segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

UFCG abre edital para contratação de 18 professores

Publicado dia 6, no Diário Oficial da União, o edital do concurso público de provas e títulos para o provimento de 18 vagas para professor efetivo, em dedicação exclusiva, no Centro de Ciências e Tecnologia Agroalimentar (CCTA), campus Pombal, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). As vagas estão distribuídas por 14 áreas de conhecimento, entre elas, Engenharia Rural, Zootecnia, Física, Química e Cálculo. O edital será disponibilizado na página eletrônica www.ufcg.edu.br .

As inscrições serão realizadas de 11 a 29 de Fevereiro, para professor adjunto (doutor) e, não havendo candidatos inscritos ou inscrições homologadas, serão automaticamente abertas, no período de 10 a 20 de março, para professor assistente (mestre). Elas devem ser efetuadas na secretarias da Unidade Acadêmica de Agronomia e Tecnologia de Alimentos, no CCTA, no horário das 7 às 11h e das 13 às 17h, de segunda à sexta-feira.

O processo seletivo será realizado em três fases: prova escrita; prova didática; e exame de títulos. As provas escritas acontecem de 1 a 10 de abril, para professor adjunto, e, caso sobrem vagas, de 23 a 25 de abril, para assistente. As inscrições são no valor de R$ 75,00.

Fonte: Paraíba News

Faculdade de Medicina da Bahia - Fameb, faz 200 anos

A Faculdade de Medicina da Bahia (Fameb), da Universidade Federal da Bahia (UFBA), completa 200 anos nesta segunda-feira (18/2). A data será marcada por uma série de homenagens e pelo seminário Perspectivas da Medicina no Século 21, de 19 a 21 de fevereiro. A programação de comemorações se estende até o dia 15 de dezembro.

De acordo com o diretor da faculdade, José Tavares-Neto, a mais antiga instituição de ensino superior do Brasil nasceu com o nome de Escola de Cirurgia da Bahia e foi uma das primeiras medidas tomadas pela Coroa portuguesa após a chegada da família real a Salvador, em 22 de janeiro de 1808.

“Poucas instituições no país têm tanta história para contar. Um dos tesouros mais preciosos de Salvador, ao lado dos arquivos da Igreja, é o conjunto de atas da congregação da faculdade, que remonta a 1826. Trata-se de um testemunho da história do Brasil”, disse Tavares-Neto.

Apesar da importância, o acervo histórico da Fameb, com um total de 100 milhões e 200 mil páginas, corre risco de desaparecimento. “Entre 2004 e 2007 conseguimos recursos da Finep [Financiadora de Estudos e Projetos] para reordenamento e limpeza de todo esse material, que hoje está disponível para pesquisa. Mas os documentos, especialmente os dos primeiros 50 anos, estão muito fragilizados e, se não forem digitalizados e tratados, não deverão durar mais que cinco anos”, disse o diretor.

A digitalização de todo o arquivo, segundo Tavares-Neto, foi avaliada em R$ 1,2 milhão. “Ainda não conseguimos esses recursos, o que é uma grande preocupação nossa. Enviamos projetos ao BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social] e ao Banco do Nordeste, que foram negados. Queremos abrir uma licitação para que uma empresa faça essa digitalização”, contou.

Desde 2004, os arquivos estão de volta à sede tradicional da instituição no Terreiro de Jesus, no centro histórico de Salvador, assim como a diretoria, a secretaria, os cursos de graduação e alguns programas de pós-graduação da faculdade, que durante 30 anos ficou dispersa pela cidade.

“Estamos reocupando o prédio. A expectativa é que até 2011 a sede original será completamente restaurada e o arquivo digitalizado”, afirmou. A faculdade foi retirada do Terreiro de Jesus em 1971, como resultado da pressão do governo militar da época, que desde 1964 via a instituição como foco de resistência à ditadura.

“A Fameb sempre teve posição de liderança na oposição aos poderes autoritários. No século 19, foi a primeira instituição do Brasil a elaborar documentos contra o sistema escravocrata. Seus professores estiveram entre os primeiros republicanos da Bahia e alguns foram perseguidos por isso. Com o regime de 1964 não poderia ser diferente”, apontou.

Com a retirada da faculdade, o prédio de 12 mil metros quadrados entrou em decadência. Em 1980, ruiu o principal anfiteatro, deterioraram-se a cobertura e paredes de algumas alas e, com a queda do teto da biblioteca, foram perdidos 50 mil livros. O prejuízo foi pior do que o do incêndio ocorrido em 1905.

“A volta foi autorizada em 1994, mas o prédio estava tão degradado que tiramos seis caminhões de lixo dos jardins. E dois caminhões só de cadeiras quebradas. A quantidade de ratos era tão imensa que o sistema de zoonoses não dava vencimento”, contou o diretor.

A resistência ao regime vigente foi, segundo Tavares-Neto, o principal fator que levou ao fechamento do prédio. “O estopim foi um episódio ocorrido em 1968, quando a rainha Elizabeth 2ª , da Inglaterra, visitou o Brasil. Ao adentrar o Terreiro de Jesus, acompanhada do governador, para visitar a catedral, a rainha foi recebida com uma sonora e constrangedora vaia pelos alunos nas janelas do prédio”, disse.

Não foi o primeiro problema da Faculdade de Medicina da Bahia com ditaduras. Em 1932, a faculdade foi a única instituição fora do Estado de São Paulo a apoiar a Revolução Constitucionalista. O presidente Getúlio Vargas ordenou a invasão do prédio. Dezesseis professores que lideravam o movimento foram presos por dois anos.

“O governo também prendeu 114 alunos por três dias e mandou bombardear a faculdade. A unidade da Força Aérea na Bahia, que tinha um único avião, executou a ordem no dia 2 de agosto de 1932, mas errou o alvo. Um artefato bélico caiu na encosta vizinha à catedral, fora do pátio, matando um popular”, disse.

Alunos com escravos
Em 18 de fevereiro de 1808, Dom João 6º seguiu o conselho do cirurgião-mor do reino, o pernambucano José Correia Picanço, e fundou a Escola de Cirurgia da Bahia. A nova escola tinha dois professores e pouca organização. “Foi um início precário, mas a escola sobreviveu até a reforma do ensino de 1815, quando o curso passou de quatro para cinco anos e começou a se consolidar”, disse Tavares-Neto.

“As atas da congregação revelam fatos pitorescos. Um deles relata a tentativa de um diretor de proibir que os alunos levassem escravos para a faculdade, porque, enquanto os senhores estavam em aula, eles faziam barulho. Foi vetado por unanimidade com a justificativa de que ele não tinha o direito de disciplinar propriedades particulares”, contou.

Em 1829, no período de regência, a escola deixou de ser uma simples repartição do governo e passou a ter um corpo diretivo. Em 1832, o curso subiu para seis anos e ganhou autonomia. “Até ali a interferência do governador era imensa. As provas eram realizadas em sua presença”, disse.

A partir daquele ano, a instituição ganhou o nome atual de Faculdade de Medicina da Bahia e passou a formar doutores e não mais cirurgiões. “Até ali, os professores eram chamados de lentes, porque de fato não faziam muito mais que ler os livros franceses para os alunos. Com a reforma, começamos a produzir teses. Temos arquivadas todas as 4.820 que foram defendidas”, explicou. O curso prático, no entanto, foi inaugurado apenas em 1896.

O intercâmbio com a Europa era intenso e a maioria dos alunos tinha elevado poder econômico. “Em 1889, por exemplo, os grupos sangüíneos foram descobertos na Europa. Oito meses depois, havia alunos da faculdade baiana citando trabalhos sobre o tema”, afirmou.

A partir de 1870, segundo o diretor da Fameb, a produção acadêmica se tornou menos discursiva e teórica e passou a ter uma construção científica sólida, com uma marcante influência francesa.

Em 1864, foi fundada na faculdade a Gazeta Médica da Bahia, primeiro periódico científico brasileiro. Em 1887, pela primeira vez no Brasil, uma mulher foi diplomada como médica: a doutora Rita Lobato Velho Lopes.

Também no interior da instituição, em 1894, nasceu a Sociedade Acadêmica de Medicina, o embrião do movimento estudantil no Brasil, segundo Tavares-Neto. A entidade foi responsável pela primeira greve estudantil do país, que fechou a faculdade por dez meses em 1902.

Em 1897, professores da faculdade realizaram, pela primeira vez no mundo, uma radiografia para investigação de um ferimento por arma de fogo. A vítima havia sido baleada no conflito de Canudos.

Fonte: Fábio de Castro /Agência Fapesp

Inovação garante competitividade da Camelback no segundo maior mercado de pneus

José Pedro Souza, hoje sócio da Camelback Comércio de Pneus de Santos Ltda., nem sonhava em se tornar dono de empresa — muito menos de uma especializada em pneus — quando se aposentou, em 1996, pela Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa). Ele estava completamente afastado do trabalho desde 1990 pelo fato de a exposição ao benzeno, durante o trabalho, ter causado uma diminuição na sua contagem de glóbulos brancos. Disposição, no entanto, não lhe faltava: com apenas 40 anos de idade (a aposentadoria precoce resultou do trabalho em área insalubre), José Pedro queria encontrar uma firma que aproveitasse sua experiência em controle de qualidade — na Cosipa, onde ingressara em 1975 como ajudante industrial, ele passara também pelos cargos de controlador metalúrgico, chefe de turno na área de qualidade do carvão e técnico de metalurgia e qualidade. Quem o contratou foi uma reformadora de pneus de Santos, no litoral paulista. "Entrei como gerente, sem conhecer nada de pneus", diverte-se. "Mas entendia de administração e processos operacionais."

No novo emprego, José Pedro começou a colocar em prática sua expertise na área de controle de qualidade e, ao mesmo tempo, a estudar tudo que podia sobre pneus. Essa formação autodidata transformou-o em um especialista capaz de identificar as dificuldades do mercado de pneus recauchutados e levou-o a fundar a Camelback, em 2002. Modestamente instalada na casa de José Pedro no Guarujá, cidade vizinha de Santos, a empresa reúne só quatro pessoas, mas já é cliente do PIPE, o programa da Fapesp que apóia as pequenas inovadoras. Com uma máquina recauchutadora de pneus e um software em desenvolvimento, a Camelback espera a divulgação do resultado de um edital lançado pela Fapesp em conjunto com a firma de capital de risco Imprimatur. Se for aprovada, a empresa poderá ganhar a Imprimatur como sócia.

Vulcanização: a etapa mais importante da fabricação de pneus
Para entender quais são as inovações dos produtos da Camelback é preciso saber um pouco sobre a fabricação de pneus. Nesse setor, o processo mais importante é o de vulcanização: é por meio dele que um polímero conhecido como elastômero borracha, borracha crua ou camelback — daí o nome da empresa — transforma-se em matéria-prima para pneus. O camelback é composto por borracha natural ou sintética, negro de fumo (material resultante da queima incompleta de derivados de petróleo, normalmente usado como pigmento e reforço em borrachas e produtos plásticos), enxofre, ceras, óleos emolientes e outros ingredientes.

Segundo Eduardo Pinheiro, engenheiro do Departamento de Qualidade da Pirelli e autor da dissertação de mestrado "Modelos Numéricos Aplicados à Vulcanização de Pneus", apresentada na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), o processo de vulcanização mais usado hoje em dia é o termoquímico. Ele explica que o aquecimento do camelback somado à mistura de produtos químicos permite a formação de ligações cruzadas entre as moléculas do composto. "Isso faz com que o polímero, que inicialmente tinha comportamento plástico e baixa dureza, passe a ter comportamento elástico e alta dureza, o que o torna adequado a diversas aplicações mecânicas, como, por exemplo, os pneus", informa.

Contudo, o processo de vulcanização só dá bons resultados quando suas condições — tempo, temperatura e pressão — são determinadas com exatidão. Ou seja, para não errar é necessário levar em conta a composição do camelback, as dimensões do objeto que será fabricado e qual vai ser sua aplicação. É aí que surge um grande problema: por enquanto não existe nenhuma tecnologia que controle com precisão todas essas variáveis.

De acordo com o químico José Eugênio Ganade, pesquisador da Camelback com 52 anos de experiência no desenvolvimento da tecnologia da borracha — entre outras ocupações, foi superintendente da Dunlop do Brasil por 16 anos e chefe do Centro Tecnológico da Pirelli durante outros três —, o processo de vulcanização empregado hoje é empírico. "Para uma temperatura X, estima-se um tempo de vulcanização Y", explica. "Normalmente, esse tempo é de duas horas e meia, a uma temperatura ascendente que pode chegar a 160° C", acrescenta. No entanto, como não há um controle preciso da temperatura e da pressão, a vulcanização pode ocorrer antes ou nem se completar no período pré-determinado. "Quando isso acontece, a qualidade do produto final é ruim", aponta o pesquisador. "No caso dos pneus, sua resistência ao desgaste fica comprometida e, conseqüentemente, sua durabilidade é menor."

O nascimento da Camelback
O dono da Camelback conheceu as limitações do processo de vulcanização logo que entrou na reformadora de pneus de Santos. O primeiro problema que encontrou no dia a dia da empresa foi o fato de 30% de seus pneus recauchutados apresentarem defeitos quando começavam a rodar no carro dos clientes — um índice alto demais. "Fizemos uma lista das possíveis causas e fomos eliminando uma a uma", lembra. "Só não conseguimos resolver o problema da temperatura [de vulcanização]."

Depois de algum tempo na reformadora, José Pedro resolveu sair de lá para montar seu próprio negócio na Incubadora de Empresas de Santos. Primeiro, elaborou um projeto de destinação ambientalmente correta de pneus usados. "Era um projeto grande e por isso não pôde ser instalado na incubadora", conta. "Então, os próprios dirigentes da instituição sugeriram um projeto na área de vulcanização. Depois de vários dias pensando, me surgiu a idéia de melhorar o processo de vulcanização dentro das reformadoras de pneus." Seu plano de construir uma máquina capaz de recauchutar dez pneus de uma só vez foi aprovado pelo conselho da incubadora, o que permitiu a abertura da Camelback.

De olho no PIPE
Para levar adiante o projeto, a nova empresa teria de conseguir um financiamento. José Pedro voltou seus olhos para PIPE, mas, ao ler o edital do programa, percebeu que a Fapesp não aprovaria um projeto só sobre a máquina. "Eu precisava de algo mais científico, que envolvesse pesquisa e inovação", afirma. "Por causa da minha experiência em recapagem de pneus, sabia que não existia nenhuma forma de controlar a vulcanização, a não ser com tempo pré-determinado pelo fabricante do camelback. Como isso não era garantia de qualidade, fui buscar na literatura os meios para controlar esse mecanismo — a chamada curva de vulcanização."

Em suas pesquisas, José Pedro encontrou estudos teóricos sobre o comportamento da vulcanização — entre eles, a dissertação de mestrado de Eduardo Pinheiro. No entanto, ele afirma que o ponto de partida para o entendimento do processo foi seu trabalho na Cosipa com carvão metalúrgico, mineral formado por florestas soterradas há milhões de anos e extraído de minas a céu aberto ou subterrâneas. "Esse material é semelhante à borracha, pois também é composto de moléculas de carbono", observa. Por causa disso, o comportamento da curva de vulcanização da borracha é parecido com o da curva de coqueificação — nome pelo qual se conhece o processo de transformação do carvão metalúrgico em coque, o combustível dos altos-fornos das siderúrgicas.

Em uma feira do setor de borracha, José Pedro conheceu o químico José Eugênio Ganade e lhe falou de sua experiência na Cosipa. "Começamos a trocar idéias e ali mesmo acertamos que trabalharíamos juntos no projeto", recorda. "Mais tarde, viramos sócios." Hoje, a Camelback conta com duas pessoas além dos sócios: um graduado em gestão e comércio exterior, que também é técnico de laboratório e em administração de empresas, e uma estagiária.

Em 2003, José Pedro e Ganade encaminharam à Fapesp o projeto que previa o desenvolvimento da máquina recauchutadora e do software para controlar com precisão o processo de vulcanização da borracha — equipamentos que podem ou não trabalhar juntos. O projeto foi aprovado em setembro de 2004, teve início em 2005 e deve terminar em novembro deste ano. A agência cedeu ao todo R$ 410 mil para a Camelback. "Com esse dinheiro, compramos equipamentos de laboratório e material de consumo", conta o fundador da empresa. "Ele também serviu para que desenvolvêssemos protótipos da máquina recauchutadora e do software." Como outros donos de pequenas inovadoras beneficiadas pelo PIPE, José Pedro afirma que o apoio do programa foi fundamental para o negócio. "Sem o dinheiro do PIPE não existiria o projeto."

O software
O software que a empresa está desenvolvendo indica o momento certo em que o camelback atinge o chamado ponto de cura — ou seja, quando ele é vulcanizado. "Essa é a grande inovação do nosso projeto: um produto que controla o ponto exato da vulcanização, não deixando que o material saia do molde antes ou depois do tempo", diz José Pedro. "Independentemente da formulação e da aceleração da vulcanização, o software absorve todas as interferências que ocorrem no processo, como oscilação de temperatura e de pressão, por exemplo."

Para encontrar o ponto de cura, Ganade passou dois anos observando o que ocorria durante o processo de vulcanização conduzido com várias temperaturas diferentes. Finalmente, chegou a uma fórmula que emprega cálculos matemáticos complexos e determina o momento exato da vulcanização para qualquer composto. Depois que os dados de temperatura chegam ao programa por meio de sensores instalados no molde que abriga o polímero, ele passa a monitorar a velocidade e o andamento da vulcanização. Com isso, o software "sabe" exatamente quando o processo termina e desliga o equipamento. Outra vantagem é que ele pode ser aplicado na fabricação de qualquer produto que utilize borracha vulcanizável como matéria-prima, como peças de automóveis, calçados e correias. Seu lançamento vai acontecer durante a 8ª Convenção Internacional de Pneus e Equipamentos (Recaufair Pneushow 2008), a ser realizada no Expo Center Norte, em São Paulo, de 5 a 8 de maio.

A máquina
A máquina de recauchutagem da Camelback é uma caixa de aço vazada, com 4,10 metros de comprimento por 1,80 de largura e 2,33 de altura. Em sua parte superior há um trilho com suportes para sustentar lado a lado os pneus a ser prensados. Ela possui também um conjunto hidráulico para movimentar a prensa, dentro da qual ocorre a vulcanização, e um sistema de alimentação de vapor e ar comprimido, que fornece o calor e a pressão necessários para o processo. "A união dos pneus lado a lado forma uma única câmara de pressão com controle da curva de vulcanização, estável durante todo o processo, o que garante a uniformidade do produto", explica José Pedro. "A máquina é automatizada e não requer adaptações nas instalações já existentes nas recauchutadoras. Além disso, ela ocupa menos espaço. Hoje, os pneus são recauchutados individualmente, deitados lado a lado."

O presidente da Associação Brasileira do Segmento de Reforma de Pneus (ABR), Orfilo Henrique Pena, diz não conhecer nem a Camelback nem seus produtos, mas acredita que, a princípio, eles podem interessar a algumas empresas do setor. "Hoje, o sistema de vulcanização na reforma a quente [que usa como matéria-prima o camelback] é realizado por meio de um molde para cada pneu", explica. "Esse mesmo sistema também é utilizado na vulcanização e produção de pneus novos. Há, no entanto, outro método, a reforma a frio, que usa bandas de rodagem pré-curadas, no qual são vulcanizados vários pneus ao mesmo tempo, por meio de uma autoclave."

Segundo Orfilo, o Brasil tem o segundo mercado de reforma de pneus do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, com um faturamento anual de R$ 4 bilhões. São 1.557 reformadoras e 18 fornecedores de matéria-prima (15 nacionais e três multinacionais), que geram 205 mil postos de trabalho, sendo 45 mil diretos. Todos os anos, as reformadoras colocam para rodar 8,5 milhões de pneus recauchutados de caminhão e ônibus; 8 milhões de pneus de automóveis; 1 milhão de pneus de motocicletas; e 240 mil pneus de veículos fora-de-estrada e agrícolas. "A reforma de pneus é uma prática mundial, que surgiu como forma de evitar o desperdício", explica. "Cada pneu reformado utiliza apenas 25% do material consumido para produzir um novo e tem a mesma durabilidade."

A Camelback ainda não fixou uma data para colocar sua máquina no mercado. A empresa desenvolveu um protótipo, mas não tem condições de produzi-la em larga escala. Por isso, o lançamento vai depender do andamento das negociações já em curso com uma empresa interessada em fabricá-la.

Futuro
José Pedro concluiu a faculdade de tecnologia e gestão ambiental na Universidade Monte Serrat (Unimonte), de Santos, em 2006, e hoje vai tocando sua empresa com algumas dificuldades. Ela está instalada na casa dele, no Guarujá, em uma área de 90 metros quadrados, onde também funciona o laboratório onde são realizadas todas as pesquisas. "Além dessas instalações, temos em Santos uma empresa parceira que nos fornece estrutura para fazermos os ensaios industriais do processo", conta. "Também temos uma área própria de 250 metros quadrados, no Guarujá, onde pretendemos construir uma fábrica." Apesar das dificuldades e limitações, ele é otimista. "Nossos planos são lançar o produto em feiras, como a Recaufair, e iniciar as vendas", diz, referindo-se ao software. "Pretendemos nos expandir ao menos 20% ao ano nos próximos cinco anos."

Fonte: Evanildo da Silveira / Inovação Unicamp

Pesquisadores brasileiros e da Costa Rica descobrem enzima que pode causar a inflamação e a dor da artrite

Quando todos olhavam para um lado, elas olharam para outro. Fizeram perguntas diferentes e descobriram coisas muito interessantes. Duas cientistas do Instituto Butantan, Catarina Teixeira e Cristina Fernandes, viram que uma mesma proteína encontrada em abundância nos estágios mais avançados da artrite (algo que todos dessa área sabiam) pode também ser uma das causas dessa enfermidade (essa é a parte que ninguém mais parece ter pensado ou demonstrado).

O que elas descobriram, em conjunto com pesquisadores da Universidade Federal do Ceará e da Universidade de Costa Rica, faz mais do que jogar luz nos tortuosos labirintos da inflamação e da dor que gradativamente se apossam de articulações como joelhos, cotovelos, punhos e mãos. Também ajuda a compreender melhor como e por que os tratamentos atuais podem ou não funcionar para conter essa doença, que persegue principalmente as mulheres, em uma proporção três vezes maior que os homens, e começa a aparecer por volta dos 35 anos.

No Brasil aproximadamente 2 milhões de pessoas convivem com a artrite e, nos casos mais graves, evitam se mover para escapar da dor, como se houvessem se tornado prisioneiras do próprio corpo.

“A natureza é econômica”, comenta Catarina, explicando como, a partir desta constatação tão simples, ela e Cristina se perguntaram se a mesma proteína não poderia ter funções mais amplas e relevantes. O artigo que publicaram no ano passado na British Journal of Pharmacology deixa claro como a molécula que estudaram – a BaP1, extraída do veneno de uma serpente e muito similar à de seres humanos – aciona e alimenta os processos inflamatórios típicos da artrite.

É também ela que promove a liberação de substâncias inflamatórias conhecidas como prostaglandinas e citocinas, que causam dor nas articulações, e ainda corrói as cartilagens nos estágios mais avançados da doença.

Somado aos resultados obtidos por outros grupos de pesquisa, esse trabalho ajuda a eleger essas proteínas – enzimas chamadas de metaloproteases por carregarem um metal, normalmente zinco – como alvo potencial para combater não só a artrite como também tumores e outras doenças de cujo desenvolvimento participam.

Clique aqui para ler o texto completo na edição de fevereiro de Pesquisa FAPESP.

Fonte: Carlos Fioravanti /Agência Fapesp

Workshop Internacional Museologia como Campo Disciplinar

O Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast), no Rio de Janeiro, sediará, de 5 a 7 de março, o Workshop Internacional Museologia como Campo Disciplinar.

Serão realizadas duas conferências, proferidas pelas pesquisadoras Nélida Gómez e Lena Pinheiro, ambas do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), que discutirão idéias e conceitos da museologia e interfaces com outros campos disciplinares.

O evento ocorre no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Museologia e Patrimônio, desenvolvido em parceria entre o Mast e a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio).

Mais informações: www.mast.br

Fonte: Agência Fapesp

Lançado site da VIII Conferência Anpei de Inovação Tecnológica

O site da VIII Conferência Anpei de Inovação Tecnológica, que ocorrerá em Belo Horizonte (MG), de 19 a 21 de maio, já está disponível na internet, no endereço http://www.anpei.org.br/viiiconferencia. Foi confirmada a presença do presidente da Paap Associates (EUA), Jay Paap, que irá proferir a palestra magna internacional "As Possibilidades e os Desafios da Inovação na Economia Global".

Com o tema central "Estruturando e Gerindo a Inovação Tecnológica nas empresas", a VIII Conferência Anpei terá, no seu primeiro dia (19/05), um debate amplo sobre o sistema nacional de inovação: a nova política industrial, os resultados da aplicação dos incentivos do governo (incluindo o Programa de Subvenção Econômica) e uma avaliação dos instrumentos de apoio à inovação. O sistema de inovação de Minas Gerais será destaque de outra mesa.

O segundo dia (20/05) começará com um painel dos Comitês Temáticos da Anpei. Serão apresentados os resultados de estudos sobre atratividade de centros de P,D&I internacionais para o Brasil, recursos humanos em P,D&I, inovação nas MPEs, indicadores de P&D, e operacionalização das relações universidade-empresa. Na seqüencia, em outro painel, empresas compartilharão suas experiências no uso dos instrumentos de fomento à inovação, entre elas Embraer, Dupont, Natura e Braskem.

Ainda no segundo dia, o coordenador do Grupo de Estudos em Empresas e Inovação da Unicamp, professor Ruy Quadros, ministrará a palestra conceitual "Estruturando e Gerindo Atividades de P&D nas Empresas". Em outro painel serão apresentados casos de sucesso de pequenas, médias e grandes empresas.

No último dia (21), estão previstas sessões simultâneas com cases de sucesso na área de inovação de produtos e processos. Elas serão divididas em três segmentos: Agronegócio (com cases da Embrapa, Sadia, Dedini e Alellyx), TIC (cases da Ericsson, Motorola e C.E.S.A.R), e Energia (Eletronorte, Siemens Cepel e Petrobras).

Haverá ainda o painel "Introdução ao Programa Pró-Inova e ao Guia On-line de Inovação", com a participação de membros da Anpei e do Ministério da Ciência e Tecnologia. O Pró-Inova tem o objetivo de aumentar o percentual de empresas que conhecem os instrumentos de apoio à inovação e os marcos legais da área. Antes do encerramento da Conferência, a Monitor Group apresentará a pesquisa "As 101 inovações brasileiras". As atividades do dia terminam com visitas técnicas.

Workshop e mini-curso - Neste ano a VIII Conferência contará com novidades em sua programação. Além de palestras, mesas-redondas e painéis, serão realizados dois workshops e um mini-curso. No dia 19, antes da abertura oficial do evento, será ministrado o mini-curso "Introdução à Inovação. No dia 20, o Comitê de Inovação em MPEs coordenará o workshop "Depoimentos e Trocas de Experiências de MPEs sobre Inovação". Na seqüência, Jay Paap ministrará o workshop "Open Innovation", com tradução simultânea e entrada paga.

Fonte: Anpei

15ª Reunião de Pesquisa e o 13º Seminário de Iniciação Científica da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo

A 15ª Reunião de Pesquisa e o 13º Seminário de Iniciação Científica, ambos promovidos pela Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (USP), serão realizados de 13 a 15 de maio, na capital paulista.

Além da apresentação de trabalhos, serão realizados fóruns científicos, palestras, workshops e grupos de discussão.

“Dentística e materiais dentários”, “Endodontia, periodontia e clínica integrada”, “Odontopediatria e ortodontia”, “Patologia, semiologia e radiologia”, “Próteses, traumatologia e cirurgia” e “Odontologia social” serão temas apresentados.

Mais informações: www.fo.usp.br

Fonte: Agência Fapesp

Evento marca lançamento de editais da Fapesp

Uma chamada pública para apresentação de propostas de pesquisas nas áreas de tecnologia da informação, engenharia de software, psicologia e administração de empresas foi lançada na sexta-feira (15/2), na sede da FAPESP, em São Paulo, durante cerimônia de assinatura do convênio de cooperação científica e tecnológica entre a Fundação e as empresas Ci&T Software e DigitalAssets.

As propostas devem ser encaminhadas até 14 de abril, por meio do Sistema de Apoio a Gestão (SAGe) da FAPESP. Os resultados do processo de análise e seleção dos projetos serão divulgados em agosto.

O aporte total de R$ 3,6 milhões para o financiamento dos projetos – 50% investidos pela FAPESP e 50% divididos entre as duas empresas – será desembolsado ao longo dos cinco anos de vigência do acordo. O convênio foi firmado nos termos do Programa de Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE) da FAPESP.

O objetivo é identificar, selecionar e apoiar projetos de pesquisa fundamental e aplicada a serem desenvolvidas de maneira cooperativa por pesquisadores das duas empresas em parceria com cientistas vinculados a instituições de ensino superior e de pesquisa, públicas e privadas, no Estado de São Paulo.

Segundo Celso Lafer, presidente da FAPESP, as pesquisas apoiadas deverão ser desenvolvidas com vistas à aplicação. “A tecnologia de informação é uma área que demanda muita atividade de pesquisa e desenvolvimento e um convênio como esse abre inúmeras possibilidades para o Estado de São Paulo”, afirmou.

“A constituição paulista contempla, entre os objetivos da FAPESP, não apenas a ciência, mas também o desenvolvimento da tecnologia. Considerando a frase de Louis Pasteur de que não existe ciência aplicada e sim aplicações da ciência, essa parceria deverá gerar aplicações que nos capacitem a ter um papel de destaque na economia e no funcionamento de nosso estado e de nosso país”, acrescentou Lafer.

Também presente na cerimônia, Carlos Vogt, secretário do Ensino Superior do Estado de São Paulo, representando o governador José Serra, disse ter uma visão extremamente positiva do convênio.

“Em nome do governador gostaria de trazer uma mensagem de apoio a mais esta bem-sucedida parceria realizada por meio do PITE, programa que visa ao desenvolvimento tecnológico e à inovação, cujas iniciativas bem sucedidas pude acompanhar de perto nos cinco anos em que fui membro do corpo diretivo da FAPESP”, disse o ex-presidente da Fundação.

Nove linhas prioritárias
Os projetos selecionados deverão contribuir para o avanço do conhecimento nas áreas de engenharia de aplicações na Web 2.0, engenharia de software, administração de empresas e psicologia. A Web 2.0 designa uma nova geração de serviços que propiciam colaboração on-line, compartilhamento de recursos e cooperação entre usuários.

Os temas de interesse da chamada incluem nove linhas de pesquisa, apesar de os pesquisadores não precisarem ficar restritos a elas: “Tecnologias, padrões e frameworks emergentes em Web 2.0”, “Usabilidade de aplicações web”, “Processos, métodos e diretrizes de adoção da abordagem SOA no mundo corporativo e acadêmico”, “Tecnologias, padrões e frameworks emergentes em SOA” e “Reúso de software”.

“Gestão de grandes volumes de conteúdo em aplicações na Web 2.0”, “Mudanças de comportamento humano em corporações escaláveis”, “Competitividade suportada por gestão diferenciada de relacionamentos corporativos” e “Desenvolvimento de plataformas ubíquas de software com foco em logística de transportes” e completam a lista.

De acordo com Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, a maior parte dessas nove linhas de pesquisa se relaciona muito proximamente com um documento recém-publicado pela Sociedade Brasileira de Computação (SBC) com os principais desafios na área de ciência e engenharia de computação no Brasil.

“É muito interessante o fato de a Ci&T e a DigitalAssets terem estabelecido temas e demandas que se relacionam com aquilo que a própria SBC considera elementos da fronteira do conhecimento na ciência da computação”, afirmou.

“Esse convênio e a chamada de propostas se inserem na estratégia da FAPESP que tem três ações muito importantes: a formação de recursos humanos, o apoio à pesquisa acadêmica motivada pela curiosidade do pesquisador e a investigação com vistas às aplicações, ou seja, estudos que não são feitos apenas para o avanço do conhecimento, mas que se conectam mais diretamente com o desenvolvimento econômico e social do país”, destacou.

As propostas da chamada, que deverão ser para projetos com duração de até 24 meses, deverão buscar ainda objetivos de pesquisa como soluções novas e criativas, relevância imediata, disseminação e comunicação e propriedade intelectual dos resultados.

A seleção será realizada por análise de mérito e análises comparativas, usando-se critérios como originalidade e ousadia, qualidade e viabilidade da execução do projeto, adequação da infra-estrutura, formação de novos pesquisadores e potencial para ampla disseminação e uso da propriedade intelectual criada.

Inovador, mas perecível
Segundo César Gon, diretor presidente da Ci&T Software, a inovação, no contexto do mercado global de tecnologias da informação, apesar de ser desenvolvida de maneira muito freqüente, é também altamente perecível.

“Diferenciais e vantagens comparativas em TI duram muito pouco e, por isso, precisamos, em uma visão de crescimento a longo prazo, promover uma constante criação de know-how e formação de recursos humanos. Estar próximo da academia para trazer a visão da indústria para a pesquisa científica é uma forma de a Ci&T disputar, de maneira mais competitiva, novas fatias desse mercado de TI”, afirmou.

Fernando Matt, diretor presidente da DigitalAssets, lembrou que a empresa nasceu dentro de um laboratório de inovação na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) “cujas pesquisas, desenvolvidas por meio da interação entre pesquisadores do grupo Ci&T e da academia, geraram tecnologias de ponta que hoje são competitivas a nível internacional”.

“Esse convênio aumenta ainda mais o leque de opções de novos tipos de desenvolvimento tecnológico. Estamos confiantes quanto a resultados positivos para o grupo Ci&T, para o ambiente universitário e para o Estado de São Paulo”, disse Matt.

Fundada em 1995 e com atuação em diversos segmentos da indústria, a Ci&T Software é uma empresa especializada em software e tecnologia da informação. A empresa conta com uma estrutura global de prestação de serviços que inclui seis unidades no Brasil, uma subsidiária nos Estados Unidos e um escritório na Europa.

A DigitalAssets, uma empresa do grupo Ci&T, é especializada em soluções práticas para o reúso de software. Seu objetivo é auxiliar seus clientes a reduzir custo e aumentar a qualidade e agilidade no desenvolvimento de software. Para isso, a empresa atua provendo serviços profissionais, ferramentas e produtos customizados que impulsionam a criação, gestão e reúso de ativos digitais.

Mais informações: www.fapesp.br/convenios/cit-da

Fonte: Thiago Romero /Agência Fapesp