terça-feira, 6 de novembro de 2007

Artigo de brasileiros em destaque na Nature Nanotechnology

Experimental realization of suspended atomic chains composed of different atomic species
Nature Nanotechnology destaca trabalho sobre nanofios de ouro e prata feito por equipe do Instituto de Física da Unicamp

Quando abriram a edição de outubro da revista Nature Nanotechnology, os professores Daniel Ugarte e Douglas Soares Galvão, do Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW) da Unicamp, tiveram uma surpresa agradável: encontraram o artigo "Experimental Realization of Suspended Atomic Chains Composed of Different Atomic Species", que escreveram junto com outros quatro pesquisadores de instituições brasileiras, na lista dos 12 destaques do primeiro ano de vida da publicação.

Divulgado originalmente em dezembro de 2006, o artigo chamou a atenção da comunidade científica internacional por apresentar os primeiros nanofios do mundo compostos de átomos de dois metais diferentes — no caso, ouro e prata. No futuro, nanofios de ligas metálicas como esses, formados por uma seqüência de átomos (ou cadeia atômica), poderão ser utilizados para fazer conexões entre moléculas na chamada eletrônica molecular. Por isso, é importante entender como eles se formam, se comportam e se rompem.

Como acontece muitas vezes no mundo científico, o trabalho nasceu a partir de uma conversa informal: liderado por Galvão, um grupo de físicos teóricos desafiou a equipe de físicos experimentais coordenada por Ugarte a criar nanofios de ligas metálicas em laboratório. "A simulação no computador mostrou que seria possível", conta Galvão. A reação de Ugarte, no entanto, foi de descrédito. "Tirei sarro deles", diz o pesquisador argentino, que está no Brasil desde 1993 e também trabalha no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS). "Fisicamente, poderia acontecer, mas não acreditava que conseguiríamos tirar dados com qualidade suficiente para comprovar esse fenômeno. No computador dá para fazer bolinhas de cores diferentes, mas no microscópio é tudo preto e branco", acrescenta, referindo-se à forma como os programas de simulação representam os átomos de ouro e prata.

Apesar das dificuldades, Ugarte aceitou o desafio. Seu grupo dedicou-se a preparar as amostras nas condições certas, aprimorar o detector de imagens do microscópio, subtrair as fontes de ruído e tratar os dados coletados. Após dois anos de trabalho, finalmente foi possível registrar em vídeo a formação de nanofios de ouro e prata com dois, três e quatro átomos em seqüência, justamente como haviam previsto os colegas teóricos. Para obtê-los, os pesquisadores experimentais fizeram vários furos em filmes finíssimos de ouro misturado com prata usando a ponta do microscópio eletrônico. Em seguida, esticaram os filmes, fazendo os buracos aumentarem até que o espaço entre eles se reduzisse a uma simples cadeia com alguns átomos enfileirados — o que nem sempre acontecia. "É um experimento sobre o qual não se tem muito controle", conta Ugarte. "E é preciso ter paciência para achar nas horas de filmagem os momentos em que o fenômeno acontece."

Os experimentos também mostraram que, mesmo nas ligas com maior proporção de prata do que ouro, a formação dos nanofios seguiu mais o comportamento do ouro do que o da prata. "A simulação mostrou que isso aconteceu porque houve um aumento da quantidade de átomos de ouro na região em que se formaram as cadeias — ou seja, a liga não se comportou como uma liga na nanoescala", explica Galvão, dando ênfase à importância da parceria entre teóricos e experimentais. Ugarte, que colabora com ele desde o começo dos anos 2000, concorda. "Se os dois grupos se comunicam, ambos ganham tempo e os trabalhos ficam mais robustos, mais sólidos", afirma. "É bom para os meus estudantes e para os dele aprenderem a se comunicar com gente que pensa e trabalha de maneira diferente", completa.

Além de Galvão e Ugarte, assinam o artigo destacado pela Nature Nanotechnology o pesquisador Fernando Sato, também do IFGW da Unicamp; o pesquisador Jefferson Bettini, do LNLS; e os professores Pablo Coura e Sócrates Dantas, do Departamento de Física do Instituto de Ciências Exatas da Universidade Federal de Juiz de Fora (ICE-UFJF), criadores de um software que foi adaptado para fazer simulações somente com nanofios.

Dando seqüência às pesquisas nessa área, o grupo passou a trabalhar com ouro e cobre. Segundo Galvão, as simulações no computador mostraram que seria possível formar os nanofios e que a nova liga seria parecida com a anterior, apesar de o cobre oxidar bem mais do que a prata. Ugarte afirma já ter obtido as cadeias atômicas em laboratório — ou seja, o segundo nanofio de liga metálica do mundo —, mas não dá detalhes do experimento porque os resultados ainda não foram publicados. Leia a seguir a entrevista que ele concedeu a Inovação Unicamp no último dia 26:

Quando o senhor começou a pesquisar nanofios?
O que iniciou tudo isso foi o projeto de mestrado e doutorado de um aluno meu que agora é professor aqui no IFGW, o Varlei Rodrigues. Esse projeto começou em 1996, já há mais de dez anos. Ele passou o mestrado construindo um equipamento para esticar os nanofios de forma controlada, em condições de vácuo extremo e com temperaturas diferentes, e mais dois anos tentando medir algo que prestasse. Ou seja, levamos quatro, cinco anos para aprender a trabalhar com nanofios. Esse foi o fundamento. Ele ganhou o prêmio de melhor tese [Melhor Tese de Doutoramento de 2003, segundo a Sociedade Brasileira de Física (SBF). Nota do E.] e nosso primeiro artigo saiu na Physical Review Letters, uma boa revista de física. Depois fomos aprimorando, tive outros estudantes. Hoje podemos estudar a estrutura dos nanofios e como eles transportam eletricidade — nessa dimensão, o regime é quântico e as leis clássicas não valem. Também temos o apoio da teoria. Nossos trabalhos são de longo prazo, mas de impacto, de desafio. Não sou um cientista que publica 30, 40 papers por ano. Publico em média quatro. Se estivesse nos Estados Unidos, estaria desempregado.

Nos Estados Unidos não há espaço para pesquisas de longo prazo?
Não. As pessoas correm demais, precisam publicar, ir atrás do dinheiro. O sistema é muito agressivo. Não dá para fazer algo de longo prazo sabendo que durante dois anos você provavelmente não vai publicar nada. Na Europa é um pouco diferente, eles são mais academicistas. De qualquer forma, uma coisa que aprendi com o Cylon Gonçalves da Silva, antigo diretor do Síncrotron, foi que temos de tirar vantagem do fato de estarmos longe. Não estamos em um país em que é preciso seguir as modas; aqui, podemos pensar e escolher — o que não significa fazer coisas que não dêem resultados de impacto. Por isso, sempre digo aos meus estudantes que a qualidade é o que importa. O número é só um bom esporte.

Os equipamentos do Laboratório de Microscopia Eletrônica do Síncrotron são compatíveis com os dos principais laboratórios do exterior?
São equipamentos bons. Inicialmente, o investimento em microscópios foi de US$ 2 milhões. Em julho de 2004, recebemos mais US$ 2,5 milhões da Fapesp [Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo] para comprar dois microscópios novos de última geração. Primeiro foi preciso fazer a escolha técnica, que é demorada. Acabamos de configurar os equipamentos em novembro e no mesmo mês escolhemos o fornecedor, mas a compra só foi feita em junho de 2005. Como o valor era muito alto, o seguro padrão da Fapesp não o cobria, e tivemos de esperar seis meses para arranjar um novo contrato de seguro. Depois tivemos de atrasar a entrega, porque o novo prédio de microscopia eletrônica do Síncrotron não estava pronto. Os microscópios chegaram em outubro de 2006 e passaram um ano dentro de caixas. Agora estão sendo instalados no novo prédio — esse sim, um prédio como poucos no mundo. Passei três anos desenhando-o. Ele foi construído com recursos da Finep [Financiadora de Estudos e Projetos] e teve um custo de R$ 6 milhões, R$ 7 milhões; estamos terminando-o agora. É um prédio para microscopia eletrônica de fronteira, mas as máquinas não são mais de última geração. Isso não quer dizer, no entanto, que não possamos fazer ciência de fronteira com elas. O que faz a diferença não são as máquinas, mas os pilotos. Temos a vantagem de saber pilotar. Ainda há muita ciência a ser feita com os novos microscópios.

Há bons pilotos de microscópios eletrônicos no Brasil?
O Brasil tem equipamentos: São Carlos (SP), o CBPF [Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas] e algum centro do Nordeste provavelmente comprarão microscópios como os que compramos em 2004; e o Inmetro já tem a Ferrari, o microscópio mais moderno que existe no mundo. O problema é que não há mão de obra para esse conjunto de instrumentos. No nosso laboratório no Síncrotron, forçamos todos os que querem fazer experimentos nos microscópios a aprender a usá-los. Treinamos de 50 a 80 pessoas por ano em diversas áreas de microscopia, mas, entre elas, só uma ou duas vão se tornar usuários diferenciados. Quando aparece alguém que se destaca, tentamos contratar. Além de mim e de outro pesquisador, há dois técnicos de nível médio, dois técnicos de nível superior e dois doutores. Todos eles aprenderam a trabalhar lá. Aqui no Estado de São Paulo, na região de Campinas, as pessoas já se acostumaram com a nossa política, mas quem é de fora não entende que é preciso passar seis meses aprendendo a mexer no equipamento antes de fazer o experimento. Em geral, as pessoas são muito imediatistas e preferem pagar para ter o resultado amanhã.

No exterior também falta mão de obra?
Os laboratórios dos países desenvolvidos têm cada vez mais dificuldade para sobreviver por causa desse problema. As pessoas precisam aprender a lidar com o conjunto de botões dos microscópios, mas ninguém tem tempo para isso. Antes, todos os laboratórios queriam ter um microscopista de fronteira; hoje, não querem — querem resultados de fronteira sem perder tempo. No longo prazo, estão dando um tiro no pé: podem ter o dinheiro, mas em algum momento a pessoa que faz as coisas não vai mais estar lá.

Em que áreas da nanotecnologia o Brasil tem chances de se desenvolver?
Sobretudo, em materiais. Hoje, com a nanotecnologia, é possível fazer e caracterizar materiais de uma forma que antes não era rotineira. O problema é que não há indústria de microeletrônica no Brasil. Para nós que fazemos nanociência, é terrível, porque a microeletrônica está na base de tudo o que é nano. Aqui não existe litografia avançada, não existe processamento avançado... O Brasil está muito para trás num conjunto de ferramentas essenciais para o desenvolvimento dos projetos do futuro. Outro problema é que aqui fazemos na universidade o que lá fora se faz na indústria. Mas, mesmo nos países desenvolvidos, as empresas que realmente ganham dinheiro com nanotecnologia são limitadas. A nanotecnologia ainda é um investimento de futuro, não é uma realidade comercial.

Fonte: Rachel Bueno / Inovação Unicamp

Novos métodos para identificação de princípios ativos em plantas

Robert Verpoorte, do Instituto de Biologia de Leiden, na Holanda, estima que cerca de 70 mil plantas medicinais foram estudadas ou são objetos de pesquisas em laboratórios de todo o mundo para a obtenção de novos fármacos.

Devido à complexidade das micro e macromoléculas encontradas nessas plantas, Verpoorte tem trabalhado, nos últimos anos, no mapeamento de compostos de espécies como a Catharanthus roseus – que produz substâncias antitumorais como a vimblastina e a vincristina –, por meio de uma ferramenta da genômica funcional altamente promissora para o isolamento de princípios ativos.

Trata-se da metabolômica, técnica que consiste na identificação e na quantificação dos metabólitos (compósitos naturais) por meio de métodos cromatográficos, da espectrometria de massa e da ressonância magnética nuclear. Uma vantagem da metabolômica é a extração de centenas ou milhares de substância ativas da matriz de uma planta, muitas vezes em menos de 15 minutos.

“Mapeamentos metabolômicos, principalmente com o auxílio de espectroscopia de ressonância magnética nuclear, têm demonstrado a impossibilidade de se precisar quantos compósitos estão presentes em uma mesma espécie”, disse Verpoorte na semana passada, durante o 58º Congresso Nacional de Botânica, em São Paulo.

“Isso abre uma enorme possibilidade para a indústria farmacêutica mundial, uma vez que deve haver, no mínimo, a mesma quantidade de compósitos nessas espécies quanto o número de genes nos seres vivos. Ou seja, estamos falando em, pelo menos, 30 mil substâncias ativas em cada espécie”, afirmou Verpoorte durante a palestra magistral “Medicinal plants and metabolomics: a perfect holistic match”.

Para ele, a identificação de compostos ativos em plantas por meio da metabolômica seria a solução para a realização do “sonho pela busca de novos medicamentos e pela cura de doenças”. “A associação das ciências ‘ômicas’, como a genômica, a transcriptômica e a proteômica, permite que a indústria identifique diferentes substâncias bioativas que podem dar origem a uma única droga para o tratamento de doenças multifatoriais”, apontou.

Verpoorte, que é também editor do Journal of Ethnopharmacology, mencionou o ácido acetilsalicícico, medicamento cujo composto ativo é extraído da folha do chorão (Salix babylonica) e que, segundo ele, com mais de cem anos de existência “é a droga mais bem-sucedida já produzida pela indústria farmacêutica”.

Só nos Estados Unidos, segundo o cientista, são consumidas cerca de cinco toneladas de aspirina por dia, justamente por ela servir para diferentes usos, desde analgésico e antitérmico até tratamentos antiinflamatórios ou para alívio de dores de cabeça.

“A metabolômica permitirá uma abordagem holística dos produtos bioativos. Ela fará uma espécie de varredura na medicina para a elaboração de drogas únicas cujas fórmulas serão ativas em diferentes alvos, revolucionando a ecologia química e o desenvolvimento de drogas a partir de plantas”, destacou.

Fonte: Thiago Romero / Agência Fapesp

17 milhões de euros doados pela Noruega para proteger Amazônia

A Noruega doará 130 milhões de coroas (17 milhões de euros) à proteção da floresta amazônica, o 'pulmão do planeta', anunciou nesta terça-feira (30) o governo norueguês. O ministro do meio ambiente e da ajuda ao desenvolvimento, Erik Solheim, anunciou a concessão deste montante, estabelecido há três anos, após um encontro em Oslo com a colega brasileira Marina Silva.

"A derrubada das árvores e as queimadas das florestas tropicais são causa importante do efeito estufa, assim como a utilização de produtos derivados do petróleo", estimou Solheim em comunicado.

"As ações necessárias de prevenção serão tema importante das próximas negociações sobre o clima em Bali em dezembro", acrescentou, lembrando que o desflorestamento representava hoje 20% das emissões mundiais de CO2.

A conferência de Bali deve, de 3 a 14 de dezembro, traçar um mapa do caminho sobre novas reduções das emissões de gás de efeito estufa - consideradas responsáveis pelo reaquecimento climático - para além de 2012, após expirar a primeira fase do Protocolo de Kyoto.

Fonte: Ambientebrasil

Anunciados os ganhadores do Prêmio Professor Samuel Benchimol 2007

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgaram a relação dos 12 vencedores, em quatro categorias, do Prêmio Professor Samuel Benchimol 2007.

O prêmio tem o objetivo de selecionar projetos de estratégias que proporcionem benefícios sociais, ambientais ou desenvolvimento econômico sustentável da região amazônica. Cada categoria tem R$ 65 mil para dividir entre os escolhidos.

Na categoria Ambiental, que teve projetos sobre preservação da biodiversidade, o ganhador foi Philip Martin Fearnside, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Em Social, direcionada a trabalhos sobre benefícios à qualidade de vida da população, ganharam Marilene de Sá Ribeiro e Ruy Alexandre de Sá Ribeiro, ambos do Inpa.

Na modalidade Econômico-Tecnológica, destinada a propostas que trouxessem melhorias à economia, ao conhecimento científico ou às estruturas produtivas, venceu Antonio Cláudio de Carvalho, da Embrapa Amapá, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária em Macapá.

Em Personalidades/Instituições, voltada às entidades ou pessoas físicas que se destacaram na promoção do desenvolvimento sustentável da Amazônia, a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) foi a selecionada.

Criado em 2004, o prêmio este ano teve o tema “Tecnologias para o desenvolvimento sustentável da Amazônia”. O Banco da Amazônia e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) também promovem a iniciativa.

O pesquisador, escritor e empresário Samuel Isaac Benchimol (1923-2002), nascido em Manaus, foi professor emérito da Universidade Federal do Amazonas, presidente do Comitê Israelita do Amazonas e um dos fundadores do grupo Bemol-Fogás.

Autor de 109 livros relacionados à vida, economia e sociedade da região, Benchimol foi ferrenho defensor da necessidade de que o desenvolvimento sustentável da Amazônia devesse respeitar quatro parâmetros e paradigmas fundamentais: ser economicamente viável, ecologicamente adequado, politicamente equilibrado e socialmente justo.

Confira a lista completa dos ganhadores. Mais informações sobre o prêmio: www.amazonia.desenvolvimento.gov.br .

Fonte: MDIC

Seminário: A Metrologia como Fator de Desenvolvimento para o Espírito Santo


Fonte: RCM

Planos Diretores Municipais: interação regional estratégica

Será lançado nesta terça-feira (6/11), em São Paulo, o livro Planos Diretores Municipais: interação regional estratégica, que traz diretrizes para a abordagem regional na elaboração de planos diretores.

A publicação é resultado de um projeto de pesquisa financiado pelo Programa de Tecnologia de Habitação (Habitare), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

Os estudos foram desenvolvidos por pesquisadores do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT), sob coordenação do professor Carlos Geraldo Luz de Freitas.

A publicação aborda princípios do Estatuto da Cidade, da função social e de direito urbanístico, além de questões relacionadas à autonomia e limites de atuação. Enfoca também temas regionais de interesse social, como processo de ocupação, áreas de risco, patrimônio histórico, artístico arqueológico e turístico, mobilidade e logística, sistema viário, atividades econômicas, equipamentos e serviços públicos.

Segundo Freitas, o livro foi organizado levando em conta que as potencialidades e os problemas na gestão adequada do uso do solo extrapolam os limites geopolíticos das cidades.

De acordo com o autor, buscou-se a compreensão das relações entre as principais atividades produtivas de municípios de uma mesma região geoeconômica, além de possibilidades de integração de ações de política pública e propostas para estabelecer parcerias. A obra traz também modelos alternativos de gestão regional.

Em breve a publicação estará disponível para download gratuito no portal do Habitare. O programa é financiado pela Finep desde 1994, com o objetivo de desenvolver tecnologias no campo do ambiente construído. Conta também com apoio da Caixa Econômica Federal e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

O lançamento do livro será a partir das 14h30 no auditório do Instituto do Legislativo Paulista/Alesp, na Av. Sargento Mario Kozel Filho s/n°, Ibirapuera.

Mais informações sobre o livro pelo e-mail.

Fonte: Agência Fapesp

5º Encontro Internacional de Editores e Autores de Revistas Científicas da Área de Odontologia

O 8º Seminário de Pós-Graduação da FOP e o 5º Encontro Internacional de Editores e Autores de Revistas Científicas da Área de Odontologia serão realizados, simultaneamente, de 8 a 10 de novembro, em Piracicaba (SP).

Com promoção da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), os eventos abordarão temas relativos às publicações na pós-graduação e as novas tendências na redação de trabalhos científicos.

Serão apresentados dezenas de trabalhos de pós-graduação, nas formas oral e painel, desenvolvidos na faculdade. No encerramento dos eventos, no dia 10 de novembro, haverá um encontro de ex-alunos da FOP.

Mais informações: www.fop.unicamp.br

Fonte: Agência Fapesp

Ainda em debate a lei 11.487 que define regras de patrocínio privado na academia

Regulamentação da lei que dá incentivo fiscal para patrocínio de projeto na academia está pronta; debate mostra problemas da lei

O decreto de regulamentação da Lei 11.487, de 15 de junho de 2007, chamada de "Lei Rouanet da Pesquisa", aguarda apenas a assinatura do ministro da Fazenda, Guido Mantega, para ser publicado. Essa lei alterou a Lei 11.196/2005 (dita "do Bem") ao inserir um artigo que permite às empresas utilizar os incentivos fiscais para inovação também para projetos conduzidos por universidades e institutos de pesquisa.

O mecanismo de acesso aos incentivos passará por um edital que convidará universidades a apresentar projetos de pesquisa que julguem ser do interesse de empresas. Segundo João Paulo Bachur, assessor especial do Ministério da Educação (MEC), assim que o decreto sair, o MEC publicará o edital. Uma comissão do governo avaliará os projetos e os aprovados poderão ser financiados pelas empresas. Em troca, as firmas poderão excluir os gastos com o projeto do cálculo do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).

O edital vai encarregar os núcleos ou agências de inovação das universidades de fazer uma pré-seleção, entre seus acervos, de tecnologias que acreditem ter mais chance de interessar ao setor produtivo, antes de enviar os projetos para o MEC. Bachur afirmou ainda que as empresas podem procurar grupos de pesquisa das universidades com a intenção de montar um projeto conjunto e, posteriormente, submetê-lo para análise da comissão do governo.

A história da nova lei
A proposta de mudança da Lei "do Bem" foi apresentada pelo próprio MEC e encampada pelo governo federal. O MEC inspirou-se na Lei Rouanet, que criou um abatimento no Imposto de Renda para empresas que investissem em projetos culturais, como filmes, peças de teatro, festivais de dança, exposições de arte etc. A lei para incentivar empresas a financiar projetos de universidades e institutos públicos de pesquisa entrou em vigor em junho deste ano, mas não foi aplicada ainda por depender da regulamentação, que define como funcionará o mecanismo.

A nova redação determina que as empresas só terão direito ao incentivo se investirem em projetos previamente aprovados por um comitê permanente, formado por representantes do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e do MEC. Quem utilizar o benefício da Lei 11.487 não poderá usar os demais incentivos estabelecidos na Lei 11.196, como abatimentos no valor a ser pago de Imposto de Renda e no recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

Bachur participou de um duro debate sobre a eficácia da lei, que foi contestada pelos setores empresarial e acadêmico no Seminário Inovação — Lei 11.487, realizado pelo Instituto Uniemp, em São Paulo, no dia 24 de outubro. Dos 70 participantes da platéia, metade representava empresas, como Embraer e Braskem, ou instituições de apoio ao setor produtivo, como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai); os demais eram pesquisadores de universidades.

Bachur explica a lei no debate em São Paulo
No seminário, Bachur apresentou a concepção do projeto de lei, que faz parte do Plano Nacional da Educação, lançado em abril deste ano pelo ministro Fernando Haddad. Segundo Bachur, a lei foi construída a partir da constatação de que o conhecimento científico produzido na academia brasileira não chega até o setor produtivo e que isso ocorre pela falta de articulação e parceria entre empresa e academia. "Aqui entra o Estado, a quem cabe induzir essa aproximação. Não existia uma lei que casasse as duas coisas, temos leis que incentivam a universidade ou a empresa", justificou, esquecendo-se dos fundos setoriais do MCT.

Segundo ele, o projeto de lei era maior e seria tratado como uma nova lei, mas, na negociação com o Ministério da Fazenda, acabou se transformando em um único artigo "pendurado" na Lei "do Bem", conforme suas palavras. Dessa forma, o projeto de lei foi convertido na Lei 11.487, que insere o artigo 19-A na Lei 11.196. Pela lei aprovada, a empresa receberá o incentivo fiscal de forma proporcional ao que exigir de participação na propriedade intelectual dos projetos cooperativos com universidades. Quanto menor o benefício fiscal que pedir, maior será sua participação na titularidade e exploração da tecnologia resultante do projeto de pesquisa que financiou.

"Não é um benefício fiscal puro, porque a empresa entra com recursos próprios e assume parte do risco do projeto", acrescentou. A instituição científica — universidade ou instituto — sempre terá uma parte da propriedade intelectual e o percentual será negociado entre os parceiros. "A exclusão pode ser de metade [da CSLL] até duas vezes e meia o valor [investido no projeto]. Se a empresa se beneficiar muito [do incentivo], terá menos direito intelectual. Depende do que quer a empresa: fazer patente ou só obter o benefício fiscal", explicou ele. Ou seja, quem estiver mais interessado no benefício fiscal vai optar por ter participação reduzida na propriedade intelectual.

Lei não incentiva parceria porque não foca inovação na empresa, diz Anpei
Antes mesmo de terminar sua apresentação no seminário, Bachur foi questionado por um dos participantes da mesa, o presidente da Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras (Anpei), Hugo Borelli Resende, que é gerente de Desenvolvimento Tecnológico da Embraer. Para a Anpei, a Lei 11.487 contém uma falha básica imediata: não distingue o que é inovação do que é pesquisa. "Inovação é produto no mercado e a empresa quer isso para ela. Pesquisa é conhecimento, então a proposição foge de seu objetivo", definiu Borelli, referindo-se às questões da divisão de propriedade intelectual e ao objetivo da lei, incentivar projetos de cooperação voltados à inovação.

"Na Coréia [exemplo citado por Bachur em sua apresentação], o governo fez incentivo para a criação de equipes de pesquisa e desenvolvimento nas empresas. Com esse incentivo veio, naturalmente, a busca pela universidade", completou o executivo da Anpei. "Aqui, estamos fazendo o inverso, incentivando pesquisas que são feitas fora da empresa para tentar estimular a inovação", disse ele, referindo-se à Lei 11.487.

"A interação entre universidade e empresa é inteiramente prejudicada se a empresa não tem uma equipe de P&D", completou. Para o presidente da Anpei, o mecanismo não é ruim do ponto de vista da universidade, mas sua eficácia será quase nula. Porque, de acordo com o executivo, uma empresa que já faça P&D não vai querer externalizar suas atividades, colocando recursos próprios e que poderia gerenciar diretamente nas mãos de terceiros. No caso das empresas que não fazem P&D, elas já não têm interesse por essas atividades; se usarem o mecanismo, será pelo incentivo, e não para aumentar sua capacidade de inovar, segundo ele.

A situação agrava-se ainda mais se for considerado o fato de que a Lei 11.487 é voltada para empresas que recolhem imposto de renda utilizando o regime de lucro real. Nesse sistema estão incluídas apenas as grandes empresas, e normalmente essas já têm suas atividades de P&D. E, como acredita Borelli, essas empresas terão pouco interesse em usar o mecanismo. "Se a lei pretende aumentar a qualidade da interação entre universidade e empresa, muito provavelmente não cumprirá o seu propósito", apontou.

Borelli ressaltou que a tendência nas empresas, hoje, é investir mais em pesquisa aplicada e desenvolvimento do que em pesquisa básica — que buscam nas universidades. Mas elas não financiam a pesquisa básica; quem faz isso é o governo. Citando estatísticas da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para os Estados Unidos, ele demonstrou que as empresas desse país investem 60% dos recursos para P&D em atividades de desenvolvimento, 35% em pesquisa aplicada e apenas 5% em pesquisa básica.

"No Brasil, apenas 3% das empresas têm atividades de P&D de forma contínua, e não será com esses 3% que teremos sustentabilidade para crescer por meio da inovação", comentou. Para ele, se não houver mais atividade de P&D dentro das empresas, a maior interação com a universidade não vai acontecer. "Essa interação só ocorrerá quando houver na empresa pessoas que saibam dialogar com os pesquisadores das universidades, isso precisa ser resolvido primeiro. E não adianta a universidade dizer que tem uma solução para a empresa, se a empresa não tiver um problema para essa solução", concluiu.

Representante do setor acadêmico concorda com empresário
Para falar como representante da comunidade acadêmica, o Uniemp chamou José Arana Varela, pró-reitor de pesquisa da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Para ele, o papel da universidade é formar recursos humanos qualificados para a sociedade. Ele também entendeu a Lei 11.487 como um instrumento que fomenta pesquisa com certo grau de risco, mas não inovação. "É claro que, como uma pessoa da universidade, reconheço que a lei é positiva, mas é preciso deixar claro que o desenvolvimento de novos produtos e processos, a inovação, se dá na empresa", completou.

Ele também concordou com Borelli sobre a falta de mecanismos que incentivem a criação de esforço em P&D nas empresas. "Temos instrumentos para fomentar a contratação de doutores pelas empresas, por exemplo, mas falta um instrumento mais incisivo", apontou.

Varela disse ainda que é ilusório acreditar que leis que estimulem patenteamento pelas universidades vão gerar muito dinheiro para as elas — um dos objetivos do governo com a Lei 11.487, além de "tirar da prateleira o conhecimento produzido pelas universidades", é aumentar seus recursos. "Se conseguirmos arrecadar com royalties recursos para pagar os gastos com o pedido de patente, já será positivo. Ter patente na universidade é muito mais importante para fomentar a cultura da inovação", analisou.

Debate e réplica do representante do MEC
A platéia também se manifestou. Altair Neto, representante da Embraer, criticou duramente a medida, dizendo que as empresas podem "entupir" as universidades com projetos de P&D buscando apenas os incentivos, e não necessariamente a inovação, e ainda prejudicar as empresas que querem fazer parceria com universidades para, de fato, inovar, já que estas estariam ocupadas com os outros projetos. Ele lembrou que são poucos os pesquisadores que estão na universidade e gostam de fazer projetos em cooperação com empresas. Para ele, aparentemente a lei foi elaborada de forma unilateral, sem discussão com a academia e as empresas.

Michel Brunet, adido de cooperação tecnológica e científica do Consulado Geral da França em São Paulo, concordou com Borelli. Disse que o dinheiro das empresas que iria para projetos de inovação poderá ser carreado para projetos que visem apenas redução de impostos. Também mencionou a dificuldade da co-titularidade de patentes, citando o fato de que investidores de capital de risco, por exemplo, fogem desse tipo de acordo.

Na resposta ao debate, Bachur disse que a Lei 11.487 permite que o País siga o caminho da Coréia, ou seja, não impede que as empresas recebam incentivos para organizar seu próprio esforço em inovação, apesar de proibir o acúmulo dos dois incentivos — os voltados para as empresas e a redução de tributo para projetos feitos por universidades e financiados por empresas. A Lei 11.487 seria apenas uma terceira via. "Essa lei não é para fazer a empresa ter P&D, ela foi feita pensando na academia e o que estamos vendo aqui é uma disputa entre o público e o privado. Há uma premissa de que um fundo só deve ir para a empresa e, para nós, ele deve ser voltado para a universidade pública", afirmou, chamando de fundo a renúncia fiscal a ser feita pelo governo. "Sabemos que a empresa que faz P&D não vai usar; nosso ponto é o que a academia faz que é desperdiçado", acrescentou.

Ele disse esperar que "bancos e empresas com atividades de P&D não desenvolvidas", por exemplo, usem o mecanismo. Mas não esclareceu, ao ser questionado pela platéia, como um banco vai fazer um projeto de P&D com a universidade se converter em um produto ou processo novo no mercado, ou seja, como a medida vai impactar positivamente a inovação no Brasil. Também não falou como o MEC imagina que uma empresa com pouca ou nenhuma experiência em P&D vai dialogar com uma universidade.

Fonte: Janaína Simões / Inovação Unicamp

4º Seminário Acessibilidade, TI e Inclusão Digital

O 4º Seminário Acessibilidade, TI e Inclusão Digital ocorrerá nos dias 8 e 9 de novembro, na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo (USP), na capital paulista.

O evento tem o objetivo de contribuir para a sensibilização sobre o uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) com foco na inclusão social, de modo que pessoas com mobilidade reduzida ou idosas possam usufruir as potencialidades dessas tecnologias.

O evento, promovido pelo Grupo de Pesquisa Acessibilidade, TI e Inclusão Digital da FSP, terá transmissão on-line em http://iptv.usp.br/ .

Mais informações: www.fsp.usp.br/acessibilidade

Fonte: Agência Fapesp

Seminário Internacional Universidade, Empreendedorismo e Inovação.

Nesta terça-feira (6), a Universidade Federal Fluminense (UFF) receberá em seu campus de São Domingos, em Niterói (RJ), o Seminário Internacional Universidade, Empreendedorismo e Inovação.

O evento, entre as 9h e 17h45, contará com a presença do reitor da UFF, Roberto de Souza Salles, e do diretor de Desenvolvimento Científico e Tecnológico da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCT), Eugenius Kaszkurewicks, entre outras autoridades.

A palestra inaugural, prevista para as 9h45, será ministrada pelo assessor da Reitoria da UFF em Políticas de Inovação, José Manoel Carvalho de Mello.

O campus de São Domingos da universidade fica localizado à rua Passo da Pátria, nº 156, bloco D. O Seminário Internacional Universidade, Empreendedorismo e Inovação se realizará na sala 330.

Mais informações pelo tel.: (21) 2555-0262/0615.

Fonte: Agência CT

O papel dos oceanos na mudança climática da Terra

Um dos componentes mais importantes para tentar entender as mudanças climáticas ainda ganha pouca atenção no debate científico internacional: os oceanos. O alerta foi feito por Edmo Campos, professor do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP), que abriu nesta segunda-feira (5/11) a 3ª Conferência Regional sobre Mudanças Globais: América do Sul.

De acordo com o pesquisador, as variações climáticas em curso afetam diversos processos químicos, físicos e biológicos dos oceanos, que, por sua vez, terão impactos ainda pouco estudados sobre o clima. “Os oceanos recebem a maior parte da radiação solar que atinge a Terra. O planeta ganha calor nos trópicos e perde nas altas latitudes. A distribuição desse calor cabe fundamentalmente aos oceanos, especialmente nos trópicos”.

Campos explicou que, ao aquecer a atmosfera, o oceano gera diferentes gradientes de temperatura, criando um movimento que produz ventos, redistribuindo calor e interferindo em correntes oceânicas, alterando a temperatura em todo o planeta.

“É um sistema intrincado de correntes, que interage com as mudanças climáticas e afeta toda a dinâmica global. Para fazer previsões sobre como isso vai acontecer é preciso fazer muita observação. E observar o oceano não é algo simples ou barato”, disse.

A inércia térmica dos oceanos é muito grande, ou seja, demora tanto para esquentar como para esfriar. Isso diminui a precisão dos modelos climáticos, criando dificuldades para os cientistas. “Em qualquer modelo climático é preciso conhecer as condições iniciais para poder fazer previsões. O grande problema é conhecer o estado inicial dos processos oceânicos”, afirmou.

Segundo Campos, há cerca de 200 anos os mares procuram se acomodar às mudanças causadas pelo homem. “A molécula de água é muito polarizada, por isso a inércia térmica do mar é mil vezes maior que a da atmosfera. Se o sistema é aquecido por muito tempo, é preciso um tempo igual para resfriá-lo depois.”

O professor afirmou que o aquecimento global pode afetar o processo de absorção do carbono, alterando todo o balanço climático. “O oceano está perdendo lentamente a capacidade de absorção de CO2, o que pode, a longo prazo, aumentar o efeito estufa”, disse.

Por outro lado, à medida que absorve carbono, o oceano fica mais ácido. “Os estudos mais recentes mostraram que desde a revolução industrial houve uma diminuição de 0,1% no pH oceânico, que historicamente se mantém em torno de 8,16. Se o pH descer abaixo de 7, o oceano perderá a capacidade de absorver o carbono.”

Resfriamento global
Segundo Edmo Campos, o clima global é especialmente sensível a variações no oceano Pacífico, que tem uma característica especial, descoberta há apenas dez anos e que pode trazer surpresas para o clima global: a Oscilação Dacadal do Pacífico (PDO, na sigla em inglês).

“Essa oscilação é caracterizada por fases frias e quentes alternadas a cada 20 ou 30 anos. Estamos no fim de uma fase quente e recentemente vários pesquisadores têm apontado para uma possível redução da temperatura média do planeta em função da fase fria que se aproxima”, explicou.

O possível “resfriamento global” causado pelo Pacífico, no entanto, preocupa o pesquisador. “O fato de ter uma fase fria acontecendo, com redução da temperatura, não significa que a mudança climática será interrompida. Ela pode ser maquiada”, disse.

Segundo Campos, o clima não varia de forma contínua e, mesmo com um resfriamento temporário, as mudanças climáticas não podem ser desprezadas. “Talvez a fase fria seja mais quente do que a última. E a próxima fase quente poderá ser mais quente do que a anterior.”

A mudança de salinidade também altera os padrões climáticos, ao criar correntes profundas resultantes da diferenças de densidade da água: as correntes termohalinas. “São movimentos de água produzidos quando a densidade se altera por variações de temperatura ou salinidade em alguma região oceânica superficial”, explicou.

Uma das conseqüências da interferência no padrão de circulação termohalina é um eventual aumento do nível do mar. “Há uma maior elevação na superfície da água, onde há uma anomalia positiva de sal. A diferença entre elevação da superficie em diferentes localidades produz gradientes de pressão anômalos que vão gerar correntes anômalas. Tudo isso ainda precisa ser estudado”, disse Campos.

O professor conta que o Instituto Oceanográfico da USP montou uma comissão para viabilizar a aquisição de um novo navio de pesquisa. Segundo ele, o navio Professor Besnard está obsoleto. “A USP tem o único navio brasileiro integralmente dedicado à pesquisa. Mas ele cumpriu seu papel e hoje precisa de muitos recursos para se manter operacional. Necessitamos de um novo navio. A USP tem toda a estrutura, experiência de manutenção e recursos para a tripulação”, afirmou.

Fonte: Fábio de Castro / Agência Fapesp