sexta-feira, 21 de setembro de 2007

UnB desenvolve protótipo de propulsor de plasma

O protótipo de um propulsor a plasma capaz de aumentar a vida útil de satélites brasileiros de pequeno e médio porte foi desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Física da Universidade de Brasília (UnB).

Batizado de Phall-I, o equipamento utiliza uma técnica inovadora para a economia de energia elétrica necessária para acionar os propulsores usados para colocar os satélites em órbita ou corrigir eventuais desvios.

O dispositivo emprega um arranjo de ímãs como fonte de campo magnético, combinado com um campo elétrico – gerado por um anodo no interior de um canal de formato cilíndrico em que o plasma é produzido e acelerado eletromagneticamente. O jato de plasma expelido faz com que o satélite se movimente em resposta ao empuxo produzido.

Plasma é um gás altamente ionizado e constituído por elétrons e íons positivos livres, de forma que a carga elétrica total é nula. Segundo o coordenador do trabalho, José Leonardo Ferreira, chefe do Laboratório de Plasma da UnB, a técnica permite a diminuição em até 30% da energia elétrica.

“Os propulsores a plasma do tipo Hall foram inventados por pesquisadores russos na década de 1970. O que fizemos foi usar o mesmo princípio e adicionar um novo sistema de produção de campo magnético, mais econômico do ponto de vista do consumo de energia elétrica”, disse Ferreira à Agência FAPESP.

“Ímãs permanentes são acoplados no propulsor. O campo magnético produzido contribui de maneira mais eficiente para a geração e aceleração do plasma que movimentará o satélite, fazendo com que parte da energia não seja mais extraída das baterias”, explicou.

O propulsor tem capacidade de gerar 85 milinewton de empuxo, produzir entre 10 e 12 partículas de plasma por centímetro cúbico e acelerar o plasma em até 600 elétrons-volts. “Essas características inserem nosso protótipo no mesmo nível de propulsores desenvolvidos pela Rússia, França e Estados Unidos”, afirmou Ferreira.

Os ímãs de ferrita e de neodímio-ferro utilizados no protótipo são todos fabricados no Brasil. Segundo o professor, esse primeiro protótipo foi construído para mostrar que o princípio de economia de energia elétrica das baterias funciona. Os pesquisadores estão em fase de desenvolvimento de um segundo protótipo, o Phall-II, que deverá ser mais potente, mais leve e menor.

Os testes com o Phall-I foram realizados em uma câmara de vácuo com dois metros de comprimento e pressão um milhão de vezes menor do que a atmosférica, que também foi construída pelos pesquisadores na UnB.

“Uma das finalidades desse novo propulsor a plasma é aumentar a vida útil dos satélites geoestacionários que estão em órbita no Brasil”, afirma Ferreira. Apesar do objetivo comum de desenvolver a propulsão a plasma no Brasil, o protótipo da UnB é diferente do propulsor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Pion, que é desenvolvido desde a década de 1980 e utiliza campos elétricos para a aceleração eletrostática do plasma que movimentará os satélites.

“Ainda que o nosso protótipo seja inovador, por utilizar ímãs para geração de um campo eletromagnético, ele é secundário. O Pion é o principal projeto de desenvolvimento de tecnologias para propulsores a plasma no Brasil. O Inpe têm três protótipos prontos e está bem mais próximo de começar os primeiros testes de qualificação espacial”, disse Ferreira.

Os trabalhos da UnB são realizados em parceria pelo Laboratório de Plasma e pelo Grupo de Automação e Controle da Engenharia Mecânica da UnB, com apoio financeiro do Programa Uniespaço da Agência Espacial Brasileira (AEB).

Fonte: Thiago Romero / Agência Fapesp

Avanços na luta contra a AIDS

O desenvolvimento de uma vacina que impeça o contágio pelo HIV é impossível com as tecnologias atuais, segundo o professor Edecio Cunha-Neto, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), coordenador de um grupo de pesquisa que trabalha em busca de uma vacina contra o vírus da Aids.

Entretanto, de acordo com o cientista, um imunizante capaz de diminuir a carga viral no organismo poderia reduzir drasticamente a transmissibilidade da doença, beneficiando especialmente as populações de baixo nível socioeconômico.

“A extrema variabilidade do vírus impede o desenvolvimento de uma vacina que induza à produção de anticorpos que se ligariam à sua superfície, impedindo que ele entre na célula. Por isso, optamos por uma abordagem que não é voltada para evitar o contágio e sim para atenuar a evolução da doença”, disse Cunha-Neto.

De acordo com o pesquisador, o modelo de vacina buscado, ao reduzir a carga viral, aumentaria substancialmente o período em que o indivíduo infectado ficaria assintomático, sem necessidade de medicamentos. Além disso, em termos epidemiológicos, a taxa de transmissibilidade do vírus cairia.

“A relação entre as taxas de transmissão e a quantidade de vírus circulante no organismo foi comprovada. Uma vacina como essa seria importante especialmente para populações que não têm acesso à prevenção. Em regiões de nível socioeconômico muito baixo, como na África e Ásia, ela poderia ter um papel revolucionário, mesmo sem ser capaz de inibir o contágio”, afirmou.

O mecanismo imunológico utilizado, em vez de gerar anticorpos, induz uma resposta imunológica celular, aumentando o número de linfócitos T – glóbulos brancos especializados em matar células contaminadas – e reduzindo a carga viral.

“Quando o vírus entra na célula e funde seu material genético com o dela, a célula passa a replicar o vírus e pode se tornar um alvo para as células T. Em uma minoria dessas células, o HIV fica escondido e não é identificado pelos linfócitos, mas a destruição das outras garante a diminuição da carga viral, baixando a transmissibilidade”, disse Cunha-Neto.

Os pesquisadores queriam uma vacina que pudesse cobrir a maior porcentagem possível da população em geral. “O primeiro passo foi identificar regiões do HIV que pudessem ser reconhcidas amplamente, o que foi feito com o auxílio de softwares específicos. Em seguida, fizemos testes biológicos de resposta imune e constatamos que os fragmentos selecionados foram reconhecidos pelo sistema de defesa de mais de 90% das pessoas”, disse.

Em uma segunda etapa, a vacina de DNA contendo fragmentos do vírus foi injetada em camundongos para se verificar a resposta imune dos animais contra eles. Quase 10% de todos os linfócitos T dos camundongos responderam à vacina.

Animados com os resultados, os pesquisadores começaram uma fase mais detalhada da pesquisa para saber, por exemplo, se será possível ampliar a intensidade da resposta imune ainda mais com a utilização de adjuvantes – substâncias acrescentadas a uma vacina para aumentar a resposta imunológica. “Se colocássemos 10% das células humanas reagindo contra o HIV, já poderíamos dizer que a vacina é eficaz”, afirmou o pesquisador.

Testes em humanos
A vacina brasileira começou a ser pesquisada em 2001, segundo Cunha-Neto. A etapa dos modelos experimentais teve início em 2007, quando o projeto recebeu financiamento da FAPESP na modalidade Auxílio a Pesquisa.

O projeto conta com uma equipe de dez pesquisadores e está sendo conduzido pelas bolsistas Daniela Santoro Rosa e Susan Ribeiro, de pós-doutorado e doutorado, respectivamente, sob coordenação de Cunha-Neto. A conclusão está prevista para julho de 2009.

“Até agora trabalhamos com a vacina conhecida como DNA nu, mas essa não é a forma ideal de vacina para humanos. Estamos atualmente pesquisando formulações que incluam o fragmento de DNA do HIV dentro de outro vírus – o que faz com que a resposta seja mais vigorosa”, disse Cunha-Neto.

Com a vacina desenhada, o próximo passo consistirá em uma migração para experimentos em primatas. “O sistema imune dos macacos é mais parecido com o humano. Com os macacos podemos trabalhar também infectando os animais com o vírus SIV, bastante parecido com o HIV. Assim podemos reproduzir o efeito da vacinação sobre a infecção”, explicou.

A etapa seguinte seria a primeira fase de ensaios em humanos, que seriam sujeitos à vacina para observação da resposta imune. Mas essa fase, segundo Cunha-Neto, ainda está bastante distante.

“Caso a resposta fosse positiva, como nos experimentos até agora, poderíamos partir para os testes de proteção, com imunização de um grupo bem maior de indivíduos com alto risco de contaminação, que depois seriam acompanhados para verificação do impacto na carga viral”, disse.

Atualmente, cerca de 20 vacinas contra o HIV estão sendo testadas no mundo, duas em fase clínica adiantada: uma desenvolvida pelos Institutos Nacionais de Saúde (NIH), nos Estados Unidos, e outra pelo laboratório Merck.

Fonte: Fábio de Castro / Agência Fapesp

R$ 15 milhões para tecnologia da informação e engenharia de software

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) anunciou que destinará R$ 15 milhões para o financiamento de projetos de pesquisa que visem ao desenvolvimento da informática no Brasil, nas áreas de tecnologia da informação e engenharia de software.

Serão selecionadas propostas por meio de dois editais. Os recursos são do Fundo Setorial de Tecnologia da Informação (CT-Info) do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).

O primeiro edital, que atende o Programa de Apoio à Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Tecnologia da Informação (PD&I-TI), tem o objetivo de apoiar projetos de pesquisa em áreas relacionadas aos temas lançados pela Sociedade Brasileira de Computação (SBC).

As propostas devem ser apresentadas até 4 de novembro por pesquisadores, grupos ou núcleos de excelência já consolidados que atuem na área de Tecnologia da Informação.

Segundo o CNPq, serão contempladas propostas que envolvam assuntos como gestão da informação em grandes volumes de dados multimídia distribuídos; modelagem computacional de sistemas complexos artificiais, naturais e socioculturais e da interação homem-natureza; impactos para a área da computação da transição do silício para novas tecnologias; e acesso participativo e universal do cidadão brasileiro ao conhecimento.

Os projetos desse primeiro edital serão enquadrados em categorias diferentes, em função de seus objetivos, tamanho da equipe, duração e faixa de recursos demandados. Serão destinados R$ 9 milhões em dois anos.

O segundo edital é uma ação do Programa para Promoção da Excelência do Software Brasileiro e irá selecionar propostas para concessão de bolsas de doutorado em Engenharia de Software. A intenção é apoiar e promover a consolidação dos programas de pós-graduação nessa área.

As propostas devem ser encaminhadas ao CNPq por coordenadores de programas de pós-graduação, credenciados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

As propostas aprovadas serão financiadas com R$ 6 milhões. As inscrições serão feitas em duas chamadas. A primeira, com prazo final no dia 4 de novembro, selecionará propostas a serem contratadas em novembro deste ano.

Para a segunda chamada, cujos projetos aprovados serão contratados a partir de março de 2008, o prazo final para submissão de propostas é 25 de janeiro de 2008. As propostas para os dois editais devem ser encaminhadas por meio de formulário eletrônico disponível na página do CNPq.

Fonte: CNpq