quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Finep divulga lista das 174 empresas selecionadas dentro do Programa de Subvenção Econômica à Inovação

A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) divulgou a lista das 174 empresas selecionadas para receber recursos do Programa de Subvenção Econômica à Inovação, que prevê investimentos de R$ 450 milhões no desenvolvimento de produtos e processos inovadores em micro, pequenas e médias empresas e empresas de grande porte.

Foram contemplados projetos em cinco áreas: tecnologias da informação, comunicação e nanotecnologia; biodiversidade, biotecnologia e saúde; inovações em programas estratégicos; biocombustíveis e energia; e desenvolvimento social.

Trata-se do segundo edital de subvenção econômica da Finep. O primeiro, lançado no fim de 2006, apoiou 147 projetos. Segundo a entidade, o objetivo do programa é promover um aumento significativo nas atividades de inovação e na competitividade das empresas e da economia do país.

Os recursos são não-reembolsáveis, ou seja, as empresas beneficiadas não precisarão devolver o dinheiro recebido. Em contrapartida, terão que conduzir projetos que atendam prioritariamente às ações de incentivo ao desenvolvimento tecnológico e à inovação no âmbito da Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (Pitce).

“Por sermos uma empresa de base tecnológica 100% brasileira, acreditamos que o desenvolvimento de inovações deva ser um fator de soberania para o país”, disse Fábio Haruo Fukuda, diretor da Atmos Sistemas, microempresa sediada na capital paulista que receberá R$ 855 mil do programa da Finep.

A equipe de pesquisa e desenvolvimento da Atmos desenvolverá um software para o processamento de sinais meteorológicos obtidos de radares de monitoramento climático fabricados pela empresa.

“Esse software é o último elemento que faltava para que os radares fabricados pela Atmos funcionassem apenas com tecnologias nacionais. Ele fará o processamento dos sinais dos radares para gerar dados como mapas de chuva e cálculos de precipitação acumulada”, explicou.

De acordo com Fukuda, que também é coordenador de um projeto de pesquisa apoiado pela FAPESP no âmbito do Programa Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas (PIPE), com o desenvolvimento do software com os recursos da subvenção a Atmos não precisará mais importar programas de computador. Com isso, segundo Fukuda, as tecnologias financiadas pelo edital também serão revertidas em benefícios para o país.

“Isso ocorrerá com a geração de empregos de qualidade para brasileiros, além da diminuição no envio de royalties para o exterior. Temos que aplaudir iniciativas de estímulo à inovação como essas”, afirmou Fukuda, que trabalhou com desenvolvimento de satélites no Inpe durante três anos.

“Os projetos financiados pela FAPESP e pela Finep são complementares, umas vez que, com apoio da primeira, estamos desenvolvendo um aparelho digital que enviará sinais meteorológicos que serão processados no software”, disse o diretor da Atmos.


Itinerário via internet

Outra empresa apoiada na segunda chamada de subvenção econômica da Finep foi a Artec Automação Robusta, de São Luís (MA), que receberá R$ 996,5 mil para produzir um sistema de identificação e localização automática de ônibus urbanos.

O sistema, batizado de Sis-Log, tem o objetivo de informar aos usuários a localização prévia dos veículos coletivos para que possam planejar trajetos de um ponto a outro da cidade, de modo a garantir melhor aproveitamento do tempo das viagens.

“Considerando que, para o passageiro, o tempo de viagem começa no momento em que chega ao ponto de ônibus, além de perder tempo enquanto aguarda, ele está exposto a fatalidades como um assalto ou atropelamento, principalmente nas grandes cidades”, disse Fernando Lima, diretor da Artec, à Agência FAPESP.

“O projeto propõe a criação de ferramentas computacionais que estarão disponíveis na internet para o cálculo do tempo de chegada dos veículos ao ponto, com base em informações sobre os itinerários fornecidas pelas empresas de ônibus”, explicou.

O trabalho propõe ainda a criação de sistemas de comunicação entre os motoristas e as centrais de controle das empresas e da prefeitura por meio de plataformas de captação de dados através de rede sem fio, com base em tecnologia de transmissão TCT/IP, mesmo conjunto de protocolos usado na internet. “Os sistemas propostos serão desenvolvidos para ter utilidade em qualquer cidade de médio a grande porte do país”, disse Lima.

Entre os selecionados pelo Programa de Subvenção Econômica à Inovação da Finep, 30% são das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, um percentual bem acima do alcançado no ano passado, quando 12% das propostas selecionadas vieram dessas três regiões.

Para conhecer todos os projetos contratados, clique aqui.
Fonte: Thiago Romero / Agência Fapesp

Fundação Champalimaud encerra dia 31 as inscrições para o Prêmio de Visão António Champalimaud 2008

Termina no dia 31 de dezembro o prazo para inscrições no Prêmio de Visão António Champalimaud 2008, concedido pela Fundação Champalimaud, de Lisboa. Será destinado um total de 1 milhão de euros ao grupo de pesquisa vencedor.

De acordo com os organizadores, o prêmio tem por objetivo o reconhecimento de realizações científicas, clínicas e/ou humanitárias excepcionais. A sua atribuição alterna entre a valorização de descobertas científicas no campo da visão, nos anos pares, e, nos ímpares, o reconhecimento de contribuições significativas para minimizar os efeitos das perturbações e perda da visão, especialmente nos países em desenvolvimento.

Em 2008, o prêmio será atribuído pela primeira vez a grupos de pesquisa ativos envolvidos em investigação científica, básica ou clínica, que representem progresso extraordinário no entendimento e/ou preservação da visão.

“A investigação em visão engloba trabalho interdisciplinar em campos distintos, desde a oftalmologia às neurociências, ou da epidemiologia à física, e abre portas em todas estas áreas do saber. As perturbações visuais são também um problema com um peso humano e económico enorme em todo o mundo. O sofrimento e o custo de não poder ver são intoleráveis”, explica Leonor Beleza, presidente da Fundação Champalimaud.

A fundação portuguesa, criada em memória do industrial António de Sommer Champalimaud, tem entre seus objetivos estimular o progresso científico em busca de soluções para regiões carentes em países em desenvolvimento. Entre os membros do conselho da fundação está o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

“O prêmio é o maior em termos financeiros na área, senão o maior prêmio científico e humanitário existente. A oportunidade de estimular eficientemente grupos elegíveis nas várias regiões do globo depende diretamente da contribuição de indivíduos com maior conhecimento nos campos de investigação em oftalmologia, neurociências ou saúde pública, e, em relação ao prêmio dos anos ímpares, da ação humanitária levada a cabo nos cinco continentes”, disse Leonor.

As nomeações devem ser submetidas por meio no site da fundação.

Mais informações: http://www.fchampalimaud.org/

Fonte: Agência Fapesp

Seminário: Morte e perdas ao longo do ciclo vital: subsídios para o atendimento ao paciente e à família

O seminário “Morte e perdas ao longo do ciclo vital: subsídios para o atendimento ao paciente e à família” será realizado nos dias 28 e 29 de março de 2008 no Auditório Maria Rosa Sousa Pinheiro, na Secretaria de Cultura e Extensão Universitária da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, na capital paulista.

Segundo os organizadores, o objetivo é oferecer bases teóricas e estratégias para que profissionais de saúde atuem junto a pacientes e familiares submetidos à experiência de morte nas diferentes fases do ciclo vital.

O evento pretende discutir o ensino do cuidado na área da tanatologia e apresentar resultados de novas pesquisas, além de discutir sua aplicação. O público-alvo são profissionais e alunos da área da saúde.

Especialistas discutirão temas como “Morte e perdas na família”, “Perdas gestacionais”, “Perdas na infância e adolescência”, “Perdas na vida adulta”, “O idoso, a doença e suas perdas” e “A experiência do profissional diante das perdas e ensino e pesquisa em tanatologia”.

Mais informações: www.ee.usp.br/departamento/nippel ou pelo e-mail .

Fonte: Agência Fapesp

Feevale procura pesquisadores para programas de pós-graduação

O Centro Universitário Feevale, de Novo Hamburgo (RS), oferece duas vagas para pesquisadores para o desenvolvimento de programas de pós-graduação stricto sensu.

A primeira vaga é para atuar na área de desenvolvimento e de aplicação de metodologias para monitoramento do impacto de fatores ambientais na saúde humana e de outros organismos.

Os candidatos devem ter doutorado concluído em ciências biológicas ou exatas, experiência em orientação de pós-graduação stricto sensu e produção científica em periódicos qualificados no triênio 2005-2007.

A outra vaga é para recursos hídricos e saneamento ambiental, tratamento de efluentes, gestão de bacias hidrográficas, mecanismos de desenvolvimento limpo, sedimentabilidade, qualidade da água em sistemas e impacto ambiental.

Os candidatos devem ter doutorado concluído em ciências biológicas, exatas ou engenharia, experiência em orientação de pós-graduação stricto sensu e produção científica em periódicos qualificados no triênio 2005-2007.

Os selecionados iniciarão atividades em 15 de fevereiro de 2008. Os salários serão definidos conforme plano de cargos e salários da instituição.

Os interessados devem entrar em contato com a diretora do Instituto de Ciências da Saúde, Gladis Baptista, por meio e-mail ou pelo telefone (51) 3586- 8800, ramal 8743.

Fonte: Agência Fapesp

26º Congresso Internacional de Odontologia - Ciosp

O 26º Congresso Internacional de Odontologia - Ciosp , promovido pela Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas (APCD), será realizado de 25 a 29 de janeiro no Anhembi, em São Paulo.

Um dos maiores eventos mundiais na área, o Ciosp tem público estimado em 50 mil pessoas, entre cirurgiões-dentistas e estudantes de odontologia, além de cerca de dez mil congressistas de vários países. Também marcarão presença mais de 400 expositores do Brasil e do exterior.

O evento é considerado referencial de atualização técnica e científica para cirurgiões-dentistas. “A programação foi especialmente reformulada de forma a oferecer ao congressista atividades que possibilitem aplicação imediata no consultório”, disse André Callegari, presidente do 26º Ciosp.

Mais informações: http://www.ciosp.com.br/

Fonte: Agência Fapesp

Becas MAEC-AECI

En el B.O.E. (Boletín Oficial del Estado) del 7 de diciembre se ha publicado la convocatoria de la Agencia Española de Cooperación Internacional de becas MAEC-AECI para iberoamerican@s que deseen realizar estudios de postgrado o doctorado en España en el curso 2008-2009.

Entre otros estudios, pueden solicitarse para cursar el "Máster en sistemas de información digital" (http://mastersid.usal.es ), de orientación profesional, o el "Máster Interuniversitario de Investigación en Información y Documentación", (frias@usal.es ), orientado a la investigación y obtención del doctorado (en trámite de aprobación en la actualidad), ofrecidos por la Universidad de Salamanca.

Igualmente en la convocatoria se contemplan becas de formación bibliotecaria en las bibliotecas Hispánica e Islámica de la AECI en Madrid.

Puede consultarse la convocatoria en la dirección: http://www.boe.es/boe/dias/2007/12/07/pdfs/A50522-50529.pdf

Fuente: José Antonio Frías / ANCIB

Pesquisador da Embrapa defende sistema agroflorestal para gerar mais sustentabilidade

O plantio integrando entre diferentes tipos de árvores e culturas, conhecidos ainda como sistema agroflorestal, é uma das alternativas para gerar mais sustentabilidade para empresários de diferentes setores em Mato Grosso. De acordo com o especialista da Embrapa Florestas, Paulo Ernani Ramalho Carvalho, é preciso deixar de lado apenas a “monocultura” e trabalhar com um sistema agregado.

O engenheiro florestal, com 38 anos de profissão e doutor pela Universidade Federal do Paraná, esteve em Sinop, falando sobre a experiência. Reforçou que o método pelo qual se conciliará tipos de culturas pode se tornar viável e trazer mais rentabilidade.

"Esse sistema permitiria sustentabilidade, diminuição de doenças e valores agregados aumentados. Por exemplo, plantar alternado madeiras e cacau, madeiras e café, madeira e pupunha, madeira e gado", disse. "O plantio puro, chamado de monoespecífico é muito perigoso, sujeito a doenças, pragas", declarou. "Todo estrangeiro que vem aqui fica apavorado porque só vê soja, algodão. Na Costa Rica, Colômbia e China, os olhos ficam em harmonia, pois, mesmo estando desmatado, há as árvores e mais outra cultura", salientou.

O pesquisador defende que a implantação deste sistema agroflorestal traz bons resultados. Segundo ele, em algumas cidades do Paraná, a prática já é adotada. Mas, ainda é necessário capacitar os profissionais (engenheiros florestais, agrônomos, entre outros) da área para conhecerem a alternativa.

"A China tem o maior consórcio agroflorestal do planeta, com três milhões de hectares de uma árvore para proteção do trigo, por causa dos ventos gélidos da Sibéria e Mongólia, que faziam os chineses perder até 40% da produção. 400 milhões de chineses passando fome poderiam desestabilizar o governo. Pesquisadores resolveram o problema. Testaram 100 espécies de árvores e encontraram uma que reduz a velocidade do vento em até 60% e matou a charada", disse.

"Por desconhecimento ou má fé muita gente não quer plantar as espécies alternativas, ficar apenas no arroz com feijão. Pode ser o lucro hoje, mas amanhã um fator altamente negativo", concluiu.

O pesquisador esteve em algumas cidades de Mato Grosso, ministrando palestras e hoje estará em Alta Floresta, a convite de uma Ong, para falar sobre viabilidade econômica das atividades de reflorestamento.

Fonte: Só Notícias

Lançado o Fundo para Proteção e Conservação da Amazônia Brasileira

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, apresentou anteontem à comunidade internacional, na Indonésia, detalhes do Fundo para Proteção e Conservação da Amazônia Brasileira. Após três anos de queda da taxa de desmatamento, o País aposta no levantamento de recursos externos com base no que foi feito até agora.

Para conquistar a confiança dos investidores, uma vez que o apoio seria voluntário, o governo aceita assumir compromissos: "Estamos nos dispondo a seguir metas internas e verificáveis (de controle do desmatamento)", disse Marina.

O lançamento oficial do fundo deve ocorrer no primeiro semestre de 2008. A projeção inicial de investimento é de US$ 150 milhões, geridos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES). Cerca de US$ 100 milhões viriam do governo da Noruega, que acaba de lançar um programa de US$ 2,7 bilhões de apoio financeiro aos países com florestas tropicais, durante cinco anos.

O ministro norueguês do Meio Ambiente, Erik Solheim, presente ao anúncio, não detalhou quanto seu país repassaria ao Brasil, mas indicou interesse ao dizer que, ao contrário de outras estratégias de mitigação de gases-estufa, a manutenção da floresta em pé "ainda impede a perda de biodiversidade".

Esse recurso se somaria ao orçamento de US$ 500 milhões, já aprovado no Plano Plurianual, destinado ao Plano Nacional de Combate ao Desmatamento da Amazônia, que atualmente passa por revisão. O desmatamento e as queimadas são a principal fonte brasileira de gases-estufa, cerca de 75% do total. Segundo a secretária de Mudanças Climáticas do MMA, Thelma Krug, 59% do total vem da Amazônia.

Pelo cálculo do ministério, a cada US$ 5 doados por meio do fundo, 1 tonelada de CO2 deixaria de ser emitida pelo desmatamento evitado.

A apresentação ocorreu paralelamente à 13ª Conferência do Clima (COP-13), que reúne 190 países para discutir um novo regime de combate ao aquecimento global.

Leão adormecido
O governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, também presente ao evento, acredita que o aumento no desmatamento registrado nos últimos meses não inviabiliza o plano do ministério. "Eu disse outras vezes que o desmatamento é um leão adormecido e com fome quando acorda. Acho que é possível que exista um aumento (em 2008), mas ele não chegará mais àqueles números de 2004 (quando houve um pico de 27.429 km2)."

Amorim nega divergência interna
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou ontem que o Brasil pode aceitar mecanismos de mercado vinculados ao desmatamento evitado de florestas tropicais, como forma de mitigação de gases-estufa. O tema gerou debates na 13.ª Conferência do Clima (COP-13).

"Acho que os mecanismos de mercado podem ser usados, devem ser usados. Colocamos uma palavra de cautela em relação a seu uso excessivo, a uma corrida para projetos que não reduzem emissões e permitirão que os países ricos continuem a emitir."

Tanto Amorim quanto a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, negaram que houvesse divergências na delegação brasileira. "Antes o debate acontecia num nível técnico e passou para um nível político, então sempre há uma mudança de tom", afirmou o chanceler. Marina foi mais direta: "Alguém falou com o ministro Amorim? Alguém falou comigo? Não houve mudança nenhuma."

Fonte: Amazônia.org.br

Vale instala Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Energia - CDTE, em São José dos Campos

A Vale, antiga Companhia Vale do Rio Doce, está instalando um centro de pesquisa dedicado a energia em São José dos Campos (SP), no núcleo do parque tecnológico em implantação na cidade. O Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Energia (CDTE) resulta de uma associação entre a companhia e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e será voltado para P&D em processos e sistemas para geração energética. Vale e BNDES afirmam que vão investir R$ 220 milhões em três anos, metade cada um.

No dia 6 de novembro, Roger Agnelli, presidente da Vale, esteve em São José para assinar o convênio entre a empresa e a prefeitura, que formalizou a instalação do CDTE no parque tecnológico. De acordo com a Vale, os resultados dos programas de P&D a ser desenvolvidos no centro serão usados, inicialmente, pela própria companhia, para garantir seu abastecimento de energia no futuro. O CDTE deverá contar com uma equipe de 200 pesquisadores quando estiver totalmente implantado.

A Vale anunciou investimentos da ordem de US$ 59 bilhões para o período 2008-2012, e o cumprimento dessa meta transformou a sustentabilidade energética em um tema prioritário da corporação. Em 2007, a companhia investiu US$ 197 milhões na área de energia; para 2008, a previsão é investir US$ 470 milhões. A empresa tem sete usinas hidrelétricas de grande porte e quatro pequenas centrais hidrelétricas em operação.

Daí o investimento no centro. Segundo seu relatório de 2006, o mais recente disponível, o investimento em P&D da Vale no ano foi de R$ 1 bilhão, ou 2,14% de seu faturamento de R$ 46,7 bilhões. Os R$ 110 milhões que a empresa vai destinar ao CDTE — os outros R$ 110 milhões virão do BNDES — correspondem, em bases anuais, a 3,5% desse valor.

No ranking de investimentos em P&D preparado anualmente pelo governo britânico, a Vale aparece em 181º lugar entre 1.250 empresas de todo o mundo, com gasto de 245,76 milhões de libras (US$ 507,15 milhões) em 2006 — consistente com o número apresentado no relatório da empresa. Entre as três empresas brasileiras presentes na classificação — as outras duas são Petrobras e Embraer —, a Vale foi a que ganhou mais posições em relação a 2005, quando ficou em 262º lugar.

Carvão e etanol na pauta de pesquisas do CDTE
A agenda de P&D do CDTE inclui áreas como gaseificação de carvão térmico e de biomassa, incluindo cana-de-açúcar, para produção de etanol; e pesquisas envolvendo produção de turbinas a gás e motores pesados multicombustíveis. Será enfatizada a aplicação de novos processos e também a combinação dessas tecnologias entre si, de forma a atender as necessidades de autogeração de energia limpa da companhia. A Vale e o BNDES ainda não sabem se o CDTE poderá se constituir em uma empresa, posteriormente; mas já definiram que a participação dos sócios — Vale e BNDES — será meio a meio.

"Energia é um desafio para todos hoje e, para a Vale continuar crescendo como tem feito, precisa de energia. Faz sentido pegarmos os cérebros brasileiros e investir em tecnologia e o Brasil caminha na frente de muitos nesse assunto", afirmou Agnelli, na entrevista coletiva concedida após a assinatura do convênio. Ele destacou o etanol, enfatizando a produção de etanol celulósico, e também a tecnologia de gaseificação do carvão. "A Vale vai entrar nesse mercado de carvão. É um desafio fazer a queima limpa [desse combustível]", completou.

O carvão no cenário global
A pesquisa para tornar mais limpa a queima do carvão é uma tendência mundial, porque o consumo de carvão está crescendo, principalmente por causa do crescimento da China. A edição mais recente do relatório anual da multinacional BP sobre energia, lançada em junho passado, mostrou que o consumo mundial cresceu 4,5% em 2006 — menos do que o aumento de 5,7% registrado em 2005, mas ainda acima da média dos últimos dez anos. No relatório, a China aparece como a líder global no uso de carvão. Lá, o consumo cresceu 8,7% de 2005 para 2006. Nos Estados Unidos, mais da metade da energia elétrica consumida ainda é obtida a partir da queima do carvão. Para reduzir os danos ao meio-ambiente, o Departamento de Energia (DOE, sigla em inglês) financia projetos de desenvolvimento de tecnologias mais limpas para o uso do carvão, com contrapartida do setor privado. A verba federal do programa, chamado Clean Coal Power Initiative, é de US$ 2 bilhões para um período de dez anos.

Em 2007, a Vale comprou a AMCI Holdings Australia por US$ 835 milhões. A CVRD Australia produziu 1,8 milhão de toneladas de carvão de maio a setembro de 2007. E busca ser fornecedora de energia para a China e o Japão.

"Vamos pedir [ao centro de P&D] respostas para alguns dos nossos problemas. Por exemplo, como podemos aproveitar um gás gerado no processo de mineração? Temos locomotivas queimando óleo diesel. Com uma parceria com a GE, conseguimos misturar 20% de biodiesel, mas precisamos fazer regulagem no motor. Como podemos fazer uma queima mais limpa do carvão, emitir menos gás carbônico, como gaseificá-lo, como consumir menos energia são exemplos de desafios", disse Agnelli.

O CDTE fará pesquisa aplicada com apoio financeiro da Vale, que prevê inclusive concessão de bolsas de pós-graduação, além de cursos de especialização a ser realizados no centro para melhorar, principalmente, a formação de engenheiros para a firma. Agnelli lembrou na entrevista que faltam no Brasil, por exemplo, engenheiros metalúrgicos bem capacitados e em quantidade suficiente para atender as empresas hoje.

Por que São José
A Vale tem uma parceria de longo prazo com o Centro Técnico Aeroespacial (CTA), de São José dos Campos, para estudar o processo de geração de energia por turbinas a gás, o que pesou na decisão da empresa de instalar o CDTE na região. Uma área de 900 metros quadrados no parque tecnológico está em obras para abrigar o início das atividades do CDTE. Será uma área provisória, enquanto as instalações definitivas do centro não ficam prontas. "Até março de 2008 as obras deverão ser concluídas e a Vale deverá transferir o projeto de P&D relacionado à geração de energia por turbina a gás para essa área provisória dentro do parque", explica Marco Antônio Raupp, gestor que coordena a implantação do parque de São José dos Campos e também presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). A área definitiva do CDTE terá de 50 mil a 100 mil metros quadrados.

Dos 70 pesquisadores envolvidos no programa conjunto da Vale com o CTA, 50 já trabalharão no parque tecnológico quando as obras forem concluídas. A Vale está adquirindo uma área maior, próxima da instalação provisória, onde implantará o CDTE completo, em dois anos, com 200 pesquisadores. Fora o esforço com equipe própria e o trabalho com o CTA, a Vale estabelecerá acordos de cooperação tecnológica com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e com a Escola de Engenharia de São Carlos, da Universidade de São Paulo (USP), para os trabalhos de P&D.

O parque tecnológico, hoje
Raupp diz que a prefeitura não concedeu incentivos fiscais para a Vale. "A prefeitura apóia criando infra-estrutura, fortalecendo o ambiente tecnológico aqui existente", comenta. No parque tecnológico de São José, hoje funcionam uma unidade da Faculdade de Tecnologia (Fatec), com cursos em logística e informática; um curso de ciências da computação da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); o programa de pós-graduação em engenharia aeronáutica da Embraer, que atualmente treina cerca de 200 engenheiros; e o Centro para Competitividade do Cone Leste Paulista (Cecompi), associação civil de direito privado que promove a inovação por meio da parceria entre empresas, academia e setor público. Além disso, o parque conta com uma incubadora de negócios, que engloba 16 empresas, e com um escritório de apoio às empresas para atividades como planejamento, gestão e assessoria em negócios.

O programa de pós da Embraer é parte do futuro Centro de Desenvolvimento de Tecnologia Aeronáutica (CDTA), resultado de uma parceria entre a empresa, o ITA e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT). O parque está negociando com a Ericsson a implantação de um centro de P&D da empresa em suas dependências, de forma que ele seja âncora de uma espécie de arranjo produtivo na área de tecnologia da informação e da comunicação, e busca atrair a Petrobras, que já realiza atividades de P&D na região, para ampliar seus esforços e criar um centro dentro do parque.

O parque de São José dos Campos integra o chamado Sistema Paulista de Parques Tecnológicos, criado pelo ex-governador Geraldo Alckmin  em fevereiro de 2006. A montagem do sistema é coordenada pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico. Além de São José dos Campos, o sistema prevê a formação dos parques de São Carlos, Campinas, Ribeirão Preto e São Paulo.

Fonte: J.S./ Inovação Unicamp

Ensino Fundamental, exclusão muda de natureza e de lugar

From the universalization of teaching to the challenge of quality: a historical analysis

A expansão do ensino fundamental no Brasil nas três últimas décadas promoveu uma democratização do acesso à educação. Em conseqüência da universalização, a exclusão e a desigualdade geradas pelo ensino mudaram de natureza e de lugar. Hoje, o fator de exclusão é a qualidade do que se aprende.

O diagnóstico é do professor Romualdo Portela de Oliveira, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) em pesquisa de livre-docência. Uma versão da tese foi publicada na revista Educação e Sociedade, em outubro.

“Se não percebermos que a desigualdade gerada pela educação atualmente é outra, não estaremos preparados para enfrentá-la adequadamente. Paradoxalmente, mais educação gera demanda por mais educação”, afirmou Portela.

Com base em uma análise histórica, o pesquisador explica que o objetivo do estudo foi demonstrar que “o movimento de expansão do ensino fundamental e médio supera o histórico processo de exclusão, gerando novas contradições”.

“A superação da exclusão por falta de escola e por múltiplas reprovações dá visibilidade à exclusão gerada pela ausência de aprendizado ou pelo aprendizado insuficiente, remetendo à discussão acerca da qualidade do ensino”, enfatizou.

De acordo com Portela, apesar do acesso mais amplo, a desigualdade e a exclusão permanecem. “O ensino fundamental não deixou de ser uma etapa produtora de desigualdade educativa. Os discriminados de ontem continuam a ser os discriminados de hoje. Mas a desigualdade existente hoje não é mais a mesma e nem ocorre nos mesmos termos da que ocorria no passado.”

O pesquisador focalizou a análise na “dinâmica interna do sistema educacional”. Seguiu um caminho contrário ao das correntes que atribuem as mudanças no processo educacional apenas à “agenda internacional” de organizações como o Banco Mundial.

“O problema é que esse tipo de análise é refém, de maneira estática, da ‘teoria do espelho’, segundo a qual a educação seria um reflexo da correlação de forças vigentes na sociedade como mera reprodutora dos interesses dominantes. Esse enfoque, apesar da forte retórica, não vislumbra contradições ou as reduz a conflitos ideológicos. Daí a recorrente análise de documentos de organismos internacionais como expressão do que ocorre de fato”, afirmou.

Novas demandas
Apesar de as reformas iniciadas na década de 1990 estarem pautadas em uma “agenda mundial”, a concretização das políticas educacionais se daria com diferenças, ênfase e amplitude em cada país. É o que vem ocorrendo, segundo Portela, com o ensino superior.

“Há algumas décadas, a cobrança de anuidades em universidades públicas faz parte das recomendações das agências internacionais. No Brasil, caminhamos em sentido oposto, assegurados pela Constituição de 1988. Em outros países, a cobrança de anuidades no ensino superior público foi implantada recentemente. Destacam-se as experiências da Polônia, Chile e Colômbia, nas quais o processo de privatização se acentuou no último período”, exemplificou.

Segundo os dados apresentados no estudo, em 1965 as séries que hoje compõem o ensino fundamental tinham 11,6 milhões de matrículas, passando para 15,9 milhões em 1970. No período militar (1965-1985), as matrículas aumentaram 113,8%, com um crescimento médio de 3,9% ao ano. No período posterior (1985-1999), o crescimento total foi de 45,6%, com média de 3,3% ao ano.

“Foi nesse segundo período, por volta de 1990, que o número de alunos matriculados atingiu 100% da matrícula bruta, ou seja, o sistema alcançou a capacidade potencial de atendimento aos alunos na faixa etária”, disse Portela, explicando que a taxa de matrícula bruta indica a capacidade de atendimento do sistema, ao passo que a taxa de matrícula líquida se refere ao grau de atendimento dentro da faixa etária ideal.

No período de 1975 a 2002, o número de matriculados no ensino fundamental no país cresceu 71,5%, passando de 19,5 milhões para 33,5 milhões, atingindo a marca de 36 milhões em 1999. Em 1975, segundo o IBGE, a população de 7 a 14 anos era de 21,7 milhões e, em 2003, de 28,3 milhões. A população dessa faixa etária cresceu 24,4%, aproximadamente um terço do aumento no atendimento escolar. Isso indica que houve uma maior absorção das crianças e adolescentes nessa etapa da educação básica.

De acordo com Portela, apesar de ainda distante do ideal, o processo de expansão do ensino se fez sentir a partir da década de 1990 também no ensino médio, que, historicamente, era reduto de “diminuta parcela” da sociedade.

“A universalização do ensino fundamental gerou duas novas demandas populares por acesso à educação. Uma materializada na matrícula no ensino médio – e mesmo no ensino superior – e outra que se refere à questão da qualidade. É a qualidade que ocupa o centro da crítica ao processo presente de expansão, tornando-se a questão central da política educacional referente à educação básica nos próximos anos”, destacou.

Para ler o artigo Da universalização do ensino fundamental ao desafio da qualidade: uma análise histórica, de Romualdo Portela de Oliveira, na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.

Fonte: Alex Sander Alcântara / Agência Fapesp

Avaliação de tecnologias avançadas para o reúso de água em indústria metal-mecânica

Evaluation of advanced technologies for water reuse in mechanical industry 

Tratamento mais eficaz
Um novo estudo avaliou cinco tecnologias avançadas de tratamento para o reúso de água em indústria metalmecânica. Os processos de carvão ativado e coagulação-floculação obtiveram melhores resultados de qualidade do efluente para o reúso da água, com a segunda tendo demonstrado maior custo. A recomendação é uma combinação das duas tecnologias.

Foram testadas também a osmose reversa, a oxidação por ozônio e a oxidação por dióxido de cloro. “O objetivo do trabalho foi avaliar quais das cinco tecnologias de tratamento seriam capazes de remover os constituintes do efluente industrial para atingir os critérios de reúso adotados para a indústria estudada”, disse o engenheiro Airton Oenning Junior.

A pesquisa, publicada na Revista de Engenharia Sanitária e Ambiental, é resultado de sua dissertação de mestrado em engenharia de recursos hídricos e ambiental pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). O artigo tem como outro autor Urivald Pawlowsky, professor titular do Departamento de Hidráulica e Saneamento da UFPR e orientador do trabalho de mestrado.

As cinco tecnologias foram testadas em uma indústria de assentos automobilísticos localizada na região metropolitana de Curitiba, que atua em diferentes áreas, fornecendo componentes, serviços de pintura, estruturas metálicas e bancos automotivos completos.

“Os testes poderiam ser aplicados a mais indústrias, no entanto, como o efluente pode variar muito para cada tipo e setor industrial, os resultados também podem ser bastante diferentes” , disse Oenning.

De acordo com os pesquisadores, o efluente utilizado nos testes vem de duas correntes: do esgoto sanitário, que compreende os banheiros e refeitórios, e da linha de produção a partir do excedente dos enxágües e banhos.

“As duas correntes de efluente, sanitário e industrial, são misturadas em dado momento do tratamento secundário. Na saída desse tratamento se coletou o efluente e, em laboratório, foram aplicadas tecnologias de reúso. Foi com essa mistura de efluentes tratados por tecnologias avançadas que se pretendeu fazer o estudo para reutilização”, explicou.

Foram avaliados os custos diretos envolvidos em cada tratamento, com exceção dos gastos com infra-estrutura para a chegada do efluente até a estação de reúso. Também não foi considerado o envio do efluente até o ponto de consumo porque os valores podem variar muito dependendo da configuração da indústria e das distâncias de captação e consumo.

Combinação de tecnologias
O carvão ativado é aplicado no tratamento de efluentes extraindo cor, odor, matéria orgânica, compostos tóxicos e servindo de suporte para a biomassa. Consiste em adsorver esses constituintes dentro do poro do carvão tanto por processo físico como químico de acúmulo de substâncias em uma interface entre as fases líquida e sólida, ocasionando assim uma “filtragem” do efluente e melhorando significativamente sua qualidade.

“Na oxidação por ozônio e por dióxido de cloro, como o nome sugere, é feita a oxidação da matéria orgânica e outros constituintes presentes no efluente por meio do agente oxidante. Essas tecnologias de oxidação também proporcionam a desinfecção do efluente”, explicou o autor do trabalho.

Já a osmose reversa é uma tecnologia que utiliza uma membrana semipermeável capaz de separar o líquido em duas fases, agindo como uma barreira seletiva à passagem de moléculas muito pequenas, como sulfatos, nitratos, sódio, outros íons, bactérias e vírus.

“A osmose se baseia em mecanismos físicos, isto é, não envolve processos químicos, biológicos ou trocas térmicas. O resultado desse processo são dois produtos: o permeável, contendo o material que passou pela membrana, e o rejeito ou concentrado, que contém o material que não passou pelo dispositivo, ou seja, o subproduto do processo”, disse Oenning.

E, por último, o processo de coagulação/floculação e decantação tem a finalidade de transformar as impurezas, que se encontram em suspensão, em estado coloidal ou em solução, como bactérias, protozoários e plâncton, em partículas maiores (flocos) para que possam ser removidas por sedimentação, filtração ou ainda por flotação.

Segundo os autores da pesquisa, a coagulação utiliza agentes coagulantes (naturais ou sintéticos) para promover essa aglutinação dos constituintes presentes no efluente mediante agitação rápida. Após esse processo, com agitação lenta, provoca-se a floculação e, posteriormente, sem agitação, a decantação desses constituintes.

Pelos resultados obtidos no estudo, os pesquisadores recomendam a combinação de duas tecnologias, a coagulação-floculação com o carvão ativado, cujo uso conjunto poderia proporcionar maior eficiência na capacidade de tratamento.

“Utilizando coagulantes e auxiliares de coagulação mais baratos é possível obter boa decantação e remoção de matéria orgânica em suspensão, colóides, entre outros, deixando para o carvão ativado apenas a função de polimento do efluente e eventualmente a adsorção de alguns elementos nocivos aos locais de reúso a serem aplicados”, disse Oenning.

Para ler o artigo Avaliação de tecnologias avançadas para o reúso de água em indústria metalmecânica, de Airton Oenning Junior e Urivald Pawlowsky, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.

Fonte: Alex Sander Alcântara / Agência FAPESP