sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

FINEP entrega troféus aos ganhadores do Prêmio de Inovação Tecnológica 2007

São Paulo foi o destaque da edição 2007 do Prêmio Finep de Inovação Tecnológica, levando três dos sete troféus entregues no dia 12 de dezembro, no Palácio do Planalto, em Brasília. O julgamento ocorreu na véspera e, ao todo, 30 empresas concorreram à Etapa Nacional do Prêmio.

A região Sudeste venceu nas categorias Produto, Pequena Empresa e Média/Grande Empresa; o Nordeste ficou com os troféus de Inventor Inovador e Inovação Social; a região Sul teve o melhor Processo; e o Centro-Oeste apresentou a melhor Instituição de C&T do ano.

Segundo a Finep, as categorias foram disputadas por representantes das cinco regiões do Brasil, vencedores das etapas regionais, com exceção do Inventor Inovador. Essa categoria foi criada em 2005 a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os concorrentes são escolhidos a partir de uma lista elaborada pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

Também foi entregue o troféu José Pelúcio Ferreira, instituído em 2005, que este ano teve como área escolhida a de mudanças climáticas. Os premiados, por sua contribuição ao tema, foram os pesquisadores Carlos Afonso Nobre, José Walter Bautista Vidal e Luiz Pinguelli Rosa.

Além do troféu concedido a todos os vencedores, na categoria Pequena Empresa o vencedor recebeu um laptop do Sebrae Nacional e uma bolsa de estudos integral do Instituto Coppead de Administração, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), para um dos seus cursos (MBA em marketing, finanças, saúde ou logística).

Todos os demais vencedores ganharão bolsas de desenvolvimento científico e tecnológico do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e participarão de um workshop na sede do British Council no Rio de Janeiro com especialistas em inovação do Reino Unido, para troca de experiências com empresas do mesmo ramo.

A Petrobras, outra patrocinadora do prêmio, concederá bolsas de estudo integral para um curso de MBA, além de visita às instalações operacionais na Unidade de Negócios da Bacia de Solimões, na Amazônia. A Tavares Propriedade Intelectual oferecerá subsídio para depósito de pedido de patente ou registro de marca.

O presidente da Finep, Luis Fernandes, ressaltou que no prêmio há alguns agraciados, mas todos são vencedores. “A inovação é o caminho concreto para gerar riqueza e bem-estar para a população, por isso, com esses esforços, o Brasil inteiro ganha”, disse.

Os vencedores do Prêmio Finep 2007
Produto: Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer)/SP: Phenon 100 – Primeiro jato executivo de pequeno porte que combina requisitos modernos de performance, conforto e design aliados a baixo custo de operação e manutenção.
Menção honrosa: Oxigênio da Amazônia/RO – Usina instalada em hospitais que produz oxigênio gasoso.

Processo: Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar)/PR: Esgoto tratado é utilizado para enriquecer o solo e aumentar a produtividade do cultivo de milho, soja e trigo.
Menção honrosa: Cerâmica Dantas/CE – Queima não convencional que alia alto eficiência, baixo custo e pouco consumo de lenha, minimizando a poluição ambiental.

Pequena Empresa: Nanox Tecnologia/SP: Utiliza nanotecnologia para produzir materiais com propriedades especiais e funções inovadoras, que possibilitem aplicações diferenciadas nos negócios e na qualidade de vida.
Menção honrosa: Angelus Indústria de Produtos Odontológicos/PR – Obtenção de produtos e técnicas que facilitam o acesso dos profissionais da área à prática odontológica inovadora.

Média/Grande Empresa:
Cristália Produtos Químicos Farmacêuticos/SP: Pesquisar, desenvolver, produzir e comercializar moléculas e medicamentos que contribuam para a melhoria na saúde humana.
Menção honrosa: Fotossensores Tecnologia Eletrônica/CE – Soluções inovadoras de fabricação, instalação, gerenciamento, processamento, pós-entrega e operacionalização de sistemas de monitoramento eletrônico de infrações de trânsito.

Inovação Social: Cooperativa dos Floricultores do Estado da Paraíba/PB: Ex-bóias-frias produzem crisântemos e garantem renda de até dois salários mínimos.
Menção honrosa: Pólo de Proteção da Biodiversidade e Uso Sustentável dos Recursos Naturais/AC – O projeto auto-sustentável preserva a floresta e proporciona o sustento das famílias envolvidas.

Instituição de C&T: Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária/DF – Soluções para o desenvolvimento sustentável do espaço rural, com foco no agronegócio, por meio da geração, adaptação e transferência de conhecimentos e tecnologias, em benefício dos diversos segmentos da sociedade.
Menção honrosa: Inovapuc, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – Formada por oito unidades periféricas, tem o objetivo de integrar as ações desenvolvidas na instituição.

Inventor Inovador: José Luiz Vieira Mattos

Fonte: Agência Fapesp

Pesquisa revela prevalência de automedicação entre crianças e jovens

Self-medication in children and adolescents
Uma pesquisa realizada no interior paulista constatou uma prevalência de automedicação entre crianças e jovens. A partir de entrevistas feitas nas zonas urbanas dos municípios de Limeira e Piracicaba, foi constatado que 56,6% de crianças e adolescentes consumiam remédios sem prescrição médica.

Segundo o estudo, os maiores responsáveis pela automedicação e indutores seriam as mães (51%) e funcionários de farmácias (20,1%). O objetivo do trabalho foi identificar a prevalência e o uso de automedicação em comparação com indivíduos da mesma faixa etária que consumiram medicamentos com prescrição médica.

De acordo com Fábio Bucaretchi, professor do Departamento de Pediatria da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e orientador da tese de doutorado de Francis Tourinho Pereira que deu origem à pesquisa, um dos aspectos que chamaram a atenção foi a constatação do alto consumo de antiinflamatórios não-hormonais nesse grupo etário.

“É um fato preocupante diante dos riscos associados ao consumo desses medicamentos. E esse alto consumo decorreu não somente da automedicação, mas também da prescrição médica, que é 3,6 vezes maior do que na Holanda, por exemplo”, afirmou Bucaretchi.

O estudo, publicado no Jornal de Pediatria, considerou uma amostra aleatória de 772 moradores procedentes de 85 áreas censitárias. Os participantes foram divididos em dois grupos: os que se automedicavam e os que consumiam medicamentos sob prescrição médica. Os critérios incluíam a entrevista obrigatória com os responsáveis pelo adolescente e o consumo de pelo menos um medicamento nos 15 dias prévios à data da entrevista.

Segundo Francis Tourinho Pereira, professora do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de Santana Catarina (UFSC), que desenvolve pesquisa de doutorado no Departamento de Pediatria da Unicamp, o consumo de medicamentos por conta própria é considerado um indicador indireto de qualidade dos serviços de saúde.

“A automedicação pode levar ao aparecimento de diversas enfermidades de conseqüências iatrogênicas [que causa danos em decorrência de procedimentos cirúrgicos ou terapêuticos], como resistência bacteriana, reações de hipersensibilidade, dependência, sintomas de abstinência”, disse Francis.

A automedicação pode levar também ao mascaramento de sintomas de doenças em evolução, atrasando o diagnóstico e tratamento corretos, além de oferecer risco para o uso de doses tóxicas. “É um problema de saúde pública com necessidade de prevenção”, afirmou.

Os resultados apontaram prevalência de automedicação de 56,6% entre os entrevistados que consumiram medicamentos nos últimos 15 dias. As principais situações que motivaram a automedicação foram tosse, resfriado comum, gripe, congestão nasal ou broncoespasmo (17,2%), seguido de febre (15%), cefaléia (14%), diarréia, má digestão e cólica abdominal com 9%.

A pesquisadora cita como fatores que influenciam o uso da automedicação a grande disponibilidade de medicamentos, a publicidade indiscriminada, a qualidade da assistência de saúde, a dificuldade de acesso aos serviços e a venda livre de medicamentos nas farmácias.

“O medicamento é visto como símbolo da recuperação e obtenção de saúde. Mas vale ressaltar que a automedicação apresenta alta prevalência no Brasil e em todo o mundo”, explicou Francis.

O levantamento destacou que os medicamentos ingeridos sem prescrição médica foram indicados pela mãe (51% dos casos) e pelos pais (7,8%). Os funcionários de farmácia se destacam como principais indutores. Cerca de 20,1% dos entrevistados disseram ter ingerido medicamentos sugeridos pelos farmacêuticos e 15,3% consumiram medicamentos a partir de prescrições médicas antigas. Mas, para surpresa dos pesquisadores, somente 1,8% disseram ter ingerido medicamentos por influência da mídia.

“Achamos que esse dado não retrate a realidade. Muitas vezes as pessoas não percebem a influência da publicidade no seu dia-a-dia. As propagandas de medicamentos muitas vezes só trazem informações gerais, não apresentando riscos e restrições do uso dos mesmos, mostrando uma falsa realidade de segurança”, disse Francis. Celso Stephan e Ricardo Cordeiro, ambos professores do Departamento de Medicina Preventiva e Social da Unicamp, contribuíram nas análises estatísticas do estudo.

Validade vencida
Outro resultado de destaque da pesquisa: embora a prevalência do consumo de medicamentos prescritos seja mais alta em lactantes e pré-escolares, quanto menor a faixa etária, maior a insegurança dos cuidados em aceitar uma orientação leiga. O estudo constatou menor freqüência de automedicação em crianças menores de 7 anos.

De acordo com Francis, a mãe assume o papel de administrar os medicamentos, sendo responsável também por “prover a saúde da família”.

“A menor freqüência de automedicação em lactantes e pré-escolares leva a considerar que os responsáveis não estão seguros e apresentam maior precaução em administrar medicamentos sem a observação do médico”, disse. Esse fato, segundo ela, não está relacionado ao grau de instrução.

“Embora algumas pesquisas correlacionassem a prática da automedicação com o grau de instrução e informação dos usuários sobre medicamentos – e também com o grau de acesso aos remédios e ao sistema de saúde –, nosso trabalho não encontrou influência dessa variável”, afirmou a professora da UFSC.

A pesquisa observou que a freqüência do uso de analgésicos e antipiréticos e antiiflamatórios não-hormonais foi significativamente mais elevada nos usuários de automedicação, ao passo que o uso de antibióticos sistêmicos, vitaminas e antianêmicos e antagonistas H1 da histamina foi mais elevado entre aqueles com prescrição médica.

O estudo levantou ainda dados sobre armazenamento dos medicamentos no domicílio das famílias e encontrou uma série de problemas, do tipo armazenamento de remédios na cozinha e no banheiro, locais com risco de umidade e calor, medicamentos com prazo de validade vencido e quantidades insuficientes para um tratamento.

“O estudo suscita a importância da implementação efetiva dos processos de educação continuada dos prescritores (graduandos e médicos), visando ao uso racional de medicamentos. Esse tema, aliás, faz parte de um projeto de cooperação internacional envolvendo a Organização Mundial da Saúde, a Organização Pan-Americana de Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária”, explicou o coordenador da pesquisa, Fábio Bucaretchi.

Para ler o artigo Automedicação em crianças e adolescentes, de Fábio Bucaretchi e outros, na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.

Fonte: Alex Sander Alcântara / Agência Fapesp

Brasileiros ganham o Prêmio TWAS em 3 áreas distintas

Três pesquisadores brasileiros estão entre os ganhadores da edição de 2007 do Prêmio Twas, concedido pela Academia de Ciências para o Mundo em Desenvolvimento (Twas): Lucia Mendonça Previato, Paulo Artaxo e Sergio Danilo Junho Pena.

Cada um receberá um cheque no valor de US$ 10 mil e será convidado a fazer uma apresentação de seu trabalho na cerimônia do jubileu de prata da entidade, que será realizada na Cidade do México, de 10 a 13 de novembro de 2008.

Lucia Mendonça Previato, professora do Instituto de Biofisica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, foi nomeada na categoria biologia. Segundo os organizadores do prêmio, a escolha se deu pelas contribuições para o aumento no conhecimento dos componentes moleculares responsáveis pela comunicação entre células hospedeiras e o Trypanosoma cruzi, parasita causador da doença de Chagas, que afeta estimados 17 milhões de pessoas nas Américas Central e do Sul.

Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo, ganhou na categoria Ciências da Terra pelo trabalho no estudo do impacto dos aerossóis, partículas determinantes para entender os impactos das mudanças climáticas no planeta. Artaxo ajudou a conduzir as primeiras análises de como os aerossóis contribuem para manter a bioquímica dos ecossistemas amazônicos ao afetar a condensação de nuvens e, conseqüentemente, a precipitação e o clima. O pesquisador também tem realizado estudos importantes sobre a poluição do ar em São Paulo.

Sergio Danilo Pena, professor do Departamento de Bioquímica e Imunologia da Universidade Federal de Minas Gerais, foi o vencedor do Prêmio Twas 2007 na categoria Ciências Médicas. O geneticista desenvolve pesquisas importantes sobre diversidade genômica humana, formação e estrutura da população brasileira. É fundador do Núcleo de Genética Médica de Minas Gerais, primeiro na América Latina a oferecer clinicamente serviços de diagnóstico pelo estudo do DNA, especialmente de determinação de paternidade.

Os outros ganhadores são: em Ciências Agrárias, Muhammad Arshad, diretor do Instituto de Ciências do Solo e Ambientais da Universidade de Agricultura em Faisalabad, no Paquistão e, na categoria Química, Kankan Bhattacharyya, professor do Departamento de Química da Sociedade Indiana para o Cultivo da Ciência.

Chih-Kung Lee, professor do Instituto de Mecânica Aplicada da Universidade Nacional de Taiwan, foi o ganhador na categoria Engenharia, Jie Zhang, presidente da Universidade Jiao Tiong, em Xangai, em Física, e Shrikrishna Dani, professor do Instituto Tata de Pesquisa Fundamental, em Mumbai, em Matemática.

Popularização científica
A Twas também anunciou em sua 18ª reunião geral, realizada no mês passado, em Trieste, na Itália, os ganhadores da primeira edição dos Prêmios Regionais para a Compreensão Pública da Ciência, concedidos a profissionais que tenham feito contribuições valiosas para a melhoria da compreensão e da aprecição da ciência por parte do público geral.

As distinções são entregues pelos escritórios regionais da academia e cada escolhido receberá US$ 3 mil.

O Escritório Regional da Twas para América Latina e Caribe decidiu premiar Roberto Lent, professor de neurociências e diretor do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Lent é fundador da revista Ciência Hoje – que publica também Ciência Hoje das Crianças e a série de livros Ciência Hoje na Escola – e da editora Vieira & Lent, que já lançou 50 títulos.

Os outros ganhadores foram: Pervez Hoodbhoy, da Universidade Quaid-i-Azam, no Paquistão (Escritório Regional da Twas para Ásia Central e do Sul); Adnan Hamoui, editor-chefe da edição árabe da Scientific American (países árabes); e Christina Scott, editora da SciDev.Net (África subsaariana).

Mais informações: www.twas.org

Fonte: Agência Fapesp

Seminário Desenvolvimento e Questão Regional e Urbana no Brasil

O seminário Desenvolvimento e Questão Regional e Urbana no Brasil, que ocorrerá nos dias 18 e 19 de dezembro, em Campinas (SP), terá “Perspectivas do pensamento crítico” como tema central.

O encontro é promovido pelo Centro de Estudos de Desenvolvimento Econômico do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Em uma das mesas-redondas Tania Bacelar de Araújo, da Universidade Federal de Pernambuco, Clélio Campolina Diniz, da Universidade Federal de Minas Gerais, e Leonardo Guimarães Neto, da Consultoria Econômica e Planejamento, discutirão o tema “O pensamento crítico e a problemática regional e urbana brasileira”.

Mais informações: www.unicap.br

Fonte: Agência Fapesp

Seminário Pensa TICs 2007 – Rumo à Estratégia Nacional em Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs)

A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (Abdi) e o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) realizam, no dia 18 de dezembro, em São Paulo, o Seminário Pensa TICs 2007 – Rumo à Estratégia Nacional em Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs).

O objetivo é reunir representantes da academia, do governo e do setor privado que trabalhem em uma estratégia nacional para a formulação de políticas públicas de desenvolvimento das TICs, com base em eventos com o lançamento do PAC da Ciência e Tecnologia e o advento da TV digital.

Mais informações: (61) 3962-8700.

Fonte: Agência Fapesp

Estudo Setorial para Consolidação de uma Aqüicultura Sustentável no Brasil

O Ministro da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca da Presidência da República, Altemir Gregolin, e o Representante da FAO no Brasil, José Tubino, convidam para o Lançamento do Livro: “Estudo Setorial para Consolidação de uma Aqüicultura Sustentável no Brasil”, que realizar-se-á no dia 18 de dezembro de 2007, as 9h30, no Salão Leste do Palácio do Planalto, na Capital Federal do Brasil.

Fonte: GI Pesca e Aqüicultura

Efeitos desastrosos da ocupação humana sobre os anfíbios da Mata Atlântica

Habitat split and the global decline of amphibians

O padrão mais comum de ocupação humana nos vales de rios tem efeito desastroso sobre os anfíbios da Mata Atlântica, de acordo com estudo realizado por pesquisadores brasileiros e publicado na edição desta sexta-feira (14/12) da revista Science.

Segundo o trabalho, o desmatamento causado pelo homem interfere no ciclo reprodutivo dos animais ao separar os corpos d’água, onde eles vivem em fase larval, das florestas, onde vivem na idade adulta. Conforme aumenta a desconexão entre os dois hábitats, diminui a diversidade de espécies.

O ponto de partida do estudo foi a dissertação de mestrado defendida por Carlos Guilherme Becker no Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Autor principal do artigo, Becker teve bolsa de mestrado da FAPESP.

Utilizando dados do Programa Biota-FAPESP, a equipe testou a hipótese batizada por eles de “desconexão de hábitats” como um importante fator no desaparecimento progressivo dos anfíbios.

Segundo o orientador da dissertação, Paulo Inácio de Prado, professor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do projeto de Auxílio a Pesquisa “Biodiversidade e processos sociais em São Luiz do Paraitinga”, a desconexão de hábitats pode ajudar a explicar o declínio global de anfíbios.

“Desmatamento é sempre ruim, mas o estudo mostra que alguns tipos são particularmente perversos. Isso pode ajudar a direcionar nossas políticas de conservação para alvos específicos, priorizando a ligação de vales de rios com remanescentes florestais”, disse.

Prado explica que o tipo de ocupação que gera a desconexão de hábitat é justamente o mais tradicional na região. “Desde a época das sesmarias o uso humano da terra tem se concentrado nas baixadas próximas aos cursos d’água, relegando os fragmentos de floresta às porções mais elevadas e secas da paisagem”, disse.

Segundo o professor, com essa desconexão os anfíbios florestais são obrigados a cruzar áreas abertas entre riachos e fragmentos florestais, expondo-se a condições inóspitas.

“Eles não resistem ao sol forte e à desidratação. Além disso, na área aberta perdem as estratégias de defesa como a camuflagem e ficam muito expostos aos predadores. Atravessando trechos com denso uso humano, também ficam expostos a agrotóxicos”, disse.

De acordo com Prado, a maioria dos registros de declínios no número de anfíbios no Brasil é verificada na Mata Atlântica, especialmente em espécies endêmicas e com reprodução associada a riachos. No mundo, das 6 mil espécies de anfíbios, quase um terço está sob ameaça de extinção.

Paisagem degradada
A pesquisa de Becker, co-orientada por Carlos Fonseca, professor da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), foi realizada em São Luiz do Paraitinga, uma das regiões de Mata Atlântica mais fragmentadas e degradadas do Estado de São Paulo.

“A partir do trabalho dele amadurecemos a idéia de que os anfíbios estão sob risco adicional devido ao padrão de ocupação e resolvemos analisar outros dados sobre a Mata Atlântica”, disse Prado.

Para isso, o grupo procurou Célio Haddad, professor do Departamento de Zoologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e coordenador da área de Biologia da FAPESP. “Ele disponibilizou um inventário muito completo dos anfíbios em todo o bioma, que nos permitiu confirmar a relação entre grau de extinção e desconexão de hábitat”, explicou Prado.

Os dados, obtidos no Projeto Temático Diversidade de Anfíbios Anuros do Estado de São Paulo, no âmbito do Biota-FAPESP, referiam-se a 12 regiões de Mata Atlântica em diferentes graus de desconexão de hábitat.

“Locais preservados como a região da Juréia mostraram grande riqueza de espécies. Áreas fragmentadas como São Luiz do Paraitinga apontaram o contrário, confirmando a hipótese”, disse Prado.

Becker conta que, quando chegou à região para o trabalho de campo, em 2006, encontrou uma paisagem tão degradada que pensou ser impossível trabalhar com anfíbios no local.

“Demorei para encontrar fragmentos próximos a corpos d’água e acabei encontrando apenas três deles na paisagem. Logo imaginei que os animais deviam sofrer com a desconexão entre floresta e riachos”, disse o biólogo.

Ele instalou nas áreas escolhidas armadilhas apropriadas para medir a migração dos anfíbios que saíam ou entravam nos fragmentos sem riachos. “O primeiro capítulo do trabalho quantificou a migração entre os fragmentos florestais isolados de corpos d’água. O segundo avaliou o impacto disso no conjunto da comunidade de anfíbios”, contou.

A conclusão, segundo Becker, foi que o tamanho das populações diminui drasticamente quando o fragmento florestal é isolado da água por uma área de ocupação humana. “Quando nascem no território sem mata, os filhotes ficam desorientados e não sabem para onde ir.”

O terceiro capítulo da dissertação foi dedicado a uma análise maior na Mata Atlântica, originando o artigo da Science. “Nessa fase tivemos a participação do professor Célio Haddad e do biólogo Rômulo Batista, que é especialista em geoprocessamento aplicado à gestão ambiental”, disse Becker.

A diminuição da diversidade de anfíbios, de acordo com Becker, desequilibra todo o sistema ecológico. “Eles são um elemento chave na cadeia alimentar. São predadores importantes de insetos e alimento de serpentes, aves e mamíferos”, destacou.

O artigo Habitat split and the global decline of amphibians, de Carlos Guilherme Becker e outros, pode ser lido por assinantes da Science em http://www.sciencemag.org/ .

Fonte: Fábio de Castro / Agência Fapesp