quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

InovaNIT lança edital para instituições interessadas em sediar o 6º curso de estruturação de NITs

Encontra-se aberto, até o próximo dia 20, chamada pública para identificar uma instituição de C&T interessada em sediar o 6º curso InovaNIT. As aulas, coordenadas pelo projeto InovaNIT da Agência de Inovação Inova Unicamp, tem como objetivo introduzir os principais temas e dimensões relacionadas à institucionalização, à gestão e ao desenvolvimento de núcleos de inovação tecnológica (NITs). O curso será ministrado na última semana de março.

Os cinco cursos já realizados foram ministrados em todas as regiões brasileiras. A idéia agora, de acordo com texto publicado no site do InovaNIT, é realizar aulas sob demanda em 2008 e 2009.

O curso é destinado a profissionais diplomados em nível superior (requisito mínimo) e que atuam ou pretendem atuar na gestão de inovação tecnológica de instituições de ensino e pesquisa, públicas ou privadas.

Os representantes de instituições de C&T interessados em sediar o 6º curso InovaNIT podem ter acesso ao edital por meio deste endereço.

Já a ficha de cadastro para participação da chamada pública está disponível neste endereço.

Informações adicionais, pelo site www.inova.unicamp.br ou pelo telefone (19) 3521-5205.

Fonte: Gestão CT

Lançado o "Prêmio Melhores Práticas em Educação Corporativa"

Foi lançada, no último dia 4, a primeira edição do Prêmio Melhores Práticas em Educação Corporativa. O concurso pretende destacar os melhores projetos de educação corporativa desenvolvidos por universidades brasileiras, além de estimular pesquisas nessa área e contribuir para a melhoria da competitividade empresarial do país.

A realização do prêmio é de responsabilidade da Secretaria de Tecnologia Industrial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (STI/MDIC).

São quatro categorias abordadas no concurso: Educação Corporativa Institucional; Educação Corporativa Matricial; Educação Corporativa na Interação Universidade-Empresa; e Educação Corporativa Promovendo o Desenvolvimento Social.

O prêmio é direcionado apenas às instituições de ensino superior brasileiras. As interessadas em participar devem enviar, para o MDIC, os resumos sobre as ações desenvolvidas nesse sentido no último ano.

Os textos devem detalhar os objetivos das atividades, os resultados obtidos, os investimentos feitos, o tempo de implementação, o número de pessoas envolvidas no processo e as dificuldades enfrentadas.

A submissão pode ser feita pelo endereço eletrônico www.educor.desenvolvimento.gov.br , pelo e-mail ou pelos Correios. O endereço para envio, neste último caso, deve ser conferido no regulamento.

Os vencedores em cada categoria receberão diploma e serão convidados a escrever um artigo sobre a ação desenvolvida e a experiência de ser premiado. O texto será publicado na coleção Educação Corporativa, editada pelo MDIC.

O resultado final deverá ser divulgado no dia 30 de junho e a entrega dos prêmios será feita durante a Oficina de Educação Corporativa, no dia 9 de setembro, em Brasília (DF).

O regulamento completo pode ser acessado neste endereço.

Fonte: Gestão CT

Filogeografia de DNA mitocondrial revela acentuada estruturação populacional no morcego-vampiro comum, Desmodus rotundus

Mitochondrial DNA phylogeography reveals marked population structure in the common vampire bat, Desmodus rotundus (Phyllostomidae)

No Brasil, o morcego-vampiro (Desmodus rotundus), principal transmissor de raiva para o gado, é tradicionalmente combatido por meio de sua captura com redes para posterior aplicação de uma pasta com arsênico nos animais, que, em seguida, são soltos e vão para suas colônias contaminar outros indivíduos.

Estima-se que para cada animal que recebe a pasta com o veneno, cujo efeito anticoagulante faz com que tenham hemorragia interna, sejam mortos 20. Segundo Felipe de Mello Martins, pesquisador do Instituto de Biociências (IB) da Universidade de São Paulo (USP), essa tem sido a única forma para controlar as populações do animal em diferentes biomas do país.

Em artigo publicado no Journal of Zoological Systematics and Evolutionary Research, Martins descreve a alta variabilidade genética do Desmodus rotundus que, associada à falta de diversidade do método de combate ao animal, pode estar relacionada com o aumento, no fim da década de 1990, dos casos de raiva em bovinos identificados em todo o país.

“Só no Estado de São Paulo foram notificados, em 1998, pelo Instituto Pasteur, 180 casos de raiva em bovinos transmitidos por morcegos. No ano seguinte, esse número subiu para 450 casos”, disse ele. O estudo inclui dados até 1999.

“Não podemos afirmar que a diferenciação genética dos morcegos é responsável diretamente pelo aumento dos casos de raiva, mas certamente os procedimentos atuais de controle do animal não estão tendo o efeito desejado na diminuição da doença”, afirmou.

O pesquisador estudou a distribuição geográfica e a variabilidade genética do morcego, por meio do seqüenciamento de seu DNA, a fim de detectar mutações genéticas em populações de diferentes regiões. Martins coletou amostras de tecido de animais que habitam as cinco regiões do país, além de analisar indivíduos capturados em São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

“A análise do genoma mitocondrial desses animais mostrou que cada grupo de indivíduos, dependendo da região do país, tem ancestrais distintos. Além disso, do ponto de vista quantitativo, o número de diferenças encontradas nos genes do morcego-vampiro é equivalente às variações genéticas encontradas em outros tipos animais de espécies distintas”, explicou Martins.

“Esse é um indício de que o Desmodus rotundus possivelmente abriga espécies crípticas que são morfologicamente semelhantes, mas geneticamente diferentes, e por isso seu controle deveria ser específico em cada região do país”, disse. As análises foram feitas no Laboratório de Biologia Evolutiva e Conservação de Vertebrados do IB.

O extermínio indiscriminado dos morcegos estaria contribuindo ainda, segundo o cientista, para a eliminação de populações com características únicas, que nem sequer são conhecidas na literatura científica.

“O extermínio de animais silvestres é proibido por lei e nem todos os morcegos eliminados estão infectados com o vírus da raiva e, por isso, não chegam a comprometer o gado. Além de investirmos em novas técnicas de controle dos morcegos, a sugestão é que sejam criados novos programas de vacinação dos rebanhos, de modo a achar um ponto de equilíbrio que minimize os danos causados para o morcego e também para o gado”, apontou.

Para ler o artigo Filogeografia de DNA mitocondrial revela acentuada estruturação populacional no morcego-vampiro comum, Desmodus rotundus, publicado no Journal of Zoological Systematics and Evolutionary Research, clique aqui.

Thiago Romero/ Agência Fapesp - 26/06/2006

Brasileiros e chineses encontram menor pterossauro

Primeiros vertebrados a ganhar os céus, os pterossauros não eram exatamente dinossauros, mas grandes répteis voadores. Ou melhor, não tão grandes assim, como mostra o anúncio da descoberta de um exemplar minúsculo do tipo.

A análise de um fóssil encontrado na formação de Jiufotang, em Liaoning, na China, destaca a existência de um pterossauro que media apenas 25 centímetros de uma ponta da asa a outra. Ou seja, mais para o tamanho de um pardal do que de um dinossauro.

O exemplar, encontrado em um pedaço de rocha sedimentar, foi analisado por um grupo de pesquisadores brasileiros e chineses. Alexander Kellner, professor do Departamento de Geologia e Paleontologia do Museu Nacional/Universidade Federal do Rio de Janeiro, e Diogenes de Almeida Campos, responsável pelo Departamento Nacional de Produção Mineral do Museu de Ciências da Terra, são os autores brasileiros de artigo sobre a espécie na edição de 12 de fevereiro da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas).

O fóssil descrito agora foi encontrado em 2004 e consiste de um esqueleto articulado e quase completo, com praticamente todos os ossos nas posições corretas. “Inicialmente se achou que fosse um filhote, mas as análises que fizemos mostram ossos bem formados, apesar de não totalmente, como seria em um adulto”, disse Kellner.

Com base na ossificação, os pesquisadores se certificaram da importância da descoberta. “Na nossa opinião, trata-se da menor espécie de pterossauro conhecida até o momento”, afirmou Kellner. Segundo o paleontólogo, isso vale ainda que o jovem pterossauro crescesse duas ou três vezes de tamanho até se tornar adulto.

Denominado Nemicolopterus crypticus, ou “habitante voador e oculto da floresta”, a espécie teria vivido há cerca de 120 milhões de anos e pertenceu à Pterodactyloidea, uma das subordens dos pterossauros.

O Nemicolopterus crypticus apresenta características morfológicas peculiares e não identificadas anteriormente em pterossauros. Entre elas estão pés diferentes das demais espécies. “Ele tinha falanges curvas, condizentes com as que se encontrariam em um animal que passava muito tempo em árvores”, explicou Kellner.

A proximidade com o grupo Ornithocheiroidea indica que os pterossauros, incluindo criaturas gigantescas com mais de 6 metros de envergadura, eram parentes de pequenas criaturas arbóreas e sem dentes, como a descrita agora, que viviam em árvores e se alimentavam de insetos.

Outra diferença notável no fóssil analisado é a presença de uma projeção posterior bem desenvolvida no fêmur, situada acima da articulação com a tíbia. “Essa projeção tem forma triangular e provavelmente apoiava tendões ou músculos que conectavam o fêmur e a tíbia, reforçando o movimento da parte inferior das pernas”, descreveram no artigo.

Extintos há cerca de 65 milhões de anos, os pterossauros são conhecidos como répteis voadores, apesar de não terem relação com os répteis atuais. Até hoje, no Brasil, foram descritas 24 espécies desse grupo. Alguns dos fósseis mais completos foram encontrados na bacia do Araripe, que hoje abrange áreas do Ceará, Pernambuco e Piauí.

Os principais registros de pterossauros foram feitos, além do Brasil, na Inglaterra, na Alemanha, nos Estados Unidos e, mais recentemente, na China.

A pesquisa descrita na nova edição da Pnas é mais um resultado de um acordo de cooperação entre as academias de ciência do Brasil e da China para o estudo de espécies de répteis voadores. Além de Kellner, que está com nova viagem marcada à China para análise de outros fósseis, e Campos, assinam o artigo na Pnas Xiaolin Wang e Zhonghe Zhou, do Instituto de Paleontologia e Paleoantropologia de Vertebrados da China.

Reconstituição em 3D
Kellner é autor de várias descobertas paleontológicas importantes, como a do Santanaraptor placidus, dinossauro encontrado em 1999 na bacia do Araripe, localizada entre os estados do Ceará, Pernambuco e Piauí. Campos e Kellner descreveram em 2002 o maior predador terrestre que viveu em tempos passados no Brasil, o Pycnonemosaurus nevesi.

Em Pterossauros – Os senhores do céu do Brasil (Vieira & Lent Casa Editorial, 2006), Kellner descreve todas as espécies desse grupo descobertas no país. O livro também apresenta perspectivas sobre a extinção dos pterossauros na bacia do Araripe.

O Museu Nacional abrirá nesta terça-feira (12/2) uma exposição sobre o Nemicolopterus crypticus, com uma réplica do fóssil, reconstituição em três dimensões do esqueleto, escultura do animal em uma árvore e informações sobre o pequeno pterossauro.

O museu fica no Parque da Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, Rio de Janeiro. Mais informações: www.museunacional.ufrj.br ou (21) 2568-1290.


Fonte: Heitor Shimizu /Agência Fapesp

Escadas para peixes são uma armadilha mortal para as espécies tropicais

Fish-passage facilities as ecological traps in large neotropical rivers

A construção de uma barragem prejudica o ciclo reprodutivo de diversas espécies de peixes ao impedir que eles nadem rio acima em busca de um local apropriado para a desova. Para minimizar o problema, a solução mais comum é a construção de escadas – seqüências de tanques que formam uma corredeira artificial capaz de estimular a subida dos cardumes.

No entanto, um novo estudo feito por pesquisadores da Universidade Estadual de Maringá, no Paraná, mostra que as escadas para peixes, idealizadas originalmente para salmões na América do Norte, são uma armadilha mortal para as espécies tropicais. O dispositivo aumentaria o risco de extinção das populações que vivem rio abaixo das barragens.

O trabalho, de Fernando Pelicice e Angelo Agostinho, foi publicado na edição de fevereiro da revista Conservation Biology e foi objeto de reportagem na revista Nature.

De acordo com Agostinho, o estudo comprovou que as escadas para peixes preenchem todos os requisitos para serem enquadradas no conceito de armadilha ecológica. Idealizadas como medida de conservação, elas atuam como uma fonte adicional de impacto ambiental.

“Confirmamos que as escadas apresentam diversos problemas. O principal deles é que, depois de subir, os peixes adultos e as larvas não voltam mais e, assim, não completam o ciclo reprodutivo. Eles acabam confinados no trecho acima do reservatório, onde o ambiente é mais pobre para a reprodução”.

O estudo é resultado de uma série de pesquisas em parceria com a Universidade de Tocantins. Foram observadas as escadas dos reservatórios de Porto Primavera, no rio Paraná, do complexo do rio Paranapanema e da usina de Lajeado, no rio Tocantins.

“Reunimos um grande volume de dados que incluíam levantamentos sobre as escadas, repodução de peixes, larvas e estudos genéticos. Utilizamos esse conhecimento para aplicar o conceito de armadilhas ecológicas”, disse Agostinho.

Em seu ciclo de vida natural, peixes como o dourado (Salminus brasiliensis), pintado (Pseudoplatystoma corruscans), piracanjuba (Brycon orbignyanus), pacu (Piaractus mesopotamicus) e curimbatá (Prochilodus lineatus) migram rio acima durante a época de cheia para desovar em tributários.

Mas a volta é fundamental para o ciclo reprodutivo. “Os ovos descem pelo turbilhão das águas enquanto se desenvolvem e, ao chegar à região de várzea, adentram canais e lagoas. Nesses ambientes marginais, desconectados dos rios fora da época de cheia, eles encontram ambiente seguro para crescer. Na cheia seguinte, voltam aos rios e se integram aos cardumes de adultos”, explica Agostinho.

Bom para salmão
Segundo Angelo Agostinho, as espécies migradoras são afeitas às águas rápidas. Depois de utilizar as escadas para passar ao segmento superior do rio, os peixes não voltam mais, pois são desestimulados ao encontrar as águas paradas do reservatório.

“É efetivamente uma armadilha. O peixe sai do trecho abaixo da barragem, onde poderia completar seu ciclo, e vai para o trecho acima, onde não tem condições de retornar”, destacou.

Na parte de baixo, segundo Agostinho, os peixes e larvas poderiam encontrar águas turvas e meandros apropriados para se abrigar dos predadores. “Na parte de cima eles podem até encontrar tributários do rio para desovar, mas as larvas descem para o reservatório e encontram uma água parada e límpida, onde dificilmente escapam de predadores.”

De acordo com Pelicice, que é o autor principal do estudo, as escadas foram concebidas para salmonídeos que, vindos do mar, sobem os rios, atravessam as escadas e os reservatórios e desovam nas cabeceiras. As escadas funcionam no hemisfério Norte porque os salmões adultos não precisam voltar: eles desovam apenas uma vez na vida e o ciclo se completa numa só jornada. Os peixes da América do Sul, no entanto, desovam diversas vezes na vida.

“No caso dos salmões, a migração descendente ocorre quando o peixe já tem de 12 a 15 centímetros. Por isso, quando migra rio abaixo, o peixe jovem tem condições de passar pelo reservatório e pelos vertedouros. Entre nossos grandes migradores, são as ovas que descem passivamente, por 70 ou 80 quilômetros, enquanto se desenvolvem. Quando encontram o reservatório, ficam à deriva e podem ser predadas por qualquer lambari”, disse Agostinho.

Os peixes da América do Sul, segundo Pelicice, deslocam-se ao longo do rio, dispersando-se pela bacia. Se não têm chance de voltar do barramento, o estoque diminui, ao longo do tempo, na jusante (na parte de baixo do rio).

Sem estímulo para retornar
De acordo com Agostinho, as escadas deveriam ser fechadas quando não há locais para os peixes completarem seu ciclo na montante da barragem. “A escada de Lajeado foi fechada, por solicitação do Ibama, exatamente porque se notou que havia prejuízo para a reprodução das espécies. Mas aquela área, ao contrário do caso de Canoas, não caracteriza uma armadilha, pois conta com vastas áreas acima da barragem”, afirmou o professor titular do Núcleo de Pesquisas em Limnologia, Ictiologia e Apicultura.

Pelicice ressalta que o dispositivo da escada, em si, não representa dificuldade para que os peixes desçam o rio de volta. “O problema é o reservatório. Quando terminam de subir, eles atravessam a água estagnada em busca do trecho superior de rio. Mas, quando tentam voltar, são desestimulados pelo reservatório e nem alcançam a escada de volta”, explicou.

Segundo Agostinho, além de impedir a volta dos peixes adultos e larvas, as escadas não servem para a maioria das espécies. “Elas são implantadas sem um objetivo claro, simplesmente porque há um senso comum que acredita em sua utilidade. Mas só algumas poucas espécies acabam utilizando as escadas, nem sempre as migradoras. Do ponto de vista da conservação, as escadas são ineficazes”, disse.

Para Pelicice, a origem do problema é a ausência de estudos adaptativos. A técnica de escadas do hemisfério Norte foi transposta para a América do Sul sem se considerar o contexto. “Por isso, há diversas deficiências. Há o impacto ecológico, que traz prejuízo às populações, e o problema de seletividade, que é inerente às escadas, porque impossibilita a subida de parte das espécies”, afirmou.

O artigo Fish-passage facilities as ecological traps in large neotropical rivers, de Fernando Pelicice e Angelo Agostinho, pode ser lido por assinantes da Conservation Biology em www.blackwellpublishing.com/cbi .

Fonte: Fábio de Castro / Agência Fapesp