terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Flora Ficológica do Estado de São Paulo - Cryptophyceae

O conhecimento sobre a flora paulista de criptofíceas – algas microscópicas que podem ser utilizadas como um indicador de qualidade da água – era reduzido até pouco tempo atrás. Para preencher essa lacuna, acaba de ser lançado o livro Flora Ficológica do Estado de São Paulo - Cryptophyceae, de Carlos Bicudo e Ana Alice Jarreta de Castro.

De acordo com Bicudo, a obra, que é resultado de um Projeto Temático da FAPESP, é o primeiro inventário completo dessa flora no estado. O estudo que deu origem ao livro avaliou 340 amostras que permitiram a identificação de 36 espécies e 37 táxons, representando nove gêneros.

“O projeto permitiu um grande salto no conhecimento dessas algas. Das 36 espécies descritas, 17 foram citadas pela primeira vez com presença no Brasil. Duas outras eram desconhecidas da ciência até agora”, disse Bicudo.

O principal objetivo do livro, de acordo com o autor, é divulgar a flora ficológica do estado. “O primeiro volume da série tratou das carofíceas, que são algas macroscópicas. O terceiro, cujo lançamento está previsto para março, tratará das desmidiáceas, que são seres unicelulares cilíndricos”, afirmou.

Segundo Bicudo, as criptofíceas, seres flagelados presentes em quase todas as amostras de material que se colete, em água doce ou marinha, fazem parte do fitoplâncton – o conjunto de organismos aquáticos microscópicos capazes de fazer fotossíntese e que representam um elemento fundamental da cadeia alimentar dos ecossistemas aquáticos.

“Essas algas não aparecem onde o meio ambiente está contaminado, por isso elas podem ser incluídas entre os indicadores ambientais de qualidade de água”, disse Bicudo.

De acordo com o biólogo, o inventário da flora ficológica feito pelo projeto não tem paralelo na América Latina. “Não há nenhum levantamento que compile todos os organismos numa área tão grande. Esperamos que o livro venha a ser base de muitos outros levantamentos”, disse.

Bicudo, que é pesquisador do Instituto Botânico de São Paulo, afirma que o conhecimento dessas floras é escasso em todas as áreas tropicais do planeta. “O mundo todo conhece o hemisfério Norte, mas as informações sobre as floras da África, América Central e boa parte da América do Sul são muito pobres”, disse.

De acordo com o cientista, o livro traz um capítulo sobre taxonomia numérica, usada como instrumento para determinar o valor taxonômico das características empregadas para separação de espécies e categorias infra-específicas em cada gênero estudado e a afinidade entre as espécies identificadas.

“A taxonomia que fazemos é morfológica. Olhamos o organismo e interpretamos. Mas sempre há uma tendência a dar mais peso às características que nos atraem. Por isso usamos números para diferentes características e aplicamos uma análise computacional, mais objetiva. A análise numérica comprovou muito bem as identificações que fizemos por observação”, disse.

O livro inclui ainda 160 ilustrações. “Trabalhamos com desenhos para dar uma perspectiva tridimensional dos organismos, já que a foto a partir do microscópio mostra apenas um corte plano da alga”, explicou.

Mais informações: http://www.rimaeditora.com.br/

Fonte: Agência Fapesp

Aumenta a desertificação do Rio Araguaia

Trabalho da Universidade Federal de Goiás (UFG) acompanha há mais de uma década o processo de desertificação na parte sul da alta bacia do rio Araguaia, situada entre os estados de Goiás e Mato Grosso, e mostra que o problema vem aumentando. Os principais vilões são a monocultura da soja e a formação de pastos para a criação de gado que extinguem a vegetação nativa.

A geógrafa Rosane Amaral Alves da Silva, especialista em erosão e desertificação de solos do Laboratório de Geologia e Geografia Física (Labogef) participa do projeto e explica como a desertificação está ocorrendo. “Com o tempo essas áreas são abandonadas e, com a remoção da cobertura vegetal, se transformam em areia pura”, diz Silva. O grupo de pesquisa é coordenado pela geógrafa Selma Simões de Castro, também do Labogef, unidade pertencente ao Instituto de Estudos Sócio-Ambientais da UFG. Castro é especialista em estudo de solos e coordenadora geral das pesquisas sobre desertificação no cerrado e no estado de Goiás.

O período focado por Silva em seu estudo na nascente do rio Araguaia coincide com o aumento da produção de soja na região, atividade que, segundo a pesquisadora, pode ajudar a acelerar o aquecimento global. A geógrafa conta que nas fotos aéreas de 1965 e nas imagens de satélite entre 1970 e 1980, não há nenhum areal visível, o que permite afirmar que o processo de desertificação teve início no fim da década de 1980 e se prolongou durante a década de 1990. Porém, imagens de satélite mais recentes de 2000, 2003 e 2005, já mostram areais de até 367 km2 indicando, portanto, processo de desertificação. Para medir a velocidade do fenômeno, as pesquisadoras usaram imagens do CBERS, satélite sino-brasileiro, e do norte-americano Landsat. São feitas também perícias nos locais afetados para dimensionar os problemas ambientais.

As análises das imagens mostram a formação de grandes areais esbranquiçados, de areias soltas, progressivamente estéreis, ou seja, de difícil sobrevivência para as plantas, mesmo das pastagens. As pesquisadoras afirmam que o processo também forma grandes voçorocas (erosões que rasgam a terra até atingirem o nível freático) e logo após vem o assoreamento do rio. A enxurrada e os caminhos subsuperficias das águas infiltradas arrastam a areia solta para dentro dos rios e encostas trazendo graves conseqüências para o meio ambiente. Além disso, a degradação do solo aumenta a área improdutiva, agravando o problema de produção de alimentos.

Silva afirma que para evitar a desertificação seria necessário, além de divulgar as áreas que estão sendo afetadas e as possíveis causas, fazer também um trabalho de conscientização dos agricultores e pecuaristas e incentivar o plantio de vegetação nativa nas áreas arenosas, porque a cobertura vegetal protege o solo contra a erosão e pode contribuir para sua recuperação. “Poucos produtores de soja se preocuparam em fazer a recuperação das áreas danificadas”, diz Silva, “a recuperação dos areais, quando realizada, é feita com replantio de gramíneas, continuando sua destinação para pastagem”.

O impacto da desertificação nas mudanças climáticas do planeta é considerável. Segundo Hama Arba Diallo, ex-secretário-executivo da Convenção Internacional de Luta contra a Desertificação (UNCCD), 4% do total das emissões globais são produzidas em terras secas, como resultado da desertificação e das conseqüentes perdas de vegetação. Isso gera um aumento das emissões de gases causadores do efeito estufa e uma redução da absorção de carbono por falta de vegetação. Esforços de recuperação de terras degradadas através da restauração da vegetação nativa podem ajudar a alcançar rápida e eficazmente resultados combinados para combater a desertificação e o aquecimento global ao mesmo tempo.

De fato, a desertificação não pode ser vista de forma isolada. Em um encontro de cúpula realizado em Lisboa, em dezembro passado, analistas da União Européia admitiram que é preciso usar os progressos de forma unida, para conseguir, ao mesmo tempo, inverter o avanço da desertificação, melhorar as condições micro-climáticas e reduzir a degradação dos solos. Para tanto, segundo o documento feito no encontro, é fundamental, entre outras medidas, “melhorar os conhecimentos em matéria de degradação e desertificação das terras; promover a gestão integrada dos recursos naturais e conservação da diversidade biológica; abordar os problemas da degradação das terras e da aridez crescente de forma a responder às necessidades locais e a tirar partido dos esforços e dos sucessos locais e individuais”.(Celira Caparica/ComCiência)

Fonte: / Sbef News

CBPF seleciona pesquisador visitante em Cosmologia e áreas afins

O Instituto de Cosmologia, Relatividade e Astrofísica (Icra) do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF/MCT) seleciona candidato para preencher uma vaga de pesquisador visitante pelo período de seis meses, a contar de 2 de abril próximo.

Na avaliação será considerada sua atuação na área científica nos últimos cinco anos, preferencialmente nas de cosmologia (teoria e fenomenologia), teoria da gravitação, teoria de campos em espaços curvos e astrofísica relativista.

Os candidatos devem encaminhar, até o dia 20 de fevereiro, carta de interesse ao presidente do Comitê Científico do Icra, Mário Novello, acompanhada de currículo e projeto de trabalho.

A incrição pode ser enviada por e-mail ou correio com o título "Bolsa Pesquisador Visitante 2008 Icra/CBPF" para os endereços: ou Rua Dr Xavier Sigaud, 150 – Urca 22290-180. Rio de Janeiro.

Fonte: Agência CT

CNPq lança chamada pública para promoção de programas de especialização tecnológica na área de software

O CNPq lançou, no último dia 9, uma chamada pública para promoção de programas de especialização tecnológica para a área de software. O edital MCT/CNPq/CT-Info nº 01/2008 – Residência em Desenvolvimento de Software recebe propostas até 3 de março.

O apoio será direcionado por meio da concessão de bolsas de residência. A proposta é aumentar o número de profissionais nessa área e melhorar a competitividade das empresas nacionais nos mercados local e global. Os projetos podem ser submetidos por instituições de ensino superior e de pesquisa científica.

O total de recursos destinados a esse edital é de R$ 3,4 milhões. O valor outorgado pelo CNPq às propostas aprovadas será de, no máximo, R$ 600 mil. Além disso, a instituição proponente deverá financiar uma contrapartida de, no mínimo, 50% do valor total do projeto.

Os projetos devem ser enviados via internet por intermédio do Formulário de Propostas Online. Ele pode ser acessado no endereço.

Veja a íntegra do edital em: http://www.cnpq.br/editais/ct/2008/001.htm .

Fonte: Gestão CT

BNB lança aviso do Programa de Apoio às Novas Tecnologias Sociais

O Banco Nacional do Nordeste (BNB) lançou o aviso Etene/Fundeci 02-2008 do programa de apoio a novas tecnologias sociais.

O aviso é uma iniciativa do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene) do BNB com recursos do Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Fundeci).

Segundo informações do banco, o objetivo é apoiar a realização de projetos de difusão de tecnologias sociais de interesse da agricultura familiar, cujas unidades de produção estejam situadas na região Semi-Árida do Nordeste, nos municípios e localidades integrantes dos Estados do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e região norte de Minas Gerais.

O banco informou ainda que a idéia da proposta também é difundir, divulgar e implantar o estoque de tecnologias sociais indutoras de inovações, eficiência e competitividade dos empreendimentos socioeconômicos e ambientais da agricultura familiar, que adotam princípios de sustentabilidade, participação comunitária e convivência solidária.

As linhas de pesquisa vão desde cisternas de placa, barragens subterrâneas, captação de águas “in situ”, até palma forrageira e árvores frutíferas nativas, como pequi, cajá e umbu.

Para este aviso, o BNB vai destinar recursos no total de R$ 600 mil, oriundos do Fundeci, concedidos às instituições proponentes em caráter não reembolsável. De acordo com o banco, os recursos investidos pelo programa de apoio às novas tecnologias sociais, em cada projeto selecionado, não poderá exceder a R$ 50 mil.

As propostas devem ser encaminhadas até as 18h do dia 11 de fevereiro por meio do formulário único de proposta disponível no endereço www.bnb.gov.br .

Informações detalhadas sobre o aviso e o formulário de inscrição podem ser acessados no endereço.

Fonte: Gestão CT

Nanotecnologia abre caminho para biocompósitos

Nanoestruturas para carregar fármacos que combatem o câncer, doenças infecciosas e parasitárias e também para ser empregadas como agentes de diagnóstico são exemplos de pesquisas realizadas em universidades brasileiras que têm como foco o uso da nanotecnologia para a produção de novos medicamentos.

Uma das linhas de pesquisa, inovadora, utiliza nanotubos de carbono e colágeno para obter novos tecidos como a pele, por exemplo, ou ajudar na regeneração óssea. Os nanotubos de carbono são estruturas cilíndricas sintetizadas a partir do carbono, dotadas de propriedades mecânicas, térmicas e elétricas bastante superiores às de outros materiais, e o colágeno é uma molécula importantíssima para todo o sistema vivo, responsável pela estruturação do esqueleto e dos órgãos.

Os estudos realizados na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), conduzidos inicialmente pelos professores Luiz Orlando Ladeira e Rodrigo Lacerda, no Laboratório de Nanomateriais do Departamento de Física, mostram que esse é um biocompósito muito promissor.

A idéia de criar o biomaterial surgiu a partir de uma observação de Ladeira de que tanto o colágeno como os nanotubos de carbono têm dimensões semelhantes. Os nanotubos de carbono são produzidos no laboratório mineiro com medidas que variam de 1 a 3 nanômetros (nm) de diâmetro (1 nanômetro equivale a 1 milímetro dividido por 1 milhão de vezes) e até mil nm de comprimento, para aplicações variadas e sob encomenda para vários grupos de pesquisa brasileiros.

Existem mais de 20 tipos de colágeno nos seres vivos, mas o tipo 1, humano, presente em cartilagens e ossos, é constituído de três tipos de cadeias de aminoácidos, que formam um arranjo helicoidal, de três hélices. “É uma molécula parecida com uma fibra, com 1 nanômetro de diâmetro e 300 nanômetros de comprimento”, diz Ladeira.

Clique aqui para ler o texto completo.

Fonte: Agência Fapesp

4º Simpósio Internacional de Biotecnologia

O 4º Simpósio Internacional de Biotecnologia, promovido pela Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Fundetec), ocorrerá nos dias 21 e 22 de fevereiro, em Cascavel (PR).

O evento pretende atender a demanda de empresários, técnicos e pesquisadores do Canadá, Chile, Espanha e Brasil no que se refere ao desenvolvimento de relações de negócios internacionais no setor de biotecnologia.

O tema que conduzirá a programação será “Biotecnologia agroalimentar, veterinária, agroambiental e ambiental voltados para oportunidades de negócios, intercâmbio e inovação”.

Mais informações: www.fundetec.org.br

Fonte: Agência Fapesp