Quinta-feira, 6 de Novembro de 2008

Brasileiro ganha prêmio de inovação da Sun Microsystems

O engenheiro elétrico e doutorando de ciências da computação Andrey Brito, bolsista do DAAD na TU Dresden, ganhou o prêmio de inovação da Sun Microsystems na categoria “Melhor adaptação de uma aplicação seqüencial para um ambiente com múltiplos processadores”. Ao se inscrever para o prêmio, Andrey vislumbrou mais do que uma oportunidade de melhorar o currículo. Foi a grande chance de explicar seu trabalho para outras pessoas.

Incentivado pelo orientador, o professor Christof Fetzer, o brasileiro formado na UFPB precisou, em poucas semanas, transformar algumas idéias, que considerava essenciais para uma demonstração, em programas que pudessem ser compreendidos pelos examinadores. “O trabalho foi intenso, mas fiquei satisfeito com o resultado e, embora soubesse que haveria muitas inscrições na área, fiquei otimista.” Em entrevista a nossa newsletter, Andrey Brito fala um pouco mais sobre sua área de atuação e o projeto que lhe rendeu o prêmio de 20 mil dólares:

Qual o tema do seu doutorado?
Processamento paralelo e distribuído de eventos, dentro de ciência da computação, subárea engenharia de sistemas.

Sobre o que você trata em seu trabalho?
Para explicar sobre meu trabalho, preciso primeiro contextualizá-lo. Até cerca de dois anos atrás, computadores eram comprados com base na velocidade do processador, 1 GHz, 1.8 GHz, 2.4 GHz e assim por diante. A cada ano, as velocidades quase que duplicavam. Com isso, os programas se beneficiavam imediatamente de um processador novo: o mesmo programa que era lento em um processador antigo passava a executar confortavelmente em um processador novo.

Agora, por razões físicas, há restrições sérias para o aumento da velocidade, pois o aquecimento do processador é proporcional à velocidade. Com isso, passamos a comprar processadores compostos por vários processadores menores, Dual Core e Quad Core, por exemplo, que significam que o processador contém dois e quatro processadores menores, respectivamente. Em dois anos, processadores com 16 cores serão comuns.

Porém, um programa desenvolvido com as práticas atuais não conseguirá se beneficiar dos múltiplos processadores. E transformar esses programas chamados "seqüenciais" em programas "paralelos" é bastante difícil para um programador comum. Com o aumento de computadores multiprocessadores, precisa-se urgentemente de ferramentas para transformar programas seqüenciais em paralelos.

Meu trabalho foca em uma classe de programas, chamados "processadores de eventos”,
comuns em aplicações que geram muitos dados que precisam ser processados imediatamente, como informações geradas no mercado financeiro ou por sensores para prever catástrofes naturais, ou seja, detectar terremotos, prever caminhos de furações etc. Meu objetivo é fazer com que esses programas possam ser paralelizados com o mínimo esforço do programador.

Na prática, no que isso melhorará a vida do consumidor final?
O consumidor final vai se beneficiar indiretamente. Por exemplo, o GPS do seu carro sugere um caminho alternativo porque ocorreu um acidente no caminho atual. Para que essas informações sejam carregadas rapidamente no aparelho, serão necessários processadores que consigam dar conta da enorme quantidade de dados vindos de sensores espalhados por toda a cidade e transmitam em tempo hábil a informação do caminho mais adequado. Outra aplicação é a detecção de fraudes com cartões de crédito e em telefones celulares, por meio do monitoramento automático de transações.

E para você, que desdobramentos a premiação trará para sua carreira?
Como desenvolver aplicações paralelas é muito difícil e agora não existe outro jeito de se beneficiar de processadores mais novos, precisa-se de idéias que simplifiquem o
desenvolvimento desses programas paralelos. O meu trabalho foi premiado porque utiliza conceitos antigos para resolver um problema novo de um jeito que ainda não tinha sido explorado. Agora é preciso conhecer melhor em que casos essa abordagem é mais útil e se ela pode ser estendida para classes semelhantes de problemas. Eu espero continuar investigando esse problema e torná-lo minha tese de doutorado. Depois disso, creio que a área vai continuar quente por vários anos ainda e pretendo permanecer nela.

Como é realizada a premiação?
O prêmio é dado pela Sun Microsystems, uma fabricante de computadores e software, e abrange várias áreas, divididas em categorias e cada qual com regras específicas. Há desde prêmios para inovações relacionadas a programas de escritório até para ferramentas de aprimoramento e melhor utilização de processadores modernos. O objetivo é premiar inovações baseadas no conceito de software livre (open source). O prêmio total é de 1 milhão de dólares. Entre os ganhadores, há professores universitários, profissionais de empresas e alunos de doutorado de todo o mundo.

Como você pretende utilizar o prêmio?
Sem planos definidos, mas conhecer um pouco mais da Alemanha é uma coisa que eu quero fazer.

Fonte: DAAD

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