no projeto são: Alisson Rocha Machado (Dr., UFU), Alexandre Mendes Abrão (Dr., UFMG), Marcos Valério (Dr., UNESP), Karin Borsato (Dra., PUC/PR) e seus alunos de mestrado e iniciação científica, que analisarão a usinagem do aço inox ABNT 304 e de uma liga de Níquel. Futuramente será analisado o ABNT 316.

A intenção é analisar as características de cavacos produzidos sob várias condições e ferramentas de corte, para estabelecer relações entre estas condições e as características do cavaco depois de pronto. No caso do aço inox 304, as velocidades de corte analisadas são de 125, 130, 150, 160 e 170 m/min. As outras condições são mantidas constantes: avanço de 0,15 mm/volta e profundidade de 1,0 mm.

Este estudo vai possibilitar determinar o nível de desgaste de uma ferramenta de usinagem através de um método que evite a interrupção do processo de corte, como uma alternativa para evitar custos adicionais e a diminuição da produtividade.

“Como todo processo de formação do cavaco gera deformação e acréscimo de temperatura, algumas características do cavaco (tipo, forma, coloração, etc.) podem ser relacionadas diretamente ao desgaste da ferramenta”, diz o professor Marcio Bacci da Silva, professor da UFU.

Os resultados do teste com o aço inox 304 serão divulgados através de uma dissertação até o final do mês. Investigações com outros materiais continuarão sendo feitas até 2008.

O projeto de Desenvolvimento de Sistemas de Diagnóstico das Condições da Usinagem pela Geometria do Cavaco está orçado em aproximadamente R$ 20.000,00, que serão utilizados em diárias, passagens e material de consumo.

Esta pesquisa é apoiada pelo Instituto Fábrica do Milênio, que incentivou a colaboração de pesquisadores de outras instituições no projeto “Não apenas colaboração pessoal, mas a utilização de infraestrutura laboratorial de várias instituições”, disse Márcio “Além de incentivar o desenvolvimento de pesquisas que podem melhorar o setor produtivo do país”.

Fonte: Cimm