sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

As causas externas no Brasil no ano 2000: comparando a mortalidade e a morbidade

Morbidity and mortality from external causes in Brazil, 2000

O número de homicídios no Brasil não pára de crescer. Pelo mais recente estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS), com dados referente ao ano de 2000, o país estava em uma triste terceira posição no ranking mundial de mortes por assassinato, atrás apenas da Colômbia e de El Salvador.

Os dados, divulgados por meio de uma pesquisa publicada nos Cadernos de Saúde Pública, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, da Fundação Oswaldo Cruz, mostram que 45.343 pessoas foram assassinadas no Brasil em 2000.

O estudo, que analisou os perfis de morte por diversas causas externas, revela ainda que os assassinatos estão muito à frente da segunda causa, os acidentes de trânsito, responsáveis por 29.640 mortes no ano analisado.

Se a situação já era ruim, ela piorou dois anos depois. “Em 2002, o ano mais recente com dados disponíveis, o total de vítimas de homicídios no país chegou a 49.640, dos quais 92,1% eram homens e 7,9% eram mulheres”, disse Vilma Gawryszewski.

A pesquisadora da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo é uma das autoras do artigo, que analisou apenas os dados do ano 2000. Os números de 2002, que atestam o aumento do problema, ainda estão sendo tratados para publicação.

As informações oficiais das declarações de óbitos do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, usadas no estudo mostram que, em 2000, a cada dia 124 pessoas perderam a vida assassinadas. Entre as mortes, 63,5% ocorreram em decorrência do uso de armas de fogo. Para cada morte feminina foram registradas oito masculinas.

O levantamento teve a participação de Maria Koizumi, da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP), e de Maria Helena Prado de Mello-Jorge, da Faculdade de Saúde Pública da mesma universidade.

Em relação ao Estado de São Paulo, Vilma acredita que a continuação do Sistema de Vigilância para Homicídios poderia ser uma forma viável para tentar minimizar o problema. O projeto é uma parceria entre a Secretaria de Estado da Saúde, a Secretaria de Segurança Pública, a Prefeitura do Município de São Paulo e a Faculdade de Saúde Pública da USP. A idéia é integrar as informações das declarações de óbito e os laudos de necropsia do Instituo Médico Legal (IML) com os boletins de ocorrência policial.

“Com o cruzamento desses dados é possível aumentar a compreensão do problema, na medida em que temos mais variáveis disponíveis para subsidiar políticas públicas que visem à criação de estratégias de prevenção”, afirma Vilma. “Informações sobre o uso de álcool entre as vítimas e o local de ocorrência dos homicídios, por exemplo, podem nos ajudar a criar experiências de intervenção mais eficientes.”

Para ler o artigo, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.

Fonte: Thiago Romero / Agência FAPESP - 07/12/2004

E.S. destina recursos para racionalizar uso de recursos hídricos

Na última terça-feira (4), foi firmado um protocolo de intenções no Estado do Espírito Santo com o objetivo de implantar um programa de apoio ao desenvolvimento de pesquisa, tecnologia e inovação para a gestão dos recursos hídricos na região.

O documento foi assinado entre a Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia (Sect), juntamente com a Fundação de Apoio à Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (Fapes), o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), a Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan), a Samarco e a Energest.

O secretário de Estado da Ciência e Tecnologia, Rogério Silveira de Queiroz, comentou a iniciativa. “O protocolo é o início de uma série de ações que serão realizadas pelos órgãos envolvidos para pesquisar e projetar o uso mais racional da água, seja como suprimento da vida humana ou para geração de energia”.

Nos próximos dez dias deverá ser formado um comitê gestor que ficará responsável por constituir uma rede de instituições científicas e tecnológicas voltadas para pesquisas e estudos de recursos hídricos no Estado.

Fonte: Gestão CT

R$ 5 bilhões para Pesquisa e Desenvolvimento em Saúde

O Programa Mais Saúde lançado ontem (5) pelo governo federal destinará R$ 5 bilhões para a área de pesquisa e desenvolvimento em saúde no Brasil. Desses recursos, R$ 1,2 bilhão são do Plano Plurianual (PPA-2008/2011), R$ 3 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e R$ 900 milhões da regulamentação da Emenda 29/CPMF.

A expectativa do governo é investir mais de R$ 88 bilhões em todo o programa. Em entrevista ao Gestão C&T online, do dia 29 de novembro, a diretora do Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde (Decit), Suzanne Serruya, disse que os investimentos previstos para a P&D em saúde são a novidade do programa. “É uma grande novidade porque é a primeira vez que o ministério é tão audaz numa ação intersetorial, mas voltada para as suas necessidades”, ressaltou, na ocasião.

Ainda de acordo com o programa a base do modelo de desenvolvimento em saúde deverá ser firmada em quatro pilares. São eles: crescimento, inovação, eqüidade e inclusão social. Para a área de inovação, o programa se propõe a reduzir o déficit comercial da saúde e aumentar a uma taxa de 7% ao ano a produção local de produtos como farmoquímicos, medicamentos, equipamentos e materiais médicos.

Outra proposta é fomentar, com financiamentos superiores a R$ 3 milhões, a capacidade produtiva e de inovação nas indústrias privadas nacionais de medicamentos. A idéia é trabalhar em parceria com o BNDES e a Finep.

Fiocruz
Segundo informações do ministério, uma das ações previstas é a consolidação da Rede Nacional de Ciência e Tecnologia em Saúde, com a expansão institucional da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), instituição associada à ABIPTI. A proposta é implantar seis novas unidades da instituição nos Estados do Rio Grande do Sul, Rondônia, Piauí, Ceará, Mato Grosso do Sul e Paraná.

A Fiocruz ainda terá um Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde. O local atenderá as demandas de instituições científicas e tecnológicas (ICTs) e de empresas a partir de uma plataforma de serviços tecnológicos em saúde.

As ações da fundação ainda serão ampliadas para a área de cooperação internacional. A idéia é criar um escritório junto à União Africana. Desta forma, o governo pretende apoiar países como Angola, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Moçambique e Cabo Verde na formação de profissionais que irão atuar com cursos descentralizados na área de enfermagem.

Compras
Uma demanda que há muito vinha sendo reivindicada pelo setor farmacêutico no Brasil também será atendida pelo Mais Saúde: a prioridade às empresas brasileiras nas compras governamentais. A idéia é permitir o uso estratégico de compra do Estado para produtos inovadores e essenciais brasileiros, além de alterar a política tarifária para garantir a competitividade da produção local.

O programa eliminará as vantagens para a aquisição de produtos importados em relação aos produzidos no país que atendam ao Sistema Nacional de Saúde e estimule a produção nacional.

Saúde e C&T
Uma das linhas do programa ainda prevê a estruturação de duas redes de pesquisas clínicas para atender às prioridades do Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa será desenvolvida em parceria com o MCT. Os ministérios vão trabalhar para criar dois centros nacionais de toxicologia. A idéia é atender a 100% da indústria da saúde e das ICTs.

Vacinas
Como parte da diretriz de inovação, o Mais Saúde terá como meta atender a 80% do Programa Nacional de Imunizações garantido o acesso a novas vacinas como as da hepatite B.

Até 2010, o governo pretende concluir a fábrica de hemoderivados, a Hemobrás, que será sediada na cidade de Goiana (PE). Com a nova fábrica, a expectativa é atingir o domínio da tecnologia de fracionamento industrial de plasma sanguíneo e aumentar o grau de auto-suficiência desse tipo de produto no país.

“É um programa voltado para a sociedade, sem pensar que o término do mandato será daqui a tantos anos”, disse Serruya.

Mais informações: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/pacsaude/index.php

Fonte: Gestão CT

R$ 20 milhões no edital RHAE - Pesquisador na Empresa

Estão abertas as inscrições para projetos que visam estimular a inserção de pesquisadores nas empresas. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT), com o lançamento do Edital RHAE - Pesquisador na Empresa, vai destinar R$ 20 milhões para investir em pesquisa dentro das micro, pequenas e médias empresas.

A agência vai receber projetos que proponham o desenvolvimento tecnológico de produtos ou processos para aumentar a competitividade das empresas por meio da inovação, do adensamento tecnológico e dinamização das cadeias produtivas.

Os recursos para financiamento das propostas são do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e dos fundos setoriais. Pelo menos 30% do valor total serão destinados a propostas desenvolvidas em empresas sediadas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Os projetos podem ter o valor máximo de R$ 300 mil e a contrapartida das instituições proponentes deverá corresponder a 20% do valor proposto no projeto.

Serão financiadas bolsas de fomento tecnológico, compreendendo a modalidade de Bolsa de Estímulo à Fixação de Recursos Humanos de Interesse dos Fundos Setoriais (SET), além de bolsas de Iniciação Tecnológica Industrial (ITI) e bolsas de Desenvolvimento Tecnológico e Industrial (DTI).

Com esta ação, o CNPq visa apoiar principalmente as atividades de pesquisa tecnológica e de inovação que estimulem a inserção de mestres e doutores nas empresas. Seguindo as definições da Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior do FNDCT e as áreas de interesse dos Fundos Setoriais envolvidos, os projetos deverão abordar os setores industriais com os temas de semicondutores, software, fármacos & medicamentos e bens de capital, além de áreas como biotecnologia, nanotecnologia, biomassa, energias alternativas, biocombustíveis, energia nuclear, e aeronáutica & aeroespacial.

Os interessados deverão ficar atentos ao calendário. O edital será composto por três rodadas. A primeira rodada receberá as propostas até às 18h do dia 15 de fevereiro de 2008, divulgando os resultados no dia 28 de março. A segunda rodada receberá projetos até às 18h do dia 02 de maio e publicará os resultados no dia 30 do mesmo mês. A última rodada de submissão das propostas receberá projetos até às 18h do dia 03 de julho e divulgará os resultados no dia 25 de julho. As contratações iniciarão duas semanas após a divulgação dos resultados de cada rodada.

As propostas podem ser enviadas a partir desta quarta-feira (5), por meio do Formulário de Propostas On-line, disponível no endereço http://efomento.cnpq.br/efomento .

Confira o Edital na íntegra no endereço http://www.cnpq.br/editais/ct/2007/032.htm .

Fonte: CNPq