quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Edital da Capes para o desenvolvimento do Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD)

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior do Ministério da Educação (Capes/MEC) recebe até o dia 21 de dezembro projetos interdisciplinares para áreas ligadas ao desenvolvimento do Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD). Neste domingo, 2, as primeiras imagens digitais começaram a ser transmitidas para o estado de São Paulo. Na cerimônia de lançamento, na capital paulista, o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que o novo sistema irá representar um salto tecnológico, econômico e social ao país.

Os projetos poderão ser apresentados por programas de pós-graduação stricto sensu (cursos de mestrado e doutorado) com áreas ou linhas de concentração em engenharia de software, ciências da computação, engenharia elétrica, gestão, produção, veiculação, interatividade e educação a distancia na TV digital. Além disso, poderão participar grupos de pesquisa de cursos das áreas de microeletrônica e telecomunicações. O edital também permite que instituições que não tenham pós-graduação stricto sensu concorram, mas será necessário que elas façam parcerias com instituições de ensino superior que possuam tais cursos.

Por meio do edital serão apoiadas missões de estudos para os estudantes participantes dos projetos. Poderão ser dentro do país e para o exterior. Serão concedidas bolsas de mestrado e doutorado dentro do país. E para o exterior doutorado sanduíche. Além disso, há auxílio para moradia e passagens aéreas. Cada projeto selecionado receberá por ano R$ 420 mil e terá duração máxima de quatro anos para execução orçamentária.

Estimular a criação de novas linhas de pesquisas no país sobre TV digital é outro objetivo do edital. Diante disso, pesquisadores e professores poderão realizar atividades com a concessão de diárias e passagens aéreas. Outras informações e orientação para o envio de propostas acesse o edital.

A projeção digital deverá alcançar até 2009, o número de 34 mil estações implantadas em todo o Brasil. Segundo o presidente da Capes, Jorge Guimarães, o país abriu espaço para competir com inovação. "O crescimento é garantido, com mão-de-obra gerenciada e capacitação na área de engenharias".

Fonte: Adriane Cunha / Capes

Brasil e México assinam acordo de intercâmbio na formação de recursos humanos

O Brasil e o México assinaram acordo inédito para a realização de intercâmbio na área de formação de recursos humanos no nível de graduação e pós-graduação. O documento foi assinado pelo presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior do Ministério da Educação (Capes/MEC), Jorge Guimarães, e pela diretora geral adjunta de Assuntos Culturais da Secretaria de Relações Exteriores do México, Luz Elena Baños Rivas, na semana passada, em Brasília.

Segundo o coordenador-geral de Cooperação Internacional da Capes, Leonardo Barchini Rosa, o Brasil e o México são os países com maior experiência em pós-graduação da América Latina. “A expectativa que temos é de que a demanda da comunidade científica seja muito grande em relação a essa cooperação”, acredita.

Os projetos irão permitir o intercâmbio de estudantes e professores brasileiros e mexicanos, possibilitando a troca de experiências. Grupos de pesquisadores dos dois países irão realizar estudos conjuntos, comparativos, de avaliação de cursos e métodos de ensino das instituições envolvidas.
Serão concedidas, inicialmente, pelo menos 15 bolsas por ano, nas modalidades de doutorado, doutorado sanduíche ou pós-doutorado.

Os dois países pretendem realizar um workshop científico no primeiro trimestre de 2008. No encontro haverá definição de áreas de interesse comum e discussão a respeito das melhores formas para colocar em prática a cooperação.

Fonte: Capes

Heranza desenvolve técnica para o diagnóstico da erquiliose - Ehrlichia canis

O espaço é pequeno — 25 metros quadrados —, mas organizadíssimo. Na sala do Departamento de Biotecnologia da Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp), quatro jovens, três graduandos e um recém-formado, vestindo jalecos, manuseiam pipetas em meio a equipamentos sofisticados. O objetivo deles é desenvolver uma técnica que permita o diagnóstico rápido, barato e preciso de uma doença endêmica na região: a erliquiose. O nome deriva da bactéria Ehrlichia canis, que infecta carrapatos e, por meio deles, cães e outros animais. Eles trabalham sob a liderança do biólogo Mozart de Azevedo Marins, um doutor em biologia molecular que decidiu colocar seu conhecimento a serviço do diagnóstico dessa e de outras doenças veterinárias disseminadas na região.

Para isso, doutor Marins fundou a Heranza, empresa ainda tão pequena que cabe nos 25 metros quadrados e no computador de seu fundador. Ele conta, com voz firme e muita didática, que a empresa nasceu em 2003, para solucionar deficiências locais. "Saí em busca de problemas na região para os quais a biologia molecular pudesse ser útil. Em conversa com veterinários, fiquei sabendo de doenças de diagnóstico impreciso, das quais não se sabia ao certo nem qual era o agente infeccioso. Uma delas era a erliquiose", conta. A partir de então, a investigação de um exame diagnóstico eficiente para a doença que atinge os cães de Ribeirão Preto passou a ser a principal atividade da Heranza. Como é transmitida pelo carrapato, a doença atinge principalmente as áreas de clima tropical. O clima quente, típico da cidade, é ideal para a reprodução desse ácaro, que é comum até mesmo nas áreas urbanas. O homem também pode ser contaminado pela moléstia, porém há apenas um relato na literatura médica de um caso na Venezuela.

O caminho que a Heranza escolheu para criar os exames baseia-se na análise do DNA do animal supostamente infectado, pelo método da Reação da Polimerase em Cadeia (PCR). A identificação de DNA por PCR é uma técnica comum, bastante difundida. Outros laboratórios já fazem o diagnóstico da erliquiose por PCR; mas, em Ribeirão, onde a incidência é alta, a Heranza é pioneira.

Pesquisando com o PIPE
Para Marins, o futuro da Heranza está ligado ao financiamento do Programa Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas (PIPE) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que passou a receber em outubro de 2005 com a aprovação do projeto "Análise da biodiversidade de bactérias associadas à erliquiose canina na região de Ribeirão Preto". "Não haveria outra fonte de recurso para bancar essa pesquisa", pensa o dono da Heranza. "É muito dispendiosa e os resultados aparecem de forma lenta", explica. Além de desenvolver o exame diagnóstico, a empresa comprometeu-se a monitorar a população canina na cidade e a incidência das doenças que afetam esses animais. O Centro de Controle de Zoonoses local não tem dados confiáveis — justamente pela falta do método diagnóstico preciso. A Heranza já recebeu R$ 127 mil e U$ 27 mil, destinados à compra dos equipamentos e de material de consumo, como reagentes. Os graduandos e o recém-formado, que ocupam a sala onde a empresa funciona por enquanto, são bolsistas também financiados pelo programa.

A partir de 2008, Marins quer ver a Heranza em sede própria, passando a lucrar por meio de uma clientela alvo: as clínicas veterinárias. "Com o tempo, os veterinários terão de adotar exames mais específicos", acredita. "Essas enfermidades são emergentes no mundo inteiro e as doenças transmitidas por carrapatos estão aumentando assustadoramente", continua. Isso quer dizer mais oportunidades e mais mercado para a ainda pequenina que inova.

De fato: segundo dados divulgados pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), a indústria no segmento cresceu 7% em 2006, encerrando o ano com faturamento de R$ 2,4 bilhões. Informações divulgadas pela assessoria de imprensa do Sindan mostram que o resultado positivo é fruto da preocupação dos produtores em relação à saúde animal, que estão investindo cada vez mais para reduzir os riscos de enfermidades. Outro fator a ser considerado é a modernização do parque industrial veterinário brasileiro, atualmente entre os mais avançados do mundo, capaz de atender não só às demandas sanitárias do Brasil, mas também às de outros países. Para 2007, o Sindan estima um crescimento um pouco menor, mas ainda considerável, de 3% a 4%.

Os testes disponíveis
Os primeiros casos de erliquiose foram diagnosticados no Brasil em 1973, pelo método clínico. Os sintomas são vômito, febre, anemia, apatia e sangramentos espontâneos. Depois, passou-se a utilizar a contagem do nível de plaquetas no sangue para diagnóstico — que indica a reação do animal a uma infecção, mas não identifica sua causa. A chamada trombocitopenia, no entanto, também pode ser provocada por outras doenças com sintomas similares, como, por exemplo, a causada pela bactéria Babesia canis. "Por ser uma região endêmica, o veterinário já associava essa trombocitopenia à erliquiose e passava então a tratar erroneamente com o antibiótico direcionado a essa enfermidade", explica. Esse método impreciso continua a ser utilizado nos dias de hoje.

Mas, em Ribeirão Preto, o teste mais usado para o diagnóstico da erliquiose é o imunológico — uma alternativa à contagem de plaquetas. Esse teste oferece respostas sobre os antígenos — vírus, células de bactérias e de fungos — que possam existir no organismo do animal. Uma determinada substância identificada pode característica da Ehrlichia canis. O problema é que com esse método pode haver com freqüência a chamada "reação cruzada", como dizem os especialistas — a substância encontrada pode ser causada por outros vírus e bactérias presentes no corpo do animal, com características semelhantes.

A incerteza acaba com a utilização do método de análise do DNA por PCR. A Heranza desenvolve seu teste usando uma variação do PCR: o "PCR aninhado". Uma amostra de sangue animal é suficiente. Se houver infecção, surgirá, juntamente com o DNA do animal, a identificação do DNA da bactéria. O resultado fica pronto em 24 horas.

Fase II e novas metas
Na Fase II do projeto, a empresa comprometeu-se a estender sua análise para outros parasitas e hospedeiros. Desde 2006, a Heranza também busca desenvolver testes para cavalos, bois e ovelhas, vítimas de diversas espécies de carrapatos vetores de doenças. Para isso, a empresa conta com a colaboração de veterinários que cedem gratuitamente amostras de sangue para a pesquisa.

Uma dessas colaboradoras é a médica veterinária Gisele Nassif Conti, do laboratório Nucleon Diagnósticos e Especialidades Veterinárias, de Ribeirão. Ela enfatiza a praticidade e a eficácia dos diagnósticos por PCR de 99,99%. "A biotecnologia começou a fazer parte do universo veterinário recentemente", diz. "Muitos médicos veterinários desconhecem as inovações diagnósticas e se prendem aos métodos antigos ou simplesmente clínicos. Há dificuldade também por causa dos custos desses exames. Os donos de animais não estão acostumados ao avanço da medicina veterinária. Divulgação e esclarecimento são chaves. A veterinária já é uma medicina preventiva e não só curativa", conclui Gisele. A Nucleon, onde ela trabalha, colabora com a pesquisa da Heranza: a empresa utiliza o teste de Marins nos animais da clínica, a um preço de custo de R$ 50. A Heranza afirma que ainda não obtém retorno comercial com isso.

Dos 700 cães analisados pela Heranza desde setembro de 2006, como parte do projeto financiado pelo PIPE, 38,9% estavam contaminados com a Ehrlichia canis. Os animais doentes passaram a tomar antibióticos e tiveram um rígido combate aos carrapatos. Os outros cachorros estavam sadios ou com a Babesia canis. Nos cavalos, bois e ovelhas, foram encontrados diversos tipos de microorganismos causadores de patologias transmitidas por carrapato: Babesia bovis, B. bigemina e Anaplasma marginale.

Marins explica que a vantagem do diagnóstico preciso é também o bem-estar do animal. "O tratamento com antibióticos (doxiciclina) gira em torno de R$ 45 a R$ 60. Entretanto, a questão não é somente o gasto com o antibiótico, mas sim se ele deve realmente ser aplicado. Com exames mais precisos, o veterinário estará melhor apoiado para solicitar o início do tratamento e também para definir o momento de encerrá-lo."

Idéias multiplicadas com o PIPE
O objetivo do projeto é também estimular o conhecimento por meio da prática, especializando os futuros biotecnólogos que atuam diariamente nas pesquisas associadas ao trabalho da Heranza dentro da universidade. "Tudo o que é referente à biologia molecular, aprendemos na prática aqui, no laboratório. Todas as técnicas de análise de seqüências, extração, clonagens, nos aperfeiçoam para o futuro", diz Giovana Pirolla Cardozo, aluna de iniciação científica do último ano do curso de biotecnologia que trabalha no laboratório da Heranza desde agosto de 2006.

O PIPE foi uma alavanca para que as idéias envolvendo o futuro da Heranza se multiplicassem. São várias as metas para o crescimento da empresa. "O trabalho do PIPE foi de detecção. Agora queremos migrar para um projeto de descoberta de novas moléculas para combater as enfermidades", ambiciona Marins.

A Heranza pretende produzir um kit de exame para os laboratórios, contendo todos os reagentes necessários para a identificação da Ehrlichia canis, Babesia spp e Anaplasma platys. O investimento do laboratório seria apenas na aquisição de um equipamento chamado termociclador — o que baratearia e disseminaria esse método diagnóstico.

Outro efeito colateral do trabalho da Heranza tem sido estimular os trabalhos de bioinformática na universidade. "Há um projeto de mestrado de um de meus alunos de desenvolvimento de um software de gerenciamento do nosso laboratório, contendo desde armazenamento, catalogação, recuperação, até a análise dos dados", enumera Marins. Na sua "sede virtual" — o computador —, Marins mostra o projeto do programa, que apresenta todo o organograma dos procedimentos realizados, desde a coleta do sangue do animal até os índices da doença em cada região da cidade

Fonte: Lívia Komar / Inovação Unicamp

Câncer, cuidados devem começar na infância

No mundo inteiro, 30% dos casos de câncer diagnosticados são neoplasias de pele. Em Santa Catarina, o câncer de pele representa 43% do total de casos da doença. Segundo Senen Dyba Hauff, do Centro de Pesquisas Oncológicas (Cepon) da Secretaria de Saúde daquele estado, o quadro pode ser atribuído a basicamente dois fatores: o índice ultravioleta propiciado pela geografia catarinense e a origem européia da maior parte de sua população.

O índice ultravioleta no estado está acima de 8, considerado muito alto pela escala global da Organização Mundial de Saúde – de 3 a 5 o valor é moderado; acima de 11, extremo.

“O câncer resulta da combinação de dois fatores: ambiental e genético. A debilidade ambiental da camada de ozônio aliada à genética de origem européia da população catarinense são favoráveis à incidência de neoplasias de pele”, disse Senen no 2º Congresso Internacional de Controle do Câncer, realizado no fim de novembro no Rio de Janeiro.

O problema, segundo a oncologista, é que o Brasil não tem um programa de prevenção contra a doença. “Até mesmo na Noruega e na Finlândia, onde o índice ultravioleta é de 2 a 3, são feitos bons trabalhos de prevenção dessa neoplasia”, disse.

Ela também fez um alerta: 70% a 80% das radiações que causam câncer de pele na vida adulta foram recebidas na infância, em muitos casos nos famosos “banhos de sol do bebê”. No entanto, segundo a pesquisadora, tal hábito deveria ser abandonado pelos pais.

“A recomendação mais comum é que uma criança tome banho de sol por 20 minutos diários. No entanto, dois minutos seriam suficientes para que o organismo sintetize a vitamina D, que previne o raquitismo. Há tempos o banho de sol com tempo mais prolongado tem sido estimulado justamente para prevenir essa doença, que causa amolecimento e enfraquecimento dos ossos. Mas com uma alimentação adequada não há necessidade dessa exposição. Infelizmente, aqui no Brasil ainda não há consenso sobre o assunto, da forma como ocorre na Austrália, no Canadá e nos Estados Unidos”, ressaltou.

A médica apresentou um resumo do amplo trabalho de prevenção e detecção precoce de câncer de pele que está começando em Santa Catarina. Em parceria com alunos da Escola de Moda da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), ela desenvolve uniformes para trabalhadores expostos ao sol, como garis e operários da construção civil, com tecidos fabricados com fator de proteção ultravioleta.

“Esse tipo de tecido faz o trabalho da camada de ozônio, absorvendo a radiação ultravioleta. Uma pessoa que trabalhe exposta ao sol se expõe dez vezes mais do que a dose de exposição recomendada diariamente”, disse Senen.

A oncologista ressaltou que o câncer de pele é o que mais sobe estatisticamente no país. “É necessário desconstruir a idéia de que o bronzeado é bonito. Bronzeado significa agressão celular. Não devemos esquecer que vivemos um tempo com uma camada de ozônio mais fina. Ao ir à praia, não se pode deixar de levar o filtro de proteção solar, chapéu e barraca, e jamais pegar o sol do meio-dia”, alertou.

Fonte: Washington Castilhos / Agência Fapesp

Microeletrônica avança com novos materiais e nanotecnologia

Nos últimos 40 anos, a microeletrônica tornou portáteis rádios e aparelhos de som e reduziu o tamanho de computadores à palma das mãos. A miniaturização se refere a cada dispositivo (transistores) que constitui os chips. Sendo assim, quanto menores os transistores, maior o número desses em um único chip.

Ganha-se assim em funcionalidade, e foi essa lógica que tornou possível o advento dos tocadores de MP3 e a evolução dos computadores dos modelos 286 até os notebooks atuais. “A cada novo chip lançado, havia um aumento no número de transistores que o compunham. Hoje, a capacidade de processamento de um notebook, por exemplo, é incrível. Tudo isso é resultado direto da miniaturização”, disse Cristiano Krug, do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

O físico participou do simpósio Jovem Cientista – Física, uma das atividades do encontro “Avanços e perspectivas da Ciência no Brasil, América Latina e Caribe”, que está sendo realizado na Academia Brasileira de Ciências, no Rio de Janeiro. Para ele, tendo em vista que a nanoeletrônica já é uma realidade, o maior desafio no momento é pensar nos limites da miniaturização.

“Vamos chegar em um momento em que será necessária uma revolução: deixar o transistor comum e desenvolver um tipo diferente ou mesmo abandonar a eletrônica e partir para um dispositivo que seja operado pelo spin eletrônico ou por fótons (partículas de luz)”, avaliou o pesquisador do Laboratório de Superfícies e Interfaces da UFRGS, grupo especializado em caracterização de materiais para microeletrônica.

O que se pretende nos laboratórios é rearranjar de maneira artificial essas partículas para forjar novas estruturas e materiais, mais eficientes do que os fornecidos pela natureza. Em uma nova geração de processadores lançada no mês passado, por exemplo, o óxido de silício – tradicionalmente usado – foi substituído por um material à base de háfnio, outro elemento químico. “Está provado que esse processador com háfnio é o mais rápido e melhor no momento”, observou Krug.

A equipe gaúcha estuda novos materiais que permitam levar os dispositivos atuais ao próximo estágio de evolução e construir os computadores e eletrônicos do futuro. “Investigamos novas estruturas que nos permitam enfrentar a revolução que está por vir”, disse o físico.

Segundo Krug, a pesquisa científica está sendo cada vez mais cobrada para suprir as necessidades tecnológicas. O laser foi um bom exemplo do quanto a ciência caminha junto com as demandas mercadológicas.

Fonte: Washington Castilhos / Agência Fapesp

CNPq lança edital para a difusão e popularização da ciência e tecnologia

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social (Secis), ambos vinculados ao Ministério da Ciência e Tecnologia, vão destinar R$ 7 milhões para apoiar projetos de popularização da ciência e tecnologia das universidades, instituições de pesquisa, museus, centros de ciência, planetários, fundações, entidades científicas e outras instituições.

Segundo o CNPq, o objetivo da iniciativa, que faz parte do Plano Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, é incentivar atividades que tenham como propósito a difusão e popularização da ciência e tecnologia junto à sociedade brasileira, a instalação e o fortalecimento institucional de museus, centros de ciências e outras iniciativas que promovam a divulgação científica e a melhoria da qualidade do ensino informal das ciências.

A ação visa, principalmente, a estimular jovens de todas as camadas sociais para carreiras científicas e tecnológicas, incentivando a curiosidade, criatividade e capacidade de inovação, e promover o uso e a difusão de resultado da ciência e tecnologia em ações de inclusão social e redução das desigualdades.

Podem apresentar propostas até o dia 22 de janeiro de 2008, por meio do edital nº 42, pesquisadores, professores e especialistas vinculados a instituições e entidades que promovam atividades de popularização científica e tecnológica, todas sem fins lucrativos.

Dos R$ 7 milhões, 35% serão destinados a projetos desenvolvidos por pesquisadores vinculados a instituições públicas de ensino superior e de pesquisa sediadas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

As propostas devem ser apresentadas sob a forma de projeto e encaminhadas por meio do formulário de propostas on-line disponível no endereço http://efomento.cnpq.br/efomento .

Mais informações: www.cnpq.br/editais/ct/2007/042.htm

Fonte: CNPq

Dificuldade na extração de petróleo no campo TUPI desafia cientistas

De acordo com os engenheiros da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ) — a principal parceira acadêmica da Petrobras — a respeito das dificuldades para a exploração do petróleo do recém-descoberto campo de Tupi, na Bacia de Santos, localizado a 7 mil metros abaixo da superfície. O maior desafio, de acordo com os entrevistados, será transpassar a crosta de sal de dois quilômetros de espessura que existe sobre o petróleo (além dela há ainda dois quilômetros de rocha e outros dois quilômetros de água). Embora seja um dos líderes globais na exploração de petróleo em águas profundas, o Brasil nunca havia se deparado com uma crosta de sal como essa.

"Vamos ter de desenvolver essa tecnologia", afirmou ao Estadão o coordenador do Núcleo de Transferência de Tecnologia (NTT) da Coppe, Nelson Ebecken. "Se essa camada de sal estivesse em terra já seria difícil. Imagine, então, a 3 mil ou 4 mil metros de profundidade." Conforme relata o jornal, a uma distância tão grande da superfície, sob pressão e aquecido pelo calor interno do planeta, o sal comporta-se como um material viscoso, o que atrapalha a perfuração e manutenção dos poços. "Você abre o buraco e o buraco fecha", explicou Giuseppe Bacoccoli, do Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia da (LAMCE) Coppe.

Os especialistas entrevistados pelo Estadão destacaram o fato de que o Brasil terá de enfrentar um ambiente pouco explorado em todo o mundo para alcançar os 8 bilhões de barris de petróleo armazenados no campo de Tupi. "Já se perfurou sal em outros lugares, mas não a essa profundidade nem com essa espessura", contou Ebecken. No Golfo do México, lembrou Giuseppe, existem poços a até 8 mil metros de profundidade, porém todos acima da camada de sal. Isso também acontece na própria Bacia de Santos: lá, diz o jornal, a Petrobras possui poços situados abaixo de 5 mil metros de rocha, mas em lâminas de água ("a distância entre a superfície e o leito marinho") bem mais rasas, com cerca de cem metros — e sem sal.

A boa notícia é que, na opinião dos pesquisadores ouvidos pelo jornal, o País tem competência tecnológica para superar o problema do sal e chegar ao petróleo do campo de Tupi. "Não vejo nenhuma quebra de paradigma, é mais uma evolução", declarou Giuseppe, que já foi superintendente de exploração da Petrobras. Segundo ele, será mais complicado lidar com a questão do custo, que sobe muito em virtude do aumento da profundidade e da complexidade da operação. "Talvez cheguemos à conclusão de que podemos, mas não devemos", observou. Ele crê que a exploração será economicamente viável se o barril de petróleo continuar custando em torno de US$ 100 — a expectativa, informa a reportagem, é de que a produção comece por volta de 2013. "Mesmo que o preço do petróleo caia 50%, o que é improvável, ainda dá para trabalhar."

Segen Estefen, diretor de tecnologia e inovação da Coppe, disse ao Estadão que a exploração de petróleo no campo de Tupi requererá "poços inteligentes" — ou seja, que contenham sensores para monitorar as veias petrolíferas em tempo real. Além disso, ressalta o jornal, será preciso testar com rigor todos os materiais que serão utilizados na operação, visto que uma simples falha poderá representar um prejuízo enorme. A Coppe já possui duas câmeras hiperbáricas para simular a pressão a até mil metros e 5 mil metros de profundidade, e outra que simula a pressão junto com a temperatura (a até 6 mil metros e 200º C, respectivamente) — em uso nos testes dos sensores dos poços inteligentes. Uma câmara para simular a pressão a até 7 mil metros já foi projetada e deverá começar a funcionar no início de 2009.

Outro fator com o qual os pesquisadores terão de se preocupar será a conservação da temperatura do petróleo durante seu transporte até a plataforma. Quando sai da rocha e chega ao leito marinho, conta a matéria, o petróleo está a quase 100º C, mas encontra a água do fundo do mar a aproximadamente 4º C. No caso do campo de Tupi, se o óleo não for mantido quente ao longo dos dois quilômetros da lâmina de água, poderá haver formação de "coágulos" e, conseqüentemente, entupimento dos dutos — problema que, de acordo com o Estadão, poderá ser resolvido com a aplicação de um revestimento isolante ou com a injeção de produtos químicos que evitem o adensamento do petróleo. Para diminuir o peso dos dutos, o jornal aponta o titânio como alternativa leve e bastante resistente — contudo muito mais cara — ao tradicional aço.

O trecho final da reportagem informa que a descoberta do campo de Tupi coincidiu com o aniversário de 30 anos da parceria entre a Petrobras e a Coppe e foi bem recebida pelos pesquisadores. "Não torcemos para que seja mais profundo e mais complicado, mas para a academia é ótimo", comentou Nelson Ebecken. "A vocação da universidade é inovar, buscar soluções. É tudo que a gente queria." (Herton Escobar/OESP)

Fonte: Inovação Unicamp

Seminário - O Direito Humano à Educação e seus Novos Desafios

A Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) e a ONG Ação Educativa estão promovendo, nos dias 11 e 12 de dezembro, na capital paulista, o seminário "O Direito Humano à Educação e seus Novos Desafios"

O objetivo é atualizar o debate sobre o direto à educação tendo em vista as recentes mudanças de ordem constitucional, legal e de políticas educacionais do governo federal. As inscrições devem ser realizadas até 8 de dezembro.

“Desafios à implementação do direito humano à educação”, “Exigibilidade do direito à educação de qualidade”, “Fronteiras do direito à educação” e “Financiamento do direito à educação” serão os temas dos quatro painéis apresentados.

Mais informações: www.acaoeducativa.org

Fonte: Agência Fapesp

12° Encontro Anual da Indústria Química

O 12° Encontro Anual da Indústria Química será realizado no dia 7 de dezembro, em São Paulo, reunindo pesquisadores, empresários, dirigentes de associações de classe da indústria e profissionais do setor.

Entre os palestrantes estão o secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Ivan Ramalho, e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho. A promoção é da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).

Durante o evento serão entregues o Prêmio Abiquim de Tecnologia, que contempla trabalhos de inovação tecnológica no setor químico, e o Prêmio Abiquim de Exportação, concedido às indústrias químicas que se destacaram no comércio internacional.

Mais informações: www.abiquim.org.br

Fonte: Agência Fapesp