quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Embrapa desenvolve tecnologia para a reciclagem da casca de coco

Para cada 300 ml de água-de-coco consumidos, são gerados cerca de um quilo e meio de casca de coco. O Brasil possui cerca de 700 toneladas desse resíduo. As cascas, quando jogadas sem nenhum tipo de tratamento em aterros sanitários ou lixões, levam em média dez anos para serem decompostas. Servem de abrigo para animais como ratos e favorecem, por exemplo, a reprodução de insetos, como o mosquito da dengue. Uma saída para essa situação pode ser a reciclagem.

Uma tecnologia que vem sendo desenvolvida em pelo menos 12 estados do país, com o apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), aproveita a casca do coco para a produção de fibras vegetais, que podem ser usadas na fabricação de estofados de automóveis, vasos de xaxim e coberturas para a proteção do solo. A casca do coco reaproveitada também serve para produzir um tipo de pó que ajuda no desenvolvimento de plantas cultivadas em vasos e que pode ainda substituir a terra em plantações.

“Basicamente é feita uma trituração da casca, depois ela é prensada para a extração do excesso de umidade. Isso porque a casca do coco tem cerca de 80% de umidade. Então, você extrai esse excesso de umidade da casca e junto com ela você extrai parte dos sais cristalinos, que são diluídos nessa fase líquida", explica o analista do Núcleo de Apoio à Transferência de Tecnologia da Embrapa Agroindústria Tropical, em Fortaleza (CE), Adriano Lincon Albuquerque Matos.

"Depois é feita uma classificação, onde o pó sai de um lado da máquina e do outro, a fibra. Em seguida, é feito algum trabalho de compostagem sobre o pó para a utilização de substrato agrícola e a fibra é simplesmente seca e enfardada.”

No Brasil, já existem fábricas de reaproveitamento da casca do coco no Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte, Bahia, Espírito Santo, São Paulo, Goiás e Mato Grosso. Cada uma delas é capaz de processar até 16 toneladas de casca de coco por dia. Um mercado que gera lucro.

"Você conseguindo se colocar adequadamente no mercado, a rentabilidade de uma unidade dessa é bem satisfatória. Hoje em dia, a matéria-prima, que é a casca de coco, chega à unidade só com o custo do transporte, ou, com um custo bem baixo, e o produto gerado tem um valor agregado razoável”, conta Matos.

Segundo a Embrapa Agroindústria Tropical, a partir de 5 mil cocos processados, o empreendedor já cobre as despesas e começa a lucrar - 5% deste total vira fibra, outros 15% viram substratos (pó). Com a venda desses dois produtos, fibra e pó, o produtor fatura cerca de R$ 1 mil , sendo que R$ 200, em média, como lucro.

A idéia agradou vendedores de coco do Distrito Federal, que também estão montando um fábrica de reciclagem em Planaltina. José Roberto Melo Machado, vendedor de cocos há dois anos, montou a Cooperativa de Reciclagem de Côco Verde, a Coopercoco, financiou os equipamentos e já espera pelos resultados.

"Nós vamos fazer substrato agrícola para o plantio de hortas, mudas, vamos fazer vasos substituindo o xaxim, vamos fazer tubete, que é onde coloca a planta para a muda diretamente na terra. Queremos fazer também as mantas secas para a proteção de erosão e a fibra bruta, que é a fibra que a indústria compra para fazer estofamento de carro, tênis", planeja Machado.

Em Fortaleza, a Cooperativa de Beneficiamento da Casca do Côco Verde, a Coobcoco já começou a fabricar e a comercializar os produtos. A presidente da cooperativa, Kelcilene da Silva Martins, diz que é possível lucrar com a iniciativa, mas os desafios são inúmeros.

"Como é um produto novo no mercado, a gente está com dificuldade de abrir mercado. A Embrapa fez o projeto, colocou a gente e a gente está fazendo como a gente pode. Todo o dia a gente processa 5 mil cocos e o máximo que dá para tirar de mercadoria, em dinheiro é uns R$ 100”, calcula Kelciclene.

Os produtos feitos com fibra de coco são vendidos para produtores rurais ou para empresas. Empresários, cooperativas e produtores interessados no projeto devem entrar em contato com a Embrapa Agroindústria Tropical, em Fortaleza. O telefone é (85) 3299-1913

Fonte: Agência Brasil

Chapas de plástico usadas na construção civil

Uma matéria-prima utilizada em carrocerias de caminhões e ônibus chega agora nas paredes das casas populares. Trata-se do Fiberprintcore, um sistema construtivo feito com chapas de plástico, que vem sendo utilizado na construção civil e em obras de pequeno porte.

O sistema surgiu há cerca de um ano e meio, quando a empresa MVC Componentes Plásticos, empresa do grupo Marcopolo (que fabrica carrocerias de ônibus), aceitou o desafio proposto pela Usiminas de criar uma alternativa de casa popular a partir de estruturas metálicas.

Entre as vantagens deste novo produto está a redução do tempo da obra. Segundo o diretor da MVC, Gilmar Lima, o sistema de encaixe das placas garante uma agilidade na montagem da casa e para que isso seja feito basta uma base de cimento (o piso). Uma casa 36 m2, por exemplo, pode ser erguida em três dias.

Seu custo pode variar de acordo com os componentes a serem incluídos, girando entre R$ 12 mil e R$ 15 mil. Além desse modelo, a indústria disponibiliza também a casa de 42 m2, que leva quatro dias para ser construída ao custo que varia entre R$ 15 mil a R$ 18 mil e a de 60 m2, que custa entre R$ 18 mil e R$ 22 mil e pode ser construída em cinco dias. Gilmar Lima afirma que o material oferece segurança ao usuário. "Além de ser um plástico mais resistente, 30% da chapa é composta de fibra de vidro. Essa composição é exatamente a mesma de carrocerias de caminhão", ilustra.

Além disso, a utilização da parede é exatamente igual à de alvenaria, podendo receber pregos, tintas e, se for o caso, até azulejos. "Azulejos e pintura, no caso, só se a pessoa quiser mesmo, pois a parede do banheiro já é brilhante, além de existir a opção do material com texturas", reforça.

No geral, as paredes estão disponíveis em seis cores (branca, bege, azul, duas tonalidades de verde e laranja). Há também outras cores opcionais, por um preço um pouco mais caro. Isolamento Entre as placas, uma camada de poliestireno de alta densidade (um isopor mais resistente) garante um conforto térmico e acústico ao ambiente. Segundo o diretor-geral da MVC, a diferença de temperatura entre a parte interna e externa da casa pode chegar a 10° C.

Fonte: CBIC

Aquecimento global foi discutido no 2º Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental

Manchetes sensacionalistas sobre o aquecimento global chamam a atenção das pessoas para o tema, mas provocam arrepio na comunidade científica. “O catastrofismo feito pela mídia é preocupante, pois tira a esperança das pessoas. Para que vão se preocupar em fazer algo se o futuro já é incerto?”, disse José Antonio Marengo, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O meteorologista foi um dos debatedores da conferência “Mudanças Climáticas” durante o 2º Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental, realizado na semana passada, em Porto Alegre.

Segundo Marengo, a cobertura da imprensa brasileira sobre o aquecimento global tem ocorrido de forma cíclica, nos últimos tempos acompanhando especialmente a divulgação dos relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês) – que dividiu com o ex-vice-presidente norte-americano Al Gore o Prêmio Nobel da Paz de 2007.

“As reportagens vêm em pulsos. Quando houve o furacão Katrina foram três dias falando sobre isso, depois parou”, disse à Agência FAPESP, sugerindo que a imprensa mantenha um fluxo contínuo de informações sobre o tema.

O pesquisador criticou a forma como alguns veículos de comunicação chamaram a atenção para o aquecimento global, apelando para imagens como a de um urso polar perdido em um pequeno bloco de gelo. “O Brasil, por exemplo, tem outras representações para os dilemas tropicais, como as hipóteses da ‘savanização’ da Amazônia ou da desertificação do semi-árido nordestino”, afirmou.

Os equívocos conceituais de muitas matérias também foram alvos de críticas. Segundo o glaciólogo Jefferson Cárdia Simões, professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a mídia confunde termos distintos como aquecimento global, mudanças climáticas, efeito estufa e camada de ozônio.

“Ainda leio na imprensa que o derretimento da calota polar vai aumentar o nível no mar”, disse. Segundo ele, a mídia não distingue diferenças entre o gelo da Antártica e do Ártico – o 'manto de gelo’, formado pelo acúmulo da neve precipitada no continente antártico é diferente do mar congelado comum ao ártico.

O aumento do nível do mar só ocorreria se as grandes geleiras da Antártica e da Groenlândia derretessem, mas o gelo marítimo do pólo Norte não contribui para isso. “É um conceito simples de física. Pelo princípio de Arquimedes, o gelo em suspensão no líquido, se derreter, não elevará o nível da água”, destacou.

Por outro lado, a Antártica representa apenas 0,08% do gelo que está derretendo no mundo – a maior parte da perda de gelo ocorre no topo das montanhas. “A visão que impera é que o derretimento das calotas polares vai elevar o nível do mar. Os números são absurdos e chegam a 70 metros, que representa a elevação do nível se todo o gelo do mundo derretesse, mas isso jamais ocorreu na história da Terra”, disse.

Para Simões, falta aos jornalistas conhecimento sobre como ocorre o “fazer científico”. A imprensa também não diferenciaria publicações avaliadas por pares daquelas que representam “opiniões pessoais”. “É preciso pesar as fontes quando for dado espaço para esse ou aquele cientista”, afirmou.

Mas a ciência não é perfeita e nem pode ser apresentada como tal, apontou o glaciólogo em tom de mea-culpa. “O IPCC faz previsões e é arriscado tratá-las como verdades absolutas. Se essas previsões não ocorrerem, o público pode deixar de acreditar na ciência”, disse.

O outro lado
De acordo com os presentes na conferência na capital gaúcha, a comunidade científica entende quais são as dificuldades da imprensa nas matérias sobre o aquecimento global. Segundo o jornalista Ulisses Almeida Nenê, do Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul, os pesquisadores deveriam usar sua experiência de modo a facilitar a comunicação com a imprensa, utilizando uma linguagem mais acessível.

“Os cientistas se preocupam com a própria pesquisa, mas não pensam em como ajudar a imprensa na divulgação desses estudos”, disse. Surge, então, um grande desafio para os jornalistas: despertar o interesse na população sobre questões ambientais e divulgar as pesquisas com precisão.

Segundo Almeida Nenê, a saturação de matérias sobre o aquecimento global na imprensa nos últimos meses pode provocar a banalização do tema, como ocorreu com a questão da violência. Para justificar a continuidade do tema na mídia, é preciso buscar aspectos voltados à realidade local ou a pesquisas específicas e ainda não cobertas pela mídia.

“Hoje, o interesse pela questão ambiental tem muito fogo de palha. Há pouco compromisso dos atores. As empresas de mídia deveriam se engajar de verdade”, disse. Para ele, a união entre jornalistas e cientistas melhoraria a comunicação da ciência na mídia.

Fonte: Murilo Alves Pereira / Agência Fapesp

Seminário “Avaliação da hipertensão renovascular”

A Sociedade Brasileira de Biologia e Medicina Nuclear promoverá, no dia 29 de outubro, em São Paulo, a palestra gratuita sobre “Avaliação da hipertensão renovascular”.

Os palestrantes apresentarão novas técnicas de diagnóstico por imagem que tem permitido detectar as causas da hipertensão renovascular, que é a elevação da pressão arterial devido ao estreitamento da artéria renal.

A palestra será ministrada por José Nery Praxedes, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, e por Anna Alice Rolim Chaves, pós-graduanda do Departamento de Radiologia da FMUSP.

Mais informações pelo e-mail ou telefone (11) 3262-5438

Fonte: Agência Fapesp

8º Seminário da Sociedade Latino-Americana de Estudos Imobiliários acontece em São Paulo

Questões como investimentos internacionais no mercado imobiliário brasileiro, infra-estrutura, habitação e políticas urbanas serão assuntos em discussão no 8º Seminário da Sociedade Latino-Americana de Estudos Imobiliários.

O evento ocorrerá nos dias 25 e 26 de outubro, na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).

Serão apresentados estudos em áreas como análise de investimentos e de mercado, desenvolvimento urbano, gestão de empreendimentos, meio ambiente e métodos de pesquisa.

Mais informações: http://www.lares.org.br/ .

Fonte: Agência Fapesp

Videogames interligados viram supercomputador e realizam simulações de alta complexidade

Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) estão desenvolvendo simulações de dinâmica molecular com o auxílio de 12 PlayStation 3 interligados em rede. Os videogames, que rodam o sistema operacional Linux, formam um cluster (conjunto) de processamento para a realização de bilhões de cálculos por segundo.

Segundo a coordenadora do trabalho, Monica Pickholz, o cluster foi montado em junho deste ano para estudar a interação de anestésicos locais utilizados em odontologia com membranas celulares, por meio de técnicas de simulação computacional na escala dos nanossegundos.

“O objetivo da pesquisa é entender o mecanismo de ação desse tipo de fármaco a fim de melhorar sua eficácia e minimizar seus efeitos colaterais a partir do desenho racional de novos compostos com atividade anestésica. Também visamos a possibilidade de desenvolver formas de levar as drogas, de maneira controlada, a diferentes áreas de ação”, disse Monica, que é do Departamento de Bioquímica do Instituto de Biologia da Unicamp.

Ela explica que o maior responsável pelos cálculos é o chip Cell Broadband Engine, arquitetura computacional que, desenvolvida em parceria pela Sony, Toshiba e IBM, tem seis elementos de processamento extremamente rápidos. A primeira grande aplicação comercial do chip foi no console do PlayStation 3.

Com o chip, os pesquisadores na Unicamp conseguiram montar um cluster com 72 processadores, cada um com memória de 256 megabytes.

“Cada PlayStation tem um processador dual-core PowerPC, da IBM, que controla os seis processadores Cell, utilizados para os cálculos de alto desempenho. Ao instalarmos o Linux no PlayStation, as máquinas passaram a trabalhar de maneira semelhante aos clusters formados com PCs comuns”, explicou Monica.

Com um projeto de pesquisa apoiado pela FAPESP, foram comprados consoles com disco rígido de 60 gigabytes. Se o mesmo valor fosse aplicado em servidores convencionais, em vez de 72 processadores, seria possível comprar apenas 32. “Com essa adaptação, conseguimos alto poder de cálculo científico com boa economia de recursos”, disse Monica.

Segundo ela, como a Sony incluiu uma opção no menu do PlayStation 3 para instalar outros sistemas operacionais – e devido à grande capacidade dessas máquinas –, é cada vez maior a utilização de videogames para a construção de supercomputadores para fins de pesquisa.

Monica conta que o primeiro cluster com PlayStation 3 para uso acadêmico foi elaborado em janeiro deste ano pelo professor Frank Mueller, da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, com oito consoles.

Por sua vez, logo em seguida pesquisadores do Departamento de Química da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, anunciaram, em março, a expansão do projeto Folding@home para PlayStation 3.

No projeto, donos de videogames emprestam o poder computacional de seus consoles ligados em rede, em momentos em que não estão jogando, para que os pesquisadores possam realizar operações em investigações de proteínas associadas a doenças como Parkinson, mal de Alzheimer e várias formas de câncer.

Cientistas da Universidade de Barcelona, na Espanha, também utilizam clusters de PlayStation 3 para cálculos computacionais avançados. “Estamos, inclusive, colaborando com grupos de pesquisa da universidade espanhola em projetos de simulações para estudar lipossomos usados na liberação controlada de fármacos”, disse Monica.

Fonte: Thiago Romero / Agência Fapesp