sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Novos paradigmas no combate ao câncer

Apesar de estar prestes a sediar o 2º Congresso Internacional de Controle do Câncer, que começa no domingo (25/11), no Rio de Janeiro – o primeiro foi realizado em 2005 no Canadá –, o Brasil ainda está longe de ser um exemplo em políticas de controle da doença.

São cerca de 500 mil novos casos a cada ano. Para Luiz Antônio Santini, diretor do Instituto Nacional do Câncer (Inca) e um dos responsáveis pela realização do congresso no país, o problema é que o Brasil tem incidência parecida com a dos países desenvolvidos, mas política de controle semelhante à dos subdesenvolvidos.

“Esse quadro precisa mudar. Para ter uma idéia da magnitude do problema, o número de casos de câncer no país a cada ano é maior do que o número de casos de Aids nos últimos 24 anos”, alerta o médico, que há dois anos dirige o Inca.

Para ele, o que diferencia a incidência entre as duas doenças é que, no caso da Aids, o país só não alcançou as previsões catastróficas de 20 anos atrás porque investiu em uma boa política de controle, diferentemente do câncer. Por outro lado, há uma semelhança: o fato de, assim como a Aids, o câncer ser, em boa parte dos casos, uma doença evitável e prevenível.

De acordo com Santini, o câncer deve ser encarado como um problema de saúde pública, e não como o mal incurável com que tradicionalmente tem sido encarado. Segundo ele, para uma política eficaz de câncer é necessário inicialmente definir prioridades de modo a alcançar a redução da incidência e da mortalidade e a melhoria da qualidade de vida dos pacientes.

“Apenas temos que identificar para quais tipos de câncer podemos fazer uma ação para alcançar esses resultados”, disse em entrevista à Agência FAPESP.

Luiz Antonio Santini Rodrigues da Silva foi professor e diretor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense (UFF), exerceu o cargo de subsecretário estadual de Saúde do Rio de Janeiro e é autor e co-autor de livros e trabalhos em cirurgia geral, cirurgia torácica, planejamento e administração de saúde. No Inca foi, durante quase dois anos, coordenador de ações estratégicas, até ser nomeado diretor geral.


O Brasil será sede este mês do 2º Congresso Internacional de Controle do Câncer. Podemos dizer que controle é a palavra de ordem no momento?
Sim. O câncer é a segunda causa de morte no Brasil. São 500 mil novos casos e 140 mil mortes por ano. Para ter uma idéia da magnitude do problema, o número de casos de câncer a cada ano é maior do que o número de casos de Aids nos últimos 24 anos. A magnitude da Aids poderia ter sido muito maior. E por que não é? Porque houve uma política de controle. Em 1986, quando surgiram os primeiros casos de Aids no Brasil, a expectativa era que, em 20 anos, teríamos de 2,5 milhões a 3 milhões de casos, mas não chegamos a 500 mil. Isso foi resultado de uma boa política de controle.

Não é mais fácil controlar a Aids do que o câncer?
Muito mais fácil, mas, em alguns casos, o controle do câncer é possível. Se diminuirmos o número de fumantes, reduziremos a incidência de câncer de pulmão. Isso é um dado real. Hoje o câncer de pulmão em homens caiu, mas está aumentando em mulheres, coincidindo com o aumento do número de mulheres fumantes e com a redução do fumo entre os homens.

Mas essa lógica pode ser aplicada a todos os tipos de câncer?
Não, mas pode ser aplicada, por exemplo, ao câncer de colo do útero, um tipo da doença que é evitável, prevenível e curável. Se uma mulher fizer apenas um exame de papanicolau na vida – e a nossa recomendação é de que a partir dos 25 anos elas façam este exame a cada três anos –, as chances de desenvolver câncer de colo do útero diminuem em 70%. Isso significa que fazer prevenção do câncer de colo do útero é uma medida que pode ter um grande impacto na redução da incidência e da mortalidade do segundo tipo de câncer que mais mata entre as mulheres. Em relação ao câncer de mama não podemos reduzir a incidência – ainda não sabemos por que a pessoa tem câncer de mama, diferentemente do câncer de colo do útero, que é causado por um vírus que causa uma infecção a qual acaba se transformando em tumor. No caso do câncer de mama existem vários fatores envolvidos, inclusive genéticos. Mas, se detectado precocemente, pode-se aumentar a expectativa de vida, e as chances de cura dessa paciente. Nesse caso, não se tem um impacto na incidência, mas na mortalidade. Se induzirmos políticas de hábitos de vida saudáveis, como redução de consumo de bebidas alcoólicas e melhoria no padrão alimentar, poderemos reduzir a incidência de câncer de estômago, de colo retal, basicamente de doenças do tubo digestivo que são ligadas a problemas alimentares. Se trabalharmos com políticas de informação adequadas poderemos diminuir em muito os casos de câncer de pele. Para isso, basta informação adequada, no sentido de que a pessoa tem que se proteger contra os efeitos dos raios ultravioleta. Em controle de câncer ainda há muito a ser feito no Brasil. A sociedade continua com uma visão da doença como uma coisa fatal, em que não há mais nada a ser feito. Hoje em dia, os países mais desenvolvidos já alcançaram possibilidade de cura em média de 60% e em alguns tipos específicos de câncer praticamente de 100%.

O senhor propõe que o câncer seja visto como um problema de saúde pública?
Propomos uma mudança de paradigmas, ao dizer que o câncer é uma doença generalizada na sociedade e que é prevenível, mas que isso só será possível se todos os médicos estiverem capacitados para fazer diagnóstico. Aí, então, passa a ser um problema de saúde pública e não de especialistas.

E o que pode advir dessa mudança de abordagem em relação à doença?
Esperamos uma redução na incidência dos tipos de câncer que podem ser controlados e uma redução da mortalidade naqueles em que não podemos influir na origem, na causa, mas no momento em que detectarmos. Quanto mais cedo o fizermos, maiores as chances de sobrevida.

Os 500 mil novos casos de câncer por ano implicam que até agora as políticas de câncer no Brasil têm sido ineficazes?
É importante destacar que os desafios mudaram. Há 70 anos, quando o Inca foi criado, o câncer era uma doença incurável. A instituição surgiu para oferecer ao paciente cuidados terminais, para oferecer a ele uma situação de conforto. Anos depois, surgiram as tecnologias de intervenção médica em alguns tipos de tumores, os mais visíveis, para que o paciente pudesse conviver socialmente. Não havia expectativa de cura, e sim de higiene. Mas, aos poucos, esses procedimentos passaram a reunir expectativa de cura, extensão da sobrevida e melhoria na qualidade de vida. A medicina passou a interferir na história natural do câncer, transformando-o de algo incurável para não curável, mas com uma sobrevida melhor, até aparecerem os procedimentos que passaram a produzir a cura, como a quimioterapia e a radioterapia. Hoje em dia, na maioria dos casos, o câncer é curável.

O quanto a pesquisa científica tem contribuído para isso?
Muito. Há um campo de pesquisa, por exemplo, que está produzindo conhecimento na área de genética e proteômica e que está interferindo na definição de modelos de medicamentos e de formas de tratamento. Outras áreas de pesquisa importantes são as comportamentais – como as que trabalham com o tabagismo – e as epidemiológicas, que produzem um sistema de informação fundamental sobre o câncer.

Quanto o Brasil gasta com o tratamento do câncer?
O país gasta hoje, entre internação hospitalar, quimioterapia e radioterapia, em torno de R$ 1,2 bilhão por ano. Isso sem contar o que vai para prevenção. E trata-se de um valor insuficiente. O gasto do câncer dobrou em cinco anos no Brasil, mas não com a melhoria nos resultados. Dobrou pelo aumento do número de casos. O desafio é melhorar o resultado.

O que é necessário fazer para ter uma política eficaz do câncer? É preciso definir prioridades de modo a alcançar redução na incidência e na mortalidade e melhoria na qualidade de vida. Temos que identificar para quais tipos de câncer podemos fazer uma ação de modo a alcançar esses resultados. No Brasil, há uma política específica para lidar com o tabagismo, que é um problema prioritário. A segunda prioridade é a redução de câncer de colo do útero, por ser essa a segunda causa de morte entre as mulheres. A terceira é a redução do câncer de mama, que pode ser detectável precocemente com a redução na mortalidade. O problema é que o Brasil tem incidência parecida com a dos países desenvolvidos e uma política de controle semelhante à dos países subdesenvolvidos. E esse quadro precisa mudar.

Washington Castilhos /Agência Fapesp

Agronegócio brasileiro: oportunidades e desafios em incubação de empresas

“Agronegócio brasileiro: oportunidades e desafios em incubação de empresas” é o tema do workshop que será realizado nos dias 27 e 28 de novembro, em Campinas (SP).

O evento pretende discutir as principais oportunidades, desafios e resultados de parcerias em incubação de empresas, implementadas entre os institutos de pesquisa, desenvolvimento e inovação, iniciativa privada e universidades do país.

Serão abordadas ainda questões sobre propriedade intelectual e licenciamento de tecnologias voltadas ao agronegócio.

A promoção é da Embrapa Informática Agropecuária e do Programa de Apoio ao Desenvolvimento de Novas Empresas de Base Tecnológica Agropecuária e à Transferência de Tecnologia.

Mais informações: www.cnptia.embrapa.br/incubar

Fonte: Agência Fapesp

Jovens e o uso de álcool e drogas

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Estação Ciência da Universidade de São Paulo (USP) promoverão, no dia 24 de novembro, na capital paulista, uma discussão sobre o tema “Jovens e o uso de álcool e drogas”.

O debate faz parte do ciclo gratuito Encontros do Conhecimento, que consiste em debates abertos sobre temas variados de enfoque científico-cultural.

A condução dos trabalhos será feita pela psicóloga Erika Turrini Carvalho Rocha, da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), que apresentará estudos que apontam como se dá a relação dos jovens com o uso de drogas.



Fonte: Agência Fapesp

Painel Setorial Inmetro Educação para a Ciência – a metrologia e a formação científica e tecnológica

Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), realizará, na próxima segunda-feira (26), em Duque de Caxias (RJ), o Painel Setorial Inmetro Educação para a Ciência – a metrologia e a formação científica e tecnológica. O Inmetro é uma instituição associada à ABIPTI.

O objetivo é definir, nos diversos segmentos da educação, os caminhos para a construção de uma sociedade capaz de incorporar o desenvolvimento tecnológico com responsabilidade social, por intermédio da capacitação de recursos humanos e desenvolvimento da educação em metrologia e avaliação da conformidade.

De acordo com texto publicado pelo instituto, o painel permitirá criar um ambiente propício ao consenso sobre ações de difusão da cultura metrológica.

Painéis
Os painéis setoriais do Inmetro têm servido para identificar e atender prioridades e demandas da sociedade no campo da metrologia e da qualidade de produtos, de processos e de serviços. A estrutura funciona como um canal aberto de relacionamento, por meio da participação direta de diversos atores.

Informações adicionais, pelo site http://www.inmetro.gov.br/ .

Fonte: Gestão CT

Desafios e oportunidades para o Desenvolvimento do uso e proteção dos conhecimentos tradicionais à biotecnologia

A Academia de Inovação e Propriedade Intelectual do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) promove hoje, no Rio de Janeiro (RJ), uma palestra com o professor britânico Graham Dutfield, especialista em biotecnologia e mecanismos de proteção da inovação.

A palestra, que terá como tema “Desafios e oportunidades para o Desenvolvimento: do uso e proteção dos conhecimentos tradicionais à biotecnologia”, abre o Ciclo de Estudos em Propriedade Intelectual e Desenvolvimento, resultado de uma parceria entre os governos brasileiro e britânico que, até março de 2008, trará outros especialistas do Reino Unido ao Brasil.

O evento é voltado para alunos do mestrado e técnicos em biotecnologia do instituto. Durante sua palestra, Dutfield dará atenção especial aos mecanismos para que a propriedade intelectual se transforme em arma estratégica para o desenvolvimento.

Dutfield, da Universidade de Leeds, é ex-consultor de diversos governos e de agências da Organização das Nações Unidas (ONU) e já desenvolveu pesquisas sob temas como recursos genéticos, biopirataria e acesso a medicamentos.

Além de Dutfield, estarão presentes no evento a chefe de Estratégia Internacional do Escritório de Propriedade Intelectual do Reino Unido (Ukipo, sigla em inglês), Michelle Frew; o primeiro-secretário da Embaixada Britânica no Brasil, John Wilkinson; e o presidente do INPI, Jorge Ávila.

Fonte: Gestão CT

Justiça proibe comercialização de produtos transgênicos sem a devida identificação

A Justiça Federal, atendendo a uma ação do Ministério Público Federal no Distrito Federal (MPF/DF) e do Instituto de Defesa de Consumidor (Idec), proibiu a comercialização de alimentos que contenham transgênicos, sem a expressa referência dessa informação nas embalagens do produto. A decisão vale para todo o país.

Segundo informações do MPF, a decisão considera inconstitucional parte do decreto 4.680/03, que regula a rotulagem desse tipo de alimento. A legislação determina que a identificação na embalagem deve ser obrigatória apenas para os alimentos que contenham mais de 1% de transgênicos em sua composição.

Com a decisão da Justiça Federal, passam a ter a rotulagem obrigatória todos os alimentos que contenham os organismos geneticamente modificados (OGMs), independente da quantidade de transgenia contida.

“Ainda que a margem de 1% se mostre tecnicamente segura, deixa de proporcionar o pleno conhecimento da situação, como pré-requisito necessário do direito de escolher conscientemente entre as opções disponíveis, seja por motivo cultural, religioso ou hábito alimentar”, declarou a juíza Isa Tania Cantão Barão Pessoa da Costa, que proferiu a sentença.

Ainda de acordo com o MPF, a ação civil pública foi impetrada em 2001. Informações complementares podem ser obtidas pelo telefone (61) 3313-5459.

Fonte: Gestão CT

CNPq lança edital para a popularização da ciência e tecnologia .

No dia 20, o CNPq lançou uma nova chamada. É o edital nº 42/2007, voltado para apoiar projetos de popularização da ciência e tecnologia das universidades, instituições de pesquisa, museus, centros de ciência, planetários, fundações, entidades científicas e outras instituições. A data limite para submissão das propostas é o dia 22 de janeiro.

A chamada pretende incentivar atividades que propiciem a difusão e popularização da C&T junto à sociedade brasileira, a instalação e o fortalecimento institucional de museus e centros de ciências e outras iniciativas que promovam a divulgação científica e a melhoria da qualidade do ensino informal de ciências.

Serão disponibilizados recursos da ordem de R$ 7 milhões. O valor máximo que será concedido por projeto é de R$ 400 mil. As propostas poderão ser apresentadas por pesquisadores, professores e especialistas vinculados a instituições que promovam atividades de popularização da C&T.

Veja o edital em: http://www.cnpq.br/editais/ct/2007/docs/042_2007.pdf .

Fonte: Gestão CT

MCT e MAPA - Parceria para o desenvolvimento da agropecuária e agronegócio.

Os ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), e da Ciência e Tecnologia (MCT) firmaram uma cooperação técnica para a formulação de políticas de apoio ao desenvolvimento científico-tecnológico e de inovação na área da produção agropecuária e do agronegócio.

A medida integra o Plano de Ação do MCT para os próximos três anos e foi publicada hoje (22), em forma de portaria, no Diário Oficial da União (DOU). Um dos objetivos do acordo é desenvolver projetos e programas que articulem as iniciativas voltadas para o apoio ao desenvolvimento científico, tecnológico e de inovação referentes a temas de interesse da produção agropecuária e do desenvolvimento do agronegócio.

A iniciativa também pretende contribuir para o fortalecimento da indústria nacional na área de interesse do agronegócio e estimular o aumento da capacitação para a inovação tecnológica e a diminuição da vulnerabilidade externa. Outra diretriz da cooperação será a de produzir, aplicar e disseminar novos conhecimentos buscando aproximar as inovações científicas e o desenvolvimento tecnológico a estes setores, viabilizando soluções para o desenvolvimento sustentável, com foco no agronegócio, por meio da geração, adaptação e transferência de conhecimento e tecnologias.

Os dois ministérios vão ainda incentivar a constituição de grupos de pesquisa e de cooperação técnica com ênfase em temas de interesse e estimular a promoção de eventos para socializar experiências e divulgar estudos, experiências e produção técnico-científica e de inovação relacionados à agropecuária e ao agronegócio.

As ações para atender as novas políticas serão determinadas por um comitê que contará com representantes do MCT, do Mapa e da Embrapa, instituição associada à ABIPTI. A portaria ainda prevê que o comitê poderá contar com a participação de representantes de outros órgãos federais, estaduais, distritais e municipais, entidades públicas ou organizações da sociedade civil.

A íntegra da portaria está disponível o endereço.

Fonte: Gestão CT

MCT e MDIC - Parceria para apoiar o desenvolvimento tecnológico nas empresas.

Os ministérios da Ciência e Tecnologia (MCT) e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) instituíram uma parceria de cooperação técnica para a formulação de políticas de apoio ao desenvolvimento tecnológico das empresas industriais e de serviços, por intermédio da integração das Políticas Industrial e de Inovação Tecnológica.

A portaria nº 744, que prevê tal ação, foi publicada na edição de hoje (22) do Diário Oficial da União (DOU). A parceria, que faz parte do Plano de Ação do MCT, tem entre seus objetivos a idéia de dinamizar a estrutura produtiva pela busca da integração da eficiência econômica com a inovação tecnológica.

Outra proposta é produzir, aplicar e disseminar conhecimentos sobre desenvolvimento industrial e inovação tecnológica, além de incentivar a constituição de grupos de pesquisa e cooperação técnica, com ênfase em temas relacionados ao desenvolvimento das empresas, principalmente, aqueles relacionadas às funções de PD&I, serviços tecnológicos, extensionismo tecnológico e transferência de tecnologia.

A proposta é que as ações sejam coordenadas por um comitê interministerial que irá elaborar um plano de trabalho com as diretrizes das atividades a serem realizadas. A comissão será composta por três representantes do MCT e três do MDIC. A portaria ainda prevê que o comitê entregue o relatório final determinando as ações num prazo de 90 dias.

Para conferir a íntegra da portaria, acesse o endereço.

Fonte: Gestão CT

Divulgação científica como instrumento de construção da democracia e cidadania

Durante a sessão de abertura do 9º Congresso Brasileiro de Jornalismo Científico, na manhã desta quinta-feira (22/11), Celso Lafer, presidente da FAPESP, citou o matemático norte-americano Norbert Wiener (1894-1964), considerado o fundador da cibernética, para ilustrar a importância da boa divulgação científica e tecnológica feita por jornalistas brasileiros.

Wiener dizia que ser livre é ser bem informado e, à medida que o jornalismo científico transmite os avanços em diferentes áreas do conhecimento, ele oferece a todos aqueles que têm acesso a essa informação uma oportunidade de se libertar”, disse Lafer no auditório da FAPESP, que recebe o congresso promovido pela Associação Brasileira de Jornalismo Científico (ABJC) até esta sexta-feira.

“Vejo o trabalho de divulgação científica como um instrumento de construção da democracia e da cidadania, uma vez que gera informações seguras e exatas que nos libertam e nos fazem entender o mundo ao nosso redor”, afirmou.

Nesse contexto, Lafer, que é professor titular do Departamento de Filosofia e Teoria Geral do Direito da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), destacou uma das responsabilidades da FAPESP – estabelecida no artigo 3º da Lei Orgânica 5.918, de 18/10/1960, que instituiu a Fundação –, que é apoiar a divulgação de resultados de pesquisas.

“A FAPESP tem dado uma interpretação ampla a esse artigo com a revista Pesquisa FAPESP e com seus sites, além de apoiar eventos dessa natureza que reúnem jornalistas científicos da maior relevância no país”, disse.

Segundo Ildeu de Castro Moreira, diretor do Departamento de Popularização e Difusão de C&T do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), o interesse dos brasileiros pelo assunto é muito alto, como mostraram entrevistas feitas durante as Semanas Nacionais de Ciência e Tecnlogia.

“Mas, quando a população é questionada sobre em quais veículos de comunicação ela tem acesso à informação científica de qualidade, os números caem drasticamente, uma vez que ainda temos poucos programas de televisão sobre ciência, raríssimos programas de rádio e as pesquisas nem sempre são descritas na mídia de maneira qualificada”, afirmou.

“Por isso, devemos formar mais e melhores jornalistas científicos para aumentar a presença desses temas na mídia, a exemplo da TV Cultura em São Paulo, que comunica a ciência muito bem, e também nos canais da televisão pública que está sendo desenhada”, disse Moreira.

Ao fazer a abertura oficial dos trabalhos do evento, Wilson da Costa Bueno, presidente da ABJC, fez menções às comemorações dos 30 anos da entidade e ao centenário de nascimento do jornalista e pesquisador José Reis (1907-2002), um dos fundadores e primeiro presidente da associação.

“A ABJC está comprometida com o debate sobre a qualidade das informações científicas divulgadas no país e, por isso, queremos resgatar, com esse congresso, experiências, práticas, pesquisas e reflexões sobre o jornalismo brasileiro”, disse Bueno.

Durante o encontro, que se encerra nesta sexta-feira (23/11) e tem o tema central “Jornalismo Científico e Sociedade: os novos desafios”, serão apresentados cerca de 40 estudos, oralmente e em forma de pôsteres, além do lançamento de livros.

O congresso tem apoio da FAPESP, do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo.

Mais informações: www.abjc.org.br

Fonte: Thiago Romero / Agência Fapesp