segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Pesquisadores desenvolvem casas rurais com custo aproximado de R$ 9,5 mil para superar o déficit habitacional no campo

O déficit habitacional em áreas rurais no Brasil é de 1,8 milhões de moradias, segundo o Ministério das Cidades. Buscando alternativas para enfrentar o problema, um projeto coordenado por pesquisadores em São Paulo levou ao desenvolvimento de tecnologias inovadoras que possibilitaram a construção de 42 casas de baixo custo em um assentamento rural no município de Itapeva, no interior do estado.

O trabalho, desenvolvido no âmbito do projeto Inovarural com recursos do Programa de Tecnologia de Habitação (Habitare), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), levou em conta a sustentabilidade socioambiental da construção, que teve ampla participação das famílias em todas as etapas de produção. Cada casa teve custo aproximado de R$ 9,5 mil.

Pesquisadores do Grupo de Pesquisa em Habitação e Sustentabilidade (Habis) da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da Universidade de São Paulo (USP) foram responsáveis por um dos destaques do projeto: a implantação da marcenaria coletiva Madeirarte, assumida por mulheres e jovens do assentamento.

De acordo com Akemi Ino, professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da EESC, mais do que a melhoria inequívoca na qualidade de vida dos assentados, o ponto central do projeto foi a dimensão política participativa – que se mostrou também um desafio mais difícil que o próprio desenvolvimento tecnológico.

“Todo processo participativo gera conflitos e é bastante desgastante. Mas a experiência que ganhamos não tem preço, porque, além da formação e capacitação de técnicos, estudantes de graduação e de pós-graduação, as famílias envolvidas tiveram suas vidas completamente transformadas”, disse Akemi.

Os projetos arquitetônicos e os materiais escolhidos para a construção das casas de 75 metros quadrados – área superior a de programas habitacionais tradicionais – foram discutidos coletivamente com os moradores.

“Algumas das soluções encontradas para a redução do custo envolveram materiais alternativos, com desenvolvimento de uma viga laminada-pregada (VLP), janelas produzidas com madeira de plantios florestais na marcenaria coletiva e a casa de adobe [feita de tijolo de argila seco ou cozido ao sol]”, explicou.

Grupo interdisciplinar
O Inovarural começou em 1998 com apoio do Programa de Pesquisa em Políticas Públicas da FAPESP. Quando o projeto terminou, em 2004, o grupo responsável buscou recursos junto ao Habitare.

No início, o Habis trabalhava com projetos de habitação voltados para a cadeia da madeira, procurando viabilizar a produção de habitação social com recursos provenientes de plantios florestais. A idéia era aproveitar o imenso potencial florestal da região do sudoeste paulista.

“Mas, embora tenha essa perspectiva de riqueza, a região é precisamente a mais pobre do estado, com o mais baixo índice de desenvolvimento humano. Por isso o grupo ampliou sua perspectiva, englobando o debate da sustentabilidade em suas várias dimensões: sociais, culturais, econômicas, ambientais e políticas”, disse Akemi.

O processo participativo não termina com a conclusão do mutirão. “Os beneficiários do projeto foram capacitados para tomar decisões e ter mais autonomia. Isto é, para exercer sua cidadania”, afirmou.

Interdisciplinar, o grupo formado por arquitetos, comunicadores, engenheiros civis e florestais contou com parcerias com a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e com a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP.

“A Unesp de Itapeva participou na área de engenharia de madeira, a Unesp de Bauru trabalhou com a inovação em alvenaria de adobe e a Esalq entrou com a engenharia florestal e a participação do laboratório de madeira”, explicou Akemi.

Segundo a professora da EESC, a experiência ensinou que em futuros projetos será importante incluir sociólogos e psicólogos. “A capacitação para a participação impôs muitas dificuldades, que poderiam ser tratadas mais especificamente.”

Parte das dificuldades ocorreu devido à diferença fundamental entre o mutirão rural e o urbano. “Os lotes, na área rural, são muito distantes uns dos outros. Ao contrário do que ocorre no mutirão urbano, cada um sabe de antemão qual será a sua casa e isso enfraquece o aspecto coletivo da experiência”, disse.

O assentamento, conhecido como Pirituba 2, é dividido em seis agrovilas, com um total de 400 famílias. O projeto foi voltado para duas agrovilas, envolvendo 49 famílias, divididas em sete grupos. O processo participativo começou com a seleção das famílias.

“Trabalhamos com a construção de 42 casas novas e ampliação de outras sete. A demanda veio dos próprios moradores, que organizaram uma lista com os interessados no projeto em outubro de 2002, quando trabalhávamos no primeiro projeto”, destacou Akemi.

O grupo foi definido em fevereiro de 2003 e o resto do ano foi dedicado a reuniões quinzenais para discutir onde buscar recursos financeiros. “Em 2004 as famílias assinaram o contrato de financiamento para o material junto ao programa PSH [Programa de Subsídio à Habitação de Interesse Social ] da Caixa Econômica Federal. O canteiro começou em março, com a implantação paralela da marcenaria coletiva”, disse.

Relatos publicados
A maior parte dos moradores envolvidos com a marcenaria foi de donas de casa na faixa dos 50 anos. “Isso nos surpreendeu bastante, pois se tem uma idéia de que é um trabalho masculino”, disse Akemi.

A marcenaria está sendo incubada na Inocoop da Universidade Federal de São Carlos e já está produzindo esquadrias para o projeto atual, em um assentamento na região de Ribeirão Preto.

Os recursos da Finep vieram em 2005, possibilitando as obras propriamente ditas. “Foi preciso fazer toda a produção do VLT, que é um sistema inovador de cobertura, além de capacitar as marceneiras, que aprenderam a leitura do desenho, a mexer com equipamento e toda a cadeia da madeira, incluindo seleção, monitoramento de secagem, montagem e acabamento”, explicou a professora da EESC.

A finalização das casas de três quartos, banheiro, cozinha ampla, sala e varanda foi feita em 2007. Atualmente as famílias estão instaladas. A experiência, segundo Akemi, não pode ser integralmente replicada, exatamente por seu aspecto participativo, mas pode gerar diretrizes para os próximos projetos.

“Estamos relatando todas as fases da experiência em publicações do Habitare. Há um grau de replicabilidade que permitirá acelerar o processo em outros projetos, como estamos fazendo em um assentamento de 77 casas em Serra Azul. Dez já estão cobertas com o sistema inovador que partiu de Pirituba”, disse.

Fonte: Fábio de Castro / Agência Fapesp

R$ 2,32 milhões do MMA / GTZ para o PDA Mata Atlântica - Apoio a Projetos em Redes

O Subprograma Projetos Demonstrativos (PDA), da Secretaria de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do Ministério do Meio Ambiente (MMA), lançou a chamada número cinco do PDA Mata Atlântica – Apoio a Projetos em Redes.

O objetivo da iniciativa é apoiar projetos que gerem conhecimento sobre a Mata Atlântica por meio de redes de organizações que atuam na promoção do desenvolvimento sustentável do bioma.

O edital se divide em dois eixos de estruturação: temático, relacionado às diferentes linhas de atuação estratégicas do PDA Mata Atlântica; e regionais, que envolve projetos demonstrativos, parceiros e redes agrupadas em uma determinada região ou território.
Serão apoiados pequenos e grandes projetos, que poderão receber, respectivamente, o aporte máximo de R$ 70 mil e R$ 350 mil.

O PDA conta com R$ 2,32 milhões para o programa, provenientes da cooperação financeira com o Banco Alemão de Desenvolvimento (KFW), com contrapartida do MMA e apoio da Agência de Cooperação Técnica Alemã (GTZ).

Não há prazo determinado para o envio de propostas, havendo a possibilidade de apresentação até que se esgotem os recursos destinados à chamada. Com 30 dias de antecedência ao encerramento dos procedimentos para a análise de projetos, o PDA publicará um aviso, no site do MMA, garantindo tempo para que as propostas em elaboração sejam enviadas.

Os projetos PDA em execução na Mata Atlântica serão finalizados, no máximo, até 2010. A divulgação dos resultados, que serão disponibilizados no endereço eletrônico do MMA, ocorrerá na medida em que as propostas apresentadas forem julgadas e aprovadas.

Mais informações: www.mma.gov.br/estruturas/pda

Fonte: Agência Fapesp

UFPI : 99 vagas para docentes

A Universidade Federal do Piauí, dando continuidade à Primeira Etapa do Programa de Expansão das Universidades Federais pelo interior do país, realiza concurso público para a seleção e contratação de 152 funcionários, sendo que 53 vagas serão para técnico-administrativos e 99 professores, para todos os campi da UFPI no Estado.

A autorização para o concurso foi publicada na edição do dia 28 de dezembro de 2007 do Diário Oficial da União. A seleção será realiza por uma comissão da UFPI, especialmente designada para tal. A distribuição das vagas é a seguinte: 27 professores e 11 técnicos para o campus de Bom Jesus; 30 professores e 21 técnicos para o campus de Parnaíba e 30 professores e 21 técnicos para o campus de Picos. Já para o campus de Teresina serão destinadas 12 vagas para professores em diversas áreas. O investimento é da ordem de R$ 10 milhões de reais somente para a contratação de pessoal.

Com esta ação, a Administração Superior da UFPI antecipa o plano de contratação de pessoal da primeira etapa do seu projeto de expansão, planejado e aprovado em 2005 e executado a partir de 2006. "Conseguimos executar o projeto na data prevista graças a um trabalho em equipe exemplar. Toda a equipe da nossa universidade está de parabéns. Entretanto, não paramos por aqui, e em breve, daremos início à Segunda Etapa da expansão", garante o Reitor da UFPI, Luiz de Sousa Santos Júnior.

A Expansão da UFPI ganhou destaque por ser um dos projetos mais grandiosos e audaciosos apresentados pelas Instituições Federais de Ensino Superior do país ao Governo Federal. No total, foram investidos R$ 47 milhões de reais somente para a realização de obras. Entretanto, o plano conta ainda com a aquisição de novos livros e contratação de pessoal para compor o quadro de funcionários.

As vagas oferecidas no concurso serão distribuídas em diversas áreas, de acordo com a demanda de cada campus. A Administração Superior informa ainda que está trabalhando a todo vapor para divulgar o edital que normatiza o concurso público, e que novas vagas para professores serão criadas ainda em 2008 e 2009.

Fonte: Portalaz

7º Simpósio Nacional de Geomorfologia e 2º Encontro Latino Americano de Geomorfologia

Estão abertas as inscrições para o 7º Simpósio Nacional de Geomorfologia, que será realizado de 1º a 8 de agosto, em Belo Horizonte, simultaneamente ao 2º Encontro Latino Americano de Geomorfologia.

Estarão reunidos profissionais e pesquisadores de áreas como geografia, geologia, engenharia, geotecnia, biologia e ciências ambientais para apresentar e discutir avanços recentes da geomorfologia, área de conhecimento que estuda a evolução do relevo.

O evento tem promoção do Departamento de Geografia do Instituto de Geociências da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Mais informações: www.ufmg.br/sinageo

Fonte: Agência Fapesp

9º Simpósio Nacional do Cerrado e 2º Simpósio Internacional de Savanas Tropicais.

“Desafios e estratégias para o equilíbrio entre sociedade, agronegócio e recursos naturais” será o tema que conduzirá as atividades do 9º Simpósio Nacional do Cerrado e do 2º Simpósio Internacional de Savanas Tropicais.

Os eventos, promovidos pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), serão realizados de 12 a 17 de outubro, em Brasília.

Os participantes pretendem discutir e analisar soluções tecnológicas que permitam o crescimento da produção agropecuária do Cerrado, além de promover o desenvolvimento sustentável dos recursos naturais das savanas tropicais, que concentram cerca de 5% da flora e da fauna mundiais.

Mais informações pelo e-mail ou telefone (61) 3388-9953

Fonte: Agência Fapesp