terça-feira, 27 de novembro de 2007

9º Simpósio Internacional de Proteção contra Descargas Elétricas - SIPDA

Entre os dias 26 e 30 de novembro, o Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (IEE/USP), promoverá, na cidade de Foz do Iguaçu - PR, a nona edição do Simpósio Internacional de Proteção contra Descargas Elétricas - SIPDA.

O SIPDA é um evento bianual de natureza técnico-científica que tem como principais objetivos contribuir para a discussão e difusão das inovações tecnológicas relativas à proteção contra descargas atmosféricas, aterramento e técnicas de modelagem e de medição. O evento abrange todos os aspectos relacionados a descargas atmosféricas, entre eles, a física das descargas, características e medições, sistemas de detecção e localização, impacto nos sistemas elétrico e de telecomunicações, proteção de estruturas e acidentes e prejuízos causados por descargas atmosféricas.

Desde a sua primeira edição, em 1988, o simpósio vem contribuindo para o desenvolvimento da tecnologia e do conhecimento científico, nos âmbitos nacional e internacional, no que diz respeito às descargas atmosféricas e aos métodos de proteção contra seus efeitos. Pioneiro na América Latina, o SIPDA hoje é um referencial para os profissionais e pesquisadores do setor, além de propiciar o intercâmbio de informações e experiências entre pesquisadores do Brasil e do exterior nas mais diversas áreas relacionadas ao tema.

O evento é organizado pelo Programa Interunidades de Pós-Graduação em Energia do IEE e pelo Centro de Estudos em Descargas Atmosféricas e Alta Tensão (CENDAT/USP) e conta com o apoio da Seção Sul Brasil do "Institute of Electrical and Electronic Engineers" (IEEE).

Paralelamente ao SIPDA serão realizadas reuniões de dois importantes grupos internacionais de pesquisa na área, o CIGRE WG C4.04.01 ("Lightning") e o CIRED/CIGRE WG C4.4.02 ("Protection of Medium Voltage and Low Voltage Networks against Lightning").

Mais informações podem ser obtidas através do site www.iee.usp.br/sipda e do e-mail.

Fonte: USP

A importância dos APLs - Arranjos Produtivos Locais - para redução das desigualdades sociais

A preocupação em articular teorias em torno dos arranjos produtivos locais e a difusão e implementação dos conhecimentos inovadores como estratégia para a diminuição da desigualdade social foram os assuntos em destaque na abertura do Seminário Internacional RedeSist “Dez Anos de Sistemas e Arranjos Produtivos e Inovativos Locais”, nesta segunda-feira (26/11), no Rio de Janeiro.

“É preciso valorizar o retorno imediato do investimento nos arranjos produtivos locais, que se verifica na maior inclusão social e na geração de renda para as regiões mais pobres do país”, disse Luis Manuel Rebelo Fernandes, presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

Ao lado de Fernandes, participaram da mesa de abertura Maurício Borges Lemos, diretor do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), João Sabóia, diretor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e José Eduardo Cassiolato, coordenador da Rede de Pesquisa em Sistemas e Arranjos Produtivos e Inovativos Locais (RedeSist).

A importância dos arranjos produtivos locais (APLs) foi salientada por Sabóia. Segundo ele, o seminário é uma forma eficaz de acessar pequenas realidades que abrigam grandes potenciais. “O estudo dos APLs funciona como uma lente para perceber os movimentos e as questões locais”, disse.

A primeira sessão plenária do dia abordou a possibilidade de transformação das inovações tecnológicas em políticas sociais contra a desigualdade. Para Judith Sutz, professora e coordenadora da Comissão Setorial de Investigação Científica da Universidade da Republica, no Uruguai, é preciso reverter o pensamento corrente de que o crescimento econômico traria em seu bojo conseqüências positivas para as questões sociais.

“A ordem de prioridades deve ser vista de modo inverso: o investimento nas questões sociais leva a uma economia estável, por meio da eliminação das desigualdades e do conseqüente acesso de todos à informação, aos bens culturais e econômicos”, destacou.

Judith criticou a visão polarizada entre políticas de inovação e políticas de desenvolvimento. “Enquanto as primeiras beneficiariam a parte mais rica da população, o desenvolvimento seria uma forma de tentar alavancar as populações mais pobres, alheias aos processos de inovações tecnológicas”, disse.

Tecnologias sociais
Renato Dagnino, professor titular do Departamento de Política Científica e Tecnológica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), chamou atenção para a importância da elaboração de tecnologias de caráter social.

“A tecnologia tradicional aplicada nos países periféricos se traduz em exclusão social. São poucas as empresas que investem em pesquisas sobre impacto ambiental e satisfação dos funcionários, por exemplo”, disse.

Para os pesquisadores presentes no seminário, no entanto, alguns avanços importantes foram obtidos por meio do apoio às economias de pequena escala e do incentivo às inovações produtivas locais.

Jorge Núñez Jover, professor da Universidade Havana, em Cuba, citou o exemplo de vacinas que eram produzidas no país com a utilização de tecnologias importadas e, devido seu alto custo, não beneficiavam toda a população. “A partir do emprego da tecnologia nacional, os custos baixaram e o acesso à vacina foi estendido a todos os cubanos. A melhoria na qualidade de vida da população deve ser o principal incentivo para o desenvolvimento de tecnologias inovadoras”, afirmou.

O seminário é uma continuação de outro realizado há dez anos, em Gramado (RS), que representou o primeiro passo para o estabelecimento de diálogo com pesquisadores brasileiros e estrangeiros preocupados com o desenvolvimento de pequenas comunidades, em um período especialmente marcado pela discussão sobre a globalização.

Desde então, a RedeSist consolidou um amplo conjunto de pesquisadores em 23 estados brasileiros e de países como Cuba, Argentina, Uruguai, França. Até o momento, no âmbito da RedeSist foram produzidos seis livros e mais de cem teses de doutorado e dissertações de mestrado.

Mais informações: www.redesist.ie.ufrj.br/redesist10

Paula Lacerda / Agência Fapesp

INCA apresenta novo perfil e estimativas de incidência de câncer no Brasil

O Brasil terá aproximadamente 470 mil novos casos de câncer em 2008 e 2009. A estimativa foi divulgada nesta segunda-feira (26/11) pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) durante o 2º Congresso Internacional de Controle de Câncer, que está sendo realizado no Rio de Janeiro.

A doença já é a principal causa de morte nos países desenvolvidos. No Brasil, é a segunda, depois das cardiovasculares. O que chama a atenção nas estimativas, no entanto, são as diferenças regionais: o mapa da incidência geral da doença (incluindo todas as neoplasias) mostra que as regiões Sul e Sudeste concentrarão o maior número de casos.

A incidência na região Norte é a menor do país, o que indicaria que o câncer tende a ocorrer com mais freqüência em regiões de maior desenvolvimento econômico. Alguns fatores podem explicar essa situação.

“O câncer aumenta à medida que as doenças infecciosas diminuem. A população passa a viver mais e adoece de outras doenças”, disse o epidemiologista Cláudio Noronha, coordenador da Área de Prevenção e Vigilância do Inca.

Segundo ele, o aumento de casos da doença está ligado ao envelhecimento populacional. “Quanto mais tempo uma pessoa vive, maior será sua exposição aos fatores de risco. O aumento na expectativa de vida da população brasileira, especialmente no Sul e no Sudeste, explica, em parte, as diferentes incidências entre essas e outras regiões – a taxa de envelhecimento é menor no Norte e Nordeste. Mas é importante lembrar que essas regiões são as mais populosas e recebem pessoas de todo o país”, disse.

As diferenças socioeconômicas entre as regiões também parecem pesar nas estimativas quanto ao sexo. Segundo estudo feito pelo Inca, em relação aos homens, o câncer de próstata, nos próximos dois anos, será o mais prevalente no país, mas a segunda posição indica as diferenças regionais.

Enquanto o câncer de pulmão deverá estar em segundo lugar nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, o de estômago ocupará a mesma posição no Norte e Nordeste. Em relação às mulheres, os tipos mais incidentes serão o de mama (Sul, Sudeste e Centro-Oeste) e o do colo de útero (Norte).

“Os cânceres de estômago e de colo de útero estão relacionados à alimentação inadequada e à má conservação de alimentos, fatores menos comuns nas regiões mais desenvolvidas”, observou Noronha.

As estimativas por estado mostram diferentes perfis da doença. Segundo o Inca, São Paulo liderará as estimativas para todos os tipos de câncer. As maiores taxas de câncer de próstata serão observadas no Rio de Janeiro, seguido por Rio Grande do Sul e São Paulo. Os gaúchos deverão ter maior incidência de câncer de pulmão, seguidos pelos catarinenses e pelos cariocas. Esse tipo de neoplasia será mais prevalente entre mulheres no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Paraná.

“Como resultado das campanhas antitabagismo e de prevenção ao câncer de pulmão, essa doença diminuiu entre os homens, mas aumentou entre as mulheres”, disse Noronha.

O coordenador da Área de Prevenção e Vigilância do Inca também ressaltou a importância da consciência de responsabilidade de cada pessoa sobre sua saúde. “Ainda ocorrem no país cerca de 10 mil mortes anuais por doenças ligadas ao tabagismo. Além disso, vale lembrar que 40% dos casos de câncer são evitáveis. Deixando de ingerir álcool e gorduras, evitam-se os cânceres de boca e de estômago, por exemplo. As pessoas têm que se conscientizar da importância de mudar hábitos”, salientou.

As estimativas podem ser acessadas no endereço www.inca.gov.br/vigilancia .

Fonte: Washington Castilhos / Agência FAPESP

Proposta: Menos burocracia para importar insumos para pesquisa em Saúde !

Importar insumos para pesquisa em saúde poderá se tornar menos burocrático para a comunidade científica em 2008. Uma proposta de modificação dos procedimentos foi debatida nesta segunda-feira (26/11), durante a Oficina para Apresentação e Discussão da Minuta que Regulamenta a Importação e Exportação de Material de Qualquer Natureza para Pesquisa em Saúde, promovida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), na sede da FAPESP, em São Paulo.

Uma das principais novidades da proposta, elaborada por um grupo de trabalho formado por pesquisadores e profissionais da Anvisa, é a criação de uma categoria de importação exclusiva para a pesquisa, segundo Oacy Toledo, coordenadora de Vigilância Sanitária, Portos, Aeroportos, Fronteiras e Recintos Alfandegários da Anvisa em São Paulo.

“Até agora só havia normas específicas para categorias de produtos. Pela primeira vez, a Anvisa terá uma norma voltada para uma categoria de profissionais. A idéia é separar o pesquisador do importador voltado para finalidade comercial. Acreditamos que isso facilitará muito o processo”, disse.

As importações volumosas de cunho comercial, segundo Oacy, não serão contempladas na nova norma. As operações envolvendo pesquisa, que geralmente envolvem menores quantidades de produtos, serão avalizadas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

“O cadastro do pesquisador e da instituição de pesquisa no CNPq funcionará como um selo de qualidade. Se o CNPq diz que o pesquisador é idôneo, não temos o que questionar. Isso evitará que ele precise reconhecer firma e passar por outros entraves burocráticos no momento em que precisa importar com rapidez”, disse.

Para Mayana Zatz, pró-Reitora de Pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) e coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano da universidade – um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) da FAPESP –, a expectativa é que a Anvisa facilite a importação de pequenas quantidades de insumos. “Muitas vezes uma pesquisa é emperrada por que precisa de um reagente de apenas US$ 200, por exemplo, e não se consegue importá-lo com rapidez”, disse.

Em abril, avaliação feita por uma comissão internacional identificou que as dificuldades de importação de reagentes e equipamentos eram os principais obstáculos para que o Centro do Genoma Humano assumisse um papel de protagonista no cenário científico mundial.

“Enquanto na Europa uma espera de 48 horas para ter acesso a um componente da pesquisa é considerada longa demais, nós chegamos a esperar três meses por um reagente. Muitas vezes o pesquisador perde o prazo de publicação em uma revista internacional porque ficou esperando os insumos. É impossível ter uma pesquisa competitiva num cenário como esse”, afirmou Mayana.

Consulta pública
Celso Lafer, presidente da FAPESP, explicou que a Fundação tem um profundo interesse na questão da importação de insumos. “Avaliamos que cerca de 70% dos insumos são destinados à comunidade acadêmica e científica de São Paulo, que assim serve ao Brasil com os insumos indispensáveis para pesquisa. Além disso, um terço dos auxílios contratados pela FAPESP envolve a importação de insumos para pesquisa”, disse.

Para Lafer, a discussão da minuta de decreto deverá conduzir efetivamente à desburocratização dos processos de importação e exportação. “Estou convencido de que a Anvisa está procurando encontrar o bom caminho. O presidente da República mostrou interesse direto no andamento dessa solução e a FAPESP dedicará todo o empenho para ajudar nessa tarefa”, destacou.

Para Rosalia Mendez-Otero, professora titular do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a proposta do grupo de trabalho ainda requer muita discussão. “O problema é que, aparentemente, a proposta se refere à importação de material para pesquisa em saúde e poderá excluir artigos importantes utilizados em pesquisa biológica que não estão relacionados com saúde”, disse.

José Agenor Alvarez da Silva, diretor da Anvisa, ressaltou que, além do debate na oficina, a minuta que regulamenta as novas normas ainda passará por uma audiência pública. “Tudo será feito para que se possa dar agilidade às atividades de pesquisa sem perder de vista a segurança da saúde da população. As agências federais e vários ministérios estão envolvidos com a discussão, com participação da comunidade científica”, afirmou.

Segundo Oacy Toledo, após a oficina as críticas e sugestões serão levadas ao grupo de trabalho que está elaborando a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC).

“Nessa reunião de dois dias, o grupo de trabalho fechará a minuta. Haverá novo encontro nos dias 5 e 6 de dezembro com a cúpula da Anvisa. No dia 7, a minuta será apresentada à diretoria colegiada para aprovação. Ela será submetida, então, a uma consulta pública, cujo resultado sairá em 30 dias. Depois disso, o grupo de trabalho tornará a se reunir para publicação da minuta e a nova norma entrará imediatamente em vigor, ainda em janeiro”, explicou.

Fábio de Castro / Agência Fapesp

6º Congresso Internacional da Sociedade Internacional de Português – Língua Estrangeira

A Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) sediará, de 29 de novembro a 1º de dezembro, em São Carlos (SP), o 6º Congresso Internacional da Sociedade Internacional de Português – Língua Estrangeira.

O evento, que reunirá professores e pesquisadores de diversos países que atuam na área de ensino e aprendizagem de português para falantes de outras línguas, terá o tema “Vertentes culturais no ensino de português para língua estrangeira”.

Segundo os organizadores, ao lado das apresentações de trabalhos, sessões de comunicações e de painéis e aulas demonstrativas, será debatido como cada cultura aprende a língua portuguesa segundo seus costumes e particularidades.

Mais informações: www.ufscar.br/siple/congresso

Fonte: UFSC

7º Encontro Científico de Pós-Graduação do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo

O 7º Encontro Científico de Pós-Graduação do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (USP) será realizado de 30 de novembro a 1º de dezembro, em Bauru (SP).

O tema central será “Pesquisa e qualidade de vida”. A programação terá como convidados pesquisadores de diversos países, como Ronald Strauss, da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, que falará sobre “Quality of life outcomes in persons with facial differences”, e Carol-Ann Trotman, da mesma instituição, que abordará o tema “Controversies in cleft treatment”.

“A pós-graduação da USP e sua internacionalização”, “Pesquisa e bioética”, “O impacto da pesquisa básica na reabilitação das anomalias craniofaciais” e “Os desafios da equipe interdisciplinar: fissuras labiopalatinas” serão outros assuntos discutidos.

Mais informações: www.centrinho.usp.br

Fonte: Agência Fapesp

Amazônia - A maior floresta tropical e biodiversidade do mundo

A Amazônia tem escala e dimensão singulares e superlativas. É a maior floresta tropical do mundo e maior concentração da biodiversidade do planeta. Sua cobertura verde é uma embalagem viva sob a qual se esconde um universo de animais, plantas, micróbios, genes, climas, águas, índios, beleza e destruição. Cobre metade do território nacional. Não seria exagero dizer que o Brasil é o país da Amazônia, muito mais do que a Amazônia é a floresta do Brasil.

Se somadas as áreas de quase todos os países da Europa (excluindo os da antiga União Soviética), eles caberiam com folga dentro da superfície da Amazônia brasileira. O bioma inteiro tem 6,6 milhões de quilômetros quadrados, espalhados por nove países sul-americanos. O Brasil é dono de quase 65% disso, com mais de 4 milhões de km² de floresta. Só o Estado do Amazonas, com 1,6 milhão de km², tem quase cinco vezes a área da Alemanha ou três vezes o território da França, e é maior do que qualquer um dos outros países amazônicos – Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana e Suriname, fora a Guiana Francesa, que é uma possessão.

Referências à Amazônia brasileira aparecem de duas maneiras distintas. A primeira é o bioma Amazônia, uma definição ecológica que considera apenas as áreas de formação florestal e seus ecossistemas associados; tem 4,2 milhões de km², ou 50% do território nacional. A outra, chamada Amazônia Legal, é uma região política, que abrange os sete Estados do Norte (Amazonas, Pará, Roraima, Amapá, Acre, Rondônia e Tocantins), mais Mato Grosso e metade do Maranhão. Tem pouco mais de 5 milhões de km² e foi definida originalmente como área de jurisdição da antiga Sudam, a Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia, extinta em 2001 e recriada neste ano.

Além de áreas de floresta, inclui cerca de 730 mil km² de cerrado e outras formações naturais não florestais. Os 100 mil km² que sobram são as superfícies ocupadas pelos rios – um universo aquático quase do tamanho de Pernambuco. Normalmente, faz-se referência à Amazônia Legal quando se trata de dados econômicos; as estatísticas sobre desmatamento – ou desflorestamento – dizem respeito apenas às áreas de floresta. Desmatamentos em áreas de cerrado não são computados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Dentro disso tudo está a maior biodiversidade da Terra. São centenas de milhares de espécies de plantas e animais – ninguém sabe ao certo quantas –, forçadas a conviver com o predador mais inteligente e perigoso do reino animal, o homem. Segundo a última contagem do IBGE, 23,5 milhões de pessoas vivem na Amazônia. São apenas 13% da população brasileira, mas o suficiente para fazer um estrago de proporções planetárias.

O desflorestamento já consumiu 17% da Amazônia – 700 mil km², área equivalente a Minas Gerais, Rio e Espírito Santo somados. A maior parte foi transformada em madeira, carvão, carne e soja para saciar a demanda de mercados nacionais e internacionais. Mesmo com a dolorosa destruição provocada pelo homem, a Amazônia brasileira ainda é a maior extensão contínua de floresta tropical do mundo. A selva do Congo, segunda colocada, fica muito atrás, tanto em extensão (1,7 milhão de km²) quanto em número de espécies.

Um dos erros que se cometem é tratar a Amazônia como um “tapete verde” homogêneo. O que parece ser uma única floresta sem fim é, na verdade, um grande mosaico de paisagens e ecossistemas altamente diferenciados, compostos de planaltos, depressões, montanhas, terrenos alagados e de terra firme, rios de todos os tamanhos, águas de todas as cores, ácidas e alcalinas, florestas úmidas e secas, savanas, pântanos e manguezais, cada um com seu conjunto próprio de espécies e interações biológicas. “Já andei por muitos lugares na Amazônia e nunca vi duas localidades iguais”, diz a ecóloga Albertina Lima, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). “Cada lugar é diferente, cada um tem suas peculiaridades.”

No período das cheias, quando os rios invadem a floresta, a Amazônia tem mais áreas alagadas que o Pantanal. Tem também o maior conjunto de manguezais do mundo, com 14 mil km², no litoral de Pará e Maranhão. No interior da floresta se abrem grandes manchas de savana, idênticas a uma paisagem africana. A maior montanha do Brasil, o Pico da Neblina, com 2.993 metros, também está lá.

A idéia do tapete verde, além de equivocada, pode colocar em risco a preservação da biodiversidade, sugerindo que uma área é igual a outra, e que um desmatamento em Mato Grosso pode ser compensado com uma unidade de conservação no Amapá. Não pode. “Não faz sentido dizer que vamos preservar 10% ou 20% da Amazônia. Existem várias Amazônias, e todas merecem ser preservadas”, diz o biólogo José Maria Cardoso da Silva, vice-presidente de Ciência da ONG Conservação Internacional (CI).

Muitos cientistas trabalham com o conceito de grandes áreas de endemismo. São regiões separadas pelos grandes rios amazônicos, que funcionam como muralhas aquáticas, restringindo o fluxo de plantas e animais e, com isso, favorecendo a diferenciação geográfica de espécies. Por esse modelo, a Amazônia é um arquipélago de oito gigantescas ilhas fluviais, tão biologicamente distintas quanto os países europeus que cabem dentro delas. Só a área de endemismo Tapajós (entre os Rios Tapajós e Xingu), com 650 mil km², é maior do que toda a região Sul do Brasil (576 mil km²).

Outro modelo – usado pelo WWF e pelo Ibama – divide o bioma em 23 ecorregiões, agrupadas com base em características comuns de ecologia, geologia e clima.(Estadão)

Fonte: Sbef News