quarta-feira, 5 de março de 2008

STF decide hoje se pesquisas com células-tronco embrionárias humanas são ou não são constitucionais

Os 11 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) se reúnem nesta quarta-feira (5/3) para decidir se as pesquisas com células-tronco embrionárias humanas são ou não são constitucionais. Pela complexidade, a questão gerou longas discussões e polêmicas acirradas que opuseram comunidade científica e setores da Igreja católica. Houve, entretanto, um consenso: trata-se do mais importante julgamento na história do STF.

Em março de 2005, as pesquisas com células-tronco embrionárias humanas foram aprovadas no Brasil no âmbito da Lei de Biossegurança. Em maio do mesmo ano, no entanto, o então procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, entrou no STF com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) contra o artigo a respeito das pesquisas, sob a alegação de que estudos do gênero feriam “o direito de embriões”. O pedido foi acatado no fim de 2006.

“O julgamento é um divisor de águas para a sociedade brasileira. A decisão do STF vai colocar à prova o caráter laico do Estado. Além disso, todo o debate em torno da questão está sendo extremamente importante para aprimorar a percepção do público em relação à ciência”, disse Stevens Rehen, professor do Departamento de Anatomia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e presidente da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC).

Para Rehen, a pouca informação dos brasileiros sobre ciência dificultou a discussão. “Foi um desafio informar a sociedade, de uma hora para outra, sobre um assunto de tamanha complexidade. Mas acredito que conseguimos argumentar com fundamento e discutir o que era necessário. Agora, cabe à Justiça decidir com prudência”, disse.

Segundo ele, é impossível avaliar o quanto a Adin atrasou as pesquisas brasileiras – o país não derivou até hoje nenhuma linhagem de células-tronco embrionárias. “O laboratório que coordeno, por exemplo, tem 17 pesquisadores e apenas dois estão em tempo integral nessa linha. Isso ocorre porque é arriscado investir em uma pesquisa que pode se tornar ilegal”, afirmou.

Rehen espera que o STF consiga avaliar o caso com serenidade, superando a argumentação emocional. “É inevitável que haja polarização em uma discussão que envolve dogmas religiosos. Esse é um embate natural desde Galileu. É importante preservar valores sociais e religiosos, mas esperamos que a decisão leve em conta os critérios próprios de uma ética laica”, disse.

Alternativas científicas
Para o jurista Ives Gandra Martins, que elaborou para a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) um memorial dirigido aos ministros do STF, o debate teve nível elevado e não entrou em momento algum na questão religiosa.

“Não tratamos de nenhum problema religioso, mas apenas de ciência e direito. Do ponto de vista científico, não há como dizer quando começa a vida, mas consideramos que o zigoto, por evoluir necessariamente para a forma humana, é um ser humano em uma das formas de sua existência. E, para a Constituição, o direito à vida é inviolável”, disse o professor emérito da Universidade Mackenzie.

Partindo desse ponto de vista, Martins defende o uso de células-tronco adultas para pesquisas, com base no estudo, divulgado em junho de 2007, no qual pesquisadores do Japão e dos Estados Unidos criaram células-tronco pluripotentes induzidas a partir da pele de camundongos e que poderiam ser utilizadas para produzir todos os tipos de tecidos do corpo. Em novembro, duas equipes anunciaram o mesmo feito com células da pele humana.

“Esses avanços possibilitam a reprogramação de células sem necessidade do uso de embriões, sem problemas éticos nem de rejeição ou de geração de tumores. De modo geral, as células-tronco adultas têm apresentado bons resultados em testes clínicos e se apresentam como uma solução muito melhor”, afirmou.

Célula embrionária necessária
Cientistas que trabalham com pesquisas voltadas para células-tronco adultas, no entanto, defendem a liberação dos estudos com células-tronco embrionárias. É o caso de Julio Cesar Voltarelli, coordenador da Unidade de Transplante de Medula Óssea (UTMO) da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP).

“Não tenho disponibilidade para desenvolver pesquisas com células-tronco embrionárias no meu laboratório, mas tenho todo o interesse em testar essas células em ensaios clínicos. Só que, para isso, seria preciso que outros cientistas criassem essas linhagens”, afirmou.

Segundo Voltarelli, é falso o argumento de que células-tronco adultas podem fazer tudo o que fazem as embrionárias. “Eu trabalho com células adultas e posso afirmar com certeza que isso não é verdade. Sem células embrionárias não conseguimos nenhum resultado para a maioria das doenças degenerativas, nem para o diabetes mellitus de longa duração”, destacou.

Voltarelli considera que a discussão sobre a determinação do início da vida é relevante, mas tem que ser discutida de forma ampla. “A Igreja tem sua definição, mas existem outras. Há um grau de arbitrariedade, assim como no caso da definição de morte. O ponto central é que a sociedade civil não é obrigada a aceitar a definição da Igreja”, disse.

Segundo o professor da USP, é necessário ter coerência em relação ao marco legal a ser adotado para estabelecer o início da vida, assim como foi feito em relação à morte. “A Igreja consente na doação de órgãos quando um indivíduo tem morte cerebral. Está portanto reconhecendo que a vida está relacionada à função cerebral. Seria mais lógico admitir que esse é o ponto inicial da vida e não a formação do zigoto”, apontou.

Para Voltarelli, um dos principais argumentos a favor da Lei de Biossegurança é que ela permite apenas pesquisas com células-tronco derivadas de embriões inviáveis ou congelados há mais de três anos, que sobram nas clínicas de reprodução. “Esses embriões serão descartados se não forem usados para pesquisa. E isso já estava implícito quando se aprovou a fertilização in vitro”.

Falta de legislação
Para o biólogo e sociólogo Francisco Borba Ribeiro Neto, coordenador de projetos do Núcleo Fé e Cultura da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), a falta de uma legislação adequada para a reprodução assistida é um ponto central da discussão.

“Um erro não justifica o outro. O fato de os direitos desses embriões não estarem sendo respeitados nesse momento não autoriza a sociedade a dispor deles como bem entender. A questão é se esses seres humanos são ou não detentores de direitos. Tudo aconteceu por falta de uma legislação clara”, afirmou.

Segundo Ribeiro Neto, a sociedade civil falhou ao não se mobilizar no momento certo para impedir que tantos embriões fossem congelados em clínicas de reprodução. “Deveria ter sido feito um acompanhamento dos casais nas clínicas, de modo que eles percebessem que estavam deixando os próprios filhos em uma vida suspensa, congelada”, disse.

Os defensores da Lei de Biossegurança, na opinião do coordenador do núcleo que reúne cientistas favoráveis à Adin, iludem a sociedade com promessas de cura para doenças degenerativas.

“Eles podem ter boas intenções, mas é uma tremenda desumanidade plantar uma esperança que vai se frustrar. Os resultados com células-tronco embrionárias são incipientes e não há nenhuma garantia de que elas chegarão a tratamentos efetivos. Os recursos destinados a essas pesquisas poderiam ir para linhas mais avançadas, com resultados mais promissores”, disse.

Sociedade envolvida
Para Mayana Zatz, pró-reitora de Pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) e coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano da universidade – um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) da FAPESP –, a aprovação das pesquisas com células-tronco embrionárias traria investimentos à área que, com isso, se confirmaria como esperança de cura para doenças neurológicas.

“Temos várias pesquisas em compasso de espera. Se a Lei de Biossegurança não for aprovada não vai mudar o destino dos embriões e o prejuízo será de todos. A principal conseqüência será tirar a esperança dos pacientes. É verdade que não podemos prometer tratamentos, mas se pudermos pesquisar poderemos ao menos garantir aos pacientes com doenças graves que somos capazes de fazer tudo o que seria possível em qualquer lugar do mundo”, disse.

De acordo com Mayana, dizer que só as células-tronco adultas dão resultados equivale a enganar a população. “As perspectivas nesse caso também são potenciais. Não há, como dizem, mais de 60 doenças sendo tratadas com células adultas, existem apenas tentativas terapêuticas”, afirmou.

A geneticista espera que o STF aprove a Lei de Biossegurança, legitimando as pesquisas e dando reconhecimento à comunidade científica. “O mais importante é que não se trata de uma discussão entre religiosos e cientistas. É um debate de toda a sociedade. Toda a discussão já ocorreu em 2004, quando a lei foi aprovada por 96% dos deputados. Agora, sabemos também que 75% da população católica aprova as pesquisas”, disse, mencionando pesquisa feita pelo Ibope e divulgada no domingo (2/3).

Fonte: Fábio de Castro / Agência Fapesp

Vacantes : Ciat busca Coordinador del Programa Ecoregional Iniciativa Amazónica

El Centro Internacional de Agricultura Tropical (CIAT) es una organización sin ánimo de lucro, miembro del Grupo Consultivo para la Investigación Agrícola Internacional (CGIAR) y parte de una red de 15 centros de investigación, la mayoría localizados en los países en desarrollo y apoyados por más de 60 miembros donantes.

El CIAT, representando al Consorcio Iniciativa Amazónica (IA) para la Conservación y Uso Sostenible de los Recursos Naturales, busca un Coordinador para un Programa de Investigación Colaborativa en la Amazonía.

La IA está comprometida con la reducción de la pobreza y vulnerabilidad social, con la seguridad alimentaria y con la sostenibilidad de los ecosistemas en la región. La agenda temática y conceptual del Consorcio se focaliza en los sistemas de uso de la tierra para la prevención, reducción y reversión de la degradación ambiental y el mejoramiento de la calidad de vida en la Amazonía.

La IA fue formalmente creada en el 2004. Desde entonces, más de 20 instituciones miembros de los países amazónicos buscan armonizar las acciones llevadas a cabo por el Consorcio con las acciones auspiciadas por la Organización del Tratado de Cooperación Amazónica (OTCA).

La Posición
El Coordinador del Programa Ecoregional Iniciativa Amazónica (PER-IA) será responsable por la planificación e implementación de un programa de investigación colaborativa ejecutado con participación de las instituciones miembros del Consorcio en los cuatro ejes temáticos de la IA: (1) Producción agrícola familiar sostenible en áreas deforestadas/degradadas; (2) Incremento de beneficios de los bosques para la calidad de vida y el ambiente; (3) Mitigación y adaptación a cambios climáticos; (4) Desarrollo de cadenas de valor para productos Amazónicos.

El PER-IA enfrenta el reto de contribuir a la investigación para el desarrollo dentro de las necesidades de corto y largo plazo, tanto de la conservación ambiental y la provisión de beneficios ambientales globales, como del bienestar de poblaciones locales.

Los procesos que amenazan los medios de subsistencia rural y los recursos naturales de la Amazonía, operan en diversos niveles geográficos y políticos. Por ello, el PER-IA responderá generando bienes públicos en diferentes escalas desde local, hasta nacional, regional y global.

El PER-IA se beneficia del trabajo colaborativo de un equipo interinstitucional e interdisciplinario de investigadores y profesionales que ya está siendo implementado por la Iniciativa Amazónica. El Programa se apoya no solamente en los esfuerzos de los centros de investigación nacional e internacional (instituciones fundadoras del Consorcio IA), sino también en la integración de la experiencia local de universidades, organizaciones locales de investigación y desarrollo.

El capital social y humano que se construye con el esfuerzo coordinado de varios actores e instituciones del proceso de la IA, posibilita una estrategia para investigación colaborativa, y se integra con la extrapolación y difusión de innovaciones para reducir la deforestación y degradación ambiental.

El candidato tendrá responsabilidades de planificación de la investigación, construcción de alianzas, preparación de proyectos, movilización de recursos, implementación y reportes, y supervisión de actividades.

Específicamente tendrá a cargo las siguientes responsabilidades:
Proporcionar el liderazgo científico para el Consorcio de acuerdo con las prioridades identificadas por el Comité Directivo del Consorcio IA.
Articular, junto a coordinadores de los cuatro focos temáticos del PER-IA, la implementación e integración de acciones de investigación colaborativa del Programa.
Elaborar propuestas innovadoras y relevantes de proyectos y liderar el desarrollo colaborativo y participativo de estos instrumentos para lograr el desempeño exitoso de la agenda científica de la IA.
Liderar los esfuerzos para recaudar fondos para las actividades científicas en nombre del Consorcio, manteniendo contacto con los donantes y socios potenciales.
Establecer enlaces con representantes técnicos de la IA para asegurar la implementación de actividades programáticas.
Conformar el Directorio de Coordinación de la IA, junto con el Coordinador General y el Coordinador de Comunicación y Gestión Institucional.
Requerimientos
Doctorado en ciencias sociales o naturales.
Un mínimo de 10 años de experiencia laboral relevante en investigación y/o desarrollo.
Experiencia comprobable en administración de proyectos y búsqueda proactiva de fondos.
Habilidad comprobable para trabajar en un equipo interdisciplinario y multicultural.
Conocimiento actualizado y experiencia práctica sobre temas de conservación y desarrollo en la Amazonía.
Habilidades en conceptualización, liderazgo compartido y comunicación.
Dominio del ingles y español, conocimiento de portugués sería una ventaja.
Disponibilidad para viajar dentro de los países de la región amazónica.
Total dedicación al proyecto (100% de su tiempo).
Términos de Empleo
El candidato estará ubicado en Belém (Brasil), en la Empresa Brasilera de Investigación Agropecuaria (Embrapa), institución coordinadora del Consorcio IA, y será parte de un grupo interinstitucional e interdisciplinario.

Salario competitivo en estándar internacional y paquete de beneficios. Contrato por un período inicial de 2 años, sujeto a un período de prueba de 6 meses y evaluaciones de desempeño anuales.

Las personas interesadas y que cumplan los requerimientos solicitados, deben enviar una carta de presentación, indicando su aspiración salaria, y CV resumido, incluyendo nombres, teléfonos y correos electrónicos de dos referencias laborales, a la dirección electrónica.

Fecha de cierre de aplicaciones: 30 de abril de 2008 o hasta que el candidato idóneo sea identificado. Sólo los candidatos pre-seleccionados serán contactados.

El Consorcio Iniciativa Amazónica y el CIAT son empleadores que dan igual oportunidad a todos y buscan diversidad y balance de género en su personal. Apoyan animosamente la candidatura de mujeres y demás profesionales calificados de los países en desarrollo.

Información adicional del Consorcio Iniciativa Amazónica y del CIAT en estos sitios:
www.iamazonica.org.br y http://www.ciat.cgiar.org/

Fuente: Consorcio Iniciativa Amazônica /Embrapa Amazônia Oriental

Worskhop Internacional: "Museologia como Campo Disciplinar"

O Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast/MCT) sediará, de quarta-feira (05) a sexta-feira (07), o Worskhop Internacional: "Museologia como Campo Disciplinar". O evento é promovido pelo Comitê Internacional para Museologia, por meio de seu Subcomitê Regional para a América Latina e o Caribe (Icofom/LAM). O órgão pertence ao Conselho Internacional de Museus (Icom) e é associado à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Durante o encontro, serão realizadas duas conferências a cargo das professoras Nélida González de Gómez e Lena Vania Ribeiro Pinheiro, ambas pesquisadoras do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict). Entre os temas debatidos, estarão as idéias e conceitos da museologia e as interfaces com outros campos disciplinares.

O workshop acontece no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Museologia e Patrimônio (PPG-PMUS), desenvolvido e mantido por uma parceria firmada entre o Mast e a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). Implantado em junho de 2006, é o primeiro programa stricto sensu de pós-graduação em museologia do Brasil.

O evento terá parte de suas apresentações transmitida pela internet, gratuitamente. O endereço eletrônico para ver as palestras é: http://www.mast.br/aovivo.htm .

Horário das transmissões:
05/03/08 - transmissão entre 11:00h e 13:00h e entre 14:00h e 16:00h
07/03/08 - transmissão entre 13:30h - 15:30h e entre 16:00h - 18:00h

Veja aqui a programação completa.

Fonte: Agência CT

Inscrições até abril para o programa de Bolsas Thyssen-Humboldt na Alemanha

Serão recebidas até o final de abril as inscrições para o programa de Bolsas Thyssen-Humboldt de Curta Duração para Cientistas Sociais da América Latina, promovido em parceria pela Fundação Humboldt e pela Fundação Fritz Thyssen.

O programa é destinado a cientistas latino-americanos interessados em receber bolsas para desenvolver seus projetos de pesquisa na Alemanha, durante o período compreendido entre 2009 e 2010.

As pesquisas a ser realizadas deverão se relacionar às áreas de ciências jurídicas, econômicas ou sociais, e terão duração de 6 meses, divididos em duas estadas, durante as férias letivas na América Latina (entre os meses de dezembro e março). Neste período, todos os bolsistas selecionados se reunirão na Alemanha para a formação de uma rede especializada e regional, e os resultados das pesquisas serão publicados numa coletânea traduzida para vários idiomas.

Mais informações:

Informações adicionais também podem ser adquiridas em contato com o e-mail .




Deter não mede cortes rasos mas somente alterações florestais

O Sistema é usado para alertar Ibama e evitar desmate total de determinada área - Na última sexta-feira (29/2), a Academia Brasileira de Ciências (ABC) organizou uma mesa-redonda para discutir o desmatamento da Amazônia e os resultados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Gilberto Câmara (Diretor do Inpe), Carlos Nobre (pesquisador titular do Inpe) e Adalberto Val (Diretor do Inpa e vice-presidente regional da ABC para a Amazônia) fizeram parte da mesa.

No evento, o presidente da ABC, Jacob Palis Junior, ressaltou a importância, seriedade e, sobretudo, a competência do Inpe como órgão monitorador de desmatamento da floresta amazônica. Em seguida, Palis passou a palavra para o diretor do Inpe.

Gilberto Câmara abriu o debate falando sobre os diferentes processos de desmatamento. De acordo com ele, há várias formas de desmatar: “O corte raso e a degradação progressiva são apenas algumas formas de desmatamento da Amazônia. A primeira usa o corte intensivo e rápido, sendo este o mais usado na região. Ao final deste processo, o pasto se compõe de gramínea africana, resistente ao fogo. Já a segunda forma é mais lenta, podendo durar de dois a três anos. No início deste processo a madeira é retirada, depois há a queima total. No último estágio, é feito o corte raso”, conta.

Segundo Câmara, depois do processo de retirada da madeira, queimada, há o processo de corte raso que, para ele, é o processo final de desmatamento. Ele diz que, com base na forma do processo de desmatamento, o Inpe, no passado, teve que fazer algumas escolhas: “quando começamos a monitorar o desflorestamento na Região Norte, o Inpe optou por medir o que era mais objetivo e fácil, o corte raso, que é o fim do processo de desmatamento”.

“Como a maior parte do desmatamento na Amazônia se dava por corte e queima, não havia a previsão sobre o corte rápido, algo comum na região. Mas, a partir do momento que o objetivo passa a ser o de medir o que acontecia antes do corte raso, começa a se usar o sistema Deter”, diz o diretor do Inpe.

O Deter (Detecção de Desmatamento em Tempo Real) é um sistema que usa imagens de resolução moderada, capturadas a cada três dias. Além disso, de 15 em 15 dias, a equipe do Programa de Monitoramento Ambiental da Amazônia faz um inventário sobre o que parece ser desmatamento novo e envia para o Ibama.

“Além de entregarmos os resultados para o Ibama, nós sintetizamos tudo o que está acontecendo na floresta e colocamos na Internet (http://www.obt.inpe.br/deter/). O que fazemos é um mapeamento contínuo sobre alterações da cobertura florestal, que podem indicar alguma coisa que esteja acontecendo e que seja interessante para o Ibama verificar”, explica Dalton de Morisson, coordenador do Programa de Monitoramento Ambiental da Amazônia.

Gilberto Câmara diz que o Deter não mede corte raso. Essa função é do Prodes. “A idéia do Deter é medir o que foi alterado na floresta, mandar um alerta para o Ibama para que se monte um projeto de prevenção antes que aconteça o processo de desmatamento final, o corte raso”.

O diretor do Inpe explica que o único erro do Inpe foi, em 2007, contar duas vezes uma área que já havia sido detectada, mas foi corrigido. “Com relação a detecção do Deter, nós estamos tranqüilos e enquanto não houver o corte raso, o Deter vai dizer que houve alteração”, afirma ele.

Quanto aos planos futuros do Inpe, Câmara conta que incluem novos satélites, os Cbers 3 e 4, e o Amazônia 1. Os Cbers 3 e 4 são uma evolução dos satélites Cbers-1 e 2, já lançados. Tendo a mesma órbita dos satélites anteriores, os Cbers 3 e 4 utilizarão quatro câmaras no módulo carga útil. A previsão de lançamento do primeiro é em 2009 e do segundo em 2011. Já o Amazônia 1, complementará o monitoramento da Floresta Amazônica, pois capta a imagem do planeta inteiro. Através de um sensor, o Amazônia 1 deverá trabalhar junto ao Cbers-3.

Esta mesa-redonda foi a primeira de uma série de debates que a ABC fará este ano. Segundo o presidente da instituição, Jacob Palis, dentre os temas dos próximos encontros estarão alimentos transgênicos e mudanças climáticas. (Fonte: Vanessa Ramos e Clara Gondin / Jornal da Ciência)

Fonte: Ecodebate

Pós-graduação do Inpa recebe os novos alunos

Formar recursos humanos para atuar na Amazônia ainda é um desafio que precisa ser superado, devido ao tamanho da região, os poucos centros de ensino e pesquisa e a demanda crescente por informações. Ações conjuntas têm sido desenvolvidas por Institutos de ensino e pesquisa regional, entre eles, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT). Mais uma etapa desse processo teve início nesta segunda-feira (3), quando foi aberto oficialmente o ano letivo dos cursos de pós-graduação do Inpa.

De acordo com o coordenador de capacitação, Cláudio Ruy, a aula magna é o momento onde os alunos recebem informações gerais das atividades que eles irão desenvolver durante o período que vão estar no Instituto. “Esse é o momento onde os alunos recebem as principais informações sobre o potencial que vão adquirir durante o tempo em que estarão conosco no Inpa”.

O coordenador de pós-graduação do Inpa, Jorge Porto, salienta a relevância desse momento para os estudantes “Estamos começando um novo período e recebendo 120 novos alunos de mais de mil demandados de todo o Brasil. O curso de pós-graduação do Inpa é estratégico para todo o Brasil. Cerca de 60% do pessoal formado pelo Inpa fica aqui na região em postos de liderança”.

Para o diretor do Instituto, Adalberto Val, "esse é um momento de orgulho para o Inpa. É um novo desafio, cada ano maior, mais complexo, e também de maior responsabilidade. Os alunos tiveram diferentes formações em seus cursos de graduação, mas têm distinção, pois venceram os exames de seleção que aplicamos”, salientou.

Val ressaltou a importância das informações adquiridas pelos estudantes. “Aqui produzimos informações técnico-científicas da mais alta relevância para nossa região e para o País, e no bojo dessa nossa labuta diária estão os espaços e a nossa disposição para esses estudantes de como isso é feito”.

Calouros
Todos os anos, a coordenação de pós-graduação do Inpa reserva a primeira segunda-feira do mês de março para receber os alunos dos oito cursos de pós-graduação do Instituto. São estudantes de todas as regiões do Brasil, que recebem instruções do conhecimento que irão adquirir enquanto estiverem no Instituto. Desde que foi implantado no Instituto, em 1973, o curso de pós-graduação já contribuiu com a formação de aproximadamente 1.118 profissionais, entre estudantes de mestrado e doutorado.

Fonte: Agência CT

Centro de Computação reestruturado pelo Sinapad será lançado nesta quinta-feira

Será lançado nesta quinta-feira (06), o primeiro Centro de Computação de Alto Desempenho, reestruturado pelo Sistema Nacional de Processamento de Alto Desempenho (Sinapad/MCT). O centro integra o Núcleo de Atendimento em Computação de Alto Desempenho (Nacad), do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ).

Desenvolvido pelo MCT, o Sinapad interligará os núcleos de processamento das entidades participantes e permitirá que projetos acadêmicos e pesquisas científicas possam ser partilhados em uma rede de informática de grande rendimento. O objetivo é fomentar o uso da computação de alto desempenho e, assim, o desenvolvimento científico.

Além do centro da Nacad, também participam do Sinapad os centros do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC/MCT), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e das universidades federais de Minas Gerais (UFMG), do Rio Grande do Sul (UFRGS), de Pernambuco (UFPE) e do Ceará (UFC). O LNCC e o Inpe são associados à ABIPTI.

O lançamento do centro computacional de alto desempenho integra as comemorações dos 45 anos da Coppe. Também nesta quinta-feira (6), como parte das celebrações, o presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Jorge Guimarães, proferirá a aula inaugural com o tema "A Pós-Graduação de Engenharia e o Desenvolvimento do País".

Mais informações, pelo telefone da Coppe (21) 2562-7022.

Fonte: Agência CT

AEB e NASA discutem o Programa GPM - Global Precipitation Measurement

Representantes das agências espaciais Brasileira (AEB) e Norte-Americana (Nasa) se reuniram na segunda-feira (3/3), em Búzios (RJ), para discutir as próximas ações do Programa GPM (Global Precipitation Measurement). Foi a terceira reunião bilateral sobre o assunto.

O GPM é um programa internacional, chefiado pela Nasa e pela Agência Espacial Japonesa (Jaxa), que organiza uma rede de informação de satélites sobre o monitoramento global de precipitação. Desde 2004, a AEB gerencia o programa brasileiro GPM-Brasil, que organiza a participação do país na rede.

Segundo a AEB, a idéia é que seja criada uma constelação de satélites e de receptores de várias nações que possa disponibilizar dados de precipitação global de forma instantânea e com alta definição.

Na reunião, o Brasil formalizou sua entrada no GPM internacional e apresentou projetos de desenvolvimento de sensores e do satélite GPM-Brasil, que deverá ser desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Mais informações: www.aeb.gov.br

Fonte: Agência Fapesp

Brain Plasticity-Based Therapeutics in Children and Adults

O neurocientista Michael Merzenich, professor da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, irá proferir a palestra “Brain Plasticity-Based Therapeutics in Children and Adults” no dia 10 de março, na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), na capital paulista.

Merzenich, que também participará como convidado estrangeiro do Encontro Internacional de Audiologia, de 12 a 14 de março, em Itajaí (SC), é um dos pioneiros no estudo da plasticidade cerebral, autor de mais de 200 artigos em revistas científicas, além de ter mais de 50 registros de patentes.

Ele é fundador das empresas Scientific Learning Corporation, que desenvolve e comercializa programas computacionais para auxiliar crianças com déficits de compreensão da fala e leitura, e da Neuroscience Solutions, que desenvolve instrumentos de reabilitação para pacientes com doenças de Alzheimer e Parkinson.

Mais informações pelo e-mail.

Fonte: Agência Fapesp