quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Nanoímãs contra o câncer e o HIV

Institutos de Física e de Ciências Biológicas da UnB lideram pesquisas com drogas magnéticas para combater tumores e doenças causadas por vírus, como a Aids

Pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) trabalham desde 1998 no estudo de Fluido Magnético Biocompatível (FMB), composto por partículas magnéticas de escala nanométrica (1 nanômetro equivale à bilionésima parte do metro). A substância é compatível com o sangue humano e pode auxiliar na condução de drogas que ajudam a combater doenças como Aids e câncer. Até o fim de 2004, serão iniciados testes com animais que sejam portadores de tumor. Na UnB, os estudos reúnem professores e estudantes de graduação e pós dos Institutos de Ciências Biológicas (IB), de Física (IF), além dos cursos de Farmácia e Odontologia.

Com o mesmo nível de salinidade e pH (potencial hidrogeniônico) encontrados na corrente sangüínea, o fluido pode ser administrado, sem problemas, nas veias humanas. No caso do câncer, anticorpos para a célula cancerosa são associados às nanopartículas magnéticas. Injetados na corrente sangüínea, os anticorpos presentes no FMB grudam na célula atingida pelo tumor. Quando o paciente é exposto a um campo magnético externo alternado – área onde a força magnética atua, mudando de direção constantemente –, a partícula presa à célula acompanha o movimento da força, vibrando. Ao vibrar, é criado um atrito que aumenta a temperatura celular, provocando uma citólise (morte da célula). Dessa forma, a magnetotermocitólise - nome completo de processo - elimina todas as células cancerígenas do corpo humano, sendo mais eficiente que o atual tratamento com cirurgia, radio e quimioterapia.

Em 2003, os pesquisadores conseguiram desenvolver um equipamento que gera o campo magnético de freqüência alternada. Sem ele, as pesquisas sempre dependeriam de materiais importados. O aparelho funciona bem e foi testado em animais saudáveis. Foram seis meses de acompanhamento. Os camundongos submetidos aos exames não apresentaram alterações morfológicas prejudiciais. O equipamento já foi até patenteado no Brasil.

ATAQUE VIRAL
O estudo também aponta a possibilidade do fluido reduzir a carga no corpo dos vírus da gripe, da hepatite C e até mesmo o HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana). Acoplados nas nanopartículas, anticorpos específicos para o vírus a ser combatido fazem com que sejam atraídas até o agente invasor e se prendem a ele. O processo seguinte é semelhante a uma hemodiálise: o sangue passa por um tubo equipado, nesse caso, com um ímã, que resgata todas as partículas magnéticas. A carga viral dispersa na corrente sangüínea é retirada junto com os ímãs, "limpando o sangue".

Outra atuação dessa droga magnética é no exame de ressonância. Depois do processo completo de quimioterapia para o tratamento do câncer, é feito um exame de ressonância magnética para conferir se há metástases. Com o método atual, partículas menores que dois milímetros não podem ser vistas. Ao encaixar anticorpos nos componentes do fluido, as partículas criam um agente de contraste magnético, sinalizando assim as micrometástases. A técnica de diagnóstico é de alta precisão.

As amostras de FMB utilizadas atualmente pela UnB são produzidas na Universidade Federal de Goiânia (UFG) e pela empresa alemã Berlin Heart. Além dessa parceria, a UnB mantém canal de pesquisa sobre o tema com a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto. A integração se dá por meio da Rede de Pesquisa em Nanobiotecnologia, que também compreende outras universidades brasileiras.

O Grupo de Interações Biológicas e Biomateriais (Gibb) do Departamento de Genética e Morfologia do IB, liderado pela professora Zulmira Lacava, é responsável por receber o fluido e determinar seus níveis de toxidade e compatibilidade com o organismo. Testes com camundongos permitem saber o caminho que o FMB percorre depois de entrar no corpo e suas possíveis conseqüências para o homem. Em 2004, o Gibb já começou também a analisar a resposta do fluido magnético em células de tumor bucal.

Na Física, o trabalho é feito pelo grupo coordenado pelo professor Paulo César Morais, que faz toda a caracterização magnética do fluido. É nos laboratórios do IF que são mapeadas as medidas de magnetização, cobertura molecular e composição do fluido, informa o professor, que também é vice-coordenador da Rede de Pesquisa em Nanobiotecnologia.

LIPOSSOMO
Além do FMB, outra droga magnética vem sendo estudada pelos pesquisadores. É o magnetolipossomo, formado pela associação de nanopartículas magnéticas a um lipossomo, vesícula muito similar a estruturas celulares. Essa é outra opção para o combate ao câncer. No organismo, o lipossomo pode levar medicamentos anticancerígenos diretamente para a célula cancerígena, não causando agressão às demais células do corpo. Para que os magnetolipossomos cheguem às células certas, eles podem ser atraídos por um ímã colocado em cima do local afetado, externamente ao corpo.

Outra pesquisa desenvolvida nessa linha é o magnetolipossomo fotossensibilizado (à estrutura é acrescentado um corante fotossensível). Indicado para tratamentos de câncer de pele, por exemplo, esse lipossomo fotossensibilizado chega à região onde ficam às células cancerosas e então é aplicado laser no local. O corante ativará o mecanismo de destruição das células doentes.

Além das parcerias acadêmicas, a UnB também ampliou os contatos com empresas da área de biotecnologia. Duas já fazem parte da interação, uma de Brasília e outra de Ribeirão Preto. O objetivo é aplicar comercialmente os resultados dos estudos e disseminar o conhecimento para o benefício de quem precisa.

CONTATOS :
Professor Paulo César Morais pelos telefones (61) 3307 2900 (ramal 284) e (61) 9973 4292
Professora Zulmira Lacava pelos telefones (61) 3307 2963 e (61) 9975 2755 ou pelo e-mail.

Fonte: Secom/UNB

UNB oferece pósgraduação completa em Bioética

A Universidade de Brasília (UnB) é a primeira instituição pública de ensino superior da América do Sul a oferecer uma pósgraduação completa em Bioética mestrado e doutorado, além da especialização que já existe desde 1998. A aprovação dos cursos de mestrado e doutorado foi dada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) do Ministério da Educação (MEC).

Nossa proposta é fazer um programa voltado para a moral do Brasil. A dos Estados Unidos é diferente da nossa e não devemos importá-la, mas sim construir uma própria , afirmou o professor e coordenador da Cátedra Unesco de Bioética da UnB, Volnei Garrafa.

Bioética é o estudo transdisciplinar entre biologia, medicina e filosofia, que investiga todas as condições necessárias para uma administração responsável da vida humana (em geral) e da pessoa (em particular).

Fonte: Correio Braziliense

BNDES seleciona pequenas e médias empresas dentro do Programa de Capital Semente - CRIATEC

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está selecionando pequenas e médias empresas inovadoras para receber recursos de seu Programa de Capital Semente (Criatec). A estimativa é que pelo menos 50 empresas recebam R$ 80 milhões nos próximos quatro anos.

Criado em janeiro de 2007, o Criatec, que tem agora sua primeira chamada, é um fundo de investimentos de capital semente, ou seja, destinado a apoiar negócios emergentes em estágio inicial e com grande potencial de crescimento, muitas vezes ainda dentro de incubadoras vinculadas a universidades e institutos de pesquisa. As empresas selecionadas não terão que aportar contrapartida aos recursos investidos, mas o BNDES assumirá uma porcentagem do negócio contratado.

“Os recursos serão investidos com perspectiva de rentabilidade. É como se o banco entrasse como sócio da empresa e, para isso, assumisse parte do risco que envolve todo empreendimento no início da curva de crescimento”, disse Pedro Duncan, chefe do Departamento de Investimento em Fundos do BNDES. “O termo semente se caracteriza pelo fato de que aportaremos recursos em novas oportunidades que podem estar, inclusive, no campo das idéias.”

Os projetos de inovação tecnológica contratados devem contemplar os seguintes setores, chamados pelo fundo de “portadores de futuro”: Tecnologia da Informação, Biotecnologia, Nanotecnologia, Alimentos, Fármacos, Agronegócios, Novos Materiais e Mecânica de Precisão.

A Antera Gestão de Recursos, no Rio de Janeiro, e o Instituto de Inovação, em Belo Horizonte, são as instituições contratadas pelo BNDES para gerir os recursos do novo fundo. As empresas serão escolhidas por meio de gestores regionais instalados em seis cidades, que também serão responsáveis pelo desembolso do investimento e do monitoramento das aplicações do fundo.

As cidades são Florianópolis, Campinas, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza e Belém. As empresas devem estar localizadas a até 200 quilômetros desses municípios, considerados pelo programa como os pólos de maior inovação no país. Duncan explica que, mesmo que o empreendedor ainda não tenha uma empresa formalizada, é possível submeter uma oportunidade para avaliação.

“Pelo risco envolvido nesse tipo de operação, o BNDES entende que investir em empresas nascentes também deve ser papel do Estado, pelo menos nesse primeiro momento, visando ao aumento da competitividade na indústria nacional. Essa é a melhor oportunidade que temos atualmente para conseguir tornar realidade o conjunto de novos empreendedores que estão surgindo no país”, destacou.

“E esse tipo de fundo, operado em parceria com pequenas empresas inovadoras, é algo extremamente inovador em termos nacionais. Trata-se de um novo modelo de negócios que estamos tentando introduzir na indústria nacional, levando em conta o alto potencial de inovação das micro e pequenas empresas brasileiras”, disse Duncan.

As empresas interessadas podem submeter propostas e modelos de negócio para negociação junto ao BNDES por meio da seção Envio de Oportunidade, no site do Criatec.

Segundo Duncan, as primeiras empresas deverão começar a receber parcelas dos recursos no fim de janeiro. “Já temos quatro oportunidades sendo analisadas pelo comitê de investimentos do fundo. E, se o BNDES reconhecer que os primeiros R$ 80 milhões foram aplicados de forma bastante profícua, poderá lançar fundos dessa mesma natureza nos próximos anos”, explicou.

De acordo com as regras do Criatec, cada empresa poderá receber até R$ 1,5 milhão em quatro anos.

Mais informações: www.fundocriatec.com.br

Fonte: Thiago Romero /Agência Fapesp

Bioma Pampa preserva 41% da mata nativa

O Mapeamento da Cobertura Vegetal do bioma Pampa, apresentado nesta semana na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), traz informações detalhadas sobre os tipos de vegetação que ainda estão conservadas, assim como as áreas alteradas pelo uso humano nesta região.

A Região do Pampa corresponde a um dos centros de maior biodiversidade de espécies vegetais campestres de todo o planeta, com 3 mil tipos de plantas, das quais 400 são de gramíneas de pequeno porte, que são utilizadas para pastoreio do gado. Existem também cerca de 90 especies de mamíferos terrestres identificados, entre eles tatu, graxaim, sabiá e pica-pau do campo.

O bioma Pampa ainda não tinha um mapeamento desse tipo. Para o Ministério do Meio Ambiente (MMA), é um trabalho importante, por ter demonstrado que ainda restam formações vegetais nativas, que representam 41% do que existia originalmente. O restante foi ocupado por agricultura, silvicultura e pastagens plantadas, disse o coordenador do Núcleo Mata Atlântica e Pampa do MMA, Wigold Bertoldo Schäffer.

Segundo ele, o Brasil tem como meta proteger pelo menos 10% de cada um dos biomas em forma de unidade de conservação, e o Pampa é o que tem o menor índice protegido até o momento. Um bioma é uma comunidade biológica, ou seja, fauna e flora e suas interações entre si e com o ambiente físico: solo, água e ar.

"Nós temos aproximadamente 6% em unidade de proteção integral e cerca de 3%, se somarmos as unidades de uso sustentável, ou seja, estamos com uma defasagem de unidade de conservação no Pampa de pelo menos 7%, informou Schäffer.

De acordo com o diretor da Diretoria de Unidade de Conservação de Proteção Integral do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Júlio Gonchorosky, os mapas servirão de base para o planejamento regional, a definição de políticas públicas, a pesquisa científica, a promoção do uso sustentável, o licenciamento e a fiscalização ambiental, bem como a definição de áreas protegidas. Trata-se de um estudo inédito elaborado pelo Ministério do Meio Ambiente, em parceria com a UFRGS. Iniciado em 2004, o mapeamento foi feito pelo Departamento de Ecologia da UFRGS.

Gochorosky ressaltou que, ainda que o bioma Pampa tem a menor cobertura de proteção por parte das unidades de conservação federais, é preciso identificar as áreas-chave para conservação do bioma, e principalmente aumentar a proteção da área. "Existem várias ameaças sobre o bioma Pampa, que não se restringe à imagem de pradarias e campos de pastagem - o bioma é muito mais que isso. Existem matas, áreas de galerias, uma série de feições que definem exatamente o que é a região de pampa, que se inicia na altura de Porto Alegre e vai até as fronteiras com o Uruguai e a Argentina."

Dentro de um dos campi da UFRGS, está sendo proposta a criação de 400 hectares de uma unidade de conservação, que ficaria em pleno centro de Porto Alegre e tem as características do Pampa. "Isso demonstra exatamente que o Pampa é muito mais que pradarias e sofre sérias ameaças, não só de alteração da sua vegetação para pastoreio, mas também da chegada das plantações de pinhos na região, o que tem crescido muito", acrescentou.

Segundo o professor Heinrich Hasenack, da UFRGS, a metodologia utilizada para fazer o Mapeamento do Bioma Pampa é similar à utilizada pelo Projeto Radam Brasil na década de 70 para mapear a vegetação. "Isso significa que nós mapeamos hoje, embora com algum detalhamento medológico diferente, a vegetação do ano de 2002 com as mesmas unidades de vegetação utilizadas há 40 anos.”

Para Hasenack, esse estudo permitirá que estudiosos identifiquem e avaliem o quanto a região perdeu em cobertura vegetal e animal.

O bioma Pampa vai de São Borja, na fronteira oeste do Rio Grande do Sul, passando pela região central do estado, até a praia de Torres, no litoral norte. Abrange ainda a Campanha gaúcha, passando pela Lagoa dos Patos e Reserva do Taim, até o Chuí, no extremo sul do país.

Fonte: Camila Vassalo / Agência Brasil

2º Seminário dos Programas Estratégicos da Apta

A Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) promoverá, nos dias 13 e 14 de março, em Barra Bonita (SP), o 2º Seminário dos Programas Estratégicos da Apta.

O evento contará com a apresentação de trabalhos do Programa Estratégico Sustentabilidade Ambiental da agência, cujo objetivo é desenvolver projetos relacionados à regulamentação e uso adequado dos recursos naturais renováveis, por meio do manejo sustentável e da diversificação de produtos como forma de garantir a preservação da biodiversidade da agropecuária paulista.

As inscrições são gratuitas e os resumos de trabalhos devem ser enviados até 20 de fevereiro.

Fonte: Agência Fapesp

1º Simpósio de Dosimetria Interna aplicada à Medicina Nuclear

Disseminar novas metodologias de planejamento terapêutico na área de medicina nuclear é um dos objetivos da primeira edição do Simpósio de Dosimetria Interna aplicada à Medicina Nuclear.

O evento, promovido pelo Centro Regional de Ciências Nucleares do Nordeste, ocorrerá de 8 a 11 de abril, em Recife (PE).

O tema central será “Terapia com radionuclídeos: aspectos dosimétricos”.

Os resumos de trabalhos devem ser submetidos até 18 de janeiro.

Fonte: Agência Fapesp