domingo, 23 de setembro de 2007

Reorientar a fuga de cérebros

Plumbing the brain drain
Endiguer la fuite des cerveaux
Redirección de la fuga de cerebros

Brasil, China e Índia são exemplos positivos para o resto do mundo em desenvolvimento. Esse trio, na opinião de Nancy Saravia, diretora científica do Centro Internacional de Treinamento e Investigações Médicas da Colômbia, e de Juan Francisco Miranda, diretor executivo da instituição, está conseguindo algum êxito para impedir a chamada fuga de cérebros para o exterior.

O exemplo brasileiro, segundo a dupla colombiana, que acaba de publicar o artigo Plumbing the brain drain no boletim mensal da Organização Mundial de Saúde (OMS), é positivo porque, pelo menos no item educação, o país tem obtido sucesso. Os números apresentados no texto mostram uma evolução no número de doutorados feitos por brasileiros no próprio país.

Se em 1985, por exemplo, 40% dos títulos outorgados a alunos brasileiros eram provenientes de universidades estrangeiras, hoje essa taxa está em 10%. “Apesar de o fluxo migratório de cientistas ter aumentado 5,3% entre 1993 e 1999, essa saída é compensada pela migração de outros pesquisadores, principalmente de pessoas da própria América Latina”, escrevem os pesquisadores. Para eles, portanto, o investimento em educação é uma das medidas eficazes para se barrar a preocupante fuga de cérebros.

O exemplo da China, que investiu US$ 2,5 bilhões em pesquisa básica apenas em 2002, é outro considerado positivo pelos pesquisadores colombianos. Uma das conseqüências práticas dessa ênfase no setor, surgida no final da década de 1990, é a China ser o único país em desenvolvimento a participar de forma direta do Projeto Genoma Humano.

Mas o desafio chinês é ainda mais complexo. De acordo com o artigo, há 33 mil chineses estudando, em nível de graduação, nos Estados Unidos. A situação é problemática quando se verifica que, dentro desse universo, apenas 10% admite pretender voltar ao país de origem. Também nesse caso, o investimento em educação é considerado essencial pelos autores.

Da Índia vem outro caminho sólido, segundo a ótica da dupla colombiana, para a fixação de mentes brilhantes. Investir em infra-estrutura de pesquisa e oferecer condições irrestritas de trabalho têm produzido um fluxo contrário à emigração de cientistas indianos. Apenas em 2000, voltaram para a Índia 1,5 mil cientistas considerados de alto nível.

Se educação, infra-estrutura e centros tecnológicos formam um tripé ideal para trazer cientistas de volta aos países em desenvolvimento – e isso parece ser um consenso entre quem estuda esse problema – a forma de obter recursos para isso é que torna o problema quase intransponível.

Para Nancy e Miranda, deveriam ser pensados mecanismos de compensação financeira internacionais para a fuga de cérebros. Eles defendem tanto a criação de espécies de taxas para os próprios pesquisadores, como ainda para as empresas que contratam esses estrangeiros. O princípio seria o mesmo que rege o mercado de comércio de créditos de carbono, pelo qual os países desenvolvidos, por serem mais poluidores, compram emissões carbonáticas dos demais, para que esses possam, com os recursos, desenvolver ações que colaborem com o meio ambiente.

O artigo pode ser lido gratuitamente na biblioteca on-line SciELO (FAPESP/Bireme). Para acessar o texto, clique aqui.

Fonte: Agência FAPESP - 23/09/2004

Unesp lança o NIT

A Universidade Estadual Paulista (Unesp) lança nesta segunda-feira (24/9), em São Paulo, o Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT), que terá os objetivos de depositar os pedidos de proteção intelectual dos resultados de pesquisa produzidos na universidade, direcionar sua política de inovação, gerenciar a transferência de tecnologia para as empresas e facilitar o diálogo entre pesquisadores e o setor empresarial.

O lançamento ocorrerá na abertura do 1º Simpósio Unesp de Inovação, coordenado por Vanderlan Bolzani, professora do Instituto de Química de Araraquara. “O núcleo já está em funcionamento, com cinco projetos de transferência de tecnologia em andamento. A Unesp tem uma pesquisa consolidada, de excelência, que exigia uma iniciativa como essa”.

De acordo com Fabíola Spiandorello, gerente executiva do NIT-Unesp, os cinco projetos serão apresentados durante o evento, com a divulgação das empresas envolvidas. A previsão é que dentro de 20 dias a primeira patente seja depositada. O núcleo terá representantes em todos os 24 campi da Unesp.

“Dos cinco projetos de transferência de tecnologia, quatro já têm contratos assinados. Temos um em Sorocaba, na área de nanotecnologia, um em São José do Rio Preto, em agricultura, voltado para pesticidas, e dois em Araraquara, no setor farmacêutico – um fitoterápico e outro em cosméticos”, disse Fabíola.

Segundo Vanderlan, há expectativa de que, ao se consolidar, o núcleo se transforme em uma agência de inovação, como as que já existem na Universidade de São Paulo (USP) e na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

“O NIT é um conceito que surgiu com a Lei de Inovação, que recomenda que as instituições de pesquisa criem escritórios para gerenciar suas atividades de inovação. Esperamos que ele evolua em breve para uma agência”, afirmou.

A estrutura atual do NIT-Unesp, segundo ela, é composta da gerente executiva, de um advogado que dará suporte jurídico aos pesquisadores e de uma secretária. “É uma estrutura simples, mas suficiente para dar início à missão de cuidar da proteção intelectual gerada na Unesp. O núcleo será um facilitador para a transferência de tecnologia, para as parcerias com o setor industrial em todos os níveis e para a prestação de serviços de alta tecnologia”, disse Vanderlan.

O núcleo, acoplado à Pró-Reitoria de Pesquisa, receberá suporte financeiro da Fundação para o Desenvolvimento da Unesp (Fundunesp), segundo a professora. “A pesquisa da Unesp estava ligada à Pró-Reitoria de Pós-graduação até junho deste ano, quando o reitor Marcos Macari criou a Pró-Reitoria de Pesquisa. Foi um grande passo para a universidade”, disse.

O núcleo deverá ser um facilitador para que os cientistas possam prospectar pesquisas de interesse. “A função da universidade é gerar conhecimento e formar recursos humanos. Não cabe a ela desenvolver o que quer que seja. Mas gerar conhecimento só faz sentido quando se traduz em bens e serviços para a sociedade. O pesquisador não deve ter essa responsabilidade. É nesse ponto que a agência terá um papel fundamental”, disse Vanderlan.

Segundo ela, os pesquisadores da Unesp produzem ciência de alto nível, mas, como ocorre em todo o país, não têm experiência em patentear invenções. “Sob constante pressão para publicar trabalhos e sem proteção intelectual, nossa produção científica se transforma em commodity para os laboratórios do primeiro mundo. Sem proteção intelectual, não há inovação”, afirmou.

Mais informações sobre o 1º Simpósio Unesp de Inovação no endereço.

Fonte: Fábio de Castro / Agência Fapesp