terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Fiocruz comemora dez anos do Programa de Educação a Distância

O Programa de Educação a Distância da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) está completando dez anos de atuação. O programa é desenvolvido pela Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp) da fundação.

Atualmente, o programa conta com mais de 21 mil alunos matriculados, em cursos de atualização, aperfeiçoamento, especialização e nível técnico. Segundo informações da Fiocruz, em 1998, quando teve início o programa, a Ensp contava com pouco menos de 2 mil alunos, na sede física da escola.

"A Ensp, enquanto Escola de Governo, tem como missão formar recursos humanos para o Sistema Único de Saúde (SUS) e, para isso, a EAD constitui a estratégia mais adequada, expandindo nossa atuação por todo o país, em mais de 2 mil municípios", explica a coordenadora do programa, Lúcia Maria Dupret, em notícia divulgada pela Fiocruz.

O Programa de Educação a Distância recebeu o ano passado duas premiações. No e-Learning Brasil 2007, a fundação ficou em terceiro lugar na categoria Modalidades Acadêmica, Projetos Acadêmicos, Educacional, Administração Pública e Relevante Contribuição Social, além de ser Referência Nacional 2007/2008.

O Prêmio e-Learning, promovido pela MicroPower, foi criado em 2001 com o objetivo de estimular organizações empresariais e de ensino do país no aperfeiçoamento, desenvolvimento e implementação de programas de aprendizado suportados ou mediados pela tecnologia de educação a distância.

Cursos
Os cursos do Programa de Educação a Distância da Fiocruz são voltados para profissionais e instituições envolvidos com a gestão de sistemas e serviços de saúde, seja na área pública ou na esfera privada. O programa oferece atualmente nove cursos, entre eles o de vigilância sanitária, autogestão em saúde e biossegurança. Além disso, são oferecidos outros 17 cursos por demanda institucional.

Informações complementares podem ser obtidas no endereço: http://www.ead.fiocruz.br/sobre-o-ead/apresentacao/index.cfm .

Fonte: Gestão CT

Embrapa desenvolve projeto para recuperar área de floresta amazônica degradada no Maranhão

Uma área de um milhão de hectares de floresta amazônica desmatada, no oeste do Maranhão, será recuperada por meio de um projeto que alterna agricultura, pecuária e plantio de florestas. A área foi desmatada nas últimas décadas para fornecer carvão para siderúrgicas e utilizada na criação de gado. Agora o solo está empobrecido e não atende à pecuária.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em parceria com a Secretaria de Agricultura do Maranhão, desenvolve um projeto para recuperar a floresta e o solo da região: o sistema agrosilvipastoril.

O gerente de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário da Embrapa, José Mário Frazão, disse que o sistema é a melhor alternativa para gerar alimento e ocupar áreas desmatadas. Segundo ele, a combinação entre lavoura e pecuária já foi realizada com sucesso pela Embrapa no sul do Maranhão. A novidade, no entanto, é a participação da floresta no ciclo, que pode ser utilizada tanto em grandes propriedades quanto na agricultura familiar, disse Frazão.

"O agricultor familiar tem pouca alternativa para geração de renda nessas áreas. No momento em que você oferece uma tecnologia, que você tem uma receita bem maior, e tem a qualidade do pasto, tem outras alternativas, e com certeza ele vai se interessar".

Outra inovação, segundo o técnico da Embrapa, é a possibilidade de criação de ovelhas e cabras, e não somente bovinos.

O ciclo começa com o plantio do milho, que gera alimento e pastagem de qualidade melhor. Depois, se introduz o gado, e mais tarde plantam-se árvores.

Frazão disse que esse método já recuperou três milhões de hectares de florestas degradadas na Região Norte.

O projeto, segundo a Embrapa, será colocado em prática no final de 2008, quando tem início o ano agrícola no oeste do Maranhão.

Fonte: Leandro Martins / Rádio Nacional da Amazônia.

Estudantes brasileiros debaterão em Paris alternativas para o planeta

Divulgar a importância da Ciência da Terra para o bem-estar de todos os seus habitantes e na busca de um mundo sustentável. Esse é o objetivo do Ano Internacional do Planeta Terra (AIPT), que será lançado amanhã (12), em Paris (França), num evento patrocinado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Na ocasião, universitários de diversos países - entre eles três brasileiros - debaterão as melhores formas de tornar públicos os esforços das pesquisas científicas em favor do Planeta.

"Muitas decisões ficaram restritas à política e à diplomacia, sem que chegassem à população. Queremos agora é divulgar o conhecimento da Ciência da Terra para que a responsabilidade sobre o nosso Planeta seja mais consistente em todos os níveis", afirma Carlos Oití, coordenador-geral das Unidades de Pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e conselheiro sênior da AIPT.

O trabalho da Unesco iniciou-se com a realização de um concurso internacional com a participação de estudantes de 191 países, no qual os três brasileiros foram selecionados: Igor Kestenberg Marino, 20 anos, estudante de geofísica da Universidade Federal Fluminense (UFF), Francisco Ferreira de Campos, 18 anos, estudante de geologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Tamirez Nogueira Magalhães, 20 anos, estudante de comunicação social da UFF. O prêmio foi a viagem a Paris. Os critérios, segundo Oití, levaram em conta a criatividade e o conhecimento sobre o tema.

"Fiz um vídeo explicando a vida no oceano", resume o estudante Igor Marino. Segundo ele, a inspiração surgiu devido a sua consciência ecológica. "Quero contribuir e ajudar na preservação do Planeta", acrescenta o carioca. O desenho foi a maneira escolhida pelos outros participantes, Francisco e Tamirez. O primeiro representou o problema da água subterrânea, mostrando a realidade de dois países: um pobre e outro rico. "A ilustração mostra a água como a nova fronteira de disputa entre os países. Quis alertar sobre esse problema", explica Francisco Campos.

Já Tamirez Magalhães preferiu mostrar, em seu desenho, o problema provocado pela desordem urbana em uma megacidade. De acordo com ela, a solução desse obstáculo está no próprio homem. "Quis traduzir o caos urbano, mas sempre lembrando que há pontos positivos, e que o homem é responsável por melhorar o local onde mora", resume. Estarão com os brasileiros em Paris outros 347 estudantes de todas as partes do Globo.

Carlos Oití esclarece que os temas do concurso foram baseados em estudos realizados pela Organização das Nações Unidas (ONU), que considerou dez tópicos prioritários: Água Subterrânea; (Mega)cidades; Clima; da Crosta ao Núcleo da Terra; Desastres Naturais; Oceanos, Recursos (Naturais e Energia); Solos; Terra e Saúde; Terra e Vida.

Fonte: Fabio Lino / Agência CT

Brasil tem pior índice de interesse por ciência entre países ibero-americanos

Cientistas e gestores cada vez mais se dão conta da importância da sociedade nas tomadas de decisão sobre ciência e tecnologia, o que representa um ganho significativo para o funcionamento da democracia. E o Brasil, em especial o Estado de São Paulo, tem concedido importantes contribuições com trabalhos de percepção e de participação pública da ciência e da tecnologia desde o início desta década.

A contextualização desses trabalhos em um cenário mais amplo, em que o estado se insere em pesquisas com outros países ibero-americanos, foi o fio condutor da sessão de encerramento do congresso Cidadania e Políticas Públicas em Ciência e Tecnologia, em Madri, Espanha, coordenada na sexta-feira (8/2) por Carlos Vogt, secretário de Ensino Superior do Estado de São Paulo.

O evento, que reuniu especialistas de diversos países, foi promovido pela Fundação Espanhola para Ciência e Tecnologia (Fecyt) e pela Organização dos Estados Iberoamericanos (OEI).

Em sua conferência, Vogt destacou que a falta de interesse do público pela ciência ou a falta de confiança na ciência e na tecnologia, ou nos cientistas, estão inseridas em um contexto mais amplo, “que envolve outras variáveis além do ensino formal e do ambiente, como a cultura geral do indivíduo e os estímulos que recebe, por exemplo, pelos meios de comunicação”.

“Hoje, a percepção pública da ciência é entendida por muitos como algo integrante de um sistema cultural, que denomino de cultura científica”, afirmou. Segundo ele, iniciativas como a divulgação científica e a capacitação de cientistas e de jornalistas para tal atividade são importantes para se consolidar a cultura científica de um país.

A importância de atividades de divulgação científica foi bastante enfatizada durante todo o congresso, que contou com trabalhos sobre percepção pública da ciência, comunicação de ciência, comunicação de risco, divulgação e educação, política científica e tecnológica, entre outros temas. Uma parte significativa foi apresentada por pesquisadores brasileiros: foram concedidas 30 bolsas para os congressistas, de 130 pedidos, das quais 13 para o Brasil.

A importância da preocupação com a divulgação científica foi ressaltada nos dados apresentados por Carmelo Polino, pesquisador da Rede Iberoamericana de Ciência e Tecnologia (Ricyt), da Argentina, segundo os quais o Brasil tem o pior índice de interesse por ciência entre os países ibero-americanos.

Segundo Polino, pesquisa realizada recentemente em sete grandes cidades do Brasil, além de Colômbia, Argentina, Venezuela, Espanha, Panamá e Chile, com apoio da Ricyt, OEI, FAPESP e Fecyt, mostrou que no caso brasileiro (na cidade de São Paulo) 35% dos entrevistados revelaram não se interessar por ciência por não compreender os textos de conteúdo científico (em uma amostra de 1.076 habitantes). Os resultados da pesquisa serão publicados no Brasil em breve.

Percepção pública
As pesquisas de percepção pública datam da década de 1970 nos países desenvolvidos. Os ibero-americanos iniciaram trabalhos na área bem depois. No Brasil, a primeira pesquisa nacional de percepção pública da ciência data de 1987 e, posteriormente, foram realizadas mais duas: em 1992 e, mais recentemente, em 2006.

Em São Paulo, os trabalhos de percepção pública da ciência tiveram início em 2003, em uma pesquisa pioneira e internacional, conduzida pela Ricyt, OEI e FAPESP. Os dados deram base para um trabalho contido nos Indicadores de Ciência, Tecnologia e Inovação em São Paulo – 2004, publicado pela FAPESP.

Os trabalhos de percepção social da ciência são, em geral, realizados por meio de uma amostra da população consultada em pesquisas com questionários (surveys). “Ainda que existam dúvidas sobre a interpretação dos dados encontrados e que a metodologia de coleta dos dados e preparação do questionário esteja se consolidando, os resultados de um survey sobre percepção pública da ciência são um valioso insumo para a formulação de políticas públicas para ciência e tecnologia”, disse Vogt.

Atualmente, os especialistas discutem a necessidade de se formular instrumentos de análise adequados e, mais do que isso, metodologicamente integrados para permitir uma análise mais profunda, que inclua comparações em nível nacional e internacional, conforme destacou Vogt na conferência de encerramento.

Fonte: Sabine Righetti /Agência Fapesp

Mast realiza curso "Mediação em Museus e Centros de Ciência: Teoria e Prática"

O Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast/MCT) realiza, entre os dias 25 e 29 de fevereiro, o curso Mediação em Museus e Centros de Ciência: Teoria e Prática.

Voltado para mediadores de museus e centros de ciência, o evento é uma realização da Coordenação de Educação em Ciências (CED/Mast/MCT).

O objetivo do curso é capacitar mediadores de museus e centros de ciência a partir da discussão de teorias educacionais e saberes envolvidos nas práticas de mediação.

Os interessados podem obter mais informações nos telefones (21) 2580-7010 ramais 210/211 e 2580-1383.

Conteúdo Programático
Caracterização da Mediação / Elementos Formadores e Limitadores da Mediação;
Teorias Educacionais e Mediação;
Saberes da Mediação;
A Mediação e as Práticas Educativas;
A Mediação segundo os Mediadores.

Saiba mais no endereço: http://www.mast.br/nav_h06_txt612.htm.

Fonte: Agência CT

Brasil possui mais de 600 mil obesos mórbidos

Hábitos de vida sedentários e alimentação rica em gorduras vêm deixando a população brasileira cada vez mais acima do peso. O que não se sabia até o momento, entretanto, era a quantidade real de cidadãos no último grau dessa escala, a obesidade mórbida.

São mais de 609 mil pessoas, segundo levantamento inédito da mestre em Ciências da Saúde pela Universidade de Brasília (UnB) Isabella Vasconcellos de Oliveira.

Este número corresponde ao percentual de 0,64% de prevalência da obesidade mórbida entre os brasileiros acima de 20 anos em 2003. "Se formos comparar aos Estados Unidos, que apresenta 4,9%, podemos dizer que ainda não é uma epidemia.

O problema é que a tendência de crescimento é muito grande", afirma a pesquisadora colaboradora da Faculdade de Ciências da Saúde (FS) Leonor Maria Pacheco Santos, que orientou a aluna. Para se ter uma idéia, a incidência do problema aumentou nada menos que 255% nas últimas três décadas. Em 1974/1975, havia 0,18% de cidadãos nesse grupo, contra 0,33% em 1999 e 0,64% em 2002/2003.

Os resultados foram obtidos a partir dos bancos de dados de três inquéritos nacionais realizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que incluem medidas antropométricas: a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) de 2002/2003, a Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição (PNSN) de 1989 e o Estudo Nacional de Despesa Familiar (Endef) de 1974/1975.

A região Nordeste apresentou o maior crescimento relativo, que foi de 760%, considerando o período compreendido entre os levantamentos citados acima, seguido da região Norte, com 410%, sendo que o menor aumento foi na região Sul, 120%. "Não temos, em princípio, uma boa explicação para essas diferenças porque é a primeira vez que esse dado foi analisado", comenta o professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) Wolney Conde, que colaborou no estudo.

Embora o crescimento tenha sido maior no Nordeste, essa região ainda apresenta o menor índice nacional, de 0,43% em 2003. O maior percentual de cidadãos portadores de obesidade mórbida, no mesmo ano encontra-se na região Sudeste, com 0,77% dos habitantes.

Há dois dados comuns a todas as localidades do País: a ocorrência mais freqüente entre a população de baixa renda e a alta incidência entre as mulheres, que na média nacional é de 0,95%, sendo que nos homens chega somente a 0,32%.

Embora se desconheçam os motivos para tal proporção entre o público feminino, sabe-se que as mulheres acumulam uma reserva energética a cada gestação a fim de amamentar. Se o desmame é precoce, como ocorre freqüentemente em nosso meio, este fato pode contribuir para o acúmulo de gordura nas mães que não amamentaram. Outro ponto a favor seria o fato de os homens, principalmente nas classes economicamente inferiores, terem trabalhos físicos mais pesados e, por conseqüência, um maior gasto calórico.

PROPOSTAS
Na visão de Leonor, os resultados apontam para a necessidade urgente de campanhas massivas de conscientização pelo governo federal. "Precisamos de uma contrapropaganda na mesma intensidade daquelas que incitam o consumo de alimentos calóricos", sugere. A ingestão de produtos com baixo valor nutritivo, aliado a um estilo de vida sedentário, respondem pela elevação exponencial das estatísticas.

Ações de conscientização desde a infância, por exemplo, ajudariam a evitar que, mais tarde, os indivíduos tivessem que se submeter à intervenção cirúrgica, que envolve riscos, inclusive de morte. "As ações de prevenção são muito importantes, entretanto, para a obesidade grau III (mórbida) já instalada, diversos estudos apontam a cirurgia bariátrica como único tratamento efetivo a longo prazo", diz Isabella.

Outro ponto a favor da iniciativa seria o desafogamento do Sistema Único de Saúde (SUS), que entre 1999 e 2006 realizou 10.365 operações que custaram R$ 32 milhões aos cofres. "Os dados mostram que, em 2003, o SUS só ofereceu cobertura para 0,29% da provável demanda por intervenções de redução do estômago" afirma a médica. Ela ressalva, entretanto, que nem todos os obesos mórbidos são candidatos ao procedimento, como aqueles que apresentam alguma contra-indicação cirúrgica. Além disso, aqueles que possuem planos de saúde privados não procuram a rede pública.

Isabella e Leonor, no entanto, concordam com as primeiras ações que começam a ser tomadas. "A cirurgia, em si, é apenas uma parte da abordagem terapêutica ao obeso mórbido. A criação de uma política de saúde pública para o tratamento e o acompanhamento do paciente obeso, trazida pelas novas portarias do SUS, certamente contribuirá para o sucesso na abordagem desses pacientes", diz a mestre.

A cirurgia bariátrica é realizada quando o índice de massa corporal (IMC), ou seja, a razão entre o peso e o quadrado da altura é maior que 40kg/m², faixa na qual se encontra uma pessoa de 1,70 acima de 116kg, por exemplo. A intervenção também ocorre se o IMC estiver entre 35kg/m² e 40 kg/m² e o paciente apresentar diabetes, hipertensão arterial, apnéia do sono, hérnia de disco ou outras doenças associadas. Em ambos os casos, o Consenso Latino Americano de Obesidade só recomenda o procedimento a pessoas que vêm ganhando peso nos últimos cinco anos, sem resposta satisfatória ao tratamento convencional.


Outras informações pelo e-mail.

Fonte: Secom/UNB

A influência dos médicos na decisão pelo parto cesariana

Um estudo conduzido por pesquisadores da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) apontou que, embora apenas 34% das gestantes atendidas em duas maternidades privadas do Rio de Janeiro tenham manifestado preferência pela cesariana nos primeiros meses de gravidez, 89,7% delas acabaram realizando esse tipo de parto operatório.

O trabalho, coordenado por Silvana Granado Nogueira da Gama e Maria do Carmo Leal, ambas do Departamento de Epidemiologia e Métodos Quantitativos em Saúde da ENSP, foi realizado com base em entrevistas e consultas aos prontuários de 437 grávidas de diferentes classes sociais, faixas etárias e níveis de escolaridade.

As entrevistas foram realizadas em 2006 e 2007 e os dados foram comparados ao tipo de parto realizado. A pesquisa foi encomendada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e realizada em parceria com a Universidade Federal Fluminense e com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro.

“Ao fim da gestação, o desejo pelo parto cesáreo havia crescido para 74%, comparado aos 34% do estágio inicial. Isso revela uma forte influência na decisão da mulher sobre o tipo de parto durante o período pré-natal, sobretudo por parte dos profissionais que fizeram o acompanhamento médico”, disse Silvana.

Segundo ela, entre os motivos para a escolha da cesariana estão medo da dor no parto normal, histórico familiar e experiência de partos anteriores. "Não se pode descartar também a influência de amigas e familiares, além da escolha de dias específicos para o nascimento do bebê", conta.

Do total de cesáreas realizadas (89,7%), em apenas 7,6% as pacientes haviam entrado em trabalho de parto. “As demais tiveram cirurgias pré-agendadas, o que é um enorme problema, especialmente para o recém-nascido, uma vez que eleva o risco de partos prematuros e óbitos neonatais”, explicou a epidemiologista.

No Rio de Janeiro são realizados por volta de 82 mil partos por ano, sendo 20 mil em hospitais privados. “Desses, cerca de 90% são cesarianas, contra 35% de cesáreas realizadas na rede pública, dos cerca de 62 mil partos restantes. Considerando todo o país, a estimativa é que aproximadamente 40% dos partos sejam por cesariana”, disse.

Segundo a pesquisadora, para a maioria dos médicos não é conveniente, do ponto de vista financeiro, aguardar pelo parto normal. “O trabalho de parto chega a demorar mais de dez horas e, nesse tempo, os profissionais podem realizar mais de uma cesariana e também outras atividades no consultório.”

“Sabemos que tanto os serviços de saúde públicos como os privados pagam o mesmo valor para os dois tipos de parto. E a maior praticidade e rapidez acabam gerando uma banalização da cesariana no país”, destacou.

Fonte: Thiago Romero / Agência Fapesp