sábado, 22 de setembro de 2007

Patentes geradas pela Universidade da Califórnia renderam US$ 55 milhões em 2005

As patentes geradas pela Universidade da Califórnia (UC) renderam à instituição, em 2005, mais de US$ 55 milhões em pagamentos de royalties. Pode parecer muito para os padrões brasileiros, mas a cifra equivale a apenas 2% do investimento da universidade em pesquisa e não chega a 0,5% de seu orçamento total.

No entanto, mesmo com o modesto retorno financeiro, o diretor do escritório de transferência de tecnologia da UC, Gonzalo Barrera-Hernández, garante: a política de patentes da UC é um sucesso.

“O objetivo fundamental do nosso programa de transferência de tecnologia não é gerar recursos financeiros. Estamos em uma universidade pública e a meta, que cumprimos efetivamente, é beneficiar a sociedade com o desenvolvimento de terapias, diagnósticos e alimentos, por exemplo, além de apoiar parcerias de pesquisa com a indústria privada”, disse Barrera-Hernández.

O norte-americano apresentou, nesta quinta-feira (20/9), o seminário “Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia nas Universidades e Institutos de Pesquisa: a experiência da Universidade da Califórnia”, promovido pelo Núcleo de Patenteamento e Licenciamento de Tecnologia (Nuplitec) da FAPESP.

A UC lidera, há 13 anos consecutivos, o ranking das universidades norte-americanas que mais patenteiam invenções. Mas, de acordo com Barrera-Hernández, essa liderança é conseguida à custa de muito trabalho, que apenas em poucos casos significa retorno financeiro substancial. Segundo disse, são necessárias, em média, 400 inovações para que se chegue a um único produto licenciado capaz de gerar retorno acima de US$ 1 milhão.

“De cada 400 invenções propostas aos escritórios de transferência de tecnologia da UC, apenas 100 geram alguma patente. Das patentes, cerca de 50 chegam a ser licenciadas. Dessas 50, apenas 16 produzem algum faturamento, sendo que 15 delas geram menos de US$ 1 milhão. Ou seja, a grande maioria rende muito pouco. A UC já produziu 7.770 invenções, mas as 25 principais são responsáveis por 70% da renda de US$ 55 milhões em royalties”, afirmou.

Apesar da dificuldade, até 2003, 800 produtos haviam saído dos laboratórios da UC para o mercado. Mais de 300 empresas startup tiveram base em inovações da universidade, que tem orçamento anual de US$ 20 bilhões e investe US$ 2,4 bihões em pesquisa.

“Hoje, comercializamos, por exemplo, tecnologias para vacina contra hepatite B, adesivos de nicotina, hormônios do crescimento humano, variedades de morangos, testes para vírus de Aids felina e leucemia felina, tecnologias de ressonância magnética e para tratamento de aneurisma intracraniano. Mas é importante destacar que, dentro da concepção de benefício público, trabalhamos apenas com inovação guiada pela ciência. Nem as empresas nem a instituição estabelecem o que será pesquisado”, disse.

De acordo com Barrera-Hernández, a distribuição dos royalties na universidade é feita com 15% para os inventores e 35% para o laboratório. “O valor que a universidade recebe é usado integralmente para pesquisa e educação. O benefício público, além das tecnologias desenvolvidas, vem de um efeito secundário na economia do país, com a criação de empresas a partir da universidade.”

O pagamento de 15% para os pesquisadores tem o efeito de atrair recursos humanos para a universidade pública, segundo o cientista. “Consideramos que é um bom estímulo. Essa porcentagem atrai pesquisadores que decidem ficar na universidade. Hoje, nos Estados Unidos, os bons pesquisadores são atraídos por boas políticas de patentes”, disse.

Segundo o professor da UC, em 2006 os processos de patenteamento consumiram US$ 43,1 milhões. “Esse é o gasto bruto, incluindo todas as taxas. Não foi pago somente pela universidade. Se não geramos amplos recursos financeiros, também não somos deficitários”, disse.

Em 2006, o programa de transferência de tecnologias da Universidade da Califórnia registrou 1.304 invenções, gerando 265 patentes. Foram feitos 222 licenciamentos no mesmo ano.

Fonte: Fábio de Castro / Agência Fapesp

Brasil desenvolve soja resistente à ferrugem

O Brasil já tem uma variedade de soja resistente à ferrugem asiática, que é hoje a principal ameaça à cultura do grão no País. Em áreas atingidas pela doença, as perdas podem alcançar até 90% da produção.

Em fase final de teste pela Embrapa Soja, de Londrina (PR), a nova linhagem estará disponível no mercado em janeiro de 2008. Essa primeira variedade foi adaptada para o plantio no Centro-Oeste, região de maior produção no País.

A pesquisa, que conta com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCT) do Fundo Setorial de Agronegócio da ordem de R$ 2,8 milhões, permitiu a realização de estudos em 452 variedades comerciais de soja. Dessas, apenas 11 apresentaram algum tipo de resistência à ferrugem.

O projeto prevê, agora, o desenvolvimento de linhagens específicas para cada região do País.

“A ferrugem asiática é provocada por um fungo que sofre mudanças com o passar do tempo e se apresenta com características distintas dependendo das condições de cada lavoura, especialmente o clima”, afirma o pesquisador de biotecnologia da Embrapa Soja e coordenador do projeto, Ricardo Vilela Abdelnor.

Regiões de muita umidade, por exemplo, são mais propensas ao desenvolvimento da doença. “Estamos investigando toda a cadeia da ferrugem, até para saber o que torna uma planta mais resistente que a outra”, afirma o pesquisador.

Os estudos realizados pela Embrapa permitiram, ainda, a montagem de uma rede para difusão de informações sobre a doença e a realização de cursos direcionados a produtores, técnicos e agrônomos, para identificação e controle do fungo.

Segundo o pesquisador, o diagnóstico na fase inicial é extremamente importante, pois possibilita tentativas de controle com produtos químicos. No entanto, a identificação tem sido difícil, já que os sintomas podem ser confundidos com os de outras pragas. A ferrugem asiática ataca principalmente as folhas da soja fazendo com que elas caiam antes do tempo.

Histórico
Até então restrita aos países asiáticos, a ferrugem da soja foi detectada pela primeira vez no Brasil em 2000. Nos dois anos seguintes foram relatadas perdas de até 70% nas principais regiões produtoras. Isso representou uma perda estimada em 112 mil toneladas. Em 2004, apesar do aumento de 14% na área plantada, houve uma redução de 4% na produção de soja.

Segundo maior produtor e maior exportador de soja no mundo, o Brasil produz mais de 50 milhões de toneladas ano. As regiões de maior plantação são o Centro-Oeste, com metade da produção, e o Sul, segundo dados de 2005 do IBGE. As exportações no mesmo ano chegaram a 13 milhões de toneladas, segundo a Secretaria de Comércio Exterior.

Fonte: Finep

Rede financiada pelo CNPq cria membrana natural de cicatrização

Rede financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT) consolidou a pesquisa em materiais poliméricos e contribuiu para a criação de produtos inovadores nas áreas de física, química e das engenharias.

Com o propósito de unir grupos experientes com tradição em pesquisa e jovens em formação para o desenvolvimento de pesquisa na área de nanociências e de nanotecnologias com materiais orgânicos e biopolímeros, foi formado o Instituto do Milênio de Materiais Poliméricos (IMMP), atualmente coordenado pela professora Yvonne Mascarenhas, do Instituto de Física de São Carlos, da Universidade de São Paulo.

O Instituto contribuiu para o desenvolvimento da tecnologia latex em terapias de regeneração que levou à criação de membrana natural de cicatrização, hoje produzida pela Indústria Pele Nova, com sede no Mato Grosso. Trata-se de material ativo que induz a formação de novos vasos sanguíneos na superfície sobre a qual é aplicado, acelerando a regeneração tecidual.

Dispositivos eletrônicos e optoeletrônicos
Os polímeros são materiais formados por uma macromolécula constituída de pequenos segmentos que se repetem por milhares de vezes formando uma longa cadeia, tendo como exemplos mais comuns os plásticos. Mas os materiais estudados pelo IMMP têm propriedades muito distintas da dos plásticos em geral. “Os materiais com os quais trabalhamos conduzem mais eletricidade e alguns são luminescentes, ou seja, emitem luz quando excitados eletricamente ou por outra fonte luminosa. Nossas pesquisas são voltadas ao estudo dessas propriedades não usuais nos polímeros, e outros sistemas orgânicos, e à aplicação desses materiais em dispositivos eletrônicos e optoeletrônicos”, explica Yvonne Mascarenhas, pesquisadora 1A do CNPq.

A utilização de materiais orgânicos em dispositivos eletrônicos e optoeletrônicos vem sendo objeto de pesquisa há quase 20 anos e, mais recentemente, começaram a se formar as primeiras indústrias no mundo. O IMMP vem contribuindo para que o Brasil faça parte dos países produtores dessa nova indústria eletrônica, atuando na transferência dos conhecimentos acadêmicos para as empresas do setor.

Língua eletrônica
Como resultado das pesquisas em dispositivos dentro do Instituto, já foram registradas três patentes. Uma delas sobre processamento de Diodos Eletroluminescentes poliméricos (P-OLEDs, Polymer-Organic Light Emitting Diode) e outras em sensores orgânicos.

Outros produtos resultantes de pesquisas desenvolvidas pelo Instituto foram os sensores de sabor. Os estudos tiveram início em um grupo pertencente ao IMMP em colaboração com pesquisadores da Embrapa. Dentre os produtos gerados está a chamada língua eletrônica, um sensor gustativo para avaliação de bebidas, entre elas, a água, vinho e café, desenvolvida pela Embrapa, em parceria com a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Esse dispositivo representa um avanço no controle de qualidade para a indústria alimentícia, vinícolas e estações de tratamento de água. O sensor permite, por exemplo, verificar a qualidade da água, com rapidez, precisão, simplicidade e a um custo baixo, identificando a existência de contaminantes, pesticidas, substâncias húmicas e metais pesados.

Outros grupos de pesquisa dentro do IMMP desenvolvem outras pesquisas em sensores de líquidos, e também de gases, para inúmeras outras aplicações, como por exemplo, na área de controle de combustíveis, de monitoração de poluentes e também para aplicações na indústria alimentícia.

Recursos financeiros aplicados
O grupo foi formado em 2001, a partir do primeiro edital dos Institutos do Milênio do CNPq, tendo recebido, para o período de quatro anos, um total de R$ 1,7 milhão para custeio e R$ 170 mil em bolsas concedidas. Contemplado novamente em 2005, o IMMP irá receber mais R$ 1,5 milhão até 2008.

Formação de Recursos Humanos
Segundo a coordenadora Yvonne Mascarenhas, um dos resultados mais importantes foi a implantação e a fixação de uma área nova de pesquisa no Brasil. Para a professora, ”a eletrônica doSséculo XXI será, sem dúvida, em grande parte dominada pelos materiais orgânicos, sobretudo pelos polímeros”.

O IMMP possibilitou a formação de mestres e doutores nessa área, além de muitos grupos de pesquisa terem sido criados e alimentados dentro do instituto. “Do lado da interação universidade/empresa, o IMMP teve, e tem, um papel muito importante. Além de divulgar o potencial comercial de novos produtos eletrônicos e optoeletrônicos e gerar o interesse de empresários no setor, grupos do IMMP vêm participando de projetos aplicados junto com empresas que têm por objetivo desenvolver processos e produtos”, explica a coordenadora.

Além disso, Yvonne aponta que o número de publicações científicas brasileiras na área já é relevante e que o Brasil vem dando contribuições inéditas ao desenvolvimento científico em eletrônica orgânica. “Cumprida essa missão, o IMMP continua procurando parcerias na área industrial”, conclui.

Fonte: CNPq

Serviço automático de alerta de raios é lançado pelo INPE

O Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT) lançará, na próxima segunda-feira (24), uma nova versão de seu site com o Serviço Automático de Alerta de Raios.

Destinado à proteção de equipamentos contra sobre-tensões de origem atmosférica, o alerta será realizado de forma automática com envio de mensagens SMS para o telefone celular e/ou e-mail do cliente através das informações da Rede Brasileira de Detecção de Descargas Atmosféricas (BrasilDAT).

Primeiro do gênero desenvolvido na América do Sul e um dos pioneiros no mundo, o novo serviço deverá auxiliar órgãos do governo federal, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, aeroportos, hospitais, centros de computação, microempresas e até mesmo pessoas físicas, no combate aos danos provocados pelos raios. E deve ajudar a minimizar os prejuízos causados por raios que, segundo o Elat, chegam a um bilhão de reais por ano.

Viabilizado com o apoio da Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais (Funcate), o Alerta de Raios estará funcionando a partir das 8h de segunda-feira (24), um dia após o início da primavera que, junto com o verão, são as estações do ano onde ocorrem 70% dos raios no Brasil.

Além do serviço de alerta, o site tem como novidades o layout mais moderno e um novo mapa de incidência de raios em tempo real, com o número de raios diários nos diversos estados, mais informações científicas e um boletim atualizado com notícias de raios do mundo todo.

O evento de lançamento ocorreu dia 21, no Inpe, em São José dos Campos (SP), com a apresentação de uma palestra do chefe do Elat, Osmar Pinto Junior, sobre o impacto do aquecimento global sobre os raios no País e suas conseqüências para a sociedade, em particular para o setor elétrico e o meio ambiente.

Fonte: Agência CT

Workshop Gestão de Tecnologia: os casos dos Núcleos de Inovação Tecnológica

Disseminar a importância da gestão da tecnologia por meio das políticas de inovação e das atividades relacionadas à propriedade intelectual e à transferência de tecnologia.

Esse é o objetivo do Workshop Gestão de Tecnologia: os casos dos Núcleos de Inovação Tecnológica, que será realizado no dia 25 de setembro, em São Carlos.

O evento, aberto ao público, é promovido pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e pela Fundação de Apoio Institucional ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FAI), com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

Mais informações pelo endereço ou telefone (16) 3351-9043.

Fonte: Agência Fapesp

Floresta Amazônica resiste mais do que se esperava ao estresse hídrico

Amazon forests green-up during 2005 drought

Um artigo publicado na edição desta sexta-feira (21/9) da revista Science aponta que a floresta amazônica pode ser mais resistente do que se imaginava. Mesmo com a pouca disponibilidade de água durante a seca, em vez de declinar, a floresta não apenas se manteve intacta como o verde das folhagens aumentou significativamente.

Segundo um dos autores do trabalho, Humberto Ribeiro da Rocha, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo (USP), que analisou o período de seca entre julho e setembro de 2005 por meio de imagens de satélite, esse fenômeno ainda não havia sido descrito pelos modelos físico-matemáticos que simulam as interações entre a vegetação terrestre e a mudança no clima global.

“As análises indicam uma reação ao estresse hídrico muito mais favorável à sobrevivência da floresta do que se pensava. Essa reação, que ocorreu em médio e curto prazo, manifestou-se na recuperação da capacidade fotossintética das folhas após um período de estiagem muito longo, comparável aos eventos mais intensos do El Niño”, disse Rocha.

A seca que ocorreu na Amazônia em 2005 foi a primeira anomalia climática desde que o satélite utilizado no estudo, o Terra/Modis, da Nasa, a agência espacial norte-americana, foi lançado em 1999 – o que forneceu uma oportunidade única para comparar a resposta da floresta em grandes escalas. As análises foram feitas no sudoeste e na região central da Amazônia.

Apesar da limitação no fornecimento de água às espécies vegetais, o fenômeno poderia ser explicado pela maior disponibilidade da luz solar e pela possível captação de água por meio de raízes profundas capazes de extrair a umidade do solo.

“Há evidências descritas de que as árvores da floresta tropical úmida na Amazônia acessam a água a até pelo menos 10 metros de profundidade nos períodos de estiagem. Trata-se de um reservatório de água disponível sobre o qual as espécies se adaptaram evolutivamente”, explica o professor do Departamento de Ciências Atmosféricas do IAG.

Segundo Rocha, a floresta úmida da Amazônia, em resposta às variações climáticas naturais, tende a aumentar a produtividade no período das chuvas, mantendo uma produção em níveis ainda substanciais na estiagem, quando demanda mais água para compensar o aumento do calor. “É entre o meio e o fim da estação seca, em um período não maior do que dois meses, que a floresta tropical reage e ocorre a rebrota das folhas verdes”, afirmou.

Para ele, o mesmo fenômeno não deve ter ocorrido novamente. “Em 2006 e 2007 não houve padrão de seca como em 2005, que foi uma das secas mais intensas registradas nos últimos 60 anos.”

Fenômenos diferentes, mas interligados
O estudo, no entanto, não indica que a floresta manteve a assimilação de carbono na biomassa, nem que vá manter a produtividade em casos de prolongamento do período de seca. “Nossa expectativa é que o fenômeno identificado não invalide as previsões feitas para a savanização da Amazônia caso o clima se torne sistematicamente mais seco e quente, como alguns modelos globais estão prevendo”, explica Rocha.

O trabalho também não altera a compreensão de como a floresta amazônica é vulnerável a estresses climáticos como o desmatamento e as queimadas, que inclusive podem ser causados pela seca. Mas sugere que a vulnerabilidade da floresta aos efeitos climáticos precisa ser avaliada com cuidado em novos estudos que cruzem informações de observações com os dados dos modelos de previsão climática.

Segundo o professor do IAG, a hipótese de savanização da Amazônia foi concebida com base nas premissas de que um novo estado do clima, mais quente e seco, persistiria e que o ecossistema estivesse em equilíbrio com esse clima, o que demandaria uma escala de tempo de várias décadas.

“A seca da Amazônia em 2005 foi muito intensa, mas, por ter sido um evento transitório, não se enquadra exatamente nessas premissas. Portanto, a comparação não é perfeitamente legítima, apesar de haver uma associação entre os dois pontos, não antagonista, mas complementar, o que deverá ter impacto nas previsões climáticas dos próximos 10 ou 20 anos. São fenômenos de escalas diferentes, mas que podem pertencer a uma mesma dinâmica”, disse.

O artigo também é assinado por Scott Saleska, Kamel Didan e Alfredo Huete, da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos.

O texto Amazon forests green-up during 2005 drought, de Humberto Ribeiro da Rocha e outros, pode ser lido por assinantes da Science.

Fonte: Thiago Romero / Agência Fapesp

Lançada a TV BRASIL - canal de integración para a América do Sul

A TV Brasil – Canal Integración pode ser assistida pela internet. Desde o dia 17 é possível acompanhar ao vivo a programação do canal pela rede Ipê, infra-estrutura de alta velocidade de transmissão operada pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP).

A iniciativa é resultado de parceria entre a RNP e a Radiobrás. A TV Brasil surgiu do interesse conjunto dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário de criar serviços televisivos destinados ao exterior, com o intuito de estimular o intercâmbio cultural entre os países da América do Sul. Trata-se do primeiro canal público brasileiro com alcance internacional.

Para captar o sinal da TV Brasil e viabilizar a transmissão pela rede foi instalada uma antena no alto do prédio da RNP, em Brasília. Esse sinal passa por um processo de digitalização e codificação para ser transmitido pela internet em tempo real. O codificador está hospedado no Internet Data Center da RNP. O sinal da TV Brasil também pode ser captado por cabo, parabólica ou satélite.

Assista através do endereço.


Fonte: Agência Fapesp

Definidas prioridades do acordo de cooperação Científica e Técnica Brasil – União Européia

Terminou nesta sexta-feira (21) a 1ª Reunião do Comitê Diretivo de Cooperação Científica e Técnica Brasil – União Européia (CDC). O Acordo de Cooperação foi celebrado em janeiro de 2004 e entrou em vigor a partir de dezembro de 2006.

O evento aconteceu no Palácio do Itamaraty, em Brasília, e contou com a presença do secretário executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Luis Antonio Elias, que representou o ministro Sergio Rezende.

Após as considerações finais, foi aprovado um Comunicado Conjunto à Imprensa, reproduzido na íntegra logo abaixo:

"Realizou-se nos dias 20 e 21 de setembro de 2007, no Palácio Itamaraty, em Brasília, a I Reunião do Comitê Diretivo de Cooperação Científica e Técnica Brasil – União Européia (CDC). A iniciativa ocorre no contexto da parceria estratégica entre o Brasil e a União Européia, inaugurada durante a Cúpula de Lisboa, em 4 de julho de 2007. A reunião coincidiu com a visita ao Brasil do Senhor José Manuel Silva Rodríguez, Diretor-Geral de Pesquisa da Comissão Européia.

Os membros do CDC discutiram áreas prioritárias para a cooperação e modalidades de execução dos projetos conjuntos, além de iniciativas específicas nas áreas de fusão nuclear, infra-estrutura de redes e cooperação acadêmica. As seguintes áreas foram indicadas como de interesse prioritário para a colaboração em pesquisa e desenvolvimento: biotecnologia, nanotecnologia, energia, tecnologias de informação e comunicações, aeroespacial, saúde e infra-estrutura. Tais áreas serão detalhadas em contatos bilaterais específicos.

O lado brasileiro apresentou, também, lista abrangente de áreas prioritárias para a cooperação entre instituições brasileiras e européias, que serão consideradas para implementação por meio das modalidades mais apropriadas disponíveis nas duas Partes. O Comitê deverá acompanhar o desenvolvimento da cooperação, em bases permanentes.

O Comitê avançou, ainda, entendimentos com vistas ao lançamento de editais para seleção e financiamento conjuntos de projetos de pesquisa e desenvolvimento. Uma das áreas promissoras para iniciar essa modalidade de cooperação é a de tecnologias de informação e comunicações e suas aplicações em diversas áreas.

O CDC confirmou o interesse das Partes em lançar os procedimentos para concluir um acordo bilateral sobre pesquisa em energia de fusão nuclear. O CDC também registrou o interesse das Partes em explorar formas para um possível envolvimento brasileiro no ITER, maior projeto de pesquisa no mundo sobre nova fonte de energia limpa.

O Comitê registrou, ainda, interesse mútuo na cooperação em matéria de energia nuclear para fins pacíficos. Na área de infra-estrutura de redes de educação e pesquisa, as Partes reiteraram o interesse em assegurar a continuidade na operação da Rede Clara (Cooperação Latino-Americana de Redes Avançadas), mediante a renovação tempestiva do projeto Alice, da União Européia, que a co-financia. As partes registraram, ainda, a possibilidade de expandir o intercâmbio de pesquisadores.

O CDC é o fórum responsável pela supervisão do Acordo de Cooperação Científica e Tecnológica, celebrado em 19 de janeiro de 2004 e em vigor desde 15 de dezembro de 2006. O Comitê é integrado, do lado brasileiro, por representantes do Itamaraty, do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Pelo lado europeu, integram-no representantes da Comissão Européia. O Comitê contou com o auxílio de uma Comissão de Assessoramento, que reuniu representantes de diversas instituições brasileiras interessadas na cooperação em ciência e tecnologia com a União Européia."

Fonte: Gestão CT

Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi ganha novo habitante

A cada ano a lista de espécies de animais ameaçadas de extinção tem aumentado. Com o avanço da atividade humana sobre a floresta, seja por meio da caça predatória ou das queimadas, a reprodução de espécies é cada vez mais improvável.

Entretanto, longe das matas, em pleno centro urbano de Belém do Pará, o milagre da vida aconteceu no Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG/MCT): nasceu um filhote de anta e, dentro de algumas semanas, nascerão guarás.

Anta (Tapirus terrestris)
O veterinário responsável pela fauna do Parque Zoobotânico, Messias Costa, informa que as antas sempre se reproduziram no Parque Zoobotânico, que tem uma área de 5,2 hectares. O pequeno "Zangão" já tem algumas semanas de vida e nasceu pesando em torno de 5 kg. Quando ficar adulto, Zangão poderá atingir até 350 kg.

Mas, por que esse nome para um filhote de anta? "O nome é uma provocação às abelhas africanas, que causaram a morte de um espécime de anta do Parque, em 2006. Zangão é a prova de que, apesar das adversidades, a vida sempre encontra meios de se proliferar", explica Messias. Este é o segundo filhote de anta que nasce após o incidente do ano passado.

Os filhotes de anta nascem com manchas claras e escuras sobre a pele, como se fossem "malhados". Essas manchas, no habitat natural, servem como meio de camuflagem na mata, evitando o ataque de possíveis predadores. Após 9 meses, as manchas somem dando lugar a uma coloração marrom.

As antas dão à luz a apenas um filhote por gestação, que dura pouco mais de um ano. Nas primeiras semanas de vida, os recém-nascidos se alimentam basicamente do leite materno. É só a partir do primeiro mês de vida que eles passam a comer alguns frutos.

E o uso do nome da espécie para designar pessoas de pouca inteligência? Será que procede? "em contrário ao uso pejorativo de seu nome, a anta é um dos animais mais bem sucedidos em termos evolutivos. Possui um corpo com formato semelhante a um cone, que propicia uma melhor locomoção entre a vegetação na floresta, e a pequena tromba serve para coletar galhos do solo e outros resíduos. Enxergam pouco, mas possuem um olfato muito desenvolvido", diz Messias.

Guará
Outra espécie que está se reproduzindo no Parque, o guará, é velha conhecida dos visitantes do Parque. As aves dessa espécie, de plumagem avermelhada, habitam o Parque Zoobotânico desde a sua fundação, em 1895. Os guarás já se reproduziram outras vezes no PZB, mas, desta vez, existe uma novidade: é a primeira vez que a espécie se reproduz no novo recinto das Aves Brejeiras.

Diferente dos adultos, os filhotes nascem com uma plumagem preta. Tal como a anta, essa coloração serve para proteger os pequenos guarás de possíveis predadores. Alimentam-se principalmente de pequenos crustáceos, como camarões, ricos em caroteno – substância responsável pela plumagem avermelhada da espécie, quando adulta.

No Parque Zoobotânico há cinco ninhos visíveis, mas, segundo Messias, é provável que haja outros. E o biólogo alerta: "Não deve ocorrer interferência humana na área de reprodução dos guarás, sob o risco de abandonarem os ninhos".

Uma das características dos guarás é que a espécie se reúne em grupos no período de reprodução. Tanto que alguns exemplares da espécie, que fazem parte da fauna livre do Parque, fizeram seus ninhos na parte externa do novo recinto das Aves Brejeiras, onde estão os outros guarás.

Para Messias "a reprodução desses animais é um motivo de alegria para o Parque. Tomamos todos os cuidados necessários para que elas vivam e se reproduzam com saúde, ainda que num pedaço da Amazônia em pleno centro de Belém".

Fonte: Tiago Araújo / Agência CT