terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Pesquisadores da FMUSP identificam novas variantes dos alelos do sistema ABO

ABO genotyping in leukemia patients reveals new ABO variants

Após realizar estudos sorológicos e moleculares em pacientes com leucemia, pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) conseguiram identificar novas variantes dos alelos do sistema ABO.

De acordo com a coordenadora do estudo, Marcia Zago Novaretti, professora do Departamento de Hematologia, a descoberta ajuda a compreender o sistema ABO, que é o mais importante grupo sangüíneo da medicina para transfusões e transplantes. Os resultados foram publicados na revista Genetics and Molecular Research.

Segundo a professora, a literatura internacional já registrava que pacientes com leucemia podem ter enfraquecimento dos antígenos ABO, ou seja, mostrar uma reatividade mais fraca na tipagem ABO.

“Com os recursos atuais e com a clonagem do gene ABO, estudamos molecularmente pacientes com leucemia para verificar se essa diferenciação se dava em nível molecular ou era apenas um achado sorológico”, disse Marcia. O artigo é um desdobramento de um projeto de Auxílio a Pesquisa que teve apoio da FAPESP e foi encerrado em 2004.

Ao estudar, sob o ponto de vista sorológico e molecular, 108 pacientes com diferentes tipos de leucemia, os pesquisadores encontraram 22 novas variantes de ABO, além das 20 conhecidas. A maior das novas variações se localiza no alelo O.

Participaram do estudo, realizado no Hospital das Clínicas da USP, 51 homens e 57 mulheres, com idade média de 43,4 anos, portadores de leucemia mielóide ou linfóide, crônica ou aguda.

“O estudo pode ajudar a compreender um pouco melhor as leucemias. Não sabemos se essa descoberta será de alguma utilidade em termos de prognósticos, mas ela pode indicar o caminho para estudos que verifiquem se a doença evolui de forma diferente nesses pacientes com mutações”, afirmou Marcia.

O estudo é o primeiro relato de um grande número de amostras de pacientes com leucemia genotipados para ABO. “Os resultados mostraram um alto nível de atividade recombinante no gene ABO nos pacientes com leucemia”, disse.

De acordo com a professora da FMUSP, o sistema ABO, localizado no braço longo do cromossomo nove, tem mais de 160 alelos e não está presente apenas na linhagem de células que compõem os elementos do sangue, mas também no endotélio (parte interior dos vasos sangüíneos), em outros tipos de células e até mesmo em secreções. “A complexidade do sistema exigia que realizássemos estudos moleculares”, explicou.

Associação com doenças
Como o sistema ABO persistiu ao longo da evolução da espécie, os cientistas estimam que ele tenha alguma função específica, que, no entanto, ainda não foi esclarecida. Ao entender melhor o funcionamento do sistema, poderão surgir pistas de quais seriam as variantes ou mutações críticas para especificidade e atividade dos antígenos ABO.

“Sabemos que há associação do sistema ABO com algumas doenças. Indivíduos de grupo O, por exemplo, têm úlceras duodenais com mais freqüência. Além disso, o sistema pode ter uma expressão aberrante em algumas células malignas – isto é, a distribuição do grupo sangüíneo pode ser desigual entre indivíduos com uma determinada doença”, destacou Marcia.

Segundo ela, depois da classificação sorológica, com a realização da tipagem testada por antígenos, todas as amostras tiveram o DNA extraído. Em seguida, passou-se ao estudo molecular com o PCR alelo-específico, sistema usado para detectar mutações específicas.

A autora afirma que estudos moleculares sistemáticos do gene ABO em grupos diferentes de pacientes possivelmente deverão levar ainda à descoberta de novas variantes ABO.

O pdf do artigo ABO genotyping in leukemia patients reveals new ABO variants, de Marcia Zago Novaretti e outros, pode ser lido em: www.funpecrp.com.br/gmr/year2008/vol7-1/pdf/gmr401.pdf

Fonte: Fábio de Castro /Agência Fapesp

CNPq lança primeiro edital do Programa Nacional de Pós-Doutorado - PNPD

Os interessados em inscrever projetos para o primeiro Edital do Programa Nacional de Pós-Doutorado (PNPD) têm até o dia 28 de fevereiro para enviar propostas ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Lançado em dezembro de 2007 pelo CNPq, em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o edital deverá investir R$ 37,3 milhões para incentivar a atuação de jovens doutores em projetos de pesquisa com prazo mais longo (cinco anos).

O objetivo é permitir o desenvolvimento de novas tecnologias, especialmente nas áreas consideradas estratégicas, inseridas na Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (PITCE).

Segundo o CNPq, o PNPD deverá reforçar a pós-graduação, os grupos de pesquisa nacionais e apoiar projetos de médio prazo nas empresas de base tecnológica.

Uma parcela mínima de 30% do valor total destinado ao edital será voltada para projetos desenvolvidos por pesquisadores sediados nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Os projetos aprovados no edital contarão com bolsas de pós-doutorado, no valor mensal de R$ 3,3 mil, além de recursos de custeio para o bolsista (R$ 12 mil por ano).

As propostas também poderão prever contrapartida de outras instituições que sejam parceiras do projeto, como fundações estaduais de amparo à pesquisa, empresas, institutos de pesquisa, instituições de ensino superior ou fundações universitárias.

As inscrições podem ser feitas por meio do Formulário de Propostas On-line, disponível no endereço http://efomento.cnpq.br/efomento no caso de líderes de grupo de pesquisa ou de pesquisadores ligados a empresas. Para os coordenadores de pós-graduação os formulários estão disponíveis no endereço link cancelado .

Os resultados serão divulgados no dia 15 de abril, e as contratações e implementações de bolsas estão previstas para maio de 2008.


Fonte: Agência Fapesp

Braskem e Fapesp assinam convênio para desenvolvimento conjunto de P & D

A Fapesp e a Braskem assinam, no dia 27 de fevereiro, às 11 horas, no auditório da Fundação, na capital paulista, um acordo de cooperação para o financiamento de projetos desenvolvidos conjuntamente por pesquisadores da empresa petroquímica e de universidades e institutos de pesquisa do Estado de São Paulo.

O convênio prevê investimentos de R$ 50 milhões para o apoio a pesquisas científicas e tecnológicas voltadas à geração de conhecimento de processos industriais para obtenção de polímeros – utilizados na produção de plásticos – a partir de matérias-primas renováveis, derivadas de açúcares, etanol e biomassa, entre outros subprodutos da cadeia produtiva de biocombustíveis.

Os interessados em comparecer à cerimônia de assinatura do convênio devem confirmar presença por meio de formulário eletrônico.

O formulário está disponível em: www.pontocomm.com.br

Fonte: Agência Fapesp