quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Curso de Aperfeiçoamento para Professores de Matemática do Ensino Médio


Este programa visa oferecer treinamento gratuito para professores de Matemática do Ensino Médio e graduandos de licenciatura em matemática. As atividades ocorrem durante os
recessos escolares.

O grupo a ser treinado terá professores no Estado do Rio de Janeiro, em 25 Universidades Federais e noCEFET Urutaí.

Cada módulo consta de treinamento em tempo integral (das 9 às 17 horas), durante uma semana. As atividades de cada dia consistem em aulas expositivas pela parte da manhã e
trabalhos em grupo à tarde. Cada um dos módulos do programa será realizado simultaneamente no IMPA e nas instituições parceiras de todo o país. As aulas expositivas serão transmitidas ao vivo, via Internet, do IMPA.

Inscrições até dia 20 de janeiro, apenas pela Internet

Mais informações pleo http://www.cefeturutai.edu.br/ , ou pelo e-mail .

Fonte: Prof. Júlio Cesar / CEFET URUTAÍ

Sai o resultado da 3º OBMEP - Olimpíada Brasileira de Matemática

Foi divulgado ontem (12) o resultado da terceira edição da Olimpíada Brasileira de Matemática (Obmep). Iniciativa que este ano atingiu 98% dos municípios do País, com a participação de mais de 17 milhões de estudantes e 38 mil escolas municipais, estaduais e federais.

Na cerimônia, o ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, destacou o número de inscritos e a motivação que a Olimpíada desperta nos alunos e professores.

"Fico feliz com o resultado e acredito que o sonho de Anísio Teixeira em ver um Maracanã cheio de estudantes foi realizado. Podemos dizer que o número de inscritos corresponde a 200 estádios cheios. Precisamos melhorar muito no ensino, mas acredito que a Olimpíada motiva e transforma o ambiente da escola pública", ressaltou.

Rezende acredita que a Obmep deve ser um exemplo e que a mobilização que acontece na matemática deve seguir para outras áreas da ciência. Ele disse que os ministérios da Ciência e Tecnologia (MCT) e da Educação (MEC) estão empenhados no crescimento dessas iniciativas e de ações que introduzam as escolas nesta mobilização.

"Esta evolução no ensino é fundamental para o futuro do País, uma vez que a ciência é a base do desenvolvimento", enfatizou.

Para Joe Valle, secretário para a Inclusão Social do MCT, o evento tem um grande poder multiplicador e está promovendo integração.

"A iniciativa tem um grande efeito de estímulo entre os estudantes, professores e toda a escola. A premiação e as bolsas concedidas aos vencedores também são um diferencial, o que amplia ainda mais o poder multiplicador da iniciativa", afirma.

Grande vencedor no nível 3, o paranaense Lucio Eiji Assaoka, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), disse que os professores são fundamentais neste processo.

Ele acredita que os mestres podem mostrar a matéria de uma maneira mais lúdica e demonstrar o lado bonito do aprendizado. Lucio disse que a Olimpíada contribui neste processo e mostrou-se feliz com o resultado.

Premiação
Com o crescimento do programa e dos inscritos, o MCT decidiu ampliar o número de bolsas. Em 2007 serão concedidas 3.000 bolsas de Iniciação Científica Jr, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), 3.000 medalhas nas categorias ouro (300), prata (600) e bronze (2.100), bem como certificados de Menção Honrosa para até 30 mil alunos.

Além disso, 127 professores serão premiados com curso de aperfeiçoamento no Instituto de Matemática Pura e Aplicada. Esse curso, sob a responsabilidade do Impa e da SBM, consistirá de oficinas, minicursos e palestras. A premiação dos professores está vinculada à premiação dos alunos. Ou seja, o professor de Matemática de cada aluno premiado receberá pontos de acordo com critérios estabelecidos.

Todos os alunos premiados com medalhas (3.000) receberão bolsas de Iniciação Científica Jr, do CNPq.

Serão concedidos 1 (um) notebook com kit de projeção móvel (datashow) e livros para a composição de uma biblioteca básica em Matemática, doados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, a 27 (vinte e sete) escolas municipais ou estaduais (uma para cada Unidade da Federação) que alcançarem o maior número de pontos em suas respectivas UFs.

Fonte: Agência CT

Avaliação e Monitoramento da Fauna de Tucuruí

Pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG/MCT), da Universidade Federal do Pará (UFPA) e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT) vêm desenvolvendo, desde 2004, estudos sobre a fauna de vertebrados na área de influência do Lago de Tucuruí, no sudeste do Pará.

Os resultados dessas pesquisas, relevantes para o conhecimento e conservação da biodiversidade e ecologia da região, serão apresentados hoje e sexta-feira (14), no município de Tucuruí (PA), por meio do seminário "Avaliação e Monitoramento da Fauna de Tucuruí".

Outra meta do evento é discutir propostas de estudos futuros e de conservação da fauna local. O seminário contará com a participação de pesquisadores e técnicos envolvidos na pesquisa, além de representantes da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), do Ibama, das Secretarias Municipais de Meio Ambiente, dos Conselhos de Gestão da Área de Proteção Ambiental do Lago de Tucuruí e das Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) e das instituições de ensino superior e técnico da região.

Projeto
Resultado de um convênio firmado entre o Museu Goeldi e a Eletronorte, responsável pelo gerenciamento da Usina Hidrelétrica de Tucuruí, a pesquisa integra o projeto "Avaliação e Monitoramento das Comunidades de Vertebrados na Área de Influência do Reservatório da UHE Tucuruí", que é composto por sete grupos de estudo: mamíferos terrestres; mamíferos aquáticos; mamíferos carnívoros e zoonoses; aves; anfíbios e répteis terrestres; répteis aquáticos; e estudos sobre caça.

Durante três anos, o projeto investigou e avaliou o atual estado de conservação de anfíbios, répteis, aves e mamíferos, levando em consideração as modificações resultantes da formação do Lago de Tucuruí, que inundou uma área de 2.800 km² de extensão formada por igapós, várzeas, campinas, capoeiras e florestas altas de terra firme.

A ação também faz parte do Programa de Monitoramento, Conservação e Manejo da Fauna, previsto na Fase II do Complexo Hidroenergético de Tucuruí.

"O projeto possibilitou o desenvolvimento de pesquisas relevantes sobre a diversidade, ecologia e conservação da fauna de vertebrados presentes no sistema formado pelo Lago de Tucuruí, incluindo o lago, suas margens e as ilhas originadas das áreas mais altas do terreno alagado pelo reservatório", explica o coordenador científico do projeto, Ulisses Galatti, do Museu Goeldi.

Segundo Galatti, a fauna terrestre foi mais intensivamente pesquisada nas duas Zonas de Proteção de Vida Silvestre (ZPVS), localizadas nas bases de soltura 3 e 4, a fim de se avaliar o efeito da fragmentação florestal e a importância destas áreas de proteção para a conservação da fauna.

Já as espécies aquáticas e semi-aquáticas, composta principalmente por jacarés, quelônios, botos e aves, foram estudadas ao longo de várias regiões do Lago.

Também foram realizadas pesquisas entre comunitários, com vistas à caracterização das atividades de caça nas RDS Pucuruí-Ararão e Alcobaça, onde a proteína animal proveniente do extrativismo é importante para várias comunidades.

Tucuruí
Inaugurada em 1984, a Usina Hidrelétrica de Tucuruí está localizada a 400 km de Belém, no município de Tucuruí, no sudeste do Pará. A construção da usina, um das maiores do mundo, resultou na formação do Lago de Tucuruí, alimentado pelas águas do rio Tocantis.

Com o objetivo de promover estudos técnico-científicos para a conservação do meio ambiente e projetos de uso sustentável dos recursos naturais, visando à melhoria da qualidade de vida da população local, foi criada, em 2002, a Área de Proteção Ambiental (APA) do Lago de Tucuruí.

Com uma área de 568.667 hectares, a APA engloba o reservatório da Hidrelétrica de Tucuruí e parte das áreas territoriais dos municípios de Breu Branco, Goianésia do Pará, Itupiranga, Jacundá, Nova Ipixuna, Novo Repartimento e Tucuruí. Também foram criadas as Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Alcobaça e Pucuruí-Ararão.

Na APA encontram-se duas Zonas de Preservação de Vida Silvestre, antigas Áreas de Soltura 3 e 4, onde a proteção dos ecossistemas é integral. Todas essas áreas protegidas compõem o Mosaico de Unidades de Conservação do Lago de Tucuruí.

Serviço
Seminário "Avaliação e Monitoramento da Fauna de Tucuruí"
Data: 13 e 14 de dezembro de 2007
Local: Tucuruí (PA)

Fonte: Agência CT

Estudo sobre violência ganha prêmio Instituto Unibanco

Um projeto de pesquisa que aprofundou a compreensão sobre a violência em uma escola pública na cidade de São Paulo, além de fornecer ferramentas pedagógicas para a gestão da diversidade que a caracteriza, ganhou o Prêmio do Instituto Unibanco 2007 na categoria “Formação de Professores”.

O trabalho A gestão da violência e da diversidade na escola foi coordenado por Helena Coharik Chamlian, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a equipe de Jean Biarnés, professor da Universidade de Paris XIII, na França. A pesquisa teve apoio da FAPESP por meio do Programa de Melhoria do Ensino Público.

O projeto tem origem em um acordo de cooperação universitária entre Brasil e França promovido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e pelo Comitê Francês de Avaliação da Cooperação Universitária com o Brasil (Cofecub).

Durante os anos de 2002 e 2003, os pesquisadores brasileiros investigaram cerca de 3 mil alunos, todos do ensino médio, em busca de pontos de vista sobre a violência escolar e de que forma esse tipo de problema interfere no clima da escola, no que se refere às questões de convivência e aprendizagem. Cerca de cem professores também participaram da pesquisa.

“O trabalho identificou que a principal causa da violência escolar é a não aceitação da diversidade cultural, social e econômica entre os próprios alunos e na relação da escola com os alunos. Mas, para a maioria dos estudantes, o que mais incomodava eram os problemas escolares, ou seja, a dificuldade de aprender”, disse Helena à Agência FAPESP.

“Isso confirmou a nossa hipótese inicial de que a melhor gestão dessa diversidade, no contexto das relações de ensino e aprendizagem, pode prevenir e diminuir os problemas de violência nas escolas brasileiras”, afirmou.

A partir desses resultados, os pesquisadores fizeram uma intervenção pedagógica para a formação de um grupo de professores da escola. Nesse momento, o objetivo foi oferecer subsídios para a realização de ações que propiciassem a prevenção da violência no espaço pedagógico, mediante a gestão da diversidade que o caracteriza.

“Iniciamos um processo de discussão sobre a qualidade do ensino e implementamos o que chamamos de espaços de criação, que são lugares dentro da escola nos quais foi possível mobilizar relações diferenciadas com o saber. Ao longo de dois anos, cerca de 30 professores conceberam e implantaram esses espaços de criação que mobilizaram novas práticas para a atividade de ensino”, disse Helena.

O Prêmio Instituto Unibanco tem o objetivo de identificar e disseminar o conhecimento produzido por pesquisas acadêmicas sobre o ensino médio, possibilitando sua aplicação para a melhoria da qualidade da educação pública no Brasil.

A outra categoria do prêmio, “Gestão Escolar e Sistema de Ensino”, teve como ganhador o projeto de Ismael Bravo, pesquisador do Laboratório de Gestão Educacional (Lage) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Para ler mais sobre esse outro trabalho, clique aqui.

Fonte: Thiago Romero / Agência Fapesp

Imagens do CBERS-2B estão disponíveis na internet


Imagens feitas pelo Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS-2B), lançado em 19 de setembro, já estão na internet. As imagens produzidas por meio das câmeras WFI e CCD estão disponíveis no Catálogo de Imagens de Satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

De acordo com a política de distribuição de imagens dos governos brasileiro e chinês, o acesso e o download dos arquivos são gratuitos. Segundo o Inpe, após a solicitação, a imagem é enviada por e-mail ao usuário em até 10 minutos.

O CBERS-2B carrega em sua carga útil três câmeras imageadoras: a CCD e a WFI, também integrantes do CBERS-2 (lançado em 2003), e a HRC – Câmera Pancromática de Alta Resolução, que substitui o scanner IRMSS, presente no satélite lançado anteriormente.

A WFI produz imagens de uma faixa de 890 quilômetros de largura, permitindo a obtenção de imagens com resolução espacial de 260 metros. No período aproximado de cinco dias obtém-se uma cobertura completa do globo.

A câmera CCD fornece imagens de uma faixa de 113 quilômetros de largura, com uma resolução de 20 metros. São necessários 26 dias para uma cobertura completa da Terra.

A câmera HRC fornecerá imagens com 2,7 metros de resolução espacial, em uma faixa de 27 quilômetros de largura. Adicionalmente, foram incorporadas outras melhorias relacionadas ao controle de posicionamento do satélite e também ao sistema de gravação a bordo.

Mais informações: http://www.inpe.br/

Fonte: Agência Fapesp

NanoAventura na Unicamp

O Museu Exploratório de Ciências da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) apresentará, no dia 14 de dezembro, sessão especial da NanoAventura, circo multimídia que apresenta conceitos sobre nanociência e nanotecnologia de maneira lúdica e educativa, por meio de recursos como vídeos e jogos eletrônicos.

Na ocasião, a Unicamp oficializará parceria entre o museu e a Pfizer Brasil, com o objetivo de oferecer sessões gratuitas da NanoAventura para instituições públicas e sem fins lucrativos da região metropolitana de Campinas.

A celebração contará com a presença do reitor da universidade, José Tadeu Jorge, e do diretor da Pfizer Brasil, João Fittipaldi, além de dirigentes do museu e de outros representantes da universidade.

Mais informações pelo e-mail ou (19) 3521-4940

Fonte: Agência Fapesp

5ª Conferência Internacional sobre Beneficiamento de Fosfato

A 5ª edição da Conferência Internacional sobre Beneficiamento de Fosfato será realizada de 11 a 16 de fevereiro, no Rio de Janeiro. Fosfato é recurso natural não renovável e matéria-prima básica dos fertilizantes agrícolas.

Entre os tópicos que serão discutidos na conferência estão “Novos reagentes e técnicas de processamento”, “Separação física”, “Processos de análise e controle”, “Redução e utilização do lixo” e “Hidrometalurgia no processamento de fosfato”.

A promoção é da norte-americana Engineering Conferences Foundation. A conferência é organizada, no Brasil, pelo professor Laurindo de Salles Leal Filho, do Departamento de Engenharia de Minas e de Petróleo da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).

Mais informações: www.engconfintl.org/8au.html

Fonte: Agência Fapesp

Cadernos do CEAS faz chamada para artigos

O Centro de Estudos e Ação Social (CEAS) é uma entidade jurídica sem fins lucrativos fundada em 1967, que busca contribuir para a superação da miséria e da exclusão. Atuando em regiões do Nordeste marcadas por situações históricas de pobreza e de dominação, o CEAS tem como eixo unificador de sua prática o fortalecimento da autonomia e do protagonismo dos públicos que acompanha.

Nosso objetivo principal é desenvolver o que chamamos de trabalho de base: um trabalho político-educativo com setores populares, buscando alcançar o público mais desassistido, os extratos de renda mais baixa. Procuramos favorecer e incentivar a tomada de iniciativas próprias e autônomas por arte dos grupos populares com os quais trabalhamos, contribuindo para contradizer a nossa história de exclusão social e autoritarismo, onde as elites querem sempre decidir pelo povo.

Os Cadernos do CEAS
Com uma diversidade de opiniões e de propostas de trabalho, incluindo assessoramento direto a grupos urbanos e rurais, a publicação de uma revista, os Cadernos do CEAS, revista trimestral lida por grupos populares, estudantes de diferentes níveis, intelectuais e assessorias dos movimentos sociais de várias partes do Brasil. Através da reflexão interdisciplinar, os Cadernos do CEAS visam apresentar, analisar e comentar a realidade brasileira e aprofundar aspectos importantes, denunciando formas de opressão e desigualdades sociais e apontando a iniciativa das classes populares como caminho para a superação da miséria e da exploração, na direção de uma sociedade mais justa e humana, de real participação democrática.

A edição n.° 228
Em sua edição n.° 228, os Cadernos do CEAS pretendem, a partir da experiência brasileira, refletir sobre as possíveis conseqüências sócio-ambientais do desenvolvimento econômico baseado em matriz energética fundada nos agro-combustíveis como substitutos do combustíveis fósseis. Essa edição abordará, ainda, os seguintes subtemas:
a) Impactos agrários e agrícolas dos agro-combustíveis (soberania
alimentar, estrutura de propriedade da terra, reforma agrária,
agricultura camponesa);
b) Aquecimento global (combustíveis fósseis, pressão dos
agro-combustíveis e desmatamento da Amazônia, Cerrado e Caatinga);
c) Hidroelétricas na Amazônia;
d) Energias poluentes versus energia limpa.

A abordagem das várias questões enfatizará o papel dos Movimentos
Sociais na resistência ao desenvolvimento social e ambientalmente destrutivo, bem como, o papel de sujeitos ativos, exercidos por eles, na concepção e ensaio de projetos alternativos de organização social e econômica, que contemplem a preservação dos bens naturais para a presente e futuras gerações.

Normas para publicação
Os Cadernos do CEAS estão abertos à publicação de artigos inéditos, elaborados numa perspectiva crítica e que não se limitem a mera revisão bibliográfica, explicitando, portanto, a posição do(a) respectivo(a) Autor(a). Os artigos serão submetidos à apreciação da Equipe Editorial da Revista, que analisa, discute e decide, majoritariamente, sobre a sua publicação. A Equipe Editorial, quando necessário, poderá sugerir ao(à) Autor(a) alterações formais em seu texto, a fim de adequá-lo às exigências da Revista. Os artigos enviados para publicação devem conter entre 10 e 25 páginas, espaço 1,5 e 70 toques, acompanhado de síntese de, no máximo, 8 linhas. As resenhas de livros não devem ultrapassar 4 páginas. As notas de rodapé devem ser limitadas ao mínimo necessário. Pede-se enviar uma breve apresentação do(a) Autor(a) e seu endereço para correspondência. No caso de envio de artigos em disquetes, sugere-se que estes estejam acompanhados de cópia em papel; os originais não serão devolvidos ao(à) Autor(a), que terá direito a cinco (5) exemplares do Caderno em que foi publicado seu artigo.

Os artigos deverão ser enviados até o dia *20 de dezembro de 2007.

Para maiores informações através do e-mail pelos telefones: +55 71 3247.1232 - Fax: +55 71 3332.0608

Fonte: ANEPS

Pesquisadores do INPA descrevem 3º caso comprovado no mundo de Melitocoria

Melitocoria de Zygia racemosa (Ducke) Barneby & Grimes por Melipona seminigra merrillae Cockerell, 1919 y Melipona compressipes manaosensis Schwarz, 1932 (Hymenoptera, Meliponina) en la Amazonía Central, Brasil

Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) conseguiram descrever como abelhas sem ferrão do gênero Melipona contribuem para a dispersão de sementes de angelim-rajado (Zygia racemosa), espécie presente na vida do ribeirinho e de alto valor comercial. Esse é o terceiro caso no mundo, comprovado cientificamente, de melitocoria, a dispersão de sementes de plantas por abelhas.

A dispersão do angelim-rajado no caso estudado foi realizada por abelhas sem ferrão. O fato surpreendeu os pesquisadores pelo grande tamanho da semente carregada com resina pelas operárias. As abelhas sem ferrão são responsáveis por 30% a 90% da polinização de plantas em diferentes biomas brasileiros.

A participação é acentuada na região amazônica. “O Amazonas concentra a maior variedade de abelhas sem ferrão do mundo. Com a maior extensão territorial e mata preservada, a principal diversidade está aqui, bem perto de nós”, disse o biólogo Alexandre Coletto da Silva, do Inpa.

Das cerca de 400 espécies de abelhas sem ferrão descritas na literatura científica, pelo menos 300 estão na Amazônia. “A importância da descoberta da participação das abelhas na dispersão do angelim-rajado aumenta quando se considera o valor do uso dessa espécie madeireira pelos povos tradicionais da floresta”, afirmou Coletto da Silva.

O angelim-rajado é muito usado na construção de paredes de casas ou no entalhe de móveis, como mesas e cadeiras. A descoberta foi descrita na revista Acta Amazonica.

Durante um ano, o grupo da bióloga Christinny Giselly Bacelar Lima, doutoranda em botânica pelo Inpa, acompanhou o comportamento das abelhas entre o meliponário (onde se criam abelhas sem ferrão) do Inpa e a floresta natural do campus da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Quando voltavam da floresta, algumas traziam sementes para as colméias.

Segundo Coletto da Silva, os pesquisadores se questionaram sobre a possibilidade de dispersão pelas abelhas. “Se eram abelhas mesmo que estavam levando as sementes para lá, precisávamos provar esse comportamento”, disse.

Uma câmera foi instalada na frente da colméia para registrar o momento em que as abelhas voltavam para “casa” com as sementes presas nas pernas. De modo a descobrir a semente de qual espécie de planta estava sendo transportada, os pesquisadores entraram na mata da Ufam, para onde sabiam que as abelhas voavam uma vez que haviam observado a direção e sentido que as operárias se deslocavam após sair das colméias.

“No primeiro dia de campo, após várias horas de caminhada pela mata, confirmamos a existência de inúmeras mudas como as que trazíamos conosco, obtidas a partir das sementes trazidas pelas abelhas e postas para germinar. E, mais à frente, ao olharmos para cima deparamos com um grande angelim-rajado”, disse Coletto da Silva.

Posteriormente, ele e outro membro do grupo subiram no angelim por rapel para fotografar a coleta. “No alto, fotografamos abelhas coletando sementes. Era o terceiro caso registrado no mundo”, afirmou.

O primeiro caso de melitocoria foi registrado na Austrália. Uma abelha do grupo das trigonas (Trigona carbonaria), espécie sem ferrão menor, carregava a semente de um tipo de eucalipto. O segundo caso foi no Amazonas, também com abelhas Melipona, que espalharam sementes da espécie vegetal Coussapoa asperifolia.

O artigo Melitocoria de Zygia racemosa (Ducke) Barneby & Grimes por Melipona seminigra merrillae Cockerell, 1919 y Melipona compressipes manaosensis Schwarz, 1932 (Hymenoptera, Meliponina) en la Amazonía Central, Brasil, de Christinny Giselly Bacelar-Lima e outros, publicado na Acta Amazoniza (vol. 3, 3ª edição), pode ser lido em http://acta.inpa.gov.br/

Fonte: Michelle Portela / Agência Fapesp

A responsabilidade social dos cientistas - Ética e Ciência

Ao gerar avanços tecnológicos, o desenvolvimento científico tem contribuído para o bem-estar da humanidade ao longo da história. Mas, ao mesmo tempo, possibilitou desastres humanitários e ambientais de proporções incalculáveis. Até que ponto o cientista é responsável pelas consqüências positivas ou negativas de seu conhecimento?

Esse foi o mote do seminário “A responsabilidade social dos cientistas”, realizado na segunda-feira (10/12) pela Cátedra Unesco de Educação para a Paz, Direitos Humanos, Democracia e Tolerância, na sede do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo (USP).

“O conhecimento não é neutro. Ele é construído no interior de um universo ético e cultural que precisa ser debatido de um ponto de vista crítico. Por isso resolvemos lançar essa discussão”, disse o sociólogo Sérgio Adorno, coordenador da Cátedra.

Segundo Adorno, o seminário, que contou com a participação exclusiva de pesquisadores da área de física, é o primeiro de uma série que debaterá tópicos como a aplicação da ciência para fins militares, o impacto do avanço tecnocientífico no meio ambiente, a distribuição dos benefícios resultantes do progresso da ciência e a difusão científica como problema da educação para a paz.

“Hoje, a discussão sobre a responsabilidade social do cientista gira em torno de questões bioéticas em áreas como organismos transgênicos, bioterrorismo e uso de células-tronco embrionárias para fins terapêuticos. Mas optamos por começar os debates com os físicos, que, com o desenvolvimento das armas nucleares em meados do século 20, acumulam longa experiência com os dilemas do conhecimento”, explicou.

Para o professor do Instituto de Eletrotécnica e Engenharia da USP José Goldemberg, tais dilemas são praticamente insolúveis, uma vez que o cientista não tem controle das repercussões sociais de seu trabalho. O físico conta ter sentido isso na pele quando trabalhou em Stanford, nos Estados Unidos, em 1962, em plena Guerra Fria.

“Trabalhava com aceleradores lineares, usando radiação eletromagnética para investigar o núcleo dos átomos. Tinha o foco no meu trabalho, mas também tinha consciência de que ele poderia ser usado mais tarde para a fabricação de uma bomba portátil, o que felizmente acabou não acontecendo”, disse.

Para Goldemberg, no entanto, cabe à sociedade, e não ao cientista, regular o uso do conhecimento. “A sociedade é que tem que resolver. Seria muita pretensão do cientista querer ter domínio sobre todos os desdobramentos da ciência.”

Por outro lado, segundo Goldemberg, muitas vezes o cientista, absorvido pelo conteúdo de seu trabalho, perde de vista eventuais conseqüências. E quando as percebe, pode ser tarde demais, como ocorreu em uma das páginas mais sombrias da história: o lançamento de bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki, no Japão, em 1945.

De acordo com Goldemberg, o mentor da bomba atômica, Robert Oppenheimer, chegou a procurar o presidente norte-americano Harry Truman para solicitar que a bomba atômica fosse usada apenas em demonstrações sobre o Pacífico, mas não sobre populações.

“Consta que, assim que Oppenheimer virou as costas, Truman ordenou: ‘nunca mais me tragam esse tolo aqui’. Hoje vemos que Oppenheimer foi incrivelmente ingênuo. Mas é o que faria qualquer cientista que eu conheço”, disse.

Discussão política
A física Amélia Hamburger, professora do Instituto de Física da USP, também citou um caso histórico: em 1944 o físico Niels Bohr conseguiu uma entrevista com Winston Churchill e sugeriu que, para impedir uma corrida armamentista no pós-guerra, as pesquisas sobre energia atômica fossem internacionalizadas. Os estudos seriam feitos em consórcio com a União Soviética.

“O único resultado da petição foi que Churchill ordenou imediatamente que Bohr fosse vigiado de perto pelo serviço secreto”, disse Amélia. “Mas, como Bohr, vários cientistas se manifestaram espontaneamente contra o uso bélico dos avanços científicos.”

Segundo Amélia, o engajamento do cientista não é suficiente. Os produtos da ciência podem tomar rumos indesejado ao sabor dos interesses políticos. “Minha proposta é que essas questões devem ser discutidas profundamente no interior dos partidos políticos, já que são eles os representantes legítimos da sociedade”, disse.

Para a professora, a responsabilidade social do cientista não se distingue da responsabilidade social de qualquer cidadão. “O cientista é um cidadão que tem um conhecimento diferenciado sobre um assunto. Nada mais”, argumentou.

A física e conselheira da Cátedra Unesco Dina Lida Kinoshita ressaltou que a fragmentação da ciência limita as chances de o cientista prever as aplicações de seu trabalho. “A fragmentação é muito grave. Um pesquisador pode estudar os estados eletrônicos de uma molécula hipotética de urânio sem se dar conta de que esse conhecimento pode fazer parte do desenvolvimento de armamentos”, disse.

Para ela, mesmo com o fim da guerra fria, o cientista da área nuclear vive próximo dos dilemas éticos. “O problema é que os programas nucleares nunca vêm desacompanhados de projetos militares. E, mesmo hoje, diversos países continuam construindo artefatos bélicos desse tipo”, afirmou.

Fernando de Souza Barros, professor aposentado do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), concordou que a questão nuclear ainda gera dilemas éticos.

“Vivemos em uma sociedade de risco com base na economia. Vários países possuem bombas atômicas, que poderão ter um papel importante na luta pelas reservas do planeta, cada vez mais escassas”, afirmou.

Para Barros, no entanto, a responsabilidade social da ciência não é mais um assunto interno dos cientistas. “Atualmente, milhões de técnicos no mundo todo conhecem o método científico e o usam a serviço de estados e grandes corporações. O cientista formula as questões, mas o pesquisador pode estar em qualquer setor da sociedade. A responsabilidade está diluída na sociedade. Ela extravasou o âmbito da ciência no sentido estrito”, afirmou.

A ordem política da Guerra Fria, que permitiu montar um tratado de não-proliferação, está completamente falida, segundo Barros. Com isso, a pesquisa nuclear deverá fazer parte de uma nova ordem.

“Devíamos dar mais atenção à proposta do diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica,(IAEA) Mohamed ElBaradei, que defende que países como Brasil e Argentina façam pesquisa nuclear em consórcio”, destacou. (veja a apresentação do Prof. Barros)

Fonte: Fábio de Castro / Agência Fapesp

Vapor em vez de agrotóxico

O Brasil está anunciando a completa eliminação do brometo de metila da agricultura, que teve seu uso proibido no País a partir de janeiro deste ano. O uso do produto, considerado nocivo ao meio ambiente (por destruir a camada de ozônio) e aos trabalhadores rurais, foi substituído pela alta temperatura na esterilização da terra, principalmente no cultivo de flores e plantas ornamentais. A alta temperatura é comprovadamente eficiente em eliminar os organismos indesejáveis da terra a ser cultivada. Com isso, o Brasil antecipa em oito anos o compromisso com as metas do Protocolo de Montreal de acabar com a utilização da substância na agricultura até o ano 2015.

As caldeiras a vapor foram distribuídas às cooperativas de produtores de flores e plantas ornamentais no Brasil desde o final de 2006 e já beneficiou cerca de 200 deles. Ao todo foram doados 28 equipamentos a produtores de São Paulo e Pernambuco. A distribuição do equipamento faz parte do Programa Nacional de Eliminação do Brometo de Metila, do Ministério do Meio Ambiente, e é uma alternativa para a solução do problema usando tecnologia nacional. A distribuição das caldeiras a vapor faz parte da primeira fase do Programa. Cada equipamento doado, composto de uma caldeira e de um injetor de vapor, tem um custo médio de cerca de 50 mil dólares. Esse recurso é proveniente do Fundo Multilateral do Protocolo de Montreal, que destinou ao Brasil US$ 2 milhões para eliminar este agrotóxico do cultivo de flores e plantas ornamentais e implementado pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido). Além do equipamento, os produtores recebem assistência técnica e treinamentos realizados por agrônomos.

Na segunda fase do programa, cerca de mil coletores solares serão adquiridos pelo MMA para serem doados a associações de agricultores familiares também de regiões de São Paulo e Pernambuco. A tecnologia do equipamento foi desenvolvida pela pesquisadora da Embrapa, Raquel Ghini, e pode ser facilmente utilizada em propriedades rurais familiares. O Programa Nacional de Eliminação do Brometo de Metila termina em abril de 2008 e será responsável pela eliminação de aproximadamente 230 toneladas desta substância da atmosfera.

Segundo Ruy de Goes Barros, diretor do Departamento de Mudanças Climáticas, a utilização das altas temperaturas para esterilização do solo em lugar do brometo de metila é extremamente positiva do ponto de vista ambiental e social. A alternativa é economicamente viável, pois o custo da utilização dos dois equipamentos é compatível e os agricultores estão satisfeitos. Substituímos uma substância química que, além de destruir a camada de ozônio, é nociva à saúde dos trabalhadores, pelo tratamento do solo por elevação de temperatura, explicou o diretor.

Fonte: MMA

Resolução da Anvisa sobre importação e exportação de material de pesquisa está disponível para consulta pública

A resolução que dispõe sobre a vigilância sanitária na importação e exportação de material de qualquer natureza para pesquisa em saúde está disponível no site da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), na forma de consulta pública.

Após o período de consulta, de 30 dias a partir da data de publicação (7 de dezembro), acrescidas as contribuições pertinentes da comunidade científica e demais interessados, a resolução será publicada.

A Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) da agência dispõe sobre a importação e exportação realizada por pesquisador ou instituição científica e/ou tecnológica, sem fins lucrativos.

A minuta da RDC foi discutida em oficina promovida pela Anvisa na sede da FAPESP, no dia 26 de novembro.

Para a Consulta Pública nº 112, de 7 de dezembro de 2007, clique aqui.

Fonte: Agência Fapesp

Foro Agricultura Tropical, Vida e Energia – Brasil e África Lusofônica

O evento internacional “Foro Agricultura Tropical, Vida e Energia – Brasil e África Lusofônica”, que será realizado de 25 a 29 de fevereiro, em João Pessoa (PB), pretende discutir questões relacionadas à agricultura tropical, com ênfase em bioenergia e produção de alimentos.

Segundo os organizadores, o objetivo é contribuir com a melhoria da autonomia energética no Brasil e na África. Durante o encontro, representantes dos países devem assinar convênios, acordos e contratos científicos, técnicos e comercias.

A promoção é do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, por meio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), e da Agência Brasileira de Cooperação (ABC) do Ministério de Relações Exteriores.

Mais informações pelo e-mail ou telefone (83) 3315-4312

Fonte: Agência Fapesp

7º International Symposium on Vasoactive Peptides


O prazo para o envio de trabalhos a serem apresentados no 7º International Symposium on Vasoactive Peptides, que será realizado de 14 a 16 de fevereiro, em Ouro Preto (MG), termina no dia 30 de dezembro.

Serão abordados temas de alto impacto médico-científico, tais como estratégias emergentes para o tratamento de doenças cardiovasculares. Paralelamente ao evento ocorrerá o 2º Simpósio Mineiro de Hipertensão.

Com o apoio da Sociedade Brasileira de Hipertensão, da Sociedade Interamericana de Hipertensão e do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais, os eventos pretendem promover a interação entre médicos, pesquisadores, alunos de pós-graduação e especialistas estrangeiros.

Fonte: Agência Fapesp

Capacidade catalítica do RNA possibilita desenvolvimento de novas ferramentas para tecnologias genéticas

A vida seria impossível sem as enzimas, responsáveis pela catálise das reações químicas nas células. Uma enzima específica é necessária, por exemplo, para quebrar as moléculas de amido e transformá-las em glicose.

Até a década de 1980 era predominante entre os cientistas a noção de que todas as enzimas eram proteínas. Mas, em trabalhos independentes, o canadense Sidney Altman e o norte-americano Thomas Cech demonstraram que moléculas de RNA também eram capazes de atividade catalítica e podiam agir como enzimas. A descoberta rendeu à dupla o Prêmio Nobel de Química de 1989.

Os trabalhos de Altman e Cech abalaram um dogma fundamental da bioquímica segundo o qual a informação só fluiria em um sentido: do DNA para o RNA e daí para as proteínas. Desse modo, os ácidos nucléicos seriam apenas moléculas de hereditariedade, enquanto as propriedades de catálise seriam exclusivas das proteínas.

Altman, que é professor do Departamento de Biologia Molecular e Celular da Universidade Yale, e Cech, do Instituto Médico Howard Hughes, descobriram, mais precisamente, as propriedades catalíticas da ribonuclease P (RNase P), enzima que contém uma subunidade catalítica de RNA.

Ao superar o chamado “dogma central”, a descoberta também gerou elementos para solucionar um antigo paradoxo: se proteínas só podem ser produzidas a partir da informação genética do DNA, como seria possível o início da vida na Terra, uma vez que as moléculas de DNA só podem ser reproduzidas e decifradas com a ajuda de proteínas? “Provavelmente a vida começou com uma molécula de RNA”, aponta Altman.

A descoberta do RNA catalítico também foi acompanhada da expectativa de desenvolvimento de novas ferramentas para tecnologias genéticas, com potencial para criação de novas defesas contra infecções virais: a RNase P e outros fragmentos do RNA poderiam ser utilizados para desativar genes dentro das células.

Até agora nenhuma dessas tecnologias foi desenvolvida. Para o cientista canadense, no entanto, a demora faz parte do processo científico. Em visita ao Brasil para apresentar uma conferência a estudantes do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP), Altman concedeu à Agência FAPESP a entrevista a seguir.

O trabalho que identificou a capacidade catalítica do RNA surpreendeu a comunidade científica, rendeu ao senhor o Nobel e causou grandes expectativas. Desde então, quais foram os desdobramentos daquela descoberta?
Depois que fiz meu trabalho, assim como Cech fez o dele, muita gente começou a procurar por diferentes tipos de RNA dentro das células. Muitos outros tipos de RNA foram encontrados. Em pouco tempo outros pedaços de RNA catalítico também foram identificados. Nosso trabalho foi importante para mostrar que o RNA pode ter muitas e muitas propriedades diferentes em células importantes. Hoje conhecemos centenas de fragmentos de RNA, sendo que as funções da maioria ainda não são conhecidas. A pesquisa em andamento analisa justamente as descobertas feitas nos últimos 25 anos.

Na época da descoberta se imaginava que ela teria potencial para gerar vários tipos de tecnologias genéticas desenhadas para terapias e medicamentos. Algo já foi desenvolvido nesse sentido?
Milhões de dólares foram investidos por grandes companhias nesse tipo de pesquisa. Mas, até agora, nenhum desses investimentos se mostrou útil. Principalmente porque é difícil manipular os RNAs nas células ligadas a doenças em humanos. Apesar das dificuldades, esses estudos continuam, muita gente trabalha neles e ainda há esperança de sucesso.

Como seriam essas tecnologias?
Os estudos envolvem principalmente colocar nas células um pedaço de RNA que desativaria a expressão de outros RNAs importantes para a manifestação de doenças. Mas não se pode imaginar que isso será feito da noite para o dia. A ciência é um processo sempre em construção. No decorrer desse processo chegamos a alguns resultados, abrimos novas perspectivas e, conforme o conhecimento avança, aparecem novas dificuldades.

No caso desses estudos, quais foram as principais dificuldades?
Imagine que um paciente tenha uma doença no fígado associada à presença de um vírus como o da hepatite B. A doença afeta apenas algumas das células do fígado. A pergunta é: como injetar o RNA que queremos para atacar o RNA viral no fígado? Tentou-se, a princípio, simplesmente injetar o RNA no fígado de camundongos. Em alguns casos, os tumores que cresciam começavam a desaparecer lentamente, mas depois reapareciam. Então, nada garante que a estratégia possa funcionar. Talvez seja preciso pegar o RNA de algumas células hepáticas específicas e continuar a expressar o RNA no fígado.

Além das perspectivas de aplicação tecnológica a descoberta teve impacto no conhecimento sobre a base molecular da vida. O senhor poderia comentar esse aspecto?
A descoberta teve duas conseqüências importantes. Uma é puramente bioquímica: o que o RNA está fazendo dentro das células, porque está lá, como trabalha com as enzimas e quais são suas funções gerais. São questões de ciência básica. A outra questão tem a ver com a origem da vida na Terra. Verificamos que o RNA não era apenas uma molécula de hereditariedade, mas que também poderia servir como catalisador – isto é, funcionar como uma enzima, responsável pelas reações químicas que possibilitam a vida da célula.

Esse foi o aspecto que abalou as concepções arraigadas da biologia molecular?
Sim. O chamado dogma central, formulado por Francis Crick, definia que o fluxo de informação vai apenas em um sentido: do DNA para o RNA e daí para a proteína. O RNA seria um simples intermediário entre o DNA e as proteínas. Mas sem enzimas, que pelo dogma deveriam ser todas proteínas, a vida não seria possível. Presumimos que não havia proteínas na época da origem da vida. Quando verificamos que o RNA tinha funções catalíticas, ele podia substituir a proteína. Com isso, reforçamos a hipótese de que as primeiras formas de vida consistiam apenas em um RNA com algum tipo de membrana. Ele é uma longa seqüência de símbolos e tem a informação suficiente para gerar a vida – contanto que faça a catálise.

Quais são hoje suas principais preocupações científicas e sociais?
Cientificamente, preocupo-me com os desdobramentos da minha pesquisa sobre o RNA. E me sinto realizado com o trabalho que tenho feito como cientista. Quanto ao aspecto social, o que mais me preocupa é a liberdade de pensamento. Talvez não seja um problema no Brasil ou nos Estados Unidos, mas muitos países carecem disso. É preciso que se possa estudar qualquer coisa que se queira, em ciências, artes ou humanidades. As sociedades que apóiam o conhecimento são felizardas. Mas gostaria de fazer uma ressalva: as pessoas dão muita atenção ao que diz um vencedor de Prêmio Nobel. Perguntam-me muita coisa, mas eu não sei nada sobre a sociedade além do que todo mundo sabe.

Fonte: Fábio de Castro / Agência Fapesp

Rato raro é achado na Bahia

Espécie da mata atlântica tem só dois exemplares identificados até hoje. Roedor vive no Brasil sobre as árvores, pesquisadores querem agora que ele seja rotulado como animal "criticamente em perigo"

Mesmo preso em uma armadilha, e morto sem ser fotografado, o rato-sauiá coletado a 20km de Nova Viçosa, no sul da Bahia, entrou para a história da ciência. Ele está sendo considerado pelos pesquisadores um dos mamíferos mais raros de que se tem notícia no Brasil.

"Este animal havia sido descrito a partir de um único exemplar coletado no começo do século 19 e que hoje está empalhado em um museu na Alemanha", disse à Folha o biólogo Yuri Leite, responsável pela captura da versão século 21 do rato-sauiá (Phyllomys unicolor), o segundo exemplar da espécie visto até hoje no mundo.

A descrição desse novo indivíduo, que era jovem, está publicada na revista científica "Zootaxa". Ele tinha 28,5 cm de comprimento e pesava 73 gramas. "A armadilha estava em um tronco de árvore, perto de um córrego", explica o pesquisador da Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo).

A espécie, apesar de ser da mata atlântica, deve viver, provavelmente, em áreas já bem degradadas, o que talvez possa explicar sua raridade. "Isso mostra a importância biológica das áreas alagadas próximas à mata atlântica e nem tão exuberantes e chama a atenção para a falta de unidades de conservação naquela região do Brasil", explica Leite, da Ufes.

O esforço de captura do rato-sauiá, lembra o pesquisador, foi grande. Em sete expedições feitas pela região, a mesma onde o primeiro indivíduo havia sido coletado em 1824 e levado para a Alemanha, o raro mamífero, que tem o hábito de viver sobre as árvores, apareceu apenas em uma. E no alto, a 1,5 metro da superfície, onde estava a armadilha científica.

Com a redescoberta do rato, que na verdade já poderia ter sido dado como extinto porque há mais de 50 anos não era encontrado, os pesquisadores pedem uma nova classificação de risco para ele.

"Nós propomos que o rato-sauiá seja listado globalmente como "criticamente em perigo" pela União Mundial da Natureza", explica Leite. A instituição que o cientista menciona é a responsável por monitorar a perda de biodiversidade mundial com suas listas.

Olhar de mateiro
A descoberta científica, afirma Leite, contou com a contribuição dos mateiros locais, acostumados com a fauna da região. Alguns pesquisadores já haviam achado que tinham visto o P. unicolor nos alagados da região do sul da Bahia.

"O problema é que existe uma espécie muito parecida (os olhos do leigo não conseguem diferenciar uma da outra), a P. pattoni, que sempre acabava gerando confusão."

Segundo Leite, depois de anos de procura, quando ele estava observando um P. pattoni, um morador da região virou para ele e disse: "Mas aqui tem um outro rato também que é diferente desse."

A partir daquela suspeita, é que os esforços de coleta voltaram a ser intensificados.
(Eduardo Geraque / Folha de SP, 8/12)

Fonte: Jornal da Ciência