segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Empresa americana de software busca parceria com universidades brasileiras

A Altair Engineering, dos Estados Unidos, que fabrica softwares para engenharia, desembarcou no Brasil em busca de mercado para seus produtos e parcerias com universidades. Com parcerias, a empresa pretende ampliar o uso de soluções de informática para simulações virtuais, recurso já adotado em setores como o automotivo, o aeronáutico e aeroespacial, o de gás e óleo e o de transportes.

A empresa desenvolve e produz o HyperWorks, conjunto de softwares usados em engenharia de produto, para realização de simulações com protótipos virtuais. O vice-presidente de software da Altair, Jeffrey Brennan, esteve no Brasil para fazer prospecção do mercado e contatar clientes da empresa. No dia 12 de setembro, em São Paulo, ele anunciou o lançamento mundial de um novo produto, o HyperCrash/Catia V5, voltado para concepção de design de veículos automotores. Também afirmou que a Altair poderá instalar um centro de pesquisa e desenvolvimento no Brasil a partir de 2008.

A criação do centro dependerá do que Eliane Feliz, gerente geral da Altair no Brasil, chama de "desenvolvimento do ecossistema" — para ela, a ampliação da infra-estrutura necessária para que clientes da empresa possam utilizar os softwares de simulação. O que ela chama de infra-estrutura seria a criação de uma cultura de uso de softwares de simulação, que passa por aumentar o número de profissionais capacitados para trabalhar com essa tecnologia e também o volume de empresas que empreguem esse recurso na criação e desenvolvimento de seus produtos. A parceria com as universidades, ela esclarece, é parte dessa estratégia da Altair para consolidar sua posição no Brasil. "Nosso clientes precisam de gente [para trabalhar com simulações, protótipos virtuais etc.]. O mercado está aquecido, mas não conseguem profissionais para contratar", explica.

O problema da falta de engenheiros no País é motivo de preocupação das indústrias de vários segmentos. Para tentar reverter o problema, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) criou em maio de 2006 o Inova Engenharia, programa que pretende mobilizar academia, poder público e empresas em torno do assunto. O engenheiro Vinícius Leal, da Fiat, uma cliente da Altair, confirma. "Não existe mão-de-obra. A Fiat fez uma parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e com a PUC de Minas Gerais para formar esses profissionais", conta.

O faturamento mundial da Altair em 2006 foi de US$ 120 milhões. A participação do escritório brasileiro corresponde a pouco menos de 3% desse montante, mas a empresa diz que o crescimento aqui tem sido expressivo. "Já em julho, obtivemos os mesmos resultados do ano passado inteiro e esperamos até o final deste 2007 dobrar o resultado de 2006", conta Eliane. A empresa abriu seu escritório regional no Brasil há dois anos, em São Paulo.

Estimular uso nas universidades para criar mercado
A estratégia de aproximação com universidades pretende disseminar as ferramentas de simulação virtual entre os engenheiros em formação, com o objetivo de ampliar o número de profissionais capacitados nessa especialidade e divulgar os produtos da Altair entre os engenheiros que futuramente estarão empregados nas empresas. Mas Brennan diz que não se trata só da aquisição dos softwares: os alunos podem também fazer inovações — que devem ser repassadas para a empresa.

A Altair usará como mecanismo de parceria o licenciamento, por um ano, para uso de seus produtos. Em troca, cobrará da universidade o valor de R$ 2 mil, para cobrir os custos de treinamento do professor ou pesquisador da instituição de ensino para que ele aprenda sobre os softwares e replique o conhecimento entre seus alunos. O licenciamento para as empresas custa dez vezes mais, segundo Brennan.

O vice-presidente da empresa explica que, em cada país, a filial tem liberdade para definir a melhor forma de interação com as entidades de ensino e pesquisa. Na Índia, por exemplo, a Altair contratou uma firma para elaboração e venda de um livro de exercícios usado pelos professores, junto com os softwares licenciados pela empresa para as universidades. Segundo Brennan, o governo indiano incentiva lojas que vendem esse tipo de material, uma forma de também incentivar a formação de engenheiros. Na Alemanha, a Altair contrata os professores para que estes dêem palestras sobre os produtos aos clientes da empresa. No Brasil, o programa foi montado para aumentar o acesso dos engenheiros ao software. A Altair ainda mantém um programa de concessão de bolsa para estudantes nos Estados Unidos.

Um exemplo de parceria
Na Unicamp, há cerca de três meses, o professor Marco Lúcio Bittencourt, do Departamento de Projeto Mecânico da Faculdade de Engenharia Mecânica (FEM), adquiriu um conjunto de três módulos do pacote de 21 softwares oferecidos pela Altair com preço reduzido — R$ 2 mil a licença por um ano de uso, mas sem o treinamento. Foi uma aquisição simples. Os softwares da Altair estão sendo usados em ensaios para análises de impacto em projetos de cooperação entre a universidade e duas firmas, a Whirpool e a Thiessen Krupp. O professor não revela detalhes dos projetos, por questões de sigilo. A compra dos softwares foi feita no âmbito dos acordos de cooperação.

"Basicamente, o que tem ocorrido hoje é que as empresas não querem pagar pelo treinamento de seus funcionários em alguns quesitos. Por exemplo, dão predileção a contratar quem já fale inglês para não ter de custear o treinamento", afirma Bittencourt. Isso tem ocorrido também com softwares: por isso, as empresas fabricantes têm oferecido seus produtos para as universidades, gratuitamente ou a preços bem mais em conta, como forma de garantir mercado, ensinando aos futuros profissionais como usar seus produtos e tornando a clientela fiel desde cedo.

Bittencourt não utiliza os softwares da Altair para suas aulas, preparadas com base em outros produtos, com mais tempo de mercado. Segundo ele, os dois maiores softwares de simulação disponíveis no mercado são o Ansys e o MSC MD Nastran. "Os softwares, na verdade, são ferramentas e precisam ter pessoas bem formadas para poderem funcionar. Um software de simulação exige uma base de conhecimento muito forte do engenheiro, pois eles utilizam modelos matemáticos gerais e equações complexas para ter uma amplitude maior de aplicação. Por isso, o mercado prefere profissionais com mestrado", afirma.

Apesar de não trabalhar nas aulas com os softwares da Altair, Bittencourt diz que os programas fabricados pela empresa são bons. "Os softwares que compramos são divididos em módulos [são vários subprogramas que, reunidos, operam de forma integrada para fazer as simulações virtuais e análises] e são mais fáceis de trabalhar. Por 'conversar' com softwares de outras marcas, podemos fazer as simulações de forma integrada", diz, justificando a escolha. Ele não considera a compra desse pacote a preços baixos uma cooperação no sentido estrito do termo, já que foi uma aquisição simples para uso nos dois projetos com empresas. A escolha se deu pela necessidade de fazer testes de impacto. "Celulares, por exemplo, podem cair da mão dos usuários. São projetados levando-se isso em conta, que devam cair de certa altura, sofrer impacto e continuar funcionando. É para esse tipo de trabalho que empregamos simulação virtual com softwares como esses da Altair", comenta.

Centros de P&D da Altair seguem competências locais
A Altair descentralizou suas atividades de pesquisa e desenvolvimento. Além do centro principal de P&D localizado em Troy, no Estado de Michigan (EUA), a empresa tem um núcleo de otimização na Califórnia (EUA) e é dona da Computational Mechanics Company — start-up da Universidade do Texas, comprada no final dos anos 1980, que pesquisa e desenvolve aplicações para diversas áreas, como dinâmica de fluidos, modelos avançados de contato e fricção, propagação de danos e batidas, inteligência artificial, entre outras. Na Europa, a empresa montou um centro de simulação de impactos no sul de Paris (França) e desenvolve estudos sobre geometria no centro de P&D instalado na Itália. Na Ásia, tem um grande centro de desenvolvimento em Bangalore, na Índia, coração da indústria de software mundial, e um centro voltado para otimização dos produtos na China.

A empresa não revela quanto investe em P&D. "A única coisa que posso dizer é que reinvestimos todo o lucro na empresa, para seu crescimento", afirma Brennan. A maior parte dos profissionais de P&D são engenheiros, especialistas em mecânica e tecnologia da informação.

"Estamos planejando fazer um centro no Brasil em 2008, mas precisamos pensar em como faremos isso. De qualquer forma, os trabalhos de P&D podem ser conjuntos, ou seja, podemos desenvolver algo de que o Brasil precise em outros centros nossos, de outros países. Não precisamos ter um staff local para desenvolver algo para o Brasil, por exemplo", acrescenta. Para ele, a decisão dependerá da criação de uma massa crítica no País, capaz de lidar com ferramentas sofisticadas como os softwares de simulação. O executivo da Altair aponta o setor de petróleo e gás brasileiro como de grande potencial para a sua empresa.

O novo produto mundial lançado no Brasil
O HyperCrash/Catia V5 integra o ambiente CAE, sigla para softwares de engenharia assistida por computador, ao Catia V5, um software em CAD, sigla para desenho auxiliado por computador, nome genérico de softwares utilizados por engenheiros, geólogos, arquitetos, profissionais de design, entre outros, para fazer projetos e desenhos técnicos. O HyperCrash permite que os engenheiros modelem dados de ruído elétrico e potencialidade do veículo, e auxilia na resolução de problemas futuros relacionados a borracha, deformação de carroceria em impactos e comportamento de airbags em colisões. Utilizado em conjunto com outros softwares do pacote HyperWorks, como o Radioss, permite que os designers e engenheiros mensurem a segurança de um ocupante de um veículo no caso de um acidente, por exemplo. O Radioss é um software que faz análises em impacto, colisões, explosões e outros problemas que gerem grandes deformações em curto espaço de tempo.

A Altair afirma que as empresas de automóveis pagam cerca de US$ 1 milhão para fazer um protótipo físico de um veículo para testes. Com o uso de programas de simulação, reduzem custo. A empresa norte-americana diz que antes os fabricantes de automóveis produziam 25 protótipos para testes; hoje, produzem cinco, em média. O prazo para desenvolver novos carros também diminuiu: passou de cinco para até dois anos.

Vinícius Leal, engenheiro da Fiat, diz que o maior ganho proporcionado pelo uso de protótipos virtuais e simulação se dá em relação à velocidade com que as empresas podem inovar e lançar novos produtos ou produtos aperfeiçoados no mercado. "É uma grande diferença, economizamos 70% do tempo de desenvolvimento", diz ele, comparando o tempo em que se usavam basicamente protótipos físicos e hoje, com o uso softwares de simulação. No caso da Fiat no Brasil, as demandas de seus engenheiros por programas de simulação real são enviadas para o centro de desenvolvimento da empresa na Itália e é a matriz quem desenvolve, em parceria com a Altair, a solução.

Fonte: J.S. / Inovação Unicamp

São Paulo discute avaliação de tecnologia originada em institutos de pesquisa e universidades

O Programa de Inovação Tecnológica (PIT), da Secretaria Estadual de Desenvolvimento de São Paulo, está formando estudantes de graduação e pós-graduação para investigação tecnológica. A expressão refere-se à avaliação e qualificação do potencial de mercado de tecnologias inovadoras originadas em institutos de pesquisa e universidades. Na atual fase, o programa abrange cinco instituições paulistas: Unicamp, Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (Unesp), Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen). Segundo Roberto Lotufo, diretor-executivo da Agência de Inovação da Unicamp (Inova), entidade coordenadora do projeto, a meta do PIT é investigar uma lista de 120 tecnologias desenvolvidas por pesquisadores dessas instituições até março de 2008, quando será concluída essa primeira etapa do programa.

No dia 27 de setembro, o 1º Conecta — Seminário de Inovação e Transferência de Tecnologias aconteceu para debater o que foi feito no PIT até aqui. Reunidos em São Paulo, agentes em treinamento, gestores dos núcleos de inovação das instituições de pesquisa e universidades participantes, e representantes de outras universidades interessados no tema assistiram às discussões sobre o programa. Para dar subsídios aos participantes e organizadores do PIT, o professor Ruy Quadros, do Departamento de Política Científica e Tecnológica do Instituto de Geociências (DPCT-IG) da Unicamp, falou de como o Brasil e outros países tratam da relação academia-empresa para os esforços em pesquisa, desenvolvimento e inovação. Representantes de empresas inovadoras como Incrementha e Adespec contaram suas experiências e um especialista do Chile, Nathan Young, gerente da firma NEOS, que atua em gestão da inovação, trouxe dados que serviram para comparar a metodologia empregada no PIT com o trabalho da firma chilena. Agentes responsáveis por fazer a investigação tecnológica apresentaram três já concluídas.

O que é investigação tecnológica
O trabalho de investigação tecnológica consiste em identificar o diferencial, as limitações e o estágio de desenvolvimento da tecnologia; verificar o grau de aderência da tecnologia ao mercado; determinar riscos e oportunidades de caráter legal; propor parcerias de negócios possíveis; determinar a viabilidade econômica. Durante a investigação, os agentes — no caso, alunos bolsistas do programa — interagem com os pesquisadores e com o mercado.

Hoje, 15 agentes de investigação tecnológica estão em treinamento no PIT, usando uma metodologia desenvolvida pelo Instituto Inovação, entidade privada de Minas Gerais que oferece serviços de gestão da inovação para empresas e instituições de ensino e pesquisa. Os agentes são alunos de graduação e pós-graduação de diversas áreas do conhecimento. Os recursos para as bolsas vêm da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), agência do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). Além dos agentes, outras 15 pessoas trabalham no projeto, auxiliando os estudantes. São pesquisadores e integrantes das agências de inovação das instituições envolvidas e representantes do Instituto Inovação.

Em um ano e seis meses de programa, os agentes foram treinados para usar a metodologia do Instituto Inovação, aperfeiçoaram esse sistema e concluíram a investigação tecnológica de 22 tecnologias das instituições participantes. Outras 25 tecnologias estão em processo de investigação. "Estamos atrasados, mas queremos cumprir as 120 investigações que temos como meta", disse Lotufo.

Caso seja dada continuidade ao programa após março de 2008, o comitê coordenador do PIT, formado por um representante de cada um dos participantes, pretende ampliar o número de instituições, incluindo também universidades e institutos de pesquisa situados fora do Estado de São Paulo.

Programa forma agentes para trabalhar em núcleos de inovação
Roberto Lotufo disse, ao abrir o seminário, que o PIT nasceu de uma necessidade das agências ou núcleos de inovação tecnológica (NITs), criados por determinação da Lei de Inovação: avaliar as tecnologias embrionárias surgidas das pesquisas feitas pelas universidades e institutos de pesquisa públicos para que sejam transferidas ao mercado, via licenciamento ou criação de empresas a partir das pesquisas.

O PIT teve um projeto-piloto, dentro da Unicamp, tocado pela Inova em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e o Instituto Inovação, quando 50 alunos foram treinados para fazer investigação tecnológica na universidade. Ao fim desse piloto, a Unicamp e a Secretaria de Desenvolvimento começaram a conversar sobre a expansão do projeto para outras instituições, nascendo assim o PIT, iniciado em março de 2006.

"Precisamos melhorar a qualidade da detecção de viabilidade da transferência do conhecimento produzido na academia para a sociedade, algo que complementa a missão das instituições envolvidas com esse assunto [pesquisa]", destacou o reitor da Unicamp, José Tadeu Jorge. Ele mencionou também o fato de o PIT se voltar para a formação de recursos humanos. "Estamos formando estudantes preparados para se dedicar à questão da inovação e para atuar profissionalmente em um mercado baseado em conhecimento", apontou, na abertura.

"O PIT é um subprojeto das políticas estruturantes para ciência e tecnologia do Estado de São Paulo", contou Sergio Queiroz, coordenador de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Desenvolvimento paulista, durante a abertura do Conecta. Professor do DPCT da Unicamp, Queiroz lembrou que universidades e institutos de pesquisa buscam estruturar melhor suas atividades de inovação, por meio dos NITs. Como exemplo, falou da criação do núcleo da Unesp, cujo lançamento ocorreu dia 24 de setembro, em São Paulo, e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que também está concluindo a formatação do seu NIT. Para ele, o PIT pode ser instrumento para ampliar as possibilidades de troca de informação entre os diversos núcleos recém-criados. "Devemos pensar em como tornar o PIT um projeto permanente, com continuidade, e em formas de aumentar sua abrangência", concluiu.

Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fapesp, ressaltou que o PIT lida com o desafio de criar condições para haver mais atividade de pesquisa e desenvolvimento no meio empresarial. "É importante destacar que a universidade não está abandonando seu compromisso com o ensino e a pesquisa básica, mas está incluindo uma outra atividade estratégica. As coisas não são excludentes, são complementares, uma atividade auxilia a outra", enfatizou, ao falar do esforço de aproximação da academia com o setor produtivo na abertura do seminário.

O diretor-executivo da Agência USP de Inovação, Oswaldo Massambani, apontou durante o seminário os novos marcos regulatórios que podem incentivar as empresas a ampliar seus esforços em P&D e a se aproximar da academia, caso dos fundos setoriais, de linhas de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da subvenção para contratação de mestre e doutores, entre outros mecanismos. "É importante capturar essa ciência produzida nos nossos laboratórios e mostrar aos pesquisadores como podem identificar se têm um trabalho patenteável ou que pode gerar uma empresa. O que fazemos no PIT é ter uma ferramenta para identificar essas oportunidades", comentou.

Posteriormente no seminário, em uma mesa-redonda, Elizabeth Ritter dos Santos, coordenadora do Fórum Nacional de Gestores da Inovação (Fortec), destacou o mesmo ponto mencionado pelo reitor da Unicamp e por Massambani, sobre a formação de pessoas para fazer avaliação de tecnologia. "É muito importante a qualificação de recursos humanos para os NITs; esse é nosso calcanhar de Aquiles, pois temos carência de profissionais", disse ela.

Seminário discute o método de investigação tecnológica
O 1º Conecta serviu para que os envolvidos no projeto apresentassem resultados e discutissem a metodologia empregada pelos agentes para a análise do potencial das tecnologias. A metodologia do Instituto Inovação, como explicou Bruno Moreira, executivo da empresa, foi criada em 2004 e vem sendo aperfeiçoada. "A diligência deve ser empregada na fase em que a tecnologia está entre o estágio de pesquisa e de protótipo, vem antes do plano de negócio e é um estudo preliminar", disse.

Uma diligência tem quatro fases. Na caracterização da tecnologia, o agente, aluno que está fazendo a investigação, conversa com o pesquisador para entender do que se trata o projeto e identificar que problema a tecnologia resolve, no que ela é inovadora. Na prova de conceito, o agente procura entender se a tecnologia está aderente ao mercado, ou seja, se o nicho de aplicação vislumbrado para ela realmente é o mais adequado, ou se haveria outras aplicações possíveis que poderiam render maior retorno ao produtor da tecnologia. Na análise de mercado, o agente levanta números do mercado, as empresas atuantes que podem ser concorrentes, estuda as questões de regulamentação, os fornecedores de eventuais matérias-primas, caso necessárias, para produção da tecnologia etc. Na análise de viabilidade econômica, define o tamanho do mercado, quem seriam potenciais clientes, o investimento necessário para viabilizar a tecnologia.

Para discutir como aprimorar a metodologia, os organizadores mostraram três casos de tecnologias que passaram pela diligência: uma da Unicamp, sobre liberação de produtos encapsulados, outra do IPT, a respeito de um catalisador para uso em células a combustível, e a terceira da USP, que propôs a produção de um alimento à base de cupuaçu. Nos dois primeiros casos, os agentes enfrentaram uma dificuldade maior pela falta de dados de mercado e dificuldade de acessar essas informações.

Nathan Young, gerente de operações globais da NEOS, empresa privada chilena que atua na gestão da inovação e promoção de negócios, comentou que a metodologia do Instituto Inovação empregada no PIT se assemelha à que sua empresa desenvolveu. Observou que os relatórios poderiam se ater menos à descrição científica, porque fica difícil entender qual é a oportunidade para determinada tecnologia se a informação é muito técnica. Francisco Perez, diretor de novos negócios do Banco Alfa, elogiou a metodologia, mas recomendou que os agentes sejam mais ousados ao projetar a colocação do produto no mercado.

Roberto Lotufo, da Inova, fez apenas uma ressalva sobre o conteúdo técnico dos relatórios: explicou que o relatório é feito para os gestores das universidades, e não para possíveis investidores e empresas. O documento serve para municiar os agentes, que farão a ponte entre o pesquisador e o investidor ou empresa. "O agente precisa saber do que se trata a tecnologia com mais detalhes para o caso de ter de dialogar com uma pessoa da área de tecnologia ou P&D de uma empresa, que procurará esses detalhes", acrescentou. Ao concluir uma diligência, os agentes têm dois documentos em mãos: um detalhado, para uso interno do NIT, e um 'sumarizado', mais resumido, para apresentação a empresas e investidores.

Outro a fazer comentários sobre a metodologia foi Henry Suzuki, diretor técnico da Incrementha. Ele explicou que os pontos abordados pela diligência são semelhantes ao que a própria Incrementha faz ao prospectar tecnologias. Sugeriu que os agentes partam de algumas questões críticas, aquelas que determinam a continuidade do desenvolvimento da tecnologia ou definem que ela não tem futuro no mercado, de forma a acelerar o processo de avaliação.

Brasil: relação universidade-empresa no contexto internacional
Ruy Quadros, professor do DPCT da Unicamp, apresentou uma palestra no seminário sobre cooperação indústria-universidade e o esforço inovativo, colocando o Brasil no contexto internacional. Com base em números da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), ele mostrou que os países escandinavos, como Dinamarca e Finlândia, os asiáticos Japão e Coréia e os europeus Alemanha e Suíça apresentam crescimento consistente no dispêndio em P&D, quando considerado o volume investido em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) dos países, entre os anos de 1995 e 2004. Já Estados Unidos e o grosso dos países europeus apresentam-se em situação estacionária, com tendência de queda.

O pesquisador também identificou que países não membros da OCDE, como Israel e China, demonstram maior crescimento nos investimentos em P&D do que os países integrantes da OCDE. Já o Brasil apresenta índices próximos aos de países como Itália e Espanha, com variação de 0,85% a 0,95% do PIB investido em P&D. Mas os investimentos privados em P&D são apenas 0,35% do PIB, contra 3,26% de Israel, por exemplo.

Olhando os países cujas empresas mais investem nas universidades, Quadros disse ser possível verificar que a distribuição desses recursos não tem relação com o investimento privado em P&D. Entre os países líderes nesse quesito estão Turquia, Hungria, Coréia, Alemanha, Bélgica, Islândia, Canadá, Grécia e Espanha — não necessariamente nações que lideram os investimentos em P&D sobre o PIB ou que estão no topo do ranking quando se observa o investimento das empresas em P&D. "É possível que para esses países o P&D realizado por meio do contrato com universidades tenha um papel diferenciado na criação dos programas de P&D das empresas e no fomento à cultura da inovação", analisou.

No Brasil, continuou o professor, não há estudos que meçam o investimento das empresas em universidades para atividades de P&D, mas a Pesquisa Industrial de Inovação Tecnológica (Pintec), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que entre 2001 e 2003 o País tinha 413 empresas inovadoras que afirmavam fazer projetos em colaboração com universidades, número que saltou para 812 empresas entre 2003 e 2005. Ele explicou que, no Brasil, as empresas buscam a interação com universidades mais para solucionar problemas do que para procurar novas oportunidades de negócios por meio da inovação.

Quadros estudou a cadeia automotiva no Brasil e detectou que as empresas desse setor procuram a universidade muito mais para realizar atividades de desenvolvimento e solucionar problemas do que para fazer pesquisa. Ele lembrou ainda que, considerando os dados da Pintec, metade do esforço em inovação no Brasil feito pelas empresas se dá pela compra de equipamentos, ou seja, não implica atividade de P&D. "O peso das universidades no esforço tecnológico das empresas ainda é muito baixo, apesar do interesse crescente pelas parcerias", concluiu. (J.S.)

Fonte: Inovação Unicamp

R$ 6 milhões do CNPq para Saúde da Mulher - aborto e gravidez na adolescência

Os Ministérios da Saúde e da Ciência e Tecnologia investirão R$ 6 milhões para o financiamento de pesquisas em temas prioritários para a Saúde da Mulher: o aborto e a gravidez na adolescência.

O objetivo é apoiar atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação, mediante o apoio financeiro a projetos que visem a suprir lacunas do conhecimento no tema. A data-limite para submeter as propostas é 11 de novembro.

Do total de recursos que serão aplicados em bolsas, equipamentos, materiais bibliográficos, passagens e diárias dos pesquisadores, 30% serão destinados a projetos desenvolvidos por pesquisadores vinculados a instituições de ensino superior ou de pesquisa, sediadas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

As propostas poderão ser submetidas por pesquisadores com título de doutor, vinculados a instituição de ensino superior, institutos ou centros de pesquisa e desenvolvimento, públicos ou privados, nacionais.

“Determinantes biopsicossociais e repercussões da gravidez na adolescência”, “Direitos sexuais e reprodutivos na adolescência: prevenção à gravidez não desejada”, “Atenção ao ciclo gravídico-puerperal na adolescência”, “Aborto e morbidade”, “Avaliação de políticas e práticas de atenção e cuidado” e “Determinações sociais e culturais do aborto” serão algumas linhas de pesquisa apoiadas.

Mais informações no endereço: www.cnpq.br/editais.

Fonte: CNPq

Tese brasileira ganha o "World Federation of Pediatric Surgeons Young Investigator Award"

Uma tese de doutorado apresentada na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) foi considerada o melhor trabalho, entre 950 apresentados, do Congresso Mundial de Cirurgia Pediátrica, realizado em setembro em Buenos Aires, na Argentina, o que lhe rendeu o prêmio "World Federation of Pediatric Surgeons Young Investigator Award".

O estudo, desenvolvido no Laboratório de Cirurgia Pediátrica (LIM-30) e no Setor de Cirurgia Experimental do Instituto da Criança da faculdade, verificou, em um modelo experimental em ratos recém-nascidos, os mecanismos de atuação de drogas imunossupressoras sobre a regeneração do fígado dos animais.

Para isso, inicialmente a pesquisadora Ana Cristina Tannuri, orientada pelo professor do Departamento de Pediatria da FMUSP, Uenis Tannuri, realizou uma hepatectomia parcial, a ressecção de 70% da massa hepática dos animais. Em seguida, foram aplicadas no órgão três drogas: ciclosporina, tacrolimus e corticosteróides.

“Esses tipos de drogas imunossupressoras são habitualmente utilizadas em crianças submetidas ao transplante hepático para evitar o processo de rejeição ao fígado transplantado”, disse Uenis Tannuri, que também é chefe do Serviço de Cirurgia Pediátrica do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da FMUSP.

“Identificamos que essas drogas realmente interferem no processo de regeneração hepática, o que também poderá ter uma implicação importante nas drogas administradas em crianças”, explica o professor.

Segundo ele, foram realizados estudos histológicos e de biologia molecular que consistiram na avaliação da expressão de genes de multiplicação celular e de morte celular. Adicionalmente, a avaliação imuno-histoquímica dos tecidos hepáticos dos ratos foi realizada com a utilização de uma técnica conhecida como tissue microarray, em que fragmentos de tecidos do fígado de vários ratos distintos, após a aplicação das drogas, são colocados lado a lado em uma mesma lâmina para a análise no microscópio.

“Foram analisados tecidos de mais de 200 animais. Por meio dessa técnica, que é mais econômica e prática, descobrimos que as drogas imunossupressoras podem tanto ativar mecanismos de multiplicação como de morte celular no fígado dos animais, sendo que a ação na apoptose, que é a morte celular programada, foi mais intensa”, afirma Tannuri.

Os resultados beneficiarão as atividades dos autores, uma vez que eles já realizaram cerca de 350 transplantes de fígado em crianças no Instituto da Criança do Hospital das Clínicas, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). O trabalho premiado, desenvolvido por meio de um auxílio a pesquisa da FAPESP, também contou com a participação da bióloga Maria Cecília Coelho.

Para ler a tese Modelos de regeneração hepática em animais em crescimento: estudos histológicos, moleculares e avaliação de efeitos de imunossupressores, clique aqui.

Fonte: Thiago Romero / Agência Fapesp

Hidroelétricas - Vilãs na emissão de gases do efeito estufa

As hidrelétricas, por serem fontes de energia renovável, têm sido vistas no Brasil como uma alternativa para combater as emissões de gases do efeito estufa (GEE). Mas uma pesquisa que mediu e estipulou as emissões de quatro usinas hidrelétricas da Amazônia transformou-as em vilãs do aquecimento global. De acordo com os números, todas as quatro emitem mais GEE que termelétricas de mesma potência.

“A hidrelétrica de Balbina, no rio Uatumã, está emitindo cerca de 10 vezes mais que uma termelétrica movida a carvão mineral, considerado hoje o combustível mais poluente”, informou à Agência FAPESP o biólogo Alexandre Kemenes, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Segundo ele, para comparar termelétricas e hidrelétricas foi preciso relacionar a quantidade de gás emitido, medida em toneladas de equivalentes de carbono (tC), sobre a potência gerada por hora (MWh). O equivalente de carbono é a unidade que considera tanto o dióxido de carbono (CO2) quanto o metano (CH4). Como o potencial térmico do CH4 é 25 vezes maior que o do CO2, é preciso multiplicar o valor medido de CH4 por 25 para expressá-lo em carbono.

Em Balbina, além dos elevados índices de emissão, há um baixo aproveitamento energético. Em outro cálculo, que considera a potência gerada pela área do lago, Balbina também fica a dever. Embora tenha alagado 2.600 quilômetros quadrados de floresta, a hidrelétrica tem uma produção energética pífia, de meros 250 MW.

De acordo com Kemenes, vários são os fatores que levam as hidrelétricas tropicais a emitir GEE em grande quantidade. Os lagos muito grandes e profundos construídos sobre uma área florestal e sob a influência do clima amazônico são propensos a problemas desse tipo.

“Devido à estabilidade climática da Amazônia, são formados estratos térmicos nas diferentes profundidades do lago”, explicou o biólogo. “Em temperaturas distintas, cada estrato possui diferentes concentrações de gases, entre eles o oxigênio.”

No fundo do lago, todo o oxigênio é consumido pelas atividades biológicas, mas não é reposto, formando um estrato anóxio (sem oxigênio). Além disso há grande quantidade de matéria orgânica deixada pelo não-desmatamento da antiga floresta existente na área do lago. A soma desses fatores favorece a ação metabólica de bactérias anaeróbicas, que produzirão altas taxas de CH4 e CO2, os dois principais GEE.

“Além disso, a profundidade provoca outro fenômeno físico – a pressão hidrostática – que mantém os gases aprisionados no fundo do lago”, declarou o cientista. No caso de Balbina, os 30 metros de profundidade geram uma pressão de quatro atmosferas (atm) – 1 atm a cada 10 metros mais 1 atm da própria atmosfera.

A coleta de dados ocorreu entre 2002 e 2006 na usina de Balbina e faz parte da tese de doutorado de Kemenes. Em julho de 2007, o trabalho foi publicado na Geophisical Research Letter, uma das revistas de maior impacto na área de geofísica. Para as outras usinas – Tucuruí, Samuel e Curuá-Uana – a tese se valeu de dados já coletados por outros pesquisadores.

Três caminhos
Depois de gerados no fundo do lago, o CO2 e o CH4 chegam à atmosfera por três vias: pelo próprio lago, pelas turbinas da barragem e à jusante dela. Cerca de 85% das emissões ocorrem por ebulição ou difusão, na área do lago.

Quando os gases ficam supersaturados no substrato, eles se desprendem em forma de bolhas e chegam à atmosfera. Ao mesmo tempo, os gases existentes na superfície do lago são difundidos lentamente. Câmaras estáticas (baldes flutuantes invertidos) e funis invertidos foram espalhados ao longo do lago para capturar as bolhas de ebulição e a difusão dos gases.

“Essa metodologia é consagrada e já utilizada em várias partes do mundo, como na usina de Petit-Saut, na Guiana Francesa”, explicou Kemenes. Os dados referentes às emissões pelo lago foram medidos nas quatro hidrelétricas.

Em relação aos valores mensurados na turbina e à jusante, há informações somente para a hidrelétrica de Balbina. “Foram propostas, para 2007, coletas de campo em Tucuruí, Samuel e Curuá-Una abaixo das barragens, mas houve problemas de autorização e não foi possível fazer a coleta”, informou.

Para essas três usinas, os valores foram estimados em relação ao levantamento de Balbina. “Devemos substituir esses dados estimados tão logo consigamos coletar nessas usinas.”

Depois de passar pelas turbinas, grande parte dos gases é emitida devido à queda da pressão hidrostática. Para chegar aos valores de Balbina, a equipe de Kemenes mediu a quantidade de metano no fundo da represa, a uma profundidade de 30 metros, no fluxo de água antes das turbinas.

O gás restante se desprende lentamente na atmosfera por difusão, à jusante do rio. Estima-se que a emissão continue gradualmente por 100 km, rio abaixo.

Controvérsia
Dos valores emitidos pelos três compartimentos da hidrelétrica, aqueles relacionados às turbinas são os que causam maior controvérsia. Para o geógrafo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Marco Aurélio dos Santos, há um equívoco em relação à profundidade por onde ocorre a vazão da água pela turbina.

“Os autores consideraram que a vazão ocorre a 30 metros de profundidade, mas a tomada de água pelas turbinas ocorre entre 14 e 30 metros. O valor deveria ser a média da concentração de metano nessas profundidades”, afirmou Marco Aurélio.

Como a concentração de CH4 aumenta com a profundidade, essa diferença resultaria numa quantia emitida muito menor que a proposta pela equipe de Kemenes. Mas, segundo o biólogo do Inpa, não há estudos conclusivos sobre a área onde ocorre a tomada de água pelas turbinas.

“Antes de realizar nossas estimativas de emissões pelas turbinas, consultamos os engenheiros da Manaus Energia. Eles nos informaram que o fluxo d’água é laminar e rente ao fundo do lago. Optamos então por utilizar os dados referentes a esse estrato. Outros trabalhos realizados em várias partes do mundo, como os de Petit-Saut, utilizam a mesma metodologia”, disse

Fonte: Murilo Alves Pereira / Agência Fapesp

Diabetes - Atenção a sintomas sutis

Sintomas sutis podem indicar a chegada de doenças como a dor neuropática em pacientes diabéticos.

Sintomas como formigamento, dormência ou mesmo uma sensação estranha nos pés ao caminhar podem parecer apenas falhas momentâneas na circulação do sangue. Mesmo assim, as pessoas, principalmente aquelas que têm diabetes, devem dar mais importância a tais sinais, que podem indicar a chegada da dor neuropática periférica diabética (DNPD).

A doença é causada por vários fatores. O aumento das taxas de açúcar no sangue e a queda da insulina (hormônio produzido no pâncreas, responsável pela quebra da glicose no organismo) provocam modificações e até obstrução nos vasos que alimentam os nervos. Além disso, são observadas alterações que interferem na função e sobrevida dos nervos.

Geralmente, a doença atinge as extremidades das duas pernas e, num segundo momento, o paciente pode sentir agulhadas, sofrer mudanças nos nervos sensitivos e motores, além da dormência e formigamento constantes. Dependendo do caso, a neuropatia diabética pode atingir somente um nervo, por exemplo, o da pálpebra.

“Num estágio mais avançado, a DNPD causa dores exacerbadas no paciente, que pode ainda não sentir alguns estímulos. Deste modo, o vento batendo na pele causa a sensação de queimação, enquanto o algodão pode simplesmente não ser sentido quando deslizado no pé do paciente. Já o peso do lençol mais parece um choque elétrico”, relata o neurocirurgião Edson Amâncio, pós-graduado pela UNIFESP e médico dos hospitais Albert Einstein e Nove de Julho, em São Paulo.

Para que as conseqüências da DNPD não atinjam tal nível de gravidade, é necessário dar atenção aos primeiros sintomas e procurar um neurologista ainda no estágio inicial da doença, quando o paciente percebe apenas leve formigamento, dormência ou a sensação de caminhar sobre bolhas. Até mesmo porque a dor e a incapacitação decorrentes da DNPD podem trazer outras complicações como agravamento ou mesmo desencadeamento de uma depressão.

“Até pouco tempo, não havia tratamento específico para a doença e os médicos precisavam recorrer a antidepressivos antigos, que causam efeitos sedativos e prisão de ventre, por exemplo. Outra alternativa eram os analgésicos, que atuam apenas localmente e têm efeito em curto prazo”, lembra Amâncio. Porém, desde que a ANVISA, agência regulatória de medicamentos no Brasil, aprovou a indicação da duloxetina para o tratamento da DNPD, os pacientes puderam contar com uma opção de tratamento específico para a doença.

Inicialmente utilizado no tratamento da depressão, a duloxetina ( medicamento vendido somente com prescrição médica ) é um medicamento moderno que age diretamente sobre dois neurotransmissores (mensageiros químicos), a serotonina e a noradrenalina e apresenta poucos efeitos colaterais. Devido ao aumento dos níveis destes neurotransmissores em determinadas regiões do sistema nervoso central, existe um maior equilíbrio emocional e mudanças na percepção e sensibilidade dos pacientes à dor, permitindo maior tolerância aos estímulos dolorosos, ou seja, alívio dos sintomas.

Independentemente do tratamento da DNPD, o diabetes deve ser controlado com adoção de hábitos e tratamento e ter um acompanhamento clínico adequado, enquanto o paciente deve relatar ao médico qualquer sensação nova. Por mais comum que possa parecer.

Fonte: Portal Diabetes