quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Petrobras, Companhia Vale do Rio Doce e Embraer, únicas empresas brasileiras no "2007 R&D Scoreboard"

O governo do Reino Unido divulgou no dia 12 de novembro o "2007 R&D Scoreboard", 17ª edição de seu relatório anual sobre os investimentos de empresas em pesquisa e desenvolvimento (P&D).

De acordo com o documento, elaborado e publicado pelo novo Departamento de Inovação, Universidades e Habilidades (Dius, sigla em inglês), a média dos gastos das 1.250 empresas mais ativas em P&D do mundo permaneceu na faixa de 3,5% do faturamento de 2005 para 2006. No mesmo período, entretanto, o volume de recursos destinados por todas elas a essas atividades aumentou 10%, totalizando 244 bilhões de libras (cerca de US$ 504 bilhões, pela cotação do dia 12). Desse valor, 81% correspondem aos dispêndios de firmas dos Estados Unidos, Japão, Alemanha, França e Reino Unido. Não por acaso, das dez primeiras empresas do ranking de gastos com P&D em 2006, apenas uma não está sediada em um desses cinco países — a sul-coreana Samsung Electronics, que perdeu uma posição em relação a 2005 e ficou em 10º lugar.

No topo da lista, o domínio é das companhias norte-americanas: na primeira colocação aparece a gigante farmacêutica Pfizer (2ª em 2005), com dispêndio de 3,882 bilhões de libras (US$ 8 bilhões); na segunda, a montadora Ford (1ª em 2005), com 3,678 bilhões de libras (US$ 7,6 bilhões); e na terceira, a fabricante de produtos para higiene pessoal Johnson & Johnson (7ª em 2005), com 3,64 bilhões de libras (US$ 7,5 bilhões).

O Brasil tem três representantes na classificação do governo britânico para 2006: Petrobras, Companhia Vale do Rio Doce e Embraer — as mesmas que figuraram na lista do ano anterior. Com investimento de 371,45 milhões de libras (US$ 766,5 milhões), equivalente a 1% de seu faturamento e 82% maior do que o de 2005, a Petrobras conseguiu passar da 183ª para a 132ª colocação.

A Vale foi a que mais ganhou posições: passou do 262º para o 181º lugar. O gasto da empresa em 2006, de 245,76 milhões de libras (US$ 507,15 milhões), superou o de 2005 em 74% e correspondeu a 2,4% do faturamento. A Embraer cresceu com menos força do que suas companheiras no ranking, apesar de ter destinado uma parcela maior do faturamento às atividades de P&D — 3%. O investimento de 57,6 milhões de libras (US$ 118,86 milhões) feito pela firma ficou 21% acima do de 2005, levando-a da 621ª para a 581ª colocação. Somadas, as brasileiras investiram 674,81 milhões de libras (US$ 1,4 bilhão) no ano passado.

Entre os quatro países que formam o grupo de nações emergentes conhecido pela sigla Bric, o Brasil só superou a Rússia em quantidade de empresas no ranking — como em 2005, a única representante russa é Gazprom, do setor energético, que conseguiu saltar 310ª para a 172ª posição graças a seu gasto de 254,7 milhões de libras (US$ 525,6 milhões).

China e Índia tiveram um desempenho muito melhor: de 2005 para 2006, o número de companhias chinesas na lista do governo britânico passou de cinco para sete; o de indianas, de três para sete. Juntas, as firmas da China investiram 765,67 milhões de libras (US$ 1,58 bilhão) no ano passado. O maior dispêndio, de 278,87 milhões de libras (US$ 575,5 milhões), foi o da PetroChina, que passou do 185º para o 162º lugar, mas ainda está atrás da Petrobras, a brasileira mais bem-colocada. No caso da Índia, os investimentos das empresas classificadas somaram 268,17 milhões de libras (US$ 553,4 milhões). A Tata Motors, antes 564ª e hoje 401ª colocada, investiu 91,99 milhões de libras (US$ 189,8 milhões) e garantiu a melhor posição entre as representantes indianas. De modo geral, os gastos corporativos da China e da Índia cresceram mais de 30% entre 2005 e 2006.

No mapa do investimento em P&D , o governo britânico listou apenas os países que têm empresas situadas entre as 300 de maior investimento. Assim, Rússia e Índia não aparecem. Em relação à América do Sul, o Brasil está sozinho no mapa e também no ranking das 1.250 empresas. Os únicos países das Américas citados na lista são Estados Unidos, Canadá, Brasil, Bermuda e Ilhas Caima. Estes dois últimos têm, respectivamente, seis e duas empresas classificadas. As de Bermuda totalizaram 1,1 bilhão de libras (US$ 2,27 bilhões) em investimentos em P&D e as das Ilhas Caimã, 83,18 milhões de libras (US$ 171,65 milhões).

Com base nos investimentos das 300 primeiras empresas do ranking global, o relatório mostra também quais foram os setores mais intensivos em P&D no ano passado. A indústria farmacêutica e de biotecnologia, encabeçada por Pfizer, Johnson & Johnson, GlaxoSmithKline (Reino Unido), Sanofi-Aventis (França) e Roche, respondeu por 19,4% dos gastos e roubou a liderança do setor de tecnologia. Atual segundo colocado, este foi responsável por 17,7% do total destinado a P&D. As principais investidoras do setor em 2006 foram, na ordem, a norte-americana Intel, a finlandesa Nokia, as também norte-americanas Motorola e Cisco Systems e a sueca Ericsson. O setor automobilístico, capitaneado por Ford, DaimlerChrysler (Alemanha), Toyota (Japão), General Motors (EUA) e Volkswagen (Alemanha) vem em terceiro lugar, com 16,8% dos investimentos.

Os setores eletroeletrônico, responsável por 7,4% dos dispêndios, e de software e serviços computacionais, por 7,2%, foram o quarto e o quinto mais ativos em P&D. No primeiro caso, os maiores investimentos foram feitos pelas companhias Siemens (Alemanha), Samsung, Canon (Japão), LG Electronics (Coréia do Sul) e Sharp (Japão). No segundo, prevaleceram as norte-americanas Microsoft, IBM e Oracle, seguidas pela japonesa Fujitsu e pela alemã SAP. Os 31,6% restantes são resultado da soma dos gastos dos demais setores; dentre eles, o químico, o aeroespacial e de defesa e o de produtos para o lazer contribuíram com os maiores volumes de recursos.

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Fonte: Rachel Bueno / Inovação Unicamp

4ª Conferência Anual do Instituto de Ciência e Tecnologia em Resíduos Sólidos - ICTR

Política nacional de resíduos sólidos é o tema da 4ª Conferência Anual do Instituto de Ciência e Tecnologia em Resíduos Sólidos (ICTR), que se realiza no próximo dia 23, em São Paulo, às 9h30, no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), vinculado à Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen/MCT).

Pesquisadores e especialistas se reunirão para discutir sobre políticas públicas, meio ambiente, educação ambiental, novas tecnologias no tratamento de resíduos e suas inter-relações com a saúde da população.

Participarão do encontro o secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente, Luciano Zica, e o deputado federal Arnaldo Jardim. O encontro pretende servir como fórum de divulgação de novas idéias e tecnologias em busca do desenvolvimento sustentável.

No período da manhã, estará em debate o tema central da conferência. Na parte da tarde, o tema da mesa-redonda será aquecimento global e comercialização de créditos de carbono. A abertura do encontro será realizada pelo superintendente do Ipen Claudio Rodrigues.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelos telefones (11) 4229-0046 e 3133-9820 ou por e-mail .

O programa completo e outras informações no site http://bemtevi2.ipen.br/sitio/?idc=2809 .

O Ipen está situado na Avenida Professor Lineu Prestes, 2242, Cidade Universitária, em São Paulo (SP).

Sobre o ICTR
O ICTR foi criado em 2002 por um grupo de pesquisadores e professores das universidades públicas paulistas, para discutir e implementar projetos voltados para a melhoria das condições ambientais e sociais da comunidade, com foco na área de resíduos e no desenvolvimento sustentável. Tem como diretora executiva a pesquisadora do Ipen Celina Lopes Duarte.

Mais informações no site http://www.ictr.org.br/ictr , ou pelo telefone (11) 3133-9092/ 9095

Fonte: Agência CT

9 mil escolas ganham telecentros

Nove mil escolas públicas urbanas de todo o País que ainda não dispõem de laboratórios de informática passarão a contar com o serviço a partir do início de 2008. Na semana passada, a Secretaria de Educação a Distância (Seed/MEC) escolheu uma empresa, por meio de pregão eletrônico, que fornecerá e instalará os telecentros.

A confirmação da escolha ocorreu após a realização de teste de aderência durante o qual diretores e técnicos da secretaria avaliaram uma amostra de laboratório idêntica às nove mil estações que serão fornecidas pela empresa. O exame, que durou dois dias, avaliou se os equipamentos fornecidos atendiam aos requisitos e às configurações exigidos pelo Programa Nacional de Informática na Educação (Proinfo).

Cada laboratório será composto por dez microcomputadores com estabilizador de tensão, uma impressora a laser e um roteador. Com a aprovação do MEC, a empresa começará, no início do ano que vem, a entregar e instalar as estações e a oferecer suporte para as escolas espalhadas pelas 27 unidades da federação. A empresa também terá a responsabilidade de oferecer todo o suporte necessário às escolas beneficiadas.

“Desde o início de 2007, o ProInfo já passou de um atendimento de 1.800 municípios para aproximadamente 5.300, saltando de aproximadamente 6.500 para 13 mil escolas até o final do ano. Com isso, nós já praticamente universalizamos o atendimento às escolas de ensino médio brasileiras”, explica o diretor do Departamento de Infra-Estrutura Tecnológica da Secretaria de Educação a Distância, José Guilherme Moreira.

A previsão é de que, até 2010, cerca de 80 mil escolas de 5ª a 8ª séries que ainda não contavam com laboratórios de informática terão sido equipadas pelo Programa Nacional de Informática na Educação, sendo 20 mil delas em 2008.

Certificação digital
O Ministério da Educação também assinou convênio para adoção de certificação digital com Caixa Econômica Federal. Segundo o ministro da Educação, Fernando Haddad, com a assinatura eletrônica os gestores públicos poderão se relacionar eletronicamente com o MEC com mais segurança. Entre as transações eletrônicas facilitadas pela certificação digital estão o Censo Escolar, informações sobre as condições do programa Bolsa Família e até convênios firmados entre o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação e estados e municípios.

Fonte: Em Questão

UNB inaugura o LABSTRATOS - Laboratório de Análise de Corretivos, Adubos e Substratos

No último dia 9 de novembro, a Universidade de Brasília (UnB) inaugurou o Laboratório de Análise de Corretivos, Adubos e Substratos (Labstratos), localizado na Fazenda Água Limpa, no Park Way. Nele, os produtores, agricultores, pecuaristas, as empresas públicas e privadas poderão ser orientados sobre formas de potencializar o plantio, e a produção, já que o laboratório oferecerá análise da terra, e indicação do melhor adubo e fertilizante a ser usado de acordo com o solo.

A construção teve início em 2005 e, de acordo com a Assessoria de imprensa da Unb, a área do laboratório consiste em 540 m², estruturada em quatro ambientes: o laboratório de pesquisa; um local para preparo do material de análise; um espaço para estudo e reuniões; e sala de aula.

O slogan do laboratório, "Racionalize a aplicação de insumos", evidencia a preocupação no estudo e correção do solo, e na necessidade em tornar público essas informações antes do plantio, o que favorece a redução dos gastos e reflete na qualidade dos produtos alimentícios a serem comercializados na região.

Como funciona
As amostras poderão ser recebidas e o relatório da análise entregue pelos Correios ou na sala de recepção do laboratório. O encaminhamento do relatório também poderá ser feito por e-mail. Além disso, os pesquisadores fazem visitações a domicílio.

Saiba mais sobre o laboratório  pelo telefone (61) 3380-2021.

Fonte: Agronegócios e Inovação

Pesquisador do INPE ganha prêmio de melhor trabalho de poster

O pesquisador Nelson Veissid, do Laboratório Associado de Sensores e Materiais (LAS/CTE), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT), ganhou o prêmio de melhor trabalho de pôster na 3ª Conferência Regional sobre Mudanças Globais: América do Sul, realizada de 4 a 8 deste mês, em São Paulo (SP).

O trabalho apresenta os resultados do Experimento Célula Solar, que está a bordo do satélite SCD-2 (Satélite de Coleta de Dados) do Inpe. As células do experimento, atuando como sensores de radiação visível, permitem medir o albedo (quantidade de radiação solar refletida por um corpo ou uma superfície) da Terra sobre a América do Sul.

Estes dados, colocados na forma de imagens e gráficos, possibilitam o monitoramento de mudanças climáticas globais.

Uma das conclusões do trabalho é a constatação de mudança climática na região do Atlântico sul, principalmente nos primeiros semestres de 2004 e 2005. A informação pôde ser obtida comparando-se a estatística dos dados desses dois anos com os dados do período de 1999 a 2003.

O processamento dos dados nos anos seguintes irá mostrar se este fato foi decorrente de alguma variação sazonal ou se ele confirma, realmente, que está acontecendo alguma mudança climática global, ficando estabelecida uma nova técnica para o monitoramento dessas alterações.

Fonte: INPE

Lançados clones de cajueiro para plantio comercial

Durante o 4° Caju Nordeste, que aconteceu de 25 a 27 de outubro, no município de Aracati (CE), a Embrapa Agroindústria Tropical em parceria com a Companhia de Óleos do Nordeste (Cione) lançou clones de cajueiro para plantio comercial.

O fruto é conhecido por seu alto teor nutritivo, por ser fonte de vitamina C, mas convencionalmente fabricado, ele possui baixa produtividade e rentabilidade. Os novos tipos de caju são BRS 274 (Jacaju) e o BRS 275 (Dão).

A inovação objetiva suprir a demanda de exportações do fruto, com castanhas e produtividade maiores. Após 14 anos de pesquisa, a Embrapa espera disponibilizar as mudas dos clones do caju a partir de janeiro do próximo ano. Atualmente, ela também desenvolve outras pesquisas que envolvem o fruto, como a criação da barra de caju.

Para saber mais, acesse o site da Embrapa Agroindústria Tropical, http://www.cnpat.embrapa.br/ ou o site do evento http://www.cajunordeste.com.br/

Fonte: Agronegócio e Inovação

Em 3 anos Brasil estará 100% conectado à internet banda larga

Em três anos o país inteiro estará conectado à internet banda larga. A afirmação foi feita pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa, durante o Fórum de Governança da Internet, na manhã desta terça-feira (13/11), no Rio de Janeiro. Uma proposta apresentada pelo ministério às operadoras vai permitir a montagem de uma rede que atenda os 3.570 municípios que ainda não têm conexão.

“O governo brasileiro está construindo uma vasta rede pública de alta velocidade para atender escolas, hospitais, delegacias, postos de saúde e associações comunitárias”, disse o ministro Hélio Costa.

Para isso, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) já aprovou a alteração no Plano Geral de Metas para a Universalização (PGMU) para que concessionárias da telefonia fixa levem banda larga a todos os municípios brasileiros até 2010, em vez de instalar 8.461 Postos de Serviços de Telecomunicações (PSTs).

Com a rede montada, o governo levará a conexão das centrais telefônicas até as escolas. Para isso, o MC vai investir pelo menos R$ 200 milhões. Os recursos poderão vir do Fust (Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações), do orçamento do ministério ou até mesmo das empresas de telefonia.

Consulta Pública
A proposta foi colocada em consulta pública, pela Anatel, até a próxima segunda-feira (19/11) pelo Sistema Interativo de Acompanhamento de Consulta Pública (SACP). Depois que a versão final do PGMU for aprovada pelo Conselho Diretor da agência, o texto será enviado para elaboração de decreto presidencial.

Fonte: Em Questão

Parceria Novozymes e CTC - Centro de Tecnologia Canavieira para desenvolver hidrólise do bagaço de cana

O contrato estabelecido entre a dinamarquesa Novozymes, maior produtora de enzimas industriais do mundo, e o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), de São Paulo, visa selecionar a enzima mais adequada para a hidrólise do bagaço da cana-de-açúcar entre os organismos existentes no acervo da empresa. A hidrólise é o processo que busca extrair glicose do material celulósico para que depois se possa obter etanol por fermentação. Como todos os vegetais contêm celulose, quem dominar o processo poderá, no futuro, produzir etanol de resíduos agrícolas, como palha de milho, de trigo e cavacos de madeira; e também do bagaço de cana, que contém um terço da energia armazenada na planta.

A Novozymes já fornece enzimas para quem estuda hidrólise de bagaço de cana para produção de etanol. Mas a enzima utilizada hoje não é a melhor, do ponto de vista econômico. "Temos um acervo de celulases [enzimas que digerem celulose] em muitos formatos, para uso no setor farmacêutico, alimentar, e agora queremos encontrar no nosso acervo uma enzima mais apropriada para utilização em um processo já conhecido [hidrólise], que não traga grandes problemas para o processo de produção [de etanol] já existente e que seja barata", destaca Victor Barbosa, presidente da empresa no Brasil. A fábrica instalada em Araucária, no Paraná, é a unidade de negócios da Novozymes para a América Latina.

O CTC foi escolhido como parceiro, segundo ele, pelo grande conhecimento acumulado a respeito do bagaço de cana. "Nada mais natural do que unir a empresa que lidera a produção de enzimas, tem um largo conhecimento da produção e um grande acervo de organismos a um centro de pesquisa que detém esse conhecimento", afirma, em entrevista exclusiva a Inovação. Segundo ele, não há um valor fixo para o projeto. As despesas serão custeadas à medida que o projeto avance. A Novozymes declara aplicar 12% de seu faturamento bruto global em atividades de pesquisa e desenvolvimento. De acordo com Barbosa, a média do setor é de 4% a 6%.

Espera-se que cinco cientistas da Novozymes venham do exterior para participar do projeto e trabalhar em conjunto com os pesquisadores do CTC. A equipe global da empresa trabalhando em P&D de enzimas para produção de etanol, segundo Barbosa, é formada por 110 cientistas — que estão na Dinamarca, na China, nos Estados Unidos (onde a empresa tem parceria com a Universidade de Washington) e, em breve, no Brasil. "Não está descartada a possibilidade de fazermos parcerias com outros centros de pesquisa e universidades aqui no Brasil para a execução do projeto com o CTC", acrescenta.

Os trabalhos de pesquisa e desenvolvimento acontecerão em escala de laboratório e piloto, para avaliar qual o impacto do aumento da escala de produção nos custos. Não se sabe ainda se os experimentos vão ocorrer no CTC, na Novozymes brasileira ou em outras unidades da firma no mundo. Posteriormente também será avaliada a necessidade de construção de uma planta de demonstração.

A empresa não definiu prazo para chegar a uma solução comercial. "Estimar tempo em projetos de pesquisa e desenvolvimento é atividade especulativa. Vamos trabalhar para chegar a uma solução no menor prazo possível. Sou otimista: talvez em dois anos tenhamos uma solução economicamente viável", explica. Sobre os direitos de propriedade intelectual, Barbosa responde que serão compartilhados entre os parceiros.

Não há governos envolvidos

A assinatura do contrato, feita durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Dinamarca, foi um ato simbólico. Não há participação dos governos nesse projeto. Em abril deste ano, o primeiro-ministro dinamarquês, Anders Fogh Rasmussen, visitou o Brasil. Na ocasião, ele e o presidente Lula estabeleceram uma pauta de intercâmbio pela qual a Dinamarca poderia auxiliar o Brasil na venda de etanol para a União Européia, e que também abriu possibilidade de parcerias tecnológicas para aumentar a competitividade e produção do combustível, entre outros termos de interesse.

Depois dessa visita, iniciaram-se as conversas entre Novozymes e CTC. Quando as empresas chegaram a um acordo, já era época da visita do presidente brasileiro à Dinamarca. Por isso, a assinatura do contrato aconteceu na ocasião, na presença das autoridades, já que o incentivo para produção e uso de bioenergia faz parte da agenda de ambos os países. O acordo foi assinado dia 13 de setembro.

Não há recursos públicos na parceria. "É uma situação diferente da dos Estados Unidos, que oferece incentivo para apressar as descobertas para hidrólise do amido de milho", compara Barbosa. Lá, a Novozymes foi uma das duas empresas selecionadas para o trabalho em parceria com universidades. A universidade entra com dinheiro e a gente tem um prazo de dois anos para encontrar uma solução."

Ao final do projeto, a Novozymes vai comercializar as enzimas capazes de hidrolisar o bagaço de cana. Não há definição sobre o local de produção. "Hoje, com a globalização, a gente produz aqui para países como Dinamarca, China, Estados Unidos", aponta.

A empresa pretende fazer um estudo da logística para saber se seria melhor instalar uma indústria perto das usinas, para atender um grupo delas, ou se poderia montá-la na unidade do Paraná. Além disso, é preciso investigar se a enzima para etanol resiste ao processo de desidratação durante o transporte. "Diria que a questão da logística, de como vamos servir o mercado, é tão importante quanto a seleção da melhor enzima para hidrolisar o bagaço", afirma. A pergunta será respondida no decorrer do projeto cooperativo da Novozymes e do CTC.

Barbosa diz conhecer o Programa Bioetanol, projeto nacional financiado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) que estuda o processo de hidrólise enzimática. "Imagino que teremos dois, três fornecedores dessa tecnologia. Mas só o futuro dirá quais são as melhores enzimas", conclui.

Inovação procurou também o CTC. A assessoria de imprensa do instituto de pesquisa, para recusar o pedido de entrevista, informou que o acordo ainda está sendo finalizado e que o centro até agora não sabe "quais informações poderão ser divulgadas".

Repercussões na comunidade científica

Pesquisadores envolvidos com o tema no Brasil e ouvidos por Inovação tiveram opiniões contraditórias em relação ao acordo. Para um deles, que participa do Projeto ou Programa Bioetanol, o acordo é um "erro estratégico", porque o Brasil perderá a independência tecnológica que lhe garantiu a supremacia na produção de etanol. E perderá também os benefícios econômicos e sociais do desenvolvimento de uma tecnologia independente. O Projeto Bioetanol, que reúne 150 pesquisadores, trabalha justamente para selecionar as enzimas eficientes para digerir o bagaço de cana. Esse pesquisador diz ainda que os custos dos biocatalisadores [as enzimas] produzidos pela Novozymes nos Estados Unidos ainda são tidos como elevados.

Outro pesquisador do Projeto Bioetanol ressalta que o Brasil já tem condições de produzir enzimas viáveis para hidrolisar o bagaço e a palha de cana. Ele diz que os contatos e acordos com grupos de pesquisa ou empresas internacionais sempre ocorrerão, independentemente de o esforço nacional ser suficiente ou não. Esse mesmo cientista alega não ver necessidade de um acordo para aquisição de enzimas da Novozymes. Ele observa, no entanto, que não deixaria de usar as enzimas da empresa, até para poder compará-las com o complexo enzimático produzido no âmbito do Bioetanol.

Outro pesquisador, também da rede do Bioetanol, que tem contato com grupos de pesquisa da Dinamarca, considera o acordo válido, pois, para ele, o Brasil está atrasado no desenvolvimento dessa tecnologia. Isso ocorreu justamente por causa da vantagem brasileira na produção de etanol a partir da fermentação de sacarose — produzimos o etanol mais barato do mundo. Por essa razão, o Brasil não precisou recorrer a outros processos para fabricação do combustível. Para esse pesquisador, colaborações como a estabelecida entre a Novozymes e o CTC podem garantir que o País não perca mais tempo e não se torne um mero comprador de tecnologia, já que está participando do desenvolvimento. Ele ressalta ser importante incorporar mais players nacionais (empresas, universidades e institutos de pesquisa) por meio de parcerias. Destaca ainda o fato de o CTC pertencer ao Projeto Bioetanol, que pensa em patentear a tecnologia que vem desenvolvendo e, portanto, trata alguns dados de maneira sigilosa. Será um desafio para o CTC lidar com os dois projetos, que têm interesses iguais, mas são tocados por instituições diferentes e têm políticas de sigilo (no caso, um consócio público de pesquisa e uma empresa privada).

O mesmo pesquisador explicou ainda a Inovação que a Novozymes têm um processo para hidrólise diferente da rota estudada no Brasil pelos cientistas do Projeto Bioetanol. Eles utilizam um processo de pré-tratamento do bagaço chamado de oxidação alcalina úmida, que retira a lignina (material muito resistente que recobre os organismos vegetais e é um protetor das plantas contra estresses, em especial mecânicos) e as pentoses (açúcares de cinco carbonos, que não são usados ainda para produção de etanol porque não há microorganismo que os fermente). No Brasil, usa-se como pré-tratamento a explosão a vapor, já conhecida e aplicada pelas usinas que utilizam o bagaço para fazer ração para gado — processo não tão eficiente quanto o de oxidação, segundo esse pesquisador. Em contraponto, os pesquisadores do Projeto Bioetanol alegam que a escolha do processo de explosão a vapor para pré-tratamento se deu porque ele é dominado pelas usinas, o que facilita a adoção mais imediata da tecnologia. Para esse pesquisador, daqui a cerca de cinco anos devemos ter um processo de hidrólise enzimática pronto, de fato, para o mercado.

Outra fonte de Inovação, um pesquisador não integrante do Projeto Bioetanol, também acredita que parcerias internacionais como a do CTC com a Novozymes podem ser vantajosas. Para ele, o risco de o País se tornar um mero importador de tecnologia, em casos assim, dependerá da forma como serão desenhados os contratos. "Não é tão fundamental saber onde será desenvolvida a tecnologia, mas sim o trabalho em conjunto. Um exemplo positivo nesse sentido é o da Dedini, que resolveu fazer plantas de biodiesel e firmou parceria com uma empresa italiana [DeSmet Ballestra] para adquirir o processo", lembra. "Ter a enzima não significa ter o processo de hidrólise. A enzima é só uma parte. Por exemplo, há maior produção de vinhaça com a hidrólise; como vão resolver isso?", conclui.

Além da Novozymes e do CTC, no Brasil há pelo menos outras duas iniciativas empresariais voltadas para a busca de um processo de hidrólise enzimática comercial. Uma é da empresa de biotecnologia Biocell, financiada pela Votorantim Ventures, o fundo de capital de risco do Grupo Votorantim. Ela trabalha em parceria com outra firma, a Bioenzimas, situada em Caruaru (PE), que já fabrica enzimas utilizadas no processo de confecção de roupas jeans, para dar um efeito de 'lavagem', de material gasto.

Fonte: Janaína Simões / Inovação Unicamp

Produção Orgânica de Hortaliças – o produtor pergunta e a Embrapa responde

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) em parceria com Pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Hortaliças) anunciou na sexta feira, dia 9 de novembro, em Brasília, o lançamento do livro Produção Orgânica de Hortaliças – o produtor pergunta e a Embrapa responde.

Em comemoração à 3ª Semana dos Alimentos Orgânicos, que aconteceu de 5 a 11 de novembro, em Brasília, a publicação traz esclarecimentos sobre as vantagens dos produtos orgânicos, por não possuírem substâncias químicas. O livro serve para motivar a produção, abordando técnicas de plantio das hortaliças, os cuidados com o solo e a adubação, o controle das pragas, o planejamento pós-colheita e a legislação que rege produtos orgânicos.

O livro custa R$ 30, e pode ser adquirido na sede da Embrapa, em Brasília, ou pela livraria virtual no site da empresa, www.embrapa.br .

Fonte: Agronegócio e Inovação

Resultados do 2° Encontro Anual de Biofortificação de Alimentos

A Embrapa Agroindústria de Alimentos, localizada no Rio de Janeiro (RJ) em parceria com pesquisadores de mais seis países – Peru, Estados Unidos, Colômbia, China, Índia e México - realizou durante esta semana, em Niterói, um encontro para analisar os resultados dos Programas HarvestPlus e AgroSalud, direcionados ao enriquecimento nutricional de elementos básicos da alimentação: feijão, batata-doce, milho, mandioca, feijão caupi e arroz. O evento começou dia 11 e terminou ontem dia 14.

Uma das respostas positivas do encontro foi o anúncio da descoberta, feita por pesquisadores chineses, após três anos de estudo, de variedades de batata-doce com teores de betacaroteno (agentes da pró-vitamina A) cinco vezes maiores que os manifestados em porções convencionais da raiz.

Outro resultado foi a fabricação do milho QPM (Qualidade Protéica Melhorada) feita pela Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG). Ele possui mais de 50% de lisina e triptofano; aminoácidos encontrados na constituição de proteínas e enzimas, para o melhor funcionamento do metabolismo.

Com apoio da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade de Adelaide (Austrália) o próximo passo será entrar em acordo com pequenos produtores, técnicos da extensão rural e com o governo para disponibilizar esses tipos biofortificados de alimentos às comunidades rurais, encarregadas de torná-los acessíveis às populações carentes.

Pesquisadores da Embrapa Meio-Norte (Teresina-PI), após terem analisados 50 acessos de feijão-caupi, apresentaram uma linhagem mais rica em ferro: A BRS Xique-xique. O nome vem de uma planta cultivada na região Nordeste e que se mantém verde durante todo ano, ainda que em períodos de seca. A previsão é de que ela seja lançada em 2008.

Trabalho semelhante aconteceu em Santo Antonio de Goiás (GO), onde pesquisadores da Embrapa Arroz e Feijão trabalharam em 121 acessos de feijão, na procura de tipos com maior teor de ferro e zinco. Entretanto, ao contrário dos resultados alcançados em Teresina, a linhagem descoberta possui baixa produtividade e ainda é inadequada para lugares com clima seco. Quando adaptada à região semi-árida, ela pode produzir 1,5 toneladas por hectares, caso isso não ocorra, ela chega a cerca de 500 kg/ha, um terço da produção. A expectativa é de um melhoramento genético gradativo que irá necessitar de mais investimentos. O cultivo do trigo biofortificado no Paquistão e na Índia enquadra-se no mesmo caso - melhorado, mas com baixa produtividade.

O encontro também abordou o uso da farinha de mandioca e batata-doce na receita de pães e bolos como opção rentável para o setor agroindustrial.

Primeiro Estado
No Brasil, o primeiro Estado a adotar o programa AgroSalud e o HarvestPlus foi o Maranhão. Atualmente, a Embrapa e a Agência Estadual de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Agerp) está dando base para as variedades modificadas de mandioca chegar ao campo. Como perspectiva, estima-se para dezembro o início de uma análise da receptividade do produto pela população, em parceria com o Conselho Estadual de Segurança Alimentar (Consea). Os hábitos alimentares também serão estudados em Sergipe, onde existe um cenário de deficiência de vitaminas e minerais em crianças de até seis anos.

Consumo saudável
Esses alimentos são conhecidos por serem usualmente encontrados na mesa das famílias de baixa renda da Ásia, América Latina e África. Isso porque são agentes portadores de ferro, zinco e pró-vitamina A. Eles são fontes de nutrientes responsáveis pelo desenvolvimento do intelecto, da resistência física, e da menor ocorrência da mortalidade de gestantes e crianças menores de seis anos e de doenças, como a anemia.

Os programas
O AgroSalud é uma parceria entre várias instituições de pesquisa centradas na qualidade de alimentos nutritivos da América Latina e Caribe. O HarvestPlus possui os mesmo objetivos, só que focaliza a América Latina, Ásia e África. Os dois programas desenvolvem técnicas e estudos que maximizam os nutrientes dos alimentos e que não diminuam a produtividade deles, o que pode tornar o processo mais caro, e desinteressante do ponto de vista comercial.

Outras informações, pelo site da Embrapa Agroindústria de Alimentos, www.ctaa.embrapa.br .

Fonte: Embrapa