segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Produtos naturais como candidatos a fármacos úteis no tratamento do mal de Alzheimer

Natural products as candidates for useful drugs in the treatment of Alzheimer's disease
O custo estimado do tratamento de um paciente com doença de Alzheimer moderada é de 30 mil dólares por ano. Com base nesse dado – e no fato de que existem apenas quatro medicamentos comerciais aprovados para o combate a esse mal –, cientistas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Araraquara (SP), e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), resolveram estudar o uso de produtos naturais para desenvolver candidatos a fármacos para o tratamento da doença.

“A idéia foi estudar a utilização etno-farmacológica de plantas brasileiras populares que possuem alguma identificação com o sistema nervoso central”, explica Carlos Alberto Manssour Fraga, do Laboratório de Avaliação e Síntese de Substâncias Bioativas (Lassbio), da UFRJ.

De acordo com os pesquisadores, o mal (ou doença) de Alzheimer é uma desordem neurodegenerativa, de grande impacto sócioeconômico, responsável por cerca de 60% do número total de casos de demência em pessoas com mais de 65 anos. O problema atinge mais de 15 milhões de pessoas em todo o mundo.

Os resultados da pesquisa, entitulada “Produtos naturais como candidatos a fármacos úteis no tratamento do mal de Alzheimer”, foram publicados na edição de julho da revista Química Nova. O estudo identificou 58 extratos, de 30 espécies de diversos gêneros vegetais, que poderiam conter substâncias inibidoras da doença. A partir do trabalho de triagem, a Paullinia cupana (guaraná), a Amburana cearensis (cumaru) e a Lippia sidoides, foram algumas das espécies que demonstraram excelentes resultados.

A pesquisa gerou um produto derivado de uma planta do gênero Cassia spectabilis, encontrada na Mata Atlântica e no Cerrado, que já está em fase de produção em parceria com uma indústria farmacêutica. “Trata-se de um forte candidato a fármaco, com perfil exatamente igual, e em algumas situações até melhor, do que os medicamentos que existem no mercado”, afirma.

Segundo o pesquisador, o estudo evidencia a necessidade de conhecer melhor os produtos oriundos da biodiversidade brasileira. “A utilização de produtos naturais brasileiros como fontes de estruturas para o desenvolvimento de novos fármacos é extremamente viável”, garante Fraga.

Fonte: Thiago Romero /Agência FAPESP - 17/09/2004

Biodiversidade - Construção de mapas de preservação e conservação

Cerca de 180 pesquisadores participaram na última sexta-feira (14/9), no Instituto de Botânica, em São Paulo, de um workshop com a proposta de traçar um mapa que indique as áreas prioritárias para ações de conservação e de restauração da biodiversidade em território paulista.

De acordo com Ricardo Ribeiro Rodrigues, coordenador do Programa Biota-FAPESP, organizador do evento, a pressão ambiental ligada à escalada dos biocombustíveis no país aumenta ainda mais a importância do mapa integral de áreas prioritárias, que será finalizado em outubro.

“Estamos num momento crítico de aprovação de diversas novas usinas de cana-de-açúcar no estado. O mapa virá em ótima hora, já que os órgãos licenciadores poderão usar as informações para definir estratégias de compensação”.

Segundo Rodrigues, em muitos casos a aprovação de novas usinas estará vinculada ao estabelecimento de verbas de compensações. “O mapa dará base científica para definir áreas a serem usadas em unidades de conservação, ou para restauração, por exemplo, definindo a própria ocupação da área agrícola na região da nova usina.”

Se nova usina for criada em uma região com muitos fragmentos de florestas, será possível propor que aqueles fragmentos sejam protegidos e interligados com corredores ecológicos, com recuperação das matas ciliares ou da reserva legal.

“A criação das usinas é inevitável. Precisamos portanto propor que essa implantação da área agrícola seja a mais ambientalmente adequada em termos de conservação e restauração”, disse o professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo.

Prioridade geral
Rodrigues afirma que a principal função do mapa da biodiversidade será a de fornecer subsídios científicos para estratégias de conservação e restauração. “Apenas 13% das áreas florestais ainda existem. Dado o estado de degradação, podemos dizer que todas as áreas são prioritárias. Trata-se agora de definir as estratégias”, disse.

Segundo ele, as áreas que forem consideradas de maior importância biológica deverão ser transformadas em unidades de conservação de proteção integral.

“As áreas sobre as quais não temos dados suficientes serão conservadas para estudo. E as que não contam com dados disponíveis e nem são prioridade biológica serão conservadas em outras categorias, como reserva legal ou área passível de manejo”, disse.

A reserva legal é um mecanismo da legislação brasileira que determina a destinação de 20% das propriedades particulares para atividades de produção menos impactantes. Embora exijam espécies nativas e não seja permitido o corte raso, essas áreas permitem criação de áreas de manejo florestal.

“Hoje, o déficit de reserva legal é de 12%. Temos apenas 8% de florestas ou áreas agrícolas pouco utilizáveis. As compensações das criações de novas usinas de cana-de-açúcar terão que considerar isso”, explicou Rodrigues.

O coordenador do Biota-FAPESP afirmou que os proprietários de usinas que têm maiores recursos econômicos estão comprando áreas de florestas remanescentes para compensar suas áreas agrícolas. “Com isso, eles conseguem compensar a reserva legal sem precisar se preocupar com recuperação florestal.”

Com esse processo, no entanto, as áreas que necessitam de recuperação sobrarão para os pequenos produtores que não têm capital para comprar florestas. “O pequeno produtor ficará com o ônus da recuperação. Com o mapa, será possível restringir as compensações por região – os grandes produtores terão que compensar dentro da área de cana. Se não houver mais área, terão que recuperar”, disse Rodrigues.

Os dados analisados tematicamente pelos pesquisadores serão sintetizados em um mapa único durante mais duas reuniões, marcadas para 10 e 11 de outubro.

Os dados biológicos que servirão de base para o mapa incluem mais de 200 mil registros de 10.491 espécies. Nesse universo, os pesquisadores definiram 3.326 espécies alvo – consideradas prioritárias para preservação, – o equivalente a 32% do total. Além disso, há grande quantidade de dados de paisagem e de meio físico.

Fonte: Fábio de Castro Agência Fapesp

Emerging Viruses: Global Approaches and Specificities of the Amazon Region

Reforçar as interações entre instituições nacionais e internacionais que atuam na área de virologia e favorecer o intercâmbio de pesquisas e pesquisadores da área, em particular em viroses emergentes que afetam ou poderão afetar a região amazônica.

Essa é a proposta central do curso Emerging Viruses: Global Approaches and Specificities of the Amazon Region (Vírus emergentes: abordagens globais e especificidades da região amazônica), que será realizado de 17 de novembro a 7 de dezembro, em Porto Velho (RO).

Outro objetivo é formar e treinar jovens pesquisadores na área de medicina tropical. O evento faz parte dos projetos de colaboração do Instituto Pasteur de Paris com instituições cientificas da América do Sul, por meio da Associação Amsud, sediada no Uruguai.

Estarão reunidos virologistas conhecidos mundialmente, originários de instituições estrangeiras como o Instituto Pasteur de Paris e de Cayenne, o Instituto Nacional de Saúde e da Pesquisa Médica (Inserm), também na França, o Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC), nos Estados Unidos, e as universidades de Montreal, Madri, Buenos Aires e Montevidéu.

Das instituições brasileiras, estarão presentes especialistas do Instituto Evandro Chagas, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Instituto de Pesquisas em Patologias Tropicais (Ipepatro), do Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer, da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Entre os temas que serão abordados em seminários, mesas-redondas e práticas de laboratório estão “Virus evolution and diversification”, “Phylogeny of viruses”, “Coordinating virus watch in South America”, “Alert and responsiveness to emerging virus infections”, “Mosquitos as hosts for viruses”, “Flaviviruses circulating in Guiana”, “Bat-transmitted human rabies in Brazilian Amazon”, “Chronic HPV infection and its prevention by vaccine", "Host range restriction of the influenza haemaggluttinin" e "Vaccine against rotavirus".

Organizam o encontro uma comissão composta de pesquisadores do Instituto Pasteur, do Instituto de Pesquisas em Patologias Tropicais (Ipepatro) e da Fiocruz.

Mais informações pelo e-mail ou pelo telefone (69) 3219-6010

Fonte: Thiago Romero / Agência Fapesp

3º Encontro de Pós-Graduação da Faculdade de Medicina de Botucatu

O 3º Encontro de Pós-Graduação da Faculdade de Medicina de Botucatu promoverá, de 20 a 22 de setembro, no interior paulista, a discussão de temas que permitam a atualização científica de alunos e professores da Universidade Estadual Paulista (Unesp)

Na ocasião também serão abordadas políticas que regem o Sistema Nacional de Pós-Graduação na área da saúde e outros assuntos relacionados à formação de mestres e doutores em medicina.

Mais informações no endereço.

Fonte: Agência Fapesp

Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia

A FAPESP, por meio do seu Núcleo de Patenteamento e Licenciamento de Tecnologia (Nuplitec) promoverá, no dia 20 de setembro, na sede da fundação paulista, o seminário Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia nas Universidades e Institutos de Pesquisa: a experiência da Universidade da Califórnia.

O objetivo é ampliar os debates sobre o tema e sobre as relações entre instituições de ensino e pesquisa e empresas.

O evento contará com a participação do professor Gonzalo Barrera-Hernandez, do Escritório de Transferência de Tecnologia da Universidade da Califórnia.

Mais informações pelo e-mail ou (11) 3838-4216

Fonte: Agência Fapesp

Estudo analisa a estabilidade oxidativa da cerveja

Para entender a estabilidade oxidativa da cerveja, Priscila Becker Siqueira, pesquisadora da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), analisou as características bioquímicas e sensoriais de três marcas brasileiras da bebida durante seu processo de envelhecimento.

O resultado, apresentado como dissertação de mestrado no Departamento de Ciências de Alimentos da FEA, é que, no fim de sua vida de prateleira, a cerveja perde até 50% de sua capacidade antioxidante, conferida principalmente por compostos fenólicos, em especial flavonóides, grupo de compostos químicos encontrados em alimentos como frutas, vegetais, vinhos e cereais. No caso da cerveja, esses compostos são provenientes do malte e do lúpulo.

“As atividades antioxidantes dos flavonóides auxiliam tanto a própria bebida, retardando seu envelhecimento, como também podem contribuir para a prevenção de diversas doenças, como as degenerativas e do coração, devido ao seqüestro de radicais livres do plasma sangüíneo”, disse Priscila.

Segundo ela, a cerveja contém cerca de 400 miligramas por litro (mg/l) de compostos fenólicos, enquanto o suco de goiaba, por exemplo, tem cerca de 700 mg/l e o suco de uva entre 1 e 2 gramas por litro. “Essa concentração é de fenóis totais, que incluem ácidos fenólicos e flavonóides como chalconas, flavanonas e flavonóis”, explicou.

Durante quatro meses de testes, a cada dez dias a pesquisadora colheu amostras e realizou cinco tipos de testes bioquímicos diferentes, além de análises sensoriais para identificação de modificações no aroma e sabor.

“Os resultados mostram que a cerveja pode perder, até o décimo quinto dia após a fabricação da bebida, até 35% de seus compostos fenólicos. Depois disso, a ação desses compostos se mantém constante até o sexto mês, quando se encerra a vida de prateleira média das cervejas, podendo perder mais 15% nesse período de estocagem do produto”, disse.

Nas análises sensoriais ao longo do envelhecimento, a pesquisadora constatou indicadores característicos do processo de oxidação da bebida, como o conhecido “gosto de papelão”.

“Isso é gerado pelo aumento da concentração de um aldeído presente na cerveja, chamado trans-2-nonenal. Além disso, há aumento do gosto doce e diminuição do amargo. Isso ocorre devido à reação de Maillard, efeito químico causado pela mistura de proteínas e açúcares”, disse.

A dissertação Estudo da cinética bioquímica e sensorial de diferentes tipos de cervejas brasileiras, orientada pela professora Gabriela Alves Macedo e co-orientada pela docente Helena Bolini, foi defendida e aprovada no início de setembro na Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp.

Fonte: Thiago Romero / Agência Fapesp