sábado, 16 de fevereiro de 2008

INPA aceita inscrições para estágio curricular para níveis médio e superior

O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT) recebe até quarta-feira (20) inscrição para o estágio curricular do Programa Institucional de Estágio em C&T. Para participar, o estudante deve estar matriculado em alguma das instituições de ensino que tenham convênio com o Inpa, cursando a partir do 2º período, para o nível superior, e a partir do 2º ano, para o nível médio.

Os candidatos devem estar regularmente matriculados em uma escola ou universidade, apresentar um excelente rendimento acadêmico, não ter mais que duas reprovações no mesmo período, nem reprovações em disciplinas afins com as atividades do projeto/plano de trabalho em que vai estar inserido e três reprovações ao longo do curso.

Além disso, não podem pertencer ao círculo familiar do orientador ou responsável, nem ter concluído outro curso de graduação. Também não podem ter vínculo empregatício ou qualquer outra modalidade de bolsa da instituição. É necessária a dedicação integral às atividades acadêmicas e administrativas, totalizando um período mínimo de dedicação ao projeto de 20 horas semanais.

O objetivo do programa do Inpa é qualificar os estudante nas técnicas e métodos gerenciais, estimular os gestores produtivos a orientar estudantes de graduação e de nível médio, iniciando-os na produção do conhecimento, além de aprimorar o processo de formação de profissionais para o setor produtivo.

Podem candidatar-se alunos dos cursos de administração, direito, biblioteconomia, contabilidade, comunicação social, computação e correlatos. Os interessados devem comparecer na sala da Pós-Graduaçãodo instituto, com ficha de inscrição e entrevista; CPF e RG; boletim, para os estudantes do ensino médio, e o último histórico, para os estudantes de graduação; comprovante de matrícula, duas fotos 3x4, currículo e comprovante de residência.

A avaliação da documentação é feita por um comitê assessor do órgão. O resultado da seleção será divulgado na segunda quinzena de março. A relação nominal será fixada na Divisão de Apoio à Capacitação e Intercâmbio e no site do instituto.

Fonte: Agência CT

Estudo revela evidências que gene está associado a puberdade precoce central

A GPR54-activating mutation in a patient with central precocious puberty

Estudo realizado por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) revelou pela primeira vez evidências da associação de um defeito em um gene com a puberdade precoce central.

Depois de estudar o DNA do sangue de 53 crianças com puberdade precoce central, os pesquisadores identificaram uma mutação no gene GPR54 em uma menina. O GPR54 é um receptor que quando ativado por uma proteína denominada kisspeptina é responsável por regular a secreção de hormônios que desencadeiam a puberdade.

O estudo, cuja primeira autora é a doutoranda Milena Gurgel Teles, foi publicado nesta quarta-feira (13/2) na revista norte-americana The New England Journal of Medicine. A pesquisa faz parte de um projeto temático da FAPESP coordenado por Ana Claudia Latronico, orientadora de Milena.

De acordo com Ana Claudia, até agora a maioria dos casos de puberdade precoce central em meninas não tinha uma etiologia, isto é, não tinha uma causa conhecida. Nos meninos, os casos são muito mais raros e, geralmente, relacionados a tumores no sistema nervoso central.

“Trabalhos anteriores mostravam que 20% das meninas afetadas tinham familiares que também apresentavam história de puberdade precoce, o que sugeria o envolvimento de fatores genéticos. Mas, pela primeira vez, evidenciamos uma causa relacionada a um gene”, disse.

Mudanças físicas ocorrem por volta dos 10-11 anos entre as meninas, e em torno dos 12-13 entre os meninos Segundo a pesquisadora, o processo puberal, caracterizado por mudanças físicas características, tais como mamas nas meninas e pêlos corporais nos meninos, ocorre entre 10 e 11 anos nas meninas e entre 12 e 13 anos nos meninos. Mas só quando ele ocorre antes dos 8 anos em meninas e dos 9 em meninos é considerado puberdade precoce.

“Em cerca de 90% dos casos, as meninas com puberdade precoce central não apresentam lesões no sistema nervoso central que justifiquem o aparecimento do problema”, disse.

Segundo a cientista, quando o problema está relacionado às gonadotrofinas – hormônios produzidos no hipotálamo e na hipófise que produzem ovários e testículos – trata-se da puberdade precoce central. “Essa forma de puberdade precoce é muito mais freqüente entre as meninas, que podem apresentar mamas e menstruação mesmo antes dos 5 ou 6 anos de idade”, disse Ana Claudia.

Os pesquisadores avaliaram 53 casos de puberdade precoce central, sendo 48 em meninas e três em meninos. Uma das meninas apresentou um defeito no gene GPR54, que regula a secreção do hormônio GnRH, estimulador das gonadotrofinas hipofisárias.

“O defeito que identificamos age como um ativador do receptor, por isso a criança tem mais hormônios em uma idade que não era a esperada. Esse é provavelmente o primeiro gene identificado entre vários outros que possivelmente estão implicados no início da puberdade e portanto representam potenciais causas desse problema", disse a professora associada da FMUSP.

A puberdade precoce não é rara. Ela afeta cerca de um indivíduo a cada 10 mil. “Em termos estatísticos não é um problema raro. Felizmente, embora as causas sejam desconhecidas, os tratamentos disponíveis hoje são muito efetivos”, disse Ana Claudia

O tratamento utilizado é a medicação conhecida como agonista de GnRH, um tipo de hormônio que bloqueia a síntese e liberação das gonadotrofinas, administrado em injeções mensais ou trimestrais.

“Quando não é tratada, a puberdade precoce pode fazer a menina menstruar muito cedo. A principal conseqüência é a baixa estatura na vida adulta. A pessoa, em geral, fica com menos de 1,50 metro. O tratamento, embora seja caro, é muito eficaz”, afirmou.

A descoberta do fator genético relacionado ao problema, de acordo com a pesquisadora, não afetará os tratamentos. “O objetivo era contribuir para compreender como agem os hormônios, como funciona o mecanismo que desencadeia a puberdade e entender a fisiopatologia do problema”, disse.

“Os mecanismos que controlam esse início da puberdade ainda são misteriosos. Queremos entender como polimorfismos em genes podem modular a idade de inicio da puberdade. E também como as mutações genéticas podem explicar as patologias puberais”, destacou.

O artigo A GPR54-activating mutation in a patient with central precocious puberty, de Milena Gurgel Teles e outros, pode ser lido por assinantes da New England Journal of Medicine em http://content.nejm.org/ .

Fonte: Fábio de Castro /Agência Fapesp

Ano Heliofísico Internacional

Pesquisadores de todo o continente se reuniram nesta última quinta-feira (14/2) para a abertura da Escola Latino-Americana 2008 do Ano Heliofísico Internacional (AHI), realizada na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo. O encontro, composto de mais de 40 palestras e dezenas de pôsteres, prossegue até o dia 20.

Iniciadas no ano passado, as atividades do AHI se estenderão até 2009. O AHI marca o cinqüentenário do Ano Geofísico Internacional, que reuniu, em 1957, mais de 60 mil cientistas de 67 países para produzir um salto sem precedentes no conhecimento sobre o planeta.

Em vez de enfocar o espaço terrestre como a iniciativa anterior, o programa é voltado para estudos sobre toda a heliosfera – a região, definida pela atuação do campo magnético e vento solar, forma um volume com uma distância típica de aproximadamente 100 vezes a do Sol à Terra. Cientistas de 191 países participam da iniciativa.

De acordo com David Webb, coordenador das Escolas Internacionais do AHI, o objetivo principal do evento é aglutinar jovens pesquisadores e estudantes de todos os níveis e áreas diferentes da física e fazê-los interagir diretamente com os principais cientistas envolvidos com o tema no cenário internacional.

“Não existem cursos de heliofísica, ou de relações Sol-Terra. Por isso, é importante estimular essa interdisciplinaridade desde os cursos básicos, fazendo com que jovens pesquisadores se envolvam com programas de pesquisa nesse campo e os articulem com suas especialidades”, disse Webb.

Segundo ele, que é pesquisador do Boston College e do Laboratório de Pesquisas da Força Aérea dos Estados Unidos, as escolas internacionais abordam assuntos de relevância para problemas atuais, como aquecimento global, efeito estufa, variações climáticas globais e eventos climáticos extremos.

“São muitos temas, incluindo a pesquisa mais avançada a respeito de raios cósmicos e física da heliosfera, física solar, física de magnetosferas e ionosferas planetárias e estudos climatológicos. Além do aspecto voltado à formação de recursos humanos e ao fomento do contato entre os pesquisadores, as escolas trazem realmente contribuição científica relevante”, disse.

Detector de tempestades
Um dos destaques do primeiro dia do evento foi a palestra de Walter Gonzalez, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), sobre a origem interplanetária das tempestades magnéticas.

“Nosso grupo no Inpe está trabalhando especialmente com a questão das supertempestades magnéticas – aquelas que alcançam mais de 300 nanotesla. É um tema de grande interesse para a previsão do clima espacial do mundo”, disse Gonzalez.

De acordo com o pesquisador, as tempestades superintensas são as que causam mais estragos em satélites, além de afetar eventualmente a superfície terrestre, causando blecautes em redes elétricas e danos em redes de comunicação.

“Estamos trabalhando em colaboração com um laboratório da Nasa [agência espacial norte-americana] em Pasadena para desenvolver modelos capazes de prever essas tempestades magnéticas de origem solar. O problema é que elas não têm uma periodicidade identificada e podem ocorrer em qualquer momento do ciclo de atividade solar”, explicou.

Segundo o cientista, pode-se observar atividades anômalas no Sol, que geram grandes erupções e injeções coronais. Ao viajar no espaço entre a estrela e a Terra, essas estruturas têm parâmetros que, dependendo da direção e magnitude, desencadeiam uma grande tempestade. “O parâmetro mais importante é o campo magnético e sua direção. Se não for paralelo ao campo magnético da Terra, há chance de haver uma supertempestade”, disse Gonzalez.

Atualmente, no entanto, os satélites disponíveis permitem a detecção das tempestades de uma a duas horas antes da ocorrência. O desafio é conseguir prever a supertempestade assim que o fenômeno acontece no Sol.

“Se conseguirmos isso, poderemos fazer uma modelagem e prever as tempestades com 15 a 20 horas de antecedência, o que permitiria manipular um satélite ou preparar uma estrutura de transmissão elétrica ou de comunicações para a ocorrência”, destacou Gonzalez.

Partículas aceleradas
Outro destaque do primeiro dia do encontro foi a palestra “Novas tendências em física solar”, do professor Pierre Kaufmann, do Centro de Rádio Astronomia e Astrofísica Mackenzie (Craam) da Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

De acordo com Kaufmann, os mecanismos físicos das explosões solares continuam inteiramente desconhecidos. Mas existem evidências de que sua origem está relacionada à aceleração de partículas – em particular elétrons – a velocidades extremamente elevadas, muito superiores às que se imaginava anteriormente.

“Esse diagnóstico pode ser medido em comprimentos de onda que se situam na faixa do infravermelho distante e próximo, fazendo uso de tecnologias que se situam entre microondas curtas e o visível. Nosso grupo tem conseguido resultados inéditos mostrando essas evidências”, disse.

Segundo o pesquisador, junto às manchas solares existem poderosos aceleradores de partículas naturais. “A tendência atual é fazer uma analogia entre o processo de aceleração de partículas em grandes aceleradores de laboratório e os que dão origem a explosões solares.”

Kaufmann contou que dentro de dois meses será realizado um workshop em Paris, na França, com o objetivo de discutir a construção de sensores de infravermelho distante a bordo de um satélite em uma missão franco-chinesa, cuja meta é a detecção dessa componente de emissão que identifica a presença de partículas de altíssima energia em explosões solares.

Mais informações na Escola Latino-Americana 2008 do Ano Heliofísico Internacional (AHI): http://www.craam.mackenzie.br/%7Easilva/IHY

Ano Heliofísico Internacional: http://ihy2007.org

Fonte: Fábio de Castro /Agência Fapesp

Venezuela investe US$ 2,5 milhões no Programa Missão da Ciência

O governo da Venezuela repassou integralmente o dinheiro arrecadado de empresas para o Programa Missão da Ciência, principal iniciativa do país para financiar bolsas de projetos de pesquisa. Um total de US$ 2,5 milhões foi repassado aos pesquisadores em 2007.

A informação foi divulgada no site Science and Development Network, no dia 11 de fevereiro e replicada pelo JC e-mail no mesmo dia. Segundo a reportagem, a indústria petrolífera foi a que mais arrecadou recursos para os investimentos em pesquisa, 54%. Pela lei venezuelana, as empresas devem aportar 0,5% de sua receita para o desenvolvimento científico e tecnológico.

Naquele país, as indústrias podem optar por investir esses recursos em pesquisas realizadas dentro das próprias empresas para projetos de capacitação de recursos humanos e P&D, por exemplo, ou ainda, podem destinar os recursos para o Ministério da Ciência, que fará a distribuição dos recursos para outros projetos de pesquisa, universidades, fundações de apoio a pesquisa e institutos de pesquisa.

Ainda de acordo com a reportagem, cerca de 70% do que é arrecadado pelas empresas vai para o Ministério da Ciência, que faz a distribuição e investe em média 80% em inovação tecnológica nas empresas.

Brasil
O Brasil possui uma legislação semelhante, que é a 3.318/99 que criou o Plano Nacional de C&T do Setor do Petróleo e Gás Natural (CT-Petro). O fundo é composto por 25% da parcela do valor dos royalties que exceder a 5% da produção de petróleo e gás natural obtidas no país.

A Finep é que gerencia o CT-Petro. O primeiro edital lançado com recursos do fundo e realizada pela Finep foi em 2001. Desde a sua criação, foram lançadas três chamadas públicas, duas cartas-convite e dois editais com recursos do CT-Petro totalizando mais de R$ 130 milhões, em ações verticais.

Informações complementares sobre o CT-Petro podem ser obtidas no endereço.

Fonte: Gestão CT

Ibict e Inmetro - parceria em ACV para a competitividade ambiental na indústria

O Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) e o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict/MCT) estão planejando uma parceria no âmbito do projeto Inventário do Ciclo de Vida para a Competitividade Ambiental na Indústria Nacional (ACV). A ACV é um método utilizado para quantificar o impacto ambiental gerado na produção de bens e serviços.

De acordo com o Ibict, a avaliação inclui o ciclo completo, desde a extração e o processamento de matérias-primas, transporte, uso e distribuição até o destino final dos resíduos. A Avaliação do Ciclo de Vida de um produto consiste na realização de um levantamento quantificado de dados tanto dos materiais, como dos produtos, durante todo o ciclo de vida, bem como a identificação dos impactos ambientais potenciais ao longo desse ciclo e a interpretação dos resultados do estudo.

O diretor do Ibict, Emir Suaiden, disse, em matéria publicada pelo instituto, que o projeto ACV é de fundamental importância para o Brasil, uma vez que desenvolve metodologias e tecnologias relacionadas à questão do meio ambiente e sua preservação. "Estamos fazendo esta inovação para o Brasil. O Inmetro é um parceiro forte, pois dentro das suas linhas de vocação se dará a medida exata para o produto ser acessível à indústria nacional", disse. Ainda de acordo com Suaiden, o Inmetro auxiliará o Ibict na adoção de metodologias e técnicas de ACV.

Já o presidente do Inmetro, João Jornada, afirmou que a intenção é o engajamento no projeto ACV conforme a perspectiva do setor industrial, suas demandas, prioridades e operacionalização.

Informações adicionais sobre a ACV estão disponíveis no endereço: http://acv.ibict.br/sobre/oquee.htm/document_view

Fonte: Gestão CT

Prorrogado prazo para que instituições se adéqüem às novas regras de convênios com a União

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prorrogou o prazo para que instituições privadas sem fins lucrativos estejam de acordo com as novas regras de convênios celebrados com a União. Agora, as entidades terão até o dia 1º de julho para se adequarem ao novo modelo.

Em junho do ano passado, por meio do decreto nº 6.170, o governo criou as normas para os convênios e contratos realizados entre a União e as instituições privadas sem fins lucrativos.

Um dos pontos do decreto proíbe a celebração de convênio entre a União e instituições que tiverem como dirigentes membros dos Poderes Executivo, Legislativo, Judiciário, do Ministério Público e do Tribunal de Contas da União, Também estão proibidos de celebrar convênios os dirigentes que sejam servidores públicos vinculados ao órgão ou entidade concedente dos recursos. O dirigente também não poderá ter cônjuges, companheiros e parentes em linha reta, colateral ou por afinidade até o segundo grau, nessas instituições públicas.

O decreto ainda determina que as instituições privadas façam um cadastro prévio no Sistema de Gestão de Convênios, Contratos de Repasse e Termos de Parcerias (Siconv). No ato da publicação do decreto as empresas teriam até o dia 1º de janeiro para estarem de acordo com as novas regras.

O governo manteve o prazo do dia 1º apenas para o artigo que determinava o arquivamento de convênios com prazo de vigência encerrado há mais de cinco anos e que tenham valor registrado de até R$ 100 mil.

Pelas novas regras, a União só poderá estabelecer convênios com instituições privadas com valores acima de R$ 100 mil. Para ter acesso ao decreto nº 6.170 acesse o endereço. Já o decreto nº 6329 de dezembro de 2007 que muda o prazo para a adequação às regras está disponível neste endereço.

Fonte: Gestão CT

Estudo aponta que biodiesel de soja não é sustentável

Os biocombustíveis são considerados uma das maiores promessas no campo das energias renováveis devido à redução da dependência do petróleo, combate à emissão de gases do efeito estufa e meio de inclusão social, o que torna hoje uma das prioridades do governo. Mas para que essa fonte atenda às expectativas e gere resultados efetivos para a população, ainda há um longo caminho a ser trilhado.

Quem afirma é a administradora Magaly Fonseca Medrano, autora da dissertação Avaliação da Sustentabilidade do Biodiesel de Soja, apresentada no Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (CDS/UnB) em novembro de 2007. Para a pesquisadora, uma compilação de fatores negativos, na atual conjuntura, faz com que o recurso não contribua para solucionar os problemas ambientais, sociais, econômicos e estratégicos do país.

“A tão propagada contribuição para minimizar o aquecimento global, só terá resultados significativos quando o biodiesel for adicionado em 50% ao diesel comum, ou seja, em B50. Entretanto, o B20 (20% de inclusão) é a mistura máxima que o mercado vai alcançar como medida de proteção ao mercado petrolífero”, afirma. Nessa ótica, a distância entre o ideal e o real se torna evidente pela constatação de que entre 2008 e 2013 será obrigatório o uso da proporção B2 nos veículos abastecidos com diesel.

No que se refere aos benefícios ambientais que gera o biodiesel de soja, a autora comenta que tanto a estrutura molecular quanto os seus componentes lhe conferem em vários aspectos, uma combustão mais limpa que a do diesel petróleo, um desses aspectos é a inexistência de enxofre em sua composição. “No entanto, diminuições importantes na quantidade de particulados (MP, CO, Nox, HC) que são emitidos para atmosfera começam a ser observados a partir da mistura B50, a exceção do óxido de nitrogênio, onde com o avanço da mistura os gases emitidos tendem a aumentar”, explica Magaly.

Para a mestra, é preciso repensar urgentemente a introdução do biodiesel no Brasil de modo a beneficiar a população. “Políticas públicas mais adequadas poderiam agir nesse sentido”, ressalta.

No tocante à geração de emprego, o biodiesel de soja não oferece muitas oportunidades nem no campo, nem na planta industrial de biodiesel. No campo são necessários apenas dois trabalhadores para colher uma área de 100 hectares de soja plantada. Comparado à uma plantação de tomate são necessárias 245 pessoas para efetuar a colheita nessa mesma área. Por outro lado, uma planta de produção de biodiesel requer 12 profissionais, distribuídos em três seções: gerência, administração da produção e manutenção. “O biodiesel de soja forma parte de um complexo industrial concentrador de renda e excludente.” revela.

Outro ponto em debate é a adesão dos consumidores, fundamental para o sucesso da iniciativa. Convencê-los a abastecer com o biodiesel pode não ser tão fácil, já que o preço do litro ficará mais caro que o litro de diesel. “Muita gente ainda prefere pagar mais barato do que fazer uma escolha que não agrida o planeta”, lamenta a administradora.

Para o país, em termos econômicos, a introdução das misturas obrigatórias B2, B5 e B10 geraria uma economia de divisas ocasionada, pela diminuição dos gastos na conta de importações de combustíveis.

RESÍDUO – O principal produto da soja é o farelo, que representa cerca de 80% do grão e é utilizado em sua maioria na indústria de rações. O restante 20% pode ser utilizado para o consumo humano ou para a fabricação de biodiesel, sendo atualmente um dos principais desafios para a agregação de valor do produto.

Quanto mais grão de soja for esmagado, maior será a quantidade de óleo e farelo a serem produzidos, portanto, é fundamental alocar o excedente de farelo decorrente de um aumento na quantidade de grão de soja esmagada. “Em países onde a pecuária é intensiva, qualquer excesso na quantidade de farelo produzida é facilmente absorvida pelo mercado, mas no caso do Brasil onde a pecuária é extensiva e a maior parte do gado é alimentado com pasto, o excesso de farelo ocasionaria perdas para a indústria de oleaginosas”, diz a administradora.

Outro subproduto cujo destino precisar ser definido é a glicerina, proveniente do processamento do biodiesel. Essa substância bruta é comercializada, porém a mais valorizada é a glicerina purificada ou refinada. O consumo desse produto no país atinge 14 mil toneladas, mas estima-se que 55 mil toneladas de glicerina serão geradas após a inclusão da mistura B2 de biodiesel em 2008.

“Atualmente não existe um destino certo para a superprodução de glicerina derivada das misturas B2, B5 e B10. Apesar de haver instituições de pesquisa cuidando do assunto, é importante encontrar rapidamente uma função ou uso alternativo, já que poderia se tornar uma situação insustentável do ponto de vista ambiental”, alerta.


O biodiesel é um combustível renovável e biodegradável, obtido comumente a partir da reação química de óleos ou gorduras, de origem animal ou vegetal, com um álcool na presença de um catalisador (reação conhecida como transesterificação). Pode ser obtido também pelos processos de craqueamento e esterificação.

O produto substitui total ou parcialmente o óleo diesel de petróleo em motores ciclo diesel automotivos (de caminhões, tratores, camionetas, automóveis, etc) ou estacionários (geradores de eletricidade, calor, etc). Ele pode ser usado puro ou misturado ao diesel em diversas proporções. O nome biodiesel muitas vezes é confundido com a mistura diesel+biodiesel, cuja designação correta deve ser precedida pela letra B (do inglês Blend). Neste caso, a mistura de 2% de biodiesel ao diesel de petróleo é chamada de B2 e assim sucessivamente, até o biodiesel puro, denominado B100.


Fonte: Secom / UNB

CNBS libera o plantio e comercialização de duas variedades de milho transgênico

O Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS) acatou os pareceres da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e liberou, na terça-feira (12/2), o plantio e a comercialização de duas variedades de milho transgênico.

São elas a MON810, desenvolvida pela empresa norte-americana Monsanto e resistente a insetos, e a Liberty Link, da empresa alemã Bayer e resistente ao herbicida glufosinato de amônio, utilizado na pulverização para combater ervas daninhas.

Trata-se da primeira liberação, no Brasil, do plantio comercial de milho transgênico. A CTNBio já havia emitido pareceres favoráveis ao plantio de soja e algodão geneticamente modificados.

Em nota do Ministério da Ciência e Tecnologia, o ministro Sergio Rezende destacou que a decisão favorável à liberação das duas variedades demonstra que houve o entendimento de que a CTNBio tem “autoridade legal para tomar a decisão que tomou”.

O ministro afirmou que, a partir de agora, a Advocacia Geral da União (AGU) analisará se as decisões posteriores da CTNBio terão caráter terminativo com relação à liberação de organismos geneticamente modificados.

Rezende disse ainda que o fator determinante para a liberação das variedades de milho transgênico foi a segurança para a saúde humana, animal e para o meio ambiente. “Os estudos que comprovam isso foram enviados à CTNBio, que os analisou. O que o conselho fez foi referendar a decisão técnica da comissão”, explicou.

Com a publicação do resultado da reunião do CNBS no Diário Oficial da União, o que deve ocorrer nos próximos dias, as empresas que produzem as sementes modificadas das variedades de milho aprovadas devem registrá-las no Ministério da Agricultura para o plantio.

Fonte: Agência Fapesp

IEB lança edital para o programa BECA

O IEB (Instituto Internacional de Educação do Brasil) é uma associação civil brasileira sem fins lucrativos, cuja missão é capacitar, incentivar a formação, disseminar conhecimentos e fortalecer a articulação de atores sociais para o desenvolvimento sustentável. O IEB atua por meio da capacitação técnica e profissional na área socioambiental, do incentivo à qualificação para a conservação da biodiversidade e do desenvolvimento sustentável, da gestão de recursos e projetos, e da disseminação de conhecimentos.

1. Objetivos e Público
O Programa BECA do IEB, concebido graças a uma contribuição expressiva da Fundação Gordon e Betty Moore, oferece bolsas de estudo para profissionais, técnicos e estudantes engajados na conservação, uso sustentável e repartição dos benefícios oriundos da biodiversidade na Amazônia brasileira. As bolsas destinam-se à qualificação de estudantes de nível médio e graduação, pesquisadores, líderes comunitários e técnicos de organizações governamentais, não-governamentais e privadas, que atuam em áreas fins à conservação da biodiversidade na Amazônia brasileira. O Programa BECA vincula-se à Iniciativa Andes-Amazônia da Fundação Moore, que visa promover a conservação de processos ecológicos de larga escala, por meio de três dimensões estratégicas: a geração de conhecimento científico relevante e diretamente aplicado à conservação da biodiversidade; a (re)definição de instrumentos de economia e de política ambientais; e a criação e o manejo de áreas protegidas (no sentido amplo do termo). Assim sendo, o Programa espera produzir efeitos significativos, principalmente, nessas áreas consideradas estratégicas.

2. Pré-Requisitos
O(A) candidato(a) ao Programa BECA deve cumprir com os seguintes requisitos:

ser cidadã(o) brasileira(o) ou residente legal permanente no Brasil;
ter compromisso com a Amazônia brasileira ou nela atuar, desenvolvendo pesquisas e/ou ações relacionadas à conservação da biodiversidade na região;
estar matriculado(a), ter sido admitido(a), ou ser candidato(a) em instituição acadêmica ou programa de treinamento no qual deseja estudar e se capacitar; e
conduzir estudos e ações com claros vínculos com a conservação da biodiversidade e de processos ecológicos de larga escala na Amazônia brasileira, em um ou mais campos de estudo ou disciplinas das Ciências Naturais ou Sociais.

Importante
Não são elegíveis estudos nas áreas de administração, aqüicultura, agricultura, economia, educação ambiental, engenharia ambiental e turismo.
Não podem se candidatar funcionário(a)s e conselheiro(a)s do IEB e seus familiares até segundo grau.

Não há restrições para que as pessoas se candidatem mais de uma vez, seja para a mesma modalidade de apoio, ou para outra; porém, uma pessoa só poderá obter nova bolsa nas seguintes situações: (1) se a nova bolsa solicitada se destinar a outro treinamento/capacitação; (2) se o(a) candidato(a) tiver cumprido integralmente seus compromissos contratuais anteriores junto ao Programa; e (3), no caso de novo pleito para a modalidade Desenvolvimento Profissional, após decorrido um ano de concluído o apoio anteriormente obtido.

Terá prioridade candidato(a) residente na Amazônia brasileira.

3. Benefícios
O apoio financeiro oferecido pelo Programa BECA destina-se a cobrir custos com: ajuda de custo para manutenção (alimentação, moradia, etc.); taxas escolares e acadêmicas (matrículas e mensalidades); despesas com viagens de ida e volta para a instituição ou programa onde serão efetuados os estudos; livros; material de consumo e suprimentos; e custos relativos à pesquisa de campo, caso exigida pela instituição ou programa de estudos.

Para a modalidade Pequenos Apoios (Nível Médio e Graduação), o Programa BECA concede um valor fixo bimestral de R$ 580,00 (quinhentos e oitenta reais) por um período de um ano.

Para a modalidade Desenvolvimento Profissional, ao preencher o Formulário de Candidatura, o(a) candidato(a) deve definir o período para o qual solicita a bolsa e elaborar um orçamento dentro do limite definido para esta modalidade de apoio, que é de R$ 3,480 (três mil e quatrocentos e oitenta reais) para o país ou USD $ 2,000.00 (dois mil dólares) para o exterior. Estes recursos podem ser utilizados para cobrir gastos com os itens de despesa cobertos pelo Programa.

Outras informações no endereço.

Fonte: IEB

XVIII Seminário Nacional de Parques Tecnológicos e Incubadoras de Empresas - Chamada de Trabalhos


Sob o tema central “Empreendedorismo: A Energia para o Brasil Inovador”, iniciamos as atividades do XVIII Seminário Nacional de Parques Tecnológicos e Incubadoras de Empresas, com o lançamento da CHAMADA DE TRABALHOS 2008.

Este ano, o evento acontecerá de 22 a 26 de setembro de 2008, em Aracajú (SE), e compreenderá atividades de capacitação, atualização, debates de tendências, apresentação de resultados e produção técnico-científica.

Por estes e outros motivos, convidamos a todos a apresentarem seus trabalhos sobre temas relacionados às incubadoras de empresas, parques tecnológicos, cultura empreendedora e sistemas de inovação.

Contamos com sua participação e desejamos um excelente trabalho a todos!

Maiores informações no endereço: www.anprotec.org.br

Fonte: Anprotec

Estudo aponta que uso intenso de computadores está relacionado a pior desempenho na escola.

Revealing myths: computers and school performance

As políticas de inclusão digital, que estimulam o uso de computadores nas escolas, podem estar gravemente equivocadas, de acordo com um estudo realizado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A pesquisa mostra que o uso de computadores para fazer tarefas escolares está relacionado ao pior desempenho dos alunos – principalmente entre os mais pobres e mais jovens.

O trabalho, publicado na revista Educação e Sociedade, foi coordenado por Jacques Wainer, do Instituto de Computação, e por Tom Dwyer, do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. A equipe utilizou dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) de 2004.

“Existe hoje uma posição dominante favorável ao uso do computador nas escolas, como se ele estivesse associado a uma melhoria uniforme no desempenho do aluno. Mas constatamos que ocorre o contrário: entre alunos da mesma classe social os que sempre usam têm pior desempenho”, disse Wainer.

Do ponto de vista de políticas públicas, o estudo aponta que é preciso entender melhor o fenômeno do impacto dos computadores nas notas dos alunos antes de defender a inclusão digital baseada na distribuição de tais equipamentos.

“Idéias como a de dar um laptop para cada criança parecem péssima opção, principalmente considerando que ele piora o desempenho escolar entre as crianças mais pobres. Corremos o risco de transformar a inclusão digital em uma exclusão educacional”, afirmou Wainer.

Segundo ele, a pesquisa foi derivada do Mapa da Exclusão Digital, publicado pela Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro em 2003. O documento apontava um melhor desempenho no Saeb entre os estudantes que tinham computador em casa.

“O documento dava um argumento favorável às políticas de inclusão digital. Mas havia problemas metodológicos: em geral quem tem computador em casa são os alunos mais ricos, que normalmente têm melhor desempenho. Para eliminar esse viés resolvemos considerar a classe social e focar no uso para tarefas escolares”, explicou.

O Saeb de 2004, segundo Wainer, prestava-se ao propósito, uma vez que incluía uma pergunta sobre a freqüência com que os alunos utilizavam o computador para tarefas escolares: nunca, raramente, de vez em quando e sempre.

“Usamos esses dados sobre alunos de 4ª e 8ª série do ensino fundamental e do 3º ano do ensino médio e pudemos avaliar a variação do desempenho nas provas de matemática e português de acordo com a classe econômica, dividida em sete estratos”, explicou o professor do Instituto de Computação da Unicamp.

Sem solução mágica
Os resultados mostraram que, na 4ª série, os estudantes de classe alta que usaram raramente o computador para as tarefas tiveram, em média, 15 pontos a menos do que os que nunca o fizeram – tanto em português quanto em matemática.

Dentre os mais pobres os que usaram o computador, mesmo raramente, tiveram nota pior do que os que nunca usaram, com uma diferença média de 25 pontos em português e 15 pontos em matemática. “O resultado mais importante, no entanto, surgiu quando os estudantes disseram sempre usar o computador. Entre esses, não importou a classe social ou disciplina, o desempenho foi sempre pior do que entre os que nunca usaram”, disse Wainer.

Entre os alunos da 8ª série, o quadro foi semelhante, mas houve uma melhora na prova de português entre os alunos que usaram raramente o computador. Em matemática, a diferença não foi significativa. “Mesmo assim, na 8ª série os mais pobres que usaram raramente ainda se saíram pior do que os que nunca usaram. Entre os mais ricos, os alunos que usaram raramente estiveram um pouco melhor do que os que não usaram”, contou.

Em matemática, para a maioria das classes sociais da 8ª série, os alunos que usaram raramente o computador se saíram melhor do que os que nunca o fizeram. “Por outro lado, quem usou sempre teve desempenho pior do que os que nunca usaram, em todos os casos”, destacou Wainer. Todos os dados passaram por teste de significância estatística, para eliminar o chamado ruído estatístico.

Segundo Wainer, a pesquisa constata apenas estatisticamente que os alunos que sempre usam o computador para suas tarefas têm pior desempenho. Mas não há dados para explicar por que o uso intenso piora as notas e por que o efeito é mais grave entre crianças de classes sociais mais baixas.

“Só podemos especular sobre os motivos. Para conhecê-los será preciso que outros especialistas utilizem ferramentas diferentes para realizar estudos qualitativos. O importante é destacar que os resultados são coerentes com outros estudos internacionais”, afirmou.

O pesquisador destaca que a avaliação de que o computador é uma ferramenta neutra é equivocada. “Como o computador é bom para nós, professores, por exemplo, tendemos a achar que ele é útil para todos. Mas ele não é uma solução mágica para a educação”, disse.

Para ler o artigo Desvendando mitos: os computadores e o desempenho no sistema escolar, de Jacques Wainer e outros, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.

Fonte: Fábio de Castro / Agência Fapesp

Fundação Araucária recebe propostas para o Programa de Apoio ao Pesquisador Visitante

A Fundação Araucária de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Estado do Paraná está recebendo propostas para o Programa de Apoio ao Pesquisador Visitante.

A fundação receberá os projetos em dois prazos. Para as visitas previstas para o primeiro semestre deste ano o prazo termina no dia 25 de abril. Já para as visitas agendas no segundo semestre, o prazo vai até o dia 11 de julho.

O objetivo do programa é incentivar a realização de visitas de curta ou média duração às instituições públicas e privadas sem fins lucrativos de ensino superior e aos institutos de pesquisa de caráter público do Paraná, de pesquisadores, preferencialmente estrangeiros, cuja formação e experiência profissional representem uma contribuição inovadora aos cursos de pós-graduação stricto sensu e à consolidação de grupos de pesquisa sediados no Estado.

As propostas deverão ser encaminhadas pelos coordenadores dos cursos ou programas de pós-graduação no Estado. Os projetos poderão ser enviados em duas modalidades. A primeira, modalidade A, é para pesquisador visitante sênior, que tenha título de doutor a mais de cinco anos. A segunda, modalidade B, é para pesquisador recém-doutor.

Os recursos são da ordem de R$ 3,7 milhões, sendo que R$ 2,9 milhões serão para apoiar projetos de pesquisador sênior e R$ 800 para pesquisador recém-doutor. As propostas para a modalidade A poderão solicitar um valor máximo de até R$ 78 mil e para modalidade B até R$ 52 mil.

A íntegra do edital pode ser vista em: http://www.fundacaoaraucaria.org.br/chamadas2008/CP01-2008.pdf.

Prêmio Excelência em Inteligência Competitiva

Associação Brasileira dos Analistas de Inteligência Competitiva (Abraic), instituição associada à ABIPTI, lançou o Prêmio Excelência em Inteligência Competitiva. O objetivo é reconhecer as empresas que investem em Inteligência Competitiva no país. As empresas têm até o dia 20 de fevereiro para se inscrever na primeira edição do prêmio.

Para participar, os representantes das empresas deverão preencher a ficha de inscrição e o questionário disponível no site www.abraic.org.br. Também é necessário encaminhar à Abraic uma versão protocolada, impressa e assinada.

De acordo com o regulamento do prêmio, a seleção dos vencedores será feita em duas fases. Na primeira, a escolha será por meio do questionário respondido pelos representantes das empresas. Dez cases aprovados na primeira etapa participarão da segunda. Assim, os responsáveis pelos cases selecionados deverão elaborar um projeto detalhado, cuja finalidade é apresentar o modelo de inteligência competitiva (IC) para avaliação aprofundada dos jurados, que irão definir os três melhores trabalhos.

Os vencedores serão premiados no evento Strategies for Competitive Intelligence 2008, que será realizado, de 15 a 17 de abril, em São Paulo (SP).

Segundo a conselheira da Abraic, Elaine Marcial, em texto da associação, o prêmio contribuirá positivamente para um melhor desempenho das organizações participantes. Ela explica que, até então, a área não tinha nenhum parâmetro de boas atuações, o que, agora, deverá ser mudado.

Informações adicionais, pelo telefone (61) 3342-3532 ou pelo e-mail .

Fonte: Gestão CT

7th Iberian Vacuum Meeting - IVM-7

We are pleased to announce the joint 7th Iberian Vacuum Meeting (IVM-7) and 5th European Topical Conference on Hard Coatings (ETCHC-5) to be held in Caparica, Portugal, from June 22 to 25, 2008.

The Iberian Vacuum Meeting is the continuation of the series started in Braga in 1989, held alternatively in Spain and Portugal every 2 or 3 years and organized jointly by both, Portuguese and Spanish vacuum societies. It is a forum for all vacuum technology users, no matter the application.

The main objective of the European Topical Conference in Hard Coatings is to provide an opportunity to interchange knowledge and research experience in the hard coatings field. We invite scientists from all the European community as well as engineers from the industry community to attend this meeting.

These meetings will cover the topics:
· Applied Surface Science;
· Surface Engineering;
· Thin Films;
· Electronic Materials & Processing;
· Nanometer Structures;
· Surface Science;
· Plasma Science and Technique;
· Hard Coatings (in parallel sessions).

The main topics of ETCHC-5 will overlap quite well the aim and objectives of the IVM-7. Therefore, common sessions will be arranged.

Venue will be at Caparica Campus of Universidade Nova de Lisboa, very close to the beaches of Costa da Caparica, 20 minutes far from Lisbon. In this season, the weather is usually perfect to enjoy the beauty of South Lisbon seaside landscape. Companions are most welcome, since they will have much to enjoy too.

A high level scientific program is being planned with many reputed scientists being invited to give talks on the state-of-art of science and technology of the above topics.

Students, both graduation and pos-graduation, are highly encouraged to be present and to present their work. Submitted papers will be published in a regular volume of Vacuum after peer review.

Further details will be gradually available in the meeting website: http://www.soporvac.pt/riva7/riva7.html

We hope that you will be able to join us for what promises to be an exciting meeting, both scientifically and culturally, and we look forward to meet you at Caparica.

Source: Orlando M.N.D Teodoro / José L. de Segovia (Chairmen)

Finep divulga resultado dos editais do Fundo Setorial para o Desenvolvimento das Telecomunicações - Funtell

A Finep divulgou na semana passada o resultado de dois editais do Fundo Setorial para o Desenvolvimento das Telecomunicações (Funtell). Do total de recursos dos dois editais, R$ 80,5 milhões, foram aprovados apenas R$ 29,6 milhões - valor global dos projetos.

O edital MCT/Finep/MC/Funtell – Áreas Temáticas Prioritárias 02/2007 - tem o objetivo de apoiar projetos cooperativos de pesquisa, desenvolvimento e inovação que resultem em produtos ou protótipos industriais. Para esta chamada foi disponibilizado um aporte de R$ 79,9 milhões.

Foram contemplados 17 projetos, sendo sete da região Sudeste - um do Rio de Janeiro, quatro de São Paulo e dois de Minas Gerais, totalizando um aporte de R$ 11,2 milhões. Do Estado de São Paulo, duas propostas escolhidas são de instituições associadas à ABIPTI. São elas: o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD) e o Venturus Centro de Inovação Tecnológica.

A região Sul teve quatro projetos escolhidos, dois do Estado de Santa Catarina e outros dois do Rio Grande do Sul, com um total de recursos no valor de R$ 7,5 milhões. A região Norte vai receber um aporte de R$ 3,9 milhões. Ela obteve três propostas selecionadas, sendo que todas são do Estado do Amazonas. Dois projetos aprovados são do Genius Instituto de Tecnologia.

A região Nordeste também com três propostas aprovadas e receberá o valor de R$ 6,3 milhões. Dos projetos aprovados, dois são do Estado de Pernambuco e um do Ceará, oriundo do Instituto Atlântico.

A lista com os selecionados está disponível no endereço.

Plataformas para Conteúdos Digitais
Já o edital MCT/Finpe/MC/Funtell – Plataformas para Conteúdos Digitais - 01/2007 contemplou dois projetos, sendo um da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que receberá R$ 182,9 mil, e outro da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com um aporte de R$ 369,1 mil. O objetivo dessa chamada é apoiar projetos visando especificar requisitos técnicos e funcionais para desenvolvimento de uma plataforma de produção, edição e distribuição de conteúdos digitais interativos a ser utilizada em aplicações de educação à distância, que permita a interoperabilidade do conteúdo em ambientes web e televisão digital terrestre. Para esse edital, foi disponibilizado um aporte de R$ 620 mil. Acesse a página do resultado no endereço.

Finep
O Gestão C&T entrou em contato com a assessoria de comunicação da Finep para saber o motivo de poucos projetos aprovados. Segundo as informações repassadas, os técnicos que avaliaram as propostas submetidas identificaram baixa demanda qualificada dos outros projetos.

Para mais informações sobre os editais da Finep, acesse: www.finep.gov.br.

Fonte: Isadora Lionço /Gestão CT

Uso de vinhaça e gaseificação de biomassa para co-geração de energia

Um potencial de geração de energia de 25 mil GigaWatts/hora (GWh, unidade de medida para geração e consumo de energia) ao ano está sendo desperdiçado no Brasil por falta de regulamentação do nascente mercado da co-geração de energia. Esse é o valor estimado para o potencial de geração de energia a partir do bagaço de cana apresentado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do Ministério de Minas e Energia, a especialistas presentes no workshop sobre co-geração realizado no dia 23 de janeiro na Unicamp. O workshop faz parte das atividades do projeto Diretrizes de Políticas Públicas para a Agroindústria do Estado de São Paulo.

O potencial do bagaço equivale a 5,4% dos 461.029 GWh gerados em 2006 por todas as fontes energéticas do País — hidroelétricas, termoelétricas, usinas nucleares, etc.

O dado consta do Plano Nacional de Energia — PNE 2030. Para fazer os cálculos que chegaram a esse potencial para a energia da co-geração, a EPE considerou os números de 2006, quando foram processados 430 milhões de toneladas de cana, e também um cenário no qual as tecnologias mais eficientes fossem adotadas pelas usinas. A partir dessas considerações, os técnicos da EPE chegaram à constatação de que o País poderá gerar, em 2030, até 39 mil GWh usando bagaço e palha de cana. Quem apresentou os números foi Vicente Correa Neto, da Superintendência de Recursos Energéticos da EPE. Leonardo Santos Caio Filho, da Associação Paulista de Cogeração de Energia (Cogen), citou os empecilhos para a co-geração no País. Celso Zanatto, gerente de comercialização de energia do grupo Crystalsev, discutiu em detalhe os gargalos na regulamentação e no preço da energia, mostrando que estes desestimulam o investimento no desenvolvimento tecnológico que a co-geração ainda requer.

Os principais desafios para P&D em co-geração foram apresentados por Luiz Augusto Horta Nogueira, da Universidade Federal de Itajubá (Unifei); Manoel Regis Leal, do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (Nipe) da Unicamp; e Antonio Bonomi, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT). Por fim, Vadson Bastos, assessor da vice-presidência de Tecnologia e Desenvolvimento da Dedini, demonstrou que o setor nacional de equipamentos está preparado para atender as demandas do mercado em co-geração.

De que se trata
A co-geração de energia é uma tecnologia de produção combinada de calor e potência (energia térmica e elétrica), destinada ao consumo próprio ou de terceiros. Na definição da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel): "o processo de produção combinada de calor útil e energia mecânica, geralmente convertida total ou parcialmente em energia elétrica, a partir da energia química disponibilizada por um ou mais combustíveis". A co-geração já é utilizada, por exemplo, em refinarias e na indústria de papel e celulose. Usam-se resíduos agrícolas, madeira e outros materiais como matéria-prima para produção de mais energia, que será consumida pelas próprias indústrias. À semelhança do que ocorre no setor sucroalcooleiro, a co-geração de energia elimina o problema do descarte dos resíduos.

Necessidades em P&D e inovação em co-geração
Luiz Augusto Horta Nogueira, da Unifei, dividiu as necessidades em P&D e inovação no tema da co-geração em duas grandes áreas. A primeira cobre as ações para consolidação e otimização de processos clássicos, já em uso; na segunda área, estariam os estudos de fronteira, mais exploratórios, em assuntos de viabilidade ainda não claramente definida. Nas tecnologias estabelecidas, ele vê como desafios o incremento nos parâmetros de vapor, que vão requerer materiais mais sofisticados que trabalhem em temperaturas e pressões muito mais elevadas; a diversificação no suprimento de combustíveis, com uso de outras biomassas que complementem a utilização do bagaço; o uso do gás natural; e mais estudos para modelagem de sistemas de controle.

Para as áreas de fronteira, ele citou como desafios importantes na pauta de P&D a gaseificação da biomassa (transformação de resíduo sólido em combustível de forma gasosa, por meio de reações termoquímicas) e o uso de turbinas a gás, com destaque para o tratamento de gases e a alimentação do sistema; a difusão de metodologias de análise de desempenho; e a organização e implementação de novos modelos de gestão e regulação, que sejam mais coerentes com as particularidades da geração distribuída, nome que se dá ao sistema de geração de energia que engloba aquela gerada por terceiros, como as usinas, por exemplo.

Manoel Regis Leal, do Nipe-Unicamp, ressaltou a necessidade de haver plantas de demonstração das novas tecnologias. Ele afirmou ainda que há estudos feitos em outros países com unidades de demonstração, como nos Estados Unidos, Suécia e Inglaterra, que comprovaram a viabilidade tecnológica da gaseificação da biomassa. A complexidade do processo, no entanto, impede sua viabilidade comercial. "Toda tecnologia tem uma curva de aprendizado. Quem vai arcar com os custos adicionais até ela ser viável comercialmente?", perguntou aos presentes. A gaseificação permitiria o aproveitamento do vapor e do calor gerados durante a co-geraçao, e geraria energia extra.

O pesquisador ressaltou ainda o potencial de uso da vinhaça para geração de energia — também sem viabilidade comercial no atual estágio de desenvolvimento. Leal apontou, nesse caso, a necessidade de avaliar se a compra de tecnologia no exterior não seria proveitosa. Em relação à palha, o pesquisador da Unicamp sugeriu mais estudos sobre seu efeito agronômico, ou seja, o papel que a palha exerce na fertilidade do solo e quanto ela auxilia no crescimento da planta. É preciso saber, por exemplo, quanto dela precisa ficar no campo para proteger os brotos da cana, impedir a erosão e reter a umidade. "E não sabemos ainda como queimar palha em caldeira de bagaço, materiais que são muito diferentes", acrescentou.

Antonio Bonomi, do IPT, também apresentou o que considera os principais desafios para P&D em co-geração, como o uso do ciclo combinado, processo no qual uma turbina a gás em alta temperatura movimenta um gerador que transfere o calor do gás para água. A água é vaporizada e aciona um segundo gerador, e ambos produzem energia elétrica. Ele destacou a utilização de outros resíduos agrícolas, além do bagaço e da palha, como forma de haver operações multicombustível. No uso da palha, ressaltou a necessidade de estudos sobre colheita e logística de transporte do material até a usina e sobre sua combinação com o uso do bagaço para co-geração e novas tecnologias, como a hidrólise, por exemplo.

O pesquisador acrescentou à lista de prioridades a definição de uma metodologia para avaliação dos avanços tecnológicos e de cenários para avaliação das tecnologias. "Precisamos entender uma coisa: vale a pena investir em co-geração hoje, se amanhã teremos tecnologias que se revelem mais rentáveis? Para responder essa pergunta, precisamos saber o quanto a co-geração é rentável e quando as tecnologias estarão funcionando comercialmente", finalizou.

A política do governo sobre a co-geração
Vicente Correa Neto, da EPE, apresentou os números do PNE 2030; e afirmou notar o esforço em São Paulo e nas áreas de expansão do Centro-Oeste para incorporar à atual rede de transmissão e distribuição a energia co-gerada pelos produtores de açúcar e etanol. "As novas usinas vão se equipar para aproveitar os potenciais de negócios em co-geração", afirmou ele, referindo-se aos novos equipamentos, como as caldeiras de alta pressão, necessários para a co-geração.

Ele falou ainda do incentivo governamental dado nos leilões de energia para as usinas interessadas em vender a eletricidade que produzem. "As usinas de biomassa podem dizer quanto vão fornecer no seu período de safra e, com base nessa projeção, é calculado o preço do leilão, o que não se permite para as outras formas [de geração de energia]", destacou.

O volume de geração de energia das usinas depende da quantidade de cana processada e também de seu estado. Em períodos de chuva, por exemplo, a água atrapalha o processamento. Diminuindo o volume de processamento de cana, há menos produção de bagaço e menor geração de energia. Além disso, na entressafra não há processamento de cana e nem produção de bagaço. A maior parte das usinas não conta com estrutura para armazenamento de bagaço. Esse tipo de sazonal idade é um problema para os leilões, porque a energia é vendida antes de ser produzida. Os oferecedores de energia precisam dizer quanto vão produzir e garantir a entrega do que foi vendido.

Leonardo Santos Caio Filho, da Cogen, ao comentar a apresentação feita por Correa Neto, disse que há três obstáculos para a viabilização dos projetos de co-geração: a conexão elétrica, o licenciamento ambiental e o estabelecimento do preço da energia co-gerada. "De todos, o mais difícil de resolver é o da conexão, principalmente em Estados com produção consolidada, como São Paulo", completou ele, acrescentando que a instalação de uma linha transmissora de energia demora de 12 a 18 meses.

Falta de regulamentação desestimula investimentos, diz empresário
Celso Zanatto, do grupo Crystalsev, concordou com Caio Filho. Com 13 usinas, entre elas as gigantes Vale do Rosário e Santa Elisa, que se fundiram em 2007, a Crystalsev rivaliza com o grupo Cosan como um dos maiores grupos de produção e venda de açúcar e álcool do País. "É fundamental esse esforço do governo em identificar o potencial, pois o setor era desacreditado sobre isso", disse ele, referindo-se ao fato de que poucos acreditavam nas projeções feitas pelo setor sucroalcooleiro em relação ao seu potencial de co-geração. "Mas há uma distância entre o potencial e a realidade da co-geração no Brasil e a conexão é o principal obstáculo", afirmou ele.

Zanatto disse que a co-geração nas usinas existe há mais de 70 anos, feita para consumo próprio. A crise energética de 2001 foi um estímulo para a venda da produção excedente — a "exportação", como se diz no jargão do setor. Devido ao alto preço da energia nessa ocasião, as distribuidoras conectaram pontos de transmissão às usinas. No entanto, passada a crise, veio a queda do preço e o desestímulo às usinas. Zanatto citou casos em que a distribuidora mudou o ponto de conexão depois de o projeto de co-geração estar concluído. Quando isso ocorre, a usina precisa rever todo o projeto. "Situações assim desestimulam os investimentos", observou.

"Uma usina nova, projetada para produzir 4 milhões de toneladas de cana, precisa de um investimento de R$ 150 milhões em co-geração", acrescentou. Segundo ele, em São Paulo apenas a usina Santa Elisa faz co-geração no período de entressafra. Ela estoca o bagaço para poder usar os equipamentos que ficam parados quando a usina não opera. Outro fator a ser ponderado é o valor do bagaço de cana. Na Holanda, por exemplo, a tonelada do bagaço vale 120 euros. Ou seja, além de não haver estímulo para o alto investimento em co-geração, há operações mais rentáveis para as usinas direcionarem sua produção de bagaço.

"O setor carece de uma regulamentação; a existente é feita para grandes projetos, para hidroelétricas. Só em 2007 a Aneel regulamentou a lei de 2003 que permite a sazonal idade [na entrega da energia por parte das usinas]", criticou. Entre outras medidas, ele disse ser necessário valorizar a energia co-gerada pelas usinas em períodos de seca e equilibrar o preço da energia no leilão e o valor das penalidades que incidem sobre a usina se ela não entregar os volumes prometidos. "No leilão de abril [de 2007], pagava-se R$ 140 por MWh. Se não entregasse, a penalidade era de R$ 500 por MWh", disse.

Dos 62 empreendimentos cadastrados nesse leilão para exportar energia, apenas cinco venderam a energia co-gerada, segundo o empresário. E desses cinco, completou Zanatto, três estão com problemas de distribuição. Ele acrescentou que as usinas querem uma regulamentação que trabalhe com a competência. A usina não tem a competência para fazer a distribuição. "Somos geradores de energia, não sabemos construir redes e linhas de transmissão. Por que o governo impõe esse custo para a usina?", apontou. "Estamos pedindo tratamento isonômico e regras claras", completou.

Correa Neto, da EPE, respondeu que já existem estudos para Mato Grosso e Goiás que identificam vazios na malha elétrica básica. Também explicou que em São Paulo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a EPE e a Cogen estão avaliando uma maneira de realizar as conexões em blocos de usina, e não ponto a ponto. Lembrou ainda que a lei diz ser obrigação do gerador fazer sua conexão com o ponto da distribuidora; e que o governo deve tratar a todos os setores da mesma maneira. Se a regra mudasse para o setor sucroalcooleiro, todos os outros setores exigiriam o mesmo, o que afetaria a estrutura de transmissão de energia vigente.

Fala a indústria de equipamentos
Vadson Bastos, da Dedini, ficou encarregado de responder se a indústria nacional está capacitada para atender a demanda. O executivo garantiu que o setor está preparado para atender não apenas o mercado interno, mas o externo também. Ele destacou que no "boom" promovido pelo Próalcool, entre 1975 e 1985, a produção de etanol no País aumentou de 600 milhões para 11,8 bilhões de litros e a de cana, de 68 milhões para 224 milhões de toneladas processadas.

Ele revelou ainda que a tecnologia das caldeiras de alta pressão — equipamentos essenciais para usinas interessadas em fazer co-geração —, que operam acima de 42 quilogramas-força por centímetro quadrado (kgf/cm2), já está dominada. Em 2003, por exemplo, a Dedini vendeu para a Veracel, fabricante de papel e celulose, uma caldeira que atua com pressão de 97 kgf/cm2. Segundo Bastos, a Dedini pode fabricar, anualmente, 50 usinas completas, número maior do que a demanda atual. "O setor sucroalcooleiro domina todos os estágios da tecnologia, da engenharia, da produção, da operação, na parte agrícola e na industrial. Nossa tecnologia ocupa a liderança mundial e nosso índice de nacionalização beira os 100%", concluiu.

Fonte: Janaína Simões / Inovação Unicamp

Unesp lança site na comemoração do centenário da morte de Machado de Assis

A Pró-Reitoria de Pós-Graduação da Universidade Estadual Paulista (Unesp) presta homenagem antecipada ao centenário da morte de Machado de Assis (1839-1908), que será comemorado em setembro, com o lançamento de um site que reúne textos de jornais e revistas com os quais o escritor carioca contribuiu na segunda metade do século 19.

Estão reunidos, em um primeiro momento, parte dos periódicos que representam os pouco mais de dez anos de iniciação literária do escritor, de 1855 a 1869. São textos publicados em O Futuro – Periódico Literário, Marmota Fluminense – Jornal de Moda e Variedades, Semana Ilustrada, Diário do Rio de Janeiro, Jornal do Povo e A Saudade.

O site, que traz imagens digitalizadas dos textos originais desses periódicos, teve origem no projeto A trajetória de Machado de Assis pelos periódicos, apoiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e cujo objetivo é fortalecer os vínculos entre a pesquisa em literatura e as fontes primárias e estudar os mais de 50 anos da trajetória do autor pelos periódicos brasileiros.

O projeto é coordenado pelas docentes da Unesp Silvia Maria Azevedo, da Faculdade de Ciências e Letras, em Assis, e Lúcia Granja, do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas, em São José do Rio Preto. “Esses seis periódicos que estão disponíveis on-line são uma pequena parte do projeto, que pretende alimentar o site com novas informações. A previsão é que mais quatro periódicos estejam no ar até o segundo semestre deste ano”, disse Silvia à Agência FAPESP.

“Ao todo, as poesias, as crônicas, os contos e as críticas teatrais de Machado de Assis foram publicadas em cerca de 30 jornais e revistas da época, que retratam praticamente toda a vida literária e cultural do Brasil do século 19. A publicação em livros é posterior”, explicou. Todos os textos veiculados pelo site são de domínio público.

A segunda metade do século 19, segundo a professora, marca o desenvolvimento intelectual de um dos grandes nomes da literatura mundial. “Durante sua trajetória de vida ele presenciou fatos como o auge e a queda da monarquia no Brasil, a passagem da monarquia para a república e a abolição da escravatura. Todos esses acontecimentos estão muito presentes na obra do escritor”, disse.

Segundo ela, por muito tempo Machado de Assis foi considerado um escritor com pouco interesse pela vida política e social do país. “Mas, ultimamente, as pesquisas sobre a criação literária machadiana têm nos mostrado que ele sempre foi muito atuante. Uma análise mais aprofundada em alguns de seus textos, sobretudo crônicas, revela claramente o lado participativo do escritor”, destacou.

O site traz ainda reportagens e imagens sobre a morte de Machado de Assis, em 29 de setembro de 1908, publicadas em jornais como a Gazeta de Notícias, que deu grande cobertura ao seu funeral e enterro. “Os textos apontam para uma espécie de mitificação do escritor. Ao relatar os mínimos detalhes, incluindo os discursos das autoridades em seu velório na Academia Brasileira de Letras, as publicações tentam torná-lo um ser imortal”, disse Silvia.

O material disponível no site pertence ao acervo do Arquivo Edgar Lëuenroth (AEL) do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Centro de Documentação e Apoio à Pesquisa (Cedap) da Unesp. Os dois acervos contam com cópias autorizadas dos microfilmes dos periódicos, que são propriedade da Biblioteca Nacional.

Mais informações: www.machadodeassis.unesp.br /

Fonte: Thiago Romero / Agência Fapesp