quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Reeducação alimentar na Internet

Diet programs on the Internet: brief notes

Uma nova pesquisa analisou sites que oferecem programas de emagrecimento. O estudo, de caráter exploratório, constatou que modelos oferecidos na internet já incorporam a reeducação alimentar no lugar da tradicional dieta rigorosa.

De acordo com a autora Ligia Amparo da Silva Santos, professora adjunta no Departamento Ciências da Nutrição da Escola de Nutrição da Universidade Federal da Bahia (UFBA), o objetivo do trabalho foi chamar a atenção para uma prática muito utilizada por quem deseja perder peso.

“A ciência não tem explorado os sentidos e significados desses programas na internet. Suponho que ainda seja precoce levantar conclusões, mesmo que provisórias, mas um dos diagnósticos a ser investigado é por que procurar tais programas e não profissionais de saúde”, disse Ligia.

Segundo o estudo, publicado em artigo na revista Physis, Revista de Saúde Coletiva, a mudança de paradigma em relação aos programas de reeducação alimentar – a reeducação no lugar da “dieta rígida, monótona e rigorosa” – precisa ser mais bem avaliada.

O estudo selecionou seis sites conhecidos, a partir de uma amostra de 336 relacionados a programas de emagrecimento disponíveis no Brasil, durante um período de dois meses. Os sites analisados (Cyberdiet, Emagrecendo, Perca Gordura, Sempre em Forma, Good Light e Dieta Diet) foram divididos em duas categorias: de conteúdos abertos e de conteúdos fechados, só para assinantes.

Em ambos os grupos, foram analisadas imagens, receitas, reportagens depoimentos e outros aspectos. De acordo com Ligia, os sites abertos usavam uma estratégia bastante utilizada nas revistas femininas, em que “personalidades funcionam como identificação e projeção, servindo de estímulo ao público”.

“Uma segunda estratégia é a do ‘antes e depois’, que tem o intuito de demonstrar os resultados do programa. É um recurso de colocar ‘gente como a gente’, o que traz maior identificação com o público. Com as tecnologias da informática, muitos sites sobrepõem fotos, alternando as imagens do antes e depois do emagrecimento, em um jogo visual que pode causar importante impacto em usuários potenciais”, destacou.

Esses sites oferecem muitos textos, reportagens e dicas sobre diferentes temas, do tipo propriedades dos alimentos, alimentação e dieta, dicas do que fazer quando sentir fome, orientações sobre atividades físicas e cálculo do índice de massa corporal, que é um dos primeiros elementos visualizados nas páginas.

Já os de conteúdo fechado oferecem também espaços para compras de produtos, livros e visualização do progresso da dieta. Os usuários têm um canal exclusivo de e-mail, além de chat e telefone (com horários preestabelecidos). Especialistas em nutrição, atividade física e psicologia ficam à disposição dos usuários.

“Os depoimentos publicados nos sites atribuem permanentemente uma situação de conforto e apoio por meio desses profissionais. Trata-se de uma relação paradoxal, na qual se sabe que há alguém constantemente presente, mas não se conhece quem está controlando e auxiliando no processo”, disse a pesquisadora.


Gastronomia e ciências da nutrição
De acordo com a pesquisa, os múltiplos discursos na internet relacionados à dieta não se afastam dos discursos médico-nutricionais e a referência à dieta hipocalórica e hipolipídica não parece ser contestada. Os textos são reelaborados, buscando elementos da vida cotidiana dos sujeitos para consubstanciá-los dentro da lógica publicitária.

Foi observada uma mudança de concepção nas tentativas de criar estratégias educacionais. O “fazer dieta” vem cedendo espaço para o “comer de tudo sem passar fome”. A gastronomia entra, segundo Ligia, como “elo importante do resgate do prazer em comer, ao estabelecer uma aliança com as ciências da nutrição”.

“O gosto é um dos aspectos mais subversivos do corpo, o direito ao prazer é uma espécie de reivindicação silenciosa do corpo e sobre isso a nutrição precisa pensar junto com a gastronomia. As ciências da nutrição, no bojo da sua história, secundarizaram o prazer – um importante objeto da gastronomia – em prol da saúde. Isso está sendo paulatinamente revisto”, disse, enfatizando em seguida o caráter ainda preliminar do estudo.

“Comer é muito mais do que a ingestão de nutrientes para garantir a funcionalidade do organismo na preservação e promoção da saúde. Trata-se de uma prática cultural, construída e ao mesmo tempo construtora de identidades, uma forma de sociabilidade e de prazer. O projeto da ciência em transformar o comer em apenas nutrir o corpo não tem funcionado e a resposta vem dos próprios sujeitos”, afirmou a autora.

Leia o artigo Os programas de emagrecimento na internet: um estudo exploratório, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP).

Fonte: Alex Sander Alcântara / Agência Fapesp

1º Fórum Internacional de Criatividade e Inovação

Discutir de que forma criatividade, imaginação e inovação podem ser aplicadas aos negócios será o objetivo principal do 1º Fórum Internacional de Criatividade e Inovação, que será realizado nos dias 19 e 20 de junho no Hotel Unique, em São Paulo.

O evento é organizado pelo Instituto da Economia Criativa, que apresentará durante o fórum o sistema de acompanhamento e medição do Índice de Criatividade – Brasil e o Índice de Criatividade das Empresas.

Entre os palestrantes confirmados estão o consultor inglês John Howkins, que cunhou o termo “economia criativa” em 2001, no livro Creative Economy, How People Make Money from Ideas, o professor Richard Florida, da Universidade George Mason, nos Estados Unidos, Jean Paul Jacob, executivo da IBM especialista em tecnologia, e Rolf Jensen, diretor do Instituto para Estudos do Futuro de Copenhagen, na Dinamarca.

Mais informações: www.economiacriativa.com

Fonte: Agência Fapesp

Vagas para pesquisador e bacharéis no LNLS - Laboratório Nacional de Luz Síncrotron

O Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) procura pesquisador em cristalografia de proteínas e bacharéis em áreas técnica e científica, para atuar em suas instalações em Campinas (SP).

Segundo o LNLS, os candidatos à vaga de pesquisador devem ter ampla experiência em biologia estrutural, comprovada por meio de currículo, e interesse em instrumentação e/ou metodologia aplicada à cristalografia de proteínas.

As atividades incluem o desenvolvimento de projetos de pesquisa em biologia estrutural, atendimento aos usuários das linhas de luz de cristalografia de macromoléculas MX1, MX2 e participação nas atividades de operação e implementação de nova instrumentação para linhas de luz.

Os requisitos para a seleção são: doutorado em física, química, biologia ou áreas afins com ênfase em cristalografia de proteínas e, no mínimo, dois anos de pós-doutorado em cristalografia de proteínas realizado em laboratório com reconhecida produção científica na área de biologia estrutural.

Os candidatos devem enviar até 15 de janeiro de 2008 uma carta de interesse e currículo com contato de três pessoas para referência para o e-mail .

Para a vaga de bacharéis nas áreas técnica e científica, os profissionais irão desenvolver instrumentação científica, operar linhas de luz, prestar assistência a usuários e realizar manutenção do laboratório de espectrometria e linha de luz de fluorescência.

Para atuar no desenvolvimento de instrumentação, podem se candidatar graduados em física, engenharia ou tecnologia. Os currículos devem ser enviados para o e-mail.

Os interessados em trabalhar no laboratório de espectrometria devem ter graduação em física, química, bioquímica, farmácia ou biologia e encaminhar o curriculo para o e-mail.

Em ambos os cargos, os profissionais serão responsáveis pela operação das linhas de luz e prestarão atendimento aos usuários. Devem ter ainda experiência em instrumentação científica e inglês técnico.

Mais informações: http://www.lnls.br/

Fonte: Agência Fapesp

FAPES -E.S. apoia programas de capacitação técnica e gerencial

Com o objetivo de melhorar a competividade do setor produtivo capixaba, a Fundação de Apoio à Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (Fapes) tem apoiado programas de capacitação técnica e gerencial.

Bolsas de Iniciação Tecnológica para Micro e Pequenas Empresas no Espírito Santo (Bitec-ES), Programa Trainee do Setor Moveleiro – 2007 para Assistente Técnico, Programa de Modernização de Empresas de Tecnologia da Informação (TI) na Grande Vitória e o 1º Exportação no Espírito Santo são alguns dos projetos apoiados. Nestas ações, a Fapes está investindo um valor de R$ 200 mil.

Os três programas serão coordenados pelo Instituto Euvaldo Lodi – Iel e conta com a parceria do Serviço Brasileiro de Apoio a Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-ES).

O Bitec-ES tem como objetivo promover a transferência do conhecimento das instituições de ensino e pesquisa para as empresas, com aplicação direta no setor produtivo. Ao todo foram oferecidas 26 bolsas de iniciação tecnológica para estudantes de nível superior num período de seis meses. No projeto, os bolsistas apoiados por professores serão capacitados para realização de atividades como pesquisas, diagnósticos, mapeamentos e testes, levantamento de indicadores e elaboração de projetos.

Já o Programa Trainee do Setor Moveleiro atende as pequenas e micro empresas por meio da capacitação de recém-formados do ensino médio ou técnico para atuarem no apoio à gestão da produção do setor.

A Fapes em parceria com o Iel também está apoiando o Programa 1º Exportação no Espírito Santo que busca inserir as micro e pequenas empresas capixabas no mercado internacional, além de aumentar o valor dos produtos já exportados.

Outra ação é a implantação do Programa de Modernização de Empresas de Tecnologia da Informação (TI) na Grande Vitória que seleciona e capacita de profissionais recém-formados de nível superior para atuarem no apoio à inovação nas empresas deste segmento.

De acordo com o direto técnico científico da Fapes, Marcos Adolfo Ferrari, com o fomento a esses programas, a Fundação busca não apenas exercer seu papel institucional de apoiar a formação e capacitação de recursos humanos, mas, principalmente, o de aliar esse compromisso com as demandas do setor produtivo local. “Isso permite gerar ganhos reais para a sociedade capixaba, fazendo convergir, em parcerias com outras instituições, o aprendizado teórico e acadêmico com as demandas tecnológicas das empresas, garantindo alto índice de empregabilidade para os beneficiários dos programas", explicou.

Fonte: SECT

FAPERJ lança a revista "Rio Pesquisa"

A Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) lançou na semana passada a revista Rio Pesquisa. A publicação, trimestral e com tiragem inicial de 10 mil exemplares, irá tratar das principais novidades na área científica e tecnológica no estado.

De acordo com Ruy Garcia Marques, diretor-presidente da Faperj, o objetivo principal da iniciativa é divulgar as pesquisas científicas e tecnológicas financiadas pela fundação. “Em última análise, é uma prestação de contas, para que o público fluminense saiba em que estamos aplicando seu dinheiro”.

Marques lembra que em junho de 2007 a Faperj teve seu orçamento substancialmente aumentado, passando a receber um repasse de 2% da receita tributária líquida do estado. “Com isso, a prestação de contas à sociedade se tornou ainda mais pertinente”, disse.

A média do orçamento da instituição nos últimos seis anos foi de cerca de R$ 91 milhões. Em 2007, segundo o diretor-presidente, foram destinados à Faperj R$ 200 milhões, aproveitados integralmente.

“Utilizar bem esse dinheiro é uma grande responsabilidade nossa. Nesse contexo, a revista foi planejada para ter uma linguagem universal, acessível, de forma que não fique restrita ao pesquisador, mas chegue de fato à população em geral”, afirmou.

O primeiro número da revista, que é produzida pela equipe de jornalistas da Faperj, tem 40 páginas. A publicação será enviada a todos os pesquisadores e instituições fluminenses. Ela também pode ser lida integralmente na internet.

Segundo Marques, cada número deverá enfocar um laboratório ou instituto de pesquisa do estado. O primeiro número traz o biotério da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que, segundo Marques, é o maior do país e é um modelo de nível internacional.

“A escolha foi pertinente porque estamos passando por um momento delicado no que diz respeito ao uso de animais para pesquisas. O Rio de Janeiro chegou a sancionar uma lei que proibia a experimentação animal, o que seria uma tragédia para o país. Felizmente, o prefeito voltou atrás”, disse.

O próximo número da revista destacará o Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O anúncio de que a Faperj liquidou os R$ 200 milhões em tempo recorde foi feito durante o lançamento da revista. Desse total, R$ 150 milhões já foram pagos. Segundo Marques, é um marco que não havia sido atingido na história da fundação.

“Os recursos possibilitaram lançar 18 editais, além das bolsas e dos auxílios oferecidos pelo sistema de balcão. Na última semana, outros R$ 10 milhões foram destinados à pesquisa. Durante este ano, os pagamentos foram feitos sem atropelos ou intromissões”, comemorou.

Além da Rio Pesquisa, a Faperj lançou a publicação Cientistas e Jovens Cientistas do Nosso Estado, que relaciona todos os projetos e pesquisadores relacionados aos editais de 2007.

A revista está disponível para leitura em arquivo pdf no site da Faperj, em www.faperj.br .

Fonte: Agência Fapesp

Aumentam as emissões de CO2 do Cerrado Brasileiro

Enquanto o mundo discute a salvação das florestas tropicais, no Brasil, o cerrado continua cada vez mais ocupado por monoculturas como a soja e a cana, além da pecuária. Cálculos feitos pela UnB (Universidade de Brasília) mostram que as emissões de carbono desse bioma é bastante significativa: 35%, pelo menos, do que emite a Amazônia. O maior vilão deste processo é justamente a velocidade na mudança no uso do solo.

Para chegar a essa taxa, Mercedes Bustamante e colegas determinaram um período de 20 anos e compararam o que ocorreria entre um hectare de floresta e um de savana. "Enquanto o cerrado emitiria importantes 220 toneladas de carbono equivalente por hectare, no período estudado, a Amazônia emitiria 620 toneladas", disse Bustamante. Os números, que serão publicados em breve, são inéditos para a comunidade científica.

Para a bióloga da UnB, não há dúvida de que a participação do cerrado nas emissões brasileiras ainda está subestimada. Ainda mais porque o bioma, que ocupa 24% da área do Brasil, tem aproximadamente 40% do seu ambiente natural já alterado.

"A mudança no uso da terra é muito mais rápida no cerrado do que na floresta tropical", afirma Bustamante. Essa história da transformação do ecossistema é relativamente recente. Tudo começou nos anos 1970.

Além da pecuária, a soja, o milho e o algodão são as principais culturas desenvolvidas nas savanas brasileiras hoje. No Estado do Mato Grosso, por exemplo, a soja ocupa 88% do cerrado do Estado, segundo os números da UnB.

Hoje, as emissões por causa das queimadas da Amazônia representam aproximadamente 75% do total do Brasil - o restante é causado pelos automóveis que circulam pelas grandes cidades basicamente.

Se o cerrado for colocado agora dentro da categoria "mudança do uso do solo" ele contribuirá com um aumento de 25% pelo menos, segundo permitem inferir os números divulgados agora pela UnB.

Além disso, segundo Bustamante, a emissão de metano pelo gado, a atividade comercial mais comum na área de cerrado, que ocupa uma área de 50 milhões de hectares, foi computada, no cálculo, apenas para a realidade da Amazônia. "Isso aumentará bastante as emissões do cerrado", explica a pesquisadora da UnB.

Esses cálculos sobre o metano também estão sendo feitos agora pelo pesquisadores. Mas estimativas iniciais, de estudos anteriores, mostram que apenas a região Centro-Oeste do Brasil, onde boa parte é ocupada pelo cerrado, responde por 30% das emissões metano do país. No total, essa quantia é equivalente ao lançamento anual de carbono feito por 36 milhões de carros de passeio.

A transformação do uso do solo na savana está diretamente relacionada com o aumento das emissões de carbono. Já na floresta, é o uso da biomassa vegetal - as árvores da floresta cortadas ou queimadas - que protagoniza a subida das emissões do gás do efeito estufa.

Sistema adulterado - Não é apenas a quantidade de de carbono emitida para a atmosfera todos os anos que preocupa os pesquisadores de Brasília -cidade que nasceu, aliás, antes do pico de alteração das savanas nacionais.

Novos estudos, ainda preliminares, mostram que o ciclo da água, por exemplo, é transformado de maneira radical quando em vez das plantas naturais do bioma estão sobre o solo plantações de soja. Em resumo, na primeira situação, a água segue o seu fluxo natural. No segundo ela circula menos e o ecossistema fica mais seco.

Segundo Bustamante, os resultados iniciais já obtidos pelo seu grupo dão uma diretriz clara de como é preciso tratar o cerrado. "A manutenção da biodiversidade [o cerrado brasileiro é a savana com mais biodiversidade do mundo] e dos sistemas naturais é uma condição e não uma opção", afirma a pesquisadora. Segundo ela, o próprio agronegócio que existe pode ser prejudicado com o desequilíbrio ambiental. (Folha Online)

Fonte: Ambiente Brasil

R$ 5,8 milhões para parques tecnológicos em S.P.

O vice-governador e secretário de Desenvolvimento de São Paulo, assinou na tarde de quinta-feira (27/12) três convênios, no valor total de cerca de R$ 5,8 milhões, que serão destinados aos Parques Tecnológicos de São Paulo, São José dos Campos e São Carlos.

“Os Parques Tecnológicos são elementos importantes para o crescimento de diversas empresas e a participação do estado oferece as condições necessárias para que essas empresas, com novas tecnologias, tenham sua fase inicial e avancem no mercado”, disse Goldman.

Um convênio foi feito com o Parque Tecnológico de São Paulo, no valor de R$ 2,2 milhões. O montante, que será repassado ao Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec), ajudará na conclusão do Módulo Leste do Núcleo, que terá área de 1.976 metros quadrados.

“O recurso permitirá a expansão do Cietec e a implantação de empresas no estágio de pós-incubação, ou seja, que já obtiveram sucesso no período de incubação, mas ainda não estão preparadas para disputar o mercado normal”, explicou Cláudio Rodrigues, superintendente do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) e presidente do conselho deliberativo do Cietec.

Em São Carlos, o convênio será com a Fundação Parque de Alta Tecnologia (ParqTec). Serão liberados R$ 553,9 mil para compra de um equipamento de prototipagem rápida, que servirá para apoiar o desenvolvimento de produtos de micro e pequenas empresas na região.

“Esse equipamento permite a produção de uma peça diretamente a partir de seu desenho no computador, excluindo o uso de ferramentas. Ele representa um grande avanço para expansão do Núcleo de Desenvolvimento de Produto Engenharia e Design Industrial”, disse Sylvio Goulart Rosa Junior, diretor-presidente do ParqTec.

O Parque Tecnológico de São José dos Campos receberá R$ 3 milhões para a implantação do Condomínio Empresarial e da Central de Incubadoras. Para a construção dos espaços serão necessários outros R$ 3,6 milhões, que virão da Prefeitura de São José dos Campos. “Os recursos dobrarão nossa capacidade de incubar”, disse o prefeito Eduardo Cury.

Será construído um pavilhão com área de 5,8 mil metros quadrados para receber a incubadora (que contará com 11 empresas), as empresas do Grupo Piloto do Arranjo Produtivo Local de Tecnologia da Informação (nove empresas) e as do Grupo Piloto do Arranjo Produtivo Local Aeroespacial (oito).

Mais informações: http://www.desenvolvimento.sp.gov.br/

Fonte: Agência Fapesp

USP desenvolve medicamento para queimaduras à base de extrato de própolis

Um medicamento à base de extrato de própolis indicado para ferimentos de pele por queimaduras foi desenvolvido na Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP).

A formulação do produto e os testes em animais e humanos foram realizados durante os estudos de mestrado e doutorado da farmacêutica Andresa Berretta, com orientação da professora Juliana Maldonado Marchetti.

As pesquisadoras chegaram à formulação após a avaliação da constituição química da própolis obtida de várias regiões do país. Própolis é uma substância elaborada pelas abelhas a partir da resina de árvores para proteger colméias contra microrganismos.

“Diferentes substâncias ativas foram escolhidas e suas concentrações foram determinadas de modo a obter uma padronização do extrato. Trata-se de um líquido gelado termorreversível que, ao entrar em contato com a pele – que tem temperatura mais elevada – se transforma em gel, alivia a dor e forma uma camada protetora contra agentes externos”, disse Andresa.

Durante o trabalho de mestrado, o gel foi caracterizado quanto à cinética de liberação no organismo e temperatura de geleificação. Foram também determinados os parâmetros fisíco-químicos e microbiológicos de qualidade do produto.

Na pesquisa de doutorado a formulação já pronta foi avaliada em testes pré-clínicos e clínicos. Ao verificar que o gel contendo extrato padronizado de própolis estimulava a cicatrização em modelos animais utilizando incisão cirúrgica, além de evitar a contaminação pelas bactérias Staphylococcus aureus e Pseudomonas aeruginosa, que comumente infectam os pacientes queimados, as pesquisadoras partiram para testes em humanos.

Sem danos ao DNA
Foram selecionados 31 pacientes da Unidade de Queimados do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. Andresa se concentrou nas áreas da pele chamadas de “doadoras”, que, como ela explica, são mais homogêneas e uniformes.

“A região da pele que está queimada pode envolver queimaduras de primeiro, segundo e terceiros graus. Por isso, optamos por estudar as áreas doadoras de pacientes que precisaram fazer enxertia, ou seja, retirar tecidos de áreas saudáveis para colocar em áreas queimadas. Nesse caso, devido à profundidade e tamanho do tecido saudável que é extraído, conseguimos simular uma queimadura de segundo grau”, explicou.

Andresa e Juliana analisaram a regeneração da pele nessa área doadora: metade do tecido foi tratada com gel contendo extrato de própolis e a outra metade com pomada de nitrofurazona, medicamento utilizado como referência nos tratamentos feitos no Hospital das Clínicas. O extrato de própolis teve resultados estatisticamente semelhantes aos do produto sintético.

“Os dois produtos foram aplicados na pele lesionada com o auxílio de compressas de gazes, que naturalmente se soltam à medida que a pele se regenera. Em média, as gazes com os dois produtos se soltaram no mesmo período de tempo, em torno de nove a dez dias. Esse foi o principal indicador de que o gel de própolis é tão eficaz quanto a pomada convencional”, afirmou Andresa.

“Avaliamos também o potencial genotóxico do produto para verificar se sua formulação causaria danos ao DNA da pele dos pacientes, o que não foi verificado”, disse a pesquisadora, que depositou um pedido de patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e, em 2008, entrará com um registro do gel junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O produto será produzido em escala industrial pela empresa Apis Flora e, segundo Andresa, deverá ser comercializado a partir de 2009. Dois artigos científicos com os resultados do trabalho também estão sendo preparados para submissão em revistas especializadas.

Fonte: Thiago Romero /Agência Fapesp