quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Pequisa desvenda o mercado imobiliário nas favelas brasileiras

Com apoio financeiro do Programa de Tecnologia de Habitação (Habitare), da Finep, uma rede de pesquisa formada por oito universidades traçou uma radiografia do mercado de compra, venda e aluguel de imóveis nas favelas brasileiras. O estudo foi realizado em áreas de pobreza nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Recife, Florianópolis, Salvador, Brasília e Belém. O projeto permitiu o levantamento de dados primários que revelam aspectos como condições das moradias, origem das famílias, renda familiar, inserção no mercado de trabalho, preços médios de compra e de venda, valor dos aluguéis, sistemática de comercialização e locação, fatores de atração e de repulsão na escolha da moradia, entre diversos outros aspectos.

“É um levantamento de grande importância para orientação de políticas habitacionais nas cidades brasileiras’, defende o coordenador do projeto Infosolo (Mercados Informais de Solo Urbano nas Cidades Brasileiras e Acesso dos Pobres ao Solo), o economista Pedro Abramo, pesquisador do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR), ligado à UFRJ.

O estudo foi realizado durante dois anos, com a colaboração de associações de moradores e líderes comunitários, fundamentais para entrada dos pesquisadores nas áreas de pobreza. Com camisetas e bonés do projeto Infosolo, o que garantia a identificação, entrevistadores da própria comunidade e estudantes de arquitetura, engenharia, geociências, história e serviço social buscaram os dados a partir de um questionário com mais de cem perguntas. Foram entrevistados todos os moradores que haviam comprado, alugado ou estavam vendendo seus imóveis no período de aplicação dos questionários e nos seis meses anteriores ao levantamento. “Não queríamos um estudo de caso, mas dados que realmente garantissem representatividade à pesquisa”, explica o coordenador. Segundo ele, o resultado é um banco de inform ações primárias sobre a produção e características da informalidade em assentamentos com abrangência até então inexistente no Brasil.

Resultados
Para os pesquisadores, alguns resultados são inesperados, como o grande crescimento dos aluguéis nas áreas de pobreza. Em Recife, 57,92% das transações nos assentamentos consolidados são de aluguel. Da mesma maneira, em Florianópolis (com índice de aluguéis de 42,20%) e Brasília (39,19%) o mercado de locação é bastante significante em relação ao mercado de comercialização e permite levantar a hipótese de uma tendência de crescimento da locação informal nos territórios populares das áreas metropolitanas destas cidades.

“No Rio de Janeiro predomina a comercialização, mas o aluguel subiu de 15 para 30% em relação a outra pesquisa realizada há alguns anos pelo IPPUR”, informa Abramo. Para ele, o dado chama atenção para a necessidade de que seja retomado o debate sobre a moradia de locação popular.

A pesquisa mostra que em algumas cidades há uma “feminização da pobreza”. Também revela que muitos moradores de favelas são provenientes de áreas de formalidade e que 60% dos vendedores já passaram pelo mercado informal – há portanto uma recorrência nas transações informais. Além disso, mesmo que tivesse recursos para obter um imóvel no mercado formal, uma grande parcela dos entrevistados optaria por áreas centrais irregulares. “Muitos moradores decidem comprar na favela e não em conjuntos habitacionais e os fatores que explicam essa escolha devem ser conhecidos, pois são determinantes importantes que devem ser levados em conta na implementação de políticas habitacionais públicas”, alerta Pedro Abramo.

Os levantamentos também revelam que os preços praticados no mercado informal são relativamente altos e comprometem boa parte da renda já reduzida das famílias. A pesquisa mostrou ainda que a grande maioria das famílias se concentra na faixa de renda de até dois salários mínimos - 80% recebem menos de três salários mínimos mensais.

O levantamento esclarece como os moradores chegaram aos imóveis nas áreas de favela – e a maioria respondeu que a indicação se deu por meio de parentes e amigos. A pesquisa recuperou também a origem e a trajetória do morador, documentando até cinco mudanças anteriores à moradia no domicílio ocupado no período da pesquisa. Os dados mostram como as relações sociais são fortes determinantes das escolhas.

Para os pesquisadores, no mercado informal há um conjunto de “externalidades” comunitárias que modelam o gradiente de preços. Estar próximo de parentes e de amigos, perto do trabalho e em áreas consideradas de segurança estão entre estes fatores de atração da população carente a uma determinada comunidade, e de valorização dos imóveis neste local. “Os pobres querem voltar ao centro e a única forma é o mercado informal”, alertam as equipes.

Desdobramentos
A partir da experiência do projeto Infosolo, a equipe obteve aprovação junto ao Lincoln Institute of Land Policy para realização de um projeto sobre o funcionamento do mercado informal de solo na América Latina. Esse é objetivo de um estudo que está sendo realizado na Argentina, Brasil, Colômbia, México, Peru e Venezuela, onde a informalidade urbana é importante como uma manifestação das desigualdades sociais. Com esse projeto foi montada a rede Infomercado, com seis universidades latino-americanas. Dados já foram coletados e estão permitindo análises comparativas sobre sobre o mercado informal de terras na América Latina. ‘Esse banco de dados e as informações sobre a mobilidade residencial dos pobres na América Latina é determinante para aportar novos conhecimentos sobre a realidade urbana latino-americana e ava nçar em direção a programas de política de democratização do acesso dos pobres ao solo urbano”, avalia o grupo de pesquisadores.


A pesquisa foi desenvolvida a partir de uma rede cooperativa de instituições:
- Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
- Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
- Universidade Federal do Pará (UFPA)
- Universidade Federal da Bahia (UFBA)
- Universidade de São Paulo (USP)
- Universidade de Brasília (UNB)
- Universidade de Pernambuco (UPE)
- Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

São também parceiros do projeto:
- Prefeitura Municipal de Porto Alegre
- Secretaria de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia
- ONG Coletivo Planta Sonhos (de Porto Alegre)
- ONG Instituto Cidade Saudável (de Brasília).

Mais informações escreva para o professor Pedro Abramo.

Fonte: Programa Habitare

R$ 15 milhões para micro e pequenas empresas, do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, incorporarem pesquisadores em seus quadros

As micro, pequenas e médias empresas das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do País vão receber R$ 15 milhões para incorporar pesquisadores em seus quadros.

Um termo de compromisso será assinado nesta quarta-feira (12), em Brasília, entre o Ministério da Ciência e Tecnologia, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e 14 Fundações de Apoio à Pesquisa destas regiões.

Esta ação tem o objetivo de estimular a absorção de profissionais qualificados em várias áreas do conhecimento por micro, pequenas e médias empresas, além de diminuir a desigualdade entre as regiões brasileiras, instrumentos fundamentais para o crescimento sustentado da economia.

Além da assinatura do termo entre o governo federal e estadual, o ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, anunciará, também, mais recursos financeiros para essas regiões e outras ações nacionais dentro do Plano de Ação de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Nacional (PAC C,T&I – 2007-2010).

Serviço
Assinatura de termo de compromisso entre MCT,CNPq e FAPs
Dia: 12 de dezembro de 2007
Horário: 14h
Local: SEPN 507 Ed. CNPq Bl. B 4º andar – Sala Almirante Álvaro Alberto

Fonte: Agência CT

Utensílios para alimentos e implicações nutricionais

FOOD UTENSILS AND NUTRITIONAL IMPLICATIONS

Pesquisadores da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), da Universidade de São Paulo (USP), acabam de escrever mais um capítulo na polêmica questão de se preparar alimentos em panelas de alumínio. O estudo indica o potencial de comprometer a saúde do consumidor.

Durante o preparo de uma amostra de arroz com feijão, a engenheira Elaine Cristina Bocalon, coordenadora do estudo, detectou quantidades excessivas de alumínio tanto na água quanto no alimento. A transferência do metal em água com sal (na concentração de 10 gramas de sal para 4 litros de água) foi de 20 miligramas de alumínio por litro após 3 horas de fervura. De acordo com a literatura internacional, o limite aceitável de consumo diário de alumínio é de no máximo 14 miligramas.

O estudo também identificou que a transferência de metais cresceu com a introdução de uma maior quantidade de sal na água. Ao elevar a salinidade de 10 para 50 gramas por 4 litros, os pesquisadores verificaram que a concentração de metais na água aumentou 25%. “O sal eleva a condutividade da água, fazendo com que a panela libere uma quantidade de alumínio ainda maior”, disse Elaine.

Segundo ela, o excesso de alumínio no organismo pode trazer vários danos à saúde. “O alumínio tem forte relação com doenças como o mal de Alzheimer, câncer de pulmão e eventos inflamatórios pelo organismo”, ressalta. Para evitar problemas desse tipo, Elaine faz duas recomendações: adicionar o sal apenas após o cozimento dos alimentos e ter o hábito de utilizar recipientes de teflon. “As panelas de teflon contêm camadas de óxidos em suas paredes que parecem impedir a passagem dos metais tóxicos”, diz.

O próximo passo da pesquisa será verificar se o teflon consegue barrar a passagem de metais tóxicos. Os experimentos serão realizados com água com partículas de alumínio para verificar os índices de transferência nas panelas. “Amostras de águas contaminadas serão aquecidas para verificarmos se o nível de metais tóxicos irá aumentar ou diminuir”, conta Elaine.

O alumínio é um dos elementos químicos mais abundantes na crosta terrestre e as panelas feitas com o metal são de longe as mais populares. A associação do excesso de alumínio a doenças foi destacado em muitos estudos, mas questões referentes aos níveis de toxicidade e ao perigo do uso ao ser humano ainda permanecem obscuras.

Em artigo publicado na Revista de Nutrição (vol.13, nº 13), Késia Diego Quintaes, do Departamento de Planejamento Alimentar e Nutrição, da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Estadual de Campinas, descreve diversas pesquisas sobre o uso do alumínio na indústria alimentícia e no preparo de alimentos.

“Praticamente todos os estudos sobre migração de alumínio dos utensílios para os alimentos deixam claro que estes fornecem uma importante contribuição na quantidade do metal consumida pelo homem, mas a ligação entre esta fonte e os efeitos biológicos possíveis ainda é confusa”, diz a pesquisadora. Mas Késia destaca ser “recomendável evitar estes utensílios no preparo, na cocção e no armazenamento dos alimentos”.

Para ler o artigo Utensílios para alimentos e implicações nutricionais, de Késia Diego Quintaes, na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.

Fonte: Thiago Romero / Agência FAPESP - 12/12/2005