quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Bolsas de pós-doutorado no Canadá

Até 19 de novembro estarão abertas as inscrições de doutores brasileiros interessados em realizar suas pesquisas de pós-doutorado no Canadá com bolsas de estudo oferecidas pelo próprio governo canadense.

A iniciativa é aberta a candidatos que tenham concluído o doutorado há, no máximo, 2 anos – ou que o completem até o início da bolsa, em março de 2008 – nas áreas de Humanas, Ciências Sociais, Ciências Naturais e Engenharia, exceto artistas profissionais ou interessados em realizar pesquisa clínica ou treinamento relativo a tratamento de pacientes.

É necessário também que os candidatos sejam cidadãos brasileiros, sendo vetada a participação daqueles que obtiveram cidadania canadense ou solicitaram visto de residência permanente. Além disso, já devem ter sido aceitos em programa de pós-doutorado de uma instituição pública canadense reconhecida ou de instituto de pesquisa afiliado.

O valor total da bolsa oferecida é de $ 32 mil dólares canadenses, o que perfaz atualmente R$ 59.017,90. O programa não contempla auxílio financeiro a dependentes e tem duração de 1 ano.

Os interessados deverão acessar o site http://www.brasil.gc.ca/ , no qual encontrarão o formulário de inscrição e a relação completa da documentação exigida, que deverão ser enviados até o prazo mencionado para a Embaixada do Canadá, em Brasília.

Fonte: Sbef news

IAPAR abre 67 vagas para pesquisadores e agentes de ciência

A Coordenadoria de Processos Seletivos (Cops) da Universidade Estadual de Londrina já está recebendo inscrições para o concurso público que vai selecionar candidatos a 67 vagas para funções nos cargos de pesquisador e agente de ciência e tecnologia do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar).

Os salários variam de R$ 972 a R$ 5.296, e a escolaridade exigida, do ensino médio a doutorado. Os interessados devem se inscrever até as 23h de 16 de novembro, somente pela internet, no endereço eletrônico http://www.cops.uel.br/ , onde há um ''link'' específico para o formulário de inscrição.

O pagamento da taxa deverá ser feito até 19 de novembro, em qualquer agência bancária credenciada, mediante a apresentação do boleto bancário, que deve ser impresso pelo candidato, depois do preenchimento do formulário de inscrição. No mesmo site os candidatos podem acessar o edital completo do concurso, que vai avaliar conhecimentos através de prova objetiva, prova discursiva e prova de títulos, de acordo com a especificidade de cada cargo e função. As provas serão realizadas em 20 de janeiro de 2008, em Londrina, Cascavel e Curitiba.

A classificação final dos candidatos será publicada no site http://www.cops.uel.br/ . Os candidatos aprovados e nomeados serão submetidos ao regime jurídico estatutário. Informações podem ser obtidas pelos telefones (43) 3371-4740 e (43) 3371-4393.

Fonte: UEL

Revista Time homenageia José Goldemberg como herói do meio ambiente

“A Terra não tem voz – então, alguém deve falar por ela.” Com esse ponto de partida, a revista norte-americana Time decidiu homenagear o que chamou de “heróis do meio ambiente”, homens e mulheres de diversos países que, por suas atuações em diversas áreas, têm destacado e colocado em discussão os principais problemas ambientais vividos pelo planeta.

Um dos escolhidos é brasileiro. Trata-se de José Goldemberg, professor do Instituto de Eletrotécnica e Engenharia da Universidade de São Paulo e presidente da Comissão Especial de Bionergia de São Paulo. Na relação da revista, o físico está na categoria “Líderes e visionários”, ao lado de Al Gore, Mikhail Gorbachev, Angela Merkel, Robert Redford e do príncipe Charles.

No total, divididos em quatro categorias, estão 43 nomes, como Paul Crutzen, ganhador do Nobel de Química de 1995, James Hansen, diretor do Instituto Goddard para Estudos Espaciais, da Nasa, o glaciólogo indiano D.P. Dobhal, o bilionário inglês Richard Branson e a equipe de projetistas do automóvel híbrido Prius, da Toyota.

“Nós os chamamos de heróis, mas eles poderiam também ser chamados de porta-vozes do planeta, um planeta que está ‘com a corda no pescoço’. Por suas palavras e por suas ações, esses heróis ambientais saíram do silêncio e deram voz à Terra. E compete a nós ouvir e nos unirmos a eles”, destacou a Time na apresentação do especial.

No texto sobre Goldemberg, a revista destaca que, na década de 1970, a idéia de usar plantas no lugar de petróleo para a produção de energia era polêmica, para dizer o mínimo. Mas então, dois anos após a crise do petróleo de 1973, entrou em cena o Proálcool.

Três anos depois, Goldemberg foi um dos autores de um hoje histórico artigo publicado na Science, no qual destacava a importância da descoberta brasileira: que era tanto possível como rentável empregar uma fonte de energia limpa, derivada da cana-de-açúcar.

“Aquele artigo foi minha contribuição, ao apontar que a cana não era somente um produto, mas também um combustível – e não um combustível fóssil”, disse Goldemberg à Time.

A revista destaca não apenas o pioneirismo, mas também a liderança brasileira no desenvolvimento e na produção de biocombustíveis. “Dois terços de todos os novos automóveis fabricados no país são modelos flex, que rodam em qualquer coisa de gás convencional ao etanol puro”, disseram os editores. A publicação ressaltou que o etanol ajudou o Brasil a reduzir em 46,6 milhões de toneladas (ou 20%) as suas emissões anuais de carbono.

Para ler a edição especial da Time clique aqui.

Para ler entrevista de José Goldemberg à Agência FAPESP, na qual o cientista destaca o etanol da cana-de-açúcar como um dos modelos mais viáveis de sustentabilidade energética, clique aqui.

Albatroz errante não realiza vôos de Lévy

Revisiting Lévy flight search patterns albatrosses, bumblebees and deer

Um estudo publicado em 1996 na revista Nature apontou que o vôo do albatroz errante (Diomedea exulans), na busca de uma presa sobre o mar, seguiria a estratégia conhecida como vôo de Lévy – um padrão de movimento com propriedades fractais que ocorre em sistemas físicos e químicos descrito pelo matemático francês Paul Pierre Lévy.

O estudo era mais uma tentativa de demonstrar a existência do vôo de Lévy em sistemas biológicos naturais. Mas agora, um grupo internacional de pesquisadores, com a participação de brasileiros, acaba de mostrar o contrário. O trabalho foi publicado na edição de 25 de outubro da revista Nature.

De acordo com um dos autores, Marcos Gomes Eleutério da Luz, do Departamento de Física da Universidade Federal do Paraná, entender como animais buscam alimentos em seu hábitat e abordar o problema da otimização de estratégias de busca são importantes para o conhecimento sobre questões ecológicas e para a sobrevivência de certas espécies.

“Mostramos que o albatroz errante não realiza vôos de Lévy, embora ainda haja fortes evidências de que outros animais usam essa estratégia. Nosso objetivo principal era corrigir o trabalho de 1996, do qual participamos e que continha falhas de interpretação”, disse Luz.

Os pesquisadores adicionaram dados colhidos a partir de dispositivos instalados em 20 pássaros às informações analisadas na pesquisa anterior. As aves foram estudadas na Geórgia do Sul, na Antártica – o albatroz errante é encontrado geralmente da Antártica ao trópico de Capricórnio. “O sistema preso nas patas das aves detectava quando o animal estava molhado (na água se alimentando) e quando estava seco (voando em busca de alimento)”, disse.

Alguns animais também receberam um dispositivo para a obtenção de detalhes sobre posicionamento, caracterizando sua trajetória com precisão. “Usamos o sistema conhecido como PTT, semelhante ao GPS”, disse Luz.

Segundo outro autor da pesquisa, Gandhimohan Viswanathan, do Instituto de Física da Universidade Federal de Alagoas, em um vôo de Lévy, ao contrário do movimento aleatório comum – o movimento browniano –, é possível tomar passos arbitrariamente grandes antes de uma mudança de direção. A trajetória se caracteriza por grupos de passos curtos ligados a passos longos mais raros.

“O comportamento total de deslocamento é dado pelo conjunto desses passos. Ao tentarmos descrever matematicamente esse processo, associamos tamanhos possíveis a cada um dos passos. Formalmente, em um vôo de Lévy, a distribuição de passos decai segundo uma lei de potência com expoente entre 1 e 3”, explicou.

Segundo Viswanathan, a probabilidade relativa de um passo muito grande ocorrer em uma estratégia de Lévy é bem maior do que em uma estratégia browniana, levando a uma otimização de busca. “Um movimento com passos ou vôos muito grandes deve aumentar a probabilidade de encontrar alimentos percorrendo uma distância total menor.”

De acordo com o pesquisador, como a seleção natural, entre outros fatores, age para selecionar as melhores respostas ao meio ambiente por parte de uma espécie, eventualmente certas espécies, em condições apropriadas, poderiam ter chegado à estratégia mais vantajosa do vôo de Lévy.

“O interessante é saber quando e por que uma espécie usa o vôo de Lévy e quando adota outra estratégia. Nosso estudo suscitará muitas outras pesquisas na tentativa de responder, por exemplo, se um animal poderia mudar de estratégia de acordo com o ambiente que ele encontra”, disse Viswanathan.

Sistemas complexos
Para outro dos autores brasileiros do artigo, Ernesto Raposo, do Departamento de Física da Universidade Federal de Pernambuco, o estudo não invalida a teoria matemática que aponta o vôo de Lévy como processo mais eficiente para a busca de comida pelos animais.

“O ponto crucial é que, para a teoria matemática ser aplicável, certas condições – como densidade da comida e o poder de detecção do animal caçador – devem ser satisfeitas. A questão é saber quando tais condições são aplicáveis para uma certa espécie de animal. Provavelmente, os albatrozes, ao contrário do que se pensava, não satisfazem os pré-requisitos”, disse Raposo.

Segundo o cientista, em sistemas tão complicados como os biológicos, vários fatores podem contribuir para um determinado comportamento. “Mesmo se o padrão de Lévy for o mais vantajoso, pode ser que determinado animal precise desempenhar outras tarefas, e não só procurar por alimento. Isso o levaria a não tentar otimizar exclusivamente a busca, não tendo motivos para seguir tal padrão.”

Raposo explica que muitos sistemas físicos, químicos e computacionais apresentam distribuições de Lévy para grandezas importantes que os caracterizam. Um exemplo são os elétrons que fazem “hopping” em polímeros.

“Um elétron pode ‘saltar’ ao longo de uma cadeia principal de polímeros – que são moléculas orgânicas muito grandes – auxiliado por flutuações térmicas. Esses saltos, em certas situações, podem apresentar uma distribuição que segue lei de potência, isto é, uma distribuição de Lévy”, disse.

O artigo Revisiting Lévy flight search patterns albatrosses, bumblebees and deer, de Andrew Edwards, Gandhimohan Viswanathan e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em http://www.nature.com/ .

Fonte: Fábio de Castro / Agência Fapesp

1º Prêmio Minas Design

O Centro Minas Design lançou no dia 29 de outubro o 1º Prêmio Minas Design, nas modalidades de Design Gráfico e Design de Produto, para profissionais e estudantes da área. A inscrição é gratuita e vai até o dia 20 de novembro .

A cerimônia de divulgação dos vencedores ocorrerá no dia 01 de dezembro. As peças campeãs serão publicadas na Imprensa Oficial e no portal do Centro Minas Design.
A premiação vai ser concedida para os primeiros lugares de cada modalidade. Ao profissional o valor é de R$ 3 mil e ao estudante R$ 1,5 mil.

Os participantes poderão concorrer individualmente ou em grupo de até três integrantes, e com limite de três projetos nas suas respectivas categorias. Os projetos deverão ser encaminhados na forma de desenho e textos que comuniquem com clareza as características, a função e os benefícios da proposta.

A comissão julgadora será formada por profissionais renomados que vão gratificar os projetos que representem o reconhecimento da qualidade e do caráter inovador do design mineiro e a sua efetiva inserção na economia como incremento à competitividade.

Nos dois campos do design serão considerados também os aspectos funcionais/materiais/estético-formais/técnicos/tecnológicos/ambientais e de processos.

Divulguem esta informação para os colegas de turma. Maiores informações (ficha de inscrição, regulamento e edital) no endereço: http://www.minasdesign.mg.gov.br/

Fonte: Ana Maria Pinheiro Lima / Desinterac

Incidentes de segurança na RNP caem 59%

O Centro de Atendimento a Incidentes de Segurança (CAIS) da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP/MCT) registrou uma queda de 59% nos incidentes de segurança que envolvem as redes de computadores das comunidades de educação e pesquisa brasileiras, se comparados o terceiro trimestre de 2006 com o mesmo período de 2007. Esse é um dos dados que compõem as estatísticas que a RNP divulga trimestralmente.

No terceiro trimestre de 2007, 8.080 incidentes de segurança foram detectados e tratados pelos técnicos da RNP. Esse dado, comparado com o mesmo trimestre de 2006, representa 11.600 incidentes a menos. A queda acentuada é reflexo direto das ações pró-ativas do CAIS/RNP para identificar e erradicar máquinas infectadas e da maior conscientização das instituições em preservar a operação e a integridade de suas redes.

Dos mais de 8 mil incidentes de segurança no último trimestre, 49,12% referem-se a envio de spam em grande escala, 18,57% a tentativas de invasão de sistemas e 13,89% à propagação de vírus e worms através de botnets (computadores infectados e controlados à distância por atacantes). Também foram tratados 225 casos de troca de páginas, em que o atacante substitui o conteúdo original de uma página web ou inclui conteúdo não autorizado na página atacada, e ainda 88 casos de phishing, ataques que têm por objetivo obter dados confidenciais de usuários.

O nível de infecção de sistemas e ataques tem diminuído, se comparadas as médias mensais de incidentes dos dois últimos trimestres. Enquanto no segundo trimestre de 2007, a média mensal de ocorrências foi de 3.556, no terceiro trimestre, essa média foi de 2.693 ocorrências. O não aparecimento de um novo worm ou vírus com ação propagadora significante no período observado contribuiu para esse cenário de queda. Nota-se também uma sensível redução na média mensal de 2007 em comparação com os dois anos anteriores. Enquanto que em 2005 e 2006, a média de incidentes foi de 5.110 e 5.901, respectivamente, este ano a média baixou para 3.146 incidentes mensais.

Segundo técnicos do Cais, manter os sistemas e aplicativos atualizados, seguir uma política de segurança e orientar os usuários são algumas das práticas recomendadas para diminuir os riscos de comprometimento de cada rede, além de contribuir para o aumento da segurança da Internet como um todo.

O Centro de Atendimento a Incidentes de Segurança da RNP trata incidentes de segurança ocorridos na rede nacional acadêmica e científica - rede Ipê -, que conecta cerca de 400 instituições de ensino e pesquisa e mais de um milhão de usuários.

Mais informações sobre as estatísticas e o Cais-resumo em http://www.rnp.br/cais/alertas/2007/cais-res-20071106.html .
Fonte: Agência CT

Escravos no Brasil sabiam escrever

Reading and writing: skills of slaves and freed slaves? County of Rio das Mortes, Minas Gerais, 1731-1850

A crença, difundida por muito tempo, de que os escravos trazidos para o Brasil não sabiam ler nem escrever faz parte da representação negativa dos povos africanos construída pela colonização portuguesa. Mas uma pesquisa publicada na Revista Brasileira de Educação levanta indícios de que havia uma “disseminação da cultura escrita”, das mais variadas formas, entre escravos e alforriados.

De acordo com a professora Christianni Cardoso Morais, do Departamento de Educação da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), em Minas Gerais, os dados coletados para o estudo, a partir de análises de anúncios de jornais e de assinaturas em documentos como testamentos e processos-crime, lançam luz sobre um tema pouco estudado na história da educação no país.

“O estudo pretende contribuir para desmistificar a idéia de que os escravos e forros, mesmo iletrados, não sabiam se utilizar do escrito em seu cotidiano, em uma época em que eram proibidos legalmente de freqüentar escolas públicas no país”, disse Christianni.

A pesquisa se concentrou na região da Comarca do Rio das Mortes, na vila de São João del-Rei, em Minas Gerais, no período que vai de 1731 a 1850. Segundo a historiadora, a delimitação geográfica se justifica pela importância econômica e cultural que o município conquistou no final do século 18. E o recorte temporal seguiu a lógica imposta pela própria documentação, que é mais abundante naqueles anos.

“A praça comercial de São João del-Rei exercia a função de entreposto, pois era um dos principais centros de exportação dos produtos mineiros e de redistribuição das mercadorias trazidas da Corte. Tinha ainda vida política e cultural muito intensa. Além disso, contava com uma biblioteca pública e uma imprensa periódica bastante significativa no cenário brasileiro. Uma região com tamanha importância gerou grande quantidade de documentos”, explicou.

A pesquisadora analisou um universo de 1.612 documentos produzidos entre 1731 e 1850. As principais fontes foram relatórios do Ministério da Agricultura, analisados por Marcus Vinícius Fonseca, no livro Educação de negros, testamentos e processos-crime e nos anúncios do jornal O Astro Minas, que circulou nesse período.

Nos anúncios – fontes já utilizadas por Gilberto Freyre – há, em muitos casos, a descrição física e também das habilidades dos escravos foragidos ou à venda. Eram descritas marcas, escarificações, cicatrizes provocadas por acidente de trabalho, além das habilidades dos escravos: se tocavam algum instrumento musical, se sabiam ler, escrever, seus ofícios, entre outros.

“Ter profissões especializadas, como ofícios de alfaiate, pedreiro, carpinteiro, que exigiam a utilização de medidas e cálculos cotidianamente, indica um grau bastante refinado de letramento, que é o termo que utilizo na pesquisa para entender os usos sociais, cultural e historicamente atribuídos à palavra escrita”, afirmou Christianni.

Segundo ela, o fato de os escravos e forros solicitarem que alguém lhes escrevesse um documento ou o próprio ato de roubar uma carta de alforria alheia e de usá-la como se fosse sua também demonstram que os cativos sabiam se utilizar da palavra escrita, mesmo não sendo identificados na documentação como capazes de ler e escrever.

Para determinar os graus de “letramento” dos escravos, Christianni utilizou um método de análise das assinaturas a partir de uma escala desenvolvida pelo português Justino Magalhães, que tem cinco níveis. Segundo a escala, o nível 1 corresponde à utilização de siglas ou sinais; o 2 à assinatura rudimentar, de “mão guiada”; o nível 3 indica uma assinatura normalizada; o nível 4 registra uma assinatura caligráfica e o 5 apresenta uma assinatura personalizada, criativa.

Análise de assinaturas
“Fotografei assinaturas e analisei os traços dos assinantes tomando como referência a caligrafia da época. O objetivo foi perceber se a pessoa tinha um traço firme, bem organizado e bem distribuído na folha. Se conseguia fazer arabescos, se ligava as letras umas às outras e se tinha uma boa escrita cursiva, o que não era fácil de se fazer na época, porque o ensino da leitura e da escrita estavam dissociados. Primeiro se aprendia a ler e depois a escrever. Então, se o assinante se encaixa no nível 2, provavelmente sabia ler alguma coisa”, explicou.

A pesquisadora chama a atenção para o fato de que o método não é exato nem preciso. Mas, devido à ausência de fontes diretas, as assinaturas foram utilizadas como fontes históricas, sobretudo pelo poder simbólico que adquiriam entre os assinantes.

Outro aspecto importante é que o ensino da leitura e o da escrita de forma combinada só se disseminou mesmo depois de 1850. De acordo com ela, “a partir dessa data encontram-se pessoas com assinaturas maravilhosas, mas que não sabiam ler. A partir daí, não é mais possível aplicar as escalas de assinaturas.”

“O fato de os sujeitos afirmarem que eram capazes de assinar, apesar de não conseguirem fazê-lo em determinadas circunstâncias, revela o quanto eles podiam, a partir do momento em que sabiam assinar, aumentar seu status em uma sociedade basicamente iletrada”, destacou.

Para ler o artigo Ler e escrever: habilidades de escravos e forros? Comarca do Rio das Mortes, Minas Gerais, 1731-1850, de Christianni Cardoso Morais, disponível na biblioteca eletrônica SciELO (FAPESP/Bireme), clique aqui.

Fonte: Alex Sander Alcântara / Agência Fapesp

Brasilia inaugura o CTZL - Centro Tecnológico do Gado Zebu Leiteiro

O Governo Federal inaugura nesta quarta-feira (7), em Brasília , o primeiro Centro Tecnológico do Gado Zebu Leiteiro do País. Cerca de 1,5 milhões de reais foram disponibilizados nos últimos dois anos para recuperar a infra-estrutura e implantar o Centro de Transferência de Tecnologias de Raças Zebuínas com Aptidão Leiteira ( CTZL), em substituição ao antigo Sistema de Produção de Leite (SPL) da Embrapa Cerrados

"Este projeto dará um novo rumo à cadeia produtiva do leite do Distrito Federal e região do entorno", garantiu o secretário de Ciência e Tecnologia para a Inclusão Social do MCT, Joe Valle. O centro terá dez prédios, entre laboratórios, salas de administração, residências para funcionários, refeitório, fábrica de ração, estábulos e currais.

Estão confirmadas as presenças dos ministros da Agricultura, do Desenvolvimento Agrário e da Ciência e Tecnologia na solenidade de inauguração, prevista para as 10h.

A Embrapa, apoiada pelos parceiros do projeto, já investiu R$ 800 mil na aquisição de máquinas agrícolas, veículos, computadores e armários para o CTZL. O centro de transferência de tecnologia surge para ajudar pequenos e médios produtores de leite, além de contribuir com o aprimoramento da cadeia produtiva do leite e da agricultura familiar no Distrito Federal e Entorno.

"É um projeto ousado, com capacidade de gerar empregos e qualificar a mão-de-obra", destaca Roberto Teixeira, da Embrapa Cerrados, que acredita que o funcionamento do CTZL irá possibilitar "uma mudança positiva na cadeia produtiva do leite do Distrito Federal".

O Distrito Federal contribui apenas com 0,16% da produção leiteira nacional. O número reduzido do rebanho e a baixa produtividade explicam a pequena participação no mercado, e forçam o DF a importar mais de 85% do leite consumido.

Situação semelhante é observada na Região Integrada de Desenvolvimento do Entorno (RIDE). O leite importado por essas regiões é proveniente das bacias leiteiras dos estados de Minas Gerais e de Goiás.

O aprimoramento tecnológico da cadeia produtiva do leite também foi destacado por José Geraldo Eugênio de França, diretor executivo da Embrapa. Segundo José Geraldo, a possibilidade de se trabalhar com o leite - um dos alimentos mais nobres e base da nutrição de famílias ricas e pobres em todo o mundo, "é por si só um grande ganho do consórcio formado para criar o CTZL. Mas nós precisamos ir além. Os trabalhos com raças zebuínas não são tantos e vamos ter a oportunidade de oferecer a inseminação e o embrião".

Para o secretário Joe Valle, o CTZL tem a capacidade de unir agricultura familiar e agronegócio de ponta em um único ambiente.

Ele destaca a importância da difusão de tecnologias para agricultores familiares e a possibilidade de produzir leite a baixo custo. "O CTZL será um modelo, e outras regiões já mostram interesse em criar centros com estas características", salientou.

Fonte: Marcos Antonio - MCT / Agência CT

Arquivos brasileiros incluídos no Programa Memória do Mundo da Unesco

O Arquivo de Oswaldo Cruz, que traz o registro da atividade científica do cientista na área da saúde pública, é um dos dez acervos documentais brasileiros que farão parte do Programa Memória do Mundo da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

A lista com os arquivos contemplados foi divulgada pelo Ministério da Cultura (MinC) na edição de segunda-feira (5/11) do Diário Oficial da União.

O programa tem o objetivo de assegurar a preservação de documentos e conjuntos documentais de importância mundial, de natureza arquivística ou bibliográfica, por meio de seu registro na lista do patrimônio documental da humanidade, além de democratizar o acesso a esses documentos.

Também integram a lista os seguintes arquivos: Arquivo Machado de Assis; Fundo Novacap; Políticas no Estado do Rio de Janeiro; Arquivo Guimarães Rosa; Autos da Devassa – a Inconfidência em Minas, Levante de Tiradentes; Arquivo Getúlio Vargas; Filme Limite; Vereanças do Senado da Câmara; e Arquivo do Comitê de Defesa dos Direitos Humanos para os Países do Cone Sul.

Na mesma edição do Diário Oficial da União, o MinC publicou uma portaria que traz o regulamento do Comitê Nacional do Programa Memória do Mundo da Unesco. Criado em 2004, o comitê visa a estimular a participação de detentores de acervos de importância nacional no Programa Memória.

O comitê também propõe atividades de sensibilização, divulgação e capacitação para orientar instituições e pessoas, nas diversas regiões do país, para a identificação de acervos e encaminhamento de propostas de candidatura para registro no programa.

Mais informações: www.in.gov.br

Fonte: Agência Fapesp

Os Soldados Brasileiros de Hitler

Em Os Soldados Brasileiros de Hitler, o professor Dennison de Oliveira entrevistou diversos cidadãos brasileiros de ascendência alemã que lutaram pela Alemanha de Hitler durante a Segunda Guerra Mundial. Segundo o estudo sobre cidadania e nacionalidade entre teuto-brasileiros, cerca de 3 mil brasileiros residentes na Alemanha durante a Segunda Guerra foram repatriados até o primeiro semestre de 1949.

Acredita-se que o número dos soldados brasileiros que lutaram pela Alemanha nazista pode chegar a várias centenas. Sobre o assunto, DW-WORLD entrevistou o professor da UFPR.

Quem foram os soldados brasileiros de Hitler?
Tratava-se de filhos de famílias alemãs nascidos no Brasil. Alguns destes indivíduos retornaram à Alemanha para estudar ou trabalhar, geralmente com suas famílias. Com a eclosão da guerra viram-se impossibilitados de retornar ao Brasil. Ao atingirem a idade de recrutamento foram convocados pelas Forças Armadas Alemãs e engajados em combate na Segunda Guerra Mundial.

O senhor tem uma idéia de quantos soldados nascidos no Brasil lutaram pela Alemanha nazista?
Hoje é impossível determinar exatamente quantos indivíduos passaram por esta experiência, mas o número seguramente atingiu muitas centenas.

Houve soldados alemães de Vargas?
No Brasil a conjuntura anterior à guerra é marcada pela campanha oficial de combate aos "quistos" de estrangeiros "inassimiláveis" à cultura brasileira, dentro do projeto de nacionalização compulsória que o regime Vargas (1930–45) adotou. Uma das dimensões dessa nacionalização forçada foi o recrutamento deliberado de descendentes de alemães para as nossas Forças Armadas, tidas como reduto das virtudes cívicas e patrióticas nacionais.

Contudo, houve casos recorrentes de indivíduos de ascendência alemã que se alistaram como voluntários para lutar em nosso exército na Segunda Guerra Mundial, no intuito deliberado de provar que eram "verdadeiros" brasileiros. Afinal de contas, o lema oficial da campanha de nacionalização era "quem nasce no Brasil ou é patriota ou é traidor". É significativo que os dois maiores heróis da Força Expedicionária Brasileira sejam justamente dois destes indivíduos: o sargento Max Wolff Filho e o tenente Ary Weber Rauen.

Existiram casos de soldados da mesma família que lutaram na Força Expedicionária Brasileira (FEB) e nas Forças Armadas Alemãs (Wehrmacht)?
Existe pelo menos um caso comprovado de família de origem alemã residente no Brasil que teve um filho que lutou no exército brasileiro e outro no exército alemão. Mas é claro que esse caso pode não ser o único.

Recente pesquisa realizada por historiadora da USP constata que o partido nazista brasileiro foi o maior do mundo fora da Alemanha. As famílias que enviaram seus filhos para lutar pela Alemanha eram filiadas ao partido de Hitler?
Entre os entrevistados que participaram de minha pesquisa não encontrei nenhum caso sequer de família filiada ao partido nazista. Contudo, os arquivos da Delegacia de Ordem Política e Social (DOPS) sobre a ação do partido nazista apontam que havia uma ação deliberada nesse sentido. A política partidária adotada era convencer os jovens em idade de prestar o serviço militar a viajarem para a Alemanha e lá servirem às Forças Armadas Alemãs.

Por que retornar à Europa na iminência de uma guerra?
Hoje sabemos que a guerra eclodiu em setembro de 1939, mas naquela época era impossível prever se e quando isso se daria. Os indivíduos que entrevistei são quase unânimes em afirmar que suas famílias regressavam devido às inúmeras oportunidades de trabalho, estudo e ascensão social que então existiam na Alemanha.

As condições de emprego, nível de vida e paz social na Alemanha, em especial após a anexação da Áustria (Anschluss), eram particularmente atrativas. Um estímulo adicional para o retorno à Alemanha eram as notícias recebidas de familiares que lá residiam, enfatizando as vantagens de se deixar o Brasil e retornar à Europa.

Um de seus entrevistados, apelidado pelos colegas alemães de uniforme como "o americano", arriscou a própria vida ao justificar sua recusa de combater na frente italiana por não poder lutar contra seus "patrícios" brasileiros. Este sentimento de brasilidade também se encontra em outros entrevistados?
Esse caso é único, excepcional mesmo. E cabe notar que ele estava preocupado tanto com seus colegas de infância que havia deixado no Brasil quanto consigo mesmo, ao saber que seria destinado a lutar na frente italiana, para onde a Força Expedicionária Brasileira notoriamente havia sido deslocada.

Ele tinha plena consciência tanto de que podia se tornar responsável pela morte de seus antigos amigos que haviam sido recrutados pelo exército brasileiro, quanto de sofrer as represálias destinadas aos "traidores" do Brasil, se por acaso fosse capturado pelos brasileiros. Os demais engajados pelas Forças Armadas Alemãs sempre agiram e lutaram como os outros alemães.

Devido à pouca idade a maioria deles foi lançada em combate quando a guerra já estava abertamente perdida para a Alemanha. É natural que seus interesses estivessem voltados para a sobrevivência própria, de suas famílias e da Alemanha. O Brasil estava longe das suas preocupações.

Como se sucedeu a repatriação destes brasileiros após a guerra?
A repatriação se deu por iniciativa do governo brasileiro. Cabia à missão militar brasileira que funcionava em Berlim já a partir de 1945 providenciar a volta ao Brasil dos "brasileiros" residentes na Alemanha que, após a guerra, desejassem retornar. Com a Alemanha totalmente em ruínas, sob ocupação militar estrangeira e sem qualquer perspectiva de oferecer meios de vida a seus habitantes, a maioria dos que haviam sobrevivido ao conflito, bem como suas famílias, optou por retornar.

Depois de consultas e pesquisas a missão militar brasileira ficou sabendo do caráter compulsório do recrutamento para as Forças Armadas Alemãs entre os descendentes. Assim, o comando da missão, de forma acertada, evitou processar judicialmente qualquer indivíduo nascido no Brasil que tivesse combatido pela Alemanha durante a guerra.

Não tiveram problemas no Brasil?
Na volta, a maior dificuldade foi justamente o fato de eles não possuírem o certificado de cumprimento das suas obrigações militares para com as Forças Armadas brasileiras, que até hoje é um pré-requisito para o exercício da maior parte dos direitos civis. O cumprimento de penalidades leves, geralmente uma simples multa, ou o apelo ao já famoso "jeitinho" brasileiro removeram estas dificuldades.

Qual o julgamento que os seus entrevistados têm hoje da Segunda Guerra Mundial e do sistema pelo qual lutaram?
As respostas são dúbias. Alguns admitem que eram jovens, imaturos demais, para avaliarem de forma crítica o regime que, reconhecem, tinha aspectos condenáveis. Outros assumem uma atitude abertamente revisionista, rejeitando a versão dos vencedores da guerra e defendendo tanto as características positivas do regime quanto negando a responsabilidade da Alemanha pela eclosão do conflito.

O senhor acredita que a Segunda Guerra Mundial contribuiu para definir os conceitos de nacionalidade e cidadania no Brasil?
Acredito que sim, mas não só a guerra em si, como também a conjuntura mais ampla na qual ela se insere. Quando o Brasil finalmente entrou em guerra em 1942, a campanha pela nacionalização já estava praticamente concluída. Todas as entidades, organizações e movimentos responsáveis pela divulgação e preservação da língua e da cultura alemã já haviam sido inteiramente destruídos.

Com a declaração de guerra em agosto daquele ano a repressão contra os descendentes de alemães é levada a um novo auge, com incontáveis abusos e mesmo crimes sendo contra eles cometidos. Enfim, ao acabar a guerra, conseguiu-se estabelecer uma situação na qual existiam somente cidadãos "brasileiros" aqui.


A guerra acabou há mais de seis décadas e somente agora se realiza o resgate histórico da relação de cidadãos e do governo brasileiros com o nazismo. Existiria um tabu em torno do tema?
Certamente que existiu e existe um enorme tabu que, no limite, alimenta o antigermanismo, ou mesmo a germanofobia. O aparecimento destas memórias, somente agora, guarda uma relação estreita com a conjuntura histórica na qual vivemos, marcada tanto pelo fim da Guerra Fria quanto pela repercussão da Questão Palestina.

Durante a prolongada confrontação entre a antiga URSS e os EUA, incontáveis acusações mútuas foram lançadas por ambos os lados. Destas, uma das mais importantes era a "cumplicidade", "simpatia" ou "similaridade" com o antigo regime nazista.

A caracterização do governo e do povo alemães à época do nazismo como completa e absolutamente diabólicos era, então, amplamente consensual. Esse consenso foi decisivamente reforçado pelo Estado de Israel, sempre arrogando para si a condição de único refúgio possível para os judeus no caso da reaparição de algum governo dedicado ao seu extermínio.

Com o fim da Guerra Fria e o declínio do prestígio do Estado de Israel, resultado de suas políticas para com os palestinos, finalmente parecem ter surgido condições para a aparição das memórias daqueles que viveram e lutaram sob o regime nazista.

O senhor já publicou sua pesquisa?
Até agora a pesquisa foi divulgada exclusivamente no âmbito acadêmico. Apesar de o trabalho ter sido enviado para todas as grandes editoras comerciais do Brasil, nenhuma se dispôs a publicá-lo ou mesmo sequer examinar o seu conteúdo. Espero que a sua divulgação através desta entrevista amplie o leque de parceiros possíveis para uma eventual publicação.

Dennison de Oliveira, doutor em Ciências Sociais pela Unicamp, é professor dos cursos de graduação e pós-graduação no Departamento de História da Universidade Federal do Paraná e orientador de pesquisas na área de História da Secretaria Estadual da Educação do Paraná.

Fonte: Carlos Albuquerque / DW-WORLD

10º Encontro Nacional da Associação Brasileira de Estudos do Trabalho

O 10º Encontro Nacional da Associação Brasileira de Estudos do Trabalho será realizado de 11 a 14 de novembro, na Faculdade de Economia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador.

Com o tema central “Balanço e perspectivas do trabalho no Brasil”, o evento pretende divulgar produções acadêmico-científicas, de autoria de especialistas nacionais e internacionais, sobre assuntos como as mudanças institucionais trabalhistas, desemprego, pobreza e políticas públicas de emprego e renda.

Outros temas em análise serão “Construção e reconstrução da categoria trabalho”, “Estrutura ocupacional e renda do trabalho”, “Educação e mercado de trabalho”, “Transformações no mundo do trabalho”, “Mercado de trabalho e políticas públicas” e “Saúde e ambiente no trabalho”.

Mais informações: www.abet-trabalho.org.br

Fonte: Agência Fapesp

1º Encontro Regional - PENSADORES WEB



Fonte: Cinforme

12ª Congresso Latino-Americano de Óleos e Gorduras

Palestras e trabalhos científicos sobre óleos, gorduras, derivados e matérias-primas destinadas ao setor de alimentos serão apresentados de 12 a 14 de novembro, em Florianópolis, durante a 12ª edição do Congresso Latino-Americano de Óleos e Gorduras.

Promovido pela Sociedade Brasileira de Óleos e Gorduras, o evento contará com três palestras plenárias proferidas por especialistas internacionais.

São elas: “Usos de lipases na fabricação de lipídios saudáveis”, com Casimir Akoh, da Universidade da Geórgia (Estados Unidos); “Novas estratégias para a solidificação de óleos sem o uso de gorduras trans ou saturadas”, com Alejandro Marangoni, da Universidade de Guelph (Canadá); e “Efeito da estrutura na atividade de antioxidantes fenólicos no processamento e estocagem de óleos”, com Carmen Dobarganes, do Instituto de la Grasa (Espanha).

Mais informações: www.oleosegorduras.org.br/xiicongresso

Fonte: Agência Fapesp