segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Alimentos, Nutrição, Atividade Física e Prevenção do Câncer: uma perspectiva global

A amamentação pode ser uma poderosa arma na prevenção de alguns tipos de câncer. Por outro lado, o sal em excesso ou as bebidas açucaradas, como os refrigerantes, podem aumentar as chances de desenvolver tumores no estômago.

Esses são alguns dos alertas do relatório Alimentos, Nutrição, Atividade Física e Prevenção do Câncer: uma perspectiva global lançado há duas semanas pelo Fundo Mundial para Pesquisas de Câncer (WCRF) e apresentado no 2º Congresso Internacional de Controle do Câncer, que terminou nesta quarta-feira (28/11), no Rio de Janeiro.

O documento reúne dez recomendações e foi resultado de uma pesquisa de cinco anos que agregou estudos de pesquisadores de diversos países. Esse segundo relatório – o primeiro foi lançado em 1997 – inclui um trabalho brasileiro sobre amamentação, da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, que serviu como base para a décima recomendação.

"O novo relatório, embora apresente recomendações similares às do texto anterior, mostra evidências mais fortes de que essas recomendações estão corretas. O grande diferencial entre as duas publicações é que a atual indica que a prevenção precisa começar ainda mais cedo do que se defendia em 1997", disse o pesquisador inglês Geoffrey Cannon, editor-chefe do relatório.

O relatório demonstra a importante associação entre alimentos, nutrição e atividade física com o risco de câncer. Cannon recomenda que os cuidados com a alimentação e com exercícios físicos devem começar desde cedo. De acordo com o estudo, manter-se magro dentro de limites saudáveis, evitando o consumo excessivo de carne vermelha e bebidas alcoólicas, é uma das melhores maneiras para prevenir a doença.

Segundo Cannon, a ligação entre gordura corporal e câncer é mais direta do que se imaginava. Foram encontradas evidências convincentes da ligação da obesidade com seis tipos de câncer: de esôfago, de pâncreas, do endométrio, de rim, de mama (pós-menopausa) e colo-retal.

Outra evidência encontrada no estudo é a ligação entre carnes vermelhas e processadas com o câncer colo-retal. A indicação é que não seja ingerida mais de 500 gramas de carne vermelha cozida por semana. Cannon também ressaltou a necessidade de cuidados com o consumo excessivo de sal e de açúcar. "Como herança da culinária portuguesa, o Brasil apresenta um consumo de sal que está entre os três mais altos do mundo", alertou.

O especialista inglês destacou a importância de as orientações brasileiras sobre amamentação terem sido incorporadas ao documento. "A amamentação reduz o risco de obesidade na criança e de câncer de mama na mulher. Essa recomendação reforça ainda a necessidade de se trabalhar a prevenção e o controle do câncer por meio de todo o ciclo de vida. A amamentação exclusiva do bebê até os seis meses ajuda a evitar a obesidade, um dos principais fatores de risco para o câncer", destacou.

Segundo Cannon, combater a obesidade é um desafio difícil. "Quando uma pessoa se torna obesa, o funcionamento do corpo muda, por isso o foco principal do relatório é sobre a prevenção da obesidade. É essencial o limite de alimentos com alta densidade energética", disse.

As recomendações do Fundo Mundial para Pesquisas de Câncer para prevenção da doença são:


01 - Mantenha-se o mais magro possível, sem ficar abaixo do peso.
02 - Mantenha-se fisicamente ativo, por pelo menos 30 minutos todos os dias.
03 - Evite bebidas açucaradas e limite o consumo de alimentos de alto valor calórico.
04 - Coma mais alimentos de origem vegetal, como hortaliças, frutas, cereais e grãos integrais.
05 - Limite o consumo de carnes vermelhas e evite carnes processadas.
06 - Se for consumir bebidas alcoólicas, limite-as a duas doses ao dia se for homem e a uma dose se for mulher.
07 - Limite o consumo de alimentos salgados e de comidas industrializadas com sal.
08 - Não use suplementos alimentares para se proteger contra o câncer.
09 - Lembre sempre: não fume.
10 - Amamente as crianças até os seis meses.

Fonte: Washington Castilhos / Agência Fapesp

Moyses Szklo do American Journal of Epidemiology minstra palestra na Uerj

Amanhã, 4 de dezembro o Instituto de Medicina Social da Uerj realiza mais um Chá da Epidemiologia. Desta vez o convidado será o editor-chefe do American of Journal Epidemiology, o brasileiro Moyses Szklo. A palestra, aberta a todos os interessados, abordará a preparação, submissão e revisão de artigos científicos.

Serviço:
Local: Uerj - Rua São Francisco Xavier, 524 – 6º andar, bloco D, Auditório do Instituto de Medicina Social (sala 6012). Entrada pelo 7º andar.

Outras informações pelo fone: (21)2587-7959

Fonte: Marcelo Rodrigues / UERJ

UFRJ desenvolve gerador elétrico movido pelas ondas do mar

Enquanto o planeta vive uma crise energética sem precedentes em função da escassez de recursos naturais e do fenômeno do aquecimento global, o Brasil, que já está se tornando auto-suficiente em petróleo e dispõe de cacife para liderar a produção mundial de biodiesel, acaba de encontrar uma nova fronteira de produção de energia: a vasta faixa do Oceano Atlântico – oito mil quilômetros – que cobre o território nacional.

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), lotados na Coordenação de Programas de Pós-Graduação (Coppe), desenvolveram uma tecnologia inédita de usinas de energia cujo gerador é acionado pela força de ondas do mar, o que poderá diminuir a necessidade de construção das convencionais hidrelétricas, responsáveis por impactos ambientais de proporções incalculáveis no meio ambiente.

A Eletrobrás, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o governo do Ceará são parceiros da UFRJ na implantação da usina-piloto do projeto, no Porto de Pecém (a 60 km de Fortaleza). Os 20 módulos projetados têm capacidade de geração de 500 kilowatts. As primeiras unidades serão construídas em 2008.

O professor Segen Farid Stefen, do Laboratório de Tecnologia Submarina da UFRJ, que coordena as pesquisas sobre o assunto, acredita que, se houver investimentos suficientes nas usinas de ondas, em uma década o Brasil poderá aumentar em 15% o seu potencial de energia elétrica, passando de 100 para 115 gigawatts.

O mais colossal em tudo isso é a revelação que o professor faz sobre a capacidade dos oceanos de produzirem energia elétrica: em todo o mundo haveria um potencial avaliado em 10 mil gigawatts, suficiente para suprir a necessidade de força elétrica em todos os continentes.

Produzir energia elétrica a partir de ondas do mar não é novidade nenhuma no mundo. Japão, Austrália, Reino Unido e Holanda já desenvolvem conceitos sobre esse novo modelo de força extraída da natureza. O gol marcado pelos pesquisadores da UFRJ é a invenção de um dispositivo, denominado câmera hiperbárica, que multiplica a capacidade de uma usina produzir energia a partir de ondas marinhas. Os estrangeiros ainda não inventaram nada parecido e estão a reboque do potencial produtivo do Brasil no setor.

O sistema de usinas de ondas inventado pela UFRJ funciona da seguinte forma: flutuadores ligados a braços mecânicos são movimentados por ondas marinhas; esse movimento provoca o funcionamento de bombas hidráulicas, que conduzem água tratada de um tanque para a câmera hiperbárica. Um condutor extremamente estreito exerce enorme pressão sobre a água que sai dessa compressão num jato comparável a uma queda d’água de 500 metros de altura, semelhante a das grandes hidrelétricas.

A turbina hidráulica é acionada por esse jato; o gerador, acoplado ao sistema, produz a energia.

Fonte: Wanderley Araújo /Jornal da Comunidade

O papel social das bicicletas

O uso habitual e generalizado da bicicleta em uma cidade qualquer depende de alguns fatos essenciais. Num lugar prioritário entra a questão das características morfológicas do sítio urbano, onde a cidade estabeleceu sua estrutura de ruas, praças e tentáculos.

Cidades nascidas e crescidas em rasas planícies de restingas propiciam o uso mais amplo de bicicletas, engendrando um papel social que raramente tem sido registrado. Por sua vez, cidades implantadas em regiões acidentadas, desenvolvidas espacialmente em encostas de morros, morrotes e colinas, têm grandes limitações para o uso mais amplo de bicicletas. É o caso dos organismos urbanos estendidos por colunas onduladas possuidoras de rampas e ladeiras como alguns dos pontos tradicionais,
que perderam a chance da utilização mais intensa dos biciclos. Ainda que pudessem ter ciclovias de uso parcial, limitadas a setores mais planos de seu sítio urbano, como planície e terraços fluviais. No caso, torna-se inoperante a pressão de pessoas simplórias e da mídia na defesa de um sistema urbano de ciclovias. Tendo-se de considerar sempre para as grandes cidades o problema da intensidade do emaranhado de veículos de toda sorte. Não é preciso dizer que estamos pensando no caso da Grande São Paulo. Nessa conjuntura, o uso da bicicleta em redes mais amplas é praticamente impossível.

Bons exemplos de cidades situadas em planícies acontecem ao longo da costa brasileira, ao fundo das enseadas e de baías. Enquadram-se nesse tipo Recife, Aracaju, Ilhéus, Vitória e Campos. Mais para o sul, há ainda Ubatuba, Bertioga, Praia Grande, Itanhaém, Peruíbe, Paranaguá e Itajaí. Bem mais para o sul, Tramandaí, Pelotas e Rio Grande. Por razões muito particulares, é digno de considerações mais específi cas o caso mais impressionante do papel da bicicleta na região de Ubatuba.

Observações prolongadas sobre o uso da bicicleta na cidade de Ubatuba demonstram o extraordinário papel social que ela desenvolve em uma pequena cidade praiana no litoral norte de São Paulo. Percebe-se de imediato que, independentemente do caráter sazonal que marca a dinâmica da vida urbana citadina, o uso dos biciclos é absolutamente permanente no cotidiano de Ubatuba. Os que vêm de fora são obrigados a usar automóveis para chegar, transitar e participar das oferendas paradisíacas da paisagem costeira. A disputa por estacionamento nas avenidas praianas, no distrito central de comércio, ou nos supermercados e shopping centers documenta o uso dos espaços urbanos por aquela parte da população que vem de centenas de quilômetros de distância. Incluindo, no caso, as pessoas que possuem apartamentos ou moradias na cidade ou seus arredores.

O caráter principal do uso das bicicletas está relacionado com uma movimentação que envolve, sobretudo, os adolescentes de ambos os sexos. Rapazes e moçoilas de todos os quadrantes vêm para o centro da cidade e percorrem a beirada da praia, compram mercadorias singelas. Dirigem-se ao banco para pagar dívidas. Tomam um café ou um suco barato em bares previamente conhecidos. Compram cadernos e materiais escolares em papelarias. E se encantam com as lojas de brinquedos e quinquilharias. Encostam as bicicletas nos raros bancos e nas calçadas. São pequenos esforços, e funcionam para guardar as bicicletas no centro da cidade. Falta dinheiro para pagar as contas, mas eles exibem saúde e alegria pelo exercício da pedalagem nos biciclos.

Ao cair da noite, as casas mais simples dos moradores de Ubatuba, no centro expandido – bairro do Perequê-Açu –, permanecem escuras e com pouca presença humana. Muitas mães usam o ambiente das igrejas para passar algumas horas fora de casa. Enquanto os jovens – moças e rapazes – circulam à noite como se fosse de dia. Não existe qualquer perigo de assalto ou agressão. Ao atravessar o movimentado calçadão do centro, educadamente todos descem do biciclo, empurrando calmamente o veículo até o reencontro de ruas e ciclovias. Assim, Ubatuba tornouse uma cidade que não é só para homens. E sim um mundo urbano educado e estimulante para as mulheres.

É verdade que as pessoas de mais idade – e as gordas e obesas – mal usam a bicicleta, mas predomina por todas as ruas, avenidas e setores de rodovia o uso estimulante e social do veículo. Para os jovens, incluindo rapazes e moças, cria condições saudáveis e de excelente uso da liberdade pessoal.

Aziz Nacib Ab`Sáber é professor emérito da FFLCH/USP e professor honorário do Instituto de Estudos Avançados/USP.

Fonte: ENS / Scientific American

Declaração do Panamá identifica ameaças à biodiversidade

A Declaração do Panamá, que identifica as principais ameaças à biodiversidade, encerou na quinta-feira (22) o V Encontro Ibero-americano de Desenvolvimento Sustentável (EIMA 5), do qual participaram 50 especialistas de 22 países.

O encontro foi organizado pela Fundação Conama, da Espanha, e pelo Centro Internacional para o Desenvolvimento Sustentável (Cides). OS debatedores denunciaram a superexploração dos recursos, a perda de habitats, o transporte de espécies invasoras, a poluição e a mudança climática como as grandes agressões ao meio ambiente.

Também apontaram ameaças indiretas, como a pobreza, as desigualdades econômicas e os modelos comerciais insustentáveis, como responsáveis pela deterioração do ambiente.

O fórum convidou os países participantes a se comprometerem com a criação de um novo esquema de cooperação para o desenvolvimento sustentável. O modelo uniria parceiros produtivos e comerciais que compartilhem responsabilidades e interesses.

A sessão final discutiu projetos de biocombustíveis e o seu risco para a produção de alimentos, assim como o modelo de cidade atual, que desgasta os recursos naturais.

Veja o texto completo no endereço.

Fonte: Yahoo