segunda-feira, 3 de março de 2008

Percepção de risco e excesso de velocidade

Risk perception and speeding
Identificar e analisar, por meio de conceitos da psicologia, os fatores envolvidos na percepção de risco dos motoristas em relação ao excesso de velocidade. Com esse objetivo Iara Picchioni Thielen, coordenadora do Núcleo de Psicologia do Trânsito da Universidade Federal do Paraná (NPT-UFPR), realizou um levantamento com dois grupos de motoristas da cidade de Curitiba, multados e não multados.

A principal conclusão do trabalho, publicado nos Cadernos de Saúde Pública, é que não importa se o motorista foi ou não multado, a percepção dos riscos é praticamente a mesma, fruto de uma espécie de “regulamentação pessoal” por eles criada, em que a velocidade no trânsito se torna um fenômeno cuja escolha é individual.

Foram entrevistados 20 indivíduos com mais de nove multas por excesso de velocidade, sendo três mulheres e 17 homens, todos com idade acima de 30 anos, e outros 16 motoristas sem multas. As 25 questões abordaram fatores como a conceituação pessoal de excesso de velocidade, causas desse comportamento, impacto das multas em relação às iniciativas de prevenção e mudança de comportamento dos indivíduos multados.

“Nos dois grupos avaliados a percepção de risco estava distorcida e os indivíduos achavam ter controle suficiente das variáveis que envolvem as situações do trânsito, fazendo com que a noção dos risco de acidentes fosse minimizada. Os motoristas dos dois grupos reinterpretaram as regras de trânsito, identificando velocidades máximas diferentes daquelas definidas pela legislação”, disse Iara.

De acordo com a pesquisadora, os entrevistados, principalmente motoristas infratores, justificam o excesso de velocidade revelando uma “invulnerabilidade pessoal associada a um otimismo irrealista e a uma autopercepção superavaliada”.

“Com essa invulnerabilidade eles se acham imunes e auto-suficientes e, por isso, disseram estar longe de perigo. Foi verificado uma percepção em excesso com relação ao controle sobre o ambiente. É a conhecida noção de que os danos só vão ocorrer com os outros motoristas. E é ali, segundo a maioria dos entrevistados, que está o grande perigo, ou seja, nos outros carros”, contou.

“Enquanto isso, só em 2007 morreram cerca de 35 mil pessoas nas rodovias e ruas das grandes cidades brasileiras. Trata-se da segunda causa de morte do país, atrás apenas dos óbitos por problemas cardíacos”, lembrou. Os dados são do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran).

Infração e multas
Mas se no trabalho dos pesquisadores da Universidade Federal do Paraná não foram verificadas diferenças significativas na percepção de riscos entre os motoristas dos dois grupos, a dúvida é porque um grupo cometeu mais infrações do que o outro.

Para Iara, essa questão não deve ser respondida pela quantidade de infração dos dois grupos, comparação que não foi realizada no estudo, mas sim pela quantidade de multas. “A hipótese é que muitos dos motoristas são infratores, mas simplesmente muitos não são autuados. A maior parte dos entrevistados não infratores disseram exceder a velocidade uma vez ou outra, em especial em locais sem fiscalização eletrônica”, afirmou.

A falta de credibilidade nas instituições que aplicam e gerenciam as multas também foi uma das justificativas dos entrevistados do estudo para o excesso de velocidade. “Podemos fazer aqui uma adaptação de uma máxima do Millôr Fernandes: existem aqueles que admitem ser infratores e o resto, ou a maioria, da população”, disse.

Em outro estudo realizado pelo Núcleo de Psicologia do Trânsito da UFPR, com cerca de 150 taxistas da cidade de Curitiba, uma das perguntas realizadas era se os motoristas acreditavam que suas habilidades compensam os riscos do trânsito.

“Cerca de 64% responderam que sim. Em contrapartida, esse estudo mostra que quase 70% já sofreram algum tipo de acidente e 84% foram multados, colocando de alguma maneira em risco as condições gerais do trânsito”, contou Iara.

Esses dados se assemelham, de acordo com a pesquisadora, aos resultados do trabalho publicado nos Cadernos de Saúde Pública com os motoristas infratores por também indicar grande familiaridade com as situações de risco do trânsito. “Trata-se de uma falsa percepção de segurança”, destacou.

Para ela, esses estudos evidenciam a percepção individualista de um fenômeno, o trânsito, que é coletivo. “E essa percepção individualista, que torna a convivência desarmônica nas vias públicas – uma vez que as pessoas acham que tem o direito de definir suas próprias velocidades, independentemente das leis –, tem importante contribuição ao alto número de mortes no trânsito, ao lado de fatores como o consumo de álcool e drogas”, apontou.

Para ler o artigo Percepção de risco e excesso de velocidade, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui

Fonte: Thiago Romero /Agência Fapesp

FAPESP e CNRS divulgam resultado de chamada

A Fundação do Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e o Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) da França divulgaram a relação de propostas aprovadas na chamada pública lançada em 19 de outubro de 2007 no âmbito do convênio de cooperação científica entre as instituições.

A chamada esteve aberta a pesquisadores responsáveis por Auxílios à Pesquisa, Projetos Temáticos, Apoio a Jovens Pesquisadores ou Centros de Pesquisa Inovação ou Difusão (Cepids), que apresentaram projetos para a realização de programas de intercâmbio de pesquisadores entre Brasil e França.

Relação de propostas aprovadas na Chamada FAPESP-CNRS (Chamada 8/2007):

06/61810-6 – Cláudio Costa Neto / Clara Nahmias
07/50973-4 – Leandro Andrade / Jean-Yves Bigot
06/57873-2 –Younes Messaddeq / Frederic Smektala
05/56372-7 – Marcos Egydio da Silva / Alain Vauchez
07/53097-0 – Cláudia Carareto / Cristina Vieira
06/06515-9 – Lygia Christina de Moura Walmsley / David Djurado
05/58322-7 - Marco Antonio de Avila Zingano / Cristina Viano
06/50594-0 – Wilson Sérgio Venturini /Ahmed Benallal
07/51490-7 – Milton da Costa Lopes Filho / Dragos Iftimie

Fonte: Agência Fapesp

R$ 5 milhões do CNPq para projetos voltados a comunidades tradicionais

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca da Presidência da República (Seap/PR) anunciaram que irão destinar R$ 5 milhões a projetos que contribuam com alternativas econômicas, sociais e ambientais para a geração de renda em comunidades tradicionais, povos indígenas, pescadores artesanais, aqüicultores familiares e assentados dos programas de reforma agrária.

O objetivo é melhorar a inserção no mercado dos produtos dessas comunidades, que vivem na zona rural ou na periferia dos centros urbanos, e gerar renda utilizando tecnologias de base ecológica apropriadas para a agricultura e a aqüicultura familiares.

Do total dos recursos, serão destinados 30% para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Podem concorrer ao edital instituições de ensino superior públicas, comunitárias e confessionais, instituições públicas de pesquisa e/ou extensão, desde que sejam sem fins lucrativos, com capacidade e infra-estrutura de recursos humanos e materiais para realizar as atividades propostas.

Os projetos devem estar inseridos em pelo menos uma das dez linhas temáticas do edital, entre as quais estão desenvolvimento de produtos e subprodutos com fins terapêuticos, cosméticos, ornamentais e manejo, a produção ecológica de animais de grande, médio e pequeno portes e técnicas não convencionais para controle de pragas e doenças.

As propostas devem ser enviadas ao CNPq até o dia 14 de abril pelo formulário de propostas on-line.

Mais informações: www.cnpq.br

Fonte: Agência Fapesp

Seminário e Rodada de Negócios Brasil - Reino Unido

O Seminário e Rodada de Negócios Brasil - Reino Unido, que terá “Soluções Britânicas na Área de Gerenciamento de Resíduos Sólidos” como tema central, ocorrerá no dia 4 de março, São Paulo.

Na ocasião, especialistas nacionais e estrangeiros apresentarão produtos e serviços para o setor de resíduos sólidos, de modo a identificar como essas inovações podem ser utilizados no Brasil.

O evento é promovido pelo UK Trade & Investment, em parceria com o Environmental Industries Sector Unit e com o Consulado-Geral Britânico.

Mais informações: www.acquacon.com.br

Fonte: Agência Fapesp

Resposta brasileira à deportação de pesquisadora brasileira na Espanha

Celso Lafer, presidente da FAPESP, encaminhou ofício ao embaixador da Espanha no Brasil, Ricardo Peidró Conde, a respeito da deportação da física brasileira Patrícia Camargo Magalhães, ocorrida no dia 12 deste mês, na Espanha.

A aluna do curso de mestrado em física na Universidade de São Paulo e bolsista da FAPESP ficou presa por mais de 50 horas no aeroporto de Madri, quando se dirigia a Lisboa. Na capital portuguesa, Patrícia participaria do Workshop on Scalar Mesons and Related Topics (Scadron 70) com a apresentação do pôster intitulado Study of the unitarized amplitude of two scalar ressonances.

“Além de ter sofrido grave constrangimento pessoal e significativa dor moral, [Patrícia] viu-se privada de contribuir para um evento cujo sentido, em evidente contraste com a decisão de sua inadmissão, é aproximar pessoas de diversas nacionalidades em favor do avanço do conhecimento humano”, destacou Lafer no ofício cujo texto está replicado a seguir.

Of. 33/2008-DP
Iv
São Paulo, 29 de fevereiro de 2008
Senhor Embaixador,

Como Presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – FAPESP, órgão responsável pelo fomento à pesquisa científica e tecnológica nesse Estado, venho, em nome da instituição que presido e da comunidade científica a ela associada, externar a indignação com a situação vivida em Madri, entre os dias 10 e 12 do corrente mês, por Patrícia Camargo Magalhães, como seguramente é de seu conhecimento e foi amplamente divulgado pela imprensa.

Não se trata de questionar as competências legais próprias de um Estado soberano em matéria do ingresso de estrangeiros em seu território, mas sim de apontar a inadequação, no caso concreto, dos critérios de decisão que levaram a uma solução contrária à justiça e ao respeito à pessoa.

Com efeito, Patrícia, aluna do curso de mestrado em Física na Universidade de São Paulo – instituição parceira de diversas universidades européias e particularmente espanholas – e cujos méritos pessoais ressaltam-se ainda pelo fato de ter feito jus a bolsa de estudos concedida pela FAPESP, em que pesem sua gestão pessoal e as medidas tomadas pelo Consulado Brasileiro em Madri, que também foram divulgadas pela imprensa brasileira, restou impedida de chegar ao seu destino em Lisboa e de participar de importante momento de intercâmbio científico e cultural (Conferência Scadron 70).

Desse modo, além de ter sofrido grave constrangimento pessoal e significativa dor moral, viu-se privada de contribuir para um evento cujo sentido, em evidente contraste com a decisão de sua inadmissão, é aproximar pessoas de diversas nacionalidades em favor do avanço do conhecimento humano.

Atenciosamente

Celso Lafer
Presidente

Excelentíssimo Senhor
Embaixador Ricardo Peidró Conde
Embaixada da Espanha no Brasil
Brasília – DF

Fonte: Agência Fapesp