sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Questionamentos sobre a área desmatada na Amazônia

Os dados divulgados, na semana passada, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) analisados por meio do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter) causaram um rebuliço entre as pastas do Meio Ambiente e da Agricultura, levando o governo a declarar uma moratória a 36 municípios que foram considerados os maiores responsáveis pelo aumento do desmatamento.

O sistema Deter do Inpe apontou que o desmatamento na Amazônia pode ter atingido 7 mil km², sendo que só de agosto a dezembro do ano passado somaram 3.235 km², podendo ter uma variação de 2% a 3%.

No dia seguinte ao anúncio dos dados, o governo mobilizou os ministérios do Meio Ambiente (MMA) e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para lançar um conjunto de medidas de forma a penalizar os municípios mais responsáveis pelo desmatamento.

Os dados levantados pelo Inpe mostram que a maior parte dos desmatamentos se concentra nos Estados de Mato Grosso (53,7%), Pará (17,8%) e Rondônia (16%). Dos 36 municípios que estão sob moratória, 19 são de Mato Grosso. Segundo informações do MMA, os municípios deverão ser cadastrados pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), e deverão demonstrar que possuem a reserva legal e a área de preservação permanente, nos termos previstos na lei.

Os proprietários que não se cadastrarem, segundo o ministério, não poderão obter crédito, vender produtos, vender a propriedade, obter notas fiscais e guias de transporte e sequer transferir, por herança, o imóvel que estiver em seu nome.

O governador Blairo Maggi saiu em defesa do seu Estado e está questionando os dados apresentados pelo Inpe. Segundo o secretário de Meio Ambiente do Mato Grosso, Luis Henrique Daldegan, em notícia divulgada pelo governo do Estado, as áreas que haviam sido desmatadas em anos anteriores, e já computadas nos registros do Estado, foram apresentadas como áreas de desmatamento atual.

Ainda de acordo com o governo de Mato Grosso, a falta de precisão para aferição de áreas no sistema Deter foi comprovada pelos técnicos nos municípios de Marcelândia, Peixoto de Azevedo, Guarantã do Norte, São Félix do Araguaia, Juara, Brasnorte, entre outros, onde pastos antigos, regiões de assentamento e manejo de terras já destinadas à agricultura estavam sendo computadas como desmatamentos atuais.

Revisão dos dados
No último dia 30, o governador Blario Maggi disse que vai pedir uma revisão dos números de desmatamento dos municípios do Estado. “Precisamos aproveitar esse momento para fazer uma análise profunda de como é que os dados estão sendo trabalhados”, afirmou, em notícia divulgada pela Agência Brasil.

O ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, saiu em defesa do instituto e disse à Folha de S. Paulo que tem de 95% a 97% de segurança de que os dados sobre o desmatamento da Amazônia do Inpe no final de 2007 estão certos. "Em ciência nunca há 100% de certeza", afirmou o ministro, que é físico, ao jornal. Rezende disse estar seguro dos dados. "É curioso que, quando o Inpe informava que o desmatamento estava caindo, ninguém questionava o dado”, alfinetou.

Área desmatada
O governo do Mato Grosso chegou a custear a viagem de jornalistas para sobrevoar a área considerada desmatada pelo Inpe. O jornalista Rodrigo Vargas, da Folha de S. Paulo, visitou o local em companhia do superintendente de Infra-estrutura da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Salatiel Araújo. Em notícia veiculada pela Folha, Araújo mostrou o local onde, segundo ele, sintetiza bem a discrepância dos dados. No local, ocorreu uma queimada. "Podemos discutir se o fogo pode ser intencional ou não, mas o fato é que não houve desmatamento aqui. Essa é uma área que já vinha sofrendo exploração seletiva de madeira há muito tempo, já estava enfraquecida, e sofreu com o fogo", disse o superintendente ao jornal.

Já o presidente do Inpe, Gilberto Câmara, não considerou a área como uma queimada natural. "A metodologia do Inpe considera áreas desmatadas as que estão suficientemente degradadas. Considerar [isso] como queimada é um sofisma.", disse à Folha.

Uma comissão interministerial composta pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva e pelos ministros da Justiça, Tarso Genro, e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, também sobrevoou o local de maior incidência de desmatamento no Mato Grosso. Segundo informações do MMA, a ministra Marina Silva destacou, depois da viagem, que os indícios são fortes, os desmatamentos consolidados de grande dimensão foram constatados e a proposta é agir com sentido de urgência.

"Nós observamos hoje um processo de exploração predatória de madeira, uma primeira frente. Depois são feitas queimadas, com certeza criminosas, utilizando toda a matéria orgânica para a retirada do corte seletivo de madeira. Em seguida, essas áreas são submetidas à derrubada e com as derrubadas vêm as pastagens. E depois outra forma de ocupação", disse em notícia divulgada pelo MMA.

Logo após o anúncio dos dados, o ministro Reinhold Stephanes disse que o Brasil não precisa derrubar árvores no bioma amazônico para aumentar a produção agropecuária. Segundo ele, em notícia divulgada pela sua assessoria, o país tem terras suficientes para essas atividades e pode avançar ainda mais em produtividade.

Análise dos dados
Segundo informações da assessoria do Inpe, repassadas ao Gestão C&T online, o instituto realiza o acompanhamento dos dados relacionados ao desmatamento constantemente e que o desmatamento avaliado de agosto a dezembro do ano passado em 3.235 km2, está correto. O Inpe ainda afirmou que mesmo antes dos dados serem divulgados eles são revistos por meio de estudos.

De acordo com o Inpe, é importante observar o processo de análise do desmatamento. O sistema Deter é baseado em imagens de satélite, em que o programa mostra o local e a área de desmatamento na Amazônia, classificados por período observado e faixa de área (maior que 25 hectares até mais de 5 mil hectares).

Em entrevista à Folha de S. Paulo, o gerente do Programa de Monitoramento por Satélites do Inpe, Dalton Valeriano, que também participou do sobrevôo junto com a comitiva interministerial, disse que várias áreas estão desmatadas, muitas delas não possuem árvores derrubadas, mas que estavam degradadas por completo, com árvores queimadas ou mortas. “Mas que estavam, porém, degradadas por completo, queimadas e com árvores em pé, mortas. Essas áreas foram computadas como desmatamento pelo Deter.”

Ainda de acordo com Valeriano, podem ser consideradas como desmatamento apenas a floresta deitada. Porém, em sua avaliação, a perda da função da floresta, contundo, tem de ser levada em conta.

Segundo o instituto, o Deter não tem como objetivo calcular a extensão das áreas desmatadas, função já exercida por um outro projeto, o de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes). O Deter foi desenvolvido, segundo o Inpe, para fornecer rapidamente aos órgãos de controle ambiental informações periódicas sobre eventos de desmatamento para que o governo possa tomar medidas de contenção. “O intento dessa divulgação era apresentar que o Deter percebeu uma tendência de aumento do desmatamento na Amazônia. A gente não podia ficar simplesmente esperando. Isso vai para a rede, esperando que as pessoas constatem isso. A gente tem que ser pró-ativo nessa hora”, disse Valeriano à Folha.

Informações complementares sobre este programa podem ser obtidas em http://www.obt.inpe.br/deter .

Já o Prodes divulga anualmente as taxas de desmatamento da Amazônia Legal também por meio do monitoramento por satélite, porém com imagens de melhor resolução. Dados contidos no site do MMA mostram que, pelo Prodes, o ano de 2007 foi o que registrou a menor taxa de desmatamento, se comparados com dados colhidos desde 1989. As maiores taxas foram registradas pelo Prodes em 1995 e 2004. Os dados computados pelo Prodes são anuais. Para mais informações, acesse http://www.obt.inpe.br/prodes

Informações complementares sobre a atuação do instituto podem ser obtidas no site www.inpe.br .

Fonte: Tatiana Fiuza / Gestão CT

A imigração japonesa na Amazônia


Em 2009 serão completados 80 anos da imigração japonesa na Amazônia. A Embrapa Amazônia Oriental, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária em Belém (PA), antecipou-se à comemoração e aproveitou os cem anos dos japoneses no país para lançar, na quinta-feira (31/1), na sede da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), o livro A imigração japonesa na Amazônia –Sua contribuição ao desenvolvimento agrícola.

A proposta da obra é trazer um relato do desenvolvimento agrícola promovido pelos japoneses na região, iniciado pelos primeiros imigrantes que chegaram ao município de Tomé-Açu (PA) no dia 22 de setembro de 1929, vindos do porto de Kobe. Poucos anos depois, inseriram na região duas culturas exóticas, juta e pimenta-do-reino, que tiveram grande importância na economia dos estados do Amazonas e do Pará, respectivamente.

“Estima-se que cerca de 250 mil imigrantes japoneses chegaram ao Brasil de 1908 até 1973. Na região Norte, eles tiveram uma experiência singular de desenvolvimento agrícola. Só o plantio e o beneficiamento da juta, no seu apogeu durante a década de 1960, chegou a representar um terço do PIB [produto interno bruto] do Amazonas”, disse Alfredo Homma, pesquisador da Embrapa desde 1974.

“Essa planta, cujas fibras eram utilizadas para a confecção de sacos, foi perdendo importância até praticamente desaparecer com a abertura dos mercados durante o governo Collor, quando tornou-se mais barato importar juta da Índia e de Bangladesh”, explicou o também professor de economia agrícola dos cursos de pós-graduação da Universidade Federal do Pará e da Universidade Federal Rural da Amazônia.

Outras razões do desaparecimento da juta, segundo o autor, estão relacionadas ao início do transporte a granel e a competição com as demais culturas agrícolas.

A pimenta-do-reino, por sua vez, teve seu apogeu na década de 1970, no Pará, chegando a representar mais de 35% do valor das exportações do estado, antes de outras atividades econômicas tomarem a dianteira, como minérios e madeira. No livro, Homma destaca a rápida democratização da juta e da pimenta-do-reino pelos produtores brasileiros.

“Os caboclos da Amazônia não se mostraram avessos às inovações por terem adotado essas duas culturas agrícolas até então desconhecidas”, disse. Segundo ele, essa incorporação de culturas agrícolas pelos povos locais, outro assunto abordado na publicação, é uma indicação da possibilidade de redução nas taxas de desmatamento e queimada na floresta amazônica.

“Isso é possível desde que as novas opções de plantio estejam conectadas com os mercados nacional e estrangeiro e também tenham preços favoráveis à comercialização, beneficiando-se da utilização de tecnologias de cultivo mais avançadas que garantam a permanência de agricultores por mais tempo em uma mesma região”, afirmou.

Principais representantes
Alguns personagens importantes dos 80 anos de imigração japonesa na Amazônia também ganharam breves biografias na obra, entre eles Makinossuke Ussui, que trouxe a pimenta-do-reino, e Ryota Oyama, responsável pela introdução da juta, ambos em 1931, além de Tsukasa Uetsuka, ex-deputado japonês que coordenou a imigração no Amazonas, e Hashiro Fukuhara, que liderou a chegada dos imigrantes ao Pará.

O livro, que ainda não está sendo comercializado, destaca também o ponto forte dos japoneses nos dias de hoje na região, além da pimenta-do-reino: a fruticultura. “Essa foi a grande novidade a partir da década de 1990. Os japoneses foram os pioneiros no plantio de cupuaçu, açaí, mangostão e rambutã. O volume de exportações de pimenta-do-reino foi de cerca de US$ 78 milhões em 2007”, contou Homma.

No que se refere à participação nas atividades agrícolas, a obra mostra que o cenário mudou bastante desde a década de 1920. “Hoje os agricultores brasileiros e o desenvolvimento da pesquisa científica, sobretudo a partir da década de 1970, mostram a força do empresariado agrícola nacional. Nesse ambiente, os japoneses ocuparam nichos específicos de mercado ao trazer novidades como as frutas noni, durian, mamão havaí e melão”, acrescentou.

A terceira maior colônia japonesa no Brasil está no Pará, com cerca de 13 mil habitantes, perdendo apenas para os estados de São Paulo e Paraná. No Pará, vivem principalmente nos municípios de Tomé-Açu, Santa Izabel e Castanhal. “Só no estado de São Paulo estima-se a concentração de mais de 80% da colônia japonesa no Brasil. Hoje existe cerca de 1,5 milhão de imigrantes e descendentes em todo o país”, disse.

Homma é autor de mais de 400 trabalhos sobre a região amazônica e de sete livros, sendo que Amazônia: meio ambiente e desenvolvimento agrícola recebeu o Prêmio Jabuti, em 1999, na categoria Ciências Naturais e Medicina.

Mais informações sobre o livro podem ser obtidas diretamente com o autor pelo e-mail .

Fonte: Thiago Romero /Agência Fapesp

4º Simpósio Miguel R. Covian

Em comemoração aos 55 anos de criação do Departamento de Fisiologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da Universidade de São Paulo (USP), a instituição de ensino e pesquisa promoverá, de 23 a 25 de maio, em Ribeirão Preto (SP), o 4º Simpósio Miguel R. Covian.

O objetivo do evento é provocar discussões sobre os “Novos desafios para os fisiologistas” em termos da produção científica de qualidade e da geração de novos conceitos nessa área do conhecimento.

Os resumos de trabalhos podem ser enviados até 31 de março. “Neurotransmissores e sistema nervoso central”, “Nocicepção e neuroplasticidade”, “Fisiolopatologia renal e cardiovascular”, “Sistemas de regulação hormonal” e “Sinalização pelo cálcio” serão assuntos abordados

O Departamento de Fisiologia da FMRP foi um dos pioneiros no desenvolvimento da neurofisiologia no Brasil, sobretudo devido à participação do professor Miguel Covian, nascido na Argentina e que passou a integrar o departamento em 1955.

Mais informações: http://rfi.fmrp.usp.br/covian/COVIAN.htm

Fonte: Agência Fapesp

8º Seminário da Sociedade Latino-Americana de Estudos Imobiliários

Os pesquisadores interessados em apresentar resumos de trabalhos científicos para o 8º Seminário da Sociedade Latino-Americana de Estudos Imobiliários têm até o dia 10 de março para fazê-lo.

O evento, que ocorrerá de 3 a 5 de setembro, na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, terá como tema central “Mercados emergentes de real estate: novos desafios e oportunidades”.

Estarão reunidos profissionais e alunos dos setores de arquitetura e urbanismo, engenharia civil, direito, economia, administração de empresas e hotelaria.

Mais informações: http://www.lares.org.br/ ou pelo e-mail.

Fonte: Agência Fapesp