quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Remuneração nos serviços no Brasil:o contraste entre funcionários públicos e privados

Rendimentos diferentes
Uma pesquisa realizada no Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) aponta um contraste entre a remuneração de funcionários públicos e privados do setor de serviços no Brasil.

No período estudado – de 1992 a 2005 – os salários dos funcionários do setor privado com carteira assinada corresponderam, em média, a apenas 62,6% dos salários dos servidores públicos estatutários.

Durante o período, o hiato se ampliou: em 1992, os funcionários do setor privado tinham rendimentos 20% inferiores aos recebidos por funcionários públicos. Em 2005, essa diferença havia se ampliado para cerca de 36%.

Segundo Daniela Verzola Vaz, uma das autoras da pesquisa, o objetivo do estudo foi identificar a existência de um hiato de rendimentos entre as duas categorias e mapear a ampliação dessa diferença. O estudo foi publicado na revista Economia e Sociedade.

“Além de determinar as causas, a pesquisa visou também a investigar quanto do diferencial de rendimentos entre as duas categorias é proveniente de diferenças na capacitação individual dos trabalhadores e quanto está associado a outros fatores”, afirmou Daniela, ao explicar que foi dada uma atenção especial aos efeitos da escolaridade sobre o rendimento dos dois grupos.

De acordo com Daniela, a pesquisa revela que, em parte, o diferencial de rendimentos se deve à heterogeneidade entre essas duas categorias em relação às características produtivas.

“Os empregados do setor privado com carteira assinada ganham menos principalmente porque são, em média, mais jovens e menos qualificados. O ingresso precoce no mercado de trabalho, em atividades pouco qualificadas, contribui para o menor rendimento médio do grupo”, explica.

Os salários pagos no setor público foram, em geral, superiores aos pagos no setor privado. No período analisado, o rendimento médio do funcionário público foi de R$ 1.298 contra R$ 771 dos trabalhadores do setor privado, o que representou 62% do rendimento médio do funcionário público estatuário.

Segundo a pesquisadora, os dados refletem o perfil profissional de ambas as categorias. A idade média dos funcionários públicos em 2005 foi de 41,6 anos contra 32,5 anos para os empregados do setor privado.

Em relação à escolaridade, a pesquisa aponta uma média de 11,97 anos de estudo e de 9,79 anos, respectivamente, para os empregados do setor público e do setor privado com carteira assinada. Segundo a pesquisadora, os funcionários públicos têm mais facilidade em converter educação em renda nessa faixa de escolaridade.

“Outra parte do diferencial de rendimentos se deve ao fato de serem distintos os pesos atribuídos aos aspectos produtivos dos trabalhadores em cada caso. Até os nove anos de estudo, constata-se que o acréscimo de salário obtido para um ano adicional de estudo é maior no setor público do que no privado. A partir dos nove anos, porém, essa situação se inverte: os funcionários do setor privado obtêm maior retorno para cada ano adicional de estudo”, diz.

De acordo com a pesquisadora, além de serem, em média, mais jovens e menos qualificados, os empregados do setor privado não são, em sua maioria, a pessoa de referência, isto é, o chefe da família.

“Este perfil reflete, em certa medida, o ingresso precoce de jovens no setor de serviços privado, em atividades pouco qualificadas, como office-boy, manobrista, vendedor, porteiro, vigia, garçom, manicure etc. Na carreira pública, a existência de requisitos mínimos de idade e formação torna restrito o ingresso de jovens pouco qualificados”, explica Daniela.

Foram utilizados dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). A pesquisa considerou indivíduos com mais de dez anos de trabalho, divididos em dois grupos: funcionários públicos estatuários e empregados do setor privado com carteira assinada. Empregou-se também a decomposição de Blinder-Oaxaca, aplicada no estudo da discriminação salarial por gênero e por raça.

Discriminação por gênero
Fato inesperado na pesquisa foram os dados referentes às mulheres. A discriminação contra as mulheres é maior no setor público. Elas recebem 28,3% menos no setor público contra 22% no setor privado. Segundo a pesquisa, a discriminação por gênero na carreira pública está associada, em grande medida, à menor presença de mulheres nos altos cargos da administração pública.

“A discriminação por gênero não foi o foco principal da pesquisa. As evidências de discriminação contra as mulheres no setor público foram inesperadas, sobretudo quando se leva em consideração a ênfase da legislação que rege o serviço público na igualdade de oportunidades para indivíduos igualmente qualificados”, afirma Daniela, ao explicar que a pesquisa pretende investigar as causas das diferenças salariais observadas entre homens e mulheres no setor público, “observando, em particular, se há algum componente de discriminação ocupacional por gênero nesse mercado de trabalho”.

Em relação ao aspecto demográfico, o Nordeste é a região que pior remunera os funcionários públicos e empregados do setor privado. Os funcionários públicos mais bem pagos são os do Centro-Oeste e os paulistas, que recebem, respectivamente, 38,3% e 24,4% mais que seus equivalentes nordestinos.

Dentre os trabalhadores formais do setor privado alocados em serviços, o estado de São Paulo e as regiões Centro-Oeste e Sul oferecem, respectivamente, rendimentos, em média, 39,6%, 28,8% e 27,7% maiores que aqueles pagos no Nordeste.

Para ler o artigo Remuneração nos serviços no Brasil: o contraste entre funcionários públicos e privados, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.

Fonte: Alex Sander Alcântara /Agência FAPESP

Pesquisa da UnB aponta que somente 14,8% dos que olham vitrines entram nas lojas

Segundo estudo do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB), apenas 14,8% dos clientes que pararam para olhar vitrines entram nas lojas. Segundo a pesquisa do psicólogo Hugo Póvoa Sandall, os shoppings ganharam características de centros comunitários, como as praças públicas de antigamente.

O trabalho do pesquisador do Grupo de Comportamento do Consumidor (Consuma) da UnB, contou com filmagens, durante 12 dias e com o auxílio de oito câmeras de vídeo, do comportamento de cerca de 44,4 mil pessoas que passaram em frente a oito lojas voltadas para o público feminino e adolescente.

Sandall dividiu os comportamentos em quatro categorias: passar na frente da loja, olhar rapidamente a vitrine (entrever), parar para olhar a vitrine e entrar na loja. De acordo com a pesquisa, 52,5% das pessoas que passaram em frente às lojas entreviram, 58,7% das que entreviram pararam para olhar a vitrine e, destas, apenas 14,8% entraram nas lojas.

"Isso mostra que as lojas estão perdendo suas características de consumo pelo fato de os shoppings terem adquirido novas funções nos setores de serviços, alimentação e lazer. Com isso, além de concorrer com outras lojas do mesmo segmento, elas têm que disputar a atenção dos consumidores com esses outros setores", disse Sandall.

Para o pesquisador, considerando que a maioria dos consumidores tem recursos limitados, as lojas estão diante da necessidade de reinventar suas estratégias de mercado para conquistar os clientes. "De modo geral, os shoppings estão conseguindo atrair pessoas, mas nem sempre as lojas conseguem atrair consumidores", aponta Sandall.

Fonte: Secom / UNB

Hemopressina é candidata a medicamento polivalente

Emer Ferro tentou esquecer a hemopressina, mas não conseguiu. Quando a descobriu com a bióloga Vanessa Rioli em 2003, em um dos laboratórios do quarto andar do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP), pensou que era apenas mais uma molécula capaz de reduzir a pressão arterial. Ele então mediu as próprias forças, concluiu que para continuar teria de entrar em uma luta desgastante que o levaria no máximo a mais um entre dezenas de outros medicamentos anti-hipertensivos e deixou essa pesquisa de lado.

Como uma fênix, essa molécula ganhou vida novamente quando duas biólogas do Instituto Butantan, Camila Dale e Rosana Pagano, insistiram para estudar as propriedades biológicas da hemopressina e mostraram que ela também servia para aplacar a dor em ratos. Nesse momento esse fragmento de proteína ganhou outra dimensão e reacendeu o interesse de Emer, que ainda não imaginava que essa molécula poderia fazer muito mais – nem que ele próprio, meses depois, ajudaria a encontrar um novo método capaz de acelerar o desenvolvimento de novos fármacos.

No final de julho de 2006, como parte de sua agenda de trabalho na Faculdade de Medicina Albert Einstein da Universidade Yeshiva, em Nova York, Emer reexaminou os resultados dos experimentos feitos com a hemopressina até então. Foi quando suspeitou que, para explicar esses efeitos sobre pressão arterial e dor, a molécula deveria agir sobre proteínas específicas da superfície celular – os receptores de canabinóides chamados CB1, acionados por compostos produzidos pelo próprio organismo ou por componentes de plantas entorpecentes como a maconha.

Intrigado, atravessou Nova York e pediu ajuda a uma colega brasileira, Andrea Heimann, que estava lá pesquisando na Escola de Medicina Monte Sinai, a poucas quadras do Central Park. Como havia terminado seu trabalho antes do prazo e tinha material à mão, Andrea fez em apenas três dias os experimentos em células que tornaram a hemopressina um notável candidato a medicamento: por causa desse mecanismo de ação sobre os receptores CB1, então confirmado, poderia também ajudar as pessoas a emagrecer, a tratar o diabetes tipo 2, a reduzir a dependência de drogas e a aplacar a necessidade de fumar.

Tamanha versatilidade se deve ao fato de a hemopressina realmente bloquear os receptores de canabinóides, que regulam a fome, o bom humor e o prazer. É o mesmo efeito do rimonabanto, um fármaco já aprovado para uso contra obesidade e sobrepeso na Europa e no Brasil, mas ainda em fase de análise pelas autoridades regulatórias do governo dos Estados Unidos. O rimonabanto tem avançado lentamente nos Estados Unidos por causa dos efeitos colaterais, como o risco de depressões severas e de suicídio.

Clique aqui para ler o texto completo na edição de janeiro de Pesquisa FAPESP.

Fonte: Carlos Fioravanti /Pesquisa Fapesp

Molécula encontrada no veneno da jararaca combate a pré-eclâmpsia

Cientistas do Centro de Toxinologia Aplicada (CAT) do Instituto Butantan encontraram uma nova droga no veneno da jararaca capaz de combater a pré-eclâmpsia, problema caracterizado por um quadro de hipertensão gestacional que atinge mulheres a partir da vigésima semana de gravidez.

Calcula-se que no Brasil cerca de 3,2 milhões de mulheres ficam grávidas por ano e, segundo o Conselho Brasileiro de Cardiopatia e Gravidez, 10% dessas gestantes apresentam pré-eclâmpsia, que é associada a cerca de 25% dos óbitos maternos.

Nos experimentos com o veneno da serpente, os pesquisadores identificaram uma molécula que, em animais, mostrou possuir um mecanismo de ação capaz de atuar diretamente nas artérias para manter os vasos sangüíneos relaxados, controlando a pressão arterial. Os responsáveis pelo achado são os doutorandos Juliano Guerreiro e Claudiana Lameu Gomes, orientados pelo professor Antonio Carlos Martins de Camargo, coordenador do CAT, um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) da FAPESP.

“Trata-se de uma molécula, isolada do veneno da Bothrops jararaca, que faz parte de uma classe de peptídeos com ação anti-hipertensiva. São cerca de 25 peptídeos que estão sendo patenteados”, disse Juliano Guerreiro. A equipe submeteu pedido de patente da substância no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa. “Por isso não podemos revelar as moléculas da substância nem seus mecanismos de ação”, afirma.

A eficácia da nova droga para o tratamento da pré-eclâmpsia foi comprovada em testes com dezenas de camundongos fêmeas. “Como essa classe de peptídeos isolada do veneno possui ação anti-hipertensiva, os testes foram realizados por meio de tentativa e erro. Induzimos nos animais uma série de patologias relacionadas com a pressão alta para verificar quais peptídeos seriam capazes de combatê-las”, explica Guerreiro.

“Apesar de a pré-eclâmpsia ser estritamente humana, ao reproduzirmos esse distúrbio nos camundongos conseguimos identificar na molécula o mecanismo para seu tratamento. Esse mecanismo está envolvido na liberação de óxido nítrico, gás que, indiretamente, é responsável pelo relaxamento dos vasos sangüíneos das artérias para o controle da pressão”, complementa.

Segundo Guerreiro, “a molécula que se mostrou eficaz no tratamento da pré-eclâmpsia é inédita no Brasil e no mundo”. “Os medicamentos usados no combate à pré-eclâmpsia são os mesmos utilizados para a hipertensão, que não levam em conta as peculiaridades do organismo de uma gestante”, disse o pesquisador.

O próximo passo do estudo será analisar a toxicidade da substância. “Precisamos descobrir, por meio de testes in vitro e em animais, se existe alguma interferência da droga no desenvolvimento do feto”, conta. Se tudo der certo, os testes em humanos deverão ter início após essa fase. Ainda não há previsão para que a droga esteja disponível comercialmente.

Além da pressão arterial alta, na pré-eclâmpsia também podem ocorrer a retenção de líquidos e a presença de proteína na urina, podendo assim evoluir para convulsão e coma (eclâmpsia). O distúrbio deve ser diagnosticado e tratado de forma rápida, durante o pré-natal, já que ele pode restringir o fluxo de sangue para a placenta e colocar a vida do feto e da mãe em risco.

Fonte: Thiago Romero /Agência Fapesp

6º Simpósio Brasileiro de Engenharia Ambiental

"Renovando o planeta" será o tema central do 6º Simpósio Brasileiro de Engenharia Ambiental, que ocorrerá de 30 de abril a 3 de maio, na cidade de Serra Negra (SP).

O evento é promovido pela Associação Brasileira de Engenharia Ambiental (Asbea) e pela Faculdade Municipal Professor Franco Montoro (FMPFM).

“Aquecimento Global”, “Recursos Energéticos Mundiais”, “Seqüestro de Carbono” e “Criação e Evolução do Ensino de Engenharia Ambiental no Brasil” serão assuntos abordados.

Fonte: Cimm

Seminário em Astrobiologia

As prováveis condições químicas e termoquímicas que explicam a origem da vida e sua correlação com as leis da física. Esse será um dos assuntos abordados no Seminário em Astrobiologia, promovido pelo Instituto de Cosmologia, Relatividade e Astrofísica do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (Icra/CBPF).

O evento, que ocorrerá de 11 a 20 de março, no Rio de Janeiro, será conduzido pelo professor Wolfgang Kundt, diretor da Erice School of Nuclear Physics, na Alemanha. No final da década de 1970, Kundt fez parte da equipe de pesquisa do Helios Experiment 11 da Nasa, a agência espacial norte-americana. Ele é autor de seis livros e tem mais de 250 artigos publicados sobre as áreas de física, astrofísica, cosmologia e disciplinas afins.

Os interessados em participar do evento, que é gratuito, devem inscrever-se até o dia 7 de março.

Mais informações pelo e-mail.

Fonte: Agência Fapesp

Pró-mangue terá US$ 20 milhões

O Governo brasileiro prevê ações para gerar renda sem agredir os ecossistemas em cinco unidades de conservação com manguezais.

A partir deste ano, cinco áreas de mangue nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste devem receber US$ 20 milhões do governo brasileiro e de instituições internacionais para um projeto que prevê conciliar preservação do ecossistema e geração de renda. O recurso vai financiar, por quatro anos, oficinas de capacitação, revisão da legislação ambiental e atividades para gerar renda.

Os projetos serão implantados em cinco unidades de conservação: Reentrâncias Maranhenses, Delta do Parnaíba, no Piauí, estuário do Rio Mamanguape, na Paraíba, Mosaico de Unidades de Conservação do litoral de São Paulo e Paraná e Reservas Extrativistas Marinhas do Pará. A expectativa é que posteriormente a experiência, se der certo, seja aplicada em outros manguezais do Brasil.

A iniciativa é a primeira de um programa chamado GEF Mangue, implantado pelo Ministério do Meio Ambiente em parceria com outras instituições, como o PNUD e GEF (Fundo Global para o Meio Ambiente, na sigla em inglês). Os manguezais ocupam 13,4 mil quilômetros quadrados do território brasileiro — equivalente a quase metade da área de Alagoas — e abrigam cerca de 800 espécies de plantas, moluscos, peixes e aves.

Nas cinco unidades de conservação haverá capacitação para os gestores, planejamento de atividades que gerem renda e verificação da legislação ambiental. Além disso, haverá projetos específicos, de acordo com as particularidades de cada local.

No Pará e no Piauí, o GEF Mangue prevê a ordenação da extração de recursos naturais. No Pará, deve ser implantado um esquema de manejo de pesca, e, no Piauí, de manejo do caranguejo-uçá, espécie típica da região. Na Paraíba, devem ser implantadas iniciativas para diminuir a poluição no rio Mamanguape — embora a maior parte do rio não esteja na área protegida, os poluentes lançados nas águas de outras regiões acabam afetando os mangues e a unidades de preservação.

No Maranhão, em São Paulo e no Paraná as ações a serem implantadas devem ser definidas a partir de reuniões com líderes comunitários e representantes de entidades ambientais.

Dos US$ 20 milhões previstos para o programa, US$ 5 milhões devem vir do GEF e US$ 15 milhões do governo brasileiro, por meio do IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais), do Ministério do Meio Ambiente e do Instituto Chico Mendes. A quantia deve começar a ser liberada no primeiro trimestre deste ano e vai financiar as atividades até 2012, segundo a Secretaria de Biodiversidades e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, um dos órgãos responsáveis pelo programa.

Fonte: Envolverde/Pnud