quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Antidepressivos podem causar obesidade

Estado nutricional e seus fatores interferentes em pacientes com transtorno depressivo
Uma pesquisa feita na Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília (UnB) destacou que efeitos colaterais de medicamentos antidepressivos podem interferir diretamente no estado nutricional dos pacientes, causando tanto perda como ganho de peso.

O trabalho de Helicínia Giordana Peixoto, apresentado como dissertação de mestrado, verificou o perfil nutricional e sua associação com antidepressivos utilizados por 300 indivíduos com transtorno depressivo, de idades entre 18 e 60 anos, assistidos no ambulatório do Hospital São Vicente de Paula, ligado à Secretaria do Estado de Saúde do Distrito Federal e especializado no atendimento de pacientes psiquiátricos. A grande maioria dos indivíduos analisados era do sexo feminino (89%).

Foi aplicada uma ficha de atendimento para obtenção de dados pessoais, sociais, ambientais, clínicos e medicamentos utilizados. Também foram registradas informações sobre o padrão alimentar dos pacientes e feitos exames bioquímicos para identificação das taxas de glicemia e colesterol.

Os medicamentos utilizados pelos pacientes foram divididos em três classes: antidepressivos tricíclicos, inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS) e antidepressivos de nova geração.

“Os indivíduos que usavam antidepressivos da classe ISRS tinham, em média, índice de massa corporal mais elevado quando comparados com pacientes que usavam medicamentos tricíclicos ou de nova geração”, disse Helicínia, que é nutricionista do Hospital São Vicente de Paulo.

Segundo ela, a maior parte dos usuários que tomavam ISRS tinha obesidade, enquanto a maioria que usava tricíclicos apresentava sobrepeso. Os usuários dos antidepressivos de nova geração apresentaram estado nutricional mais satisfatório.

Da amostra analisada, 62% dos pacientes estavam acima do peso – 34% com sobrepeso e 28% eram obesos. Além disso, 5% apresentaram algum grau de desnutrição.

“O transtorno depressivo leva a diminuição da serotonina, um hormônio responsável pelo prazer, fazendo com que os pacientes apresentem tristeza e desânimo. Nesse contexto os antidepressivos podem tanto estimular o apetite e gerar compulsão alimentar, o que causaria sobrepeso ou obesidade, como os indivíduos podem ter o apetite diminuído e ter perda de peso”, disse Helicínia, que também é professora da Faculdades JK, em Brasília.

Dois artigos sobre o assunto foram redigidos com base nos resultados da dissertação, orientada pela professora Marina Kiyomi Ito, e estão em fase de aprovação em revistas especializadas.

Para ler o trabalho Estado nutricional e seus fatores interferentes em pacientes com transtorno depressivo, clique aqui.

Fonte: Thiago Romero / Agência Fapesp

Professor da Unicamp prevê mercado amplo para projetista de máquina agrícola

Das mãos dos projetistas brasileiros de máquinas agrícolas sairão as melhores máquinas e implementos para o cultivo de cana-de-açúcar no mundo todo. A previsão é do professor da Faculdade de Engenharia Agrícola da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Oscar Antonio Braunbeck, que calcula que em 20 anos a área de engenharia do país superará os projetos das multinacionais do ramo.

Por enquanto, a maior demanda para os formandos em engenharia agrícola ou mecânica está na adequação de projetos das empresas globais às características brasileiras, informa o professor associado do Departamento de Engenharia Rural da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), José Paulo Molin.

"Nós temos um bom setor de indústria de máquinas e implementos no Brasil e quem domina os projetos de automotrizes (com motor, como trator e colhedoras) são as empresas transnacionais, como a Case (do grupo CNH). Infelizmente, os engenheiros daqui não têm grande autonomia na concepção de projetos novos no país para o mundo. Mas, mesmo assim, há campo de trabalho", relata Molin.

O professor Braunbeck atribui a ausência de engenheiros projetistas nas plantas brasileiras das multinacionais ao sistema de comercialização das máquinas produzidas por elas. "As empresas trazem projetos de fora e fazem pequenas adaptações aqui porque têm uma rede mundial de revendas. Então é interessante ter o mesmo produto no mundo todo. Logo, os projetos brasileiros não devem surgir nas grandes empresas", afirma Braunbeck.

Ele aponta três fortes motivos para que as gigantes em máquinas agrícolas se curvem a projetos que, em sua maioria, são desenvolvidos no Brasil dentro das universidades. "Eu diria com muita certeza que precisamos muito mais de projetos brasileiros do que meras adaptações. Temos uma máquina que é importada e que todo mundo usa que é a colhedora de cana. No Brasil ela é muito cara, perde-se muita cana e compacta o solo, três fatores fortemente negativos para toda a cadeia produtiva", relata o professor da Unicamp.

Para Braunbeck o Brasil está ganhando espaço no projeto de máquinas agrícolas com o desenvolvimento da área acadêmica. "Historicamente nós não tivemos curso de graduação em engenharia agrícola até 1970. Antes disso, esses profissionais eram voltados à área biológica e não atuavam na área de projetos de máquinas", afirma.

A Esalq não tem formação em engenharia para projeto de máquinas agrícolas, mas forma profissionais para teste e adequação das máquinas. A Unicamp oferece a disciplina dentro do curso de engenharia agrícola.

Dicas
O vice-presidente da Confederação dos Engenheiros Agrônomos do Brasil (Confaeab) e conselheiro do Crea-SP (Conselho de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de São Paulo), José Levi Pereira Montebelo, aconselha os interessados pela área de projetista a cursar a engenharia voltada às ciências humanas, e não exatas.

"Isso porque, posteriormente, o engenheiro poderá fazer uma especialização na área agrícola, botânica, entre outras. Diante do mercado neoliberal e globalizado e diante da necessidade de ver a cadeia como um todo, essa formação básica mais eclética permite um caminho muito mais fácil na vida profissional", diz Montebelo.

No caminho da especialização depois da graduação, ele critica o desmembramento da engenharia em outras graduações, como florestal e ambiental. "Há um conflito de atividades", afirma Montebelo.

Fonte: Confea

Rede internacional de microbiologia é articulada entre ASM, ICB e entidades latino-americanas

A colaboração da Sociedade Norte-Americana de Microbiologia (ASM) com entidades brasileiras da área poderá ser decisiva para que a pesquisa feita no Brasil contribua para a elaboração de normas internacionais de segurança microbiológica de alimentos.

De acordo com Irma Rivera, professora do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP) e embaixadora da ASM no Brasil, os principais representantes da entidade virão a Brasília e São Paulo em outubro para discutir a articulação de uma rede no setor.

“Dos 42 mil membros da ASM, mais de um terço é de fora dos Estados Unidos. Vemos esta aproximação como uma oportunidade para que o ICB, a Sociedade Brasileira de Microbiologia e outras instituições se articulem com entidades latino-americanas da área”, disse Irma.

Segundo a professora, que também é uma das coordenadoras da área de Microbiologia Ambiental da Sociedade Brasileira de Microbiologia, os países latino-americanos têm grande necessidade de organizar e padronizar pesquisas em análise de riscos microbiológicos.

“As normas internacionais de segurança microbiológica de alimentos vêm sendo elaboradas conforme as análises de risco feitas em países desenvolvidos, deixando de fora a pesquisa latino-americana. Precisamos reforçar a integração de pesquisadores da região e a ASM pode ser um bom mediador para isso”, disse.

Segundo ela, os modelos utilizados para elaboração das normas na Organização Mundial de Saúde (OMS) e na Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) são feitos a partir de dados obtidos principalmente na Europa, nos Estados Unidos e Japão.

“Temos que canalizar melhor nossa pesquisa, porque a América Latina tem uma microbiota rica e diferenciada, que se comporta de maneira muito diferente em relação à dos climas temperados. É fundamental organizar e padronizar nossa pesquisa”, afirmou.

Parcerias e bolsas
O gerente de negócios internacionais da ASM, Todd Peterson, participará do Congresso Brasileiro de Microbiologia, que será realizado em Brasília entre 3 e 6 de outubro. No dia 8, ele estará no ICB, em São Paulo, às 11h, para uma palestra sobre as atividades da ASM.

“Além da palestra, a visita terá o objetivo prático de discutir possíveis parcerias que poderão ser estabelecidas a partir desse contato”, disse Irma.

A professora do ICB-USP explica que dois programas de bolsas da ASM já estão em ação no Brasil. Um deles é voltado para jovens cientistas da América Latina e do Caribe, com bolsas de US$ 4 mil para estudantes visitarem uma universidade norte-americana por um período de seis semanas a seis meses. Outra bolsa no mesmo valor é voltada para pesquisadores norte-americanos que venham ministrar cursos de pós-graduação na América Latina

“Além disso, a ASM tem uma campanha voltada para formação de recursos humanos em países em desenvolvimento, principalmente na África. Participamos dessa campanha como intermediários para países de língua portuguesa, encaminhando especialistas para atuarem como assessores”, disse Irma.

Fonte: Fábio de Castro / Agência Fapesp

Pesquisador do Proantar ganha prêmio

O Programa Antártico Brasileiro (Proantar) está novamente em evidência. Desta vez, as honras ficam por conta do prêmio pesquisador-destaque da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs), concedido ao professor Jefferson Cardia Simões.

No ano em que completa 25 anos, o Proantar apresenta-se como um programa brasileiro consolidado. "Atribuo o prêmio a minha pesquisa e contribuição científica ao Proantar. É um reconhecimento regional que demostra que o Programa desenvolve pesquisa de vanguarda, com pessoas qualificadas", diz Simões.

O prêmio foi concedido pela contribuição do pesquisador ao Proantar e ao avanço da Geociências, especificamente, pelas pesquisa antárticas e andinas realizadas sobre sua liderança no Núcleo de Pesquisas Antárticas e Climáticas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde é professor.

Pesquisador 1B do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), agência de fomento do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Simões é PhD pela Universidade de Cambridge (Inglaterra) e é um dos líderes da pesquisa glaciológica latino-americana.

As investigações do pesquisador estão voltadas para o papel da criosfera no sistema climático e para o registro da variabilidade do clima e da química da atmosfera nos testemunhos de gelo. Seus projetos de pesquisa, realizados no âmbito do Proantar, envolvem intensa colaboração internacional com pesquisadores da Alemanha, Chile, França, e dos EUA .

A sétima edição do prêmio, em parceria com a Companhia Petroquímica do Sul (Copesul), foi composta por três categorias de premiação: Prêmio Fapergs Pesquisador Destaque; Prêmio Mérito Sylvio Torres e Prêmio Copesul Ambiental.

A entrega do prêmio acontece nesta quarta-feira (26), às 20h, no Teatro São Pedro, na praça Marechal Deodoro, em Porto Alegre.

Fonte: Rachel Mortari / Agência CT

4ª Conferência Internacional do Nitrogênio

Para discutir temas relacionados às mudanças no ciclo do nitrogênio ocorridas nos últimos 40 anos, será realizada, de 1º a 5 de outubro, na Costa do Sauípe (BA), a 4ª Conferência Internacional do Nitrogênio. O tema central será “Agricultura, desenvolvimento e nitrogênio”

Estarão reunidos especialistas de diversos países para definir uma agenda para o uso sustentável do nitrogênio no planeta. Na ocasião serão apresentadas soluções para racionalizar o uso desse elemento como forma de combater a fome e minimizar o processo de degradação ambiental.

O evento é promovido pela Iniciativa Internacional do Nitrogênio (INI), em parceria com instituições de ensino e pesquisa brasileiras e de outros países.

Mais informações no endereço.

Fonte: Agência Fapesp

3º Simpósio Avanços em Pesquisas Médicas dos Laboratórios de Investigação Médica

O 3º Simpósio Avanços em Pesquisas Médicas dos Laboratórios de Investigação Médica, promovido pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), será realizado nos dias 27 e 28 de setembro, em São Paulo.

O objetivo é promover a integração da comunidade científica em torno de questões que estarão na agenda da saúde na próxima década. Para isso serão divulgados, na forma de painéis, avanços nas várias áreas de pesquisa em saúde e realizadas conferências sobre temas da fronteira da medicina, proferidas por lideranças científicas nacionais e internacionais.

O tema “Saúde no Brasil” será abordado pelos professores Tarcísio Eloy Pessoa de Barros e José Manoel de Camargo Teixeira, ambos da FMUSP, e por Adib Jatene, do Hospital do Coração.

O “Estado atual das vacinas anti-HIV” será apresentado por Mariângela Batista Simão, do Programa Nacional DSH-Aids do Ministério da Saúde, Antonio Alci Barone, da FMUSP, e Saladin Osmanov, coordenador da Iniciativa Conjunta de Vacinas contra o HIV da Organização Mundial da Saúde e do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids.

Mais informações no endereço.

IMEC - 1000 teses de doutorado

O Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica (Imecc) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) chegou nesta terça-feira (25) à marca de mil teses de doutorado defendidas em 39 anos de existência.

“Chegar a mil teses, em matemática, é algo muito significativo. É um número que mostra uma imensa produtividade”, disse o coordenador do programa de Pós-Graduação em Matemática Pura, Paulo Ruffino.

De acordo com ele, as mil teses incluem trabalhos defendidos nos três departamentos do Imecc: Matemática Pura, Estatística e Matemática Aplicada. A pós-graduação do instituto tem nota 7 na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). “Muitas dessas teses tiveram apoio da FAPESP”, disse o professor.

A milésima tese, de autoria de Uberlândio Batista Severo, tem o título “Estudo de uma classe de equações de Schrödinger quaselineares”. O orientador foi João Marcos Bezerra do Ó, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), que também fez seu doutorado no Imecc.

Participaram da banca Djairo Guedes de Figueiredo, da Unicamp e membro da Academia Brasileira de Ciências, Elves Alves de Barros e Silva, da Universidade de Brasília, Olímpio Hiroshi Miyagaki, da Universidade Federal de Viçosa e Pedro Eduardo Ubilla Lopez, da Universidade de Santiago de Chile.

Fonte: Fapesp

Exportação de mel de abelhas sem ferrão precisa de legislação

Cada vez mais o mel produzido pelas melíponas (abelhas sem ferrão) em comunidades indígenas do interior do Amazonas está conquistando o paladar dos europeus. Isso porque eles preferem um sabor mais ácido, característica comum no mel das abelhas sem ferrão. Mas os produtores esbarram em um problema: a elevada umidade do alimento da região, além da falta de legislação que regule a exportação. É o que explica a cientista Helyde Albuquerque Marinho, pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA).

Marinho é a coordenadora de um projeto de capacitação de jovens e professores indígenas, que estudou as abelhas nativas na área Sateré-Mawé (formada pelos municípios de Maués, Parintins e Barreirinha). O objetivo da pesquisa, financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), foi fazer o mapeamento da polinização e caracterização dos produtos meliponículas. Dessa forma, solucionar o entrave legal existente (falta de legislação) e a elevada taxa de água encontrada no mel.

"O Ministério da Agricultura (MA) só possui legislação para o mel das abelhas apís (africanizadas), o qual determina que a umidade não pode ultrapassar os 20%. Porém o mel produzido pelas abelhas sem ferrão varia entre 24 a 27%. A elevada taxa leva a uma fermentação mais rápida, o que pode ocasionar a perda de toda a produção. Por isso, não pode ser exportado para a Europa. Contudo, já existe tecnologia para a questão", informou a pesquisadora.

Segundo ela, uma das saídas encontradas pelo projeto foi a fazer a caracterização do mel das diferenças existentes, pois só assim será possível requerer junto ao MA uma legislação específica. Entre elas, Marinho disse que o mel das abelhas sem ferrão é mais fino e menos doce, diferente do das africanizadas. Além disso, a florada é outro diferencial. Como ambas coletam o néctar das flores, as abelhas sem ferrão levam vantagem porque o Amazonas não tem tanta poluição quanto os outros estados, contribuindo assim para o aumento da qualidade final do produto. Outra vantagem é em relação à acidez: 2 a 3 pH, o que o coloca na preferência do consumidor europeu, principalmente, o italiano.

"O objetivo do projeto é aumentar cada vez mais a produção e vender o que é produzido para o exterior, bem como ajudar na sustentabilidade dos moradores Um litro de mel produzido pela comunidade chega à custa R$ 40, mas pode atingir o patamar de R$ 80. Na aldeia existem 150 colméias e cada uma produz em média 3 litros de mel, o que é pouco. Isso porque além de ser comercializado, ele também é consumido pelos indígenas",destacou.

Técnicas de manejo - Durante os trabalhos de campo, realizados no município de Barreirinha, na vila do Castanhal, os representantes da comunidade indígena aprenderam técnicas de manejo do mel, por exemplo, usar luvas e seringas para coletar o produto das colméias para não contaminá-lo. Também aprenderam a identificar as abelhas, limpeza e fabricação das caixas das colméias, tendo sempre como principal meta à certificação do Ministério da Agricultura (MA).

"Foi a primeira iniciativa nesse sentido, ou seja, tentar solucionar o problema da falta do selo do MA e oportunizar aos jovens e professores o acesso ao conhecimento produzido pelo INPA nessa área. Realizamos visitas nas comunidades e eles também vieram ao Instituto. Levamos para eles motor de popa, canoa e binóculos, tudo por meio do projeto", enfatizou.

No INPA, a bolsista de nutrição do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), Tatiana Van de Maas, realizou análises físico-química e microbiológicas. De acordo com Marinho, os testes foram feitos para saber se o mel estava contaminado ou não, pois na aldeia não é possível fazê-los. Segundo ela, tudo conforme manda o MA para obter um certificado diferente do das abelhas apis. "Os documentos serão entregues no Ministério da Agricultura. Queremos discutir uma legislação para o mel das melíponas", alertou.

Os resultados do projeto serão publicados por meio de uma cartilha, tanto no idioma sateré quanto em português.

Retirada da umidade - Em 2006, durante quatro dias, dois pesquisadores do México estiveram no INPA para repassar a técnica de retirada da umidade (água) do mel. Na época, dois professores saterés e representantes da associação dos meliponicultores aprenderam a metodologia.

Marinho explicou que a desumidificação só é possível em um laboratório devidamente preparado. Por isso, a pesquisadora elaborou um outro projeto para dar continuidade à pesquisa inicial. No mesmo, foi incorporado a "Casa do Mel", que será implantado na comunidade indígena para, assim, solucionar a questão da elevada taxa de umidade.

O projeto, orçado em aproximadamente R$ 100 mil, foi submetido ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e aprovado pelo mesmo. Contudo, um ano após ser aprovado, o recurso ainda não foi liberado, pois depende do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

Benefícios do mel - Apesar de ser utilizado mais como veículo de medicamentos, a pesquisadora disse que o mel é bactericida, antiinflamatório fornece energia, além de ser de fácil digestão e utilizado como adoçante natural. Segundo Marinho, o brasileiro não tem o hábito de consumir mel diferente do argentino, por exemplo.

Fonte: Luís Mansuêto / Agência CT