quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Abelhas ajudam a reflorestar a Amazônia

A importância das abelhas para o ecossistema vai além da produção do mel. Elas são responsáveis por 30 a 90% do processo de polinização que resulta na produção de frutos de plantas floríferas dos diferentes biomas brasileiros.

O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT) realiza pesquisas referentes a esse processo e comprovou o terceiro caso registrado no mundo de dispersão de sementes de plantas por abelhas.

De acordo com Alexandre Coletto da Silva, biólogo que acompanhou a pesquisa, os outros dois casos registrados foram na Austrália e na Amazônia, respectivamente. Coletto explica haver dificuldades para comprovar o fenômeno porque é necessário identificar as sementes dentro das colméias.

"No caso do nosso trabalho, conseguimos demonstrar que elas levam para dentro do ninho as sementes e que algumas caem no trajeto. Consegui filmar isso usando técnicas de escalada, para poder ter acesso aos frutos no alto das árvores. Confirmamos a presença das abelhas coletando a resina e as sementes", relatou.

Hoje, o Inpa desenvolve estudo sobre a dispersão de sementes por abelhas sem ferrão para a reprodução do camu-camu (Myrciaria dubia), fruta nativa da Amazônia, encontrada nas áreas de várzea. Um das suas características é a riqueza no teor de vitamina C (ácido ascórbico) em quantidades maiores que as encontradas na acerola, no limão e na laranja, entre outras frutas.

Além da descrição morfológica do camu-camu, a pesquisa visa ao estudo da biologia floral e à exploração de técnicas de polinização nessas culturas com o intuito de aumentar a produção de frutos em plantio de terra-firme utilizando colméias racionais de abelhas sem ferrão da espécie Melipona seminigra merrilae Cockrell. Os principais polinizadores do camu-camu são abelhas do gênero Melipona e do grupo das Trigonas, embora outros grupos de insetos estejam envolvidos.

A bióloga Christinny Giselly Bacelar Lima, que participa do estudo, explica que o trabalho de dispersão de sementes é importante tanto para as plantas quanto para as abelhas. "O benefício é mútuo, para a abelha porque visitando a planta consegue o seu recurso floral e para a planta que por meio deste agente polinizador estará, conseqüentemente, frutificando e perpetuando a sua espécie".

Ainda segundo Christinny, a pesquisa contribui para conservar a vegetação nas áreas de várzea, desde que se saiba fazer o manejo dessas plantas. Ela alerta que muitas vezes a própria população ribeirinha retira os frutos ou desmata, promovendo o desequilíbrio ecológico, visto que para coletar os frutos, as colméias são destruídas.

Proteção para as abelhas
O Projeto de Lei 1634/07, do deputado João Dado (PDT-SP), em tramitação no Congresso Nacional, prevê proteção especial às espécies de abelhas polinizadoras. Na sua justificativa o parlamentar diz que entre as ameaças que as abelhas enfrentam estão a monocultura, o uso intensivo de agrotóxicos, o desmatamento e as queimadas.

Com a redução das colônias de abelhas podem ocorrer diversos prejuízos para a biodiversidade e também para a agricultura, indústria e comércio de produtos derivados do pólen e do mel, além dos derivados obtidos das plantas que se reproduzem pelo processo de dispersão de sementes realizado pelo inseto.

A bióloga Christinny é a favor do projeto de lei. Ela assegura que os danos para a biodiversidade com a redução das populações de abelhas seriam inestimáveis. "Muito do que temos em nossa mesa como alimento depende exclusivamente dos polinizadores, desse processo natural. Então, se não há abelha, não teremos fruto e muitos outros alimentos".

Fonte: Agência CT

Tortura light ?

O serviço secreto israelense descreve como “pressão física moderada” certos métodos de interrogatório aplicados em detentos árabes. Militares norte-americanos qualificam como “tortura light” técnicas semelhantes utilizadas na chamada guerra contra o terrorismo. Mas, para Jessica Wolfendale, é tudo a mesma coisa. Segundo a pesquisadora do Centro de Filosofia Aplicada e Ética Pública da Universidade de Melbourne, Austrália, todas essas práticas não passam de tortura.

A autora do livro Torture and the military profession (2007) participou nesta terça-feira (26/2) do Seminário Internacional sobre a Tortura, realizado pelo Centro de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) da FAPESP, também conhecido como Núcleo de Estudos da Violência (NEV).

Segundo ela, o termo “tortura light” é amplamente utilizado no debate público internacional sobre a tortura, referindo-se a métodos de interrogatório nos quais a vítima é submetida por diversas horas, por exemplo, à privação de sono, à permanência em posição desconfortável, à exposição à luz intensa e música em alto volume ou ao uso de capuz na cabeça e algemas nos pés e mãos.

“Essa distinção entre modalidades de tortura, muito usada por torturadores, mas também pelos jornalistas e intelectuais que estudam o tema, é profundamente nociva para as democracias, pois alimenta uma ilusão de que algum tipo de tortura possa ser compatível com o estado de direito”.

Ao realizar um estudo sobre o treinamento de torturadores, Jessica deparou pela primeira vez com o termo. “Vários dos investigadores militares que entrevistei mencionavam essa modalidade de tortura. Encontrei o termo ‘tortura light’ também em grande número de artigos filosóficos que debatiam a tortura, assim como em jornais e debates. A partir daí, me interessei por estudar quais eram os propósitos de se fazer essa distinção”, disse.

Violência mascarada
Um dos principais propósitos da invenção do conceito de “tortura light”, segundo Jessica, é atenuar a responsabilidade do torturador. “Essas técnicas não exigem que o torturador atue fisicamente sobre a vítima e isso torna mais fácil que ele convença a si próprio que aquilo que ele fez não é realmente tortura”, afirmou.

Embora tenha conseqüências psicológicas tão profundas quanto a tortura convencional, a modalidade não deixa marcas no corpo da vítima. Como não há cicatrizes, o relato da violência não pode ser comprovado. “A intenção de se utilizar esse tipo de tortura não é diminuir a brutalidade, mas aumentar a eficácia”, apontou.

Para a pesquisadora australiana, essas técnicas são ainda mais cruéis do que os métodos violentos tradicionais. “Esses métodos fazem a vítima se sentir responsável pelo próprio sofrimento. Quando alguém é espancado, sabe que a culpa pelo sofrimento é do agressor. Mas, ao sofrer com barulho, privação de sono, ou ficando de pé por muitas horas, a pessoa sente como se seu próprio corpo a estivesse machucando.”

Outro efeito nocivo do termo “tortura light”, segundo Jessica, é que ele estabelece uma diferença conceitual inexistente e, portanto, corrompe o discurso da sociedade sobre a tortura. “Isso aumenta a aceitação do público em relação ao problema, levando a pensar que se é ‘light’ não deve ser tão sério, ou não é tortura de fato”, afirmou.

Segundo Jessica, em 2005, o governo dos Estados Unidos ampliou a definição legal do conceito de tortura, uma vez que a definição anterior só considerava tortura práticas que incluíssem “dor intensa”.

“Aquela definição foi atacada pelos movimentos de direitos humanos, principalmente depois da divulgação dos abusos contra os prisioneiros iraquianos da prisão de Abu Ghraib [no Iraque]. Mas, mesmo após essa mudança na legislação, a noção de ‘tortura light’ ainda persiste”, destacou.

Fonte: Fábio de Castro / Agência Fapesp

US$ 1 bilhão para combater a malária no mundo

The billion-dollar malaria moment

Dos inúmeros problemas das regiões mais pobres do mundo, poucos têm a extensão e a gravidade da malária. Os números são eloqüentes: uma criança morre da doença a cada 30 segundos; por ano são mais de 1 milhão de mortos e mais de 500 milhões de novos casos, a maior parte na África.

Estimativa da Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta que a malária causa uma perda média de 1,3% no crescimento econômico anual em países com transmissão intensa. No Brasil, foram registrados 545.696 casos em 2006, com a Amazônia Legal respondendo por 99,7% do total. A maior incidência (73,4%) é da espécie Plasmodium vivax, uma das três que causam a doença por aqui.

Não há vacina para a malária e os países mais afetados não contam com sistemas de saúde adequados ou estratégias eficazes para controle da epidemia. A falta de dinheiro sempre foi o principal problema, mas isso é algo que tem mudado rapidamente.

Há dez anos, os recursos disponíveis para enfrentar a doença chegavam a US$ 100 milhões. Este ano, o total poderá ultrapassar US$ 1 bilhão, graças a iniciativas como a do Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária e apoio financeiro das mais diversas instituições, como o Banco Mundial, a Fundação Bill e Melinda Gates, o Comitê Olímpico Internacional e até mesmo o time de futebol espanhol Real Madrid, que doou dinheiro arrecadado em amistosos.

Os novos fundos serão suficientes para melhorar o cenário? A questão é o assunto de capa da edição de 28 de fevereiro da revista Nature, que destaca que finalmente o mundo passa a contar com verba para o controle da malária suficiente para começar a promover conquistas de peso e extensão na luta contra a doença.

Mas, segundo o epidemiologista norte-americano Mark Grabowsky, coordenador das iniciativas contra a doença do Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária, junto com a oportunidade única vem o aumento na responsabilidade de gastar bem o dinheiro.

Em artigo na revista, Grabowsky, que também é dos Centros para Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, aponta medidas para o bom uso dos recursos, que incluem a integração de programas de prevenção com outras iniciativas em saúde, a melhoria na distribuição de tratamentos existentes e, especialmente, o acompanhamento das abordagens empregadas e de seus efeitos.

Para ele, distribuir redes antimosquito para camas, uma das mais eficazes formas de prevenir a doença, é importante, mas sem o monitoramento freqüente nos locais afetados a estratégia será insuficiente.

Segundo Grabowsky, caso não se aumentem os esforços e gastos destinados ao controle das medidas, o “esforço de US$ 1 bilhão contra a malária se tornará um vôo às cegas”. Ou seja, algo muito distante do objetivo ambicioso das entidades responsáveis pelos financiamentos de cortar o número de mortos pela metade até 2010.

“Fundos adequados para o controle da malária são um primeiro passo muito importante, mas coordenação, planejamento e apoio operacional são fundamentais para atingir os objetivos delineados”, disse. Para o epidemiologista, a questão é simples: a maioria dos países atingidos não conta atualmente com condições de coordenar as iniciativas que serão necessárias.

Grabowsky é incisivo: diferentemente de declarações como as de Bill Gates a respeito da erradicação da doença, o problema continuará presente por muito tempo. “Erradicação é um projeto de décadas que exigirá novas ferramentas, inclusive uma vacina eficiente”, afirmou.

A Nature traz dois outros artigos sobre a malária. O primeiro descreve a longa luta para tentar obter a primeira vacina contra a doença, seja em laboratórios ou em testes clínicos de larga escala. O segundo relata os caçadores de mosquito na Zâmbia, de modo a tentar entender a dinâmica da doença e chegar a soluções para reduzir o impacto do problema no continente africano.

O artigo The billion-dollar malaria moment, de Mark Grabowsky, pode ser lido por assinantes da Nature em http://www.nature.com/ .

Fonte: Agência Fapesp

Inpe abre inscrições para sessões de Observação Astronômica Remota

O Miniobservatório do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) abriu inscrições para as escolas interessadas nas sessões de Observação Astronômica Remota, que serão realizadas de abril a outubro nas noites de quintas-feiras.

Segundo o Inpe, na sessão remota estudantes de qualquer cidade podem visualizar o espaço de suas próprias escolas, pela internet, como se estivessem diante do telescópio localizado no Miniobservatório do instituto, que fica em São José dos Campos (SP).

Um sistema computacional possibilita o direcionamento do telescópio e a aquisição de imagens digitais dos astros, entre outras tarefas, com a orientação de um pesquisador da Divisão de Astrofísica do Inpe. Não é necessário conhecimento avançado de informática ou de astronomia para participar.

Estudantes e professores são incentivados a executar projetos observacionais simples, como fazer um passeio pelo céu (capturando, por exemplo, imagens de planetas e aglomerados de estrelas) ou acompanhar o movimento aparente de um asteróide. Após cada sessão remota, as imagens celestes podem ser manipuladas em sala de aula com o intuito de fixar conceitos em matemática, física e astronomia.

As sessões remotas serão realizadas exclusivamente às quintas-feiras das 19h às 22h, em função das condições meteorológicas favoráveis. Para participar das sessões de observação remota é necessário se inscrever pelo formulário que se encontra na página da Divisão de Astrofísica.

Mais informações: www.das.inpe.br/miniobservatorio/obsremotas

Fonte: Agência Fapesp

Workshop Nanotecnologia aplicada às áreas biológicas

Acontece amanhã o Workshop Nanotecnologia aplicada às áreas biológicas.
O evento é uma iniciativa da EMBRAPA GADO DE LEITE e ocorre em sua sede em Juiz de Fora / MG.

P R O G R A M A
§ 8:00 – 9:00 – Inscrição
§ 9:00 – 9:15 - Abertura
§ 9:15 – 10:00 – Apresentação dos resultados do “Workshop de Bionanotecnologia” (2007) e potenciais aplicações da nanotecnologia na produção animal.
Humberto de Mello Brandão – Pesquisador da Embrapa Gado de Leite.
§ 9:45 – 10:00 – Café
§ 10:00 –10:45 – Rede Mineira de Nanobiotecnologia – Linhas de Pesquisa.
Mônica Cristina Oliveira – Professora da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG
§ 10:45 – 11:30 – Oportunidades da Nanotecnologia no Agronegócio: uma visão aplicada à gestão ambiental
Cauê Ribeiro – Pesquisador da Embrapa Instrumentação Agropecuária.
§ 11:30 – 12:15 – As Nanotecnologias e os seus risco: o aparecimento da nanotoxicologia.
Pablo Gurman – Departamento de Micro y Nanotecnología de la Gerencia de Desarrollo Tecnológico y Proyectos Especiales de la Comisión Nacional de Energía Atómica de Argentina e CEO de Gur and Gor Technologies, una empresa que opera como consultora en Bionanotecnología y Nanotoxicología.
§ 12:15 – 13:15 – Intervalo para o almoço
§ 13:15 – 17:15 – Elaboração de um programa para a área de Nanotecnologia.

Maiores informações pelo e-mail

Fonte: Embrapa Gado e Leite

CAT - Centro de Toxinologia Aplicada abre 6 vagas de pós-doutorado

O Centro de Toxinologia Aplicada (CAT), sediado no Instituto Butantan, um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) da FAPESP, está com inscrições abertas para seleção de candidatos às vagas de pós-doutorado no Programa CAT/Cepid – FAPESP, destinado a doutores em ciências com interesse na área de toxinologia.

Serão concedidas seis bolsas para quem demonstrar experiência numa das seguintes áreas: espectrometria de massas, biologia molecular, biologia celular, farmacologia, bioinformática e imunologia.

As inscrições podem ser feitas até 27 de março e a seleção ocorrerá a partir da avaliação do currículo dos candidatos. No dia 2 de abril, os pré-selecionados farão uma breve apresentação de suas atividades como pesquisador. Caso necessário serão agendadas entrevistas para finalizar o processo de seleção.

O resultado será publicado no site do CAT a partir de 10 de abril. Os candidatos aprovados receberão bolsa de pós-doutorado da FAPESP, seguindo as exigências formais da instituição, vinculada ao programa dos Cepids da fundação.

Para se inscrever, o candidato deve enviar seu currículo da Plataforma Lattes atualizado e comprovante da conclusão do curso de doutorado, devidamente credenciado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Mais informações: http://cat-cepid.tempsite.ws
Fonte: Agência Fapesp

7º Congresso Paulista de Clínica Médica

A sétima edição do 7º Congresso Paulista de Clínica Médica será realizado nos dias 28 e 29 de março, em São Paulo, com o tema central “Colesterol: medidas simples para controlar este inimigo da saúde”.

Promovido pela Regional São Paulo da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, o evento tem o objetivo de discutir e levar conhecimento aos profissionais da saúde sobre os problemas mais detectados nos consultórios médicos.

Segundo os organizadores, são esperados cerca de 1,5 mil profissionais da saúde, que assistirão a palestras, simpósios e mesas-redondas sobre pesquisas, avanços técnicos, prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças.

Mais informações: www.clinicamedicaonline.com.br

Fonte: Agência Fapesp

Seminário Hispano-Brasileiro de Avaliação das Atividades Relacionadas com Ciência, Tecnologia e Sociedade - PIEARCTS

Inscrições prorrogadas até 29/02/08 para apresentação de trabalhos.

O I SEMINARIO HISPANO-BRASILEIRO DE AVALIAÇÃO DE ATITUDES RELACIONADAS COM CIÊNCIA, TECNOLOGIA E SOCIEDADE está relacionado com o estudo de investigação cooperativa internacional (PIEARCTS) do qual participam cerca de trinta grupos de pesquisa pertencentes a nove países iberoamericanos, entre eles o Brasil.

O PIEARCTS investiga a relação entre ciência, tecnologia e sociedade (CTS), em especial como funcionam a ciência e a tecnologia no mundo atual, englobando os aspectos relacionados a natureza da Ciência e as relações CTS.

A alfabetização e o letramento científicos e o conhecimento acerca da natureza da ciência e da tecnologia, constitui-se numa linha de pesquisa inovadora em Didática de Ciências. Assim, a perspectiva do estudo é fundamentalmente educativa e trata de questões relacionadas a alfabetização científica e aos conhecimentos básicos essenciais à formação de um cidadão de nível médio, como resultado de sua educação científica.

Maiores informação pelos endereços :
http://200.136.79.4/sem_cts/index.php , ou http://200.136.79.4/pos/ , ou ainda http://200.136.79.4/pos/ ou pelo e-mail

Fonte: Mirian Pacheco Silva / UNICSUL